Livro “A Descoberta” Acaba de Sair do “Forno”

 
 

Fazia tempo que eu queria escrever um romance que tratasse de questões relacionadas com teísmo/ateísmo e criacionismo/evolucionismo, de maneira interessante e envolvente, com personagens bem construídos. Para essa empreitada, convidei o amigo escritor Denis Cruz (autor de Além da Magia e O Livro Amargo) e criamos uma história cheia de dilemas morais, emoção e discussões filosóficas e científicas (a linda capa é obra do designer Eduardo Olszewski).

O personagem principal é Carlos Biagioni, um físico nuclear brasileiro ateu bem-sucedido, mas com a família à beira da ruína e o casamento fracassado. Em meio a um turbilhão de emoções, intensa pesquisa e memórias dolorosas, ele dá início a uma jornada que vai mudar completamente sua visão de mundo, oferecendo-lhe a chance de curar feridas do passado e a possibilidade de olhar com esperança para o futuro. Viva você também essa experiência!

 
A Descoberta é uma ótima opção para quem deseja presentear pessoas que mantêm um ceticismo (e mesmo um ateísmo) do tipo mente aberta. Os que creem também vão se surpreender com a quantidade de argumentos apologéticos apresentada na trama pelos autores.
 
Em breve, o livro estará à venda pelos canais da Casa Publicadora Brasileira (CPB). Aguarde!
 
Fonte: Michelson Borges (Criacionismo)
 
 

O Alfabeto, o Livro e a Necessidade de Deus – O Argumento da Contingência

Livro e Letras saindo dele

Imagem: Gosto de Ler

Durante uma discussão com A. C. Grayling na 25ª edição do programa de rádio Unbelievable (Inacreditável), em março, Peter S. Williams forneceu uma boa e concisa apresentação do argumento cosmológico da contingência:

Uma vez feita a distinção entre coisas que têm causas e coisas que não têm causas, se alguma coisa existe, ou será o tipo de coisa que requer algo fora de si mesma para existir, ou o tipo de coisa que não requer isso. Se não é possível haver uma regressão infinita de coisas que requerem causas fora de si [e é verdade que há alguma coisa que requer causa fora de si: o universo e tudo o que nele existe]…, então, não pode haver uma regressão infinita de tais causas, e, portanto, você tem que ter um término dessa regressão [Deus é a melhor explicação para o término dessa regressão].

Para alguns que podem achar a explicação por demais concisa, vou extendê-la um pouco.

Podemos conceber dois tipos de coisas: aquelas cuja existência requer uma causa externa a si mesmas (seres “contingentes”), e aquelas cuja existência não requer uma causa externa a si mesmas (seres “necessários”). Dado o fato de que todas as coisas físicas – o universo, e tudo que nele há - não tinham de existir, e em determinado ponto no tempo não existiam, podemos concluir que eles são seres contingentes, cuja existência requer uma causa externa a si mesmos.

A natureza contingente da realidade física cria um problema para qualquer explicação naturalista da origem do universo. Para explicar a existência de um ser contingente X, deve-se apelar para um ser anterior W, que causou a existência de X; para explicar a existência do ser contingente W, deve-se apelar para um ser anterior V, que causou a existência de W; para explicar a existência do ser contingente V, deve-se apelar para um ser anterior U, que causou a existência de V, ad infinitum. Para explicar, em termos naturalistas, a existência do ser contingente X, então, teria de ter havido um número infinito de seres contingentes anteriores a X, que formam uma cadeia causal que conduz à existência de X.

Há dois problemas com isso. Em primeiro lugar, se houvesse uma regressão infinita de causas, isso tornaria realmente impossível explicar a existência de X. O filósofo Richard Purtill [1] oferece uma excelente analogia para ilustrar esse ponto. Imagine se eu lhe pedisse um livro emprestado. Você diz que não tem o livro, mas que vai perguntar a um amigo seu se ele tem uma cópia que possa dar a você para que você, por sua vez,  o empreste a mim. Quando você pergunta ao seu amigo pelo livro, ele diz que não tem, mas que vai perguntar a um amigo dele se ele tem uma cópia para emprestar a ele. Se assim for, ele vai tomar emprestado o livro com o  amigo e, em seguida, emprestá-lo a você. Se esse processo continuar ad infinitum, eu nunca vou receber o livro. Da mesma forma, se nenhum ser contingente na cadeia causal infinita que leva até “X” tivesse existência em si mesmo, então seres contingentes jamais poderiam existir, já que seres contingentes devem derivar a sua existência de uma fonte externa a eles próprios. Afirmar que seres contingentes podem existir independentemente de uma fonte que possui existência em e por si mesma é como sugerir que um número infinito de vagões num trem infinitamente longo pode estar num estado de movimento, apesar do fato de não existir nenhum motor para puxá-los. Se não houver um mecanismo para puxar o carro A, então o carro A e cada carro ligado a ele nunca começarão a se mover. O fato de que o trem se move demonstra que pelo menos um carro tem um motor capaz de dar movimento a todos os outros carros. Da mesma forma, o fato de que o ser contingente “X” existe, demonstra que existe algum ser não-contingente na série causal que dá existência a todos os outros seres.

Em segundo lugar, sabemos, a partir de descobertas científicas, que a realidade física tem um passado finito. A cadeia causal que levou até X termina com a singularidade. Não existem entidades físicas, causas, ou eventos fora da singularidade e, portanto, não há regressão infinita de causas externas a que se possa apelar para explicar a existência de X. O ser contingente W só pode explicar o ser contingente X se existir um ser contingente V que possa explicar o contigente W; e o ser contingente V só pode explicar o ser contingente W se existir um ser contingente U que explique o ser contingente V, e assim por diante. Mas dada a finitude temporal do universo, nós acabaremos por chegar ao ser contingente A, que explica o ser contingente B. Mas o que pode explicar o ser contingente A? Ele requer uma causa externa a si mesmo da mesma maneira que todos os outros seres contingentes, mas, sendo ele o primeiro ser contingente, simplesmente não existem quaisquer outros seres contingentes disponíveis para explicar A. Se, como visto, seres contingentes derivam a sua existência de uma fonte externa a si mesmos, e não existe ser contingente externo a A para explicar a existência de A, então a existência de “X” não pode ser explicada também. Devemos ou concluir que não há uma explicação para os seres contingentes (uma violação do princípio da razão suficiente) ou que a realidade não se esgota com a realidade física. Dada a força de nossa intuição metafísica de que “ser/existência” só vem de “ser/existência”, a última alternativa é mais razoável. Além dos “seres contingentes” que constituem a realidade física, também deve existir um “ser necessário” que transcende o mundo físico.

Voltando, por um momento, à analogia do empréstimo do livro, vimos que, se o processo de solicitação do livro a um amigo continuasse ad infinitum, eu jamais receberia o livro. Se eu recebo o livro, porém, então, em algum ponto da cadeia causal, deve existir alguém que não tem que pedir o livro emprestado, mas possui o livro e o empresta a todos os outros que precisam do livro. Da mesma forma, se o ser contingente X existe, então em algum ponto da cadeia de causalidade, deve existir um ser necessário que não tem de derivar a sua existência de alguma fonte externa, mas existe por uma necessidade de sua própria natureza e é a fonte de todas os seres contingentes. Um ser dessa natureza não pode ser parte do reino físico, porque todas as entidades físicas são seres contingentes. O ser necessário deve, portanto, transcender ao mundo físico, agindo como sua causa primeira.

Além de imaterial, o ser necessário também deve ser eterno e não espacial, já que o tempo e o espaço são partes da realidade física [que é contingente]. Um ser com essas características [não contingente, imaterial, eterno, não espacial] corresponde ao que os teístas têm tradicionalmente descrito como Deus, e, assim, Deus é o melhor candidato para o ser necessário.

Em resumo, não pode haver uma regressão infinita das coisas que requerem uma causa externa para si. Deve haver uma terminação da cadeia causal. O que quer que termine a cadeia causal não pode ele próprio ser algo que exija uma causa externa a si mesmo, mas deve ser um ser necessário a partir do qual todos os seres contingentes derivam sua existência. Dadas as características de um ser necessário, Deus é a melhor explicação para o término do regresso causal.

Fonte: Theosophical

Jesus é Evidência de que Deus Existe

Já tentou defender a existência de Deus para um amigo descrente ou um membro da família cético? Eu já. Por alguma razão, eu me vejo começando com as mais amplas evidências da existência de Deus. Partindo do argumento cosmológico, passando pelas evidências do ajuste fino do universo, as evidências da teleologia ou a existência de leis morais transcendentes, eu normalmente começo por fazer uma defesa da existência de um Deus não específico antes de focalizar a evidência para o Deus cristão da Bíblia. Geralmente faço uma abordagem de “fora para dentro” ou do “macro-para-o-micro”: em primeiro lugar, defender Deus em geral, e, em seguida, argumentar a favor de Jesus, especificamente.

Mas não  foi assim que eu cheguei à fé. Primeiramente, meu interesse na questão da existência de Deus veio depois que li os evangelhos. Eu os li como um ateu curioso. Um pastor local despertou minha curiosidade, fornecendo algumas amostras dos ensinamentos de Jesus, e eu estava simplesmente curioso para ver se os evangelhos continham alguma sabedoria adicional. Eu não estava mais comprometido com Jesus como sendo um mestre antigo do que poderia estar com Buda, Sócrates ou qualquer outro sábio da antiguidade.

Mas os evangelhos estimularam o exercício da minha experiência como detetive e demonstraram muitas características do testemunho de testemunhas oculares. Eu fui rapidamente envolvido em uma análise forense das declarações do evangelho de Marcos e não demorou muito até que eu levasse a sério o que os evangelhos diziam. Eu descobri:

1. que os evangelhos foram escritos muito cedo;
2. que os evangelhos foram transmitidos cuidadosamente;
3. que as informações dos evangelhos foram protegidas e preservadas;
4. que as reivindicações dos evangelhos a respeito de Jesus eram consistentes com as fontes não-cristãs;
5. que os relatos dos evangelhos eram testáveis.

No final, cheguei à conclusão de que os evangelhos eram relatos de testemunhas oculares confiáveis ​​que forneceram informações precisas a respeito de Jesus, incluindo sua crucificação e ressurreição. Mas isso criou um problema para mim. Se Jesus realmente era quem Ele disse que era, então Jesus era o próprio Deus. Se Jesus realmente fez o que as testemunhas oculares dos evangelhos registraram, então Jesus ainda é o próprio Deus. Como alguém que costumava rejeitar qualquer coisa sobrenatural, eu tive que tomar uma decisão a respeito de meus pressupostos naturalistas.

As evidências para a confiabilidade dos relatos das testemunhas oculares nos evangelhos me fizeram reexaminar a evidência da existência de Deus em geral. Se Jesus ressuscitou dos mortos, os milagres são possíveis. Se Jesus, afirmando ser Deus, pôde levantar-se do túmulo, havia poucos motivos racionais para descrer de qualquer milagre atribuído a Deus, incluindo o milagre da criação. Os relatos evangélicos se tornaram a base a partir da qual examinei os argumentos cosmológico, axiológico, teleológico, ontológico, transcendental e antrópico da existência de Deus. Eu não comecei de forma geral e, então, segui em direção a Jesus, especificamente; eu comecei com Jesus e, em seguida, “retrocedi” para a mais ampla evidência da existência de Deus. Como alguém que trabalhou regularmente com casos circunstanciais cumulativos (como detetive de casos não solucionados e arquivados), a conectividade de todas as evidências disponíveis parecia óbvia à medida que eu montava o caso. Qualquer um destes elementos de prova era suficiente para fazer a defesa da existência de Deus, mas quando considerados cumulativamente, o peso da evidência era avassalador.

Mesmo que a vida de Cristo tenha sido uma parte importante da minha investigação pessoal, eu ainda me vejo defendendo a existência de Deus, pelo menos inicialmente, como se eu ainda não fosse um cristão! Ao compartilhar o que eu acredito com amigos e familiares céticos, eu tenho de fazer um esforço consciente para lembrar que a vida de Jesus, por si só, demonstra a existência de Deus. Se os Evangelhos são verdadeiros, nenhum de nós precisa de nenhuma prova adicional. Jesus é a  evidência suficiente de que Deus existe.

Fonte: PleaseConvinceMe (Jim Warner Wallace, autor do livro “Cold Case Christianity”)

“A Bíblia Entre os Mitos”: Que Diferença!

 

 
 
 
Vivemos em uma época de reducionismo. Isso se torna especialmente evidente pelo uso comum da palavra “apenas”. Os reducionistas dizem: “a mente humana é apenas um sistema complexo de matéria” ou “a moralidade é apenas um subproduto da evolução para a sobrevivência do grupo.”[1] Quando se trata de estudos bíblicos, normalmente o reducionismo assume a seguinte forma: “As narrativas do Gênesis são apenas mais um mito do Oriente Próximo Antigo.”

Os pós-evangélicos usam hoje, regularmente, esses argumentos. Em nível popular, escritores como Rachel Held Evans comentam sobre os “notadamente semelhantes”  relatos da criação e do dilúvio do Antigo Oriente Próximo em relação aos encontrados em Gênesis. Compreender Gênesis como não-histórico, um mito não-científico, que contém os mesmos “recursos literários humanos” e “pressupostos cosmológicos” que os do Antigo Oriente Próximo teria sido, segundo ela mesma, “libertador”.[2] Peter Enns é o estudioso pós-evangélico mais frequentemente associado com essa visão. Em seu livro Inspiration and Incarnation (Inspiração e Encarnação), Enns procurou mostrar que Deus se ajustou às  culturas do Antigo Oriente Próximo, usando formas literárias não históricas e não-científicas em Gênesis (e em outros escritos) para comunicar a sua mensagem.[3] Muitos seguiram a sua liderança, especialmente aqueles que procuram resolução da [suposta] discórdia percebida entre fé e ciência.

No contexto da academia secular, tais pontos de vista são inquestionáveis. O paradigma dominante se originou na Escola “História das Religiões”. Essa perspectiva do século 19 considerava que a religião monoteísta era originária das classes mais baixas da sociedade primitiva, da criação do xamanismo tribal como um meio de afirmar o poder sobre os mais fisicamente ou socialmente poderosos.[4] Essas crenças xamanísticas teriam evoluído para o politeísmo, em seguida para o henoteísmo e, eventualmente, para o monoteísmo. A Escola baseou sua visão na semelhança religiosa de culturas antigas e procurou encaixar todos os dados em um paradigma linear, evolutivo. Dentro desse paradigma, as narrativas do Gênesis tornaram-se ”apenas” mais um mito ao lado dos mitos de outras culturas antigas. No início do século 20, os estudiosos começaram a criticar o quanto exatamente certas crenças se encaixam dentro desse paradigma. Eventualmente, a visão acadêmica predominante se desviou do modelo linear, embora a interpretação da narrativa do Gênesis “apenas” como mais um mito da criação continue a prevalecer.

A razão disso?  Há semelhanças óbvias entre Gênesis e outras histórias antigas e modernas das origens. Os estudiosos que mantêm esse ponto de vista têm apresentado as semelhanças como as características mais essenciais do Gênesis e as diferenças como aspectos secundários e não-essenciais das narrativas. Mas e se isso for um equívoco? E se as diferenças forem os aspectos essenciais no Gênesis e na visão de mundo do Antigo Testamento? E se Gênesis e outras histórias do Antigo Oriente forem semelhantes da mesma maneira que minha minivan KIA e uma Ferrari são semelhantes? “Ei, ambas têm rodas e um volante, portanto a Ferrari é ‘apenas’ um outro tipo de carro. Quer trocar?” Parece-me que em Gênesis, como na venda de automóveis, as diferenças são muito mais significativas do que as semelhanças.

John Oswalt, professor de Hebraico e Estudos do Velho Testamento no Seminário Teológico de Asbury fez essa defesa recentemente em seu livro “The Bible Among the Miths” (A Bíblia entre os Mitos). Ele baseia-se em trabalhos mais antigos de G. E. Wright, da Universidade de Harvard, para apresentar sua tese, alegando que o trabalho de Wright ainda permanece como uma crítica eficiente da visão predominante.[5] Uma vez que os dados do Oriente Antigo não se alteraram significativamente em quase 70 anos, Oswalt afirma que a principal razão por trás da persistência da visão reducionista não são os dados em si mas “convicções teológicas e filosóficas anteriores”, sustentadas por aqueles que militam nesse campo.[6] O livro é dividido em duas seções: a primeira discute a Bíblia e o gênero dos mitos antigos, e a última discute a escrita da Bíblia e da história antiga. Embora ambos os temas sejam altamente relevantes para a apologética cristã, este último tem sido mais plenamente abordado em outros lugares e, assim, este artigo, em grande parte, se concentrará na primeira seção e suas implicações para a tarefa apologética.[7]

A primeira seção faz uma boa introdução para os vários significados contemporâneos de mito: o sentido etimológico, que salienta a “falsidade da coisa que está sendo descrita”;[8] sociológico, que destaca se o grupo vê ou não algo como verdade, mas ignora ou não se a coisa é realmente verdade; literário, que significa simplesmente uma certa maneira de escrever; fenomenológico, que destaca as características comuns dos escritos que têm sido chamado de mitos. Oswalt passa a maior parte de sua escrita neste último significado, pois este é o sentido frequentemente utilizado em estudos bíblicos. Ele mostra que os defensores dessa visão procuram definir mito como aquilo que busca relacionar o natural com o humano, o ideal com o real, o pontual com o contínuo. Após a análise desses pontos de vista, ele conclui, mostrando que um dos aspectos essenciais de definições descritivas ou fenomenológicas do mito é o que ele chama de “continuidade” ou “correspondência”; “que todas as coisas são contínuas umas com as outras”.[9]

Este pressuposto central de continuidade explica a quase universal atribuição antiga de características humanas ao mundo natural. Ele explica o quadro cíclico através do qual a maior parte do mundo antigo via a realidade, para não mencionar a crença de que a reconstituição dos mitos traz satisfação presente para aqueles que o reconstituem. Após esta análise, Oswalt faz esta afirmação provocativa sobre a relação da Bíblia com esse mundo dos mitos:

Assim, o mito é uma forma de expressão, seja literária ou oral, em que as continuidades entre os reinos humano, natural e divino são expressas e concretizadas. Ao reforçar essas continuidades, o mito busca assegurar o funcionamento ordenado da natureza e da sociedade humana. O fato é que a Bíblia tem um entendimento completamente diferente da existência e das relações desses reinos. Como resultado, ela funciona de forma inteiramente diferente. Suas narrativas não convertem a realidade divina contínua fora do mundo invisível real em uma reflexão visível desta realidade. Pelo contrário, são um ensaio dos atos não-repetíveis de Deus em um tempo e espaço identificável, em concerto com os seres humanos…Sua finalidade é provocar escolhas e comportamentos humanos por meio da memória. Nada poderia estar mais longe do propósito de um mito. O que quer que seja a Bíblia, verdadeira ou falsa, ela não é mito.

Oswalt não acredita que a visão reducionista da Bíblia pode ser mantida, e argumenta apaixonadamente contra a ideia de ver a Bíblia como apenas mais um mito, primeiramente por descrever a perspectiva de continuidade que subjaz a outras literaturas do Antigo Oriente Próximo. Oswalt define a continuidade subjacente aos mitos como “a idéia de que todas as coisas que existem são partes umas das outras…sem distinções fundamentais entre os três reinos: a humanidade, a natureza e o divino.”[10] Tudo coexiste nessa visão de mundo. Os ídolos são símbolos dos deuses, mas, em um sentido muito real, são os deuses. Tempestades são a ação dos deuses. A reconstituição sexual humana da suposta atividade sexual dos deuses inspira a produção agrícola na realidade. Cada reino é contínuo e conectado. Nesta visão de mundo “o criador de mitos racionaliza da realidade dada para o divino”.[11]

Oswalt dá uma variedade de características comuns de uma visão de mundo fundada na continuidade. Primeiro, essa visão enfatiza a realidade presente em detrimento do passado e do futuro. As histórias das origens não são contadas para enfatizar o que aconteceu, em si, mas para explicar a situação atual com sua complexidade de relações. Segundo, ela confunde a imagem e o real. Assim, o deus por trás do ídolo se confunde com a manifestação do deus na imagem do(s) ídolo(s). A fonte unificadora divina por trás dos deuses não pode ser facilmente distinguida da manifestação dos deuses. Terceiro, ela enfatiza símbolos naturais. A partir de uma perspectiva de continuidade, isto faz sentido, já que o que acontece na natureza representa e afeta tanto a esfera humana como a divina. Quarto, ela valoriza a magia. Oswalt define magia como a capacidade de “realizar algo no reino divino, [...] fazendo uma coisa semelhante no reino humano”.[12] Nesta perspectiva, a prostituição no culto dos povos do Antigo Oriente é uma afirmação teológica sobre a natureza da realidade. A ação sexual humana produzia prole e, em uma visão de mundo de continuidade, tal ação teria sido pensada para inspirar a ação sexual da divindade a fim de produzir a colheita. Finalmente, uma visão de mundo de continuidade inerentemente nega os limites. Uma vez que tudo se conecta e está inter-relacionado, não se pode esperar encontrar limites distintos entre as coisas. Portanto, não é surpresa encontrar prostituição, bestialidade, incesto e outros tipos de comportamento sexual, já que essa perspectiva inerentemente rejeita os limites.

Com base nessas características subjacentes a uma visão de mundo de continuidade, Oswalt apresenta as seguintes características do mito, tanto como deduções lógicas dessa cosmovisão quanto como características comuns de mito do Antigo Oriente: o politeísmo, a idolatria, a eternidade da matéria caótica, uma negação da personalidade individual, uma baixa visão do divino e do humano, a visão de conflitos como uma fonte de vida, a não existência de um padrão único para a ética e um conceito cíclico da existência. Cada uma destas características provém claramente dos pressupostos subjacentes citados acima. Oswalt deixa claro que essa perspectiva não era apenas típica do Antigo Oriente, mas quase universal, incluindo os gregos e os romanos, os hindus e várias outras religiões asiáticas. Ele afirma que se “o homem pode descobrir a realidade última através da extrapolação de sua própria experiência… [então ele vai chegar], por todo o mundo, a um entendimento muito semelhante da realidade”. [13] Neste ponto, deve ficar claro que essas perspectivas não são universais, e as exceções são óbvias: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo, cada qual a sustentar um entendimento radicalmente diferente da realidade. Mas de onde vem esse entendimento, senão de sua fonte de literatura comum, ou seja, a Bíblia hebraica?

Neste ponto, eu tenho que admitir um preconceito pessoal em favor da perspectiva de Oswalt. Sempre que começava a fazer estudos bíblicos, eu o fazia em uma conceituada universidade protestante. Os professores falavam de Gênesis como sendo mítico e compartilhando incontáveis características ​​com os mitos do Antigo Oriente. Dessa forma, eu assumi a verdade de suas declarações. Eu devo admitir, porém, que foi chocante quando realmente comecei a ler a literatura do Antigo Oriente. As diferenças eram profundas e muitas das semelhanças sugeridas pareciam ad hoc. Considerando que eu podia entender algumas dessas semelhanças como polêmicas veladas contra outras literaturas do Antigo Oriente, ver as narrativas do Gênesis como uma progressão originária destes escritos parecia (e continua a parecer) impossível. Por quê? Oswalt faz um trabalho maravilhoso ao delinear a perspectiva do Velho Testamento sobre as origens, para mostrar o quão distinta é essa visão de mundo em comparação com a visão de mundo de outros escritos do Antigo Oriente.

Considerando que os mitos do Antigo Oriente projetam uma visão de mundo de continuidade, Oswalt argumenta que a Bíblia apresenta uma visão de mundo de transcendência e de revelação. Ele enumera as características comuns do “pensamento bíblico” como o monoteísmo, a iconoclastia, a prioridade espiritual sobre o material, uma criação através de processo, uma visão elevada de Deus e da humanidade, uma visão redefinida da ética sexual (dessacralização), a proibição de magia, uma demanda por obediência ética e a importância da interação de Deus com a humanidade na história. Claramente, estas distinções são incompatíveis com a visão de mundo de continuidade descrita acima. Cada uma delas decorre do pressuposto básico de que há um Deus transcendente, fora e além da criação, o que alguns teólogos chamam de distinção Criador-criatura. Esse Deus não pode ser manipulado por magia, nem pode ser representado por qualquer coisa dentro de Sua criação quer seja um ídolo quer seja a própria natureza. Se ele se revelar, seus comandos serão inalteráveis ​​e definirão os limites para a existência dentro da criação, etc. Uma vez que a Bíblia hebraica fortalece essa visão de mundo, não é surpreendente ver que idéias típicas do Antigo Oriente, como o culto da fertilidade, a idolatria e a divindade de coisas finitas sejam totalmente rejeitadas.

Quais são as implicações dessas distinções de Oswalt para a apologética cristã? Primeiro, chamar as narrativas do Gênesis de mito requer redefinir o termo “mito” de uma forma que o torna de nenhum valor. Em segundo lugar, isso significa que as diferenças entre a Bíblia e os mitos do Antigo Oriente são mais relevantes do que as semelhanças. Oswalt mostra que há muitas semelhanças, mas há descontinuidade na forma como estas formas, ideias semelhantes são usadas ​​entre a Bíblia hebraica e literatura do Antigo Oriente. Ele diz: “[a Bíblia] não é única porque não faz parte do seu mundo, nem é única porque seus escritores eram incapazes de relacionar aquilo que eles dizem com seu mundo… Ao contrário, ela é única justamente porque, sendo uma parte de seu mundo e utilizando conceitos e formas de seu mundo, pode projetar uma visão da realidade diametralmente oposta à visão desse mundo”.[14]

Fonte: G. Kyle Essary é apaixonado pelo estudo das Escrituras, especialmente do Antigo Testamento. Ele e sua família vivem no sudeste da Ásia, onde se esforçam para servir Àquele para quem o Antigo Testamento aponta.
(Apologetics315)
[1] Há uma série de livros que desconstroem este tipo de reducionismo, alguns remontando ao início do século 20, como os clássicos The Everlasting Man, de G. K. Chesterton, e The Abolition of Man, de C. S. Lewis. Contribuições mais recentes têm praticamente eliminado qualquer plausibilidade do autêntico reducionismo materialista. Ver, por exemplo, Mind and Cosmos, de Thomas Nagel ou Darwin’s Pious Idea, obra magistral de Conor Cunningham. Um de meus favoritos é Life is a Miracle, de Wendell Berry.
[2] Postagem no blog de Rachel Held, “Can God Speak Through Myth?” (Pode Deus falar através de mito?), encontrada em: http://rachelheldevans.com/blog/bible-myth
[3] Peter Enns era abertamente evangélico no momento da publicação de seu livro, mas desde então tem adotado uma postura mais agnóstica em relação a muitas doutrinas evangélicas, rejeitando outras. Seu ponto de vista atual parece ser melhor definido como pós-evangélico, embora tal classificação seja bastante abrangente.
[4] O pensamento seguiu em grande parte a perspectiva conjecturada de Nietzsche em On the Genealogy of Morality (Sobre a genealogia da moral). Para a Escola, e para Nietzsche, as origens da religião e da moralidade dos escravos estão intimamente ligadas.
[5] O livro de Wright The Bible Against Its Environment (A Bíblia contra seu ambiente) critica a idéia evolutiva, defendendo a unicidade do texto bíblico e sua visão de mundo contra outras literaturas e perspectivas do Antigo Oriente Próximo.
[6] João Oswalt, The Bible among the Myths (A Bíblia entre os mitos), Kindle ed. HarperCollins, 2010, loc. 101. As histórias de criação do Antigo Oriente Próximo da “biblioteca” ugarítica foram encontradas principalmente entre 1928 e 1958; o Enuma Elish foi encontrado em 1849, assim como também o Atrahasis; a Epopeia de Gilgamesh, em 1853, com muitas das histórias egípcias sendo conhecidas ainda mais cedo.
[7] Uma contribuição recente que vale a pena ler é Do Historical Matters Matter to Faith? (Questões históricas importam para a fé?),  editado por James Hoffmeier e Dennis Magary.
[8] Oswalt, loc. 406.
[9] Ibid., loc. 579.
[10] Ibid., loc. 660.
[11] Ibid., 700.
[12] Ibid., 782.
[13] Ibid., loc. 893. Alguns têm argumentado recentemente que o ateísmo contemporâneo também se encaixa neste paradigma contínuo, onde a matéria é eterna e caótica (sem finalidade última originária, como uma bolha no vácuo quântico), e os poderes da realidade são reduzidos às forças brutas da natureza. Ver este artigo recente de Ben Suriano, On What Could Rightly Pass for a Fetish (Sobre o que poderia passar certamente por um fetiche), encontrado em http://theotherjournal.com/2008/08/19/on-what-could-quite-rightly-pass-for-a-fetish-some-thoughts-on-whether-“every-christian-should-‘quite-rightly-pass-for-an-atheist’”/
[14] Ibid., loc. 1700.

Por que Universitários Cristãos Estão Perdendo a Fé

Original: (Renato Vargens)
As estatísticas são sombrias. Alguns chegam a afirmar que, em média, 60% dos jovens evangélicos que adentram a universidade se afastam da comunhão dos santos e da igreja. Ora, seria simplista da minha parte afirmar de modo absoluto os reais motivos para a apostasia de nossos jovens, todavia, acredito que algumas razões são preponderantes para o esfriamento da fé da juventude cristã:

1. Nossos jovens não estão sendo preparados pela igreja para enfrentar as demandas sociais, comportamentais e filosóficas na universidade. Na verdade, afirmo sem a menor sombra de dúvidas de que a igreja não está oferecendo à sua juventude ferramentas necessárias para a desconstrução de valores absolutamente anticristãos. Por exemplo, as universidades públicas estão repletas de conceitos marxistas. Volta e meia eu recebo a informação de professores que em sala de aula zombam de Cristo, ridicularizando publicamente todos aqueles que se dizem cristãos.
2. Nossos jovens não estão sendo preparados pelos pais com vistas ao enfrentamento cultural. Vivemos numa sociedade multifacetada, cujos valores relacionados a sexo, família, trabalho, sucesso e moral foram relativizados. Nessa perspectiva, não são poucos aqueles que ao longo dos anos têm sucumbido diante da avalanche de conceitos extremamente antagônicos aos pressupostos bíblico-cristãos.
3. Nossos jovens não têm sido preparados pela igreja para responder às perguntas de uma sociedade sem Deus, como também oferecer respostas àqueles que lhes questionam a razão da sua fé. Nessa perspectiva, os conceitos “simplistas” de alguns dos nossos rapazes e moças têm sido facilmente descontruídos num ambiente em que o ceticismo e a incredulidade se fazem presentes.
4. Nossos jovens têm sido influenciados negativamente pelo secularismo, hedonismo e satisfação pessoal. Sem sombra de dúvidas, acredito que o secularismo é um grave problema em nossos dias. A Europa, por exemplo, transformou-se num continente secularista onde o que mais importa é o bem-estar comum e a ausência de Deus. Nessa perspectiva, vive-se para o prazer, nega-se uma fé transcendente quebrando todo e qualquer paradigma que nos faça lembrar-nos de Cristo ou da igreja.
Diante desse funesto quadro, surge a pergunta: O que fazer então?
1. A igreja precisa fortalecer a família, oferecendo aos casais ferramentas para a edificação de lares sólidos cujo fundamento é a infalível Palavra de Deus.
2. A igreja precisa preparar seus jovens para responder às perguntas da sociedade. Nessa perspectiva, deve-se investir numa formação apologética, cujo foco deve ser oferecer à juventude “armas” espirituais capazes de anular sofismas.
3. A igreja precisa investir em universitários, promovendo grupos de comunhão, debates, além de discussões teológicas, sociológicas e filosóficas, oferecendo a eles condições de responder aos seus inquiridores o porquê da sua fé.
4. A igreja precisa estudar teologia com os universitários. Questões relacionadas ao pecado, juízo eterno, salvação, morte e sofrimento, além de tantos outros conceitos relacionados aos nossos dias precisam ser explicados e entendidos pelos nossos jovens.
5. A igreja precisa preparar seus jovens para se relacionarem com a cultura. O problema é que em virtude do maniqueísmo que nos é peculiar, satanizamos o mundo bem como todas as suas vertentes culturais. Por outro lado, existem aqueles que em nome da contextualização “mundanizaram” a igreja, levando o povo de Deus a um estilo de vida ineficaz cujos frutos não têm sido muito bons.
6. A igreja precisa fomentar em seus jovens o desejo de conhecer a Deus e se relacionar com Ele. Jovens que se relacionam com Deus através da oração e das Escrituras Sagradas tornam-se mais fortes diante dos embates desta vida.
Que Deus nos ajude diante da hercúlea missão, e que pela graça do Senhor nossa juventude possa ser bênção da parte do Senhor na universidade.
Nota: A igreja precisa trabalhar mais por essa classe especial, a dos universitários. É um grupo que cresce cada vez mais em nosso meio e que enfrenta grandes desafios espirituais/intelectuais nos campi. Estudei numa universidade federal e compreendo as pressões a que essas moças e esses rapazes são submetidos (confira aqui). O preparo do curso bíblico para universitários O Resgate da Verdade (procure no Departamento Jovem de seu Campo) faz parte desse esforço da Igreja Adventista na América do Sul em favor dos estudantes cristãos. O programa Em Busca das Origens, que vai ao ar hoje, a partir das 20h, pelo site aovivo.adventistas.org é outro desses esforços.[MB]
Fonte: Criacionismo

Livro do Mês: Em Guarda, de William Lane Craig

Em guarda

O Livro do Mês é “Em Guarda” (participe aqui e no Twitter do sorteio de um exemplar). Como diz a apresentação, “trata-se de um manual de treinamento conciso, escrito por William Lane Craig, um dos mais renomados defensores da fé cristã na atualidade. O livro é repleto de ilustrações, notas explicativas e esquemas para ajudar na memorização dos melhores argumentos para a defesa de sua fé com razão e precisão.

Com um estilo envolvente, Craig oferece quatro argumentos plausíveis para a existência de Deus, defende a historicidade da ressurreição de Jesus e aborda o problema do sofrimento. Além disso, mostra por que o relativismo religioso não consegue responder ao nosso desejo de compreender as questões últimas da vida…”

Para participar do sorteio, retuíte  a mensagem  com o link: “Sorteio Livro do Mês: Em Guarda, de William Craig. Responda à pergunta http://kingo.to/1exm e dê RT.”   A pergunta que deve ser respondida aqui no blog é: de acordo com a forma bíblica de considerar o tempo (Leia Gênesis 1:5,13,19,23 e 31, Levítico 23:32, Lucas 23:44 e 54), a que horas terminará (ou terminou) o último dia do ano de 2013 na cidade em que você se encontra? [Aqui em Brasília, por exemplo, o pôr-do-sol (momento que marca o início e o fim de cada dia de acordo com a Bíblia) está previsto para ocorrer às 19h47. Consulte o Clima Tempo para obter o hora aproximada do pôr-do-sol em sua região. O sorteio será realizado a qualquer momento a partir de amanhã, desde que tenhamos no mínimo três participantes.]

2013 já começou. Feliz Ano Novo!

Seguem alguns trechos da obra:

Ao apresentar argumentos e evidências neste livro, procurei ser simples sem ser simplista. Levei em consideração as objeções mais fortes aos meus argumentos e propus respostas a elas. Em certos momentos, o conteúdo lhe parecerá novo e difícil. Nessas horas, encorajo você a ir devagar, um pedacinho por vez, pois assim fica mais fácil de digerir. Pode ser que ajude formar um pequeno grupo para estudar o livro e discutir seus argumentos. E, por favor, não se sinta constrangido, caso discorde de mim em certos pontos. Quero que você pense com sua própria cabeça.

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Desde os primeiros tempos homens que desconheciam completamente a Bíblia chegaram à conclusão, com base no desenho do universo, que deve existir um Deus.

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O homem não precisa apenas da imortalidade para que haja um sentido último para viver: ele precisa de Deus e da imortalidade. E se Deus não existir, então ele não tem nem uma coisa nem outra.

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Quando publiquei pela primeira vez meu trabalho sobre o argumento cosmológico kalam, em 1979, percebi que os ateístas atacariam a segunda premissa do argumento, que diz que o universo começou a existir…

Qual não foi minha surpresa, então, ao ouvir ateístas refutando a primeira premissa com o intuito de escapar do argumento! Por exemplo, Quentin Smith, da Universidade Western Michigan, respondeu afirmando que a posição mais racional a se defender era que o universo veio “do nada, pelo nada e para o nada”…

Essa simplesmente é a crença do ateísmo. Na verdade, acredito que isso representa um salto de fé bem maior do que crer na existência de Deus. Pois isso, como sempre digo, literalmente falando pior do que mágica. Se essa é a alternativa para quem não crê em Deus, então aqueles que não creem não podem jamais acusar aqueles que creem de irracionalidade, pois o que poderá ser mais evidentemente irracional do que isso?

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“Eu vou à igreja” – disse, meio sem jeito.

“Isso não é o bastante, Bill. Você tem que ter Jesus no coração”.

Para mim aquilo já tinha ido longe demais. “Por que Jesus iria querer morar no meu coração?”

“Porque Ele te ama, Bill.”

Aquilo me atingiu como um raio. Lá estava eu, tão cheio de raiva e ódio, e ela dissera que havia alguém que me amava de verdade. E não era ninguém menos do que o Deus do universo! Aquele pensamento me deixava estupefato. E pensar que o Deus do universo me amava, a mim, Bill Craig, esse vermezinho perdido naquele pontinho de poeira chamado planeta Terra. Era demais para mim!

Aquilo foi para mim o início do mais agonizante período de busca por que já passei. Eu tinha um Novo Testamento e o li de capa a capa. Quanto mais eu lia, mais encantado ficava com a pessoa de Jesus. Havia uma sabedoria em seus ensinamentos que jamais havia encontrado e uma autenticidade em sua vida que não era típica daquelas pessoas que eu havia conhecido, que se diziam cristãs, naquela igreja que eu estava frequentando…

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Fico tremendamente grato porque o Senhor, em sua providência, me levou primeiro a fazer um doutorado em filosofia antes de estudar a ressurreição de Jesus, pois é de fato a filosofia e não a  história o que alimenta o ceticismo dos críticos radicais da ressurreição.

Sexo: a Verdade Nua e Crua

 
 
Josh McDowell é autor de muitos livros na área de apologética cristã e teologia, e muitos desses livros me ajudaram quando da minha transição do darwinismo para o criacionismo bíblico. Justamente por isso, fiquei surpreso quando um amigo me indicou o livro A Verdade Nua e Crua (CPAD), escrito por McDowell e Erin Davis. “Josh escrevendo sobre sexo?”, pensei, com certa estranheza. Claro que nada o impedia de escrever sobre isso, mas o que me deixou empolgado foi imaginar Josh usando toda a capacidade argumentativa dele para tratar de um tema dominado pelo relativismo e pela desinformação. Mais do que depressa, comprei o livro e li-o em poucas horas (sim, o livro é pequeno; tem apenas 150 páginas). Não me decepcionei. É apologética aplicada aos relacionamentos e à sexualidade, com informações consistentes e argumentos imbatíveis – a menos que o leitor persista na teimosia e resolva colher as consequências da atitude “nada a ver” assumida por muitos jovens. Mas, se você é mais sensato que isso e se preocupa com sua saúde espiritual, sexual, relacional e física, não deve deixar de ler o livro e colocar seus conselhos em prática.
 
Outro detalhe me deixou muito feliz ao conhecer A Verdade Nua e Crua: muitas das informações que ele traz sobre a neuroquímica cerebral relacionada com o sexo eu só havia encontrado num livro ainda não traduzido para o português (confira minha resenha aqui). Tá certo que Hooked (o ótimo livro a que me refiro) é ciência pura do começo ao fim e explica detalhadamente o funcionamento de neurotransmissores como a ocitocina, a vasopressina, a dopamina e a noradrenalina, mas o livro de Josh não deixa por menos, dispensa os detalhes que provavelmente cansariam o leitor “médio” e extrai a essência das pesquisas científicas. Enfim, traz o suficiente para convencer muitos céticos e gente que anda em cima do muro, quando o assunto é sexo.
 
A Verdade Nua e Crua tem 39 capítulos que, na verdade, são respostas breves a perguntas relacionadas a amor, sexo e relacionamento. Logo de início, os autores afirmam que “o mundo reconhece que há fortes razões para se abster do sexo, mas Deus não nos chama apenas à abstinência. Ele nos chama à pureza. [...] [E] pureza é uma virtude. Não é simplesmente a escolha de evitar o sexo. É um compromisso de viver de acordo com o projeto de Deus. Pureza significa dizer não ao sexo, mas só para que você possa experimentá-lo no relacionamento de amor conjugal que Deus criou” (p. 15, 16).
 
No capítulo 2, os autores procuram mostrar que a Bíblia tem uma visão positiva do sexo. Citam Provérbios 5:19, em que Salomão fala sobre um encontro físico que satisfaz e inebria; citam também o livro de Cantares, repleto de descrições sensuais de cenas de amor entre um homem e uma mulher; e Paulo, que recomenda o sexo com frequência entre pessoas casadas. Assim, “os versículos que costumam retratar o sexo sob um aspecto negativo de fato não são sobre sexo. Estão relacionados ao mau uso do sexo fora do projeto de Deus. [...] Deus não é contra o sexo. Ele é tão a favor disso que deseja que todo homem e toda mulher experimentem o sexo de acordo com Seu projeto original” (p. 18, 19).
 
No capítulo 3, os autores falam do “hormônio do amor”, a ocitocina, neurotransmissor liberado pelo cérebro durante o ato sexual e/ou intimidades físicas, e que produz sentimentos de empatia, confiança e profunda afeição. “O propósito é criar um profundo laço ou vínculo humano”, explicam. “Mas há um detalhe”, completam. “Pesquisas provam que o projeto de Deus para a intimidade alcança seu melhor entre marido e mulher, sem outros parceiros sexuais.”
 
Exemplo citado pelos autores: um levantamento da Universidade de Chicago revelou que casais monogâmicos casados registram os níveis mais altos de satisfação sexual. Segundo o levantamento, 87% de todos os casais monogâmicos casados relataram que são “extremamente” ou “muito” satisfeitos com seu relacionamento sexual, e 85% se declararam “extremamente” ou “muito” satisfeitos emocionalmente. “Em outras palavras, a ocitocina está fluindo no cérebro de muitos casais casados!” (p. 22). Josh e Erin destacam ainda que os menos satisfeitos física e emocionalmente são os solteiros e casados que têm vários parceiros sexuais. “Quando esperamos até o casamento para fazer sexo, estabelecemos um nível de intimidade inigualável” (p. 22). Talvez por isso o número de separações seja maior entre casais cujas mulheres tiveram vida sexual ativa antes do matrimônio.
 
Conclusão do capítulo: “Mulheres que iniciam precocemente a atividade sexual e aquelas que têm vários parceiros são menos satisfeitas na vida sexual do que as mulheres que se casam com pouca ou nenhuma experiência sexual. O jornal USA Today chamou essa pesquisa de ‘vingança das senhoras da igreja’” (p. 23).
 
O órgão sexual mais poderoso
 
No capítulo 6, Josh e Erin falam um pouco mais do órgão sexual mais poderoso, o cérebro. Segundo eles (baseados em amplas pesquisas), o “cérebro não se torna automatizado para fazer escolhas rápidas e prudentes sobre sexo até que você esteja na faixa dos vinte anos. Neurocientistas descobriram que o cérebro de adolescentes ainda estão amadurecendo em outras áreas também. Uma das últimas partes do nosso cérebro a amadurecer é o sistema responsável por juízos sensatos e [por] acalmar emoções descontroladas. É chamada de córtex pré-frontal. [...] O sistema límbico [local em que ficam as emoções brutas] lida com urgências e desejos. Só o córtex pré-frontal é capaz de fazer escolhas coerentes com base em consequências futuras. Pense sobre isso desta forma: se o sistema límbico é um leão faminto, o córtex pré-frontal é um domador de leões bem treinado” (p. 33, 34).
 
Os autores reafirmam que “a mudança de funcionamento do sistema límbico para o córtex pré-frontal não costuma estar completa até os 25 anos [...], mas jovens nesse estágio de desenvolvimento estão tomando decisões sobre sexo que terão consequências para o resto de suas vidas. [...] [Não é à toa] que quase dois terços dos estudantes sexualmente ativos gostariam de ter esperado” (p. 34).
 
Essa informação mostra que os adolescentes precisam do aconselhamento de adultos nos quais eles possam confiar. E quando esses adultos devem ter se mostrado dignos dessa confiança? Exatamente na infância desses adolescentes. Família é tudo!
 
A mídia, de modo geral, não está nem aí para essas coisas (como também não está para os riscos do álcool, por exemplo). Fala apenas em “sexo seguro” com preservativos (Josh voltará a esse assunto mais à frente). Mas “ninguém desenvolveu um preservativo para a mente. Só Deus é capaz de proteger nosso órgão sexual mais poderoso até que tenhamos aquele relacionamento no qual somos capazes de desfrutar plenamente os prazeres mentais, emocionais e físicos que o sexo pode dar” (p. 35).
 
No capítulo 7, os autores aprofundam o tema da neuroquímica. Eles explicam que “o cérebro feminino recebe altas doses de ocitocina sempre que há toque e abraços. A vasopressina é um hormônio que faz a mesma coisa no cérebro masculino [isso é tratado em profundidade em Hooked]. No contexto de um relacionamento de amor e compromisso, o cérebro libera níveis crescentes de ocitocina e vasopressina para manter a segurança dos laços emocionais. Deus projetou nosso corpo para reagir fisicamente à intimidade em longo prazo, e essa resposta acontece no cérebro [permita-me um testemunho: depois de 15 anos de casados, minha esposa e eu experimentamos muito mais intimidade hoje do que antes; cada ano que passa o casamento fica mais gostoso]. Quando trocamos de parceiros continuamente, os níveis de ocitocina diminuem e o cérebro não funciona como esperado na liberação de ocitocina. Atividade sexual promíscua gasta a produção de vasopressina no cérebro masculino, tornando os homens insensíveis ao risco de relacionamentos de curto prazo. Sexo casual, sem compromisso, pode mudar seu cérebro literalmente no sentido químico” (p. 37). Ou seja, pessoas que não se preservam para o casamento ou que mantêm múltiplos relacionamentos prévios (“ficam”) estão prejudicando o futuro relacionamento com a pessoa com quem decidirão passar o resto da vida.
 
No contexto da química cerebral relacionada ao sexo, além da ocitocina e da vasopressina, há também o hormônio do “bem-estar” chamado dopamina (depois a gente fala da noradrenalina). “Se a ocitocina é a substância que nos diz que estamos apaixonados, a dopamina diz: ‘Preciso de mais!’ Pesquisadores detectaram níveis elevados de dopamina no cérebro de casais recém-apaixonados. A dopamina estimula o desejo provocando uma torrente de prazer no cérebro” (p. 37).
 
Só que a dopamina é “neutra”. Ela é liberada, independentemente de a causa ser construtiva/correta ou destrutiva/incorreta. Ela age como uma droga e o cérebro sempre vai pedir mais. Daí por que Salomão fala em “embriaguez” com a esposa (Pv 5:19). Se o sexo for praticado unicamente com o cônjuge, o(a) companheiro(a) fica literalmente “viciado” no cônjuge. Mas e se não for?
 
Josh e Erin explicam: “Cada vez que você passa para outro relacionamento, precisa ter um pouco mais de contato sexual a fim de satisfazer o desejo do seu cérebro por dopamina [motivo pelo qual geralmente em um novo relacionamento as intimidades partirão de onde foram interrompidas no relacionamento anterior], e o efeito dos laços emocionais começa a se desestabilizar. Além disso, pelo fato de a dopamina provocar uma intensa sensação de prazer, casais sexualmente ativos com frequência substituem os sentimentos de afeição por essa sensação de excitação. Seus relacionamentos se deterioram rapidamente quando começam a buscar mais dopamina em vez de verdadeira intimidade” (p. 37, 38).
 
Assim, vale a pena esperar e se preservar porque, “quando o sexo é reservado para o casamento, nosso cérebro ainda recebe doses de substâncias neuroquímicas que tornam o sexo tão excitante, e nosso cérebro pode, então, processar essas substâncias [ocitocina, vasopressina e dopamina] de maneira a promover relacionamentos e reações saudáveis” (p. 38).
 
Lembra-se da noradrenalina? Se a ocitocina e a vasopressina são “substâncias do amor” e a dopamina do prazer, a noradrenalina é a “substância da memória”. Quando experimentamos algo muito emocional e sensorial, a noradrenalina é liberada pelo cérebro e fixa essa recordação na memória. “Como os encontros sexuais são bastante emocionais e sensoriais, seu cérebro responde com uma dose dessa substância e fixa cada experiência em sua mente”, explicam os autores. E afirmam ainda que, “quando não esperamos até o casamento para fazer sexo, trazemos mentalmente nossos outros parceiros sexuais para o leito conjugal” (p. 39), tornando difícil obedecer à recomendação de Hebreus 13:4.
 
O perigo real das DSTs
 
Os capítulos 8 a 18 tratam de um tema delicado e extremamente preocupante: o aumento da incidência das doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e suas consequências devastadoras. É para assustar mesmo, porque a mídia popular – mais uma vez – tenta colocar panos quentes sobre um tema grave, com a desculpa de que as pessoas têm mais é que “curtir” a vida. Filmes, novelas, livros e revistas ensinam um estilo de vida desregrado e glamourizam isso, sem mostrar o que acontece depois, com uma frequência muito acima do que as campanhas pelo “sexo seguro” estão dispostas a admitir.
 
Vamos aos fatos: “Nos anos 1960, médicos tratavam de duas principais DSTs – sífilis e gonorreia. Essas duas doenças podiam ser curadas com uma vacina. Hoje, os médicos reconhecem 25 DSTs principais, das quais 19 não têm cura. Nos anos 1960, um em cada 60 adolescentes sexualmente ativos contraia uma DST. Por volta dos anos 1970, esse número passou para um em cada 47. Hoje, um em cada quatro adolescentes sexualmente ativos está infectado” (p. 40). É isto mesmo o que você leu: um em cada quatro! E mais: “Em dois anos a partir de sua primeira relação sexual, metade dos adolescentes são infectados com pelo menos um das três DSTs comuns” (p. 40).
 
A DST mais comum é o HPV, ou papiloma vírus humano, transmitido facilmente e nem sempre evitado por preservativos. O dado estarrecedor é que 80% por cento de todas as mulheres terão HPV quando estiverem com 50 anos e 70% dos homens envolvidos sexualmente contraem HPV. Nos últimos cinco anos, o HPV matou mais mulheres do que a aids, geralmente em decorrência do câncer do colo uterino – e o número de mortes causadas por esse tipo de câncer tem aumentado assustadoramente entre mulheres jovens. Além disso, estima-se que 30 a 40% dos partos prematuros e mortes de bebês resultam de DSTs. “Se você escolher fazer sexo fora do casamento durante a adolescência, seu risco de infecção é de pelo menos 25% a cada ano. Se tivesse pelo menos uma chance em quatro de ser atingido por um raio, ninguém sairia durante uma tempestade” (p. 62). Sexo seguro?
 
No capítulo 11 são apresentadas correlações entre DSTs e adolescência, isso porque dois terços de todas as DSTs ocorrem com pessoas abaixo dos 25 anos; de cada cinco norte-americanos com HIV, três foram infectados na adolescência; os adolescentes são dez vezes mais suscetíveis do que adultos à doença inflamatória pélvica (DIP); em 2005, 50% dos casos de clamídia era em adolescentes; em 2002, a gonorreia era doença infecciosa mais registrada entre pessoas de 15 a 24 anos.
 
Mas por que os adolescentes são tão suscetíveis às DSTs? Para Josh e Erin (baseados em pesquisas), são duas as respostas: biologia e comportamento.
 
As razões biológicas para a alta susceptibilidade dos jovens em relação às DSTs estão relacionadas especialmente às mulheres. “No revestimento do colo uterino, uma jovem tem grande quantidade de células chamadas ‘células colunares’. Essas células estão expostas ao longo de todo o revestimento do colo uterino. À medida que a jovem cresce, essas células colunares são cobertas por células epiteliais escamosas. Essas células começam a formar camadas e, por fim, cobrem completamente as células colunares. Mas esse processo não está completo até que a mulher esteja em torno dos 25 anos” (p. 50, 51). Mas qual é o problema? Este: as células colunares são muito receptivas (como uma esponja) e qualquer doença que entrar em contato com elas acabará se fixando ali (as células colunares são mais de 80% mais receptivas a infecções do que as células epiteliais escamosas).
 
Assim, “uma garota de 15 anos tem uma em oito chances de desenvolver doença inflamatória pélvica (DIP) simplesmente fazendo sexo, ao passo que uma mulher de 24 anos tem apenas uma chance em oitenta na mesma situação. [...] Em geral, uma adolescente é 80% mais vulnerável a contrair DST do que alguém acima dos 25 anos” (p. 50, 51). E, para piorar, as adolescentes tendem a escolher parceiros sexuais mais velhos que, teoricamente, tiveram outras experiências sexuais com mais probabilidade de estar infectados (mais de 87% dos casos de DSTs não apresentam sintomas).
 
Pelo que se pode ver, a mulher frequentemente sai em maior desvantagem quando o assunto é sexo promíscuo. Ela deveria, portanto, ser mais firme e dizer não, levando em conta tudo o que está em jogo, no presente e no futuro. E o homem com H maiúsculo também deve dizer não, a fim de proteger a pessoa a quem ama (mesmo que ainda nem conheça essa pessoa).
 
Josh e Erin apontam uma “coincidência” interessante: as mudanças no colo do útero de uma mulher acontecem na mesma fase da vida em que o cérebro passa do sistema límbico (emoções brutas) para o córtex pré-frontal (tomada de decisões morais). “Está claro que Deus nos preparou para o máximo do sexo quando esperamos pelo seu tempo” (p. 51), concluem.
 
Além de a suposta proteção dos preservativos ser isto mesmo: suposta (já que eles não protegem assim tão eficazmente contra as DSTs), “não há um preservativo ou anticoncepcional no mercado que possa protegê-lo da influência do sexo em seu corpo, cérebro ou coração. Deus deseja nos dar segurança verdadeira com Seu projeto sem sexo fora do casamento. Somente o plano divino para sua vida sexual oferece 100% de proteção. [...] Abstinência antes do casamento e fidelidade durante o casamento são as únicas formas de garantir que você não será infectado por uma DST” (p. 55, 70).
 
O ex-cirurgião geral Everett Koop disse para Josh: “Você precisa adverti-los [os jovens] de que [a promiscuidade entre adolescentes] é algo assustador. Hoje, se você mantiver relações sexuais com uma mulher, não está se relacionando apenas com ela, mas com cada pessoa com quem essa mulher possa ter mantido relações sexuais nos últimos dez anos [muitas DSTs podem ficar incubadas por esse tempo], e com todas as pessoas com quem elas se relacionaram” (p. 86).
 
Por isso, embora isso pareça fora de moda, os pais devem orientar seus filhos a não namorar muito cedo. “Pesquisas provam que quanto mais cedo os jovens começam a namorar, mais são propensos a se tornarem sexualmente ativos” (p. 117). Veja só:
 
- Entre os que começam a namorar aos 12 anos, 91% fizeram sexo antes de concluir o ensino médio.
 
- Dos que retardaram o namoro até os 15 anos, 40% perderam a virgindade no ensino médio.
 
- Dos que esperaram até os 16 anos para começar a namorar, apenas 20% fizeram sexo antes da graduação.
 
No capítulo 13, os autores mencionam duas histórias tristes e representativas. Uma delas é a da menina que foi sexualmente ativa durante o ensino médio. Ela nunca apresentou sintomas de DST e nunca fez exames. Vários anos depois, encontrou o homem dos sonhos dela. Eles se casaram e tentaram começar uma família, mas ela não conseguia engravidar. Quando foi ao médico, a mulher descobriu que tinha DIP, causada por clamídia. Ela teve que voltar para casa e contar para o marido que eles nunca teriam filhos.
 
A outra história é de um rapaz que perdeu a virgindade aos 15 anos com uma garota a quem pensava amar. Dez anos mais tarde, ele aprendeu o que é o verdadeiro amor ao encontrar a mulher de sua vida e se casar com ela. Ela se casou virgem. Após vários anos de casados, a esposa descobriu que estava com câncer de colo do útero, provavelmente causado pelo HPV que o marido lhe havia transmitido sem saber. Embora ela tenha escolhido esperar, foi forçada a pagar um alto preço porque ele não esperou.
 
Quer se proteger e a quem você vai amar pelo resto da vida? Não pratique sexo antes do casamento. Espere por ele/ela. Depois de casado, vocês terão muitos anos de vida sexual ativa e de sexo realmente seguro, puro e intenso. Espere mais um pouco.
 
Saúde mental e pornografia
 
Como se não bastasse o perigo alarmante das DSTs, há também os riscos do sexo não marital para a saúde mental. E é sobre isso que Josh e Erin falam no capítulo 19, com mais dados impressionantes como estes:
 
- Adolescentes sexualmente ativas são 300% mais propensas a cometer suicídio do que adolescentes virgens.
 
- Meninos sexualmente ativos na adolescência são 700% mais propensos ao suicídio do que os rapazes que esperam.
 
- Mais de 25% das meninas sexualmente ativas entre 14 e 17 anos disseram que se sentem deprimidas, comparadas a 7,7% das virgens.
 
- Aproximadamente dois terços dos adolescentes que fizeram sexo dizem que desejariam ter esperado. “A culpa de ter cedido algo que não pode ser recuperado pode durar mais do que qualquer outra consequência” (p. 75).
 
A Dra. Freda McKissic Bush, do Medical Institute for Sexual Health, citada por Josh e Erin, diz que “com quanto mais pessoas você mantiver relações [sexuais], mais dificuldade terá para formar relacionamentos saudáveis no futuro, quando estiver pronto para estar com uma só pessoa” (p. 74).
 
Vale ou não a pena esperar? “O sexo após o casamento equivale à segurança. O sexo fora do casamento leva à insegurança, culpa, vergonha, depressão, desespero e sofrimento. [...] Todos os que praticam o sexo antes do casamento estão roubando de seu futuro cônjuge uma área singular de crescimento juntos como casal” (p. 75, 91).
 
Sobre a pornografia (assunto tratado no capítulo 37), os autores comentam que o prazer gerado pela contemplação de imagens pornográficas também está relacionado com a dopamina, o que acaba viciando as pessoas e fazendo com elas se tornem dependentes de mais “doses” para obter prazer. A noradrenalina agirá “prendendo” as imagens no cérebro, o que também causará problemas no relacionamento sexual com o cônjuge.
 
Assim, desde cedo é preciso haver cuidado com a exposição a imagens de conteúdo sexual. “Pesquisadores [...] observaram que adolescentes expostos a muito conteúdo sexual na TV [...] são duas vezes mais propensos a fazer sexo no ano seguinte do que os expostos a pouco conteúdo [dessa natureza]” [...], e que “a pornografia [...] induz os jovens a buscar experiências sexuais” (p. 129).
 
Resumo de todos os males: “Sexo fora do casamento expõe as pessoas a doenças; coloca-as em risco de ter filhos sem se casar; afeta de modo negativo sua capacidade de criar vínculos; e pode levar à depressão, insegurança e aumento da tendência ao suicídio. Monogamia mútua no contexto do casamento lhe dá a liberdade para desfrutar dos prazeres do sexo sem nenhuma das consequências citadas” (p. 96). Você quer livre ou escravo? Feliz ou infeliz? A escolha é sua.
 
Errei, e agora?
 
A Bíblia diz que “tudo [Deus] fez formoso em seu tempo” (Ec 3:11, grifo meu). Mas, e se você se adiantou e fez antes do tempo o que deveria ter esperado para desfrutar somente no contexto matrimonial? E se você nasceu num ambiente desfavorável e somente conheceu os princípios bíblicos depois de ter cometido erros e caído em pecado? Não há mais esperança para você? A fixação de memórias pela noradrenalina é um mal inapagável? Graças a Deus, não.
 
Em João 1:9, lemos: “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (grifo meu). O primeiro passo, portanto, consiste em admitir que sua atividade sexual antes e fora do casamento é pecado. Não se trata de um “erro” ou um “deslize”. Não. É pecado. Depois é só confessar a Deus e pedir de coração a purificação.
 
Em 2 Coríntios 5:17, lemos: “Se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (grifo meu). Quando aceita Jesus como Salvador, a pessoa renasce e deixa para trás as “coisas velhas”. Ela pode dizer como Paulo: “Esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo” (Fp 3:13, 14). Claro que algumas consequências do comportamento irresponsável podem acompanhar você por toda a vida – uma doença, a esterilidade ou mesmo um filho –, mas o perdão e a purificação lhe são garantidos por Deus.
 
“Nossa cultura [evolucionista] ensina que o homem não é diferente dos animais no sentido de que o sexo é uma necessidade que precisamos satisfazer. A fim de seguir rumo à libertação do pecado sexual, é preciso entender que você não é um animal. Você foi feito à imagem de Deus (Gn 1:26), logo seu desejo por sexo não é como a experiência dos animais. Sua maior necessidade é por um relacionamento de intimidade com Deus. Essa é uma importante verdade. Se você tem procurado o sexo em vez de Deus para satisfazer sua maior necessidade, é provável que tenha enfrentado derrotas, porque está tentando suprir uma necessidade espiritual com um prazer físico. [...] Peça que Ele satisfaça os anseios do seu coração” (p. 136).
 
Leia A Verdade Nua e Crua e coloque em prática seus conselhos. Seu presente e seu futuro agradecem.
 
 
Nota: A edição em língua portuguesa de The Bare Facts, publicada pela CPAD, tem apenas um defeito: os editores se esqueceram de colocar as referências do livro. Como os autores mencionam muitas pesquisas e publicações importantes, úteis para os leitores que queiram aprofundar seus conhecimentos, esse lapso acaba sendo “grave”, infelizmente. Já comuniquei a editora sobre isso e espero que numa futura edição o problema seja resolvido.[MB]
 
Fonte:  Michelson Borges (Criacionismo)
 

Explicações Naturais Dispensam o Sobrenatural?

 

Imagine a cena (século XIX): quatro pessoas estão numa charrete puxada por um cavalo jovem ainda não totalmente domesticado. O cavalo tem a fama de ser rebelde e pouco antes dessa viagem havia causado um grave acidente. Isso exige atenção redobrada do condutor, que mantém a rédea curta. Os viajantes, entre eles uma senhora, esposa do condutor, são cristãos e conversam sobre algum tema bíblico. De repente, a senhora exclama: “Glória!”. O cavalo para imediatamente e fica imóvel. A senhora se levanta e, olhando para cima, desce os degraus da carruagem. Ela tem uma visão das realidades do céu. Enquanto desce, apoia a mão firmemente no lombo do cavalo, que, surpreendentemente, permanece imóvel. Em condições normais, ele teria dado coices furiosos no momento em que alguém lhe tocasse. A senhora, ainda com olhos voltados para o alto, sobe um barranco à margem da estrada e de lá passa a descrever as belezas da Nova Terra.

O condutor da charrete crê que tanto a visão quanto o controle do potro são uma intervenção de Deus. Para mostrar isso aos outros dois companheiros de viagem, ele decide testar o cavalo. Primeiro, toca nele de leve com o chicote, mas  o  animal não se move – em outras situações, um coice seria a resposta. Depois açoita-o com força. Nenhuma reação. Outro açoite é aplicado, com força ainda maior. O cavalo permanece insensível e imóvel.
 

Com os olhos ainda voltados para cima e sem prestar atenção onde pisa, a senhora desce tranquilamente o barranco, apoia novamente a mão sobre o lombo do cavalo e sobe os degraus da carruagem. No momento em que se senta, a visão termina e o cavalo continua calmamente seu caminho, sem que o condutor dê nenhum comando para o reinício da viagem.*

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Tanto cristãos quanto não cristãos propõem explicações para o sobrenatural. Recentemente li este texto de J. Warner Wallace, diretor do PleaseConvinceMe (PorFavorMeConvença):

Recebo muitos e-mails de céticos. Grande parte destes e-mails está relacionada com milagres. As pessoas querem saber por que os cristãos são tão prontos em atribuir um evento (ou uma cura) à intervenção milagrosa de um Deus sobrenatural, principalmente quando parece que uma força natural pode ser oferecida como uma explicação. Afinal, Moisés relatou que “um forte vento oriental” soprou toda a noite antes da divisão do Mar Vermelho (Êxodo 14:21). Talvez esta ocorrência natural tenha sido simplesmente  interpretada como um milagre depois do fato. De forma semelhante, Thallus (historiador romano do primeiro século) atribuiu a escuridão na crucificação a “um eclipse do sol”, outra ocorrência razoável natural que pode ter sido mal interpretada como um milagre por aqueles que estavam inclinados em direção ao sobrenatural.
 
Os cristãos modernos também fazem afirmações sobre a intervenção sobrenatural de Deus e para muitos céticos estas reivindicações parecem injustificadas. Quando alguém afirma que Deus o curou de câncer, por exemplo, mas admite que foi submetido a um ano de quimioterapia e radiação, é difícil para os não-crentes atribuir a cura a Deus. Parece bem provável que a interação “natural” do tratamento foi o responsável. Quando os céticos encontram evidências de que as forças ou leis ”naturais” estão em ação, eles rapidamente descartam qualquer alegação de atividade sobrenatural. Mas o envolvimento de forças “naturais” não impede a atividade de um Deus “sobrenatural”.
 

Deus pode usar as “Leis da Natureza”?

Minha cadela, Baily (não a da foto – imagem importada do MeuPetWeb), ocasionalmente implora por um de seus brinquedos. Quando um desses itens cobiçados se encontra na mesa da sala de jantar, ela fica muito frustrada. A estatura típica da raça Corgi proíbe Baily de fazer o salto necessário para a mesa. O choramingar incessante dela geralmente faz com que um de nós venha até a mesa e bata no brinquedo para que ele caia no chão e seja apanhado por ela. Sem a nossa intervenção como um agente livre, a força natural da gravidade jamais seria capaz de entregar o brinquedo à Bailey. Estritamente falando, pode-se dizer que a força da gravidade providenciou o brinquedo. Mas nós sabemos que a nossa intervenção pessoal foi necessária, mesmo que esta intervenção tenha utilizado a força da gravidade como meio para um determinado fim.
 
Deus certamente trabalha da mesma maneira. Deus sempre envolve o ambiente que ele criou de uma forma que emprega as leis físicas que refletem sua natureza. Com o passar do tempo, nós observamos e identificamos essas características divinas e lhes demos um título: “As Leis da Natureza”. Mas as leis que descrevem a interação entre os objetos materiais não excluem a existência ou intervenção de um agente livre que intercede para “lançar algo da mesa.” O livre-arbítrio de Deus envolve ativamente as leis que refletem sua natureza ordenada, unificada e consistente.
Um Deus “Supernatural” no mundo “Natural”
Mas como podemos, como observadores cristãos racionais​​, dizer a diferença entre uma série de ocorrências ”desgovernadas”, “naturais” e uma série de eventos que foram guiados pela mão de Deus? Como podemos diferenciar entre um evento puramente “natural” e um milagre “divino” único? Bem, acho que devemos começar por reconhecer que todos os processos “naturais”, físicos no universo são sustentados por Deus (Hebreus 1:3, João 5:17). A física do universo é simplesmente um reflexo da participação ativa de Deus em sua criação.
 
É fácil separar o “divino” do “natural” e pensar o mundo em categorias e caixas. Contudo, esta não é a forma como as Escrituras cristãs descrevem a criação de Deus. Quando deixamos de ver as forças da natureza como a mão de Deus, acabamos justificando toda interação divina como uma forma de coincidência “natural”. Se fizermos isso por muito tempo, acabaremos por deixar de reconhecer aquelas situações em que o arbítrio de Deus é evidente; aqueles momentos em que Deus claramente teve de agir dramaticamente para “lançar algo da mesa.”

O relato que introduz este post pode até não servir de ilustração para o caso de milagres com a suposta “aparência” natural – o fato é por demais extraordinário -, mas Ellen White, a senhora que vivenciou aquela e várias outras experiências similares, escreveu bastante sobre saúde em geral, curas e o modo como Deus ordena e interage com suas próprias leis. Há muitas citações interessantes relacionadas com o assunto. E deixo aqui algumas, tiradas do seu excelente livro “A Ciência do Bom Viver”. A última citação serve de resposta antecipada a questão que muitos gostam de levantar contra os que creem: “Afinal, em caso de doença, devemos orar ou usar a devida medicação/solução?” (apenas mais um  óbvio “falso dilema”: o cristão não tem de escolher entre um e outro).

Deus está continuamente ocupado em manter e empregar como servos as coisas que criou. Opera por meio das leis da Natureza, delas Se servindo como instrumentos Seus. Elas não agem por si mesmas. A Natureza, em sua obra, testifica da presença inteligente e da atividade de um Ser que opera em tudo segundo a Sua vontade.        

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Não é por um poder a ela inerente que ano após ano a terra produz suas fartas colheitas, e continua sua marcha ao redor do Sol. A mão do Infinito está em perpétua operação, guiando este planeta. É o poder de Deus em contínuo exercício que mantém a Terra em equilíbrio em sua rotação. É Deus que faz o Sol se erguer nos céus. Abre as janelas do céu e dá a chuva.

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O mecanismo do corpo humano não pode ser plenamente compreendido; apresenta mistérios que desconcertam o mais inteligente. Não é em resultado de um mecanismo que, uma vez posto a funcionar, continua sua obra, que o pulso bate, e respiração se segue a respiração. Em Deus vivemos e nos movemos, e existimos. O coração palpitante, o pulso em seu ritmo, cada nervo e músculo do organismo vivo é mantido em ordem e atividade pelo poder de um Deus sempre presente. 

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A Bíblia nos mostra Deus em Seu alto e santo lugar, não em um estado de inatividade, não em silêncio e solidão, mas circundado por miríades de miríades e milhares de milhares de seres santos, todos esperando por fazer a Sua vontade. Por meio desses mensageiros, Ele está em ativa comunicação com todas as partes de Seus domínios. Por Seu Espírito está presente em toda parte. Por meio de Seu Espírito e dos anjos, ministra aos filhos dos homens. Acima das perturbações da Terra, está Ele sentado em Seu trono; tudo está patente ao Seu exame; e de Sua grande e serena eternidade, ordena aquilo que melhor parece a Sua providência. 

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A mão-de-obra de Deus em a Natureza não é o próprio Deus em a Natureza. As coisas da Natureza são uma expressão do caráter e do poder de Deus; não devemos, porém, considerá-la como Deus. [...]Assim, ao passo que a Natureza é uma expressão do pensamento de Deus, não é a Natureza, mas o Deus da Natureza que deve ser exaltado.

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Temos a sanção da Palavra de Deus quanto ao uso de remédios…
Os que buscam a cura pela oração não devem negligenciar o emprego de remédios ao seu alcance. Não é uma negação da fé usar os remédios que Deus proveu para aliviar a dor e ajudar a natureza em sua obra de restauração. Não é nenhuma negação da fé cooperar com Deus, e colocar-se nas condições mais favoráveis para o restabelecimento. Deus pôs em nosso poder o obter conhecimento das leis da vida. Este conhecimento foi colocado ao nosso alcance para ser empregado. Devemos usar todo recurso para restauração da saúde, aproveitando-nos de todas as vantagens possíveis, agindo em harmonia com as leis naturais. Tendo orado pelo restabelecimento do doente, podemos trabalhar com muito maior energia ainda, agradecendo a Deus o termos o privilégio de cooperar com Ele, e pedindo-Lhe a bênção sobre os meios por Ele próprio fornecidos. 
* Adaptação do relato do capitão José Bates, relato preservado em The Great Second Advent Movement, de John Loughborough e citado em Histórias de Minha Avó (Stories of my Grandmother, de Ella M. Robinson). Os adventistas do sétimo dia creem no ensino bíblico dos dons espirituais (I Coríntios 12) e reconhecem no ministério de Ellen White a manifestação do dom de profecia.

Jesus Apologista: Muitas Lições

Jesus foi um apologista?
Nos Evangelhos vemos Jesus utilizar uma variedade de métodos para comunicar as verdades espirituais. Sua vida exemplificou o próprio princípio que lemos na primeira carta de Pedro 3:15-16: “…estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós.”
Embora Jesus não tenha dito textualmente “Eu fui chamado para ser um apologista e preciso realizar minha tarefa de maneira fiel”, Ele ofereceu razões, em várias ocasiões, a respeito de por que Ele é o Messias e Deus encarnado.
Vamos ver alguns de seus métodos e tentar aprender com eles:
1. Jesus fazia perguntas
Para começar, se você ler os Evangelhos, vai ver que Jesus fez 153 perguntas. Isso é algo que precisa ser praticado por todos os cristãos. Como cristãos, tendemos a ser grandes oradores, mas ouvintes pobres. Se  lermos a literatura rabínica, veremos que fazer perguntas é uma ocorrência comum. Em todas as minhas discussões com meus amigos que são céticos, tendo a fazer esta e outras perguntas: ”Se o cristianismo for verdadeiro, você se tornaria um cristão?”

Em alguns casos, fazer perguntas ajuda a focar no problema real. Depois de algumas perguntas, fica evidente que muitas pessoas realmente não têm nenhuma intenção de se entregar a Deus. No final, nenhuma evidência realmente irá convencê-las. Em um caso pelo menos, eu mesmo ouvi um cético dizer que não queria que o cristianismo fosse verdade. É verdade que a fé bíblica envolve a pessoa inteira – o intelecto, as emoções e a vontade. Então, siga os métodos de Jesus e sempre tente chegar ao “coração” da questão.

2. Jesus recorria às evidências

Jesus sabia que não poderia aparecer em cena e não oferecer qualquer evidência de Seu caráter messiânico. Em seu livro sobre Jesus, Douglas Groothuis observa que Jesus recorreu a provas para confirmar as suas afirmações. João Batista, que foi morto na prisão depois de desafiar Herodes, enviou mensageiros a Jesus com a pergunta: “És tu aquele que estava para vir, ou devemos esperar outro?” (Mt 11:3). Isto pode parecer uma pergunta estranha de um homem que os evangelhos apresentam como o precursor profético de Jesus e como aquele que havia proclamado que Jesus era o Messias. Jesus, porém, não fez questão de repreender a João. Ele não disse “Você deve ter fé; suprimir suas dúvidas”. Em vez disso, Jesus apresentou as características distintivas do seu ministério:

“Respondeu-lhes Jesus: Ide contar a João as coisas que ouvis e vedes: os cegos vêem, e os coxos andam; os leprosos são purificados, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho. E bem-aventurado é aquele que não se escandalizar de mim.” (Mateus 11:4-6; ver também Lucas 7:22)

Os ensinos e os atos de cura de Jesus se destinavam a servir como evidência positiva da sua identidade messiânica, porque cumpriam as predições messiânicas das Escrituras Hebraicas. O que Jesus disse é o seguinte:

1. Se alguém faz certos tipos de ações (os atos citados acima), então é o Messias.
2. Eu estou fazendo esses tipos de ações.
3. Portanto, eu sou o Messias.

3. Jesus apelou para Testemunho e Testemunhas

Porque Jesus era judeu, ele estava bem ciente dos princípios da Torá. O Dicionário Evangélico de Teologia de Baker (The Baker’s Evangelical Dictionary of Theology) observa  que o conceito bíblico de testemunho ou testemunha está intimamente ligado com o sentido legal convencional do Antigo Testamento de testemunho dado em um tribunal de justiça. Em ambos os Testamentos, ele aparece como o padrão primário para estabelecer e testar as alegações de verdade. Reivindicações subjetivas não certificáveis, opiniões e crenças, ao contrário, aparecem nas Escrituras como testemunho inadmissível.

Mesmo o depoimento de uma testemunha não é suficiente, já que para o testemunho ser aceitável, deve ser estabelecido por duas ou três testemunhas (Deut. 19:15). Em João 5:31-39 Jesus diz: “Se eu der testemunho de mim mesmo, o meu testemunho não é verdadeiro. Outro é quem dá testemunho de mim; e sei que o testemunho que ele dá de mim é verdadeiro.”

Jesus declara que um auto-atestado pessoal, longe de prover verificação,  não confirma,  mas, ao contrário, gera falsificação. Vemos nesta passagem que Jesus diz que o testemunho de João Batista, o testemunho do Pai, o testemunho da Palavra (a Bíblia Hebraica) e o testemunho de suas obras testemunham da Sua messianidade. (1)

4. Ontologia: Ser e Fazer – As ações de Jesus

A ontologia é definida como o ramo da filosofia que analisa o estudo do ser ou da existência. Por exemplo, quando Jesus diz: “Quem me vê a mim, vê o Pai” (João 14:9), a ontologia faz perguntas como: “Está Jesus dizendo que Ele tem a mesma substância ou essência do Pai?” A ontologia é especialmente relevante em relação à Trindade, uma vez que cristãos ortodoxos são demandados a articular como o Pai, o Filho e o Espírito Santo são todos da mesma substância ou essência. Em relação à ontologia, o falecido estudioso judeu Abraham Heschel J. disse: “a ontologia bíblica não separa o ser do fazer.” Heshel continuou: “Aquele que é, age. O Deus de Israel é um Deus que age, um Deus de feitos poderosos.”(2) Jesus sempre recorre às Suas “obras”, que atestam a sua messianidade. Vemos isso nas seguintes Escrituras:

“Mas o testemunho que eu tenho é maior do que o de João; porque as obras que o Pai me deu para realizar, as mesmas obras que faço dão testemunho de mim que o Pai me enviou.” João 5:36

“Se não faço as obras de meu Pai, não me acrediteis. Mas se as faço, embora não me creiais a mim, crede nas obras; para que entendais e saibais que o Pai está em mim e eu no Pai.” João 10:37-38

“Não crês que Eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu digo a você, eu não falo por minha própria iniciativa, mas o Pai, que reside em mim, realiza as suas obras miraculosas.” João 14:10

Os autores do Novo Testamento mostram que Jesus realiza as mesmas “obras” ou “atos”, como o Deus de Israel. Por exemplo, Jesus dá a vida eterna (Atos 4:12; Rom. 10:12-14), ressuscita os mortos (Lucas 7:11-17, João 5:21; 6:40), mostra a capacidade de julgar (Mateus 25:31-46, João 5:19-29, Atos 10:42, 1 Coríntios 4:4-5). Jesus também tem autoridade para perdoar pecados (Marcos 2:1-12, Lucas 24:47, Atos 5:31; Col. 3:13). Assim como o Deus de Israel, Jesus é identificado como eternamente existente (João 1:1; 8:58; 12:41; 17:5; 1 Coríntios 10:4;.. Fil. 2:6; Heb. 11:26.; 13:8; Judas 5), o objeto da fé salvadora (João 14:1, Atos 10:43; 16:31, Rom. 10:8-13) e o objeto de culto (Mt 14:33; 28.: 9,17; João 5:23; 20:28; Fil. 2:10-11, Heb. 1:6;. Apoc. 5:8-12).

5. Os Milagres de Jesus

Na Bíblia, os milagres têm um propósito diferente. Eles são usados por três razões:

1. Para glorificar a natureza de Deus (João 2:11; 11:40)
2. Para credenciar pessoas certas como os porta-vozes de Deus (Atos 2:22;. Heb. 2:3-4)
3. Para fornecer evidência para a crença em Deus (João 6:2, 14; 20:30-31). (3)

Nicodemos, membro do conselho de sentença judaica, o Sinédrio, disse a Jesus: “Rabi, sabemos que és Mestre, vindo de Deus; pois ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele.” (João 3:1-2). Em Atos, Pedro disse à multidão que Jesus tinha sido “aprovado por Deus entre vós com milagres, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis.” (Atos 2:22).

Em Mateus 12:38-39, Jesus diz:  “Uma geração má e adúltera pede um sinal; e nenhum sinal se lhe dará, senão o do profeta Jonas; pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim estará o Filho do homem três dias e três noites no seio da terra.”

Nesta Escritura, Deus confirmou a alegação messiânica, quando Jesus disse que o sinal que iria confirmar sua messianidade seria a ressurreição.

É importante notar que nem todas as testemunhas de um milagre creem. Jesus não fez Seus milagres para entretenimento. Eles foram realizados para evocar uma resposta. Talvez Paul Moser tenha acertado naquilo que ele chama de “cardioteologia”- uma teologia que visa o coração motivacional de alguém (incluindo a própria vontade) ao invés de apenas sua mente ou suas emoções. Em outras palavras, Deus está muito interessado na transformação moral.

Vemos a frustração de Jesus quando Seus milagres não trouxeram a resposta correta de sua audiência. “E embora tivesse operado tantos sinais diante deles, não criam nele” (João 12:37). O próprio Jesus disse de alguns, “tampouco acreditarão, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos” (Lucas 16:31). Um resultado, embora não o efeito, de milagres é a condenação do incrédulo (cf. João 12:31, 37). (4)

6. Jesus apelava à imaginação

Não é preciso ser cientista para ver que em muitas ocasiões Jesus também apelou para a imaginação. Basta ler as parábolas. Jesus sempre soube que poderia comunicar verdades espirituais dessa maneira.

7. Jesus recorreu à sua própria autoridade

Outra maneira usada por Jesus para apelar àqueles a sua volta era a sua própria autoridade. Os rabinos poderia falar em tomar sobre si o jugo da Torá ou o jugo do reino; Jesus disse: “Tomai o meu jugo, e aprendei de mim.” (Mt 11:29). Além disso, os rabinos poderiam dizer que se dois ou três homens se sentassem juntos, com as palavras da Torá entre eles, o Shekhiná (a própria presença de Deus) iria se debruçar sobre eles. Mas Jesus disse: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, Eu estarei no meio deles” (Mt 18:20). Os rabinos poderiam falar sobre serem perseguidos por amor de Deus, ou por amor do seu nome, ou por causa da Torá; Jesus falou sobre ser perseguido e até mesmo perder a vida por causa dEle. Lembre-se: os profetas poderiam pedir às pessoas para se voltarem para Deus, para virem a Deus a fim de descansar e receber ajuda. Jesus falou com uma nova autoridade profética, afirmando: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mt 11:28). (5)

8. Jesus apelou para a autoridade da Bíblia hebraica

Jesus foi educado na Bíblia hebraica. Não pode ser mais evidente que Ele tinha uma visão muito elevada das Escrituras. Vemos o seguinte:

1. Jesus via-se como sendo revelado na Torá, nos Profetas e nos Salmos (Lc 24:44) (João 5:39).
2. Jesus ensinou que as Escrituras eram autoritárias: Jesus cita passagens da Torá na tentação no deserto (Mat. 4:1-11).
3. Jesus falou sobre como a Escritura (a Bíblia hebraica) é imperecível no Sermão da Montanha (Mateus 5:2-48).
4. Jesus também discutiu como a Escritura é infalível: (João 10:35)

Assim, podemos perguntar: Qual é a sua visão da Bíblia? Você a lê?

A conclusão, portanto, é a de que ao vermos alguns dos métodos apologéticos de Jesus, talvez possamos concordar com Douglas Groothuis quando afirma:

Nossa amostragem do raciocínio de Jesus, no entanto, questiona seriamente a acusação de que Jesus elogiava a fé acrítica em detrimento de argumentos racionais e de que não se importava com consistência lógica. Pelo contrário, Jesus nunca desconsiderou o funcionamento próprio e rigoroso de nossas mentes dadas por Deus. O seu ensino recorreu à pessoa inteira: à imaginação (parábolas), à vontade e à capacidade de raciocínio. Com toda sua honestidade em informar as excentricidades dos discípulos, os escritores dos Evangelhos nunca narraram uma situação em que Jesus foi intelectualmente contido ou superado em um argumento, nem Jesus jamais encorajou uma fé irracional ou mal informada por parte dos seus discípulos.

Referências:

1. Sproul, R.C, Gerstner, J. and A. Lindsey. Classical Apologetics: A Rational Defense of the Christian Faith and a Critique of Presuppositional Apologetics. Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing. 1984, 19.
2. Heschel., A.J. The Prophets. New York, N.Y: 1962 Reprint. Peabody MA: Hendrickson Publishers. 2003, 44.
3. Geisler, N. L., BECA, Grand Rapids, MI: Baker Book. 1999, 481.
4. Ibid.
5. Skarsaune, O., In The Shadow Of The Temple: Jewish Influences On Early Christianity. Downers Grove, ILL: Intervarsity Press. 2002, 331.

Fonte: Traduzido e adaptado de Ratio Christi – Eric Chabot (chab123.wordpress.com)

Deus: uma “Muleta” Psicológica?

 

Crutch
 
 
 
 

Feuerbach, Freud, Marx, entre outros líderes céticos e ateus, propalaram essencialmente a ideia: Deus seria um sonho da mente humana, a figura de um pai idealizado, uma projeção psicológica motivada pela necessidade que as pessoas têm de encontrar segurança e algum conforto em meio a uma realidade cruel e insensível. Do lado cristão, Alister McGrath rebate ao afirmar:  “Se a crença em Deus foi uma resposta a um desejo humano de segurança, não poderia também ser argumentado que o ateísmo foi  uma resposta ao desejo humano de autonomia?”

Em artigo publicado no Enrichment Journal, Paul Copan,  professor de Filosofia e Ética da Palm Beach Atlantic University e autor de vários livros na área de apologética, apresenta pelo menos sete razões por que o argumento do lado ateísta não se sustenta:

Primeiro, o próprio Freud reconheceu que sua “psicanálise” da religião não tinha o apoio da evidência clínica. Em 1927, Freud confessou a Oskar Pfister – um antigo psicanalista e pastor protestante – que suas perspectivas sobre a projeção religiosa “são as minhas opiniões pessoais.”(6) Freud tinha muito pouca experiência psicanalítica com genuínos crentes religiosos e não publicou nenhuma análise dos crentes com base em evidência clínica.(7)

Em segundo lugar, esse argumento comete a falácia genética, que é o erro de atribuir verdade ou falsidade a uma crença com base em sua origem ou gênese. Só porque você aprendeu matemática de um professor excêntrico, no ensino fundamental, não se segue que o que ele lhe ensinou (2 +2 = 4) deva ser falso. Quando o cético usa a falácia genética contra o crente, isto acaba se transformando numa espécie de insulto – um argumento ad hominem (“contra o homem”); ele ataca a pessoa e ignora o argumento. Mesmo que todos os crentes em Deus mantivessem seus pontos de vista por razões de qualidade inferior ou irracional, isto ainda não faria nada para refutar a existência de Deus.

Terceiro, precisamos distinguir entre a racionalidade da crença e a psicologia da crença. A psicologia da crença (como as pessoas chegam a acreditar em Deus) é uma questão diferente da racionalidade da crença (por que acreditam ou por que há boas razões para acreditar em Deus). Nós podemos oferecer boas razões para a existência de Deus (o início ou a surpreendente sintonia fina do universo, a consciência e a beleza, argumentos históricos para a ressurreição de Jesus). Para descobrir se Deus existe ou não, não devemos olhar para os motivos das pessoas, mas sim discernir se existem boas razões para acreditar ou não.

Em quarto lugar, é estranho e arbitrário afirmar que tudo o que traz conforto e consolo é falso. Uma sopa favorita ou uma xícara de chá em um dia frio geram conforto. Claramente não há nada de errado com os prazeres de um bom alimento. O alimento e o abrigo são confortantes, e famílias saudáveis trazem segurança e conforto, mas isso dificilmente faz a comida, o abrigo e a família ilegítimos. Por que, então, assumir que uma crença deve estar errada, se acontecer de ela proporcionar conforto?

Em quinto lugar, a natureza incuravelmente religiosa dos seres humanos poderia indicar provavelmente, e justamente, um vazio colocado por Deus, que só Ele pode preencher. Se fomos feitos para viver com Deus e encontrar refúgio e segurança em relação a Ele, então não devemos nos surpreender que o próprio Deus tenha colocado este impulso religioso dentro de nós – que Deus tenha colocado a eternidade em nossos corações (ver Eclesiastes 3:11). Neste caso, esse desejo é um indicador para o transcendente. Como Santo Agostinho expressou: “Fizeste-nos para Ti mesmo, ó Deus, e nosso coração está inquieto enquanto não encontrar descanso em Ti.” Esse desejo acaba por ser um suporte do teísmo, não um argumento contra ele.

Em sexto lugar, uma figura paterna confortadora, enquanto exclusiva para a fé bíblica, não está no coração das outras religiões do mundo. O ensinamento de Jesus exclusivamente apresenta Deus como Abba (um título judeu para papai) -  o Pai pessoal do crente.(10) Não encontramos tal termo, íntimo e pessoal para a Última Realidade nas outras grandes religiões do mundo; muitas religiões orientais veem a Última Realidade como algo abstrato e impessoal. Além disso, se Deus é uma fabricação, por que fabricar um Deus que é trino – Pai, Filho e Espírito? E por que inventar uma divindade, não controlável e complexa, que estabelece limites para os nossos impulsos e nosso egocentrismo e até mesmo que irá nos julgar? Isso é diferente dos todos-muito-humanos deuses e deusas falhos da Grécia e de Roma.

Em sétimo lugar, a tentativa de “psicologizar” crentes se aplica mais facilmente ao ateísta endurecido. É interessante que enquanto ateus e céticos muitas vezes psicanalisam o crente religioso,  eles regularmente falham em psicanalisar sua própria rejeição de Deus. Por que os crentes estão sujeitos a  tal exame e os ateus não? Que tal lembrar de outra característica da psicanálise de Freud – ou seja, o ressentimento subjacente que deseja matar a figura do pai?

Não há razão para presumir o ateísmo como a posição racional, psicologicamente sã e padrão e o teísmo como alguma forma psicologicamente deficiente.  O professor de psicologia da New York University Paul Vitz vira o jogo em tal pensamento. Ele diz essencialmente: “Vamos olhar para a vida dos líderes ateus e céticos no passado. O que elas têm em comum?” O resultado é interessante: praticamente todas essas figuras principais careciam de um modelo paterno positivo - ou não tiveram a presença de um pai.(11)

Vejamos alguns desses líderes:

  •  Voltaire (1694-1778): Este crítico mordaz da religião, embora não um ateu, rejeitou fortemente seu pai e o seu nome de nascimento François-Marie Arouet.
  • David Hume (1711-1776): O pai deste cético escocês morreu quando Hume tinha apenas 2 anos de idade. Biógrafos de Hume não mencionam parentes ou amigos da família que poderiam ter servido como figuras paternas.
  • Baron d’Holbach (1723-1789): Este ateu francês tornou-se órfão aos 13 anos e viveu com seu tio.
  • Ludwig Feuerbach (1804-1872): Aos 13 anos, seu pai deixou sua família e foi viver com outra mulher em uma cidade diferente.
  • Karl Marx (1818-1883): O pai de Marx, um judeu, foi convertido ao luteranismo sob pressão, não por qualquer convicção religiosa. Marx, portanto, não respeitou seu pai.
  • Friedrich Nietzsche (1844-1900): ele tinha 4 anos quando perdeu seu pai.
  • Sigmund Freud (1856-1939): Seu pai, Jacob, foi uma grande decepção para ele, era passivo e fraco. Freud também mencionou que seu pai era um pervertido sexual e que seus filhos sofreram por isso.
  • Bertrand Russell (1872-1970): Seu pai morreu quando ele tinha 4 anos.
  • Albert Camus (1913-1960): Seu pai morreu quando ele tinha 1 ano de idade, e em seu romance autobiográfico O Primeiro Homem, seu pai é a figura central de sua obra.
  • Jean-Paul Sartre (1905-1980): O pai do famoso existencialista morreu antes de ele nascer.(12)
    Madeleine Murray-O’Hair (1919-1995): Ela odiava o pai e até tentou matá-lo com uma faca de açougueiro.

Poderíamos citar mais alguns proeminentes ateus contemporâneos não mencionados por Vitz com desafios semelhantes na infância:

  • Daniel Dennett (1942 -): Seu pai morreu quando ele tinha 5 anos de idade e teve pouca influência sobre Dennett.(13)
  • Christopher Hitchens (1949 -2011): Seu pai (“o Comandante”) era um bom homem, segundo Hitchens, mas ele e Hitchens “não tinham muita conversa”. Partindo de  ”uma distância respeitosa”, seu relacionamento assumiu um ”degelo ocasional”  até “frieza definitiva”. Hitchens acrescenta: “Eu sou um pouco estéril de lembranças paternas.” (14)
  • Richard Dawkins (1941 -): Embora incentivado por seus pais para estudar a ciência, ele menciona ter sido molestado quando criança – um evento não insignificante, embora Dawkins considere-o apenas embarassador.(15)

Além disso, o estudo de Vitz observa quantos teístas proeminentes no passado – como Blaise Pascal, GK Chesterton, Karl Barth e Dietrich Bonhoeffer – tiveram em comum um pai amoroso e atencioso em suas vidas.(16)

Concluindo, o argumento cético da projeção da figura paterna, apresentado para refutar a existência de Deus comete a falácia genética. Para piorar as coisas do lado cético ou ateísta, os porta-vozes mais proeminentes do ceticismo e do ateísmo arrastam eles próprios uma considerável bagagem psicológica.

Devemos considerar os méritos dos argumentos a favor e contra a existência de Deus, sem descartar argumentos com base neste ou naquele motivo pessoal. No entanto, Vitz nos lembra que fatores psicológicos (como saúde, memórias agradáveis da infância contra memórias dolorosas) podem, de fato, ter uma influência sobre a forma como uma pessoa passa a acreditar ou não acreditar; esses fatores subconscientes não são irrelevantes e podem se revelar uma barreira psicológica para a crença . Eles podem tornar a confiança em Deus difícil quando aqueles de quem se espera estarem mais próximos de nós se tornam indignos da nossa confiança ou não estão mais presentes.

Quando as pessoas me dizem que têm dificuldade em confiar em Deus (mesmo quando elas têm boas razões para acreditar em Deus e gostariam de acreditar), eu pergunto sobre seus antecedentes familiares, particularmente sobre a relação com o pai. Na minha experiência, a resposta típica é: “Como você sabia?” ou “Você está certo.” Neste caso, a segurança de uma comunidade cristã amorosa pode desempenhar um papel significativo em ajudar a restaurar a habilidade de confiar no Pai sempre-amoroso. Sua confiabilidade é especialmente evidente no amor de Cristo, em dar Ele a Sua vida por nós. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu filho unigênito para que todo o que nEle crê não pereça mas tenha a vida eterna”. (João 3:16)

 

Fonte: Adaptado de Enrichment Journal. Paul Copan, Is God Just a Psychological Crutch for the Weak?
Mantidos os números das referências bibliográficas como no original:
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6. Sigmund Freud and Oskar Pfister, Psychoanalysis and Faith: The Letters of Sigmund Freud and Oskar Pfister, ed. H. Meng and E. French, trans. E. Mosbacher (New York: Basic Books, 1962), 117.
7. Paul C. Vitz, Faith of the Fatherless (Dallas: Spence, 1999), 8,9.
[...]
10. James D.G. Dunn, “Prayer,” in Dictionary of Jesus and the Gospels, eds. I. Howard Marshall, et al. (Downers Grove, Illinois: InterVarsity Press, 1992), 619.
11. Vitz, “The Psychology of Atheism,” Truth 1 (1985): 29–36. See also Vitz’s Faith of the Fatherless; also fromFaith of the Fatherless, 17–57.
12. Sartre apparently did become a believer in God before he died, however. See National Review, 11 June 1982, 677.
13. Roger Bingham, “The Science Studio with Daniel Dennett.” Available at: http://thesciencenetwork.org/media/videos/29/Transcript.pdf. Accessed 11 October 2011.
14. Christopher Hitchens, Hitch-22: A Memoir, Large Print Edition (New York: Twelve/Hachette, 2010), 64,67,21,69.
15. Richard Dawkins, The God Delusion (New York: Houghton, Mifflin, Harcourt, 2008), 316.
16. See Vitz’s Faith of the Fatherless.

Outro bom artigo sobre o assunto: “Quem realmente usa muletas? O Cristianismo ou o  Ateísmo?”, de Rob Lungber. Em inglês aqui: Who Really Holds the Crutch? Christianity or Atheism?

Cristianismo, Ciência e o Discurso da Oposição

Brian Austen, que administra o excelente portal Apologetics 315, apresentou recentemente uma síntese do segundo capítulo do livro Is God Just a Human Invention? And Seventeen Other Questions Raised by the New Atheists (Deus é Só uma Invenção Humana? e Dezessete Outras Questões Levantadas pelo Neoateísmo), de Sean McDowell e Jonathan Morrow. Tanto os trechos citados do livro quanto a breve discussão que se seguiu tratam de aspectos importantes da relação entre ciência e religião e do discurso requentado de propaganda neoateísta que tenta caracterizar, ainda que às vezes de maneira indireta, o cristianismo como estando em oposição ao avanço científico.

O segundo capítulo aborda a alegação de que o cristianismo está em desacordo ou entra em conflito com a ciência. Em resposta a isso, os autores apontam para a influência positiva do cristianismo sobre a ciência,  como também para o número de pioneiros da ciência moderna que eram teístas. Eles descrevem a suposta perseguição a Galileu e corrigem alguns dos mitos modernos que parecem ter sido propagados sobre o episódio. Além disso, McDowell e Morrow apontam para o fato de que o cristianismo, na realidade, fornece a motivação e a base filosófica adequada para se fazer ciência, ao passo que o naturalismo está fundamentalmente em desacordo com o empreendimento científico. O apologista John Warwick Montgomery contribui com um ensaio intitulado “A fé fundamentada em fato”. Ele argumenta que a finitude do universo, seu início e seu ajuste fino apontam para um Criador.

Algumas citações interessantes (com versão livre deste blog):

Embora se acredite geralmente que a ciência e o cristianismo estejam em conflito, o oposto é que é realmente verdade. Não há nenhum conflito inerente entre o cristianismo e a ciência. Nós não pretendemos sugerir que o antagonismo religioso para com a ciência nunca tenha existido. Ele existiu e existe. Mas a história da ciência mostra que tais alegações de antagonismo são muitas vezes exageradas ou infundadas. (P. 33)

A definição dessas duas visões de mundo nos mostra a raiz do problema: o naturalismo e o teísmo estão em desacordo, e não a ciência e o cristianismo. O naturalismo é intrinsecamente ateísta porque não vê nada fora do mundo natural ou material. (p. 37)

A ciência depende da suposição de que o mundo é ordenado e que nossas mentes podem acessar esta realidade. Mesmo os cientistas mais seculares presumem que a natureza opera na forma de leis. Esta convicção é melhor explicada pelos pioneiros da Revolução Científica, que acreditavam que o cosmos é ordenado porque foi projetado pelo Criador racional do universo, o qual deseja que nós, como seres criados à sua imagem, entendamos, apreciemos e exploraremos sua criação. (p. 40)

Os comentários do próprio Brian em resposta a um leitor acrescentam informações relevantes.

Na cosmovisão ateísta, por exemplo, a razão é o resultado de processos aleatórios; assim, não há por que esperar que esses processos sejam confiáveis; e de acordo com a visão evolucionista, a evolução seleciona para a sobrevivência e não para a verdade.

Já na cosmovisão cristã, a razão é o resultado da criação de Deus; nesse caso, temos um meio para confiar que Deus nos deu sentidos confiáveis e habilidade de raciocínio. Uma das cosmovisões, portanto, provê um meio para confiar em nossa razão, a outra não.

Em resposta à objeção de que o cristão apenas assume a sua visão como correta em contraste com o ateu que, supostamente, admitiria poder estar errado, Brian explica que para chegar ao raciocínio acima não haveria a necessidade de saber qual das duas visões é a correta; basta saber que estas duas afirmações hipotéticas são verdadeiras:

  • Se o cristianismo é verdadeiro, então temos fundamento para confiar que  nossas habilidades de raciocínio nos levam a conclusões verdadeiras.
  • Se o ateísmo é verdadeiro, então não temos fundamento para confiar que nossas habilidades de raciocínio nos levam a conclusões verdadeiras.

Isso é suficiente para mostrar o que cada cosmovisão, se verdadeira, pode oferecer. De modo geral, tanto cristãos quanto ateus, ao fazerem ciência, assumem que nossos sentidos e habilidades de raciocínio são confiáveis. Mas quando se trata de determinar que cosmovisão fornece as pré-condições que permitem confiar nesses sentidos e na razão, é o cristianismo que as fornece, não o ateísmo.

Assim, como expresso em outro artigo, da autoria de Nancy Pearcey, o Cristianismo é um Estímulo, não um Obstáculo à Ciência.

Um Milagre Ateísta Jamais Visto

 

Não sabia que o ateu Richard Dawkins acredita em milagres?

Quem faz a pergunta é  Edgar H. Andrews, professor emérito da Universidade de Londres, autor do livro Who Made God? (Quem criou Deus?). 

O Dr. Andrews  reproduziu em seu site um dos capítulos em que analisa o pensamento de Dawkins sobre o assunto. Ele lembra que o zoólogo britânico prefere, é claro, usar a expressão “eventos extremamente improváveis” em vez de “milagre”, mas o “conceito” de milagre é apresentado pelo próprio Dawkins:

“Um milagre é algo que acontece, mas que é surpreendentemente incomum. Se uma estátua de mármore da Virgem Maria de repente acenasse para nós, nós trataríamos o fato como um milagre, por causa de toda a nossa experiência e conhecimento, que nos assegura que o mármore não tem tal comportamento”.(O Relojoeiro Cego, pág. 159)

Andrews não apenas disseca em seguida a argumentação de Dawkins de que de certa forma “seria possível” uma estátua “acenar”, como também a afirmação dele de que uma vaca pular por sobre a Lua é “teoreticamente possível”. O título da postagem, “Richard Dawkins’ scientific fallacies” (As falácias científicas de Dawkins), já nos aponta a conclusão. Na verdade, ao explicar as razões do ponto de vista da Física por que os exemplos propostos por Dawkins não são “viáveis”, Andrews qualifica a ideia do ”devoto de Darwin” como “cientificamente ridícula”.

O mais interessante dessa análise, porém, é que ela permite “visualizar” não apenas as falácias científicas de Dawkins mas também parte da manha estratégica por trás de seu discurso. Isso fica claro na conclusão do capítulo, uma espécie de resumo em linguagem menos técnica:

O problema para Richard Dawkins e seus colegas ateus é isso. Eles enfrentam sérias dificuldades em explicar o “milagre” da origem da vida de uma maneira puramente materialista. Na verdade, o problema parece intransponível, como veremos no próximo capítulo. Mas vamos apenas aceitar no momento que o ateísmo atualmente não tem resposta para o enigma. O ateu cuidadoso não vai apelar para “ainda-não-conhecidas” descobertas científicas como uma explicação, porque ele reconhece que esse argumento é uma imagem de espelho da teoria do ”Deus-das-lacunas” que ele tanto despreza. Então, o que ele pode fazer? Sua primeira estratégia é a de “provar” que os acontecimentos mais bizarros que se possa imaginar – como a motilidade do mármore (uma estátua acenar) ou a balística bovina (uma vaca pular por sobre a lua) - poderiam concebivelmente ocorrer por causa natural. Claro, suas explicações falham miseravelmente em nível científico, mas isso não vai preocupá-lo indevidamente, desde que ele consiga plantar em nossas mentes a vaga idéia de que qualquer “milagre” pode ter uma explicação natural.

Mas depois vem a parte complicada. Ele agora precisa dar um salto ágil de “milagres ‘podem’ ter uma causa natural” para “milagres ’devem’ ter uma causa natural”. Isso ele tenta fazer usando a nossa velha amiga ”probabilidade”. Especificamente, ele avança a tese de que tudo que se possa imaginar no universo físico certamente irá acontecer por causa natural, se você esperar muito tempo, contanto que sua probabilidade matemática não seja zero. E isso soa plausível, porque, tendo rejeitado a velha idéia newtoniana de um universo determinista, não podemos descartar nada em princípio. Mas, embora plausível, a tese é falsa, porque as probabilidades matemáticas não têm nenhuma relação necessária com as possibilidades físicas, como vimos no capítulo 1. É matematicamente possível construir uma torre de tijolos infinitamente alta, mas é fisicamente impossível fazê-lo, porque mais cedo ou mais tarde o peso da torre vai esmagar o tijolo inferior até ao pó e toda a torre (não infinita) irá desmoronar.[...]

O fato é que podemos imaginar muitos poucos eventos físicos que sejam matematicamente impossíveis. “Impossibilidades” surgem no universo físico não de restrições matemáticas, mas de restrições das leis da natureza (tais como a resistência não-infinita à compressão de tijolos).

A síntese da  mensagem do Dr. Andrews, também presente na citação acima, é clara: “Antes que probabilidades matemáticas possam ser aplicadas ao mundo real elas têm que passar pelo duplo filtro da lógica e da realidade física”.

Os “milagres” ateístas relacionados com a origem da vida, como mencionado por Andrews, não encontram apoio na realidade; muito menos, obviamente, em testemunhos de sua ocorrência em qualquer época.

Mas vale ressaltar, quando se trata de milagres reais, as  advertências da Bíblia contra alguns sinais e prodígios que são e serão feitos “à vista dos homens”, mas cuja origem (para a surpresa de muitos) também não está em Deus (assunto para outra postagem).

Como já antecipado pelo cenário profético, ainda que esses sinais e prodígios que se veem sejam uma realidade, devem ser rejeitados juntamente com os milagres ateístas nunca vistos. E a razão para isso é terem  todos eles uma característica comum: a falta de vinculação à verdade.

 ”Santifica-os na verdade; a Tua palavra é a verdade” João 17:17.

 Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.” S. João 14:6

 

A Confiabilidade Histórica do Evangelho de João: 59 Detalhes

O livro The Historical Reliability of John’s Gospel  (A Confiabilidade Histórica do Evangelho de João), de Craig Blomberg, examina o evangelho de João versículo por versículo e identifica uma abundância de fatos e detalhes históricos.
Alguns desses fatos e detalhes foram listados no livro Não Tenho Fé Suficiente para Ser Ateu, de Norman Geisler e Frank Turek, como segue (págs. 196-198).
Uma quantidade bastante grande de detalhes historicamente confirmados ou historicamente prováveis estão contidos no evangelho de João. Muitos desses detalhes foram confirmados como históricos por arqueólogos e/ou escritores não-cristãos, e alguns deles são historicamente prováveis porque muito dificilmente seriam invenções de um escritor cristão. Esses detalhes iniciam-se no segundo capítulo de João e compõem a lista a seguir:

1. A arqueologia confirmou o uso de jarros de água feitos de pedra nos tempos do Novo Testamento (João 2:6);

2. Dada a antiga tendência cristã ao ascetismo, é muito pouco provável que o milagre do vinho seja uma invenção (João 2:8); [Observação deste blog: neste ponto, defendemos que o vinho oferecido por Cristo não era fermentado]

3. A arqueologia confirma o lugar correto do poço de Jacó (João 4:6);

4. Josefo (História da guerra judaica 2.232) confirma que havia hostilidade significativa entre judeus e samaritanos durante os tempos de Jesus (João 4:9);

5. O termo “desce” (RA e RC) descreve com precisão a topografia da Galiléia ocidental (existe uma queda significativa da elevação de Caná para Cafarnaum; João 4:46,49,51);[1]

6. O termo “subiu” descreve perfeitamente a subida a Jerusalém (João 5:1);

7. A arqueologia confirma a correta localização e a descrição de cinco entradas no tanque de Betesda (João 5:2). Escavações realizadas entre 1914 e 1938 revelaram o tanque, e ele era exatamente como João o havia descrito. Uma vez que essa estrutura não mais existia depois de os romanos terem destruído a cidade no ano 70 d.e, é improvável que qualquer outra testemunha não ocular pudesse tê-lo descrito com tal nível de detalhes. Além do mais, João diz que essa estrutura “está” ou “existe” em Jerusalém, implicando que está escrevendo antes do ano 70);

8. É improvável que o fato de o próprio testemunho de Jesus não ser válido sem o Pai seja uma invenção cristã (João 5:31); o redator posterior desejaria muito destacar a divindade de Jesus e provavelmente faria que seu testemunho fosse autenticado por si mesmo;

9. O fato de as multidões quererem fazer Jesus rei reflete o bastante conhecido fervor nacionalista de Israel do século I (João 6:15);

10. Tempestades repentinas e severas são comuns no mar da Galiléia (João 6:18);

11. A ordem de Cristo para que comessem sua carne e bebessem seu sangue não seria inventada (João 6:53);

12. É improvável que a rejeição a Jesus por parte de muitos de seus discípulos também seja uma invenção (João 6:66);

13. As duas opiniões predominantes sobre Jesus — uma de que ele é “um bom homem” e outra de que ele “está enganando o povo” — não seriam as duas opções que João escolheria se estivesse inventando uma história (João 7:12); um escritor cristão posterior provavelmente teria inserido a opinião de que Jesus era Deus;

14. É improvável que a acusação de Jesus estar possuído por demônios seja uma invenção (João 7:20);

15. O uso do termo “samaritano” para ofender Jesus encaixa-se na hostilidade entre judeus e samaritanos (João 8:48);

16. É improvável que o desejo dos judeus que haviam crido nele de apedrejá-lo seja uma invenção (João 8:31,59);

17. A arqueologia confirma a existência e a localização do tanque de Siloé (João 9:7);

18. Ser expulso da sinagoga pelos fariseus era um temor legítimo dos judeus. Perceba que o homem curado professa sua fé em Jesus somente depois de ter sido expulso da sinagoga pelos fariseus (João 9:13-39), momento em que ele não tinha mais nada a perder. Isso transpira autenticidade;

19. O fato de o homem curado chamar Jesus de “profeta’, e não outra designação mais elevada, sugere que o incidente é uma história sem retoques (João 9:17);

20. Durante uma festa no inverno, Jesus caminhou pelo Pórtico de Salomão, que era o único lado da área do templo protegido do vento frio vindo do leste durante o inverno (João 10:22,23); essa área é mencionada diversas vezes por Josefo;

21. Três quilômetros (15 estádios) é a distância exata entre Betânia e Jerusalém (João 11:18);

22. Devido à animosidade posterior entre cristãos e judeus, é improvável que a descrição de que os judeus confortaram Marta e Maria seja uma invenção (João 11:19);

23. Os panos usados para sepultar Lázaro eram comuns nos sepultamentos judaicos do século I (João 11:44); é improvável que um autor ficcional incluísse esse detalhe irrelevante no aspecto teológico;

24. A descrição precisa da composição do Sinédrio (João 11:47): durante o ministério de Jesus, ele era composto basicamente pelos principais sacerdotes (em grande parte saduceus) e pelos fariseus;

25. Caifás realmente era o sumo sacerdote naquele ano (João 11:49); aprendemos com Josefo que Caifás permaneceu no ofício entre 18 e 37 d.C.;

26. A pequena e obscura vila de Efraim (João 11:54), perto de Jerusalém, é mencionada por Josefo;

27. A limpeza cerimonial era comum na preparação para a Páscoa (João 11:55);

28. Às vezes os pés de um convidado especial eram ungidos com perfume ou óleo na cultura judaica (João 12:3); é improvável que o ato de Maria em secar os pés de Jesus com os cabelos seja uma invenção (isso poderia facilmente ter sido visto como uma provocação sexual);

29. A agitação de ramos de palmeiras era uma prática judaica comum para celebrar as vitórias militares e dar boas-vindas aos governantes nacionais (João 12:13);

30. A lavagem dos pés na Palestina do século I era necessária por causa da poeira e dos calçados abertos. É improvável que o relato de Jesus executando essa tarefa tão servil seja uma invenção (essa é uma tarefa que nem mesmo os escravos judeus eram obrigados a fazer) (João 13:4); a insistência de Pedro para que recebesse um banho completo também se encaixa com sua personalidade impulsiva (certamente não havia propósito em inventar esse pedido);

31. Pedro faz um sinal a João para que este faça uma pergunta a Jesus (João 13:24); não há razão para inserir esse detalhe se ele fosse uma ficção, pois o próprio Pedro poderia ter feito a pergunta diretamente a Jesus;

32. É improvável que a frase “o Pai é maior do que eu” seja uma invenção (João 14:28), especialmente se João quisesse produzir a divindade de Cristo (como os críticos afirmam que ele fez);

33. O uso de vinho como uma metáfora tem sentido em Jerusalém (João 15:1); os vinhedos estavam na proximidade do templo, e, de acordo com Josefo, os portões do templo tinham uma vinha dourada entalhada neles;

34. O uso da metáfora do nascimento de uma criança (João 16:21) é plenamente judaico; foi encontrado nos Manuscritos do mar Morto (lQH 11.9,10);

35. A postura-padrão judaica para as orações era olhar “para o céu” (João 17:1);

36. A confirmação de Jesus de que suas palavras vieram do Pai (João 17:7,8) não seria incluída se João estivesse inventando a idéia de que Jesus era Deus;

37. Nenhuma referência específica a uma passagem das Escrituras já cumprida é dada no que se refere à predição da traição de Judas; um escritor ficcional ou um redator cristão posterior provavelmente teria identificado os textos do AT aos quais Jesus estava se referindo (João 17:12);

38. É improvável que o nome do servo do sumo sacerdote (Malco) que teve sua orelha cortada seja uma invenção (João 18:10);

39. A correta identificação do sogro de Caifás, Anás, que foi o sumo sacerdote entre os anos 6 e 15 d. e. (João 18:13) — o comparecimento diante de Anás é crível por causa da ligação familiar e do fato de que os ex-sumos sacerdotes preservavam uma grande influência;

40. A afirmação de João de que o sumo sacerdote o conhecia (João 18:15) parece histórica; a invenção dessa afirmação não serve a propósito algum e exporia João a ser desacreditado pelas autoridades judaicas;

41. As perguntas de Anás em relação aos ensinamentos e aos discípulos de Jesus fazem sentido no aspecto histórico; Anás estaria preocupado com a possibilidade de um tumulto civil e uma diminuição da autoridade religiosa judaica (João 18:19);

42. A identificação de um parente de Malco (o servo do sumo sacerdote que teve sua orelha cortada) é um detalhe que João não teria inventado (João 18:26); ele não tem nenhuma importância teológica e apenas poderia afetar a credibilidade de João se estivesse tentando fazer uma ficção se passar por verdade;

43. Existem boas razões históricas para acreditar na relutância de Pilatos de lidar com Jesus (João 18:28): Pilatos precisava equilibrar-se numa linha muito tênue, mantendo felizes tanto os judeus quanto Roma; qualquer perturbação civil poderia custar-lhe a posição (os judeus sabiam de suas preocupações com uma competição quando o desafiaram, dizendo: “Se deixares esse homem livre, não és amigo de César. Quem se diz rei opõe-se a César” João 19:12; o filósofo judeu Fílon registra que os judeus fizeram uma pressão bem-sucedida sobre Pilatos de maneira similar para que tivessem suas exigências satisfeitas (A Caio 38.301,302);

44. Uma superfície similar ao Pavimento de Pedra foi identificada próxima da fortaleza de Antônia (João 19:13) com marcas que podem indicar que os soldados entretinham-se ali com jogos (como no caso de tirar sortes para decidir quem ficaria com as roupas de Jesus em João 19:24);

45. O fato de os judeus exclamarem “Não temos rei, senão César” (João 19:15) não seria inventado, dado o ódio judaico pelos romanos, especialmente se o evangelho de João tivesse sido escrito depois do ano 70 d.C. (isso seria o mesmo que os moradores de Nova York de hoje proclamarem “Não temos rei, senão Osama bin Laden!”);

46. A crucificação de Jesus (João 19:17-30) é atestada por fontes não-cristãs como Josefo, Tácito, Luciano e o Talmude  judaico;

47. As vítimas de crucificação normalmente levavam sua própria travessa  (João 19:17);

48. Josefo confirma que a crucificação era uma técnica de execução empregada pelos romanos (História da guerra judaica 1.97; 2.305; 7.203); além disso, um osso do tornozelo de um homem crucificado, perfurado por um prego, foi encontrado em Jerusalém em 1968;

49. É provável que a execução tenha acontecido fora da antiga Jerusalém, como diz João (João 19:17); isso garantiria que a cidade sagrada judaica não fosse profanada pela presença de um corpo morto (Dt 21:23);

50. Depois de a lança ter perfurado o lado de Jesus, saiu aquilo que parecia ser sangue e água (João 19:34). Hoje sabemos que a pessoa crucificada pode ter uma concentração de fluidos aquosos na bolsa que envolve o coração, chamada de pericárdio.[2] João não saberia dessa condição médica e não poderia ter registrado esse fenômeno a não ser que tivesse sido testemunha ocular dele ou tivesse acesso ao depoimento de uma testemunha ocular;

51. É improvável que José de Arimatéia (João 19:38), o membro do Sinédrio que sepultou Jesus, seja uma invenção;

52. Josefo (Antiguidades judaicas 17.199) confirma que especiarias (João 19:39) eram usadas em sepultamentos reais. Esse detalhe mostra que Nicodemos não estava esperando que Jesus ressuscitasse dos mortos e também demonstra que João não estava inserindo fé cristã posterior em seu texto;

53. Maria Madalena (João 20:1), uma mulher que fora possuída por demônios (Lucas 8:2), não seria inventada como a primeira testemunha do túmulo vazio. O fato é que as mulheres em geral não seriam apresentadas como testemunhas numa história inventada;

54. O fato de Maria confundir Jesus com um jardineiro (João 20:15) não é um detalhe que um escritor posterior teria inventado (especialmente um escritor buscando exaltar Jesus);

55. “Rabôni” (João 20:16), o termo aramaico para “mestre”, parece um detalhe autêntico porque é outra improvável invenção para um escritor tentando exaltar o Jesus ressurreto;

56. O fato de Jesus afirmar que ele está voltando “para meu Pai e Pai de vocês” (João 20:17) não se encaixa com um escritor posterior inclinado a criar a idéia de que Jesus era Deus;

57. O total de 153 peixes (João 21:11) é um detalhe teologicamente irrelevante, mas perfeitamente coerente com a tendência dos pescadores de quererem registrar e depois se gabar de suas grandes pescarias;

58. O medo dos discípulos de perguntarem a Jesus quem ele era (João 21:12) é uma trama improvável. Ele demonstra a natural surpresa humana diante do Cristo ressurreto e talvez o fato de que havia alguma coisa diferente em relação a seu corpo ressurreto;

59. A enigmática declaração de Jesus sobre o destino de Pedro não é clara o suficiente para tirar-se dela certas conclusões teológicas (João 21:18); então, por que João a inventaria? Isso é outra invenção improvável.

Quando reunimos o conhecimento que João tinha das conversas pessoais de Jesus a esses quase 60 detalhes historicamente confirmados e/ou historicamente prováveis, existe alguma dúvida de que João tenha sido uma testemunha ocular ou que, pelo menos, tenha tido acesso ao depoimento de testemunhas oculares? Certamente nos parece que é preciso ter muito mais fé para não acreditar no evangelho de João do que para acreditar nele.


[1] BARNETT, Is The New Testament Reliable?, p. 62.

[2] William D. EDWARDS, Wesley J. GABEL, Floyd E. HOSMER, “On the Physical Death of Jesus Chtist”, Journal of the American Medical Association 255, n. 11 (March 21, 1986): 1455-63.

Fonte: Truthbomb
Mais sobre o assunto no site do Dr. Craig Blomberg

Ateus sem Razão – A Verdadeira Razão, o Livro (True Reason)

True Reason Book Cover

Os neoateus estão convencidos de que pensar bem significa descrer de Deus e que seus líderes são modelos de bom raciocínio. Eles estão planejando um Rally da Razão (“Rally Reason”) para o dia 24 de março. Richard Dawkins lidera uma Fundação para a Ciência e a Razão (“Foundation for Reason and Science”). Sam Harris é fundador e presidente do Projeto Razão (“Reason Project”). A Sociedade dos Ateus Americanos (“American Atheists”)  define ateísmo como “a atitude mental que aceita sem reservas a supremacia da razão. . . ” John Loftus nos diz: “Fé e Razão são  opostos mutuamente exclusivos.”

Nisso eles estão muito enganados.

Eles estão errados porque as alegações de que eles têm bom raciocínio não coincidem com a prova do desempenho que eles apresentam. O livro de Dawkins “Deus, um Delírio”  é cheio de falácias lógicas e comprovadamente preconceituoso e anti-científico. Sam Harris gastou a maior parte de um recente debate evitando a lógica e apresentando um argumento baseado em apelos emocionais. John Loftus diz que seu Teste Externo para a Fé (“Outsider Test for Faith”) mostra que a crença é irracional, quando, na verdade, seu teste demonstra o contrário.

Eles também estão errados porque o Cristianismo é construído sobre uma base de evidências e de pensamento. A Bíblia é um registro do que Deus tem feito. Ela nos diz em toda parte para ver o que Ele fez e confiar nEle com base no que sabemos ser verdadeiro a Seu respeito. Jesus pede que seus seguidores amem a Deus com toda a sua mente/seu entendimento. O apóstolo Paulo argumentava nas sinagogas e com os filósofos gregos. Ao longo da história, muitos dos maiores pensadores do mundo têm sido cristãos. E isso continua verdade ainda hoje.

E eles, por fim, estão errados em não ver como o Cristianismo leva as pessoas a tratar umas às outras  razoavelmente. Claro, tem havido exceções, mas, como um todo, o Cristianismo tem sido a maior força do mundo para a liberdade, a paz, os direitos humanos, e, claro, o maior bem de todos: o conhecimento de Deus.

Isto não é propaganda ideológica. Mesmo cristãos podem não saber que isso é verdade. Se alguma parte do que foi dito parece surpreendente para você, então é hora de você descobrir a Verdadeira Razão, o livro (True Reason – lançado, por enquanto, apenas em versão eletrônica. Adquira aqui).

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“Um dos pontos-chave do discurso dos neoateus é o de que o lado deles é o lado da razão e da evidência. Trata-se de  um poderoso artifício retórico. Afinal, quem iria querer estar do lado da irracionalidade e da ignorância? Mas os coautores deste volume abrangente expõem o blefe ateísta, invertendo os polos e argumentando que não é o ateísmo, mas sim o teísmo cristão que tem a razão e as evidências do seu lado. Qualquer pessoa que interaja com esses argumentos com ponderação vai descobrir que é surpreendentemente difícil ser um ateu intelectualmente realizado.”
Timothy McGrew, Ph.D., professor de filosofia na Western Michigan University.

Conheça a Cosmovisão Teísta/Criacionista – partes III e IV

Continuação da bibliografia básica recomendada belo jornalista Michelson Borges para quem deseja aprofundar seus conhecimentos sobre a cosmovisão teísta/criacionista:

 

Nancy Pearcey e Charles Thaxton, A Alma da Ciência (Cultura Cristã) – Pearcey (que também é autora de A Verdade Absoluta, entre outros livros) é editora colaboradora do Pascal Centre for Advance Studies in Faith and Science; Charles Thaxton é Ph.D em química e pós-doutorado em História da Ciência pela Harvard. No livro, eles sustentam as bases cristãs da ciência moderna. “O tipo de pensamento conhecido hoje em dia como científico, com sua ênfase na experimentação e formulação matemática surgiu numa cultura específica – a da Europa Ocidental – e em nenhuma outra”, afirmam. E completam: “Os mais diversos estudiosos reconhecem que o cristianismo forneceu tanto os pressupostos intelectuais quanto a sanção moral para o desenvolvimento da ciência moderna.” Pearcey e Thaxton provam, com boa documentação histórica, que o conflito ciência versus religião é equivocado e tem origem recente. Segundo eles, durante cerca de três séculos, a relação entre a ciência e a religião pode ser mais bem descrita como uma aliança. “Os cientistas que viveram do século 16 até o final do século 19 viveram num universo muito diferente daquele no qual vive o cientista de hoje. É bem provável que o primeiro cientista tenha sido um indivíduo temente a Deus que não considerava a investigação científica e a devoção religiosa incompatíveis. Pelo contrário, sua motivação para estudar as maravilhas da natureza era o ímpeto religioso de glorificar o Deus que as havia criado.”

Ariel A. Roth, A Ciência Descobre Deus (CPB) – Em seu livro A Ciência Descobre Deus, o zoólogo adventista Dr. Ariel Roth menciona a ocasião em que visitou a famosa Abadia de Westminster, na Inglaterra. Ali estão sepultados Newton e Darwin. Roth relembra: “Quando visitei os túmulos desses dois ícones do mundo científico, não pude deixar de meditar sobre o legado contrastante sobre Deus que ambos deixaram à humanidade. [...] A vida de Newton ilustra claramente como a excelência científica e uma firme fé em Deus podem andar de mãos dadas.” Roth lida de forma competente com perguntas como estas: Será que um Designer criou nosso universo, ou ele evoluiu de maneira espontânea? Pode a ciência ser objetiva e, ao mesmo tempo, admitir a possibilidade de que Deus existe? Isso faz diferença? Em face de tanta evidência que parece exigir um Deus para explicar o que vemos na natureza, por que a comunidade científica permanece em silêncio sobre o Criador? Deus existe? Segundo Roth, a própria ciência está oferecendo as respostas.

Michelson Borges, A História da Vida – De onde viemos, para onde vamos (CPB) – Depois de dez anos da publicação de A História da Vida, o livro passou por uma atualização e esta nova edição revista reúne o que há de mais atual com respeito à controvérsia entre criacionismo e evolucionismo – sem perder a característica que identifica a obra desde o início: a linguagem é simples e o conteúdo, acessível. O autor é jornalista e mestre em teologia, e procura responder perguntas como estas: Deus existe? Qual a origem do Universo e da vida? A teoria da evolução é coerente? O criacionismo é científico? Podemos confiar na Bíblia? O dilúvio de Gênesis é lenda ou fato histórico? De onde vieram e para onde foram os dinossauros? O que dizer dos métodos de datação? Os leitores que quiserem se aprofundar no assunto têm à disposição, no fim de cada capítulo, inúmeras referências com dicas sobre os melhores livros e sites para leitura adicional.

Phillip E. Johnson, Darwin no Banco dos Réus(Cultura Cristã) – O polêmico livro de Johnson mexeu com os fundamentos científicos, pois demonstra que a teoria da evolução não tem sua base em fatos, mas na fé – fé no naturalismo filosófico. Johnson argumenta corajosamente que simplesmente não há um vasto corpo de dados que deem suporte à teoria. Com o clima intrigante de um mistério e detalhes que nos prendem como quando assistimos a um julgamento, Johnson conduz o leitor pelas evidências com a perícia de um advogado, a qual ele adquiriu como professor de Direito em Berkeley, especializando-se na lógica dos argumentos. O autor é graduado em Harvard e na Universidade de Chicago. Ele foi oficial de direito do presidente do Superior Tribunal Earl Warren e ensinou por mais de trinta anos na Universidade da Califórnia, Berkeley, onde é professor emérito de Direito.

Ariel Roth, Origens – Relacionando a ciência com a Bíblia (CPB) – É possível harmonizar a ciência e a Bíblia? A ciência moderna, por meio da teoria da evolução conseguiu refutar a narrativa bíblica da origem da vida? Quem aceita a teoria criacionista precisa, necessariamente, rejeitar a ciência? O cientista adventista Ariel Roth procura demonstrar que a harmonia entre a ciência e a religião bíblica nos traz uma compreensão mais completa do mundo que nos cerca e do significado da existência humana. Roth é doutor em Zoologia pela Universidade de Michigan, Estados Unidos.

Michelson Borges, Por Que Creio – Doze pesquisadores falam sobre ciência e religião (CPB) – O livro reúne 12 entrevistas com pesquisadores de áreas diversas, como física, bioquímica, matemática, biologia, arqueologia e teologia. Onze deles contam por que são criacionistas e apresentam fortes argumentos a favor do modelo. O 12º entrevistado é o bioquímico Michael Behe, autor do livro A Caixa Preta de Darwin. Behe também expõe argumentos que demonstram a insuficiência epistêmica do darwinismo.

Adauto Lourenço, Como Tudo Começou (Editora Fiel) – Será que realmente somos resultado de um caldo primordial, que poderia ter existido há bilhões de anos? Será que o Universo, que possui mais estrelas do que todos os grãos de areia de todas as praias e de todos os desertos do nosso planeta Terra, com toda a sua beleza exuberante e leis precisas, teria sido fruto de um acidente cósmico conhecido como Big Bang, há 13,7 bilhões de anos? Ao nos depararmos com a complexidade do código genético, contendo mais de três bilhões de letras perfeitamente organizadas, altamente codificado e eficientemente armazenado, capaz de criar sistemas com tamanha complexidade e design como o corpo humano, seria concebível aceitar que tal codificação teria sido fruto do acaso? O físico cristão Adauto Lourenço oferece respostas coerentes para essas questões.

Leonard Brand, Fé, Razão e História da Terra(Unaspress) – Segundo resenha do Dr. Nahor Neves de Souza Jr., a obra de Brand é caracterizada pela abrangência dos temas, pela qualidade das informações, bem como pelo espírito despretensioso e verdadeiramente imparcial, o que a coloca como uma das melhores contribuições àqueles que, sinceramente, se interessam pela associação coerente e sustentável entre os conhecimentos científico, filosófico e religioso. O autor, biólogo adventista, elaborou esse excelente livro fundamentado em pesquisas científicas pessoais (meticulosamente desenvolvidas), em sua experiência como docente e na utilização de informações pertinentes, oriundas de textos criteriosamente selecionados. A utilização de boa didática e ilustrações apropriadas favorecem uma leitura agradável, elucidativa e acessível.

 

Michael Behe, A Caixa Preta de Darwin – O desafio da bioquímica à teoria da evolução (Jorge Zahar) – Nesta obra, o bioquímico Michael Behe apresenta exemplos incontestáveis de design inteligente na natureza e desenvolve o argumento da complexidade irredutível. Usando como exemplo desses sistemas a visão, a coagulação do sangue, o transporte celular e a célula, Behe demonstra convincentemente que o mundo bioquímico forma um arsenal de máquinas químicas, constituídas de peças finamente calibradas e interdependentes. Para que a teoria da evolução fosse verdade, deveria ter havido uma série de mutações, todas e cada uma delas produzindo sua própria maquinaria, o que resultaria na complexidade atual. Mesmo não sendo um criacionista, o Dr. Behe argumenta que as máquinas biológicas têm que ter sido planejadas – seja por Deus ou por alguma outra inteligência superior. Segundo o autor, “a compreensão resultante de que a vida foi planejada por uma inteligência é um choque para nós no século [21], que nos acostumamos a pensar nela como resultado de leis naturais simples”. Porém, ele lembra que outros séculos “também tiveram seus choques, e não há razão para pensar que deveríamos escapar deles”.

Alexander vom Stein, Criação – Criacionismo bíblico (SCB) – Criação é o primeiro livro texto em língua alemã a apresentar detalhadamente o modelo criacionista. É apropriado para jovens a partir de 14 anos. Partindo do estado atual da ciência, explica até mesmo fatos complicados de modo que possam ser facilmente compreendidos. O livro deixa claro que as perguntas sobre “de onde” e “para onde” não devem ser respondidas somente pela observação e dedução, mas em última análise pela fé. O autor deixa claro que muitos fatos hoje descobertos podem ser mais bem explicados por meio do modelo criacionista. Os capítulos referentes às ciências naturais proporcionam acesso fácil aos temas complexos e são bastante atuais.

Reinhard Junker e Siegfried Scherer, Evolução – Um livro-texto crítico (SCB) – Neste livro, Junker e Scherer contam com a colaboração de mais nove especialistas, dos quais oito doutores reconhecidos em suas respectivas áreas: Biologia, Botânica, Microbiologia, Embriologia, Química, Paleontologia e Antropologia. A obra aborda fundamentos da ciência e da epistemologia, história do pensamento evolucionista, conceitos fundamentais de taxonomia e da sistemática, estudo das causas da evolução e abrangência dos fatores evolutivos, com análise da macroevolução; evolução molecular, com os mecanismos da microevolução; e evolução química. Aborda também a analogia e a homologia, a embriologia, a ontogênese e a biogeografia, o significado do registro fóssil, fundamentos da paleontologia, espécies fósseis, sua extinção, elos perdidos, e o surgimento do ser humano.

Jean Flori e Henri Rasolofomasoandro, Em Busca das Origens – Evolução ou Criação? (SCB) – Flori e Rasolofomasoandro são pesquisadores doutores radicados na França. A obra contem ricas notas explicativas, comentários, farta ilustração e referências bibliográficas bastante modernas. Os temas são tratados com profundidade e equilíbrio, apresentando-se sempre as visões evolucionista e criacionista dos assuntos abordados. Os autores analisam tópicos de geologia (atualismo, natureza e estrutura da Terra, rochas, carvão e petróleo, continentes à deriva, montanhas e erosão, estratigrafia e seus problemas), paleontologia (fósseis, séries evolutivas e elos intermediários, e enigmas da paleontologia), biologia (lamarquismo, darwinismo, mutacionismo, origem da vida, entre outros muitos assuntos).

Nahor Neves de Souza Júnior, Uma Breve História da Terra (SCB) – O Dr. Nahor é geólogo com doutorado em Geotecnia pela USP e professor de Ciência e Religião no Unasp, Campus Engenheiro Coelho, SP. Em seu livro, ele mostra que a geologia histórica parece se identificar muito melhor com os grandes desastres naturais que se desenvolvem muito rapidamente do que com os processos geológicos ordinários (não catastróficos). Por outro lado, os desastres naturais atuais são pontuais no tempo e no espaço; já aqueles desastres “naturais” pretéritos se manifestaram globalmente e de maneira ininterrupta, durante um curto intervalo de tempo. O autor teve a oportunidade de estudar minuciosamente amplas exposições dos derrames basálticos da Formação Serra Geral (Bacia Sedimentar do Paraná). Pesquisas científicas envolvendo as rochas basálticas, desenvolvidas por ele na USP, durante 12 anos, possibilitaram a acumulação de significativo acervo de dados que levam o leitor a tirar conclusões surpreendentes.

Erwin Lutzer, 7 Razões Para Confiar na Bíblia(Vida) – O mundo moderno tem rejeitado cada vez mais os valores cristãos. Para muitos, a Bíblia é apenas um livro de valor histórico. Críticos mais agressivos procuram remover a presença de Deus de suas páginas, como se isso fosse possível. Em meio a tanto materialismo, o pastor Erwin Lutzer apresenta neste livro algumas razões incontestáveis para provar a veracidade e a fidedignidade das Escrituras Sagradas. A Bíblia é a Palavra de Deus. Sua mensagem inconfundível tem abençoado e transformado bilhões de seres humanos ao longo dos anos. Suas profecias têm se cumprido fielmente. Suas verdades mudaram nações e sua influência é crescente em vários setores da sociedade. Lutzer é mestre em teologia pelo Seminário Teológico de Dallas.

Rodrigo Silva, Escavando a Verdade (CPB) – Conforme escreveu Wayne Jackson, “a ciência da arqueologia tem sido uma grande benfeitora para os estudantes da Bíblia. Ela tem: (1) ajudado na identificação dos lugares e no estabelecimento de datas, (2) contribuído para o melhor conhecimento de antigos costumes e obscuros idiomas, (3) trazido luz sobre o significado de inúmeras palavras bíblicas, (4) aumentado nosso entendimento sobre certos pontos doutrinários do Novo Testamento, (5) silenciado progressivamente certos críticos que não aceitam a inspiração da Palavra de Deus”. O professor de teologia e especialista em arqueologia Dr. Rodrigo Silva chama atenção para tudo isso em seu livro Escavando a Verdade – A arqueologia e as incríveis histórias da Bíblia. Mas não espere um tratado científico com linguagem empolada. O livro de Rodrigo é tudo, menos isso. Conforme ele mesmo escreveu na Introdução, “não se trata de um livro técnico, muito menos exaustivo. Aqui vamos tratar das evidências do Antigo Testamento e da vida de Jesus no Novo Testamento”. Rodrigo, que fez estudos de pós-doutoramento em arqueologia bíblica pela Andrews University e cursa o doutorado em arqueologia na USP, participou de escavações em Israel, Espanha, Sudão e Jordânia. Portanto, nas 176 páginas de seu livro ele fala do que viu e tocou e não apenas do que pesquisou ou leu.

Peter Kreeft, Sócrates e Jesus (Vida) – Imagine que um antigo filósofo grego surgisse em pleno século 20 e se matriculasse numa faculdade de teologia liberal, dessas que relativizam a autoridade bíblica. Mais: imagine que esse filósofo fosse o inquiridor Sócrates, considerado um dos fundadores da filosofia ocidental. Qual seria o teor das discussões do ateniense com os alunos e professores? Como o filósofo que se opunha ao politeísmo grego reagiria à leitura do Antigo e do Novo Testamentos? Como encararia Jesus Cristo e as alegações quanto à divindade e a ressurreição dEle? É disso – e muito mais – que tratam as duzentas páginas do livro de Kreeft. “Jesus e Sócrates são certamente os dois homens mais influentes que já existiram, pois dão origem aos dois segmentos da civilização ocidental: a cultura bíblica (judaico-cristã) e a clássica (greco-romana)”, escreve Kreeft logo na Introdução. Portanto, é o tipo de leitura que ajuda até mesmo a entender as bases sobre as quais nossa própria cultura está edificada. Peter Kreeft é Ph.D e professor de filosofia do Boston College.
 
Fonte:  Criacionismo (parte III) Criacionismo (parte IV) Veja as partes I e II aqui.

Descoberto o Mais Antigo Manuscrito do Novo Testamento?

Papiro P52 pode deixar de ser o mais antigo manuscrito do Novo Testamento

Vários sites repercutiram o comentário do Dr. Daniel B. Wallace, feito recentemente durante um debate com Bart Erhman, sobre a descoberta de mais sete papiros do Novo Testamento. O anúncio de descobertas históricas nesta área, e feito nestas circunstâncias, desperta naturalmente grande interesse; mas também gera certa cautela em relação à aceitação e à divulgação da notícia,  já que, nesse caso, não foram revelados maiores detalhes sobre o assunto. Ainda assim, considero importante tentar reproduzir algumas palavras do Dr. Wallace em complemento ao comentário que fez durante o evento. Ele escreveu um resumo do debate aqui. E explica, a seguir, o que poderia significar a descoberta de novos papiros, especialmente a de um fragmento do primeiro século:

Em 1ºde fevereiro de 2012, debati com Bart Ehrman na Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill, sobre se temos hoje o texto original do Novo Testamento. Este foi o nosso terceiro debate, e aconteceu diante de um público de mais de 1.000 pessoas. Eu mencionei que sete papiros do Novo Testamento haviam sido descobertos recentemente; seis deles provavelmente são do século II e um deles provavelmente do primeiro século. Os fragmentos serão publicados aproximadamente daqui a um ano.

Estes fragmentos agora aumentam o nosso acervo da seguite forma: temos 18 manuscritos do Novo Testamento do século II e um do primeiro século. Ao todo, mais de 43% de todos os versículos do Novo Testamento são encontradas nesses manuscritos. Mas o mais interessante deles é o fragmento do primeiro século.

Ele foi datado por um dos principais paleógrafos do mundo, que afirmou estar ”certo” de que o manuscrito é do primeiro século. Se isso for verdade, seria o mais antigo fragmento do Novo Testamento conhecido. Até agora, ninguém descobriu nenhum manuscrito do Novo Testamento do primeiro século. O mais antigo manuscrito do Novo Testamento é o P52, um pequeno fragmento do Evangelho de João, datado da primeira metade do século II. Foi descoberto em 1934.

Não apenas isso.  Além de ser do primeiro século, o fragmento pertence ao Evangelho de Marcos. Antes da descoberta deste fragmento, o manuscrito mais antigo que continha Marcos era o P45, do século III (200-250 DC). Este novo fragmento antecederia o P45 entre 100 e 150 anos.

Como esses manuscritos mudam o que nós acreditamos sobre o que o Novo Testamento original diz? Teremos de esperar até que eles sejam publicados no próximo ano, mas por enquanto podemos dizer o seguinte: Tal como aconteceu com todos os  papiros do Novo Testamento publicados anteriormente (127 deles publicados nos últimos 116 anos), nenhum único papiro novo tem-se autoelogiado como um registro original. Em vez disso, os papiros serviram para confirmar o que estudiosos do Novo Testamento já pensavam ser o texto original ou, em alguns casos, para confirmar um registro alternativo, mas que já se encontra nos manuscritos. Como exemplo: Suponha que um papiro tivesse a palavra “Senhor” em um versículo, enquanto todos os outros manuscritos tivessem a palavra “Jesus”.  Os estudiosos do Novo Testamento não adotariam e nem têm adotado tal registro como original, precisamente porque temos provas abundantes para a redação original em outros manuscritos. Mas se um papiro antigo tem em outro lugar “Simão”, em vez de “Pedro”, e “Simão” também for encontrado em outros manuscritos antigos e de confiança, isso pode convencer os estudiosos de que “Simão” é o registro original. Em outras palavras, os papiros têm confirmado vários registros originais nos últimos 116 anos, mas não têm apresentado novos registros originais. O texto original do Novo Testamento se encontra nos manuscritos que são conhecidos há algum tempo.

Estes novos papiros, sem dúvida, continuarão essa tendência. Mas, se este fragmento de Marcos for confirmado como do primeiro século, que emoção será ter um manuscrito datado do tempo em que viveram muitas das testemunhas oculares da ressurreição de Jesus!

Fonte: DTS - Dallas Theological Seminary

Conheça a Cosmovisão Teísta/Criacionista – partes I e II

Todos temos uma cosmovisão. Ronald Nash define cosmovisão como “um esquema conceitual que contém nossas crenças fundamentais, sendo o meio pelo qual nós interpretamos e julgamos a realidade.” 

Faz já algum tempo, o jornalista Michelson Borges, do site Criacionismo, publicou uma série de quatro postagens com sugestões de livros que apresentam a cosmovisão teísta/criacionista. Impossível não reproduzir aqui. 

Mesmo sem ter lido ainda muitos dos livros recomendados, indico o histórico apresentado no prefácio de “Um Ateu Garante: Deus Existe”, de Antony Flew, como um bom ponto de partida para o exame da bibliografia sugerida. Seguem as listas das duas primeiras postagens. Boa leitura!

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De vez em quando, pessoas me perguntam que livros eu li para solidificar minha visão de mundo teísta/criacionista e que livros recomendo para quem queira ter contato com esse universo por meio de bons autores. Felizmente, existem bons livros em língua portuguesa para aqueles que querem aprofundar seus conhecimentos sobre teísmo, criacionismo, ciência e religião. Para os que não creem, vale a pena lembrar as palavras do grande filósofo e matemático cristão Blaise Pascal: “Que os homens aprendam pelo menos qual a fé que rejeitam antes de rejeitá-la.” Independentemente de você crer ou não em Deus, de aceitar ou não a Bíblia e o criacionismo, aqui vai uma bibliografia básica sugestiva, numa ordem também sugestiva. Esses foram livros que “fizeram minha cabeça” e me ajudaram a enxergar o mundo sob a ótica criacionista (fui darwinista até meus 18 anos). Analise os fatos e tire você também suas conclusões. – Michelson Borges

Antony Flew, Um Ateu Garante: Deus Existe(Ediouro) – Flew é considerado o principal filósofo dos últimos cem anos (seu ensaio Theology and Falsification se tornou um clássico e a publicação filosófica mais reimpressa do século 20) e passou mais de cinquenta anos defendendo o ateísmo. Filho de pastor metodista, ele sempre foi incentivado a buscar razões e explicações para as coisas em que acreditava. Tornou-se ateu, formou-se em Oxford, lecionou em universidades importantes, mas foi justamente a vontade de buscar a razão de tudo que o fez rever seus conceitos sobre a fé. O livro se divide em duas partes. Na primeira, Flew conta como chegou a negar a Deus, tornando-se ateu. Na segunda, ele analisa os principais argumentos que o convenceram da existência do Criador. No fim, há dois apêndices preciosos: “O novo ateísmo” (no qual são analisadas as principais ideias de ateus como Dawkins e Dennett) e “A autorrevelação de Deus na história humana” (com argumentos sobre a encarnação e a ressurreição de Jesus Cristo). “Minha jornada para a descoberta do Divino tem sido, até aqui, uma peregrinação da razão. Segui o argumento até onde ele me levou, e ele me levou a aceitar a existência de um Ser autoexistente, imutável, imaterial, onipotente e onisciente”, testemunha Flew.

G. K. Chesterton, Ortodoxia (Mundo Cristão) – Grande pensador do século 19, dono de um estilo bem humorado, Chesterton critica com classe e profundidade as incoerências do pensamento ateu. C. S. Lewis, outro ex-ateu famoso, foi profundamente influenciado pelas ideias de Chesterton. Nesse livro, lançado em 1908 (essa nova edição da Mundo Cristão comemora o centenário da obra), Chesterton refaz sua trajetória espiritual e mostra como mudou do agnosticismo à crença. Ele provoca: “Para responder ao cético arrogante, não adianta insistir que deixe de duvidar. É melhor estimulá-lo a continuar a duvidar, para duvidar um pouco mais, para duvidar cada dia mais das coisas novas e loucas do universo, até que, enfim, por alguma estranha iluminação, ele venha a duvidar de si próprio.”

Viktor Frankl, A Presença Ignorada de Deus(Vozes/Sinodal) – Frankl fala de uma “fé inconsciente” e de um “inconsciente transcendental” que inclui a dimensão religiosa. Para ele, quando a fé, em escala individual, se atrofia, transforma-se em neurose; e na escala social, degenera em superstição. “Somente a pessoa espiritual estabelece a unidade e totalidade do ente humano”, garante Frankl. “Ela forma esta totalidade como sendo bio-psico-espiritual. [...] Somente a totalidade tripla torna o homem completo.” Para o psicanalista, “a consciência é a voz da transcendência e, por isso mesmo, ela mesma é transcendente. O homem irreligioso, portanto, é aquele que ignora essa transcendência da consciência. O homem irreligioso ‘tem’ consciência, assim como responsabilidade; apenas ele não questiona além, não pergunta pelo que é responsável, nem de onde provém sua consciência”.

Nancy Pearcey, Verdade Absoluta – Libertando o cristianismo de seu cativeiro intelectual (CPAD) – Pearcey se converteu em grande parte graças às ideias de Francis Schaeffer (outro autor que vale a pena conhecer). Pós-graduada em teologia e filosofia, ela é catedrática no Instituto de Jornalismo Mundial e professora convidada da Universidade Biola, na Califórnia, e do Discovery Institute. Seu livro A Verdade Absoluta tem apresentação de Phillip Johnson, com quem ela tem colaborado em seminários sobre ciência, filosofia e fé. A tese da autora é de que “somente pela recuperação de uma visão holística da verdade total podemos libertar o evangelho para que se torne uma força redentiva que permeie todas as áreas da vida”. Pearcey relata sua jornada pessoal como estudante luterana, sua rejeição da fé e seu retorno a Deus. Ela relata, também (entre outras), a história do filósofo cristão Alvin Plantinga, que provocou a volta para a comunidade filosófica de acadêmicos comprometidos com uma visão teísta da filosofia analítica. O livro ajuda a mostrar a relevância do cristianismo para uma sociedade pós-moderna que vive numa espécie de vácuo intelectual.

Norman Geisler e Frank Turek, Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu (Vida) – O livro reúne os principais argumentos teístas, numa apologética simples, resumida e convincente. Na página 20, os autores mencionam as “cinco perguntas mais importantes da vida”: (1) Origem: De onde viemos? (2) Identidade: Quem somos? (3) Propósito: Por que estamos aqui? (4) Moralidade: Como devemos viver? (5) Destino: Para onde vamos? Essas perguntas servem mais ou menos como balizas para todo o conteúdo, e os autores dizem: “As respostas a cada uma dessas perguntas dependem da existência de Deus. Se Deus existe, então existe significado e propósito para a vida. Se existe um verdadeiro propósito para sua vida, então existe uma maneira certa e uma maneira errada de viver. As escolhas que fazemos hoje não apenas nos afetam aqui, mas também na eternidade. Por outro lado, se Deus não existe, então a conclusão é que a vida de alguém não significa nada. Uma vez que não existe um propósito duradouro para a vida, não existe uma maneira certa ou errada de viver. Não importa de que modo se vive ou naquilo em que se acredite, pois o destino de todos nós é pó.” Duas ressalvas: os autores defendem o mito do inferno eterno e mencionam o domingo como dia de guarda.

Lee Strobel, Em Defesa da Fé (Vida) – O jornalista Lee Strobel se propôs mostrar as “incoerências e contradições” do cristianismo. Depois de anos de investigação e pesquisa, abandonou o ateísmo e se tornou um dos grandes apologistas cristãos contemporâneos. No livro Em Defesa de Cristo, Strobel expõe diversos argumentos favoráveis e contrários à pessoa de Jesus. No Em Defesa da Fé, ele trata de um dos fundamentos do cristianismo: a fé. Strobel lida com objeções como: (1) Uma vez que o mal e o sofrimento existem, não pode haver um Deus amoroso. (2) Uma vez que os milagres contradizem a ciência eles não podem ser verdadeiros. (3) A evolução explica a origem da vida, de modo que Deus não é necessário. (4) Se Deus mata crianças inocentes, ele não é digno de adoração. (5) É ofensivo afirmar que Jesus é o único caminho para Deus. (6) Um Deus amoroso jamais torturaria pessoas no inferno [este é o único capítulo objetável]. (7) A história da igreja está repleta de opressão e violência. (8) Eu ainda tenho dúvidas, portanto não posso me tornar cristão.

Armand M. Nicholi Jr., Deus em Questão  C. S. Lewis e Freud debatem Deus, amor, sexo e o sentido da vida (Ultimato) – Nicholi, que é psiquiatra e professor da Escola de Medicina de Harvard e do Hospital Geral de Massachusetts, contrapõe as ideias de dois grandes pensadores do século 20: Sigmund Freud e C. S. Lewis. Ambos consideraram o problema da dor e do sofrimento, a natureza do amor e do sexo, e o sentido último da vida e da morte. Depois de vinte e cinco anos de ensino e pesquisa sobre Freud e Lewis, Nicholi colocou o resultado à disposição de todos. Na contracapa do livro, o ex-ateu Francis Collins, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas em Genoma Humano, escreveu: “Esta elegante e convincente comparação entre a visão de mundo de Freud e a de C. S. Lewis é uma oportunidade de reflexão dialógica sobre as mais importantes questões que a humanidade sempre se fez: Deus existe? Ele se importa comigo? Este livro destina-se a todos que buscam, sinceramente, respostas sobre a verdade, o sentido da vida e a existência de Deus.”

Antonino Zichichi, Por Que Acredito Naquele que Fez o Mundo (Objetiva) – Zichichi é ex-presidente da Federação Mundial de Cientistas e faz afirmações bastante corajosas e pouco convencionais no mundo científico. Segundo ele, há flagrantes mistificações no edifício cultural moderno e que passam, muitas vezes, despercebidas do público em geral. Alguns exemplos: Faz-se com que todos creiam que ciência e fé são inimigas. Que ciência e técnica são a mesma coisa. Que o cientificismo nasceu no coração da ciência. Que a lógica matemática descobriu tudo e que, se a matemática não descobre o “Teorema de Deus”, é porque Deus não existe. Que a ciência descobriu tudo e que, se não descobre Deus, é porque Deus não existe. Que não existem problemas de nenhum tipo na evolução biológica, mas certezas científicas. Que somos filhos do caos, sendo ele a última fronteira da ciência. Para Zichichi, a verdade é bem diferente. E a maneira de se provar a incoerência das mistificações acima consiste em compreender exatamente o que é ciência. Zichichi afirma: “Nem a matemática nem a ciência podem descobrir Deus pelo simples fato de que estas duas conquistas do intelecto humano agem no imanente e jamais poderiam chegar ao Transcendente. [...] a teoria que deseja colocar o homem na mesma árvore genealógica dos símios está abaixo do nível mais baixo de credibilidade científica. [...] Se o homem do nosso tempo tivesse uma cultura verdadeiramente moderna, deveria saber que a teoria evolucionista não faz parte da ciência galileana. Faltam-lhe os dois pilares que permitiriam a grande virada de 1600: a reprodução e o rigor. Em suma, discutir a existência de Deus, com base no que os evolucionistas descobriram até hoje, não tem nada a ver com a ciência. Com o obscurantismo moderno, sim.” Para um cientista católico, Zichichi manifesta muita coragem. E você, terá coragem para lê-lo?

Alister McGrath e Johanna McGrath, O Delírio de Dawkins (Mundo Cristão) – Escrito pelo ex-ateu e também professor em Oxford (como Dawkins) Alister McGrath (em co-autoria com a esposa Johanna), o livro desmantela o argumento de que a ciência deve levar ao ateísmo. McGrath mostra que Dawkins abraçou o amargo e dogmático manifesto do ateísmo fundamentalista, e em apenas 156 páginas desconstrói os argumentos que Dawkins expôs em mais de 500, em seu livro Deus, Um Delírio.

Ravi Zacharias, A Morte da Razão – Uma resposta aos neoateus (Vida) – A Morte da Razão é uma resposta ao livro Carta a Uma Nação Cristã, do ateu militante Sam Harris, mas bem pode ser lido como uma resposta breve ao neoateísmo de modo geral, defendido por figuras como Dawkins, Hitchens, Dennett e outros. O indiano Ravi Zacharias sabe muito bem do que está falando, pois foi ateu e, no tempo em que cursava filosofia em Nova Délhi, por sugestão das ideias de Albert Camus tentou o suicídio. Não foi bem-sucedido e acabou no hospital. Ali ganhou uma Bíblia e sua vida deu uma guinada. A história é impressionante, mas Zacharias nos dá apenas uma “palhinha” dela nessa obra, cujo objetivo é mostrar que Deus não é produto da imaginação e que o cristianismo fornece boas respostas para questões levantadas – muitas vezes de forma leviana – pelos ateus fundamentalistas. Entre outros assuntos, Zacharias trata da verdadeira natureza do mal, da absoluta falência do neoateísmo, da coexistência da religião e da ciência e da fundamentação da moralidade. Zacharias mostra que a visão de mundo dos neoateus leva a um vácuo. “Pelo menos Voltaire, Sartre e Nietzsche foram sinceros e coerentes na visão de mundo deles. Eles confessavam o ridículo da vida, a falta de sentido de tudo num mundo ateísta. Os ateus de hoje, como Richard Dawkins e Sam Harris, todavia, estão tão cegos pela arrogância da mente deles que procuram apresentar essa visão da vida como algum tipo de libertação triunfal. [...] A vida sem Deus é em última análise uma vida sem nenhum ponto de referência de sentido que não seja a que alguém lhe dá na hora.” Na página 64, Zacharias sumariza suas ideias assim: “A visão de mundo da fé cristã é bem simples. Deus pôs neste mundo o suficiente para tornar a fé nEle uma coisa bem razoável. Mas deixou de fora o suficiente a fim de que viver tão somente pela razão pura fosse impossível”. O livro tem apenas 110 páginas, mas traz inspiração e lições para uma vida.

William Lane Craig, Apologética Para Questões Difíceis da Vida (Mundo Cristão) – Em seu livro, Craig (que é doutor em teologia e filosofia) mostra que a teologia bíblica pode responder satisfatoriamente questões que têm que ver com nosso dia a dia. Por exemplo: Por que Deus não responde às minhas orações? Se Deus é onipotente, por que o mal existe? Se Deus é tão amoroso, por que sofremos? Qual é o significado do sofrimento para o cristão? Como ele deve lidar com suas dúvidas? É mais uma contribuição do escritor que vem promovendo incessantemente a ideia de que o cristão pode e deve desenvolver uma fé racional, e deve estar sempre pronto para responder a todo aquele que lhe pedir a razão da sua esperança (1 Pedro 3:15). Craig também lida francamente com questões espinhosas que envolvem as polêmicas do aborto e da homossexualidade. Ao propor uma verdade absoluta, cristãos como Craig e outros podem parecer arrogantes e intolerantes. Por isso, logo na introdução de seu livro, o autor avisa: “O cristão está comprometido tanto com a verdade como com a tolerância, porque acredita naquele que não somente disse ‘Eu sou a verdade’, como também declarou ‘amai os vossos inimigos’.” Enfim, é leitura obrigatória para quem quer entender o mundo com as claras lentes da cosmovisão cristã.

(Publicarei mais sugestões de leitura em postagens futuras. – Michelson Borges)


Fonte: Criacionismo (parte I)  Criacionismo (parte II)

Manifestantes Pró-ateísmo se Mobilizam até no Brasil

Imagem: Weareatheists.com

Revista IstoÉ, Semana de 12.02.2012.

Os ateus brasileiros têm no universo virtual uma espécie de igreja online. É ali onde o conglomerado de pessoas que negam a existência de Deus se sente à vontade para professar o desapego às religiões, manifestar os porquês de não seguir nenhuma delas e trocar ideias com outras pessoas na mesma condição. Minoria em uma sociedade crente como a nossa – os ateus fazem parte do grupo demográfico definido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como sem religião, do qual fazem parte também agnósticos e crentes sem religião, e representam 6,7% da população brasileira –, eles preferem esse canal de comunicação uma vez que, em público, ainda estão sujeitos a críticas. Duas ações, uma no Brasil e outra em Londres – onde um templo ateu deverá ser erguido até o ano que vem – pretendem pôr fim à solidão físico-intelectual desse grupo.No domingo 12, está marcado o 1º Encontro Nacional de Ateus. Cerca de três mil pessoas estarão reunidas simultaneamente em 21 Estados e no Distrito Federal. “Precisamos sair do armário, mostrar que somos bons filhos, pais, que a moralidade independe de uma crença”, diz a estudante gaúcha Stíphanie da Silva, citando uma expressão utilizada na luta pelos direitos civis dos homossexuais. Aos 22 anos, ela é membro da Sociedade Racionalista, que organiza a ação. “O intuito principal do evento é conhecer uns aos outros e organizar a nossa força.” Soa paradoxal, porém, ateus militantes se reunirem para defender um ceticismo contra fé, religião e deuses. Agindo dessa forma, argumenta o professor Edin Abumansur, do departamento de ciências da religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC-SP), o ateísmo se torna uma opção de crença, a da negação, à disposição dos que procuram coisas para acreditar, no caso, que Deus não existe.Apesar de contraditório, os brasileiros estarão seguindo à risca, com essa movimentação, a cartilha do britânico Richard Dawkins, espécie de guru dos ateus, autor de “Deus, um Delírio”. Zoólogo, ele exorta seus pares, historicamente estigmatizados, a se assumir e encampar publicamente um debate intelectual. No século XIX, porém, a fé na ciência e na razão já pautava as discussões nas igrejas positivistas, principalmente na França, terra natal de Auguste Comte (1798-1857). Um dos pais da sociologia, ele propunha uma nova religião baseada não em uma crença, mas na capacidade humana. “Crer no homem e na sua racionalidade justifica uma militância ateísta”, afirma o professor Pedro Paulo Funari, do departamento de história da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).Fora do Brasil, no entanto, ateus famosos parecem não falar a mesma língua. Dawkins criticou publicamente o filósofo suíço Alain de Botton, autor de “Religião para Ateus”, que anunciou a construção de um templo ateu no centro financeiro de Londres. “Ateus não precisam de templos, é um desperdício de dinheiro”, afirmou o zoólogo. O projeto do espaço, que terá 46 metros de altura, foi encomendado por Botton ao arquiteto Tom Greenall. Segundo o arquiteto, o templo representará a história da vida na Terra. “Cada centímetro equivale a um milhão de anos de vida”, diz Greenall.
O filósofo – que pretende começar a levantar a construção no ano que vem, após a autorização da prefeitura – defende em seu livro que os ateus não devem fechar os olhos para as religiões, mas aprender com aquilo que elas têm de bom. “Isso (a construção) poderia significar um templo ao amor, amizade, tranquilidade e perspectiva”, diz Botton. “O ateísmo de Richard Dawkins ficou conhecido como uma força destrutiva, mas há pessoas que não acreditam (em Deus) e não são agressivas contra outras religiões.” Não é o que ocorre no Brasil. A Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (Atea), por meio de uma pesquisa com seus cerca de 3,5 mil membros, descobriu que 90% deles consideram a religião um mal. Um claro efeito rebote da hostilidade crescente patrocinada por alguns religiosos.Presidente da Atea, o engenheiro civil Daniel Sottomaior, 40 anos, faz troça da proposta de Botton, a quem se refere como um agente duplo infiltrado no movimento. E apoia com ressalvas as reuniões de ateus no Brasil. Para ele, à medida que eles conseguirem se colocar na sociedade sem medo, a necessidade de se encontrarem cairá drasticamente. “Afinal, não temos nada em comum: há gays, heteros, gente de esquerda, de direita”, diz Sottomaior. O engenheiro explica que, nos países nórdicos, com altas taxas de ateus, eles não se organizam, porque não precisam. “Por que pessoas que não acreditam em saci-pererê, por exemplo, teriam de se organizar?” Lutando pela causa juntos ou cada um por si, os brasileiros descrentes têm muito trabalho pela frente.
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Nota: Não sei como foi o evento realizado nesse domingo, dia 12, quando escrevo esse comentário. A mobilização das pessoas que negam a existência de Deus e/ou se dizem sem religião deve ser respeitada dentro do mesmo conceito de liberdade religiosa e de expressão em relação a outras crenças. É perceptível, no entanto, que não há uma organização dos ateus/não religiosos e que os discursos são até contraditórios. 
Uma das principais preocupações é, na verdade, quando existem ataques gratuitos contra os religiosos como já o fez um dos mais proeminentes advogados da causa, Richard Dawkins. A intolerância, da parte de qualquer um dos lados, é sempre nociva e não ajuda em nada na boa convivência. Respeito a opinião dos que se manifestam assim, mas ressalto que o maior risco é que esse tipo de movimento se caracterize por tentar desqualificar os que não pensam da mesma maneira. 
Quanto a minha opinião sobre o ateísmo, acredito que muitos se posicionam dessa maneira muito mais por enxergarem a religião e Deus de uma maneira distorcida, preconceituosa e afetada por fatos até mesmo de sua infância e juventude. É possível entender isso, mas ainda creio que seja uma visão passível de mudança. Há muitas evidências no mundo natural de uma criação planejada por um ser superior que não apenas desenvolveu, mas mantém. Negar isso de forma contundente, praticamente sem argumentos consistentes e sólidos, pode ter mais a ver com uma visão pessoal e passional a respeito do assunto, do que por crença fundamentada. 
É por isso que Deus, na concepção que acredito segundo a Bíblia, não é apenas um ser que simplesmente pôs o universo e os planetas em ação e posteriormente virou as costas. Entendo que Ele continue envolvido com Sua criação e isso se traduz no amor, na misericórdia, na proteção e no desejo de salvação espiritual para as pessoas. Isso me fortalece na fé que possuo em relação a Sua obra permanente na vida humana. E me faz compreender que Ele tem interesse pela minha vida. É um relacionamento pessoal que pode ser alimentado diariamente, conservado, ampliado, enfim, foge muito da visão medieval de um ser cósmico distante de tudo e de todos. É talvez dessa visão arcaica e absolutamente incompatível com o relato bíblico que estejam fugindo vários dos manifestantes pró-ateísmo e/ou não religiosos de  hoje.
Fonte: Realidade em Foco (Felipe Lemos)

Cantar Para Crer: “Somos Teus, Senhor”

Uma das músicas do CD Jovem 2012 da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

“Eu vejo a Igreja se erguendo e terminando a missão; eu vejo o povo declarando em uma canção: Somos Teus, Senhor.” Letra e Música: Felipe Tonasso

Exame de DNA: De Onde se Origina um Código?

 

Como Surgem as Estruturas Codificadas de Linguagem?

Uma das descobertas mais dramáticas da biologia no século 20 foi que os organismos vivos são produtos de estruturas de linguagem codificada. Toda a complexidade química estrutural detalhada, associada com o metabolismo, reparo, função especializada, e reprodução de cada célula viva é uma realização dos algoritmos codificados no seu DNA. Portanto, a questão mais importante de todas é como tais estruturas de linguagem extremamente grandes surgiram?

A origem dessas estruturas é, certamente, o ponto central da questão da origem da vida. As mais simples das bactérias têm genomas que contêm aproximadamente um milhão de códons (cada códon, ou palavra genética, consiste de três letras do alfabeto genético de quatro letras). Os algoritmos codificados, com um milhão de palavras de extensão, surgiriam espontaneamente por meio de algum processo natural conhecido? Existe algo nas leis da física que sugere como tais estruturas poderiam surgir de modo espontâneo? A resposta honesta é simples. O que entendemos presentemente da Termodinâmica e da Teoria da Informação argumenta persuasivamente que essas estruturas não surgem e não podem surgir espontaneamente!

A linguagem envolve um código simbólico, um vocabulário, e um conjunto de regras gramaticais para transmitir ou registrar pensamentos. A maioria de nós usa a maior parte de nosso tempo, quando despertos, gerando, processando ou disseminando dados linguísticos. Raramente refletimos sobre o fato de que as estruturas de linguagem são claras manifestações da realidade imaterial.

Esta conclusão pode ser alcançada observando-se que a própria informação linguística é independente do seu meio material transportador. O significado ou a mensagem não dependem de estarem representados como ondas sonoras no ar, como padrões de tinta no papel, como o alinhamento de propriedades magnéticas num disquete, ou como os padrões de voltagem numa rede de transitores. A mensagem de que uma pessoa ganhou um prêmio de R$ 300.000.000,00 na loteria é a mesma se essa pessoa recebe a informação de alguém falando na sua porta, pelo telefone, pelo correio, pela televisão ou pela Internet.

Na verdade, Einstein destacou a natureza e a origem da informação simbólica como uma das profundas questões a respeito do mundo tal qual o conhecemos. Ele não conseguiu identificar os meios pelos quais a matéria pode dar significado aos símbolos. A implicação clara é que a informação simbólica, ou a linguagem, representa uma categoria de realidade distinta da matéria e da energia…

De onde, então, a informação linguística se originou? Na nossa experiência humana imediatamente conectamos a linguagem que criamos e  processamos com as nossas mentes. Mas qual é a natureza fundamental da mente humana? Se algo tão real quanto a informação linguística tem existência independente da matéria e da energia, a partir de considerações causais não é irracional suspeitar que uma entitade capaz de dar origem à informação linguística seja também definitivamente imaterial na sua natureza essencial.

Uma conclusão imediata dessas observações com relação à informação linguística é que o materialismo, que tem sido há muito tempo a perspectiva filosófica dominante nos círculos científicos, com a sua pressuposição fundamental de que não existe nenhuma realidade imaterial, é simplesmente e evidentemente falso. E é surpreendente que a sua falsificação seja tão trivial.

[...] Apesar de todos os milhões de páginas de publicações evolucionistas – de artigos de publicações científicas com revisão por pares, de livros didáticos, revistas de estórias  populares – que supõem e implicam serem os processos materiais inteiramente adequados para efetuar milagres macroevolutivos, na realidade não existe um base racional para tal crença. Isso é totalmente fantasioso. As estruturas de linguagem codificadas são imateriais em natureza e requerem absolutamente uma explicação imaterial.

John R. Baugardner, mestre e doutor em Geofísica e Física Espacial, membro do Corpo Técnico da Divisão Teórica do Laboratório Nacional de Los Alamos, no livro Em Seis Dias (adquira na SCB), organizado por John. F. Ashton (pág. 196-197).

O Ateu, o Cristão e a Moral

LUDWIG: “A alegada falta de uma “moral objectiva” é uma crítica comum ao ateísmo. Mas nunca fica claro o que querem os críticos dizer com isso, nem como um deus resolveria esse suposto problema. O Jónatas Machado dá mais um exemplo ao afirmar, sem justificação, que «O único que pode estabelecer critérios morais objectivos é um Deus eterno, infinito, omnipotente e omnisciente.»(1)”
 
(Perspectiva) JÓNATAS: Claro. Caso contrário não existe critério. Isso mesmo já era reconhecido por homens com Fiodor Dostoyevsky, Jean Sartre, Richard Dawkins, etc. Podemos deixar os “dicta probandi” para mais tarde, para não sobrecarregar o texto. É sempre interessante obrigar o Ludwig a recuar.
 
“No sentido mais forte, “objectivo” quer dizer referente ao objecto. A carga do electrão é uma propriedade objectiva neste sentido.”
 
Exactamente. Assim como a matéria e a energia não podem ser criados nem destruídos por ninguém ou nenhum processo natural, a verdade, a bondade e a justiça também não podem ser criados nem destruídos. Uns e outros foram postos objectivamente por Deus.
 
“Mesmo que desaparecessem todos seres sensíveis do universo, todos os sujeitos, os electrões continuariam a ter a mesma carga. Mas se desaparecessem todos os sujeitos não haveria moral.”
 
Ela existiria sempre na natureza de Deus. Ele é verdade, bondade e justiça.
 
“Não pode haver moral objectiva, neste sentido forte, porque só os sujeitos têm valores. “
 
Deus é um sujeito, logo Deus tem valores.
 
“Os objectos, enquanto tal, não se portam nem mal nem bem.”
 
É verdade. Nós não somos mera poeira cósmica. Nós não somos objectos acidentais. Nós somos sujeitos porque formos criados à imagem e semelhança de um Sujeito.
 
“Além disso, se a moral fosse objectiva neste sentido não era preciso deuses para nada. “
 
Engana-se. A moral é objectiva porque Deus é um ser moral, com os valores da verdade, da bondade e da justiça. A moral é objectiva porque reflecte a natureza de Deus. Deus é o padrão.
 
“As coisas já seriam, por si, boas ou más, e postular um deus como fundamento da moral seria como postular um deus como fundamento para a carga do electrão.”
 
Não existe nenhuma outra explicação plausível para uma e para outro. Se não existe nenhum processo natural que crie matéria e energia, ambas só podem ter sido criadas por um processo sobrenatural.
 
“Há quem o faça, mas é disparate.”
 
Não é. As leis da física dizem-nos que o Universo não se pode ter criado a ele próprio nem pode ser infinito. Logo, ele precisa de um Deus eterno (sem princípio nem fim) que o tenha criado.
 
“Noutro sentido mais fraco, “objectivo” quer dizer simplesmente que não varia de sujeito para sujeito. E isto sim é uma parte importante da ética.”
 
Se não varia de sujeito para sujeito, é exactamente porque foi criada por alguém que tem autoridade sobre eles. Porque só assim é que a ética pode reclamar autoridade sobre os sujeitos.
 
“Os valores morais devem ser objectivos no sentido em que uma acção moralmente correcta para um dos intervenientes tem que ser moralmente correcta para todos. “
 
O problema é que mesmo esse princípio pode não ser aceite por todos. Deveria sê-lo? Talvez. Mas isso tem que ter uma fundamentação que transcenda os sujeitos.
 
LUDWIG: “Não posso dizer que é moral eu fazer uma coisa aos outros enquanto defendo ser imoral que ma façam a mim se as circunstâncias se inverterem.”
 
Mas, infelizmente, essa é a moralidade que muitos preferem. Porque estão errados? Quem determina isso? Com que autoridade?
 
“Mas mesmo com esta noção de objectividade é disparate assentar a moral num deus.”
 
A moral tem forçosamente que assentar num Deus. Caso contrário, não consegue reclamar qualquer legitimidade e autoridade sobre o ser humano.
 
“A moral só é objectiva por ser universal e invariante de sujeito para sujeito. Se o Jónatas quer eleger um sujeito como fonte única da moral então propõe uma moral subjectiva, e não importa que esse sujeito seja um deus ou que o escrevam com letra maiúscula.”
 
A moral é objectiva porque se baseia na natureza de um Deus absoluto, eterno, omnisciente e omnipotente. Não existe nada mais objectivo do que isso. Ela é objectiva porque todos os seres criados à imagem e semelhança de Deus estão vinculados por ela, quer queiram quer não queiram, e sofrerão as consequências da sua violação, quer queiram quer não queiram.
 
“Fundamentar as regras de conduta na vontade de um deus é rejeitar a ética.”
 
Pelo contrário. É afirmar a indisponibilidade de determinados valores e a justiça da sanção da sua violação.
 
“Por muito benevolente que esse deus seja, ou o que ele ordena é objectivo no sentido de não variar de sujeito para sujeito e então já seria moral mesmo que ele não o ordenasse, ou o que ele ordena não cumpre este requisito de objectividade e é imoral.”
 
Não é assim. O que Deus ordena é aquilo que é compatível com a sua natureza verdadeira, justa e boa. A lei moral não exprime uma vontade arbitrária, mas uma natureza imutável. O que significa que um Deus verdadeiro, justo e bom necessariamente pune a mentira, a injustiça e a maldade.
 
“Seja como for, não é o deus que pode dar a moral.”
 
Só Deus é que pode dar moral. Caso contrário, cada um daria a sua própria moral, de acordo com os seus próprios interesses e conveniências. Infelizmente é isso que acontece muitas vezes.
 
““Não matarás” é uma boa regra moral se for uma regra universal aplicada a todos os sujeitos em certas condições.”
 
Deveria ser. Deus é um Deus de vida. A morte é sempre pecado e consequência do pecado. A Bíblia é bem clara. A Bíblia não deixa qualquer margem para a luta pela sobrevivência do mais apto. Se fosse assim, o facto de Caim matar Abel teria sido biologicamente justo, porque o mais forte havia triunfado sobre o mais fraco.
 
“Mas se vem de um deus que volta e meia massacra quem lhe apetece não é uma regra moral.”
 
Deus não massacra quem lhe apetece. Deus é santo e justo, e castiga toda a maldade. Se o ser humano não fizer mal, Deus não o castiga. Mas mesmo fazendo o ser humano mal, Deus quer perdoar e dar a vida eterna, mostrando o seu amor pelo ser humano.
 
“É um capricho de um ditador sem escrúpulos.”
 
Castigar o mal justamente não é ditadura sem escrúpulos. É essencial a qualquer sociedade. Caso contrário seria possível roubar, matar, destruir, violar, sem qualquer receio. Uma sociedade assim seria insuportável. Deus não é um ditador. Ele deu-nos a sua lei moral e colocou-a nas nossas consciências.
 
“Na prática, o que os crentes como o Jónatas propõem é ainda pior. Apesar do que o Jónatas afirma, não é verdade que ele tenha contacto directo com o seu suposto deus. “
 
Isso é uma afirmação científica? É suportada pela observação ou pela experiência? Ou será uma afirmação ideológica?
 
“O que ele propõe como fonte da moral são normas que, além de subjectivas, nem sequer foram elaboradas com uma motivação ética.”
 
A motivação das normas morais divinamente estabelecidas é permitir a coexistência pacífica, ordeira em qualquer sociedade. As leis só serão justas se forem conformes com essas leis morais.
 
“Foram escolhidas por alguns lideres religiosos para fins políticos e num contexto social muito diferente do nosso.”
 
O contexto é sempre o mesmo. A necessidade de permitir a coexistência pacífica, verdadeira, justa e boa em todas as sociedades. A natureza pecaminosa do homem é sempre a mesma, em todos os tempos e em todos os lugares.
 
“Daí o recurso a ameaças de retribuição divina, histórias de castigos terríveis e coisas dessas.”
 
A retribuição divina é uma realidade objectiva que se repercute nos indivíduos e nas nações. A Bíblia diz: “Olhai, Deus não se deixa escarnecer. Tudo o que o homem semear, isso também ceifará”. Neste momento vivemos um crise global da economia capitalista em que estamos a ceifar o resultado do egoísmo, da ambição, da fraude, do roubo, da corrupção, da mentira, da injustiça e da maldade de muitos. A Bíblia é bem clara. O pecado acaba por dar sempre mau resultado.
 
“«Todos estamos sujeitos ao castigo de Deus. [...] Ora, um Deus justo julga o mal. Daí o julgamento sobre a humanidade no dilúvio, sobre Sodoma e Gomorra, sobre os povos, sobre todos nós no juizo final também anunciado por Deus.[...] Na morte de Jesus Cristo, Deus encarnado, Deus castigou todo o pecado. Na sua ressurreição, a morte, que era consequência do pecado, foi vencida.»(1) Isto não é moral. Isto são tretas para manter o rebanho na linha.”
 
Isto é a moral e é com esta moral que todos teremos de nos confrontar. Isso é dizer o que Deus diz na sua Palavra. O ser humano fará bem em ouvir com atenção. Deus dá-nos o seu amor, porque Jesus Cristo levou sobre si o castigo dos nossos pecados.
Nenhuma sociedade pode prescindir de leis, de tribunais, de polícias e de estabelecimentos prisionais. Na verdade, estes são essenciais a sociedades justas, livres, pacíficas e democráticas. A ausência de justiça e de castigo transforma as sociedades num caos intolerável.
Deus sabe isso. Foi por isso que providenciou as suas leis. Da justiça de Deus ninguém poderá fugir. Se ainda existe muita maldade no mundo, isso não significa que Deus não a irá julgar. Significa que Ele ainda não o fez porque, como a Bíblia diz, “Deus não quer que ninguém se perca, mas que todos venham a arrepender-se”.
A Bíblia diz que a misericórdia de Deus é a única razão pela qual não fomos consumidos. Mas ninguém pode sair do país para se esconder de Deus num “exílio dourado”. Ninguém pode subornar Deus ou tentar contornar as suas normas.
No entanto, todos se podem reconciliar com Deus, através do seu Filho Jesus Cristo, de cuja vida, morte e ressurreição existe mais evidência empírica do que de que a vida surgiu por acaso há 3,8 mil milhões de anos.
 

Fonte: Que Treta! (Comentários)

Filosofia e Apologética: Refutando a Geração Espontânea e o Determinismo

 

Série refutando objeções: Geração espontânea

 

Vários críticos do argumento cosmológico eventualmente se posicionam contra a premissa de que tudo que possui início tem uma causa. Será que eles estão certos?
Todo atributo implica necessariamente em um detentor do atributo, desde que tudo que se atribui se atribui a alguma coisa, não ao nada, sendo ontologicamente vinculado a um detentor dos atributos. Ou seja, todo atributo requer um detentor. Se a origem do universo for postulada como sendo o nada absoluto, ele cessa de ser o nada absoluto, pois o atributo de origem/causa eficiente seria intrínseco ao suposto nada. Conclui-se então que os críticos estão totalmente equivocados.

Resumo:

Premissas

1)Todo atributo implica em um detentor do atributo.

2)Se há atributo, então existe também um detentor.

3)O nada seria origem ou causa eficiente do cosmo.

4)Ser origem ou causa eficiente são ambos atributos.

5)Algo é atribuído ao nada, que deixa de ser o nada.

Conclusão

Logo é impossível que o nada absoluto seja a Causa do universo.

 
 

Alguns críticos do livre arbítrio dizem que a criação do universo por Deus determina tudo que existe dentro do universo, incluindo nossas escolhas. Será que eles estão corretos?
O fato básico é que Deus é responsável apenas por criar todos os seres. Ele criou o homem e a sua habilidade de livre escolha, além das circunstâncias do meio externo, mas não a escolha específica do homem, pois essa é só um evento e não um ser. Por isso que o determinismo da escolha humana é falacioso, porque confunde o ser com o evento, e conclui erradamente que Deus criou as livres escolhas. Conclui-se então que Deus criou apenas os seres livres com sua capacidade de livre escolha, além do meio externo.

Resumo:

Premissas

1)Deus é responsável somente por criar todos os seres.

2)Deus criou os seres humanos e as habilidades inatas.

3)Deus criou todas as circunstâncias do meio externo.

4)A escolha humana entre circunstâncias é só evento.

5)A escolha humana entre as circunstâncias não é ser.

Conclusão

Logo Deus não é responsável pelas escolhas livres humanas.

 

Quem Criou Deus? ou Quatro Coisas que a Ciência Jamais Explicará

Who Made God by Edgar Andrews 1258964346 What Are Four Things Science Will Never Explain?

Segue uma curta recomendação e “review”, escrita por Bill Pratt, sobre o livro Who Made God?

Estou lendo o livro do físico Edgar Andrew Who Made God? (Quem criou Deus?). Edgar sustenta que há quatro coisas que a ciência jamais explicará:

  1. A origem do universo
  2. A origem das leis da natureza
  3. A origem da vida
  4. A origem da mente e do pensamento

Ele entende que quando afirma que a ciência não pode nunca explicar estas quatro entidades, pode esperar todo tipo de protestos:

É claro que ateístas (e mesmo alguns teístas) irão imediatamente protestar, declarando que só porque não há explicações científicas atualmente disponíveis isso não significa que elas nunca existirão. A ciência é progressiva e novas descobertas são feitas a toda hora, de forma que aquilo que parece cientificamente impossível hoje pode ser cientificamente explicável amanhã.

Eu reconheço a força do argumento, mas mantenho minha posição. A afirmação de que, dado tempo, a ciência explicará tudo é simplesmente a versão ateísta do “Deus das lacunas”. As lacunas do nosso conhecimento podem ser preenchidas, eles dizem, por futuros (mas ainda desconhecidos) avanços científicos. Assim o “Deus das lacunas” é simplesmente substituído por “Ciência Futura das lacunas”: mesmas lacunas, divindades diferentes. Era o que o filósofo da ciência Karl Popper chamava “materialismo promissório”.

Você tem de ler o livro de Andrew para saber por que ele pensa que estas quatro coisas não serão explicadas pela ciência, mas a razão básica é que cada uma delas (universo, leis da natureza, vida, mente e pensamento) consiste de propriedades que transcendem o mundo material. Uma vez que a ciência só é capaz de investigar o mundo material e não o que transcende o mundo material, ela não pode jamais, em princípio, explicar tais coisas.

Recomendo fortemente Who Made God? como uma leitura interessante que propõe a hipótese Deus como uma explicação para o universo, as leis da natureza, a vida e a mente e então apresenta evidências que sustentam esta hipótese. Pode até mesmo ser um excelente presente de Natal para algum cético de sua família!

Fonte: ToughQuestionAnswered
Outros detalhes sobre o livro podem ser encontrados aqui (em inglês): JWWartick

Sete Erros Fatais do Relativismo Moral

A consciência/percepção de moralidade leva a Deus tanto quanto a consciência/percepção de queda de maçãs leva à gravidade. (Roger Morris)
Roger Morris, do site Faithinterface, com base no livro Relativism – Feet Firmly Planted in Mid-Air, de Francis Beckwith e Gregory Koukl, elaborou a lista que segue, com sete erros fatais do Relativismo moral. Francis Beckwith  é professor e filósofo, especialista em política, direito, religião e ética aplicada. Gregory Koukl é apologista cristão, fundador da Stand To Reason, organização dedicada à defesa da cosmovisão cristã.

O Relativismo moral é um tipo de subjetivismo que sustenta que as verdades morais são preferências muito parecidas com os nossos gostos em relação a sorvete, por exemplo. O relativismo moral ensina que quando se trata de moral, do que é eticamente certo ou errado, as pessoas podem e devem fazer o que quer que sintam ser o certo para elas. Verdades éticas dependem de indivíduos, grupos e culturas que as sustentam. Porque acreditam que a verdade ética é subjetiva, as palavras como devem ou deveriam não fazem sentido porque a moral de todo mundo é igual; ninguém tem a pretensão de uma moral objetiva que seja pertinente aos outros. O relativismo não exige um determinado padrão de comportamento para todas as pessoas em situações morais semelhantes. Quando confrontadas com exatamente a mesma situação ética, uma pessoa pode escolher uma resposta, enquanto outra pode escolher o oposto. Não há regras universais de conduta que se apliquem a todos.

O relativismo moral, num sentido prático, é completamente inviável. Que tipo de mundo seria o nosso se o relativismo fosse verdade? Seria um mundo em que nada estaria errado – nada seria considerado mau ou bom, nada digno de louvor ou de acusação. A justiça e a equidade seriam conceitos sem sentido, não haveria responsabilização, não haveria possibilidade de melhoria moral, nem discurso moral. Um mundo em que não haveria tolerância. Este é o tipo de mundo que o relativismo moral produz. Vejamos os sete erros fatais do Relativismo:

1. Relativistas morais não podem acusar de má conduta a outras pessoas. O relativismo torna impossível criticar o comportamento dos outros, porque, em última análise, nega a existência de algo como ”má conduta”. Se alguém acredita que a moralidade é uma questão de definição pessoal, então abre mão da possibilidade de fazer juízos morais  objetivos sobre as ações dos outros, não importa quão ofensivas elas sejam para o seu senso intuitivo de certo ou errado. Isto significa que um relativista não pode racionalmente se opor ao assassinato, ao estupro, ao abuso infantil, ao racismo, ao sexismo ou à destruição ambiental, se essas ações forem consistentes com o entendimento pessoal sobre o que é certo e bom por parte de quem as pratica . Quando o certo e o errado são uma questão de escolha pessoal, nós abdicamos do privilégio de fazer julgamentos morais sobre as ações dos outros. No entanto, se estamos certos de que algumas coisas devem ser erradas e que alguns julgamentos contra a conduta de outros são justificados – então o relativismo é falso.

2. Relativistas não podem reclamar do problema do mal. A realidade do mal no mundo é uma das primeiras objeções levantadas contra a existência de Deus. Toda esta objeção se fundamenta na observação de que existe mal verdadeiro. Mas mal objetivo não pode existir se os valores morais são relativos ao observador. O relativismo é inconsistente com o conceito de que o mal moral verdadeiro existe, porque nega que qualquer coisa possa ser objetivamente errada. Se não existe um padrão moral, então não pode haver desvio do padrão. Assim, os relativistas devem abandonar o conceito de verdadeiro mal e, ironicamente, também abandonar o problema do mal como um argumento contra a existência de Deus.

3. Relativistas não podem condenar alguém ou aceitar elogios. O relativismo torna os conceitos de louvor e condenação sem sentido, porque nenhum padrão externo de medição define o que deve ser aplaudido ou condenado. Sem absolutos, nada é, em última análise, ruim, deplorável, trágico ou digno de condenação. Nem é qualquer coisa, em última análise, boa, honrada, nobre ou digna de louvor. Relativistas são quase sempre inconsistentes nesse ponto, porque eles procuram evitar condenação, mas prontamente aceitam elogios. Se a moralidade é uma ficção, então os relativistas também devem remover as palavras aprovaçãocondenação de seus vocabulários. Mas se as noções de elogio e crítica são válidas, então o relativismo é falso.

4. Relativistas não podem fazer acusações de parcialidade ou injustiça. De acordo com o relativismo, as noções de equidade e justiça são incoerentes, já que ambos os conceitos ditam que as pessoas devem receber igualdade de tratamento com base em alguma norma externa acordada. No entanto o relativismo acaba com qualquer noção de normas vinculativas externas. Justiça implica punir aqueles que são culpados de um delito. Mas, sob o relativismo, a culpa e a condenação não existem – se nada for finalmente imoral, não há acusação e, portanto, nenhuma culpa digna de punição. Se o relativismo é verdadeiro, então não há tal coisa como justiça ou equidade, porque ambos os conceitos dependem de um padrão objetivo do que é certo. Se, porém, as noções de justiça e equidade fazem sentido, então o relativismo é refutado.

5. Relativistas não podem melhorar a sua moralidade. Relativistas podem mudar a sua ética pessoal, mas eles nunca podem se tornar pessoas melhores. De acordo com o relativismo, a ética de uma pessoa nunca pode se tornar mais ‘moral’. A ética e a moral podem mudar, mas nunca podem melhorar, já que não existe um padrão objetivo pelo qual medir esse melhoramento. Se, no entanto, o melhoramento moral parece ser um conceito que faz sentido, então o relativismo é falso.

6. Relativistas não conseguem manter discussões morais significativas. O que há para falar? Se a moral é totalmente relativa e todas as opiniões são iguais, então não há uma maneira de pensar melhor do que outra. Não há uma posição moral  que possa ser considerada como adequada ou deficiente, razoável, aceitável, ou até mesmo bárbara. Se disputas éticas só fazem sentido quando a moral é objetiva, então o relativismo só pode ser vivido de forma consistente se seus defensores ficarem em silêncio. Por esta razão, é raro encontrar um relativista racional e consistente, já que a maioria deles são rápidos para impor suas próprias regras morais, como, por exemplo, ”é errado forçar sua própria moralidade nos outros”. Isso coloca os relativistas em uma posição insustentável: se falam sobre questões morais, eles abandonam seu relativismo; se não falam, eles abrem mão de sua humanidade. Se a noção de discurso moral faz sentido intuitivamente, então o relativismo moral é falso.

7. Relativistas não podem promover a obrigação de tolerância. A obrigação moral relativista de ser tolerante é auto-refutante. Ironicamente, o princípio da tolerância é considerado uma das virtudes principais do relativismo. A moral é individual, assim eles dizem, e, portanto, devemos tolerar os pontos de vista dos outros e não julgar seu comportamento e atitudes. No entanto, se não existem regras morais objetivas, não pode haver nenhuma regra que exija a tolerância como um princípio moral que se aplica igualmente a todos. De fato, se não há absolutos morais, por que ser tolerante afinal? Relativistas violam seu próprio princípio de tolerância quando não conseguem tolerar as opiniões daqueles que acreditam em padrões objetivos morais. Eles são, portanto, tão intolerantes quanto freqüentemente acusam os que defendem a moral objetiva de ser. O princípio de tolerância é estranho ao relativismo. Se, por outro lado, a tolerância parece ser uma virtude, então o relativismo é falso.

O relativismo moral é falido. Não é um verdadeiro sistema moral. É auto-refutante. E hipócrita. É logicamente inconsistente e irracional. É seriamente abalado com simples exemplos práticos. Torna ininteligível a moralidade. Nem mesmo é tolerante! O princípio de tolerância só faz sentido em um mundo no qual existem absolutos morais, e somente se um desses padrões absolutos de conduta for “Todas as pessoas devem respeitar os direitos dos outros que diferem em conduta ou opinião”. A ética da tolerância pode ser racional somente se a verdade moral for objetiva e absoluta, não subjetiva e relativa. A tolerância é um princípio “em casa” no absolutismo moral, mas é irracional de qualquer perspectiva do relativismo ético.

“Eu Odiava Meu Pai”

Qual é a conexão entre uma relação restaurada com Deus e as relações em família? Seguem dois relatos da vida de cristãos conhecidos; momentos que retratam alguns aspectos do relacionamento específico entre pai e filho. O primeiro vem da História, dos primórdios da Reforma Protestante, mais precisamente da família do grande reformador Martinho Lutero. O segundo, mais contemporâneo, é o testemunho do conhecido apologista cristão Josh McDowell  (autor de Evidências que Exigem um Veredito, Respostas Àquelas Perguntas, entre outros livros), sobre o relacionamento que transformou sua vida.

No dia 02 de maio de 1507, frei Martinho devia rezar sua primeira missa. [...] Acompanhado de vinte cavaleiros, o pai de Martinho havia vindo para assistir à solenidade. Não obstante muito contrariado com o passo arbitrário do filho de quem esperava um dia fosse jurista de renome, presenteou-o com vinte florins. Assentado entre gente do convento, com seu rosto de camponês, sulcado e tostado pelos anos de rude trabalho, foi perguntado pelo filho: “Querido pai, por que vos opusestes tão severamente e com tamanha indignação ao meu desejo de entrar no mosteiro, e talvez ainda neste momento continuais a não olhá-lo de muito bons olhos? É uma vida tão digna e tão divina!” O velho pai respondeu-lhe com toda a franqueza e na presença de padres, frades, ilustres mestres e doutores: “Vós doutos, não lestes nas Escrituras que devemos honrar pai e mãe? Contrário a este mandamento, me abandonaste a mim e tua querida mãe na velhice, quando já poderíamos esperar algum conforto e ajuda de tua parte depois de não termos poupado despesas com os teus estudos, indo tu para o convento contra a nossa vontade.”

Estas palavras atingiram o filho como um raio. Alegando que uma visão celeste o havia levado a tal decisão, o pai respondeu-lhe laconicamente: “Queira Deus não tenha sido aparição do diabo!”

(Frei Martinho, Restaurador da Verdade. Rodolpho Frederico Hasse. Concórdia Editora. p. 22)

             Ellen White escreveu em O Grande Conflito:

O pai de Lutero era homem de espírito forte e ativo, e de grande força de caráter, honesto, resoluto e correto. Era fiel às suas convicções de dever, fossem quais fossem as conseqüências. Seu genuíno bom senso levava-o a considerar com desconfiança a organização monástica. Ficou muito desgostoso quando Lutero, sem seu consentimento, entrou para o convento, só se reconciliando com o filho passados dois anos, e mesmo então suas opiniões permaneceram as mesmas.

(O Grande Conflito. Ellen White. Casa. p. 122)

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Há ainda outro aspecto do qual não me orgulho muito. Mas vou mencioná-lo, pois sei que muitas pessoas precisam ter a mesma modificação em sua vida, e eu descobri a fonte da mudança: um relacionamento com o Cristo vivo. Este aspecto de que falo é o ódio. Eu tinha muito ódio em minha vida. Não era um ódio que se exteriorizava, mas era algo que eu remoía interiormente. Estava sempre irritado com as pessoas, com as coisas, com problemas. Como muitas pessoas, eu era inseguro. Cada vez que conhecia alguém diferente, ela se tornava uma ameaça para mim.

Mas havia uma pessoa que eu odiava mais que qualquer outra – meu pai. Eu detestava até a sombra dele. Para mim, ele era o vagabundo da cidade. Se você mora numa cidade pequena e seu pai ou sua mãe é alcóolatra, então você sabe de que estou falando. Todo mundo sabe. Meus amigos na escola faziam piadas acerca de meu pai, bêbado, nos bares do centro. Não pensavam que aquilo me magoava. Eu era como certas pessoas, ria por fora, mas por dentro, chorava. Eu ia ao celeiro e via minha mãe marcada de tanto apanhar, caída sobre o esterco das vacas. Quando os amigos vinham visitar-me, eu levava meu pai para o celeiro e o amarrava lá, e escondia o carro; e depois dizia aos amigos que ele tivera de sair. Acho que ninguém poderia odiar uma pessoa mais do que odiei meu pai.

Depois que fiz minha decisão ao lado de Cristo – talvez cinco meses depois – entrou em meu coração um grande amor, proveniente de Deus, através de Jesus Cristo. Esse amor era tão forte, virou aquele ódio de cabeça para baixo. Pude olhar meu pai diretamente nos olhos e dizer: “Pai, eu o amo!” E eu estava sendo sincero ao dizer aquilo. Depois de todas as coisas que eu lhe havia feito, aquilo abalou-o muitíssimo.

Em seguida à minha transferência para uma universidade particular, sofri um acidente de carro, bem sério. Fui levado para casa com a cabeça numa tração. Nunca esquecerei como meu pai entrou em meu quarto e perguntou: “Filho, como você pode amar um pai como eu?” Respondi: “Papai, há seis meses, eu o desprezava.” E a seguir, contei-lhe de minhas conclusões acerca de Jesus Cristo: “Papai, deixei Cristo entrar em minha vida. Não sei explicar perfeitamente, mas em consequência desse relacionamento descobri a capacidade de amar e aceitar, não somente o senhor, mas outras pessoas da maneira como são.”

Quarenta e cinco minutos mais tarde aconteceu uma das maiores maravilhas de minha vida. Aquela pessoa de minha família, que me conhecia tão bem e a quem eu não poderia enganar, disse-me: “Filho, se Deus puder fazer em minha vida aquilo que o vir fazer na sua, então quero dar a ele a chance de fazê-lo.” E ali mesmo, meu pai orou comigo e confiou em Cristo.

Geralmente, as mudanças ocorrrem num período de vários dias, seis meses e até um ano. Minha vida foi transformada entre seis meses e um ano e meio. A vida de meu pai modificou-se bem diante de meus olhos. Foi como se alguém houvesse estendido a mão e acendido uma lâmpada. Nunca vira uma transformação tão rápida antes. Meu pai tocou em uísque apenas uma vez depois disso. Ele o levou aos lábios, mas foi só. Cheguei a uma conclusão. Um relacionamento transforma vidas.

Você pode rir do Cristianismo, pode zombar e ridicularizar. Mas ele realmente opera. Ele transforma vidas. Se você vier a confiar em Cristo, comece a observar suas atitudes e atos, pois a verdade é que Cristo ainda  hoje modifica vidas.

(Mais que um Carpinteiro. Josh McDowell. Editora Betânia. p.121-123)

Argumentos Lógicos Não São Evidências?

Diz-se que um argumento convencerá um homem racional, e uma prova irá convencer até mesmo um homem irracional. Então, por que os chamados ateus insistem em evidências/provas? Numa discussão anterior, foi apresentada a afirmação de que argumentos lógicos não são evidências/provas. Aqui eu quero explorar esse comentário e ver se podemos pensar sobre a relação entre evidências e argumentos lógicos de uma forma que seja útil.

Primeiro quero fazer uma distinção entre dois tipos diferentes de evidências/provas. Primeiro, há a evidência física. Algo material, como cartuchos de balas, ferimentos de saída (perícia), DNA, fotografias, resultados de laboratório, etc. Tudo isso acessível, direta ou indiretamente, aos cinco sentidos.

Presumo que era esse o tipo de evidências/provas que se tinha em mente na afirmação “argumentos lógicos não são evidências” – ou seja, evidências/provas físicas. Assim como uma ponta de lança numa caverna pode ser tomada como evidência para a habitação humana dessa caverna. Ou como o arrepio ou tremor de um corpo pode ser considerado como evidência de que está frio.

O que é preocupante é que se evidência física é uma condição necessária para o conhecimento, então não deveríamos saber nada sobre verdades morais, valores estéticos e intuições metafísicas. Apesar disso, sabemos que torturar bebês é errado, que abrir sepulturas é algo macabro, que as cachoeiras são sublimes, que o passado é objetivo e  que outras mentes de fato existem. O calcanhar de Aquiles desta teoria epistemológica particular é que ela é auto-referencialmente incoerente. Se ela é racional, então se torna irracional por seus próprios méritos. Porque nenhuma evidência física é capaz de mostrar que “é necessário evidência para uma crença racional”. Se isto pudesse ser racionalmente afirmado e fosse verdade, então o cristão estaria em uma posição embaraçosa, pois uma implicação seria a de que não há esperança para uma crença racional em entidades não-físicas. Na verdade o critério, se adotado, eliminaria a possibilidade de alcançar uma crença racional em entidades não-físicas antes que qualquer discussão ou debate começasse.

Portanto, deve haver algo extremamente errado com esse critério. É por isso que eu gostaria de chamar a nossa atenção para outro tipo de evidência/prova chamada evidência-argumento. Evidência é, falando em termos gerais, aquilo que dá apoio a uma proposição ou reivindicação. Evidência-argumento é qualquer razão apresentada para defender a crença de que algo é verdadeiro ou falso. Isso não quer dizer que todas as evidências-argumento são boas provas/evidências. Mas quer apenas dizer que argumentos podem contar como prova/evidência, pelo fato de que eles também dão suporte para acreditar em alguma proposição ou reivindicação. Pode haver, evidentemente, contra-evidências que podem dissuadir alguma crença.

Para aqueles não inclinados a aceitar esta distinção traçada entre evidências físicas e evidências-argumentos, e para os que discordam que os argumentos podem contar como evidência, será útil considerar o seguinte:

A evidência física não fala. Isto é, todas as provas/evidências físicas passam pelo filtro de uma lente interpretativa e — mesmo que talvez isso não seja percebido pelo que as defendem — adquirem um determinado sentido que não era intrínseco ao objeto ou ao evento em si. Dito de outra forma, objetos materiais não têm voz para dizer o que eles significam. Tudo é interpretado por uma pessoa que traz consigo premissas adicionais de sua visão de mundo e de sua experiência acumulada.

Nós  todos já passamos pela experiência de dizer uma coisa, e duas pessoas entenderem coisas totalmente diferentes. Um fóssil dirá a um paleontólogo uma coisa. O mesmo fóssil dirá ao próximo paleontólogo outra coisa — e às vezes será até utilizado para apoiar teorias mutuamente exclusivas. No entanto, se a evidência física fosse tudo o que houvesse disponível para a investigação, como é então que teorias diferentes podem surgir a partir do mesmo objeto ou evento?

O que acontece é que em algum lugar entre uma descoberta de objetos e sua interpretação, premissas adicionais são acrescentadas. Essas premissas se combinam para formar argumentos. Espera-se, é claro, que esses argumentos sejam lógicos. Premissas diferentes apresentadas por perspectivas diferentes levam a conclusões diferentes. Assim, de certa forma, todas as provas/evidências são evidências-argumento, porque provas ou evidências físicas, por si mesmas, permanecem em silêncio e não nos dizem nada.

Fonte: Stuart (ThinkingMatters)
[*Imagem: Fóssil Ida, primeiramente alardeado por evolucionistas na mídia como "Darwiniun marsillae", o achado extraordinário do "elo perdido" da evolução humana (um exemplo na mídia aqui) . Mais tarde, ganharia outro veredito: "o bicho é provavelmente só um primo antigo e esquisito dos lêmures." (aqui).]

O que Bart Ehrman diz e o que Bart Ehrman não diz

O que Bart Ehrman diz e o que Bart Ehrman não diz:

 

(veja também A Bíblia Copiada e Traduzida Milhares de Vezes)

 

 

 

“O Que é a Verdade?” Todos Sabemos

 

“O que é a verdade?” Pôncio Pilatos não foi o primeiro a perguntar isso.

À primeira vista, a pergunta parece profunda. Mas, na realidade, acho que todos sabemos a resposta a esta antiga indagação. Digo isso porque todos assumimos uma certa definição de verdade em nosso discurso e em nossas ações todos os dias de nossas vidas.

Talvez o problema não seja que não saibamos o que é a verdade, mas sim que não sabemos que sabemos. E a razão porque não sabemos que sabemos é simplesmente porque não temos tirado alguns momentos necessários para refletir sobre a natureza da verdade.

Historicamente, tem havido três teorias dominantes a respeito da verdade, apresentadas pelos filósofos: 1

Primeiro, há a teoria pragmática da verdadeVerdade é aquilo que funciona. Os três grandes problemas com essa visão são os seguintes:

Problema n. 1: Este ponto de vista aparenta ser um contra senso. Por exemplo, existem algumas crenças verdadeiras que não são muito úteis (por exemplo, a crença de que o meu gato tem pêlo cinza e branco), e algumas crenças falsas que podem vir a ser muito úteis (por exemplo, a minha falsa crença de que as pessoas realmente leem meus blogs é uma motivação útil para continuar a escrevê-los).

Problema n. 2: O ponto de vista é auto-refutável. Se a verdade é o que funciona, então a teoria pragmática em si não deve ser verdade, já que a maioria dos filósofos ao longo dos tempos não se alinharam com a teoria pragmática, mas sim consideraram a teoria da correspondência como sendo muito mais útil!

Problema n. 3: o ponto de vista implica relativismo. Imagine duas pessoas que têm crenças contraditórias. Na visão pragmática, contanto que essas crenças contraditórias sejam úteis para os respectivos indivíduos que as mantêm então teríamos de concluir que elas são verdadeiras. Mas se esse for o caso, então a verdade é relativa, uma visão que em si mesma é insustentável e auto-refutável.

Em segundo lugar, há a teoria da coerência da verdade: a verdade é a consistência lógica (coerência) de um conjunto de crenças que um indivíduo sustenta. Há também três grandes problemas com essa visão:

Problema n. 1: essa visão implica que proposições contraditórias podem ser verdadeiras. Nessa perspectiva, é possível que duas pessoas diferentes mantenham crenças contraditórias, ambas sendo “verdadeiras”, desde que sejam coerentes com cada sistema individual de crença respectivamente. Isso leva à idéia absurda de que ambas as contradições podem ser verdadeiras.

Problema  n. 2: pelas mesmas razões do problema 1, e como já mostrado em relação ao ponto de vista pragmático, esta visão também implica relativismo. Na visão de coerência, aquilo que é verdade o é em relação ao sistema de crenças de cada indivíduo. Duas crenças contraditórias podem ser ambas “verdadeiras”, desde que coerentes com seus respectivos sistemas. Mas o relativismo é falso. Portanto, assim como a visão pragmática, a teoria da coerência deve ser rejeitada.

Problema n. 3: esta visão, do mesmo modo que o ponto de vista pragmático, parece contra-intuitiva. A razão disso é que a teoria da coerência retira o conhecedor do mundo real. Para ele o que é verdadeiro não é aquilo que corresponde com a realidade, mas sim aquilo que é coerente com um determinado sistema de crença. Mas a maioria das pessoas intuitivamente entendem que a verdade tem algo a ver com a forma como o mundo realmente é.

Finalmente, há a teoria da verdade como correspondência: a verdade é quando uma idéia, crença, ou declaração “bate” (ou corresponde) com a forma como o mundo realmente é (a realidade).

Esta visão pode ser corretamente rotulada de visão ”senso comum” da verdade. Embora não seja explicitamente ensinada nas Escrituras, ela é presumida ao longo de ambos os Testamentos, o Antigo e o Novo. A teoria da correspondência da verdade afirma que  uma idéia, crença ou afirmação é verdadeira se ela “bate” ou corresponde com a realidade. Nesse sentido, a realidade é a criadora-da-verdade e a idéia, crença, ou declaração é a portadora-da-verdade. Quando a verdade portadora (uma idéia) corresponde à verdade-criadora (realidade), então se diz que elas estão em uma “relação de correspondência adequada” e se obtém a verdade.2 Considere as seguintes afirmações:

1. Barack Obama é o atual presidente dos Estados Unidos.

2. A cidade de Los Angeles está localizada na Califórnia.

3. O aborto tira a vida de um ser humano inocente.

São estas afirmações verdadeiras? Elas são se de fato correspondem à realidade. A afirmação  número 1 é verdadeira se na realidade Barack Obama for o atual presidente dos Estados Unidos. A afirmação 2 é verdadeira se de fato a cidade de Los Angeles estiver localizada na Califórnia. E a declaração 3 é verdadeira se o aborto realmente tirar a vida de um ser humano inocente. Fácil, não?

Em Favor da Correspondência

O filósofo cristão J.P. Moreland observa dois principais argumentos que têm sido apresentados em favor da teoria da correspondência da verdade: o descritivo e o dialético.3

O argumento descritivo simplesmente apresenta casos específicos que ajudam a ilustrar o conceito de verdade. Por exemplo, no caso da livraria de Moreland, um indivíduo chamado Joe tem o pensamento “o livro de Richard Swinburne A Evolução da Alma está na livraria.” Quando Joe entra na livraria e vê o livro, ele realmente vivencia a verdade, uma relação de correspondência entre o seu pensamento e a realidade. Novamente, esta é a definição “senso comum” da verdade, pois é a visão que todos pressupomos em nossas ações cotidianas e em nosso discurso, ou seja, todos assumimos a teoria da verdade como correspondência  ao ler o rótulo de um remédio ou ao ligar para um número telefônico.4 Isto leva ao segundo argumento.

O argumento dialético afirma que aqueles que negam a teoria da correspondência ou apresentam teorias alternativas da verdade, pressupõem aquilo mesmo que estão tentando rejeitar, mostrando dessa forma a incoerência e a natureza auto-refutatória de sua visão alternativa. Moreland apresenta este argumento na forma de um dilema:

Aqueles que rejeitam a teoria da verdade como correspondência, das duas uma: ou consideram suas próprias declarações como verdade no sentido de correspondência ou não consideram. No primeiro caso, essas afirmações são, então, auto-refutáveis. No último caso, não há razão para aceitá-las, porque não se podem tomar suas declarações como verdadeiras.5

Em outras palavras, ou um ponto de vista proposto sobre a verdade corresponde à realidade ou não. Se isso acontecer, o argumentador pressupõe a visão de correspondência, exatamente aquilo que ele procura rejeitar quando defende uma visão alternativa. Por outro lado, se a visão proposta não corresponde à realidade, então não temos razão para aceitá-la. Em suma, quando alguém nega a teoria da verdade como correspondência admite implicitamente que sua visão não deve ser levada a sério, pois apenas uma visão que corresponde à forma como as coisas realmente são é digna de nossa atenção e crença. Ao contrário do ditado pós-moderno, a verdade não é “mais estranha do que costumava ser.” A verdade é aquilo que temos considerado desde sempre.

A Correspondência e os Cristãos

É a teoria da verdade como correspondência opcional para os cristãos? Não de acordo com o apóstolo Paulo:

E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã, a vossa fé. E somos tidos por falsas testemunhas de Deus, porque temos asseverado contra Deus que ele ressuscitou a Cristo, ao qual ele não ressuscitou, se é certo que os mortos não ressuscitam.(1 Coríntios. 15:14-15).

Nossa crença na ressurreição não é verdadeira simplesmente porque funciona para nós (o ponto de vista pragmático), nem porque é consistente com o nosso sistema de crença (a visão de coerência). A crença cristã na ressurreição de Cristo é verdadeira porque é um fato objetivo da história que corresponde com a realidade! O filósofo cristão Douglas Groothuis conclui:

Portanto, a visão da verdade como correspondência não é simplesmente uma das muitas opções para os cristãos. É a única visão da verdade biblicamente e logicamente fundamentada, disponível e permitida. Se a negligenciarmos ou a negarmos, o fazemos em prejuízo próprio e para nossa própria tragédia.6

Fonte: Aaron (Apologetic Junkie)
________________________________________
1 Os resumos e críticas que seguem são tirados de The Love of Wisdom: A Christian Introduction to Philosophy (Nashville: B&H, 2009), 35-45 de Steven B. Cowan e S. James Spiegel.
2 J.P. Moreland, Kingdom Triangle: Recover the Christian Mind, Renovate the Soul, Restore the Spirit’s Power (Grand Rapids: Zondervan, 2007), 80
3 Ibid., 81-82.
4 Ver Scott Smith, Truth and the New Kind of Christian: The Emerging Effects of Postmodernism in the Church (Wheaton: Crossway, 2005), 174-180
5 Moreland, Kingdom Triangle, 82
6 Douglas Groothuis, Truth Decay: Defending Christianity Against the Challenges of Postmodernism (Downers Grove: InterVarsity Press, 2000), 110.

Quando um Argumento “da Lua” É Submetido à Razão

 

 

Numa sessão de perguntas e respostas depois de uma fala de Richard Dawkins, Paul Copan fez alusão a um argumento apresentado por C S Lewis, Alvin Plantinga, Michael Rea, Victor Reppert e também mencionado por Patrica Churchland, Thomas Nagel, William Whewell e Friedrich Nietzche. O argumento é que se nossas faculdades cognitivas evoluíram por seleção natural, não dirigida por Deus, então estas faculdades cognitivas não merecem racionalmente confiança quanto a nos dar a verdade. A literatura sobre o argumento é interessante, mas não vou comentar a respeito disso aqui.

O que me interessa é o comentário feito por Dawkins, que ganha o aplauso da platéia. Dawkins parece não compreender o ponto do argumento e  o toma como se lhe tivessem pedindo uma razão por que ele defende o ”racionalismo científico”. Ele diz que acredita no racionalismo científico porque este “funciona”. E então dá um exemplo de como “funciona”:  “a ciência nos lança à Lua, enquanto a religião lança aviões contra prédios.”

Muito poderia ser dito aqui, mas eu quero me limitar a um único ponto: a evidência que Dawkins cita de que a ciência funciona e a religião não. Dawkins aponta que a ciência tem feito coisas boas, como levar-nos à Lua; e a religião tem feito coisas ruins, como a destruição do World Trade Centre no 11 de Setembro. Em outras palavras, as coisas positivas que a ciência faz recomendam que ela seja tomada como algo em que devemos confiar, ao passo que as coisas negativas que religião faz recomendam que esta seja considerada como algo em que não devemos confiar.

Então, vamos examinar a afirmação que Dawkins faz de que a “ciência” nos levou à Lua. Agora, como é que um ente pode nos levar à Lua? Presumivelmente, o que ele quer dizer é que foi através da ciência que se desenvolveu a tecnologia de propulsão de foguete que nos permitiu chegar à Lua.

Mas aqui está o problema. Se o fato de que a ciência desenvolveu a tecnologia de propulsão que nos levou à Lua significa que a ciência é responsável pelo voo à Lua, e pode ter o crédito disso, então a ciência deve ser responsável pelo voo ao World Trade Center; a ciência desenvolveu a tecnologia de propulsão de aviões, por isso deve ser a ciência a culpada, e não a religião.

Além disso, os foguetes são usados ​​para outras coisas além das viagens aéreas e ao espaço. O primeiro país que foi à Lua usou foguetes muitas vezes para matar pessoas. Então, se a ciência é responsável por nos levar à Lua, o mesmo raciocínio sugere que ela também é responsável por todos os que foram mortos em combate, por foguetes.

Por outro lado, se a ciência não é a responsável pelo ataque ao World Trade Center, porque apenas desenvolveu a tecnologia e as pessoas que fizeram isso foram motivados por ideais, visão e motivação em relação à tecnologia utilizada para levar isso a efeito, então a ciência não é responsável por nos levar à Lua; não foi apenas a tecnologia que nos levou até lá; foram também as pessoas com certos ideais, visão e motivação.

O ponto é que não se pode com credibilidade dar à ciência o crédito por algo quando a tecnologia científica como a propulsão de foguetes é usada para bons propósitos, afirmando que isso é evidência de que a ciência “funciona”, e não dar igualmente o crédito a ela quando a propulsão de foguetes é usada para propósitos negativos, não admitindo que isso seja evidência de que a ciência ”não funciona”.

A realidade é que os benefícios que a ciência nos proporciona não são apenas o resultado da tecnologia, mas também o uso dessa tecnologia por pessoas com certa visão, ideais, motivação e assim por diante. Questões sobre como devemos viver, o que é certo e errado, que tipos de propósitos devemos seguir são questões filosóficas e teológicas que a ciência não pode, por si mesma, responder. Do mesmo modo os males feito em nome da religião são o resultado não apenas de determinados valores religiosos, mas também do uso da tecnologia científica – muitas vezes a tecnologia é pesquisada e desenvolvida justamente com o propósito de matar pessoas.

O ponto, então, é que ambas, ciência e religião, podem causar danos e ambas podem causar benefícios. A tecnologia nos beneficia quando é usada por pessoas que têm determinadas linhas de orientação moral e espiritual, que direcionam a ciência para o bem. A ciência não nos salvará daqueles de mau caráter; ela irá simplesmente dar-lhes as ferramentas para fazer mais mal. Da mesma forma, a correta orientação espiritual e moral, por si só, não vai beneficiar muita gente sem as ferramentas para fazê-lo. Ambas as forças operam em cada conquista ou falta de realização da humanidade. Não “funcionam” ou falham em ”funcionar” no sentido que Dawkins menciona. Os comentários de Dawkins sobre racionalismo científico podem funcionar quando se trata de fazer a platéia rir, mas isso é tudo.

 

Versão de um dos posts do excelente site MandM (Matt and Madeleine Flannagan).

Escolhendo o Caminho Certo: Por que Deus é a Causa Verdadeira?

     

     

    “De qual deus estamos falando?”, ”se tudo que começa a existir tem uma causa, por que o seu Deus não tem uma?” são perguntas comuns que podem render algumas respostas extensas e outras nem tanto. As que seguem são respostas curtas, de Bill Pratt a um visitante do seu blog  Tough Questions Answered. Antes, porém, o contexto: “a ciência parece ter mostrado que o universo de fato teve um começo. Se esse é o caso, então o universo precisa de uma causa.”

     

    [...] o universo precisa de uma causa, e esta causa não pode ser uma parte do universo, porque não há nada que possa causar a si mesmo.
    Então, de que tipo de causa estamos falando?
    Com base no argumento cosmológico [Tudo que começa a existir tem uma causa para sua existência. O universo começou a existir. Portanto, o universo tem uma causa da sua existência], podemos deduzir que esta causa do universo tem as seguintes propriedades: auto-existência, atemporalidade, não espacialidade, imaterialidade, poder inimaginável, e pessoalidade.

    Auto-existência porque o que quer que cause o universo deve em última instância ser não-causado. Se não for, então o argumento apenas se move um passo mais atrás. Tem de haver uma primeira causa não causada.
    Esta causa não pode existir no tempo/espaço/universo material, porque então existiria dentro do próprio universo que ele criou. Isso é impossível.
    A causa deve ser incrivelmente poderosa, porque criou o universo inteiro e todas as suas leis físicas.
    A causa deve ser pessoal, pois uma força impessoal seria determinista e mecanicista, não possuindo livre arbítrio. Um ser mecanicista opera apenas de acordo com a programação que recebeu de alguma outra coisa. Mas se a origem do universo recebeu a programação de alguma outra coisa, então de novo não encontramos a resposta para a causa do universo. Apenas encontramos um intermediário. A causa teve que fazer uma escolha para criar, e só seres que são pessoais podem fazer escolhas.
    Todos os atributos acima são atributos do Deus do Cristianismo. Isso não quer dizer que com isso provamos que o Deus específico do Cristianismo existe, mas temos, certamente, um argumento convincente de que um ser com algumas de suas qualidades existe.

     

    ***

    “Como pode ser verdade que “Tudo o que começa a existir tem uma causa” se você afirma que seu Deus existe, mas sem uma causa?”

    Porque Deus é eterno e nunca começou. A causa do universo espaço-tempo não pode existir no tempo, portanto, deve ser atemporal, ou eterno. O que é eterno nunca começou a existir, pois não requer uma causa. Algo deve existir eternamente, ou nos vemos fazendo a afirmação absurda de que o nada poderia fazer alguma coisa. Nós sabemos que o universo não tem existido sempre, por isso é descartado como algo eterno que sempre existiu. [...] Veja bem, os dois (Deus ou o universo) sempre foram as duas principais soluções para o problema, e um deles foi eliminado.

    É fascinante que os teólogos teístas tenham falado por centenas de anos de um Ser eterno (Deus) que gerou o Universo  e, de repente, no século 20, os cientistas descobrem que o universo tem uma causa. Eles costumavam pensar que ele era eterno, mas agora sabemos que isso não é verdade.

    Gosto muito desta citação do renomado astrônomo agnóstico Robert Jastrow[...]:

    “Para o cientista que tem vivido pela fé no poder da razão, a história termina como um sonho ruim. Ele escalou as montanhas da ignorância; está prestes a conquistar o pico mais elevado e, quando se lança sobre a última rocha, é saudado por um grupo de teólogos que estão sentados ali há vários séculos.”

    [...]“Os vários deuses que foram postulados para explicar a causa  são muitas vezes contraditórios e exclusivos, portanto não é possível que todos eles estejam corretos[...]  O que o faz certo de que seu conceito de Deus é o correto?”

    Essa é uma grande questão que eu só posso esboçar rapidamente aqui. Os argumentos cosmológico, teleológico e moral em defesa de Deus afastam o ateísmo (incluindo o humanismo secular, muitas formas do Budismo, etc) e o panteísmo (incluindo o hinduísmo, Nova Era, Ciência Cristã, etc) como candidatos. Isso deixa as religiões teístas (que têm um Deus Criador pessoal) ainda de pé. As três principais religiões teístas são Judaísmo, Islamismo e Cristianismo. A fim de decidir a partir destes três, nós olhamos para as afirmações de seus livros sagrados e analisamos as evidências históricas para determinar qual deles é o mais bem corroborado. No final, as reivindicações para Jesus como o Filho de Deus são mais bem atestadas historicamente, o que significa que o Cristianismo muito provavelmente é verdadeiro.

    ***

    Nota deste blog: Sobre algumas particularidades da palavra “provavelmente” na versão da última frase “Christianity most likely has it right” (versão aberta a aprimoramentos), ver esta explicação.