Publicado em Livros, Reflexões

SONHO (im)POSSÍVEL

231020080012Raspar ou não raspar a cabeça? Barry Black decidiu enfrentar esse dilema muito particular usando uma fórmula que já havia funcionado antes: a oração.

Como pastor e capelão, ele era uma pessoa pública, o que tornava o assunto uma questão de certa relevância, ainda que se tratasse apenas de uma opção estética.

Habituado a falar com Deus sobre mudanças importantes, ele orou:

“Senhor, por favor, dá-me um sinal. Se for da tua vontade que eu raspe a cabeça, quero ver 25 homens calvos hoje.”

Em geral, passavam-se dias sem que ele  visse sequer um homem sem cabelos na pequena cidade de Beaufort, Carolina do Sul.

Mas naquele dia, enquanto as horas passavam, Barry foi alimentando a suspeita de que talvez estivesse acontecendo uma convenção de carecas na cidade: ele viu os 25 homens calvos.

Anos depois desse episódio, narrado no livro “Sonho Impossível – como Deus conduziu Barry Black do gueto ao Senado norte-americano” (CASA, 253 páginas), ele seria incumbido de fazer uma oração, dessa vez não particular, mas pública, como o primeiro capelão negro do Senado dos Estados Unidos.

Durante as entrevistas de seleção para o cargo, à pergunta de um dos senadores — “Como adventista do sétimo dia, quais são suas crenças teológicas?” — Barry, já com a experiência de ter sido também o primeiro capelão-chefe negro da Marinha americana, respondeu: “Senador, posso dizer ‘Amém’ para cada doutrina do Credo Apostólico”.

Barry foi o oficial encarregado do serviço fúnebre de John F. Kennedy Jr., cujo sepultamento foi feito no mar, e da cerimônia de resepultamento do afro-americano Mathew Henson, codescobridor, ao lado de Robert Peary, do Polo Norte.  Henson, na realidade o primeiro a chegar ao Polo, foi vítima de discriminação racial e não teve a honra de ter sido sepultado no Cemitério Nacional de Arlington, erro que só viria a ser corrigido anos mais tarde, nessa cerimônia oficiada por Barry.

Mais recentemente, nas solenidades que envolviam a visita inaugural de Barack Obama ao Senado como o primeiro Presidente negro da nação norte-americana (fato posterior à edição do livro), foi dado a Barry o privilégio de orar mais uma vez. Na ocasião, ele começou assim sua oração (tradução minha):

“Senhor de todas as nações, cujo reino está acima de todo reino terreno, Tu que julgas todas as soberanias inferiores, concede graça ao Presidente Barack Obama, ao Vice Presidente Joseph Biden e aos membros do Gabinete. Habilita-os com a sabedoria, a coragem e a força necessária para o nosso tempo. E livra-os de qualquer impudência moral que impeça a construção de um mundo de justiça, de paz e de retidão.”

Orar pelas autoridades, orar pelos doentes, orar por nós mesmos, orar uns pelos outros e até pelos que nos perseguem são determinações que encontramos na Palavra de Deus. Seja em público, seja em particular, como no exemplo de Barry, a oração deve ser, como o diz Ellen White, o “abrir o coração a Deus como a um amigo”.

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