Publicado em Reflexões, Sermões

Perdeu o Sermão? Conheço-te Desde o Ventre


11072009

Resumo do sermão apresentado pelo Pr. Paulo Mattos, sábado, dia 11/07/09.

Igreja Adventista Central de Taguatinga (Semana de Oração Jovem – “Deus Está Procurando” – 11 a 18/07/09).


“Eis aqui o meu servo, a quem sustenho; o meu escolhido, em quem a minha alma se compraz…” Isaías 42:1

“Agora, pois, ouve, ó Jacó, servo meu, ó Israel, a quem escolhi. Assim diz o Senhor, que te criou, e te formou desde o ventre, e que te ajuda…” Isaías 44:1-2


Já faz muitos anos desde que o Pr. Paulo Mattos entrou pela primeira vez numa igreja e percebeu os olhares desconfiados de alguns e mesmo a atitude de afastamento de outros. De cabelos longos, colares no pescoço e braceletes nos punhos, num genuíno estilo “hippie” dos anos 60 e 70,  não foi difícil constatar o estranhamento das pessoas.

Nascido no Rio de Janeiro, filho de um pai alcoólatra e de uma mãe que, para sustentar a família, tinha que deixá-lo sozinho em casa ou, de vez em quando, aos cuidados de vizinhos, Paulo logo descobriu sua vocação para “cientista”. Aos cinco anos, aproveitando-se da ausência dos pais, encontrou a caixa de costura da mãe, e retirou de lá uma tesoura. O alerta da mãe era que, tendo ele as mãos muito pequenas, não seria capaz de manusear aquela “ferramenta”. Mas Paulo, infelizmente, não quis aceitar aquela explicação sem antes fazer a própria tentativa. O primeiro teste veio com alguns cortes na colcha da cama do casal. “Tonsegui!”, foi a exclamação de sucesso na sua linguagem infantil. Animado, ele prosseguiu com a “experiência” cortando a toalha de mesa na cozinha, as calças do pai na área de serviço…  “Eu mal podia esperar para contar à minha mãe”, lembrou durante o sermão. As consequências da novidade, porém, foram drásticas. O castigo o deixou “quase uma semana sem conseguir sentar direito”.

Mas ainda havia o fascínio do fogo. Incansável observador, o menino queria entender a mágica por trás daquela caixa de palitos de fósforo. Outra vez sozinho, ele teve a oportunidade: a cozinha foi acumulando os vários palitos testados, uma revista foi utilizada como combustível para o fogo até que as chamas foram tomando conta da própria cozinha, da varanda…e, então, aconteceu: o corre-corre, os gritos, os vizinhos desesperados, os bombeiros em ação. A experiência tinha terminado num incêndio. O pastor ainda lembra como inventou o “disco voador”, enquanto lançava os discos de vinil do pai do alto da varanda da casa onde morava para um voo ladeira abaixo. Quando voltou a casa, o pai, embriagado, fez com que o filho experimentasse pela primeira vez o que era o “boxe”.

Diante da hiperatividade de Paulo, a mãe sentia que precisava tomar uma atitude. E o fez. Chamou-o para uma conversa e anunciou que iria colocá-lo numa escola. “Lá você terá novos colegas, um lugar para brincar…” Uma escola? Novos amigos? Um “playground”? Era tudo que um “cientista” poderia querer.

Paulo não continha a felicidade enquanto sua mãe o levava para a nova escola. Os portões enormes, de ferro, foram abertos e, logo em seguida, uma senhora alta o recebeu carinhosamente, perguntando-lhe como se chamava. Tudo parecia perfeito. Perfeito até que o agora “Paulinho” começasse a perceber duas duras realidades: a primeira, a de que sua mãe não ficaria com ele (e por mais que argumentasse, aos prantos, que, sem ela, aquela escola nada significava, ele a viu partir e desaparecer lentamente do campo de visão que ainda podia ter da rua, por entre as frestas do portão). A outra, não menos dolorosa, foi a constatação de que a “escola”, onde ele viveria sete longos e terríveis anos, era a FEBEM.

Paulinho logo conheceu o que se chamava “a lei do cão”. Em fila, sob um sol escaldante, as crianças eram colocadas no pátio com a ordem de esmurrar qualquer um que viesse a se mexer, sob pena de, nao o fazendo, serem também agredidas. Enquanto essa ordem perdurava, mosquitos zumbiam e ziguezagueavam por todo o recinto. Todos os dias eram lidos os nomes daqueles que deveriam ser punidos durante a noite, por motivo de algum suposto mau comportamento. Espancamentos, injustiças e maus tratos só iam alimentando a revolta dos internos ao longo dos anos. “Já ouviram falar em rebelião?”, perguntou o pastor. Paulinho tornou-se um líder e mantinha seu grupo disciplinado. Numa noite, vários internos foram violentamente espancados. Mesmo tendo mantido a disciplina do seu próprio grupo, ele foi “escolhido” e incluído entre os que deveriam apanhar. Como resposta dos internos, pouco tempo depois, a rebelião explodiu. Para Paulinho, como consequência da revolta, mais tarde viria a expulsão.

“Perto de minha casa — lembra o pastor –, havia uma igreja adventista. Certamente havia nessa igreja pessoas que poderiam fazer visitas missionárias, folhetos que poderiam ser distribuídos na comunidade. Mas esse trabalho não foi feito. Entendem o que o texto bíblico quer dizer? “Quando eu disser ao perverso: Certamente, morrerás, e tu não o avisares e nada disseres para o advertir do seu mau caminho, para lhe salvar a vida, esse perverso morrerá na sua iniqüidade, mas o seu sangue da tua mão o requererei” Ezeq. 3:8? Se alguém tivesse levado pelo menos um folheto para minha mãe em minha casa, talvez eu não tivesse sofrido vinte anos num mundo de violência, drogas e alienação espiritual. Um irmão meu passou vinte e cinco anos de sua vida como viciado em cocaína.”

Em sua mensagem, o pastor Paulo também relatou como foram os primeiros anos do curso de teologia. À época, ele não conhecia muito a Bíblia. Tinha dificuldade para encontrar as passagens. Não sabia, por exemplo, como explicar as profecias de Daniel. “Localizar” os livros de Habacuque, Sofonias, então…Muitos teologandos eram filhos de conhecidos pregadores ou de obreiros da igreja, enquanto seu histórico de ex-interno da FEBEM e filho de um acoólatra estava em contraste com aquela realidade. “Não conheço pastores que tenham um passado parecido com o meu.” Antes havia o sonho de se tornar um arquiteto. Mas as experiências mais recentes em seu ministério (ler o próximo “post”) foram lembradas para mostrar como Deus, que o conhecia “desde o ventre”, tinha outros planos para sua vida e como valeu a pena tornar-se um pastor e evangelista.

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