Publicado em Pensamentos, Reflexões

Sobre Fé, Razão e Conhecimento

Defender que a ignorância é necessária para preservar a fé ou que a fé está em oposição ao conhecimento é o que muitos fazem na tentativa de que os cristãos sejam tomados como ignorantes por definição. Muitos cristãos podem ingenuamente ser levados a apoiar essa idéia, dando margem a falácias de materialistas. Gregory Koukl, fundador e presidente da “Stand for Reason”, faz um comentário sobre o assunto, que traduzi com algumas adaptações:

Céticos e mesmo alguns cristãos podem cometer um erro consistente quando tratam da relação entre fé e razão. Da parte de alguns cristãos, isso fica evidente quando deparamos perguntas como a seguinte (ou variações dela):  “Se há tantas evidências de Deus, então qual é a função da fé? Se nossa evidência para o cristianismo é tão grande que equivale a nos dar conhecimento de fatos que nós podemos saber com certeza, então isso não dispensa a fé e a lança fora da equação?” Percebam algo muito importante aqui. Essa perspectiva sustentada por muitos coloca a fé em oposição ao conhecimento. Estabelece uma relação inversa entre os dois, de tal forma que quando você aumenta um, você diminui o outro. Você aumenta o conhecimento, a fé diminui, porque, segundo essa visão, não se pode ter fé no que já se sabe. Fé é o que você exercita quando você não conhece. Isto caracterizaria a fé como uma espécie de “pensamento positivo” religioso, porque “pensamento positivo” é tudo o que resta quando você não sabe algo, ou seja, o conhecimento é o que você sabe, e fé é reservada para a ignorância. Isto é o que algumas pessoas pensam que Paulo queria dizer quando disse:  “Nós andamos por fé e não por vista.” Andamos por crer – Fé, não por conhecer- Vista. Se conhecemos, então já não é mais fé. Conhecimento, nessa equação, é o inimigo da fé; e os cristãos são orientados a ter fé.

Esta visão se mostra claramente falsa num exame mais detido das Escrituras. O oposto de conhecimento não é fé, é ignorância. E o oposto de fé não é conhecimento, é incredulidade. Infelizmente, há muitos cristãos que têm uma visão de fé que não é bíblica, abrindo espaço, às vezes, mesmo sem querer, ao materialismo, a principal cosmovisão rival do teísmo em nosso tempo. A Bíblia ensina que fé é confiar no que você sabe que é verdade, porque você tem razão para acreditar que é verdade. Isso pode ser exemplificado com várias passagens da Bíblia. Para citar uma, em Marcos 2, quando Jesus disse: “Para que saibais que o Filho do Homem tem o poder de perdoar pecados…”, porque Ele tinha acabado de dizer ao paralítico: “Seus pecados estão perdoados”, o povo ficou escandalizado. Naturalmente, ninguém podia ver se os pecados tinham realmente sido perdoados. Ele disse: “Para que saibais que eu tenho o poder de perdoar pecados, eu te digo, toma o teu leito e vai para casa.” O ato de cura era algo que podia assegurar a realidade, o conhecimento, a certeza, o fato de algo que não podiam ver: o perdão dos pecados. E foi isso que os inspirou à confiança. Eles tinham agora conhecimento de que o pecado fora perdoado, e, precisamente por isso, foram capazes de exercer confiança.

A fé não está baseada na ignorância, mas é um ato de confiança que se baseia no conhecimento, e o conhecimento é baseado na evidência.

O ateu olha para a equação mal construída sobre fé e conhecimento exatamente da mesma maneira que muitos cristãos enganados: “Existem coisas que você pode saber, e portanto não há necessidade de fé. A fé é o que você usa quando você é ignorante.” O raciocínio segue no sentido de que como a ciência e outros campos do conhecimento têm avançado, somos ignorantes sobre menos coisas. Portanto, nesta definição errônea de fé, as coisas em que nós podemos realmente exercer fé diminuem à medida que a ciência as explica. Fenômenos que poderíamos ter, na ignorância, atribuído a Deus, já foram explicados pela ciência, ou serão brevemente explicados. Com base neste ponto de vista sobre a fé, a hipótese Deus, então, tem cada vez menos poder explanatório, porque os mistérios estão dando lugar ao conhecimento e à ciência. O ateu espera que o conhecimento e a fé sejam polos opostos.

Mas ao contrário, a fé não é oposta ou contrária ao conhecimento. A expansão do conhecimento pela ciência, ou por qualquer outro meio, não é uma ameaça à fé e ao cristianismo. Se a fé envolve confiança no que sabemos, então quanto mais sabemos, mais oportunidade temos para confiar. Fé e conhecimento são companheiros que nos ajudam a colocar a nossa confiança em Deus.

No entendimento bíblico do conhecimento e da fé, à medida que aumenta o conhecimento, aumenta a capacidade de confiança, a capacidade de exercer a fé bíblica, que é um ato de confiança. Quanto mais sabemos sobre o intrincado design no universo, a realidade de Jesus, o Nazareno, o fato histórico da ressurreição, todas crenças verdadeiras e justificadas, mais podemos colocar nossa confiança no Deus que se fez homem em Jesus, ressuscitou dos mortos para nos resgatar da debilitante e finalmente mortal doença do pecado. Não há aqui “pensamento positivo” ou fé cega. Apenas um passo razoável de confiança em algo que temos boas razões para acreditar que é verdade. Esta é a visão bíblica sobre fé, que nada tem a ver com a visão do ateu.

*Texto adaptado a partir de um comentário transcrito aqui.

5 comentários em “Sobre Fé, Razão e Conhecimento

  1. “o fato histórico da ressurreição,”

    Isso prova o que? Lúcifer também teria este poder?

    “Deus que se fez homem em Jesus, ressuscitou dos mortos para nos resgatar da debilitante e finalmente mortal doença do pecado.”

    Para que isto tudo, era só estalar os dedos. Ele não é INFINITAMENTE poderoso?

    Ou Deus está jogando?

  2. Luciano, obrigado pela visita.

    ‘o fato histórico da ressurreição,’
    “Isso prova o que?”

    Confirmando as profecias, e as próprias palavras de Jesus “Dou a Minha vida para tornar a tomá-la. … Tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la.” João 10:17 e 18, prova aquilo que o centurião atestou antes ainda da ressurreição: “Verdadeiramente este homem era filho de Deus” (Marcos 15:39)

    “Lúcifer também teria este poder?”

    Não. Deus é Deus. Satanás, Satanás. O poder, os planos e os métodos de um não são os do outro.

    “Para que isto tudo, era só estalar os dedos.”

    Não tão simples. A vida não é de plástico. Não se restauram relacionamentos humanos com estalar dos dedos. Muito menos a relação entre criaturas pecadoras e um Deus santo. O pecado e suas consequências são mais terríveis do que imaginamos. É ver o que foi exigido (e de Quem) para sua solução. “Sem derramamento de sangue, não há remissão.”

    “Ele não é INFINITAMENTE poderoso?”

    Não no sentido de ir contra sua própria Lei (“A alma que pecar, essa morrerá”/”o salário do pecado é a morte”) e obrigar por força alguém a se voltar para Ele e aceitar a salvação que proveu.

    “Ou Deus está jogando?”

    Não sei o que poderia considerar “jogando” aqui, mas o fato é que “O Filho do Homem veio buscar o que se havia perdido”. Deus não “investiu” a vida de seu próprio Filho num faz-de-conta e já sabe que nem todos aceitarão a salvação. Se o Luciano se perder, terá sido uma perda real. Mas a salvação também é real para quem a aceita. Todos temos um céu a ganhar e um inferno a evitar.

    Obs. É sábado. Muitas atividades na igreja. Volto aqui à noite. Abraços!

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