Publicado em Livros, Perguntas e Respostas, Reflexões

A Bíblia: Copiada e Traduzida Milhares de Vezes

IMAGENS BÍBLICAS

Uma das opiniões errôneas mais repetidas a respeito da Bíblia é a idéia de que ela teria sido copiada e traduzida tantas vezes que os textos chegaram até nós diferentes de como foram escritos originalmente e, por isso, é impossível confiar na sua autenticidade. A pergunta “Como podemos saber, por exemplo, o conteúdo original do Novo Testamento, depois de milhares de cópias e mais cópias, traduções e mais traduções?” revela quanta desinformação ainda existe a respeito da Bíblia e do processo de construção e recuperação do seu conteúdo.

É bom ressaltar que a questão da autenticidade do texto bíblico não é uma questão religiosa, mas acadêmica. Ela pode ser respondida independentemente de convicções religiosas, apelando-se apenas para os fatos.

Nesse caso específico, o ceticismo quanto à autenticidade está baseado em dois equívocos sobre a transmissão de documentos antigos. O primeiro é pensar que a transmissão é mais ou menos linear, como no conhecido exemplo da brincadeira do “telefone”:  alguém sussura aos ouvidos do vizinho uma mensagem; este a repassa aos ouvidos de outro, e assim, de ouvido em em ouvido, a mensagem vai seguindo até chegar ao último destinatário.  O segundo é não considerar as diferenças entre os riscos de distorção de uma transmissão oral e os de uma transmissão por escrito. 

Primeiramente, quanto ao Novo Testamento, a transmissão não foi linear, mas geométrica ― por exemplo, uma carta deu origem a mais cinco exemplares, que se tornaram 25, que se multiplicaram em 200 e assim por diante. Em segundo lugar, a transmissão em questão foi feita por escrito, e manuscritos escritos podem ser testados de uma maneira que a comunicação oral não pode. Quando se trata de transmissão escrita, os estudiosos conseguem, por exemplo,  com alto nível de confiança, reconstruir o texto a partir das cópias manuscritas existentes,  mesmo que elas contenham diferenças e sejam muito posteriores aos originais.

Uma maneira de ilustrar isso é imaginar que minha tia Sara tem um sonho, e nesse sonho aprende a receita de um elixir que a manterá permanentemente jovem. Quando acorda, ela escreve a receita num pedaço de papel e corre para o cozinha para fazer o primeiro copo de elixir. Em poucos dias Sara percebe que o elixir funciona e sua aparência está cada vez melhor. Ela descobriu o que agora passa a se chamar “O Elixir Secreto da Tia Sara” .

Sara está tão animada que envia a receita manuscrita (ela ainda não está na idade tecnológica das fotocopiadoras)  a mais três amigas com as instruções detalhadas sobre como fazer o elixir. As amigas, por sua vez, fazem cópias, e as enviam para dez de suas próprias amigas.

Tudo vai bem até o dia em que o cachorrinho da Tia Sara come a cópia original da receita. Sara fica desnorteada. Em pânico, ela contacta as três amigas e descobre que, misteriosamente, as três passaram pelo mesmo problema. As cópias desapareceram. E agora? O jeito é ir em busca das outras amigas na tentativa de reconstruir o texto original.

Depois de um boa peregrinação, elas finalmente conseguem reunir, entre as receitas manuscritas “sobreviventes”, vinte e seis cópias no total. Quando as espalham na mesa da cozinha, logo percebem algumas diferenças. Vinte e três são exatamente iguais. Mas três apresentam diferenças: uma tem uma palavra grafada incorretamente, outra tem duas frases invertidas (“misture e então corte” em vez de “corte e então misture”) e a terceira inclui um ingrediente que nenhuma das outras tem na sua lista.

A questão crucial  é: Com base nesse cenário, será que Tia Sara pode reconstruir exatamente sua receita original? Claro que pode.  As palavras com erros ortográficos podem ser facilmente corrigidas, as  frases invertidas podem ser consertadas, e o ingrediente extra pode ser ignorado.

Mesmo com variações mais numerosas ou mais diversificadas, o original ainda poderia ser reconstruído com um alto nível de confiança, dada a evidência textual. Os erros seriam erros evidentes, as inversões que se destacassem poderiam ser facilmente restauradas, além do que seria mais plausível concluir que uma palavra ou frase tenha sido adicionada acidentalmente a uma única cópia do que omitida das muitas outras.

De forma simplificada, é assim que trabalha a crítica textual. Críticos textuais são acadêmicos que reconstroem um original ausente a partir dos manuscritos existentes que estão a gerações de “distância” de seu autógrafo. Segundo o estudioso do Novo Testamento F.F. Bruce, “seu objeto [é] determinar tão fielmente quanto possível, a partir das evidências disponíveis, as palavras originais dos documentos em questão.”

A ciência da crítica textual é utilizada para testar todos os documentos da Antiguidade ―  não apenas textos religiosos ―, incluindo os escritos históricos e literários. Não é uma empreitada baseada em suposições ao acaso; é um exercício de linguística que segue um conjunto de regras estabelecidas, incluído o exame da quantidade de cópias e a verificação de quão próximas elas estão, no tempo, do texto original. A crítica textual permite a um crítico atento determinar a extensão da adulteração de qualquer trabalho. Quando aplicada ao texto do Novo Testamento, qual é o resultado? Um deles é que o Novo Testamento alcança um nível de pureza textual superior a 99% (Westcott & Hort, Ezra Abbot, Philip Schaff e A. T. Robertson). Num universo de 20.000 linhas do texto integral, apenas 40 linhas geram alguma dúvida (cerca de 400 palavras), e nenhuma delas afeta qualquer doutrina cristã significativa.

Como se vê, é fácil alguém achar que apenas por levantar uma objeção já tem um argumento convincente contra a autencidade do Novo Testamento. Mas oferecer evidências que suportem essa objeção é um tanto mais difícil. Quando o trabalho sério da crítica textual entra em ação, as “brincadeiras” cessam e as suposições ao acaso vão se desfazendo como a névoa. E qualquer investigador sincero pode então ver aflorar como resultado dessa análise o mesmo nível de confiança já expresso por Isaac Newton: “Há mais indícios seguros de autenticidade na Bíblia do que em qualquer história profana.”

 

[Tradução, resumo e adaptação de parte de um artigo de Gregory Koukl (Stand to Reason) que pode ser lido  aqui]

5 comentários em “A Bíblia: Copiada e Traduzida Milhares de Vezes

  1. Isso é uma grande falácia. Como não existem originais nem da bíblia , nem do NT NÃO HÁ UM ÚNICO INDÍCIO DE ATENTICIDADE.

    Como não existe o autêntico a palavra autenticidade não tem aplicação alguma.

    Uma cópia para ter indícios de autenticidade precisa ser comparada com o original (que não existe) nem mesmo em fragmentos.

    A bílblia é cópia de cópia de ninguém sabe o que. Não é autêntica e nem tem indícios de autenticidade porque não existe exemplar autêntico para comparar.

  2. “Isso é uma grande falácia. Como não existem originais nem da bíblia , nem do NT NÃO HÁ UM ÚNICO INDÍCIO DE ATENTICIDADE.”

    Olá Jairo!
    Como dito e explicado no artigo, a questão da autenticidade é a mesma, seja para a Bíblia seja para outras obras da literatura ou da história antiga. Não existem mais (pelo menos não se conhecem) os originais, apenas cópias. Reconstituir o original a partir das cópias é trabalho e o teste de autenticidade da Crítica. E a Bíblia passa nesse teste. Nesse contexto, tentar “limitar” o conceito de autenticidade ou de indício de autenticidade, condicionando-o à existência mesmo dos originais para comparação é que é, a meu ver, falacioso.

  3. Jairo,
    Usando os mesmos métodos que se usam para todos os outros livros da História, a Bíblia é muito superior em termos de autenticidade.

    Agora, se vais inventar um outro critério para desqualificar a Bìblia, então tens que justificar esse mesmo criterio, e dizr o porquê do teu critério pessoal ser melhor que o critério científico.

  4. 80% das pessoas do mundo não são criminosos, violentos, porque temem um punição divina (e, nesse caso não importa em qual ser divino acreditem). E por esse ponto de vista, independentemente da Bíblia ser ou não um “escrito” sem um original para comprovar sua autenticidade, todas as correntes religiosas funcionam. Acreditem ou não!

  5. [80% das pessoas do mundo não são criminosos, violentos, porque temem um punição divina (e, nesse caso não importa em qual ser divino acreditem)]

    “Não ser criminoso ou violento por temer punição divina” é uma forma muito pobre e superficial de caracterizar o fenômeno da religião como um todo, forma que exclui de imediato o cristianismo e a relação que ele promove: “Nós o amamos porque ele nos amou primeiro.” I João 4:19

    [E por esse ponto de vista, independentemente da Bíblia ser ou não um “escrito” sem um original para comprovar sua autenticidade, todas as correntes religiosas funcionam. Acreditem ou não!]

    Acreditem ou não, nas religiões “humanistas” tudo é igualmente válido e “funcional”, até mesmo um projeto de autodestruição da humanidade baseado na coluna e baluarte da mentira. Em contraste, quando detectada (usando-se, como se vê, os métodos disponíveis e correntes para essa função), a autenticidade é um componente devidamente valorizado apenas por quem tem compromisso de se firmar na “coluna e baluarte da verdade” 1 Timóteo 3:15. O cristianismo verdadeiro funciona porque “A religião que vem de Deus é a única que leva a Ele” (Ellen White).

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