Publicado em Livros, Pensamentos, Perguntas e Respostas

Evolução: Quando “a Religião Prevalece sobre a Ciência”

(imagem importada daqui)Shedding Light

Neste pequeno trecho de um post intitulado “Um Elefante no Tribunal”, Cornelius Hunter de certa forma resume alguns pontos que tem defendido tanto em livros quanto em seu próprio blog Darwin’s God :

 

A evolução não é um fato porque a evidência empírica diz assim; a evolução é um fato, porque a nossa crença religiosa diz isso. Os fósseis aparecem abruptamente e permanecem inalterados por eras, espécies próximas revelam profundas diferenças, espécies distantes apresentam designs idênticos, as mutações adaptativas ocorrem em resposta aos desafios ambientais, e a  vida está repleta de segredos profundos de engenharia. A evidência certamente não contribui para o fato da evolução.

Pelo contrário, a convicção de que a evolução é verdadeira, como é tão frequentemente o caso com convicções, vem da religião e não da ciência. Como Stephen Jay Gould explicou, “arrranjos bizarros e as soluções engraçadas são provas da evolução – caminhos que um Deus sensível nunca teria trilhado.” Como sempre, a religião prevalece sobre a ciência.

A Evolução faz pouco sentido científico. A ciência não indica que projetos complexos surgem a partir de pequenos lagos quentes, não importa quanto tempo haja disponível. O código de DNA, a hemoglobina, a visão, a consciência, e milhares de outros projetos não são explicados cientificamente pela evolução. No entanto, é nos dito que ela é um fato, porque não podemos aceitar o design.

Este sentimento evolucionista não é grande surpresa. Ele remonta a muito antes de Darwin. Não é nenhuma surpresa que as pessoas têm fortes sentimentos religiosos sobre Deus e a natureza. Mas como é que este movimento religioso escapou do olhar atento da jurisprudência norte-americana?

[…]

Os argumentos dos evolucionistas encerram premissas metafísicas, e é assim que eles podem reivindicar que sua teoria é um fato. Sem seus argumentos religiosos, eles seriam deixados apenas com a evidência empírica, que falha em apoiar a evolução como um fato porque há evidências negativas substanciais.

 

 

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5 comentários em “Evolução: Quando “a Religião Prevalece sobre a Ciência”

  1. Meu caro. Nota-se que o senhor é muito lido. Isso é bom. Mas gostaria de fazer algumas observações. Muitas das possíveis refutações usadas por criacionistas foram rebatidas pelo próprio Darwin. A que eu acho mais interessante é a questão da complexidade irredutível. Esse argumento é usado desde a época de Darwin, e os criacionistas americanos usam até hoje. Darwin chegou a dizer que se existisse um único exemplo de complexidade irredutível na natureza, isso colocaria em xeque sua teoria (o caso é que não há, todos os mecanismos são redutíveis). Pois bem. Temos pelo menos três exemplos usados frequentemente por criacionistas. A asa, o olho, e o flagelo bacteriano. Os criacionistas olham para essas magnifícas “obras de engenharia” e dizem o seguinte: “Ó, é tão complexo, que se tirassemos uma de suas peças/partes, todo o mecanismo deixaria de funcionar”. E dizem também: “Portanto, só pode ter sido feito numa paulada só, por um ser inteligente, não pode existir um mecanismo mais simples na natureza (isso daria crédito a evolução)”. Pois é, o caso, meu amigo, é que nos três exemplos usados existem mecânismos mais simples espalhados por toda a natureza. Mas ainda resta um porém. O criacionistas dizem: “O olho (exemplo) é tão complexo, que se fosse “mais simples”, não serviria para nada”. Como se vê, isso não procede, alguma visão é melhor do que nenhuma visão. Meia asa é melhor do que nenhuma asa, e assim por diante. Todo o processo é simples de ser entendido.

    Quanto aos “designs” que o autor cita, esse senhor está equivocado, se ele observasse um pouco mais a natureza, nem digo ler um pouco mais, é observar a natureza mesmo, notaria que para cada mecanismo existente, existe um que seja mais simples, logo, não há um “projeto” inteligente. Há pelo contrário um processo gradual, onde a vida avança sempre do simples para o complexo. Existe por outro lado, inúmeros exemplos de projeto NÃO inteligente, que do ponto de vista de uma ‘criação’ são muito estúpidos, mas que são incrivelmente belos do ponto de vista natural.

    Agora, um dos argumento do autor realmente me chocou! Não esperava tamanha desonestidade intelectual.

    “O código de DNA, a hemoglobina, a visão, a consciência, e milhares de outros projetos não são explicados cientificamente pela evolução.”

    Não sei a quantas anda os estudos com DNA e hemoglobina, mas a visão já está explicada, e os estudos da consciência caminham a passos largos. Enfim, o caso nem é esse. O que me chocou tem a ver com seguinte: é óbvio que a ciência não encerrou todas as verdades do universo. Ainda existem coisas por explicar no evolucionismo. Assim como existem coisas por explicar em todos os campos do conhecimento. Mas daí a justificar a existência de Deus com esse argumentinho furreca. No passado, raios, trovões, praticamente tudo eram divindades. O que o autor basicamente está fazendo é pedindo para o leitor acreditar em Deus, porque “a ciência AINDA não pode explicar”.

  2. Juan, obrigado pelo comentário. Não me considero “muito lido”, apenas vou tomando gosto por certos assuntos, e vou lendo aos poucos, devagar e sempre que tenho oportunidade…

    “Muitas das possíveis refutações usadas por criacionistas foram rebatidas pelo próprio Darwin. A que eu acho mais interessante é a questão da complexidade irredutível. Esse argumento é usado desde a época de Darwin, e os criacionistas americanos usam até hoje.”

    Na verdade, o termo “complexidade irredutível” é recente (Michael Behe). Não creio que Darwin tivesse alguma idéia exata desse conceito. Ele escreveu num contexto em que ainda se pensava de maneira muito simplista sobre a natureza. Desde que Darwin publicou sua hipótese naturalista, “rebatidas” de ambos os lados (pró-Darwin e contra), vindas de várias áreas, perduram até hoje. Um bom exemplo atual, tomando a questão da complexidade irredutível, é os darwinistas dizerem primeiramente que o DI não é falseável e não pode ser refutado, mas ao mesmo tempo propagarem que “Behe foi refutado”. De seu lado, Behe e outros proponentes do DI mostram que não. “The claims made in the paper far surpassed the data”: http://behe.uncommondescent.com/2009/09/reducible-complexity-in-pnas/

    “Darwin chegou a dizer que se existisse um único exemplo de complexidade irredutível na natureza, isso colocaria em xeque sua teoria (o caso é que não há, todos os mecanismos são redutíveis).”

    Talvez se refira a esta citação: “se for possível demonstrar que qualquer órgão complexo exista, que não possa ter sido formado por pequenas mutações numerosas e sucessivas, minha teoria estará destruída. Mas eu não consigo encontrar tal exemplo.” Aqui Darwin e seus seguidores assumem como certo o que ainda precisava, na época, e precisa ainda hoje, ser demonstrado. Se a citação se refere a complexidade irredutível, então é um problema extra, pois não faltam na natureza exemplos de sistemas irredutíveis.

    “Temos pelo menos três exemplos usados frequentemente por criacionistas. A asa, o olho, e o flagelo bacteriano. Os criacionistas olham para essas magnifícas “obras de engenharia” e dizem o seguinte: “Ó, é tão complexo, que se tirassemos uma de suas peças/partes, todo o mecanismo deixaria de funcionar”.

    Os criacionistas, em comum com os que defendem o “design inteligente”, não dizem apenas “é tão complexo que…”. Nesse ponto, apontam basicamente para o seguinte:

    1) complexidade especificada e complexidade irredutível são indicadores de design inteligente (passado).
    2) Os sistemas biológicos têm um elevado conteúdo de informação (ou complexidade especificada) e utilizam subsistemas que manifestam complexidade irredutível.
    3) mecanismos naturalistas ou causas não-direcionadas não são suficientes para explicar a origem de informação (complexidade especificada) ou de complexidade irredutível.
    4) Portanto, o design inteligente constitui a melhor explicação para a origem da informação e da complexidade irredutível em sistemas biológicos.

    (Lembrando que informação para o DI não é aquilo que alguns darwinistas gostariam que ela fosse: http://www.discovery.org/a/14251)

    Por outro lado, são os evolucionistas que usam “este é tão complexo que veio depois daquele que é menos complexo…” Portanto, pelo padrão evolucionista, não há nada de errado em inferir a partir da complexidade. O problema para alguns é onde as inferências vão dar. Para alguém comprometido com o naturalismo, elas não podem de jeito nenhum apontar para um agente inteligente (DI) ou para Deus (criacionismo cristão). Já para os cristãos, isso era de se esperar naturalmente.

    “E dizem também: “Portanto, só pode ter sido feito numa paulada só, por um ser inteligente, não pode existir um mecanismo mais simples na natureza (isso daria crédito a evolução)”. “

    Mas a existência ou não de sistemas mais simples na natureza não interfere no reconhecimento do que foi exposto nos itens acima (1 a 4). Não vejo como o reconhecimento de variedade de “níveis” de designs por parte de criacionistas possa em si mesmo dar crédito exclusivo à evolução. Além disso, a criação, no caso dos criacionistas cristãos, é uma informação que temos da revelação apoiada subsidiariamente pelo estudo da natureza; os dados apontados pelos cientistas do DI apenas se ajustam ao que já nos foi revelado, reforçando ainda mais nossa confiança na revelação.

    “Pois é, o caso, meu amigo, é que nos três exemplos usados existem mecânismos mais simples espalhados por toda a natureza.”

    Mas como disse acima, em que isso apóia exclusivamente a evolução? Diferentes níveis ou manifestações de “designs” em toda a natureza são compatíveis com a criação, independentemente de nossa classificação em mais simples ou mais complexos, às vezes feita arbitrariamente.

    “Mas ainda resta um porém. O criacionistas dizem: “O olho (exemplo) é tão complexo, que se fosse “mais simples”, não serviria para nada”. Como se vê, isso não procede, alguma visão é melhor do que nenhuma visão. Meia asa é melhor do que nenhuma asa, e assim por diante.”

    Mas a questão não é se é “melhor” ter mais ou menos de algo. Nem se trata de dizer se fosse “mais simples, não serviria”. A questão é se é um sistema complexo e irredutível e se este sistema, a visão por exemplo, pode ser gerado aleatoriamente, por forças naturais cegas, não-direcionadas. Além disso, supondo que a evolução foi e é um processo contínuo em toda a natureza, deveríamos ter inúmeros exemplos inquestionáveis de meio-órgãos, meia asa, meio olho, no presente ou no passado. Não é o que se vê.

    “Todo o processo é simples de ser entendido.”

    Não é o que tenho visto os evolucionistas dizerem quando são pressionados, especialmente quando se questiona os detalhes. A idéia pode até ser razoável. Mas isso não é o bastante para explicar todo um processo e defender esse ponto de vista como apoiado cientificamente.

    “Quanto aos “designs” que o autor cita, esse senhor está equivocado, se ele observasse um pouco mais a natureza, nem digo ler um pouco mais, é observar a natureza mesmo, notaria que para cada mecanismo existente, existe um que seja mais simples, logo, não há um “projeto” inteligente.

    Se reparar bem, a conclusão “logo, não há um ‘projeto inteligente’” não faz sentido nenhum a partir da observação da existência de sistemas que alguns julgam mais complexos que outros.

    “Há pelo contrário um processo gradual, onde a vida avança sempre do simples para o complexo.”

    Mas não existe vida “simples”. Essa podia ser a visão de Darwin, mas já foi superada pelo que se descobriu em nossos dias. E para ver o “processo gradual” é preciso usar, antes, os “óculos” evolucionistas. E mesmo com esses “óculos”, alguns evolucionistas já nem conseguem defender o gradualismo.

    “Existe por outro lado, inúmeros exemplos de projeto NÃO inteligente, que do ponto de vista de uma ‘criação’ são muito estúpidos, mas que são incrivelmente belos do ponto de vista natural.”

    Já esse comentário tem ligação direta com o post. Como se vê, o argumento do “mau design” é metafísico (“O Criador não faria assim ou assim etc”), mas não é científico. É o que o post quer dizer: muito do evolucionismo é baseado nisso e não em dados científicos.

    “Agora, um dos argumento do autor realmente me chocou! Não esperava tamanha desonestidade intelectual.“O código de DNA, a hemoglobina, a visão, a consciência, e milhares de outros projetos não são explicados cientificamente pela evolução.”

    Não vejo desonestidade intelectual, já que o autor usou a palavra “cientificamente”. De fato, não são explicadas “cientificamente”. Frases como “evoluiu porque evoluiu” ou “mutações mais seleção natural criaram o código de DNA” são chavões, não explicações científicas.

    “Não sei a quantas anda os estudos com DNA e hemoglobina, mas a visão já está explicada, e os estudos da consciência caminham a passos largos.”

    Talvez seja mais fácil compreender a questão por analogia: o fato de sabermos muito sobre as abelhas (que a abelha possui um pró-ventríluco, uma espécie de válvula que permite que ela se alimente, fazendo passar os alimentos da bolsa para o ventríluco sem que a passagem em sentido inverso seja possível, ou que a abelha obreira torna-se colhedora 21 dias após o nascimento) não nos dá evidências de que a abelha é fruto da evolução. O mesmo raciocínio para o DNA, a visão etc mencionados no post.

    A propósito, um comentário a um post recente e pertinente:

    “Já é difícil explicar como podem ter surgido ao mesmo tempo a pupila e seus micromúsculos, a retina e suas células especializadas, o nervo ótico, com sua capacidade de transmitir informação, e os neurônios especializados, com a capacidade de interpretar e decodificar a informação visual. Agora imagine explicar a complexidade específica da visão em nível bioquímico, no qual a palavra “evolução” (no contexto darwiniano) nem faz sentido… E quer “piorar” as coisas? De alto a baixo do registro fóssil, os animais sempre têm dois olhos. Milagre duplo![MB]”

    http://www.criacionismo.com.br/2010/12/novo-olhar-sobre-visao-mais.html

    “Enfim, o caso nem é esse. O que me chocou tem a ver com seguinte: é óbvio que a ciência não encerrou todas as verdades do universo. Ainda existem coisas por explicar no evolucionismo. Assim como existem coisas por explicar em todos os campos do conhecimento. Mas daí a justificar a existência de Deus com esse argumentinho furreca.”

    Este post não tenta justificar a existência de Deus. Mas se tivermos em mente apenas o código de DNA, por exemplo, se eu fosse ateu ou cético penso que não desmereceria um argumento que foi capaz de convencer até um ateu como Antony Flew?

    “No passado, raios, trovões, praticamente tudo eram divindades. O que o autor basicamente está fazendo é pedindo para o leitor acreditar em Deus, porque “a ciência AINDA não pode explicar”.”

    Não. Sugiro uma releitura do texto. O autor apenas chama a atenção para os argumentos metafísicos da evolução e a falta de embasamento científico da teoria quando esses argumentos metafísicos são descartados.

    Abraço.

  3. Fico feliz por ter respondido meu post. Nos tempos em que vivemos o debate honesto torna-se cada vez mais necessário. É importante que todos saiam da zona de conforto, e reavaliem aquilo que estão pregando ou ensinando a outros. Fico muito feliz mesmo.

    Vamos lá. (Li tudo com atenção, tentarei apenas enxugar as questões para facilitar o debate; se achar que deixei passar algo fundamental, é só apontar).

    “Se a citação se refere a complexidade irredutível, então é um problema extra, pois não faltam na natureza exemplos de sistemas irredutíveis.”

    Você poderia citar exemplos de sistemas ou mecanismos irredutíveis?

    (“Pois é, o caso, meu amigo, é que nos três exemplos usados existem mecânismos mais simples espalhados por toda a natureza.”)

    “Mas como disse acima, em que isso apóia exclusivamente a evolução? ”

    A minha frase dizia respeito a determinados exemplos de complexidade irredutível usados pelos criacionistas, como a asa, que, como sabemos, sua complexidade não é irredutível. Existem exemplos mais simples (ou para ser fiel a sua observação quanto a simplicidade:’que não voam’) na natureza (vivos). A galinha, o avestruz, o esquilo voador são alguns deles. Eles não voam, mas possuem ‘alguma’ asa.

    “Mas a questão não é se é “melhor” ter mais ou menos de algo. Nem se trata de dizer se fosse “mais simples, não serviria”. A questão é se é um sistema complexo e irredutível e se este sistema, a visão por exemplo, pode ser gerado aleatoriamente, por forças naturais cegas, não-direcionadas. Além disso, supondo que a evolução foi e é um processo contínuo em toda a natureza, deveríamos ter inúmeros exemplos inquestionáveis de meio-órgãos, meia asa, meio olho, no presente ou no passado. Não é o que se vê.”

    Esse parágrafo, creio, é o olho do furacão.
    Quanto a visão, tenho as referências, me dê um tempinho para procurar aqui nas minhas coisas. Vou recolher um material, e depois posto aqui mesmo. É muito interessante. Posso avisar de antemão, ainda que não possa credibilizar minha afirmação, que existe uma explicação, onde forças naturais cegas causaram o olho. Sobre a asa, já citei uns exemplos. Mas me veio vários outros à memória que não lembro o nome, vou pesquisar e colo aqui depois. Meio olho? Não sei se o termo, ‘meio olho’ é apropriado, mas existem sim inúmerios exemplos de olhos primitivos; de cabeça, me vem os olhos dos caramujos, e de uma espécie de borboleta que tem células receptoras de luz (se eu me lembro, no órgão genital), temos ainda outros exemplos de animais com ‘receptores’ de luz, não sei se olho seria o termo correto aqui. Meio-orgãos… lembro vagamente de ter lido algo, mas precisarei pesquisar para relembrar. Logo, estou te devendo um material na íntegra, com inúmeros exemplos, de olhos, asas, e orgãos.

    No entanto, posso explicar como ocorreu a formação da asa(em alguns animais). Um animal desenvolve uma mutação aleatória, onde ele tem ‘meia asa’. O que ele fará com meia asa? Uma das finalidades é a sobrevivência, se ele cair de uma determinada altura, ele terá maiores chances de sobreviver. Essa é uma das vantagens de se ter ‘meia asa’. Logo, ele terá maiores chances de reprodução, de sobreviver, e propagar seu ‘gene voador’. As próximas gerações conservarão essa vantagem, posto que um deles, nascerá com uma mutação igualmente vantajosa, uma asa maior, isso permitirá que ele sobreviva a uma queda ainda maior, e assim por diante. Essa é uma das óticas da evoluçao da asa. Mas outros fatores evidentemente influenciaram nesse processo, a busca por alimento em lugares altos, por exemplo. A fuga dos predadores. Esses e outros fatores influenciaram na formação de uma asa ‘completa’. Posso dar mais detalhes, se você achar necessário.

    Já esse comentário tem ligação direta com o post. Como se vê, o argumento do “mau design” é metafísico (“O Criador não faria assim ou assim etc”), mas não é científico. É o que o post quer dizer: muito do evolucionismo é baseado nisso e não em dados científicos.

    O que tem de metafísico em você dizer que o alicerce de uma casa é ruim, que ele foi mal feito, etc? Isso é um fato! O que poderia ser argumentado é que é uma questão subjetiva, isso eu aceitaria em certo nível, mas se analisarmos a fundo não é. Um outro ponto é que essa é uma refutação lógica, os criacionista dizem: “o design é inteligente”, eles usam o termo inteligente, nesse caso, de forma bastante taxativa, pois qualquer ser inteligente entende que existe um certo comportamento esperado de outro ser inteligente. Ocorre que esse “design” não se comporta da maneira normalmente conhecida como “inteligente”. Pode-se dizer que, “ah, mas a inteligência dele não pode ser compreendida pelos padrões humanos”. Fica evidente que essa é uma racionalização sem fundamento. Se esse design é uma projetista tão sábio quanto afirma, não cometeria as os disparates que se observa na natureza. Se colocarmos o conceito bíblico de perfeição, inipotencia, iniciencia, tudo fica ainda mais complicado.
    Parece-lhe metafísico o argumento do “mau design”? A mim me parece infinitamente mais metafísico o argumento do design inteligente.

    “se eu fosse ateu ou cético penso que não desmereceria um argumento que foi capaz de convencer até um ateu como Antony Flew? (pesquisarei a fundo)

    Queria concluir com um pergunta. Imaginando, hipoteticamente, remotamente, que a teoria do design inteligente seja de algum modo válida, isto é: alguém fez.
    Como saber a autoria da obra? Imaginemos agora que seja irrefutável o criacionismo. Podemos comprovar empiricamente quem ou que está por trás de tudo? Ok, ok, vamos fazer o que normalmente é feito, preencher nossa ignorância com o sobrenatural… é Deus, pronto. De qual deus estamos falando? Se não quiser responder nesse momento a questão, tudo bem. Mais para frente eu gostaria de debater os aspectos filosóficos, teológicos… etc.

  4. Caro Juan,

    Repetindo o que disse antes, este espaço virtual não segue o mesmo ritmo da vida real, que é ainda mais acelerado em final de ano, o que não me permitiu por estes dias responder este e outros comentários. Minhas desculpas pela demora.

    “Você poderia citar exemplos de sistemas ou mecanismos irredutíveis?”

    Alguns exemplos já mencionados aqui, e outros de algumas leituras: a visão, aí incluída obviamente a bioquímica relacionada com a retina, o mecanismo para visão colorida, autofoco etc; o flagelo bacteriano, a reprodução sexual, as funções reguladoras dos hormônios, o paladar, o sistema de tradução das informações do DNA, etc. Um autor que estou lendo pela segunda vez afirma: “poderíamos prosseguir sempre, descrevendo centenas de sistemas complexos com partes interdependentes.” Algo também relacionado com a questão, reproduzi aqui no blog o caso da migração:

    https://lerpracrer.wordpress.com/2010/11/22/migracao-mais-um-problema-serio-para-o-naturalismo/

    [Mas como disse acima, em que isso apóia exclusivamente a evolução?]

    “A minha frase dizia respeito a determinados exemplos de complexidade irredutível usados pelos criacionistas, como a asa, que, como sabemos, sua complexidade não é irredutível. Existem exemplos mais simples (ou para ser fiel a sua observação quanto a simplicidade:’que não voam’) na natureza (vivos). A galinha, o avestruz, o esquilo voador são alguns deles. Eles não voam, mas possuem ‘alguma’ asa.”

    Já minha pergunta tem a intenção de destacar o fato de que uma ordem do simples para o complexo pode ser concebida igualmente por criacionistas e evolucionistas. Mas ordenar não significa demonstrar necessariamente processo evolutivo. Quando evolucionistas raciocinam desta forma (um raciocínio, infelizmente, muito comum) estão apenas assumindo como certo aquilo que ainda precisa ser demonstrado. Além disso, exemplos “mais simples” ou “que não voam” não são contra-argumentação de complexidade irredutível. As asas da galinha, do avestruz, as características do esquilo voador estão desenvolvidas, não são órgãos incompletos. Mas sem entrar nas particularidades próprias de cada um, todos eles são compostos, por exemplo, de células, e estas possuem estruturas com complexidade irredutível.

    [Mas a questão não é se é “melhor” ter mais ou menos de algo. Nem se trata de dizer se fosse “mais simples, não serviria”. A questão é se é um sistema complexo e irredutível e se este sistema, a visão por exemplo, pode ser gerado aleatoriamente, por forças naturais cegas, não-direcionadas. Além disso, supondo que a evolução foi e é um processo contínuo em toda a natureza, deveríamos ter inúmeros exemplos inquestionáveis de meio-órgãos, meia asa, meio olho, no presente ou no passado. Não é o que se vê.]

    “Esse parágrafo, creio, é o olho do furacão.Quanto a visão, tenho as referências, me dê um tempinho para procurar aqui nas minhas coisas. Vou recolher um material, e depois posto aqui mesmo. É muito interessante. Posso avisar de antemão, ainda que não possa credibilizar minha afirmação, que existe uma explicação, onde forças naturais cegas causaram o olho. Sobre a asa, já citei uns exemplos. Mas me veio vários outros à memória que não lembro o nome, vou pesquisar e colo aqui depois.”

    Mas ressalvando que não foram citados exemplos de meio-órgãos, meia-asa etc, e adiantando uma questão básica: a afirmação “forças naturais cegas causaram o olho” é uma “explicação” testável, científica?

    “Meio olho? Não sei se o termo, ‘meio olho’ é apropriado, mas existem sim inúmerios exemplos de olhos primitivos; de cabeça, me vem os olhos dos caramujos, e de uma espécie de borboleta que tem células receptoras de luz (se eu me lembro, no órgão genital), temos ainda outros exemplos de animais com ‘receptores’ de luz, não sei se olho seria o termo correto aqui.”

    Interessante como se consideram “primitivos” olhos que contenham células, e células receptoras de luz. Uma simples célula é mais complexa do que qualquer sistema criado pelo ser humano. Olhos “primitivos” apenas funcionam de forma diferente de sistemas mais complexos de visão, estes com autofoco e outras características que exigem partes interdependentes. Voltando ao ponto de que ordem/classificação não implica relação/processo evolutivo, criacionistas e evolucionistas sabem que são variados os sistemas de visão, mas isso em si não apóia um processo evolutivo, ainda mais pela ausência do que seria normal esperar se a hipótese evolucionista gradual fosse verdadeira: não um ou dois, mas incontáveis registros de “inaptidão” nesse imaginado processo de “tentativa e erro” ao longo do tempo.

    “Meio-orgãos… lembro vagamente de ter lido algo, mas precisarei pesquisar para relembrar. Logo, estou te devendo um material na íntegra, com inúmeros exemplos, de olhos, asas, e orgãos. No entanto, posso explicar como ocorreu a formação da asa(em alguns animais). Um animal desenvolve uma mutação aleatória, onde ele tem ‘meia asa’. O que ele fará com meia asa? Uma das finalidades é a sobrevivência, se ele cair de uma determinada altura, ele terá maiores chances de sobreviver. Essa é uma das vantagens de se ter ‘meia asa’. Logo, ele terá maiores chances de reprodução, de sobreviver, e propagar seu ‘gene voador’. As próximas gerações conservarão essa vantagem, posto que um deles, nascerá com uma mutação igualmente vantajosa, uma asa maior, isso permitirá que ele sobreviva a uma queda ainda maior, e assim por diante. Essa é uma das óticas da evoluçao da asa. Mas outros fatores evidentemente influenciaram nesse processo, a busca por alimento em lugares altos, por exemplo. A fuga dos predadores. Esses e outros fatores influenciaram na formação de uma asa ‘completa’. Posso dar mais detalhes, se você achar necessário.”

    Como havia dito antes, a resposta padrão “mutação aleatória + seleção natural + tempo” nesse caso trata-se apenas de um chavão, não de uma explicação científica. O que vejo como necessário é a teoria deixar de “contar” sempre as mesmas histórias não testáveis e, em seu lugar, mostrar as evidências para as afirmações específicas que faz. Nem a seleção natural (plano A darwinista), nem as mutações (Plano B ou C etc, que nem eram ao que parece cogitadas por Darwin,e ele devia saber bem o porquê) mostram possuir os elevados poderes criativos necessários para originar nova informação complexa e especificada, novos planos corporais etc. Ainda assim, não é incomum encontrar evolucionistas que afirmam, e até como fato, aquilo que as evidências nunca demonstraram.

    “O que tem de metafísico em você dizer que o alicerce de uma casa é ruim, que ele foi mal feito, etc? Isso é um fato! O que poderia ser argumentado é que é uma questão subjetiva, isso eu aceitaria em certo nível, mas se analisarmos a fundo não é. Um outro ponto é que essa é uma refutação lógica, os criacionista dizem: “o design é inteligente”, eles usam o termo inteligente, nesse caso, de forma bastante taxativa, pois qualquer ser inteligente entende que existe um certo comportamento esperado de outro ser inteligente. Ocorre que esse “design” não se comporta da maneira normalmente conhecida como “inteligente”. Pode-se dizer que, “ah, mas a inteligência dele não pode ser compreendida pelos padrões humanos”. Fica evidente que essa é uma racionalização sem fundamento. Se esse design é uma projetista tão sábio quanto afirma, não cometeria as os disparates que se observa na natureza. Se colocarmos o conceito bíblico de perfeição, inipotencia, iniciencia, tudo fica ainda mais complicado. Parece-lhe metafísico o argumento do “mau design”? A mim me parece infinitamente mais metafísico o argumento do design inteligente.”

    É metafísico se a afirmação é “o Designer, ou Criador não faria assim”. E, desde Darwin, essa linha de argumentação, não científica mesmo pelo suposto padrão dos evolucionistas, é mantida até hoje por eles próprios. Detectar design, porém, não é metafísico ( pode, sim, ter implicações religiosas, mas o exame da presença de design é empírico). Quanto ao termo inteligente, deve ser aplicado no caso quando o “design” (seja “bom” ou “mau”, o que é debatível após exame mais cuidadoso) se mostra, com base em nossa experiência e conhecimento, resultado de inteligência (há sinais detectáveis que apontam para inteligência: informação complexa e especificada, por exemplo) em contraste com o resultado de forças aleatórias da natureza.

    “Queria concluir com um pergunta. Imaginando, hipoteticamente, remotamente, que a teoria do design inteligente seja de algum modo válida, isto é: alguém fez.Como saber a autoria da obra? Imaginemos agora que seja irrefutável o criacionismo. Podemos comprovar empiricamente quem ou que está por trás de tudo? Ok, ok, vamos fazer o que normalmente é feito, preencher nossa ignorância com o sobrenatural… é Deus, pronto. De qual deus estamos falando? Se não quiser responder nesse momento a questão, tudo bem. Mais para frente eu gostaria de debater os aspectos filosóficos, teológicos… etc.”

    No caso, “comprovar empiricamente” seria o mesmo que “provar”? Em linhas gerais, como comentei em outro post, a ciência tem suas aplicações, mas também seus limites. Mesmo dentro do que consideram seu domínio, muitos defendem que a ciência nada pode “provar”. Mas as evidências que apontam para o design não são “chutes” para preencher nossa “ignorância” com o sobrenatural. Ao contrário, advêm do avanço do conhecimento e de nossa própria experiência: sabemos que um código, por exemplo, é produto de inteligência. Como alguém pode, a partir disso (mas não necessária e exclusivamente por esse caminho, já que isso pode ser tomado apenas como um “plus”, um acréscimo de exercício intelectual), chegar a Deus o Criador (e diga-se de passagem que esse “processo” não é o objeto de estudos dos cientistas do Design Inteligente), é um raciocínio que une aspectos científicos, lógicos e escriturísticos (revelação). Já reservei um post específico para tratar disso mais à frente, uma resposta à mesma questão de forma bem resumida. Espero que seja proveitoso. Abraço.

  5. “tomando a questão da complexidade irredutível, é os darwinistas dizerem primeiramente que o DI não é falseável e não pode ser refutado, mas ao mesmo tempo propagarem que “Behe foi refutado”

    Isto é muito comum no círculo ateísta e evolucionário. Contradição em seus próprios argumentos!

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