Publicado em Ilustrações, Livros, Pensamentos, Perguntas e Respostas, Reflexões

Críticas Céticas Ultrapassadas, a Bíblia e a Bigorna.

Muito conhecido e muito citado o trecho de um famoso sermão de John Piper, em que ele compara a Bíblia a uma bigorna [o que é e para que serve uma bigorna você vê no blog semprequissaber, de onde foi importada a imagem acima].

No sermão, a “ilustração” é a de um grande ferreiro que está sendo observado por um menino. “Enquanto o ferreiro trabalha o metal sobre a bigorna,  o menino pergunta se ela vai quebrar com a pressão. O ferreiro diz ao garoto que aquela bigorna tinha sido propriedade de seu pai e de seu avô antes dele. Durou mais de cem anos e ainda durará em torno de uma centena de anos pela frente. ‘Não é a bigorna que se desgasta’, ele diz ao menino, ‘é o martelo!’ ‘Esta bigorna’, diz o ferreiro, ‘tem desgastado muitos, muitos martelos’. John Piper constrói a analogia de que a Bíblia é como a bigorna e as acusações dos ateus não são nada mais que martelos que muito em breve serão quebrados pela imobilidade dela. Essas acusações serão jogadas fora e esquecidas.”

De fato, assim tem sido. A “bigorna” mantém-se firme, e inúmeras críticas à Bíblia têm sido “esfaceladas” ao longo dos séculos. É curioso como a criatividade dos críticos parece ilimitada [um exemplo é a interpretação do “bom samaritano” como sendo o ateu,  usada por Hictchens num debate com Dinesh D’Souza há uns dois anos] assim também como não deixa de ser curioso ver algumas críticas céticas surradas e já refutadas serem apresentadas de vez em quando como se fossem um grande e novo “martelo”, apenas para se despedaçarem outra vez. A bem da verdade, esse último caso não descreve uma atitude que se aplica exclusivamente aos  céticos que criticam a Bíblia. Não é de todo improvável alguém voltar aos bancos de alguma universidade, por exemplo, dez ou vinte anos depois da formatura, e encontrá-la pouco atualizada em relação a  novas descobertas  em determinadas áreas do conhecimento. Quanto desse processo pode ocorrer por ignorância real  e quanto por atitude deliberada dos que dele participam não é fácil distinguir.

Este pequeno trecho do livro Mais que um Carpinteiro, de Josh McDonald (Editora Betânia),  ilustra bem essa realidade, quando a questão são as críticas relacionadas  com o Novo Testamento (é bom ter em mente que a edição original de Mais que um Carpinteiro é  de 1977):

O Novo Testamento é a principal fonte de informação histórica a respeito de Jesus. Por causa disso, muitos críticos dos séculos XIX e XX atacaram a probidade dos documentos bíblicos. Parece que está sempre havendo um fogo cerrado de acusações, que afinal não contêm fundamento histórico, ou que atualmente já foram superadas por causa de descobertas e pesquisas arqueológicas.
Certa ocasião, quando eu proferia uma série de palestras na Universidade Estadual do Arizona, um professor que se fazia acompanhar de sua turma de literatura, aproximou-se de mim ao final de uma aula ao ar livre. Disse-me ele: “Sr. McDowell, o senhor está baseando suas asserções a respeito de Cristo em um documento que data do segundo século, e que é totalmente obsoleto. Demonstrei em classe que o Novo testamento foi escrito tanto tempo depois de Cristo que não poderia absolutamente ser acurado em seus relatos.”
“Suas opiniões e conclusões acerca do Novo Testamento é que foram ultrapassadas há vinte e cinco anos”, respondi.
O conceito daquele homem com relação aos registros neotestamentários concernentes a Jesus tinham sua origem nas conclusões de um crítico alemão, F. C. Baur. Baur acreditava que a maioria dos escritos do Novo Testamento foram produzidos no fim do século II A. D. E concluiu que esses escritos provinham essencialmente de mitos e lendas que haviam surgido durante este intervalo de tempo que ia da morte de Jesus até a época em que os relatos foram postos em forma escrita.
Entretanto, no século XX, descobertas arqueológicas já confirmaram a precisão dos fatos expostos nos manuscritos do Novo Testamento. A descoberta dos primeiros papiros (o John Ryland, que data de 130 A. D.; o Chester Beatty, de 155 A. D.; e o Bodmer, do ano 200), cerrou o lapso de tempo que havia entre os dias de Cristo e os manuscritos de data posterior.
Millan Burrows, da Universidade de Yale, diz: “Outro resultado da comparação do Novo Testamento grego com a linguagem dos papiros (descoberta) é um aumento de confiança com relação à fidelidade da transmissão do texto do Novo Testamento.” Descobertas como estas têm aumentado a confiança dos eruditos na autenticidade bíblica.
William Allbright, que foi um dos mais eminentes arqueólogos bíblicos, escreveu: “Já podemos afirmar, com toda a certeza, que não existem mais bases sólidas para se fixar a data de qualquer livro do Novo Testamento para depois do ano 80 A.D.; o que representa duas gerações inteiras antes da data suposta, isto é, entre 130 e 150, fornecidas pelos mais radicais críticos do Novo Testamento, na atualidade.” E ele reitera este ponto de vista numa entrevista que concedeu à Christianity Today: “Em minha opinião, todos os livros do Novo Testamento foram escritos por judeus batizados entre os anos 40 e 80 do primeiro século A.D. (provavelmente entre os anos 50 e 75).”

Sem levantar questões de pequenas diferenças entre o pensamento de Allbright e o de um ou outro estudioso quanto ao intervalo de produção do Novo Testamento, é o caso de pensar: quantas idéias ultrapassadas estarão sendo ensinadas em universidades e seminários teológicos, mesmo em instituições que se denominam cristãs? Quantos estudantes ainda estarão sendo doutrinados, por exemplo, com a idéia de que Moisés não poderia ter escrito o livro de Gênesis, tendo como justificativa a premissa sem fundamentação, e hoje refutada, de que a escrita não era conhecida em sua época?

Por essas e outras, muito pertinente o artigo recente de Clifford Goldstein,  que alerta mais uma vez para a necessidade de amarrar nossa teologia à Bíblia, não à ciência nem às especulações humanas. Coincidentemente, o artigo também menciona “cem anos”, mas agora nas palavras de Stephen Goldman, professor na Universidade de Lehigh:

“As teorias que atualmente temos como verdade são tão prováveis de serem falsificadas nos próximos cem anos como aquelas que, ao olharmos para trás, têm sido falsificadas nos últimos cem anos.”

Como se vê, é um vaticínio apropriado para a ciência e o conhecimento humano. Goldman não se refere aí às “teorias” específicas dos céticos, mas o princípio se ajusta bem a elas, tendo em vista o histórico de falsificação dessas “teorias”. Por outro lado, embora nossa fé na Bíblia seja independente da falha de seus críticos, cada fracasso na tentativa de desautorizá-la denuncia a fragilidade dos “martelos” humanos e realça ainda mais a confiança e a firmeza que encontramos na “bigorna” divina.

E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça, e a estrela da alva apareça em vossos corações. 2 Pedro 1:19

 

 

 

 

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