Publicado em Livros, Perguntas e Respostas, Reflexões, Testemunhos

Sobre a Honestidade dos Escritores Bíblicos

Assim como testamos a historicidade de qualquer evento, não através de convicção emocional, mas com evidência histórica, gostaria de dedicar algum tempo para expor um breve histórico da ressurreição de Cristo, a questão central da fé cristã. Se Cristo ressuscitou dos mortos, tudo é verdadeiro e temos apenas de trabalhar nos detalhes. Se Cristo não ressuscitou dentre os mortos, os cristãos são dignos de pena (1 Cor. 15:13-19).

Aqui temos o que precisamos para isso:
1. Evidência Interna: Evidências provenientes de dentro dos documentos primários das testemunhas.
Neste caso, os documentos primários das testemunhas são as 27 obras que compõem o corpus que o cristianismo tem tradicionalmente chamado de o Novo Testamento. Estas obras resistem ou caem individualmente a partir de uma perspectiva histórica. Portanto, elas fornecem 27 fontes de documentação, não apenas uma.

2. Evidência Externa: Evidências colaborativas que vêm de fora dos documentos primários das testemunhas.

1.1 Entre os itens de Evidência Interna temos:
  • Honestidade
  • Detalhes irrelevantes
  • Harmonia
  • Afirmações Públicas Extraordinárias
  • Falta de motivação para invenção
Algumas considerações sobre o primeiro item, a Honestidade:
Uma marca de exagero, embelezamento (embellishments) e de invenção é mostrar as pessoas em uma luz positiva, normalmente só trazendo à luz os seus sucessos e triunfos. A verdadeira história, por outro lado, irá conter relatos que possam causar algum constrangimento às pessoas que fazem parte dela.
Toda a Bíblia registra os sucessos e fracassos dos heróis. Eu sempre fiquei impressionado com isso. Ela nunca pinta um quadro glorioso que você esperaria de material lendário, mas mostra os heróis em todos os seus piores momentos. Os israelitas murmuraram, Davi cometeu assassinato, Pedro negou, os apóstolos de Cristo o abandonaram com medo, Moisés ficou irado, Jacó enganou, Noé ficou bêbado, Adão e Eva desobedeceram, Paulo perseguiu, Salomão adorou ídolos, Abraão era um bígamo, Ló cometeu  incesto, João Batista duvidou, Abraão duvidou, Sara duvidou, Nicodemos duvidou, Tomé duvidou, Jonas fugiu, Sansão foi egoísta, e João, bem no final da história, quando deveria já conhecer tudo, adorou um anjo (Ap 22:8). Isso é incrível! Estes são os judeus que escreveram a Bíblia!
Além disso, os mais fiéis são vistos como os que mais sofrem (José, Jó, e Lázaro), ao passo que os maus são vistos a prosperar (o homem rico). No caso dos Evangelhos, os discípulos que os escreveram alegam ter abandonado a Cristo, e não creram em Sua ressurreição quando foram avisados disso. Mesmo após a ressurreição, eles ainda se apresentam como completamente ignorantes do plano de Deus (Atos 1:6-7). As mulheres são as primeiras a testemunhar a ressurreição, o que carrega um elemento de auto-incriminação, já que o testemunho de uma mulher não tinha nenhum valor no primeiro século. Se alguém estivesse inventando algo, por que incluir um detalhe tão auto-incriminatório? (Fico feliz que eles tenham feito isso, e que mensagem de Páscoa isso representa para nós hoje!)

(Uma exceção a esse padrão, embora no Antigo Testamento, é 1 e 2 Crônicas, que não revelam algumas falhas de Davi. Mas, mesmo aí, os relatos não são positivos para Israel como um todo).

Uma última coisa que ainda considero como pertencente a essa categoria (Honestidade): Nenhum dos escritores dos Evangelhos fornece o seu nome. Em outras palavras, a razão pela qual acreditamos que Mateus, Marcos, Lucas e João (dois discípulos e dois colegas dos discípulos) escreveram os Evangelhos é devido à tradição antiga. Mesmo João simplesmente se refere a si mesmo como “aquele a quem Jesus amava.” A reação inicial é de ceticismo (embora as tradições sejam muito antigas). Por que eles não incluíram os seus nomes? No entanto, a partir de outra perspectiva histórica, essa é uma marca significativa de autenticidade. O modus operandi da época era a pseudoepigrafia. Pseudoepigrafias são escritos que procuram ganhar credibilidade através de uma falsa atribuição das obras a um autor de estatura mais proeminente. Seria como eu escrever um livro e dizer que foi escrito por Chuck Swindoll, a fim de vender mais cópias. A pseudoepigrafia normalmente aparecia tarde (centenas de anos) após a morte do suposto autor. No entanto, uma vez que os escritores dos Evangelhos não incluem os seus nomes, isso demonstra que eles não estavam seguindo esse modelo de invenção/fabricação. Isso realmente acrescenta uma outra marca de credibilidade histórica.
Fonte: Michael Patton (versão e reprodução de parte do original).

Leia a parte II aqui: Mais sobre a Honestidade dos Escritores Bíblicos.

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3 comentários em “Sobre a Honestidade dos Escritores Bíblicos

  1. Muito bom, para concluir fico no aguardo das demais evidêencias abaixo
    – Detalhes irrelevantes
    – Harmonia
    – Afirmações Públicas Extraordinárias
    – Falta de motivação para invenção

    Meu E-mail é – gilmareedna2011@hotmail.com abraços.

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