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A Ressurreição de Cristo: Perguntas e Evidências – parte II

Publicado por Joezer Mendonça*

Como vimos na primeira parte desse artigo, não há evidências de que o corpo de Jesus desapareceu do sepulcro porque foi removido por gente interessada em promover ou repudiar o evangelho. Foi um evento sobrenatural, uma genuína ressurreição? Há outras evidências materiais e psicológicas que atestam a veracidade desse acontecimento incomum.

Sendo uma testemunha ocular, João entrou com Pedro no túmulo e ambos encontraram apenas as vestes do sepultamento. Como alguém poderia ter sido levado da tumba sem as vestes? O corpo de Jesus foi envolvido com lençóis de linho contendo quase cem libras (cerca de 34 quilos) “de uma mistura de mirra e aloés”, sendo essa uma prática que “os judeus costumam fazer na preparação para o sepultamento” (João 19:39, 40). As especiarias eram colocadas nas dobras dos lençóis. Se o corpo era envolto em ataduras, a cabeça era envolvida em um lenço especial, sendo que a face e o pescoço não eram cobertos.

Quando os discípulos entraram no sepulcro, viram que as bandagens do sepultamento estavam ali e o lenço que enfaixava a cabeça estava separado dos lençóis. O relato bíblico diz que eles viram e creram. Creram na ressurreição. John Stott sugere que as vestes permaneceram como uma espécie de casulo quase intacto, pois não estavam despedaçadas ou espalhadas pelo sepulcro ou fora dali.

Os Evangelhos relatam que Cristo apareceu não somente aos seus discípulos ou em apenas um lugar. Ele apareceu também a Maria Madalena, a Pedro e Tiago, aos caminhantes na estrada de Emaús, a mais de quinhentas pessoas de uma só vez; Ele foi visto no jardim do sepulcro, no mar da Galileia, no cenáculo, e no monte das Oliveiras. Lucas escreve que Jesus, “depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles [os discípulos] por quarenta dias” (Atos 1:3).

Os discípulos teriam, então, inventado toda essa história? Se sim, eles seriam inventores sem a menor criatividade e cuidado com detalhes importantes para a época. O testemunho de uma mulher, por exemplo, não tinha valor legal, mas as primeiras testemunhas da ressurreição foram justamente as mulheres. Eles poderiam ter narrado a ressurreição com tintas épicas e triunfalistas, descrevendo o poder de Deus ao livrar Seu Filho da morte para sair glorioso da sepultura para a vida eterna. Mas os apóstolos e as mulheres viram apenas um túmulo vazio com lençóis abandonados e só depois O viram pessoalmente.

Os discípulos sofreram de uma alucinação coletiva? Ver coisas que não estão presentes, ouvir vozes, viver num mundo particular imaginário, são características de gente com distúrbios mentais. John Stott lista uma série de situações após a ressurreição que indica a dúvida e a cautela dos apóstolos, que chegaram a ser censurados por Jesus em razão de “sua incredulidade e dureza de coração”:

a) Quando as mulheres contaram que Jesus revivera, os discípulos “não acreditaram”; b) Quando Jesus pessoalmente apareceu a eles, tiveram medo pois achavam que era “um espírito”; c) Tomé só acreditou quando viu Jesus com os próprios olhos e tocou suas feridas; d) No monte da Galileia, alguns “o adoraram, e outros duvidaram”.

Se Cristo tivesse permanecido na tumba, os discípulos teriam voltado para seus afazeres particulares. Não teria havido perseguições nem cartas às igrejas. Mas eles estavam agora com um espírito bem diferente. Seus temores e dúvidas tinham sido dissipados.

Tiago, um dos irmãos de Jesus, fazia parte daquela descrição bíblica que dizia: “Nem mesmo os seus irmãos criam nEle”. Paulo sustenta que o Cristo ressurreto foi visto por Tiago (I Coríntios 15:7), enquanto Atos 1:13 e 14 apresenta uma lista de pessoas reunidas após a ascenção de Jesus em que comparecem os discípulos, Maria, mãe de Jesus, e os irmãos dEle. Entendemos que Tiago passou a acreditar na divindade de Jesus.

A transformação de Pedro é impressionante. O homem que negou conhecer a Cristo e foi se esconder no cenáculo, morrendo de medo e abatido, surge algum tempo depois no mesmo local em Jerusalém pregando tão poderosamente que três mil pessoas crêem em Cristo e são batizadas no mesmo dia. Ele não teme o julgamento do Sinédrio, se alegra em sofrer em nome de Jesus e não tem dúvida de que será ressuscitado para ver seu Mestre.

Se os apóstolos não criaram uma fraude, nem estavam delirando, eles só podiam estar contando a verdade. Ainda que tivessem inventado tudo ou estivessem num processo alucinatório, como eles passaram de homens de pouca fé, incrédulos e desanimados, para homens cheios de confiança e esperança, capazes de enfrentar a morte sem negar sua fé?

Comecei esse artigo citando Paulo, para quem, “se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa fé”. O outro lado da questão é: se Cristo, sim, ressuscitou, qual sua reação diante dessa notícia tão antiga e ainda tão impactante? E para os que cremos que Cristo, de fato, ressuscitou, o que estamos fazendo diante dessa perspectiva tão extraordinária? Afinal, é a ressurreição de Cristo confirmaria todo o evangelho e dá esperança de vida à humanidade.

Fonte: Stott, John. Cristianismo Básico.


*Joêzer Mendonça é Mestre em Música pela UNESP.
Escreve sobre música, mídias e religião.
Edita o blog www.notanapauta.blogspot.com.
Twitter: @notanapauta

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