Publicado em Livros, Perguntas e Respostas, Reflexões

Gênesis e História: Quanto Vale o que Está Escrito! parte II

[Este post dá sequência a uma série de considerações sobre a historicidade do livro de Gênesis (esta introdução vale como parte I). As observações apresentadas aqui são de Dave Hawkins e foram extraídas de um debate formal do qual participou em 2007 (link ao final da série. Referências da Wikipedia apontam para artigos da época, passíveis de edição ao longo do tempo.)]

Livros históricos são o meio mais confiável de determinar a própria História. Isso pode parecer uma declaração óbvia, algo que nem precisaria ser afirmado. Entretanto, por estranhas razões, muitos cientistas hoje rejeitam o claro registro histórico do livro de Gênesis em relação ao Dilúvio. Esses mesmos cientistas desconsideram os registros históricos (tradições orais e escritas) de muitas nações, os quais concordam com o registro de Gênesis. Isto é um erro.

O que é História e como é estudada?

História é o estudo dos eventos e das atividades do passado humano. Tradicionalmente, os historiadores têm tentado responder a questões históricas pelo estudo de documentos escritos, embora a pesquisa histórica não se limite meramente a estas fontes. Em geral, as fontes de conhecimento histórico podem ser classificadas em três categorias: o que é escrito, o que é dito, e o que é fisicamente preservado; e historiadores frequentemente enfatizam a importância dos registros escritos, que universalmente datam do desenvolvimento da escrita.
http://en.wikipedia.org/wiki/History

Então, se quisermos saber algo da História,  devemos examinar:

1) Registros históricos escritos
2) Tradições orais, e
3) Itens preservados fisicamente

Como podemos dizer se o registro do Gênesis é confiável?

Historiadores têm duas vias principais para melhor entender o mundo antigo: arqueologia e o estudo das fontes primárias. http://en.wikipedia.org/wiki/Ancient_history

Em estudos históricos, fonte primária é um documento ou outra fonte de informação que foi criada no tempo ou perto do tempo que está sendo estudado, por uma fonte autoritativa. Nesse sentido, primário não significa superior. Refere-se à criação por atores primários, e difere de uma fonte secundária, que pode ser uma obra histórica, como um livro ou artigo acadêmico, feito a partir das fontes primárias.

http://en.wikipedia.org/wiki/Primary_source

Em Trusting Records: Legal, Historical and Diplomatic Perspectives, Heather MacNeill destaca que a determinação da confiabilidade dos documentos históricos envolve:

1) Crítica Interna
2) Crítica Externa
3) Corroboração das afirmações por fontes independentes

Maiores informações aqui

Vamos começar, então,  a examinar os registros históricos, iniciando com o livro de Gênesis. Poderíamos escolher outros, mas eu escolho primeiramente este porque ele tem se provado o mais confiável em outras áreas das quais ele trata, como mostrarei.

Cito a  seguir o começo do tablete de “Sem, Cão e Jafé.” Este tablete se extende do capítulo 6, verso 9b até o capítulo 10, verso 1a, onde encontramos a “nota de rodapé” inserida por Moisés:

“Estas, pois, são as gerações dos filhos de Noé: Sem, Cão e Jafé…”Gênesis 10:1

Os dois links que seguem [na sequência uma versão de parte do conteúdo do primeiro link; o conteúdo do segundo será resumido no próximo post da série] explicam que a frase “estas são as gerações dos filhos de…” ocorre 11 vezes no livro de Gênesis e, de acordo com os métodos de escribas antigos, denotam QUEM  registrou os eventos descritos. Isso é algo semelhante à prática moderna de escrever notas de rodapés.

http://www.trueorigin.org/tablet.asp

http://truthmatters.info/2006/09/25/the-book-of-genesis-eyewitness-accounts-from-the-dawn-of-time/

Quando em missão na Mesopotâmia, onde ocorreram muitas das atividades mais antigas descritas na Bíblia, P. J. Wiseman ficou interessado na arqueologia daquela área, e especialmente em muitos tabletes de argila antigos que haviam sido datados como pertencentes ao tempo ainda anterior ao de Abraão. Ele reconheceu que detinha a chave para os escritos originais da Bíblia, principalmente para o livro do Gênesis. Ele publicou seu livro em 1936. Mais recentemente, seu filho, o professor de Assiriologia D. J. Wiseman, atualizou e revisou o livro de seu pai: P. J. Wiseman, Ancient Records and the Structure of Gênesis (Registros Antigos e a Estrutura do Gênesis). (Nashville: Thomas Nelson, Inc., 1985)

Ele descobriu que a maioria dos tabletes de argila tinha “frases colofães” no final; estas frases davam o nome do escritor ou do dono do tablete; continham palavras para identificar o assunto, e muitas vezes alguma espécie de datação. Se vários tabletes estavam envolvidos, havia também “linhas de conexão” para relacionar um tablete a outro posterior na seqüência. Muitos destes antigos registros estão relacionados à história de famílias e genealogias, que eram evidentemente muito importantes para os povos antigos. Wiseman notou a semelhança de muitos desses tabletes com as seções do livro de Gênesis.

Muitos estudiosos têm notado que o Gênesis é dividido em seções, separadas por frases que são traduzidas como “Estas são as gerações de…”

A palavra hebraica usada para “geração é toledôt, que significa ‘história’, especialmente história de família … a história de sua origem”. Wiseman, op.cit., p.62. Wiseman tirou esta citação do lexicógrafo pioneiro hebraico Gesenius. A maioria dos estudiosos têm reconhecido que estas “frases toledôt” devem ser importantes, mas eles tem sido enganados ao supor incorretamente que elas são a introdução do texto que vem logo em seguida (várias traduções modernas têm até truncado estas frases). Isto tem gerado sérias dúvidas, porque em vários casos elas não parecem se encaixar. Por exemplo, Gênesis 37:2 começa: “Estas são as gerações de Jacó… ” Mas a partir daquele ponto em diante, o texto descreve José e seus irmãos, e quase nada sobre Jacó, que era o personagem central na seção anterior.

Wiseman, porém, viu que os colofões nos tabletes antigos vinham sempre no final, não no início. Ele aplicou esta ideia às frases “toledôt” em Gênesis, e descobriu que em todos os casos elas faziam sentido. O texto imediatamente antes da frase “Estas são as gerações de …” continha informações sobre eventos dos quais o homem mencionado naquela frase deveria ter conhecimento. Aquela pessoa teria sido o responsável lógico por escrever aquela parte. Em outras palavras, cada frase “toledôt” contém o nome do homem que provavelmente escreveu o texto que antecede essa frase. Ou, ainda, em outras palavras, o livro de Gênesis consiste de um conjunto de tabletes, cada um dos quais escrito por uma verdadeira testemunha ocular dos acontecimentos nele descritos. Estes  tabletes  foram finalmente compilados por Moisés.

Suficiente confirmação arqueológica tem sido encontrada, de tal forma que muitos historiadores agora consideram o Velho Testamento, pelo menos a parte mais ou menos posterior ao décimo primeiro capítulo do Gênesis, como sendo historicamente correto. É estranho que professores de seminários muitas vezes ainda ensinem as velhas teorias de “crítica cética”, muito embora as bases sobre as quais essa teorias se iniciaram tenham sido completamente desacreditadas.

(continua…) Veja parte III

 

 

 

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