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Livro do Mês: Viagem ao Sobrenatural, de Roger Morneau

O Livro do Mês (agosto/2011) é Viagem ao Sobrenatural, de Roger Morneau. Para participar do sorteio de um exemplar basta seguir @Ler_pra_crer no Twitter e retuitar a mensagem Siga @Ler_pra_crer e participe do sorteio Livro do Mês: Viagem ao Sobrenatural, de Roger Morneau http://kingo.to/No9 . O sorteio será realizado em 31 de agosto.

Roger Morneau nasceu em numa pequena cidade do leste do Canadá, próxima a Quebec. Ainda na adolescência, experiências e recordações da infância o levaram para longe de Deus. Roger se tornara então um satanista e adorador de demônios. Nesse livro, e no vídeo acima, ele narra parte de sua experiência com a adoração aos espíritos e como foi finalmente libertado e levado a conhecer as boas-novas da verdade e do amor de Deus. Roger também escreveu Respostas Incríveis à Oração. Ele faleceu em 1998. Recentemente, Hilda Morneau, viúva dele, publicou My Incredible Jorney with Roger (Minha Incrível Jornada com Roger – ainda não traduzido para o português).

Segue pequeno trecho do livro Viagem ao Sobrenatural:

Depois de uma demorada sessão de testemunhos aos deuses, o sacerdote novamente se juntou a nós, numa conversa agradável. Ele disse que os espíritos lhe haviam dado muitas informações a nosso respeito e tinham manifestado o desejo de beneficiar a nossa vida e de conceder-nos grandes dádivas.

Quando a maioria das pessoas já havia saído, ele nos convidou para visitarmos a sala de adoração aos deuses.

Para se compreender melhor quão pertubadoras e quase chocantes seriam para mim as revelações que logo iria receber, devo descrever as imagens mentais que a minha criação católica havia incutido em minha mente a respeito do diabo e de seus anjos caídos. Em minha infância, os adultos me haviam ensinado que o diabo e seus anjos estão no fogo do inferno, no centro da Terra, cuidando da infindável tarefa de impor vários tipos de tortura às almas daqueles que morreram em estado de pecado mortal. Os adultos descreviam os demônios para nós, crianças, como um tipo de criatura meio homem, meio animal, tendo chifres, cascos e cuspindo fogo. Ao entrar em minha adolescência, concluí que essa coisa toda era ridícula, e que provavelmente era a invenção de alguma mente muito fértil, que durante os séculos passados quis se aproveitar dos supersticiosos e ignorantes. Posteriormente questionei a própria existência do diabo e seus anjos.

Descemos as escadas com o sacerdote, que parecia estar deleitando-se em nos mostrar o seu santuário. Enquanto íamos andando, ele ia nos contando como um espírito havia desenhado o projeto e a arquitetura do local. […]

As salas eram luxuosas e magníficas. Havia ouro por toda parte. As lâmpadas e muitos outros objetos eram laminados ou enfeitados com esse metal. O sacerdote disse que alguns dos objetos eram de ouro maciço. Embora o lugar não estivesse intensamente iluminado, os objetos de ouro pareciam brilhar com grande resplendor.

Creio que foi a abundância de lindas pinturas a óleo que mais prenderam minha atenção. Cerca de 75 pinturas de 120 cm por 80 cm estavam penduradas nas paredes.

O sacerdote satanista disse que, se tivéssemos perguntas, ele ficaria feliz em poder respondê-las.

– Quem são as pessoas de nobre aparência retratadas nessas pinturas? – perguntei eu.

 – São os deuses dos quais vocês ouviram falar durante as sessões de testemunho. Como conselheiros-chefes, eles têm domínio sobre legiões de espíritos. Depois que eles se materializaram para que nós pudéssemos fotografá-los, nós mandamos fazer estas pinturas.Por serem merecedores de maiores honras, nós colocamos embaixo de cada pintura um pequeno altar, para que as pessoas possam, em suas devoções acender velas e queimar incenso e cumprir os rituais solicitados pelos espíritos.[…]

No extremo da sala havia um grande altar, acima do qual havia uma pintura, em tamanho real, de  um indivíduo de aparência majestosa. À pergunta de meu amigo, o sacerdote respondeu:

– Este altar é dedicado ao mestre de todos nós.

– Como se chama ele? – perguntei.

O seu rosto se revestiu de uma expressão de orgulho.

– Deus conosco.

Hoje ao me lembrar dessa pintura e de como a admirei muitas vezes, devo dizer que o indivíduo ali pintado tinha feições que denotavam um intelecto superior. Tinha a testa alta, o olhar penetrante, e  uma postura que dava a impressão de que fosse uma pessoa de ação e de grande dignidade.

Eu não esperava por essa resposta do sacerdote e ela não foi realmente clara. Certamente ele não podia estar se referindo a Jesus Cristo. Não, não podia estar. Mas será que estava…?

 – Quer dizer que este é o verdadeiro retrato de Satanás? – consegui perguntar, afinal.

– Sim, é, e você provavelmente está se perguntando onde foram parar suas medonhas e animalescas características. – Ele riu e acrescentou: – Perdoe-me por rir, mas creia-me, não estou rindo de você neste estado mental desconcertado. Na realidade, acho divertido perceber que os espíritos de demônios conseguiram ser tão habilidosos em esconderem a sua verdadeira identidade que, mesmo nesta época de avanço científico e grande cultura, a grande maioria dos cristãos ainda acredita na teoria dos chifres e cascos.

Então sua expressão facial mudou e passou a refletir um ar de profunda preocupação ao dizer:

– Hoje é solenissimamente importante que as gerações vindouras sejam levadas a crer que o mestre e seus espíritos associados não existem. Somente dessa maneira poderão governar com êxito os habitantes deste planeta nas décadas que estão pela frente. (p. 44-47)

Para assistir à Parte II do vídeo clique aqui.
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Sete Erros Fatais do Relativismo Moral

A consciência/percepção de moralidade leva a Deus tanto quanto a consciência/percepção de queda de maçãs leva à gravidade. (Roger Morris)
Roger Morris, do site Faithinterface, com base no livro Relativism – Feet Firmly Planted in Mid-Air, de Francis Beckwith e Gregory Koukl, elaborou a lista que segue, com sete erros fatais do Relativismo moral. Francis Beckwith  é professor e filósofo, especialista em política, direito, religião e ética aplicada. Gregory Koukl é apologista cristão, fundador da Stand To Reason, organização dedicada à defesa da cosmovisão cristã.

O Relativismo moral é um tipo de subjetivismo que sustenta que as verdades morais são preferências muito parecidas com os nossos gostos em relação a sorvete, por exemplo. O relativismo moral ensina que quando se trata de moral, do que é eticamente certo ou errado, as pessoas podem e devem fazer o que quer que sintam ser o certo para elas. Verdades éticas dependem de indivíduos, grupos e culturas que as sustentam. Porque acreditam que a verdade ética é subjetiva, as palavras como devem ou deveriam não fazem sentido porque a moral de todo mundo é igual; ninguém tem a pretensão de uma moral objetiva que seja pertinente aos outros. O relativismo não exige um determinado padrão de comportamento para todas as pessoas em situações morais semelhantes. Quando confrontadas com exatamente a mesma situação ética, uma pessoa pode escolher uma resposta, enquanto outra pode escolher o oposto. Não há regras universais de conduta que se apliquem a todos.

O relativismo moral, num sentido prático, é completamente inviável. Que tipo de mundo seria o nosso se o relativismo fosse verdade? Seria um mundo em que nada estaria errado – nada seria considerado mau ou bom, nada digno de louvor ou de acusação. A justiça e a equidade seriam conceitos sem sentido, não haveria responsabilização, não haveria possibilidade de melhoria moral, nem discurso moral. Um mundo em que não haveria tolerância. Este é o tipo de mundo que o relativismo moral produz. Vejamos os sete erros fatais do Relativismo:

1. Relativistas morais não podem acusar de má conduta a outras pessoas. O relativismo torna impossível criticar o comportamento dos outros, porque, em última análise, nega a existência de algo como “má conduta”. Se alguém acredita que a moralidade é uma questão de definição pessoal, então abre mão da possibilidade de fazer juízos morais  objetivos sobre as ações dos outros, não importa quão ofensivas elas sejam para o seu senso intuitivo de certo ou errado. Isto significa que um relativista não pode racionalmente se opor ao assassinato, ao estupro, ao abuso infantil, ao racismo, ao sexismo ou à destruição ambiental, se essas ações forem consistentes com o entendimento pessoal sobre o que é certo e bom por parte de quem as pratica . Quando o certo e o errado são uma questão de escolha pessoal, nós abdicamos do privilégio de fazer julgamentos morais sobre as ações dos outros. No entanto, se estamos certos de que algumas coisas devem ser erradas e que alguns julgamentos contra a conduta de outros são justificados – então o relativismo é falso.

2. Relativistas não podem reclamar do problema do mal. A realidade do mal no mundo é uma das primeiras objeções levantadas contra a existência de Deus. Toda esta objeção se fundamenta na observação de que existe mal verdadeiro. Mas mal objetivo não pode existir se os valores morais são relativos ao observador. O relativismo é inconsistente com o conceito de que o mal moral verdadeiro existe, porque nega que qualquer coisa possa ser objetivamente errada. Se não existe um padrão moral, então não pode haver desvio do padrão. Assim, os relativistas devem abandonar o conceito de verdadeiro mal e, ironicamente, também abandonar o problema do mal como um argumento contra a existência de Deus.

3. Relativistas não podem condenar alguém ou aceitar elogios. O relativismo torna os conceitos de louvor e condenação sem sentido, porque nenhum padrão externo de medição define o que deve ser aplaudido ou condenado. Sem absolutos, nada é, em última análise, ruim, deplorável, trágico ou digno de condenação. Nem é qualquer coisa, em última análise, boa, honrada, nobre ou digna de louvor. Relativistas são quase sempre inconsistentes nesse ponto, porque eles procuram evitar condenação, mas prontamente aceitam elogios. Se a moralidade é uma ficção, então os relativistas também devem remover as palavras aprovaçãocondenação de seus vocabulários. Mas se as noções de elogio e crítica são válidas, então o relativismo é falso.

4. Relativistas não podem fazer acusações de parcialidade ou injustiça. De acordo com o relativismo, as noções de equidade e justiça são incoerentes, já que ambos os conceitos ditam que as pessoas devem receber igualdade de tratamento com base em alguma norma externa acordada. No entanto o relativismo acaba com qualquer noção de normas vinculativas externas. Justiça implica punir aqueles que são culpados de um delito. Mas, sob o relativismo, a culpa e a condenação não existem – se nada for finalmente imoral, não há acusação e, portanto, nenhuma culpa digna de punição. Se o relativismo é verdadeiro, então não há tal coisa como justiça ou equidade, porque ambos os conceitos dependem de um padrão objetivo do que é certo. Se, porém, as noções de justiça e equidade fazem sentido, então o relativismo é refutado.

5. Relativistas não podem melhorar a sua moralidade. Relativistas podem mudar a sua ética pessoal, mas eles nunca podem se tornar pessoas melhores. De acordo com o relativismo, a ética de uma pessoa nunca pode se tornar mais ‘moral’. A ética e a moral podem mudar, mas nunca podem melhorar, já que não existe um padrão objetivo pelo qual medir esse melhoramento. Se, no entanto, o melhoramento moral parece ser um conceito que faz sentido, então o relativismo é falso.

6. Relativistas não conseguem manter discussões morais significativas. O que há para falar? Se a moral é totalmente relativa e todas as opiniões são iguais, então não há uma maneira de pensar melhor do que outra. Não há uma posição moral  que possa ser considerada como adequada ou deficiente, razoável, aceitável, ou até mesmo bárbara. Se disputas éticas só fazem sentido quando a moral é objetiva, então o relativismo só pode ser vivido de forma consistente se seus defensores ficarem em silêncio. Por esta razão, é raro encontrar um relativista racional e consistente, já que a maioria deles são rápidos para impor suas próprias regras morais, como, por exemplo, “é errado forçar sua própria moralidade nos outros”. Isso coloca os relativistas em uma posição insustentável: se falam sobre questões morais, eles abandonam seu relativismo; se não falam, eles abrem mão de sua humanidade. Se a noção de discurso moral faz sentido intuitivamente, então o relativismo moral é falso.

7. Relativistas não podem promover a obrigação de tolerância. A obrigação moral relativista de ser tolerante é auto-refutante. Ironicamente, o princípio da tolerância é considerado uma das virtudes principais do relativismo. A moral é individual, assim eles dizem, e, portanto, devemos tolerar os pontos de vista dos outros e não julgar seu comportamento e atitudes. No entanto, se não existem regras morais objetivas, não pode haver nenhuma regra que exija a tolerância como um princípio moral que se aplica igualmente a todos. De fato, se não há absolutos morais, por que ser tolerante afinal? Relativistas violam seu próprio princípio de tolerância quando não conseguem tolerar as opiniões daqueles que acreditam em padrões objetivos morais. Eles são, portanto, tão intolerantes quanto frequentemente acusam os que defendem a moral objetiva de ser. O princípio de tolerância é estranho ao relativismo. Se, por outro lado, a tolerância parece ser uma virtude, então o relativismo é falso.

O relativismo moral é falido. Não é um verdadeiro sistema moral. É auto-refutante. E hipócrita. É logicamente inconsistente e irracional. É seriamente abalado com simples exemplos práticos. Torna ininteligível a moralidade. Nem mesmo é tolerante! O princípio de tolerância só faz sentido em um mundo no qual existem absolutos morais, e somente se um desses padrões absolutos de conduta for “Todas as pessoas devem respeitar os direitos dos outros que diferem em conduta ou opinião”. A ética da tolerância pode ser racional somente se a verdade moral for objetiva e absoluta, não subjetiva e relativa. A tolerância é um princípio “em casa” no absolutismo moral, mas é irracional de qualquer perspectiva do relativismo ético.

 

[Este blogue fez, no processo de versão, algumas adaptações na estrutura/ordem do texto. Segue o link de um dos vários “sites” que publicaram o resumo original: Effectual Grace]

 

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Não Fosse a Nossa Arrogância…

 
 
 
 
Esta ilustração é um diagrama muito bom, mas apenas um diagrama. A quantidade de informação que está sendo duplicada é espantosa. E continua simplesmente acontecendo[…]

Citação de um amigo meu, químico orgânico, sobre a mitose:

[…] o grau de organização na divisão celular é … estonteante, para dizer o mínimo. Tomamos como algo normal, alguns enxergam apenas como “natural, portanto não é grande coisa”, mas posso afirmar a você do ponto de vista de um químico orgânico: nós não temos a menor ideia de como arquitetar tal organização usando moléculas. O máximo que um cientista pode fazer é descrever o que ele vê acontecendo, como no bom diagrama que você postou (que eu acho que está inteiramente correto), mas a química está muito além da nossa compreensão.

Basicamente, tudo o que temos aprendido a fazer é manipular o processo, quase como aprenderíamos a fazer com que uma espaçonave alienígena realizasse tarefas ao apertarmos botões num processo de tentativa-e-erro, sem nunca compreender a tecnologia avançada. E então nos damos uns tapinhas nas costas, dizendo “vejam o que podemos fazer.” Se não fosse por nossa arrogância, nossa cegueira em relação à nossa criação, cada um de nós seria levado a cair de joelhos e louvar Aquele que unicamente pôde criar coisas tão maravilhosas.

 
(tradução livre a partir do original)
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Preparem-se, Rapazes: o Capitão Pode Voltar Hoje

Endurance at night

Em 1914, uma expedição conduzida por Sir Ernest Shackleton saiu da Inglaterra para atravessar o continente da Antártida no navio Endurance. Placas de gelo se fecharam em volta do navio e o partiram em dois. Por cinco meses os membros da expedição vagaram sobre grandes banquisas de gelo. Então, com a ajuda de pequenos barcos eles foram salvos do Endurance e levados até a ilha Elefante.

Mas a terra habitada mais próxima ficava a 1.290 quilômetros, na ilha Geórgia do Sul. Shackleton, com apenas cinco de seus homens, encarou ondas gigantescas em seu pequeno baleeiro, e chegou então a Geórgia do Sul. Logo foi organizada uma tentativa de resgate dos homens que ficaram na ilha Elefante. A primeira tentativa falhou. As massas de gelo flutuantes se fecharam e o barco de resgate teve de voltar. Uma segunda tentativa foi organizada e falhou. Uma terceira tentativa foi feita, e mais uma vez, o gelo saiu vitorioso.

Só depois de quatro tentativas de resgate Shackleton encontrou um caminho para voltar à ilha Elefante. Enquanto se aproximava daquele deserto de gelo e neve, ficou imaginando o que encontraria. Estaria alguém ainda vivo depois de meses de espera? Poderia ser que alguns dos sobreviventes tivessem enlouquecido com o silêncio e a espera?

Shackleton encontrou todos os homens vivos, em boas condições e com boa disposição. Como sobreviveram? O segredo estava na liderança do homem que ele havia deixado como encarregado. Todo dia ele dizia a seus homens: “Preparem-se, rapazes, o capitão pode voltar hoje.”

E todos os dias eles se aprontavam. Todos os dias eles se preparavam. Todos os dias eles vigiavam. Todos os dias eles aguardavam. E apesar do longo silêncio, apesar dos grandes problemas, um dia, Shackleton voltou.

Precisamos vigiar e orar todos os dias. E um dia, em breve, Jesus vai voltar para nos resgatar. Seu conselho para nós é:

“Por isso, ficai também vós apercebidos; porque, à hora em que não cuidais, o Filho do homem virá.” (Mateus 24:44)

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Dissonância Cognitiva: um Obstáculo à Verdade

Os judeus Gershon Robinson e Mordechai Steinman escreveram um livro bastante interessante, intitulado A Prova Evidente (São Paulo: Editora Colel, 1996). Os autores trabalham com aquilo que os psicólogos chamam de dissonância cognitiva – típico bloqueio que acomete pessoas que investiram muito em suas convicções e que muitas vezes as impede de aceitar facilmente ideias novas.

Eles começam explicando: “Estar certo provoca uma sensação de superioridade, ao passo que estar errado ocasiona uma sensação de inferioridade. Portanto, qualquer coisa que sugira que estamos errados é irritante e ocasiona mal-estar; é uma ameaça à nossa autoestima. Quando reconhecemos que estávamos errados e aceitamos a nova informação, é inevitável que nosso ego saia machucado. … A dissonância cognitiva e algum tipo de reação física sempre ocorrem toda vez que alguém é criticado por algo a que se sente ligado ou é desafiado sobre o que considera verdadeiro. … Sempre que surge algo que não se enquadra, logo surge a dissonância cognitiva no subconsciente humano. … A dissonância consegue anular completamente o desejo humano de verdade. Se alguém ‘investiu tudo numa compra’, se fez um grande investimento em certo produto, crença ou ideia, então qualquer sugestão de que o investimento foi ruim tem grande probabilidade de ser ignorada, mesmo se for verdadeira” (p. 15, 16, 17).

Os autores citam alguns exemplos, entre os quais o de Einstein. Tudo indicava, para o físico, que o Universo estava em expansão, embora essa ideia fosse considerada por ele como “irritante” e “insensata”. Por quê? Porque “o homem [até o mais inteligente] parece ter uma necessidade subconsciente de ‘proteger’ seus investimentos, até mesmo da verdade. … Justificada ou não, a irritação pode impedir que uma pessoa tenha qualquer percepção da verdade” (p. 30, 37). Para Einstein, o Universo era estático, e pronto.

A partir da página 39, Robinson e Steinman apresentam cinco motivos pelos quais algumas pessoas rejeitam a Deus, devido à dissociação cognitiva:

1. As pessoas suspeitam que, se Deus de fato existe, então enquanto seres humanos não poderíamos ser tão livres quanto gostaríamos. Como as pessoas são muito apegadas à ideia de liberdade, em um nível subconsciente os indícios de Deus incomodam, pois a ideia de Deus é percebida como ameaça à liberdade. Uma pessoa poderia, subconscientemente, tender a preferir que Deus não existisse por causa da ameaça à sua própria “soberania pessoal” [aqui foi inevitável não pensar em Richard Dawkins que, apesar do título de seu livro Deus, Um Delírio, afirma que vive na “predisposição de que Deus não exista”]. Em resumo, os indícios de Deus são emocionalmente irritantes, pois fazem o homem parecer pequeno; implicam que o homem talvez seja limitado em sua liberdade pessoal (p. 38).

2. As pessoas também abrigam o temor de descobrir que não passam do fruto da imaginação de um criador. O homem é uma força expressiva e criativa no Universo, e orgulha-se disso. Nada abala mais um ser humano que a ideia de que todo o seu ser é, na realidade, produto de outra força criativa e expressiva do Universo, de um Ser muito mais elevado e poderoso (p. 39).

3. Se Deus existe e é, de fato, um Pai espiritual para nós, por que Ele permanece tão distante e obscuro? Os indícios de Deus também podem ocasionar um sentimento de impotência e desimportância porque tal ideia provoca um sentimento de abandono e rejeição. Assim como temem a ideia de perder a liberdade pessoal, as pessoas temem a ideia de serem rejeitadas e abandonadas (p. 40).

4. Se uma pessoa aceita a existência de Deus, deve também admitir uma falta de compreensão. Em vez de aceitar uma ideia nova abstrata que parece conflitar com o óbvio, e assim admitir nossa falta de compreensão, nossa propensão é a ideia subconscientemente e nos livrarmos do incômodo (p. 41).

5. Quanto mais uma pessoa vive de acordo com a ideia de que Deus não existe, mais dissonância haverá como resultado da prova em contrário; pois esta faz com que a pessoa se sinta muito “menor”. Por causa da dissonância, tais indícios [de Deus] são automaticamente rejeitados no subconsciente antes mesmo que o intelecto consciente os examine (p. 41).

O capítulo 3, que dá nome ao livro – A Prova Evidente – procura demonstrar que existem evidências bastante sólidas de um projeto inteligente que aponta para o Criador, e que, portanto, a rejeição desses fatos e de Deus se deve mais à dissonância cognitiva do que a qualquer outra coisa.

Fazendo alusão aos monólitos alienígenas presentes no livro/filme 2001 – Uma Odisseia no Espaço, os autores perguntam: “Que nível de complexidade é necessário para que se considere intuitivamente que algo foi criado de maneira proposital? É necessário achar um computador na Lua? Não. Um carro? Não. Um relógio? Não! Basta uma simples rocha negra” (p. 58).

E então arrematam o pensamento: “Se o projeto do Universo é superior ao encontrado na rocha [monólito], se é maior do que o mínimo, seremos forçados a concluir que há indícios suficientes de um Mestre Autor. E, se não fosse por preconceito pessoal, social e outros, ou em uma palavra, pela dissonância, as pessoas reconheceriam isso intuitivamente… a dúvida seria baseada no irracional e no ‘não consigo suportar isso’ subconsciente” (p. 59).

A argumentação avança pelo fino ajuste das constantes universais, pela complexidade da vida em nível genético, embriológico e neurológico, cita cientistas de peso que admitem o design inteligente, e tenta justificar por que, a despeito de tanta complexidade específica observada no Universo, a negação de Deus e a sobrevivência da ideia do acaso cego ainda persistem:

“A impressionante longevidade do darwinismo, apesar de suas muitas falhas, é uma extraordinária confirmação da tese deste livro. Sem a evolução, o homem está ‘condenado’ a Deus. De maneira subconsciente e consciente, cientistas, jornalistas e outros se agarram à evolução com todas as suas forças. Como a ideia da evolução permite que as pessoas imaginem um universo sem Deus, a teoria evolucionária sobrevive e floresce em muitas versões, e todas as objeções a ela são descartadas com desprezo” (p. 93).

De fato, em Evolution From Space, o mais eminente astrônomo britânico, sir Fred Hoyle, aponta problemas gritantes na teoria da evolução e conclui que a sobrevivência desse paradigma se deve apenas ao fato de ele ser considerado “socialmente desejável e mesmo essencial para a paz mental das pessoas” (Fred Hoyle e Chandra Wickramasinghe. Evolution From Space. Londres: Hutchinson and Co., 1969, p. 66 – citado por Robinson e Steinman, p. 94).

Aliás, é de Hoyle que vem outra análise interessante sobre a probabilidade de surgimento da vida na “sopa química”. Ele lembra que há cerca de duas mil enzimas [um tipo de proteína essencial à vida] diferentes, e cada uma tem estrutura própria. Segundo ele, a probabilidade de se obter todas as duas mil enzimas ao acaso é de uma em dez elevado a 40 mil, “quase a mesma probabilidade de se obter uma sequência ininterrupta de 50 mil números 6 com um dado não viciado”, compara. Esses cálculos não chegam nem perto da probabilidade de se produzir ao acaso os “programas” pelos quais as células se dividem e se organizam. Hoyle conclui: “Para a vida ter surgido na Terra seria necessário que instruções bem explícitas tivessem sido fornecidas para sua formação” (Ibidem, p. 109).

Então, por que essa ideia persiste? Em seu livro Origins, Robert Shapiro afirma que o motivo pelo qual os cientistas alimentam o público com a ideia da “sopa química” por tanto tempo é que ela serve para preencher aquele “vácuo” horrível. Os cientistas e a mídia querem, de qualquer maneira, que a hipótese da sopa seja verdadeira. Em vez de aceitar a ideia “religiosa” sobre a origem da vida, empenham-se em vestir um mito e fazê-lo parecer científico (Robert Shapiro. Origins: A Skeptic’s Guide to the Creation of Life on Earth. Nova York: Bantam Books, 1986 – citado por Robinson e Steinman, p. 107).

No capítulo “O Judaísmo e a crença em Deus”, os autores escreveram: “De acordo com o rei Salomão [Ec 8:17; 3:11], muitos dos enigmas que hoje confrontam a ciência permanecerão enigmas até o fim dos tempos, porque a Sabedoria Suprema por trás deles está muito além da sabedoria e do alcance da humanidade. … A abordagem mais saudável, e mais conectada com a realidade, é a proposta pelos cientistas da Escola de Pensamento Antrópica. Estes cientistas reconhecem Deus, admitem que certos enigmas nunca serão resolvidos, e ainda assim continuam a aplicar o método científico à natureza, tentando decifrar o que for possível” (p. 134, 135).

O antigo filósofo grego Alexandre Afrodísio relaciona três diferentes fatores que funcionam como “obstáculos” para que alguém enxergue a verdade: a arrogância, a presunção e o amor à liberdade; a sutileza, profundidade e dificuldade do assunto; a ignorância humana, a insuficiência da capacidade intelectual. Crentes ou não, todos estamos sujeitos a esbarrar num ou mais desses obstáculos, mas não nos esqueçamos de que “o maior obstáculo entre uma pessoa e a verdade pode ser ela mesma” (p. 141), e sua dissonância cognitiva.

*Michelson Borges é Jornalista (formado pela UFSC) e editor da Casa Publicadora Brasileira. É autor dos livros Nos Bastidores da Mídia, Por Que Creio, A História da Vida, entre outros. Mestre em Teologia pelo Unasp, mantém o blog www.criacionismo.com.br

 

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“Eu Odiava Meu Pai”

Qual é a conexão entre uma relação restaurada com Deus e as relações em família? Seguem dois relatos da vida de cristãos conhecidos; momentos que retratam alguns aspectos do relacionamento específico entre pai e filho. O primeiro vem da História, dos primórdios da Reforma Protestante, mais precisamente da família do grande reformador Martinho Lutero. O segundo, mais contemporâneo, é o testemunho do conhecido apologista cristão Josh McDowell  (autor de Evidências que Exigem um Veredito, Respostas Àquelas Perguntas, entre outros livros), sobre o relacionamento que transformou sua vida.

No dia 02 de maio de 1507, frei Martinho devia rezar sua primeira missa. […] Acompanhado de vinte cavaleiros, o pai de Martinho havia vindo para assistir à solenidade. Não obstante muito contrariado com o passo arbitrário do filho de quem esperava um dia fosse jurista de renome, presenteou-o com vinte florins. Assentado entre gente do convento, com seu rosto de camponês, sulcado e tostado pelos anos de rude trabalho, foi perguntado pelo filho: “Querido pai, por que vos opusestes tão severamente e com tamanha indignação ao meu desejo de entrar no mosteiro, e talvez ainda neste momento continuais a não olhá-lo de muito bons olhos? É uma vida tão digna e tão divina!” O velho pai respondeu-lhe com toda a franqueza e na presença de padres, frades, ilustres mestres e doutores: “Vós doutos, não lestes nas Escrituras que devemos honrar pai e mãe? Contrário a este mandamento, me abandonaste a mim e tua querida mãe na velhice, quando já poderíamos esperar algum conforto e ajuda de tua parte depois de não termos poupado despesas com os teus estudos, indo tu para o convento contra a nossa vontade.”

Estas palavras atingiram o filho como um raio. Alegando que uma visão celeste o havia levado a tal decisão, o pai respondeu-lhe laconicamente: “Queira Deus não tenha sido aparição do diabo!”

(Frei Martinho, Restaurador da Verdade. Rodolpho Frederico Hasse. Concórdia Editora. p. 22)

             Ellen White escreveu em O Grande Conflito:

O pai de Lutero era homem de espírito forte e ativo, e de grande força de caráter, honesto, resoluto e correto. Era fiel às suas convicções de dever, fossem quais fossem as conseqüências. Seu genuíno bom senso levava-o a considerar com desconfiança a organização monástica. Ficou muito desgostoso quando Lutero, sem seu consentimento, entrou para o convento, só se reconciliando com o filho passados dois anos, e mesmo então suas opiniões permaneceram as mesmas.

(O Grande Conflito. Ellen White. Casa. p. 122)

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Há ainda outro aspecto do qual não me orgulho muito. Mas vou mencioná-lo, pois sei que muitas pessoas precisam ter a mesma modificação em sua vida, e eu descobri a fonte da mudança: um relacionamento com o Cristo vivo. Este aspecto de que falo é o ódio. Eu tinha muito ódio em minha vida. Não era um ódio que se exteriorizava, mas era algo que eu remoía interiormente. Estava sempre irritado com as pessoas, com as coisas, com problemas. Como muitas pessoas, eu era inseguro. Cada vez que conhecia alguém diferente, ela se tornava uma ameaça para mim.

Mas havia uma pessoa que eu odiava mais que qualquer outra – meu pai. Eu detestava até a sombra dele. Para mim, ele era o vagabundo da cidade. Se você mora numa cidade pequena e seu pai ou sua mãe é alcóolatra, então você sabe de que estou falando. Todo mundo sabe. Meus amigos na escola faziam piadas acerca de meu pai, bêbado, nos bares do centro. Não pensavam que aquilo me magoava. Eu era como certas pessoas, ria por fora, mas por dentro, chorava. Eu ia ao celeiro e via minha mãe marcada de tanto apanhar, caída sobre o esterco das vacas. Quando os amigos vinham visitar-me, eu levava meu pai para o celeiro e o amarrava lá, e escondia o carro; e depois dizia aos amigos que ele tivera de sair. Acho que ninguém poderia odiar uma pessoa mais do que odiei meu pai.

Depois que fiz minha decisão ao lado de Cristo – talvez cinco meses depois – entrou em meu coração um grande amor, proveniente de Deus, através de Jesus Cristo. Esse amor era tão forte, virou aquele ódio de cabeça para baixo. Pude olhar meu pai diretamente nos olhos e dizer: “Pai, eu o amo!” E eu estava sendo sincero ao dizer aquilo. Depois de todas as coisas que eu lhe havia feito, aquilo abalou-o muitíssimo.

Em seguida à minha transferência para uma universidade particular, sofri um acidente de carro, bem sério. Fui levado para casa com a cabeça numa tração. Nunca esquecerei como meu pai entrou em meu quarto e perguntou: “Filho, como você pode amar um pai como eu?” Respondi: “Papai, há seis meses, eu o desprezava.” E a seguir, contei-lhe de minhas conclusões acerca de Jesus Cristo: “Papai, deixei Cristo entrar em minha vida. Não sei explicar perfeitamente, mas em consequência desse relacionamento descobri a capacidade de amar e aceitar, não somente o senhor, mas outras pessoas da maneira como são.”

Quarenta e cinco minutos mais tarde aconteceu uma das maiores maravilhas de minha vida. Aquela pessoa de minha família, que me conhecia tão bem e a quem eu não poderia enganar, disse-me: “Filho, se Deus puder fazer em minha vida aquilo que o vir fazer na sua, então quero dar a ele a chance de fazê-lo.” E ali mesmo, meu pai orou comigo e confiou em Cristo.

Geralmente, as mudanças ocorrrem num período de vários dias, seis meses e até um ano. Minha vida foi transformada entre seis meses e um ano e meio. A vida de meu pai modificou-se bem diante de meus olhos. Foi como se alguém houvesse estendido a mão e acendido uma lâmpada. Nunca vira uma transformação tão rápida antes. Meu pai tocou em uísque apenas uma vez depois disso. Ele o levou aos lábios, mas foi só. Cheguei a uma conclusão. Um relacionamento transforma vidas.

Você pode rir do Cristianismo, pode zombar e ridicularizar. Mas ele realmente opera. Ele transforma vidas. Se você vier a confiar em Cristo, comece a observar suas atitudes e atos, pois a verdade é que Cristo ainda  hoje modifica vidas.

(Mais que um Carpinteiro. Josh McDowell. Editora Betânia. p.121-123)

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Gatos Pretos no Laboratório: Superstição e Ciência

O que torna as pessoas mais supersticiosas: o cientificismo fervoroso ou a crença religiosa fervorosa? Segundo informações de um artigo do MercatorNet “Will science banish superstition for ever?”  (A ciência banirá a superstição para sempre?), a resposta pode surpreender muita gente.

Na Grã-Bretanha (um dos países com maior índice de pessoas que dizem não acreditar em Deus), durante a Semana Nacional de Ciência, em 2003, o psicólogo da Universidade de Hertfordshire Richard Wiseman e associados pesquisaram ​​2.068 pessoas sobre o comportamento supersticioso. Eles descobriram, entre outras coisas, que:

Os níveis atuais de comportamento supersticioso e crenças no Reino Unido são surpreendentemente altos, mesmo entre aqueles com um “background” científico. Bater na madeira é a superstição mais popular do Reino Unido, seguida por cruzar os dedos, evitar escadas, não quebrar espelhos, carregar um amuleto da sorte e ter crenças supersticiosas sobre o número 13.

Vinte e cinco por cento das pessoas que alegavam ter um histórico de convívio com a ciência eram muito ou um pouco supersticiosos.

Entre outras considerações sobre o assunto, o artigo ainda informa que pesquisa realizada pela Scripps-Howard Ohio University, em 2008, mostrou que:

As pessoas que vêm frequentando a igreja recentemente e que se identificam como protestantes evangélicos nascidos-de-novo (convertidos) são muito menos propensos a afirmar terem visto OVNIs ou a acreditar na possibilidade de inteligência extraterrestre do que pessoas com pouco ou nenhum envolvimento com a religião organizada.

Para ler a íntegra do artigo em inglês, clique aqui:  MercatorNet