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Gênesis e História: Quanto Vale o que Está Escrito! – parte III

Como vimos na parte II  desta série, Dave Hawkins apresentou dois links para apoiar a noção de que a frase “estas são as gerações dos filhos de…” ocorre 11 vezes no livro de Gênesis e, de acordo com os métodos de escribas antigos, denota QUEM  registrou os eventos descritos. Isso é algo semelhante à prática moderna de escrever notas de rodapé. O que segue é a versão de parte do conteúdo do segundo link, que traz uma síntese de alguns capítulos do livro Ancient Records and the Structure of Gênesis, de P. J. Wiseman, atualizado (Registros Antigos e a Estrutura do Gênesis. Nashville: Thomas Nelson, Inc., 1985), com mais detalhes sobre o assunto.

O capítulo 4,  intitulado “Métodos dos escribas em 3000 a.C.”, começa por salientar que “um dos fatos mais marcantes que surgiu a partir das pesquisas arqueológicas, é o de que a arte da escrita começou nos mais remotos tempos históricos conhecidos pelo homem.” Já foram encontrados registros escritos tão antigos que remontam a 3500 a.C., mas é provável que a escrita seja tão antiga quanto o próprio homem – 4000 a.C. Wiseman discute o desenvolvimento da escrita desde as primeiras formas pictográficas até a escrita cuneiforme, e em seguida começa uma descrição das práticas dos antigos escribas. Ele trata dos tabletes de argila, do papiro e da história da decifração. Ele ressalta que não era prudente fazer tabletes de argila muito grandes, por razões óbvias e que, quando a extensão da escrita exigia mais do que um tablete, era necessário adotar um meio de preservar a sua seqüência correta. Isto tornou-se possível com o uso de títulos, linhas de conexão e numeração. O título era tirado da primeira palavra do primeiro tablete, seguido do número de série do tablete, assim como um título é muitas vezes repetido no cabeçalho de cada página de um livro e cada página é numerada. Como medida adicional de segurança, havia também a prática de usar “linhas de conexão”, que consistia em repetir as primeiras duas ou três palavras de uma página subseqüente no final da página anterior, como se vê nos tabletes babilônicos.

No capítulo 5, “A Chave para a Estrutura de Gênesis,” Wiseman demonstra que a chave mestra para o método de compilação que subjaz à estrutura do livro de Gênesis se encontra em uma compreensão da frase “Estas são as gerações de … ” Elas são encontradas em Gênesis 2:4, 5:1, 6:9, 10:1, 11:10, 11:27, 25:12, 25:19, 36:1, 36:9 e 37:2. É importante notar que a palavra “Gênesis” é o equivalente grego da palavra hebraica traduzida como “gerações” (toledoth) e o que temos de fato é um livro de histórias de família. O livro de Gênesis, portanto, contém 11 tabletes como seguem:

Tablete 1 Gn 1.1-2.4 Geração dos céus e da terra
Tablete 2 Gn 2.5-5.2 Geração de Adão
Tablete 3 Gn 5.3-6.9a História de Noé
Tablete 4 Gn 6.9b-10.1 História dos filhos de Noé
Tablete 5 Gn 10.2-1.10a História de Sem
Tablete 6 Gn 11.10b-11.27a História de Terá
Tabletes 7-8 Gn 11.27b-25.19a História de Ismael e de Isaque

Tabletes 9-11

Gn25.19b-37:2a História de Esaú e Jacó Isaque

Desta forma, Moisés indica claramente a fonte da informação disponível para ele e cita as pessoas que originalmente possuíam os tabletes dos quais ele extraiu seu conhecimento. Estas não são divisões arbitrariamente inventadas; elas são indicadas pelo autor como sendo a estrutura do livro.

Os estudiosos que dividiram a Bíblia em capítulos e versículos, obviamente, não entendiam isso e isso tem sido uma fonte de confusão. Quão claro seria se o livro de Gênesis fosse dividido em 11 capítulos, cada capítulo corresponde a uma toledoth(geração), ou uma história familiar com a “linha de assinatura” “Estas são as gerações de …”!
Wiseman aponta que a frase “estas são as gerações de …” não é uma introdução ou um prefácio à história de uma pessoa, como tantas vezes é imaginado, e ele entra em detalhes com provas que indicam  não ser este o caso. Ele passa a mostrar com muita documentação que a frase deve ser entendida como sendo a sentença de encerramento do registro já escrito e não uma introdução ao registro subseqüente. Wiseman apresenta muito suporte para esta posição, e vou citar dois itens. Em apoio a essas 11 divisões, cada uma com sua frase de conclusão “toledoth”/geração, considere que:

1) Em nenhum caso é registrado um evento que a pessoa ou pessoas nomeadas não poderiam ter escrito a partir de seu próprio conhecimento íntimo, ou ter obtido informações absolutamente confiáveis.

2) É muito importante notar que a história registrada nas seções descritas acima, termina em todas as instâncias antes da morte da pessoa nomeada, mas na maioria dos casos é continuada quase até a data da morte ou a data em que se declara que os tabletes foram escritos.

Em confirmação do primeiro ponto, é visto em um capítulo posterior que essas narrativas têm todas as marcas de terem sido escritas por aqueles que eram pessoalmente familiarizados com os eventos registrados … tais como a simplicidade dos relatos sobre o sol e a lua. Sol e lua são apresentados sem nomes … simplesmente referidos como a luz maior e a luz menor. Se o relato tivesse sido feito mais tarde, sem dúvida nomes teriam sido atribuídos como “Shamash” para o deus-sol (em acadiano Šamaš “Sol”). O primeiro capítulo é tão antigo que não contém nenhum material mítico ou lendário. Esses mitos e lendas ainda não tinham tido tempo para surgir. Não há qualquer vestígio de sistemas nacionalistas ou filosóficos. Nem o modo de pensamento babilônico, egípcio ou hebraico encontra lugar nesse capítulo. Gênesis 1:1 a 2:5 é puro. É certamente o limiar da história escrita. A verdade é que os relatos da criação e do dilúvio babilônicos são distorções grotescas do relato original.

Em confirmação ao segundo ponto, é significativo notar que, em quase todos os casos onde é aplicável, a história contida na seção indicada termina pouco antes da morte da pessoa cujo nome é dado no final do tablete. O tablete 1 não tem nome, ele simplesmente diz: “Estas são as gerações dos céus e da terra.” Ninguém poderia ter “assinado” esse tablete, a não ser o próprio Criador.

Wiseman conclui este capítulo com resumos de cada tablete mostrando a razoabilidade da teoria dos tabletes.

Uma das críticas levantadas contra o livro de Gênesis é a ordem da criação. Em Gênesis 1, os animais são criados antes do homem. Em Gênesis 2, a ordem é invertida. Esta dificuldade desaparece quando a natureza do livro do Gênesis é compreendida à luz da teoria dos tabletes. É bastante concebível que o primeiro tablete teve a intenção de dar um relato da seqüência de tempo da criação. O segundo tablete foi escrito por Adão e escrito com um foco sobre a humanidade e suas atividades, entre as quais a taxonomia do reino animal. Não há nenhuma boa razão para supor que Adão esteja contradizendo a ordem da criação do primeiro tablete. Ele está simplesmente enfatizando o pináculo da criação de Deus, o homem, e então preenchendo os detalhes do que ele considera ser as atividades mais importantes –  taxonomia do reino animal e a criação de sua esposa.

Continua…
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