Publicado em ciência, Eventos, Pensamentos, Perguntas e Respostas, Reflexões, Sermões

Argumentos Lógicos Não São Evidências?

Diz-se que um argumento convencerá um homem racional, e uma prova irá convencer até mesmo um homem irracional. Então, por que os chamados ateus insistem em evidências/provas? Numa discussão anterior, foi apresentada a afirmação de que argumentos lógicos não são evidências/provas. Aqui eu quero explorar esse comentário e ver se podemos pensar sobre a relação entre evidências e argumentos lógicos de uma forma que seja útil.

Primeiro quero fazer uma distinção entre dois tipos diferentes de evidências/provas. Primeiro, há a evidência física. Algo material, como cartuchos de balas, ferimentos de saída (perícia), DNA, fotografias, resultados de laboratório, etc. Tudo isso acessível, direta ou indiretamente, aos cinco sentidos.

Presumo que era esse o tipo de evidências/provas que se tinha em mente na afirmação “argumentos lógicos não são evidências” – ou seja, evidências/provas físicas. Assim como uma ponta de lança numa caverna pode ser tomada como evidência para a habitação humana dessa caverna. Ou como o arrepio ou tremor de um corpo pode ser considerado como evidência de que está frio.

O que é preocupante é que se evidência física é uma condição necessária para o conhecimento, então não deveríamos saber nada sobre verdades morais, valores estéticos e intuições metafísicas. Apesar disso, sabemos que torturar bebês é errado, que abrir sepulturas é algo macabro, que as cachoeiras são sublimes, que o passado é objetivo e  que outras mentes de fato existem. O calcanhar de Aquiles desta teoria epistemológica particular é que ela é auto-referencialmente incoerente. Se ela é racional, então se torna irracional por seus próprios méritos. Porque nenhuma evidência física é capaz de mostrar que “é necessário evidência para uma crença racional”. Se isto pudesse ser racionalmente afirmado e fosse verdade, então o cristão estaria em uma posição embaraçosa, pois uma implicação seria a de que não há esperança para uma crença racional em entidades não-físicas. Na verdade o critério, se adotado, eliminaria a possibilidade de alcançar uma crença racional em entidades não-físicas antes que qualquer discussão ou debate começasse.

Portanto, deve haver algo extremamente errado com esse critério. É por isso que eu gostaria de chamar a nossa atenção para outro tipo de evidência/prova chamada evidência-argumento. Evidência é, falando em termos gerais, aquilo que dá apoio a uma proposição ou reivindicação. Evidência-argumento é qualquer razão apresentada para defender a crença de que algo é verdadeiro ou falso. Isso não quer dizer que todas as evidências-argumento são boas provas/evidências. Mas quer apenas dizer que argumentos podem contar como prova/evidência, pelo fato de que eles também dão suporte para acreditar em alguma proposição ou reivindicação. Pode haver, evidentemente, contra-evidências que podem dissuadir alguma crença.

Para aqueles não inclinados a aceitar esta distinção traçada entre evidências físicas e evidências-argumentos, e para os que discordam que os argumentos podem contar como evidência, será útil considerar o seguinte:

A evidência física não fala. Isto é, todas as provas/evidências físicas passam pelo filtro de uma lente interpretativa e — mesmo que talvez isso não seja percebido pelo que as defendem — adquirem um determinado sentido que não era intrínseco ao objeto ou ao evento em si. Dito de outra forma, objetos materiais não têm voz para dizer o que eles significam. Tudo é interpretado por uma pessoa que traz consigo premissas adicionais de sua visão de mundo e de sua experiência acumulada.

Nós  todos já passamos pela experiência de dizer uma coisa, e duas pessoas entenderem coisas totalmente diferentes. Um fóssil dirá a um paleontólogo uma coisa. O mesmo fóssil dirá ao próximo paleontólogo outra coisa — e às vezes será até utilizado para apoiar teorias mutuamente exclusivas. No entanto, se a evidência física fosse tudo o que houvesse disponível para a investigação, como é então que teorias diferentes podem surgir a partir do mesmo objeto ou evento?

O que acontece é que em algum lugar entre uma descoberta de objetos e sua interpretação, premissas adicionais são acrescentadas. Essas premissas se combinam para formar argumentos. Espera-se, é claro, que esses argumentos sejam lógicos. Premissas diferentes apresentadas por perspectivas diferentes levam a conclusões diferentes. Assim, de certa forma, todas as provas/evidências são evidências-argumento, porque provas ou evidências físicas, por si mesmas, permanecem em silêncio e não nos dizem nada.

Fonte: Stuart (ThinkingMatters)
[*Imagem: Fóssil Ida, primeiramente alardeado por evolucionistas na mídia como “Darwiniun marsillae”, o achado extraordinário do “elo perdido” da evolução humana (um exemplo na mídia aqui) . Mais tarde, ganharia outro veredito: “o bicho é provavelmente só um primo antigo e esquisito dos lêmures.” (aqui).]
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s