Publicado em Comemorações, Eventos, Livros, Pensamentos, Reflexões, Testemunhos

“Eu Odiava Meu Pai”

Qual é a conexão entre uma relação restaurada com Deus e as relações em família? Seguem dois relatos da vida de cristãos conhecidos; momentos que retratam alguns aspectos do relacionamento específico entre pai e filho. O primeiro vem da História, dos primórdios da Reforma Protestante, mais precisamente da família do grande reformador Martinho Lutero. O segundo, mais contemporâneo, é o testemunho do conhecido apologista cristão Josh McDowell  (autor de Evidências que Exigem um Veredito, Respostas Àquelas Perguntas, entre outros livros), sobre o relacionamento que transformou sua vida.

No dia 02 de maio de 1507, frei Martinho devia rezar sua primeira missa. […] Acompanhado de vinte cavaleiros, o pai de Martinho havia vindo para assistir à solenidade. Não obstante muito contrariado com o passo arbitrário do filho de quem esperava um dia fosse jurista de renome, presenteou-o com vinte florins. Assentado entre gente do convento, com seu rosto de camponês, sulcado e tostado pelos anos de rude trabalho, foi perguntado pelo filho: “Querido pai, por que vos opusestes tão severamente e com tamanha indignação ao meu desejo de entrar no mosteiro, e talvez ainda neste momento continuais a não olhá-lo de muito bons olhos? É uma vida tão digna e tão divina!” O velho pai respondeu-lhe com toda a franqueza e na presença de padres, frades, ilustres mestres e doutores: “Vós doutos, não lestes nas Escrituras que devemos honrar pai e mãe? Contrário a este mandamento, me abandonaste a mim e tua querida mãe na velhice, quando já poderíamos esperar algum conforto e ajuda de tua parte depois de não termos poupado despesas com os teus estudos, indo tu para o convento contra a nossa vontade.”

Estas palavras atingiram o filho como um raio. Alegando que uma visão celeste o havia levado a tal decisão, o pai respondeu-lhe laconicamente: “Queira Deus não tenha sido aparição do diabo!”

(Frei Martinho, Restaurador da Verdade. Rodolpho Frederico Hasse. Concórdia Editora. p. 22)

             Ellen White escreveu em O Grande Conflito:

O pai de Lutero era homem de espírito forte e ativo, e de grande força de caráter, honesto, resoluto e correto. Era fiel às suas convicções de dever, fossem quais fossem as conseqüências. Seu genuíno bom senso levava-o a considerar com desconfiança a organização monástica. Ficou muito desgostoso quando Lutero, sem seu consentimento, entrou para o convento, só se reconciliando com o filho passados dois anos, e mesmo então suas opiniões permaneceram as mesmas.

(O Grande Conflito. Ellen White. Casa. p. 122)

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Há ainda outro aspecto do qual não me orgulho muito. Mas vou mencioná-lo, pois sei que muitas pessoas precisam ter a mesma modificação em sua vida, e eu descobri a fonte da mudança: um relacionamento com o Cristo vivo. Este aspecto de que falo é o ódio. Eu tinha muito ódio em minha vida. Não era um ódio que se exteriorizava, mas era algo que eu remoía interiormente. Estava sempre irritado com as pessoas, com as coisas, com problemas. Como muitas pessoas, eu era inseguro. Cada vez que conhecia alguém diferente, ela se tornava uma ameaça para mim.

Mas havia uma pessoa que eu odiava mais que qualquer outra – meu pai. Eu detestava até a sombra dele. Para mim, ele era o vagabundo da cidade. Se você mora numa cidade pequena e seu pai ou sua mãe é alcóolatra, então você sabe de que estou falando. Todo mundo sabe. Meus amigos na escola faziam piadas acerca de meu pai, bêbado, nos bares do centro. Não pensavam que aquilo me magoava. Eu era como certas pessoas, ria por fora, mas por dentro, chorava. Eu ia ao celeiro e via minha mãe marcada de tanto apanhar, caída sobre o esterco das vacas. Quando os amigos vinham visitar-me, eu levava meu pai para o celeiro e o amarrava lá, e escondia o carro; e depois dizia aos amigos que ele tivera de sair. Acho que ninguém poderia odiar uma pessoa mais do que odiei meu pai.

Depois que fiz minha decisão ao lado de Cristo – talvez cinco meses depois – entrou em meu coração um grande amor, proveniente de Deus, através de Jesus Cristo. Esse amor era tão forte, virou aquele ódio de cabeça para baixo. Pude olhar meu pai diretamente nos olhos e dizer: “Pai, eu o amo!” E eu estava sendo sincero ao dizer aquilo. Depois de todas as coisas que eu lhe havia feito, aquilo abalou-o muitíssimo.

Em seguida à minha transferência para uma universidade particular, sofri um acidente de carro, bem sério. Fui levado para casa com a cabeça numa tração. Nunca esquecerei como meu pai entrou em meu quarto e perguntou: “Filho, como você pode amar um pai como eu?” Respondi: “Papai, há seis meses, eu o desprezava.” E a seguir, contei-lhe de minhas conclusões acerca de Jesus Cristo: “Papai, deixei Cristo entrar em minha vida. Não sei explicar perfeitamente, mas em consequência desse relacionamento descobri a capacidade de amar e aceitar, não somente o senhor, mas outras pessoas da maneira como são.”

Quarenta e cinco minutos mais tarde aconteceu uma das maiores maravilhas de minha vida. Aquela pessoa de minha família, que me conhecia tão bem e a quem eu não poderia enganar, disse-me: “Filho, se Deus puder fazer em minha vida aquilo que o vir fazer na sua, então quero dar a ele a chance de fazê-lo.” E ali mesmo, meu pai orou comigo e confiou em Cristo.

Geralmente, as mudanças ocorrrem num período de vários dias, seis meses e até um ano. Minha vida foi transformada entre seis meses e um ano e meio. A vida de meu pai modificou-se bem diante de meus olhos. Foi como se alguém houvesse estendido a mão e acendido uma lâmpada. Nunca vira uma transformação tão rápida antes. Meu pai tocou em uísque apenas uma vez depois disso. Ele o levou aos lábios, mas foi só. Cheguei a uma conclusão. Um relacionamento transforma vidas.

Você pode rir do Cristianismo, pode zombar e ridicularizar. Mas ele realmente opera. Ele transforma vidas. Se você vier a confiar em Cristo, comece a observar suas atitudes e atos, pois a verdade é que Cristo ainda  hoje modifica vidas.

(Mais que um Carpinteiro. Josh McDowell. Editora Betânia. p.121-123)

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