Publicado em ciência, Notícias, Pensamentos, Perguntas e Respostas, Reflexões

A Evolução e a Liberdade Acadêmica

A notícia de que o site HypeScience  tomou a decisão de remover sumariamente “comentários de natureza criacionista que neguem a Teoria da Evolução das Espécies, a real idade da Terra ou do Universo e afins… por criarem discussões cíclicas inúteis”, além de gerar reflexões sobre direitos e deveres de administradores e visitantes de conteúdos na rede, leva naturalmente a conjecturas sobre a liberdade acadêmica. As “regras” da Academia (pesquisas, publicações, ensino etc) podem ser administradas na intenção de promover a liberdade de expressões acadêmicas divergentes, em busca (e em proveito) do conhecimento? Ou será que a mensagem da caricatura abaixo (SatirizingScientism) é que tem mais vinculação com a realidade?
Tower of London University
Memorando Interno
Do Chefe do Departamento de Ciências Naturais
Assunto: Liberdade Acadêmica
Caros Colegas não-titulares,
À medida que reflito sobre meus velhos tempos de professor “ainda não-titular”, tenho boas recordações de paranóias, crises nervosas, medicações, andar pisando em ovos, tentar descobrir a quem não ofender e como não ofender, saber quando fingir estar alinhado com a política partidária, etc.
Minha própria experiência me ajuda a criar tanta empatia em relação a cada um de vocês que me sinto no dever de escrever este memorando de encorajamento.
Já explicamos que em nosso departamento lidamos apenas com a ciência empírica embasada ​​pelas evidências esmagadoras da evolução, desde a “lagoa pantanosa”. O darwinismo é praticamente a base para tudo; então você é livre para descobrir como o seu trabalho pode provar ainda mais, refinar ou reforçar nossa multi-facetada hipótese  de trabalho.
Considerando nossa extraordinária atitude “mente-aberta” e científica, você é livre para fazer declarações como “Eu tenho dúvidas sobre o darwinismo” ou “Seleção Natural não guiada é um modelo totalmente inadequado para explicar a montagem de máquinas moleculares complexas” ou “Eu sou mais do que um conjunto aleatório de interações químicas” ou “Poderíamos estar errados?”
Nesse caso, claro, você ainda pode vir a ser titular e ainda lhe será concedida total liberdade para expressar suas opiniões. Seu período probatório será na Torre, onde você pode tentar convencer seu carcereiro dos seus erros até que um de vocês dois morra:
 
Este será o seu novo escritório como um membro do corpo docente titular!

Você também é livre para optar por qualquer um dos nossos atraentes planos de remuneração:

O “Plano socrático”.

Estes são grátis no laboratório!
Saúde!
Há, também, o Plano “Feira Medieval”.
“Próximo!”
E, finalmente, oferecemos nosso plano “Real” de indenização!
O mais popular!
Seu Chefe e amigo,
Charles “Charlie” Durwin, Ph.D.
Professor Livre Docente
Caricatura à parte, justiça seja feita. Pela citação que segue, o “memorando” poderia até não levar a assinatura de Darwin. Talvez a de alguns “chefes” mais modernos. 
“Estou bem a par do fato de existirem neste volume [A Origem das espécies] pouquíssimas afirmativas acerca das quais não se possam invocar diversos fatos passíveis de levar a conclusões diametralmente opostas àquelas às quais cheguei. Uma conclusão satisfatória só poderá ser alcançada através do exame e confronto dos fatos e argumentos em prol deste ou daquele ponto de vista, e tal coisa seria impossível de se fazer na presente obra” (Charles Darwin, A Origem das espécies, Belo Horizonte-Rio de Janeiro, Villa Rica, 1994, p. 36).
Fonte (com pequenas adaptações): SatirizingScientism

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