Publicado em ciência, Livros, Pensamentos, Perguntas e Respostas

Cristianismo, Ciência e o Discurso da Oposição

Brian Austen, que administra o excelente portal Apologetics 315, apresentou recentemente uma síntese do segundo capítulo do livro Is God Just a Human Invention? And Seventeen Other Questions Raised by the New Atheists (Deus é Só uma Invenção Humana? e Dezessete Outras Questões Levantadas pelo Neoateísmo), de Sean McDowell e Jonathan Morrow. Tanto os trechos citados do livro quanto a breve discussão que se seguiu tratam de aspectos importantes da relação entre ciência e religião e do discurso requentado de propaganda neoateísta que tenta caracterizar, ainda que às vezes de maneira indireta, o cristianismo como estando em oposição ao avanço científico.

O segundo capítulo aborda a alegação de que o cristianismo está em desacordo ou entra em conflito com a ciência. Em resposta a isso, os autores apontam para a influência positiva do cristianismo sobre a ciência,  como também para o número de pioneiros da ciência moderna que eram teístas. Eles descrevem a suposta perseguição a Galileu e corrigem alguns dos mitos modernos que parecem ter sido propagados sobre o episódio. Além disso, McDowell e Morrow apontam para o fato de que o cristianismo, na realidade, fornece a motivação e a base filosófica adequada para se fazer ciência, ao passo que o naturalismo está fundamentalmente em desacordo com o empreendimento científico. O apologista John Warwick Montgomery contribui com um ensaio intitulado “A fé fundamentada em fato”. Ele argumenta que a finitude do universo, seu início e seu ajuste fino apontam para um Criador.

Algumas citações interessantes (com versão livre deste blog):

Embora se acredite geralmente que a ciência e o cristianismo estejam em conflito, o oposto é que é realmente verdade. Não há nenhum conflito inerente entre o cristianismo e a ciência. Nós não pretendemos sugerir que o antagonismo religioso para com a ciência nunca tenha existido. Ele existiu e existe. Mas a história da ciência mostra que tais alegações de antagonismo são muitas vezes exageradas ou infundadas. (P. 33)

A definição dessas duas visões de mundo nos mostra a raiz do problema: o naturalismo e o teísmo estão em desacordo, e não a ciência e o cristianismo. O naturalismo é intrinsecamente ateísta porque não vê nada fora do mundo natural ou material. (p. 37)

A ciência depende da suposição de que o mundo é ordenado e que nossas mentes podem acessar esta realidade. Mesmo os cientistas mais seculares presumem que a natureza opera na forma de leis. Esta convicção é melhor explicada pelos pioneiros da Revolução Científica, que acreditavam que o cosmos é ordenado porque foi projetado pelo Criador racional do universo, o qual deseja que nós, como seres criados à sua imagem, entendamos, apreciemos e exploraremos sua criação. (p. 40)

Os comentários do próprio Brian em resposta a um leitor acrescentam informações relevantes.

Na cosmovisão ateísta, por exemplo, a razão é o resultado de processos aleatórios; assim, não há por que esperar que esses processos sejam confiáveis; e de acordo com a visão evolucionista, a evolução seleciona para a sobrevivência e não para a verdade.

Já na cosmovisão cristã, a razão é o resultado da criação de Deus; nesse caso, temos um meio para confiar que Deus nos deu sentidos confiáveis e habilidade de raciocínio. Uma das cosmovisões, portanto, provê um meio para confiar em nossa razão, a outra não.

Em resposta à objeção de que o cristão apenas assume a sua visão como correta em contraste com o ateu que, supostamente, admitiria poder estar errado, Brian explica que para chegar ao raciocínio acima não haveria a necessidade de saber qual das duas visões é a correta; basta saber que estas duas afirmações hipotéticas são verdadeiras:

  • Se o cristianismo é verdadeiro, então temos fundamento para confiar que  nossas habilidades de raciocínio nos levam a conclusões verdadeiras.
  • Se o ateísmo é verdadeiro, então não temos fundamento para confiar que nossas habilidades de raciocínio nos levam a conclusões verdadeiras.

Isso é suficiente para mostrar o que cada cosmovisão, se verdadeira, pode oferecer. De modo geral, tanto cristãos quanto ateus, ao fazerem ciência, assumem que nossos sentidos e habilidades de raciocínio são confiáveis. Mas quando se trata de determinar que cosmovisão fornece as pré-condições que permitem confiar nesses sentidos e na razão, é o cristianismo que as fornece, não o ateísmo.

Assim, como expresso em outro artigo, da autoria de Nancy Pearcey, o Cristianismo é um Estímulo, não um Obstáculo à Ciência.

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