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Não. Seres Humanos Não Têm Vestígio de Cauda

 
Um embrião humano após cerca de 7 semanas de desenvolvimento
 
Já escrevi  muito sobre o mito evolutivo dos órgãos vestigiais (aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), mostrando como várias  estruturas biológicas que os evolucionistas pensavam que fossem vestigiais são, de fato, bastante necessárias. O conceito de órgãos vestigiais é muito popular entre muitos evolucionistas, mas geralmente se resume a ignorância. Se os evolucionistas não sabem o uso de uma estrutura biológica, eles assumem que ela deve ser vestigial. Como é frequentemente o caso, no entanto, pesquisas mais aprofundadas mostram, em geral, que essa hipótese evolutiva é completamente errada, devido à nossa ignorância da estrutura em consideração.

Este conceito é frequentemente utilizado quando se estuda o desenvolvimento de embriões. Por causa do trabalho fraudulento de Ernst Haeckel, os evolucionistas promoveram por muito tempo o mito de que um embrião irá produzir vestígios de sua história evolutiva à medida que se desenvolve. Mais uma vez, isto é basicamente o resultado da ignorância. O desenvolvimento embrionário é um tanto difícil de estudar, por isso muitas vezes observamos coisas que nós não entendemos. Quando estas coisas se assemelham superficialmente a algo que supostamente se desenvolveu na história evolutiva do organismo que está sendo estudado, são muitas vezes apontadas como um vestígio da evolução.

Por exemplo, no livro Why Evolution is True? (Por que a evolução é verdadeira?) o Dr. Jerry Coyne tenta defender a idéia de que o embrião humano é coberto por um revestimento piloso fino, chamado lanugo, simplesmente porque isso é uma parte da herança evolutiva dos seres humanos. Ele diz que não há nenhuma razão para que um embrião humano seja coberto de pelos, mas que isso acontece porque os seres humanos evoluíram de um ancestral simiesco que estava coberto de pelos. O revestimento seria simplesmente um vestígio restante da parte da linhagem evolutiva humana. Como já salientado, isso é totalmente falso. Na verdade, o fino revestimento de pelos que os embriões humanos têm é extremamente importante para o seu desenvolvimento, e a idéia de que isso é um vestígio remanescente da evolução é apenas resultado da ignorância quando se trata do desenvolvimento embrionário humano.

Pois bem, em uma discussão em um grupo do Facebook que tive recentemente, a conversa pendeu para a suposta “cauda” que os embriões humanos têm no início de seu desenvolvimento. Isso é um mito popular, mas é totalmente falso, e eu pensei em postar sobre isso para que outros se beneficiem de uma análise científica moderna desta importante estrutura embrionária.

Como você pode ver na fotografia de um embrião humano acima, existe uma estrutura (apontada na figura) que se assemelha a uma cauda. A estrutura eventualmente desaparece, mas é uma parte muito notável do embrião enquanto ela está presente. Os evolucionistas há muito ensinaram que este é um vestígio remanescente de quando os nossos antepassados tinham caudas (1),  mas agora sabemos que tal idéia é simplesmente 100% falsa.

Como se observa na foto, a estrutura que os evolucionistas chamaram de cauda vestigial é, de fato, a eminência caudal, e não tem nada a ver com uma cauda. Em 2004, um importante estudo foi publicado na revista Cells Tissues Organsem. Estudou 52 diferentes embriões humanos em diferentes fases de desenvolvimento, e reavaliou nosso conhecimento do desenvolvimento embrionário humano. Nesse estudo, os autores observam:

A eminência produz a parte caudal do notocórdio e, após o fechamento do neuróporo caudal, todas as estruturas caudais, mas não produz nem mesmo uma “cauda” temporária no humano.(2)

No caso de você não estar ciente, “caudal” é um termo direcional em anatomia, referindo-se ao posterior do organismo a ser estudado. No final, então, este estudo mostrou que a eminência caudal realmente não tem nada a ver com uma cauda.

Então, o que é a eminência caudal? É uma estrutura neurológica que é necessária para o desenvolvimento da medula espinal e muitas outras estruturas caudais. John Alan Kiernan e Murray Llewellyn Barr provavelmente explicam melhor no texto Barr’s The Human Nervous System: An Anatomical Viewpoint.  Ao discutirem o desenvolvimento da medula espinal, eles dizem:

Mais caudalmente, a medula espinal é formada pela ‘neurulação secundária’, que é a coalescência de uma cadeia de vesículas que se torna contínua com o lúmen do tubo neural cerca de três semanas após o fechamento do neuróporo caudal. As vesículas são derivadas da eminência caudal, uma massa de células pluripotentes localizadas na parte dorsal ao cóccix em desenvolvimento.(3)

Como você já deve saber, o termo “pluripotentes” se refere a células que podem se desenvolver em muitos tipos diferentes de células, dependendo das instruções que recebem.

Assim, vemos que longe de ser algum remanescente de uma cauda, a eminência caudal é a fonte de células que são usadas para produzir vesículas que são essenciais para o desenvolvimento da medula espinal. Como detalhado no estudo de 2004 que citei anteriormente, ela também produz outras estruturas caudais. É por isso que é uma massa de células pluripotentes – que é a fonte de células que se desenvolvem em várias estruturas. Ela eventualmente desaparece, é claro, porque a  medula espinal e as outras estruturas caudais são eventualmente completadas, e o embrião já não tem uma necessidade para as células pluripotentes. Em alguns casos de desenvolvimento anormal, a eminência caudal não vai embora, e a criança nasce com uma massa de tecido que se estende do posterior. Embora esta se assemelhe a uma cauda cônica, é simplesmente uma massa de carne que pode ser facilmente cortada.

Como você pode ver, portanto, a idéia de que os embriões humanos têm caudas temporárias durante o seu desenvolvimento embrionário foi totalmente desacreditada na literatura científica. A única questão que permanece é quanto tempo os evolucionistas irão continuar a usar esse mito para promover sua hipótese falha.

Referências:

1. David Krogh, Biology: a Guide to the Natural World, Pearson Education, 2005, p. 467
2. Müller F and O’Rahilly R., “The primitive streak, the caudal eminence and related structures in staged human embryos,” Cells Tissues Organs. 177(1):2-20, 2004
3. John Alan Kiernan and Murray Llewellyn Barr, Barr’s The Human Nervous System: An Anatomical Viewpoint, Ninth Edition, Lippincott Williams & Wilkins, 2008, p. 5

Fonte: Dr. Jay L. Wile  (Proslogion)

 

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4 comentários em “Não. Seres Humanos Não Têm Vestígio de Cauda

  1. Já nasceram humanos com caudas totalmente funcionais, com estrutura óssea, podendo ser controlada pelo indivíduo. Ou seja, a cauda se mechia. Se chimpanzé nascer com cauda todo mundo vai dizer que é cauda, mas se nasce em humano os criacionistas não aceitam.

  2. Sem saber exatamente que situação específica é referida (há vários tipos de anomalias, com presença óssea ou não, mas não se conhece, na literatura médica, nenhum registro em humanos de “cauda verdadeira” óssea), mas isso não refuta o que Dr. Wile expõe: “a eminência caudal realmente não tem nada a ver com uma cauda”.
    Como dito na postagem, “em alguns casos de desenvolvimento anormal, a eminência caudal não vai embora, e a criança nasce com uma massa de tecido que se estende do posterior. Embora esta se assemelhe a uma cauda cônica, é simplesmente uma massa de carne que pode ser facilmente cortada”.
    Anormalidades como essa (e podemos pensar em várias outras) podem ocorrer. Mas em termos científicos, isso nada tem a ver com “vestígios” de “ancestrais”.

  3. existem caudas falsas (massa de tecido) e as caudas verdadeiras, bem mais raras que são funcionais e possuem nervos músculos etc.

  4. “existem caudas falsas (massa de tecido) e as caudas verdadeiras, bem mais raras que são funcionais e possuem nervos músculos etc.”

    Se nos apresentassem duas notas de 3 reais e apenas uma delas trouxesse o valor por extenso e a frase “Deus seja louvado”, isso faria com que esta nota se tornasse “verdadeira” no Sistema Financeiro, ou as duas continuariam sendo falsas?

    Para evitar apenas listar “links” sobre o assunto, segue um rascunho um tanto extenso para um comentário, na tentativa de resumir alguns pontos:

    Seria no mínimo curioso (para não dizer bombástico) o registro, na literatura médica, do nascimento de um ser humano com estrutura que mereça, de fato, a denominação de “cauda” genuína. O fato de que tal “evidência” não seja exibida em nenhum lugar como um “troféu” darwiniano diz muito. A realidade, claro, é outra: os casos raros das anomalias a que chamam “cauda” em humanos até hoje documentados não possuem correspondência com as características estruturais de caudas no mundo animal: por exemplo, em geral, todas as caudas dos mamíferos que as possuem contêm vértebras, o que, obviamente, nunca se registrou em humanos. Não contam como registro, obviamente, os trabalhos fantasiosos feitos com a ajuda do Photoshop (é verdade: alguns, para fazer “colar” e disseminar essa ideia “evoilusionista”, já usaram mesmo imagens criadas com o programinha!).

    Nesse ponto, o que a literatura científica tem mostrado na “vida real” é que as “caudas” arbitrariamente rotuladas de “verdadeiras” pelos evolucionistas são, em termos estruturais, ainda mais “falsas” (se se pode dizer assim) do que aquelas que eles próprios já admitem serem falsas. Não há nelas (nas que eles chamam de “verdadeiras”) nada de ossos, vértebras, notocorda ou medula espinhal. Ao contrário do que alguns propagam sem evidência, essas excrescências também não são resultado de desativação/ativação de gene “vestigial”. Embora as causas específicas desses defeitos de formação não sejam completamente claras, eles são vistos como “distúrbio no desenvolvimento embrionário e não regressão no processo evolutivo” (Pediatric Neurology, 19, n. 3, 1998). A própria presença dessas deformações pode indicar outros problemas no desenvolvimento, servindo de alerta para a realização de exames apropriados para confirmação. Quem lida diretamente com esses casos pode afirmar que, considerando os vários tipos de deformidades (formas e localização), o que se chama arbitrariamente “cauda” poderia se chamar também arbitrariamente “braço”, “perna”, etc.

    Em termos científicos (e este talvez seja o ponto mais relevante), não há nenhuma demonstração de que essas raras anomalias sejam “vestígios” de cauda, muito menos de cauda de presumidos “ancestrais”. Ainda bem que, em vez de simplesmente engolir mais essa “estória” evolucionista, a Ciência avançou nas pesquisas (a invenção da ressonância magnética foi de grande auxílio para associar esses defeitos com o disrafismo, por exemplo). Sem esses progressos científicos e apenas limitada à ignorância, a sociedade estaria em situação bem vulnerável à desinformação: imaginem as fantásticas “estórias” que algumas mentes férteis evolucionistas seriam capazes de criar e propalar com base em outras deformações (os recentes surtos de microcefalia, por exemplo). Viva o avanço da boa Ciência!

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