Publicado em ciência, Comemorações, Eventos, Pensamentos, Pesquisas, Reflexões, Testemunhos

Os Adventistas e o Mundo Sem Tabaco

No filme “O Discurso do Rei”, grande vencedor do Oscar 2011, numa cena que retrata o primeiro encontro entre o príncipe inglês George e o doutor Lionel Logue, ocorre o seguinte diálogo:

George – [esboçando a intenção de acender um cigarro] …

Lionel – Por favor, não faça isso.

George – Como é?

Lionel – Creio que encher seu pulmão de fumaça o matará.

George – Meus médicos dizem que relaxa a…a garganta.

Lionel – Eles são idiotas.

George – Foram todos nomeados cavaleiros.

Lionel – São idiotas oficiais, então.

A cena retrata, em certa medida, o modo como o tabagismo era visto pela comunidade médica nas primeiras décadas do séc. XX, o que nos faz refletir sobre o quanto o pensamento “oficial” a respeito do assunto se alterou ao longo dos anos. O panorama nessa questão mudou tanto que hoje poucos sabem que o cigarro já foi receitado como “remédio” para asma ou que muitos fumantes foram aconselhados a não abandonar o cigarro, já que deixar o vício, na visão de alguns médicos, poderia ocasionar a morte de quem estava habituado a ele. Ainda na virada do séc XIX para o séc. XX, num contexto médico altamente condescendente com o tabagismo,  chama a atenção a voz de alguém que, mesmo possuindo pouquíssima educação formal, condenava o hábito de fumar com a autoridade de quem tinha recebido a responsabilidade de instruir a população quanto ao viver saudável.

Os pulmões da criancinha sofrem, e ficam enfermos pelo inalar a atmosfera de um aposento envenenado pelo hálito poluído do fumante. Muitas crianças ficam envenenadas além da possibilidade de cura por dormirem na cama com pais que usam o fumo. Inalando as venenosas exalações do fumo, expelidas pelos pulmões e poros da pele, o organismo da criança enche-se de veneno. Se bem que ele atue em algumas criancinhas como veneno lento, e afete o cérebro, o coração, o fígado e os pulmões, e elas se consomem e definhem gradualmente, em outras exerce uma influência mais direta, ocasionando espasmos, ataques, paralisia e morte súbita. Ellen White, Health Reformer, janeiro de 1872.

Diante do conhecimento de que dispomos hoje, ninguém tem a menor dificuldade em conjecturar sobre os diversos malefícios do fumo. Mas dado o contexto da época, o pensamento de Ellen White não poderia ser recebido na comunidade adventista de outra forma a não ser como uma ousada e inovadora orientação para transformação da realidade social no campo da saúde.

Ela própria narra as primeiras ações da igreja no sentido de reformar o pensamento e a prática médica da época:

Enquanto falávamos, pedimos que se erguessem aqueles que haviam sido dados ao fumo, mas que o haviam abandonado por completo em face do esclarecimento recebido mediante a verdade. Em resposta, puseram-se de pé de trinta e cinco a quarenta pessoas, dez ou doze das quais eram mulheres. Convidamos então a levantarem-se aqueles a quem havia sido declarado por médicos que lhes seria fatal deixar o uso do fumo, devido a se acharem tão habituados a seu falso estímulo que não poderiam viver sem ele. Em resposta, oito pessoas, cujos semblantes indicavam saúde de mente e de corpo, puseram-se de pé. Review and Herald, 23 de agosto de 1877

Como se vê, desde os primeiros anos de sua organização, a Igreja Adventista tem-se destacado na educação para a saúde e na restauração do bem-estar. O exemplo de Cristo, o Médico dos médicos, associado à lembrança de Ellen White de que “durante Seu ministério, Jesus dedicou mais tempo a curar os enfermos do que a pregar”,  continua a ser a inspiração. Ações voltadas para a recuperação de fumantes, por exemplo, passaram a integrar o estilo de vida e de evangelismo adventista. Só no Brasil, estima-se que mais de um milhão de pessoas já foram beneficiadas com as orientações do curso Como Deixar de Fumar em 5 dias (neste link a visão de um dos idealizadores), uma campanha tradicional da igreja.

Em minha própria experiência ao participar na coordenação de alguns desses cursos, pude ver a luta de muitos que desejavam desesperadamente parar de fumar. Pude ouvir o testemunho de ex-fumantes que venceram o hábito e relatos emocionados, ao final do curso, sobre a sensação de voltar a respirar bem, o prazer de ter o paladar restaurado ou a alegria de poder abraçar filhos e netos sem o constrangimento de vê-los se afastarem em razão do desagradável cheiro do cigarro.

(Veja aqui o que afirma um ex-fumante e ex-participante do curso)

Este 31 de maio – Dia Mundial Sem Tabaco – é mais uma oportunidade para reflexão e ação. Não adie sua decisão de parar de fumar. Nessa questão, tome um caminho diferente daquele trilhado pelo Rei George VI. Infelizmente, no caso de Sua Majestade, há o registro de que o “excesso de fumo, ajuntado ao estresse da Segunda Grande Guerra foi somatório que levou ao agravamento da frágil constituição e a  trombose de uma das pernas, pneumonia, câncer de pulmão (pelo excesso de cigarros), vindo a falecer de embolia coronariana aos 56 anos.”

Felizmente, hoje muitos já sabem que depois de 10 anos do abandono do cigarro, o risco de câncer de pulmão para o ex-fumante é praticamente o mesmo de alguém que nunca fumou. Vale a pena o esforço para reconquistar a saúde. Procure uma igreja adventista mais próxima de sua casa ou os órgãos governamentais de saúde na sua região.  Busque informações sobre as ações voltadas para os que desejam parar de fumar e tome a decisão sábia de, pela graça de Deus, ser mais um vencedor.

Uma reflexão à parte e também um importante ponto de pesquisa: onde Ellen White obtinha orientações tão avançadas e de impacto tão significativo no campo da saúde?

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