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A Estrela de Belém e Ellen White

Existem boas fontes extrabíblicas que confirmem os eventos relacionados com os magos e a estrela de Belém? Respondendo a uma pergunta sobre este assunto, Steve, do blogue Triablogue, informa que há um bom número de monografias inteiras dedicadas ao assunto. Ele indica a seguinte lista:

Mark Kidger, The Star of Bethlehem (A Estrela de Belém):

http://books.google.com/books?id=_ISv1gPQJV4C&source=gbs_navlinks_s

Michael Molnar, The Star of Bethlehem (A Estrela de Belém):

http://books.google.com/books/about/The_Star_of_Bethlehem.html?id=GXUTibYxdDcC

Ernest Martin, The Star That Astonished the World (A Estrela que Surpreendeu o Mundo):

http://www.askelm.com/star/index.asp

Alguns capítulos de livros que discutem a questão:

Edwin Yamauchi, Persia and the Bible (A Pérsia e a Bíblia), chap. 13.

Paul Maier, In the Fullness of Time (Na Plenitudes do Tempo), chap. 7.

http://books.google.com/books/about/In_the_Fullness_of_Time.html?id=Hnb67CuoHugC

D. C. Allison, Studies in Matthew: Interpretation Past and Present (Estudos em Mateus: Interpretação, Passado e Presente), 17-41.

http://books.google.com/books/about/Studies_in_Matthew.html?id=UokRAQAAIAAJ

Edwin Yamauchi, “The Episode of the Magi” (“O Episódio dos Magos”):

http://books.google.com/books/about/Chronos_Kairos_Christos.html?id=UCBBY_O88uYC

Material on line sobre astronomia/astrologia antiga:

http://www.sacred-texts.com/astro/argr/index.htm

http://www.smoe.org/arcana/astrol1.html

E esta análise:

http://bylogos.blogspot.com/2010/12/star-of-bethlehem.html

Isso não significa, no entanto, que exista alguma fonte específica extrabíblica que se refira à visita dos magos. Steve afirma que esta não seria uma expectativa razoável a princípio, mas informa que há material de pano de fundo geral consistente com o registro de Mateus, assim como tentativas detalhadas de alguns estudiosos de relacionar a estrela de Belém com notícias astronômicas antigas.

O interessante é que, segundo Steve, os leitores antigos não necessariamente igualavam estrelas a objetos naturais. Algumas vezes eles viam as estrelas como objetos sobrenaturais. Ele diz o seguinte:

Há o perigo de que um leitor moderno projete sua preconcepção astronômica de volta para o texto antigo. Mas isso não é necessariamente a forma como os leitores originais iriam entender o texto.
Por exemplo, na literatura judaica antiga, as estrelas são muitas vezes associadas com os anjos. Assim, um leitor de Mateus do primeiro século poderia  interpretar a “estrela” como um anjo guia luminoso. Nesse caso, seria um fenômeno local. Não observável de maneira geral, e não algo que você poderia correlacionar com as estrelas reais ou conjunções estelares. O comportamento da estrela de Belém é errático, e um leitor antigo certamente teria notado isso. Astrônomos antigos estavam cientes do fato de que as estrelas se comportavam em padrões cíclicos, regulares, como uma lei. Mesmo o  movimento retrógrado era regular. Foi essa previsibilidade que tornou possível os antigos mapas de estrelas, bem como algumas previsões astronômicas. Assim, dado o comportamento irregular, anômalo (mesmo para os padrões antigos) da estrela de Belém, minha suspeita é de que os leitores antigos a teriam tomado como um fenômeno sobrenatural e, provavelmente, um agente pessoal.

********

Depois de ler a conclusão acima, deixei um comentário em que eu afirmava acreditar na seguinte informação:

“…Não era uma estrela fixa, nem um planeta, e o fenômeno despertou o mais vivo interesse. Aquela estrela era um longínquo grupo de anjos resplandecentes, mas isso os sábios ignoravam. Tiveram, todavia, a impressão de que aquela estrela tinha para eles significado especial.”

Como a citação é da  escritora adventista Ellen White, um comentarista frequente no blog respondeu, em tom respeitoso, que os escritos de Ellen White são plágios e que ela reivindicava ter recebido muito das coisas que escreveu como revelação direta de Deus, mesmo sendo possível documentar que ela copiou grandes porções de outros escritores.

Obviamente, isso introduzia outra discussão. Em tom não menos respeitoso, respondi ao comentário. Infelizmente, mesmo depois de três ou quatro tentativas com diferentes configurações (número reduzido de caracteres, publicação em outra caixa de resposta no mesmo post…), a resposta, em linhas gerais como segue, não foi publicada pelo blogue.

A observação inicial que fiz é que o comentário parece se apoiar em algumas premissas ocultas em relação ao assunto da natureza da inspiração.

Primeiro, não há nenhum critério de inspiração bíblica que estabeleça que uma verdade revelada não possa ser encontrada também naquilo que foi registrado (a mesma verdade) em outras fontes. Segundo, não conheço nenhuma critério relativo a inspiração em que um profeta ou um escritor bíblico, dado o contexto de seu tempo, deva ser rejeitado por não fornecer cada uma das fontes que ele ou ela pode ter usado direta ou indiretamente para comunicar sua mensagem. Não se vê esse padrão nos escritos de Lucas (Atos 1), Paulo (I Coríntios 15), por exemplo, e, tanto quanto eu saiba, em nenhum outro “autor” da Bíblia.

Dito isto, o comentário fica reduzido, então, a uma espécie de “ad hominem” (um ataque ao caráter de uma pessoa).

Assim, quanto à acusação de “plágio”, eu encorajo todos a estudar o assunto, a começar por um exame honesto do significado de “plagiar” em um contexto de tempo adequado. Por exemplo, foram os escritores dos evangelhos plagiadores? Segue uma citação da página oficial do WhiteState:

Um paralelo esclarecedor é encontrado na relação entre os evangelhos. Mais de 90% do evangelho de Marcos tem paralelismo com passagens de Mateus e Lucas. Mesmo assim, estudiosos contemporâneos de crítica bíblica têm chegado à conclusão de que embora Mateus, Marcos e Lucas tenham usado materiais em comum, cada um pode com justiça ser considerado um autor distinto dos outros. Numa certa época, na infância da crítica textual, os expoentes da alta crítica  achavam que os escritores dos evangelhos não passavam de meros plagiadores que copiavam e colavam uns dos outros. Agora os estudiosos da crítica textual percebem que o estudo literário não está completo até que eles ultrapassem a mera catalogação de passagens paralelas e passem para a questão mais significativa de como o material emprestado foi utilizado por cada autor para fazer seu próprio relato singular.

Teria Ellen White atribuído a visões de Deus conhecimentos que ela simplesmente aprendeu e copiou de outros? Além de ser algo praticamente impossível de provar (e devemos ter em mente a singularidade de alguns aspectos da escatologia e da teologia adventista), a forma honesta como ela se refere ao uso natural de fontes literárias, entre outras claras evidências, não combina com a acusação. Na introdução de um de seus livros mais populares, ela escreveu:

Em alguns casos em que algum historiador agrupou os fatos de tal modo a proporcionar, em breve, uma visão compreensiva do assunto, ou resumiu convenientemente os pormenores, suas palavras foram citadas textualmente; nalguns outros casos, porém, não se nomeou o autor, visto como as transcrições não são feitas com o propósito de citar aquele escritor como autoridade, mas porque sua declaração provê uma apresentação do assunto, pronta e positiva. Narrando a experiência e perspectivas dos que levam avante a obra da Reforma em nosso próprio tempo, fez-se uso semelhante de suas obras publicadas.

Apontando para o contexto de sua época, a virada do século XIX para o século XX, indiquei mais uma citação do WhiteState:

[…] Vincent L. Ramik [não adventista do sétimo dia], especialista em marcas, patentes e casos de direitos autorais. Depois de pesquisar cerca de 1.000 casos de direitos autorais na história legal americana, Ramik emitiu um parecer legal de 27 páginas em que ele concluiu que “Ellen White não era plagiária, e suas obras não constituem violação de direitos autorais/pirataria …”

A acusação pessoal, portanto, é desprovida de embasamento, além de revelar uma possível má compreensão do assunto da inspiração e do princípio “sola scriptura”. Sobre isso, vale a pena relembrar aqui o pensamento esclarecedor do pioneiro adventista Urias Smith:

O princípio protestante de “A Bíblia, e a Bíblia somente” é em si mesmo bom e verdadeiro; e estamos fundamentados nele tão firmemente quanto podemos; mas quando ele é reiterado em conexão com denúncias abertas das visões, tem uma aparência enganosa para o mal. Assim usado, ele contém uma insinuação dissimulada, eficientemente calculada para torcer a opinião dos incautos, fazendo-os acreditar que crer nas visões é abandonar a Bíblia, e que apegar-se à Bíblia é descartar as visões. … Quando afirmamos estar fundamentados na Bíblia e na Bíblia somente, nos comprometemos a receber, inequívoca e plenamente, tudo o que a Bíblia ensina.

Por fim, expressei,  no comentário não publicado, minha confiança de que os leitores cristãos desses e de outros comentários sobre Ellen White seriam “bereanos” em relação tanto às acusações que lhe são feitas quanto ao assunto geral da inspiração. Particularmente, não encontro nenhum apoio na evidência textual para a alegação de que os escritores dos evangelhos tenham sido homens desonestos. Muito pelo contrário. Da mesma forma, acredito que as acusações infundadas “papagueadas” contra Ellen White são dissipadas da mente de estudiosos sinceros quando estes realmente leem as obras que ela escreveu, descobrem a real cristã que ela foi, avaliam e percebem os bons frutos (efeitos) de seus escritos em sua própria experiência cristã:

Aquele que deseja conhecer a verdade não tem nada a temer quanto à investigação da Palavra de Deus. No entanto desde o início da investigação, o pesquisador deve lançar fora todo o preconceito, deixar de lado toda opinião preconcebida e estar atento para ouvir a voz de Deus por meio de Seus mensageiros. Opiniões cultivadas, costumes e hábitos há muito tempo praticados devem ser submetidos ao teste das Escrituras; e se a Palavra de Deus se opuser às suas visões, para o seu próprio bem, não distorça as Escrituras, como muitos fazem para a própria perdição a fim de fazer parecer que a Palavra de Deus apoia seus erros. Que sua indagação seja: O que é a verdade? E não: o que até agora creio ser a verdade? […] Todas as profissões de fé, todas as doutrinas e credos, por mais sagrados que tenham sido considerados, devem ser rejeitados se estiverem em contradição com as claras instruções da Palavra de Deus. (Review and Herald, 25.03.1902)

Muitas das questões levantadas repetidamente sobre o assunto são respondidas neste documento do Centro White, que recomendo aos pesquisadores: leia aqui.

Fontes:
Triablogue
Centro White

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