Publicado em Livros, Perguntas e Respostas, Reflexões

Se Você Tivesse Nascido em Outro País, Seria um Cristão?

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Esta é uma pergunta muito comum:
 “Se você tivesse nascido em outro país, um lugar como Arábia Saudita, Egito ou Irã, você ainda seria um cristão?”

A resposta presumida, a partir de um olhar honesto sobre a demografia, é simples: seria muito improvável (embora você possa se surpreender ao saber que, em 2000, 60% de todos os cristãos viviam na África, América Latina ou Ásia).

Normalmente, o próximo passo implícito é sugerir: “então, como você pode ter certeza de que o cristianismo é verdadeiro?” Se a base principal para suas crenças vem do fato de você ter nascido em um determinado lugar, pode ser que ela não tenha o tipo certo de apoio racional.

Embora este pareça ser um argumento convincente contra a fé, vamos olhá-lo mais de perto. Duas perguntas:

1. Se você tivesse nascido em outro país, como o Irã, você ainda acreditaria que as mulheres não devem ser punidas pelo governo em razão de como se vestem (uso obrigatório do “hijab”, vestimenta prescrita pelo islamismo para as mulheres)?

2. Se você tivesse nascido em outro século, como o século X , você ainda acreditaria na relatividade especial?

Em ambas as situações, a resposta é “muito pouco provável”, ou simplesmente “não”.

Mas e daí? Diante disso, devemos duvidar quanto à questão do “hijab”? Deveríamos suspender a nossa aceitação da relatividade especial?

Claro que não. E por que não? Vejamos três razões :

1. Confirmação independente

O principal motivo que temos para aceitar a relatividade especial, por exemplo, é que esta teoria conta com o apoio científico abundante. Que ela também possa ser amplamente aceita como verdadeira pela nossa família ou nossa cultura é totalmente irrelevante para determinar se a relatividade especial, de fato, descreve com precisão a realidade e se somos racionais em aceitar a relatividade especial como uma teoria verdadeira.

Da mesma forma, com o cristianismo (e deveria ser assim com qualquer religião ou afiliação política), o principal motivo para acreditar nele é porque a visão de mundo é verdadeira e conta com apoio racional abundante. Por exemplo, o argumento teleológico e o cosmológico apoiam o teísmo, e as evidências históricas para a ressurreição apoiam o cristianismo em particular.

2. Falácia genética

O principal problema com a objeção “se você tivesse nascido em outro país…” é que ela é um tipo de falácia genética:

É falacioso endorsar ou condenar uma idéia com base em seu passado, e não em seus méritos e deméritos atuais, a menos que seu passado de alguma forma afete o seu valor presente.

Ou seja, nós cometemos um erro de raciocínio quando apontamos para a “origem” da crença de uma pessoa (seja sua infância ou seu processo de socialização) em vez de lidar com as “reais/atuais” razões oferecidas em apoio àquela crença.

Portanto, “se você tivesse nascido em outro país…” chama a atenção para uma questão irrelevante . Em vez disso, faz mais sentido perguntar uns aos outros: “Que razões há para pensar que o cristianismo é verdadeiro?”

3. Auto-refutação

A objeção “se você tivesse nascido em outro país…” pode ser parte de uma espécie de apologia ao agnosticismo religioso. Mas já que provavelmente acreditaríamos fortemente que uma religião específica é verdadeira ainda que tivéssemos nascido em um lugar diferente, não é certo, então, que o agnosticismo religioso seja verdadeiro. Assim, podemos ver que a objeção “se você tivesse nascido em outro país” é auto-refutante.

O princípio geral é que se essa objeção visa desestabilizar o cristianismo, ela funciona igualmente bem para desestabilizar qualquer outra posição, incluindo a posição de quem levanta o argumento, uma vez que todos nós poderíamos ter nascido em outro lugar.

Conclusão: em nível pessoal

Argumentos à parte, eu posso ver  como essa pergunta pode parecer uma ameaça para algumas pessoas. Afinal, se, após alguma reflexão, você percebe que tem mantido determinada crença só porque todo mundo o faz, isso pode servir como um sinal de alerta! Se você realmente não têm quaisquer razões para acreditar em algo importante, mas apenas aceita-o por força do hábito, isso pode ser um problema sério.

Vale relembrar que isso funciona nos dois sentidos: você é um agnóstico ou ateu simplesmente porque sua família ou amigos pensam que isso é melhor? Você deve encontrar apoio racional mais forte do que ir junto com a multidão! Você é cristão só porque sua mãe disse que deve ser assim? Tempo para ler mais e realmente pensar sobre evidências (mais uma razão pela qual precisamos de apologética em cada igreja).

A questão importante não é onde nós nascemos, mas em que acreditamos. Então, vamos focar as questões relevantes: são as nossas crenças verdadeiras? Por que sim? Ou por que não?

Fonte: Carson Weitnauer (ReasonForGod)
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Um comentário em “Se Você Tivesse Nascido em Outro País, Seria um Cristão?

  1. Sim, pra mim é evidente que muito provavelmente uma pessoa segue a fé do lugar e da cultura em que nasceu. Isso é óbvio demais para ser refutado. O que não significa que não haja exceções, mudanças em todos os sentidos, seja para outra confissão de fé ou para o ateísmo, ou agnosticismo. É isso.

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