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John Lennox: Não Confunda o “Motor Ford” com o “Doutor Ford”

 

 

Alguns céticos do cristianismo são conhecidos por argumentar que o grande sucesso da ciência, ao revelar os mecanismos físicos do universo, deve nos levar a concluir que a hipótese “Deus” é totalmente desnecessária. “A ciência acabará por revelar as leis da natureza e, uma vez conhecidas essas leis, a necessidade de Deus terá desaparecido”. É o que pensam. Isso faz sentido? Não de acordo com o professor, filósofo e matemático da Universidade de Oxford John Lennox. Em seu livro “God’s Undertaker“, Lennox afirma: “Tal raciocínio envolve uma falácia lógica comum.”

Veja como ele ilustra a falácia nesta citação (tradução de trecho de um capítulo da obra “Beyond Opinion: Living the Faith We Defend“):

O sucesso da ciência às vezes leva as pessoas a pensar que, por podermos compreender os mecanismos do universo, podemos concluir com segurança que não houve um Deus que o projetou e o criou em primeiro lugar. Esse raciocínio comete um erro lógico, uma vez que confunde “mecanismo” com “agência”. Considere um motor de carro Ford. É concebível que alguém que estivesse vendo um desses motores pela primeira vez e não soubesse nada de ciência pudesse imaginar que há um “deus” (Senhor Ford) no interior do motor e que esse “deus” o faz funcionar. É claro que, se tal pessoa, posteriormente, viesse a estudar engenharia e desmontasse o motor, iria descobrir que não há um “deus” (Senhor Ford) no seu interior. Também veria que não havia necessidade de introduzir o Senhor Ford como uma explicação para o funcionamento do motor: sua compreensão dos princípios impessoais de combustão interna seria suficiente para isso. No entanto, se ela decidisse então que sua compreensão dos princípios de como o motor trabalha torna impossível acreditar na existência de um Senhor Ford que projetou esse motor em primeiro lugar, isso seria patentemente falso. Se nunca houvesse um Senhor Ford para projetar os mecanismos, nenhum desses mecanismos existiria para ser compreendido.

Como essa ilustração se aplica a Deus e ao universo?

Lennox (novamente em “God’s Undertaker”) explica:

É igualmente um erro de categoria supor que a nossa compreensão dos princípios impessoais segundo os quais o universo funciona torna tanto desnecessário como impossível acreditar na existência de um Criador pessoal que o projetou,  que o fez e o sustenta. Em outras palavras, não devemos confundir os “mecanismos” pelos quais o universo funciona com a sua “Causa” ou o seu “Sustentador”.

Hawking, Dawkins e outros cientistas ateus não conseguem entender este ponto filosófico básico. Um dia, se houver uma explicação física total e completa de como cada partícula do universo se comporta, se chegarmos a um conjunto de equações que explique cada mecanismo físico, a questão fundamental de onde essas equações vieram ainda precisará ser respondida. Os cientistas não terão eliminado a existência do “Doutor Ford”.

Fontes:
ThePoachedEgg.Net
ToughQuestionsAnswered

 

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Um Incomparável Par de Óculos

Imagem: Adventist Mission

“O que é que você está lendo?”, o médico perguntou quando entrou na sala de exame e viu Tina com um livro aberto no colo.

Tina ficou ligeiramente corada. “É, ah…, a Bíblia.”

“Oh?”, o médico disse enquanto tirava um par de óculos de um saco plástico. “Eu não sabia que eles publicavam a Bíblia em brochura.” “Ah, publicam sim”, respondeu Tina.

“Por que você lê a Bíblia?”, perguntou o médico. Então, antes que Tina pudesse responder, ele continuou. “Quero dizer, com todos os diferentes tipos de livros por aí, eu acho que um livro antigo, desatualizado assim seria muito chato.”

“Oh, não”, disse Tina. “Não é nada disso. Ela realmente me ajuda… Bem, é como… Eu não sei…” Tina sentiu-se frustrada porque não conseguia expressar o que estava pensando.

O médico levantou o novo par de óculos que tinha tirado do saco. Tina tirou os óculos velhos, e ele colocou o novo par em seu rosto, verificando atrás das orelhas para ver como os novos óculos se encaixavam.

“Uau!”, Tina disse imediatamente. “Que diferença!”

O médico sorriu. “Você nem percebia o quanto estava perdendo com o seu velho par de óculos, não é mesmo?” “Não”, Tina disse, girando a cabeça para olhar tudo ao redor. “Tudo é tão nítido e claro agora.”

De repente, ela teve um pensamento. “Ei!”, ela disse. “É por isso que eu leio a Bíblia!”. O médico não disse nada, mas uma interrogação ficou evidente em sua expressão.

“Ler a Bíblia me dá um par de óculos”, disse ela, “que eu não teria de outra maneira. É como se, quando eu leio a Bíblia, e especialmente quando eu memorizo versículos, isso me ajudasse a ver com mais clareza. Isso me ajuda a ver o que é certo e o que é errado, e isso me ajuda a encontrar o poder de escolher a coisa certa também.”

“Ler a Bíblia realmente faz isso?”, perguntou o médico. Tina assentiu com a cabeça vigorosamente. “Realmente, o senhor deveria experimentar”, disse ela.

Ele balançou o velho par de óculos em sua mão. “Talvez eu faça isso.”

Fonte: Josh McDowell (Josh.org)

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O Alfabeto, o Livro e a Necessidade de Deus – O Argumento da Contingência

Livro e Letras saindo dele

Imagem: Gosto de Ler

Durante uma discussão com A. C. Grayling na 25ª edição do programa de rádio Unbelievable (Inacreditável), em março, Peter S. Williams forneceu uma boa e concisa apresentação do argumento cosmológico da contingência:

Uma vez feita a distinção entre coisas que têm causas e coisas que não têm causas, se alguma coisa existe, ou será o tipo de coisa que requer algo fora de si mesma para existir, ou o tipo de coisa que não requer isso. Se não é possível haver uma regressão infinita de coisas que requerem causas fora de si [e é verdade que há alguma coisa que requer causa fora de si: o universo e tudo o que nele existe]…, então, não pode haver uma regressão infinita de tais causas, e, portanto, você tem que ter um término dessa regressão [Deus é a melhor explicação para o término dessa regressão].

Para alguns que podem achar a explicação por demais concisa, vou extendê-la um pouco.

Podemos conceber dois tipos de coisas: aquelas cuja existência requer uma causa externa a si mesmas (seres “contingentes”), e aquelas cuja existência não requer uma causa externa a si mesmas (seres “necessários”). Dado o fato de que todas as coisas físicas – o universo, e tudo que nele há – não tinham de existir, e em determinado ponto no tempo não existiam, podemos concluir que eles são seres contingentes, cuja existência requer uma causa externa a si mesmos.

A natureza contingente da realidade física cria um problema para qualquer explicação naturalista da origem do universo. Para explicar a existência de um ser contingente X, deve-se apelar para um ser anterior W, que causou a existência de X; para explicar a existência do ser contingente W, deve-se apelar para um ser anterior V, que causou a existência de W; para explicar a existência do ser contingente V, deve-se apelar para um ser anterior U, que causou a existência de V, ad infinitum. Para explicar, em termos naturalistas, a existência do ser contingente X, então, teria de ter havido um número infinito de seres contingentes anteriores a X, que formam uma cadeia causal que conduz à existência de X.

Há dois problemas com isso. Em primeiro lugar, se houvesse uma regressão infinita de causas, isso tornaria realmente impossível explicar a existência de X. O filósofo Richard Purtill [1] oferece uma excelente analogia para ilustrar esse ponto. Imagine se eu lhe pedisse um livro emprestado. Você diz que não tem o livro, mas que vai perguntar a um amigo seu se ele tem uma cópia que possa dar a você para que você, por sua vez,  o empreste a mim. Quando você pergunta ao seu amigo pelo livro, ele diz que não tem, mas que vai perguntar a um amigo dele se ele tem uma cópia para emprestar a ele. Se assim for, ele vai tomar emprestado o livro com o  amigo e, em seguida, emprestá-lo a você. Se esse processo continuar ad infinitum, eu nunca vou receber o livro. Da mesma forma, se nenhum ser contingente na cadeia causal infinita que leva até “X” tivesse existência em si mesmo, então seres contingentes jamais poderiam existir, já que seres contingentes devem derivar a sua existência de uma fonte externa a eles próprios. Afirmar que seres contingentes podem existir independentemente de uma fonte que possui existência em e por si mesma é como sugerir que um número infinito de vagões num trem infinitamente longo pode estar num estado de movimento, apesar do fato de não existir nenhum motor para puxá-los. Se não houver um mecanismo para puxar o carro A, então o carro A e cada carro ligado a ele nunca começarão a se mover. O fato de que o trem se move demonstra que pelo menos um carro tem um motor capaz de dar movimento a todos os outros carros. Da mesma forma, o fato de que o ser contingente “X” existe, demonstra que existe algum ser não-contingente na série causal que dá existência a todos os outros seres.

Em segundo lugar, sabemos, a partir de descobertas científicas, que a realidade física tem um passado finito. A cadeia causal que levou até X termina com a singularidade. Não existem entidades físicas, causas, ou eventos fora da singularidade e, portanto, não há regressão infinita de causas externas a que se possa apelar para explicar a existência de X. O ser contingente W só pode explicar o ser contingente X se existir um ser contingente V que possa explicar o contigente W; e o ser contingente V só pode explicar o ser contingente W se existir um ser contingente U que explique o ser contingente V, e assim por diante. Mas dada a finitude temporal do universo, nós acabaremos por chegar ao ser contingente A, que explica o ser contingente B. Mas o que pode explicar o ser contingente A? Ele requer uma causa externa a si mesmo da mesma maneira que todos os outros seres contingentes, mas, sendo ele o primeiro ser contingente, simplesmente não existem quaisquer outros seres contingentes disponíveis para explicar A. Se, como visto, seres contingentes derivam a sua existência de uma fonte externa a si mesmos, e não existe ser contingente externo a A para explicar a existência de A, então a existência de “X” não pode ser explicada também. Devemos ou concluir que não há uma explicação para os seres contingentes (uma violação do princípio da razão suficiente) ou que a realidade não se esgota com a realidade física. Dada a força de nossa intuição metafísica de que “ser/existência” só vem de “ser/existência”, a última alternativa é mais razoável. Além dos “seres contingentes” que constituem a realidade física, também deve existir um “ser necessário” que transcende o mundo físico.

Voltando, por um momento, à analogia do empréstimo do livro, vimos que, se o processo de solicitação do livro a um amigo continuasse ad infinitum, eu jamais receberia o livro. Se eu recebo o livro, porém, então, em algum ponto da cadeia causal, deve existir alguém que não tem que pedir o livro emprestado, mas possui o livro e o empresta a todos os outros que precisam do livro. Da mesma forma, se o ser contingente X existe, então em algum ponto da cadeia de causalidade, deve existir um ser necessário que não tem de derivar a sua existência de alguma fonte externa, mas existe por uma necessidade de sua própria natureza e é a fonte de todas os seres contingentes. Um ser dessa natureza não pode ser parte do reino físico, porque todas as entidades físicas são seres contingentes. O ser necessário deve, portanto, transcender ao mundo físico, agindo como sua causa primeira.

Além de imaterial, o ser necessário também deve ser eterno e não espacial, já que o tempo e o espaço são partes da realidade física [que é contingente]. Um ser com essas características [não contingente, imaterial, eterno, não espacial] corresponde ao que os teístas têm tradicionalmente descrito como Deus, e, assim, Deus é o melhor candidato para o ser necessário.

Em resumo, não pode haver uma regressão infinita das coisas que requerem uma causa externa para si. Deve haver uma terminação da cadeia causal. O que quer que termine a cadeia causal não pode ele próprio ser algo que exija uma causa externa a si mesmo, mas deve ser um ser necessário a partir do qual todos os seres contingentes derivam sua existência. Dadas as características de um ser necessário, Deus é a melhor explicação para o término do regresso causal.

Fonte: Theosophical

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Explicações Naturais Dispensam o Sobrenatural?

 

Imagine a cena (século XIX): quatro pessoas estão numa charrete puxada por um cavalo jovem ainda não totalmente domesticado. O cavalo tem a fama de ser rebelde e pouco antes dessa viagem havia causado um grave acidente. Isso exige atenção redobrada do condutor, que mantém a rédea curta. Os viajantes, entre eles uma senhora, esposa do condutor, são cristãos e conversam sobre algum tema bíblico. De repente, a senhora exclama: “Glória!”. O cavalo para imediatamente e fica imóvel. A senhora se levanta e, olhando para cima, desce os degraus da carruagem. Ela tem uma visão das realidades do céu. Enquanto desce, apoia a mão firmemente no lombo do cavalo, que, surpreendentemente, permanece imóvel. Em condições normais, ele teria dado coices furiosos no momento em que alguém lhe tocasse. A senhora, ainda com olhos voltados para o alto, sobe um barranco à margem da estrada e de lá passa a descrever as belezas da Nova Terra.

O condutor da charrete crê que tanto a visão quanto o controle do potro são uma intervenção de Deus. Para mostrar isso aos outros dois companheiros de viagem, ele decide testar o cavalo. Primeiro, toca nele de leve com o chicote, mas  o  animal não se move – em outras situações, um coice seria a resposta. Depois açoita-o com força. Nenhuma reação. Outro açoite é aplicado, com força ainda maior. O cavalo permanece insensível e imóvel.
 

Com os olhos ainda voltados para cima e sem prestar atenção onde pisa, a senhora desce tranquilamente o barranco, apoia novamente a mão sobre o lombo do cavalo e sobe os degraus da carruagem. No momento em que se senta, a visão termina e o cavalo continua calmamente seu caminho, sem que o condutor dê nenhum comando para o reinício da viagem.*

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Tanto cristãos quanto não cristãos propõem explicações para o sobrenatural. Recentemente li este texto de J. Warner Wallace, diretor do PleaseConvinceMe (PorFavorMeConvença):

Recebo muitos e-mails de céticos. Grande parte destes e-mails está relacionada com milagres. As pessoas querem saber por que os cristãos são tão prontos em atribuir um evento (ou uma cura) à intervenção milagrosa de um Deus sobrenatural, principalmente quando parece que uma força natural pode ser oferecida como uma explicação. Afinal, Moisés relatou que “um forte vento oriental” soprou toda a noite antes da divisão do Mar Vermelho (Êxodo 14:21). Talvez esta ocorrência natural tenha sido simplesmente  interpretada como um milagre depois do fato. De forma semelhante, Thallus (historiador romano do primeiro século) atribuiu a escuridão na crucificação a “um eclipse do sol”, outra ocorrência razoável natural que pode ter sido mal interpretada como um milagre por aqueles que estavam inclinados em direção ao sobrenatural.
 
Os cristãos modernos também fazem afirmações sobre a intervenção sobrenatural de Deus e para muitos céticos estas reivindicações parecem injustificadas. Quando alguém afirma que Deus o curou de câncer, por exemplo, mas admite que foi submetido a um ano de quimioterapia e radiação, é difícil para os não-crentes atribuir a cura a Deus. Parece bem provável que a interação “natural” do tratamento foi o responsável. Quando os céticos encontram evidências de que as forças ou leis “naturais” estão em ação, eles rapidamente descartam qualquer alegação de atividade sobrenatural. Mas o envolvimento de forças “naturais” não impede a atividade de um Deus “sobrenatural”.
 

Deus pode usar as “Leis da Natureza”?

Minha cadela, Baily (não a da foto – imagem importada do MeuPetWeb), ocasionalmente implora por um de seus brinquedos. Quando um desses itens cobiçados se encontra na mesa da sala de jantar, ela fica muito frustrada. A estatura típica da raça Corgi proíbe Baily de fazer o salto necessário para a mesa. O choramingar incessante dela geralmente faz com que um de nós venha até a mesa e bata no brinquedo para que ele caia no chão e seja apanhado por ela. Sem a nossa intervenção como um agente livre, a força natural da gravidade jamais seria capaz de entregar o brinquedo à Bailey. Estritamente falando, pode-se dizer que a força da gravidade providenciou o brinquedo. Mas nós sabemos que a nossa intervenção pessoal foi necessária, mesmo que esta intervenção tenha utilizado a força da gravidade como meio para um determinado fim.
 
Deus certamente trabalha da mesma maneira. Deus sempre envolve o ambiente que ele criou de uma forma que emprega as leis físicas que refletem sua natureza. Com o passar do tempo, nós observamos e identificamos essas características divinas e lhes demos um título: “As Leis da Natureza”. Mas as leis que descrevem a interação entre os objetos materiais não excluem a existência ou intervenção de um agente livre que intercede para “lançar algo da mesa.” O livre-arbítrio de Deus envolve ativamente as leis que refletem sua natureza ordenada, unificada e consistente.
Um Deus “Supernatural” no mundo “Natural”
Mas como podemos, como observadores cristãos racionais​​, dizer a diferença entre uma série de ocorrências “desgovernadas”, “naturais” e uma série de eventos que foram guiados pela mão de Deus? Como podemos diferenciar entre um evento puramente “natural” e um milagre “divino” único? Bem, acho que devemos começar por reconhecer que todos os processos “naturais”, físicos no universo são sustentados por Deus (Hebreus 1:3, João 5:17). A física do universo é simplesmente um reflexo da participação ativa de Deus em sua criação.
 
É fácil separar o “divino” do “natural” e pensar o mundo em categorias e caixas. Contudo, esta não é a forma como as Escrituras cristãs descrevem a criação de Deus. Quando deixamos de ver as forças da natureza como a mão de Deus, acabamos justificando toda interação divina como uma forma de coincidência “natural”. Se fizermos isso por muito tempo, acabaremos por deixar de reconhecer aquelas situações em que o arbítrio de Deus é evidente; aqueles momentos em que Deus claramente teve de agir dramaticamente para “lançar algo da mesa.”

O relato que introduz este post pode até não servir de ilustração para o caso de milagres com a suposta “aparência” natural – o fato é por demais extraordinário -, mas Ellen White, a senhora que vivenciou aquela e várias outras experiências similares, escreveu bastante sobre saúde em geral, curas e o modo como Deus ordena e interage com suas próprias leis. Há muitas citações interessantes relacionadas com o assunto. E deixo aqui algumas, tiradas do seu excelente livro “A Ciência do Bom Viver”. A última citação serve de resposta antecipada a questão que muitos gostam de levantar contra os que creem: “Afinal, em caso de doença, devemos orar ou usar a devida medicação/solução?” (apenas mais um  óbvio “falso dilema”: o cristão não tem de escolher entre um e outro).

Deus está continuamente ocupado em manter e empregar como servos as coisas que criou. Opera por meio das leis da Natureza, delas Se servindo como instrumentos Seus. Elas não agem por si mesmas. A Natureza, em sua obra, testifica da presença inteligente e da atividade de um Ser que opera em tudo segundo a Sua vontade.        

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Não é por um poder a ela inerente que ano após ano a terra produz suas fartas colheitas, e continua sua marcha ao redor do Sol. A mão do Infinito está em perpétua operação, guiando este planeta. É o poder de Deus em contínuo exercício que mantém a Terra em equilíbrio em sua rotação. É Deus que faz o Sol se erguer nos céus. Abre as janelas do céu e dá a chuva.

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O mecanismo do corpo humano não pode ser plenamente compreendido; apresenta mistérios que desconcertam o mais inteligente. Não é em resultado de um mecanismo que, uma vez posto a funcionar, continua sua obra, que o pulso bate, e respiração se segue a respiração. Em Deus vivemos e nos movemos, e existimos. O coração palpitante, o pulso em seu ritmo, cada nervo e músculo do organismo vivo é mantido em ordem e atividade pelo poder de um Deus sempre presente. 

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A Bíblia nos mostra Deus em Seu alto e santo lugar, não em um estado de inatividade, não em silêncio e solidão, mas circundado por miríades de miríades e milhares de milhares de seres santos, todos esperando por fazer a Sua vontade. Por meio desses mensageiros, Ele está em ativa comunicação com todas as partes de Seus domínios. Por Seu Espírito está presente em toda parte. Por meio de Seu Espírito e dos anjos, ministra aos filhos dos homens. Acima das perturbações da Terra, está Ele sentado em Seu trono; tudo está patente ao Seu exame; e de Sua grande e serena eternidade, ordena aquilo que melhor parece a Sua providência. 

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A mão-de-obra de Deus em a Natureza não é o próprio Deus em a Natureza. As coisas da Natureza são uma expressão do caráter e do poder de Deus; não devemos, porém, considerá-la como Deus. […]Assim, ao passo que a Natureza é uma expressão do pensamento de Deus, não é a Natureza, mas o Deus da Natureza que deve ser exaltado.

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Temos a sanção da Palavra de Deus quanto ao uso de remédios…
Os que buscam a cura pela oração não devem negligenciar o emprego de remédios ao seu alcance. Não é uma negação da fé usar os remédios que Deus proveu para aliviar a dor e ajudar a natureza em sua obra de restauração. Não é nenhuma negação da fé cooperar com Deus, e colocar-se nas condições mais favoráveis para o restabelecimento. Deus pôs em nosso poder o obter conhecimento das leis da vida. Este conhecimento foi colocado ao nosso alcance para ser empregado. Devemos usar todo recurso para restauração da saúde, aproveitando-nos de todas as vantagens possíveis, agindo em harmonia com as leis naturais. Tendo orado pelo restabelecimento do doente, podemos trabalhar com muito maior energia ainda, agradecendo a Deus o termos o privilégio de cooperar com Ele, e pedindo-Lhe a bênção sobre os meios por Ele próprio fornecidos. 
* Adaptação do relato do capitão José Bates, relato preservado em The Great Second Advent Movement, de John Loughborough e citado em Histórias de Minha Avó (Stories of my Grandmother, de Ella M. Robinson). Os adventistas do sétimo dia creem no ensino bíblico dos dons espirituais (I Coríntios 12) e reconhecem no ministério de Ellen White a manifestação do dom de profecia.
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Aprendendo com as Sementes

Imagem: publicdomainpictures.net

Na ilha de Svalbard, Noruega, em um abrigo subterrâneo, está o Global Seed Vault (Cofre de Sementes Global), também conhecido como o “Cofre do Fim do Mundo” ou  “Arca de Noé Botânica”, uma espécie de banco genético que busca preservar milhões de sementes – uma medida preventiva para o caso de catástrofes nucleares, mudanças climáticas, desastres naturais e outras supostas ameaças à continuidade da existência humana.

Em funcionamento desde 2008, o cofre espera receber  mais de 3 milhões de tipos de sementes. Segundo se noticia, já armazena mais de 500 mil. Certamente, fará parte dessa reserva desde as minúsculas sementes da mostarda até as “gigantescas” sementes da Lodoicea maldivica (as sementes desta palmeira encontrada nas Ilhas Seychelles, no Oceano Índico, podem alcançar mais de 30 cm de diâmetro).

Desnecessário frisar a importância das sementes tanto para os contemporâneos de Jesus quanto para o homem do séc. XXI. Não sem razão, o Salvador inseriu em suas lições elementos atemporais da própria experiência humana, a fim de vincular o reino natural ao reino espiritual, o homem a Deus, a Terra ao Céu. Aos seus ouvintes, as verdades divinas eram apresentadas a partir da realidade que eles próprios conheciam: a semeadura, a colheita, o dono da vinha, os ceifeiros, o grão de mostarda, o joio, o trigo, o pão.

Assim como no passado, as parábolas continuam a nos ensinar hoje as mesmas verdades divinas a partir de um ponto com o qual estamos familiarizados. Sem dúvida, há muitas lições que podemos aprender com as sementes:

Toda semente lançada produz uma colheita segundo sua espécie. O mesmo se dá na vida humana. Necessitamos todos, lançar as sementes da compaixão, simpatia e amor; porque o que semearmos isso colheremos. Toda característica de egoísmo, amor-próprio, estima própria, todo ato de condescendência consigo mesmo produzirá fruto semelhante. Aquele que vive para si, está semeando na carne, e da carne brotará corrupção.

Deus não destrói a ninguém. Todo aquele que for destruído ter-se-á destruído a si mesmo. Todo aquele que sufoca as admoestações da consciência está lançando as sementes da incredulidade, e estas produzirão uma colheita certa. Rejeitando a primeira advertência de Deus, Faraó, na antiguidade, semeou as sementes da obstinação, e colheu obstinação. Deus não o compeliu a descrer. A semente de incredulidade que lançou, produziu uma colheita de sua espécie. Assim, sua resistência continuou até contemplar o seu país devastado, o gélido cadáver de seu primogênito, e o primogênito de toda a sua casa, e de todas as famílias de seu reino, até que as águas do mar lhe submergiram os cavalos, carros e guerreiros. Sua história é uma ilustração tenebrosa da verdade das palavras, “tudo o que o homem semear, isso também ceifará”. Gál. 6:7. Se tão-somente reconhecessem os homens isso, seriam cautelosos com a semente que lançam.

À medida que a semente espalhada produz uma colheita, e esta por sua vez é semeada, a seara se multiplica. Essa lei é também verdadeira em relação com as pessoas. Cada ato, cada palavra é uma semente que produzirá fruto. Cada ato de meditada bondade, de obediência ou de renúncia, se reproduzirá em outros, e por eles ainda em terceiros. Do mesmo modo cada ato de inveja, malícia ou dissensão, é uma semente que brotará em “raiz de amargura” (Heb. 12:15), pela qual muitos serão contaminados. E quanto maior número envenenarão os “muitos”! Assim a sementeira do bem e do mal prossegue para o tempo e a eternidade.

Liberalidade tanto em assuntos espirituais quanto temporais, é ensinada na lição da semeadura. O Senhor diz: “Bem-aventurados vós, que semeais sobre todas as águas.” Isa. 32:20. “Digo isto: Que o que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia em abundância, em abundância também ceifará.” II Cor. 9:6. Semear sobre todas as águas significa uma contínua distribuição das dádivas de Deus. Significa dar onde quer que a causa de Deus ou as necessidades da humanidade exigirem nosso auxílio.

Isso não levará à pobreza. “O que semeia em abundância, em abundância também ceifará.” O semeador multiplica a semente lançando-a fora. Assim é com aqueles que são fiéis no distribuir as dádivas de Deus. Repartindo, aumentam suas bênçãos. Deus lhes prometeu suficiência para que possam continuar a dar. “Dai, e ser-vos -á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando vos darão; porque com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo.” Luc. 6:38.

E mais do que isso está envolvido no semear e ceifar. Distribuindo as bênçãos temporais de Deus, a evidência de nosso amor e simpatia desperta, no que recebe, gratidão e ações de graças a Ele. O solo do coração é preparado para receber a semente da verdade espiritual. E Aquele que provê a semente ao semeador, fará com que a semente germine e produza fruto para a vida eterna.  Pelo lançar da semente no solo, Cristo representa Seu sacrifício por nossa redenção. “Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer”, disse, “fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto.” João 12:24. Assim a morte de Cristo resultará em fruto para o reino de Deus. De acordo com a lei do reino vegetal, vida será o resultado de Sua morte.

E todos os que quiserem produzir fruto como coobreiros de Cristo, precisam cair na terra e morrer. A vida precisa ser lançada no sulco da necessidade do mundo. O amor-próprio e o próprio interesse têm que perecer. Mas a lei do sacrifício próprio é a lei da própria preservação. A semente sepultada no solo produz fruto, e este, por sua vez, é plantado. Assim se multiplica a seara. O lavrador preserva a sua semente, lançando-a fora. Deste modo, na vida humana dar é viver. A vida que será preservada é a que é entregue liberalmente ao serviço de Deus e do homem. Os que pela causa de Cristo sacrificam a vida neste mundo, conservá-la-ão para a eternidade.

A semente morre para ressurgir em nova vida, e nisto nos é dada a lição da ressurreição. Todos os que amam a Deus reviverão no Éden celestial. Do corpo humano posto na cova para ser reduzido a pó, disse Deus: “Semeia-se o corpo em corrupção, ressuscitará em incorrupção. Semeia-se em ignomínia, ressuscitará em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscitará com vigor.” I Cor. 15:42 e 43.

Tais são algumas das muitas lições ensinadas pela viva parábola do semeador e da semente na Natureza.

Fonte: Parábolas de Jesus (Ellen White), p. 84-87.

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Um Milagre Ateísta Jamais Visto

 

Não sabia que o ateu Richard Dawkins acredita em milagres?

Quem faz a pergunta é  Edgar H. Andrews, professor emérito da Universidade de Londres, autor do livro Who Made God? (Quem criou Deus?). 

O Dr. Andrews  reproduziu em seu site um dos capítulos em que analisa o pensamento de Dawkins sobre o assunto. Ele lembra que o zoólogo britânico prefere, é claro, usar a expressão “eventos extremamente improváveis” em vez de “milagre”, mas o “conceito” de milagre é apresentado pelo próprio Dawkins:

“Um milagre é algo que acontece, mas que é surpreendentemente incomum. Se uma estátua de mármore da Virgem Maria de repente acenasse para nós, nós trataríamos o fato como um milagre, por causa de toda a nossa experiência e conhecimento, que nos assegura que o mármore não tem tal comportamento”.(O Relojoeiro Cego, pág. 159)

Andrews não apenas disseca em seguida a argumentação de Dawkins de que de certa forma “seria possível” uma estátua “acenar”, como também a afirmação dele de que uma vaca pular por sobre a Lua é “teoreticamente possível”. O título da postagem, “Richard Dawkins’ scientific fallacies” (As falácias científicas de Dawkins), já nos aponta a conclusão. Na verdade, ao explicar as razões do ponto de vista da Física por que os exemplos propostos por Dawkins não são “viáveis”, Andrews qualifica a ideia do “devoto de Darwin” como “cientificamente ridícula”.

O mais interessante dessa análise, porém, é que ela permite “visualizar” não apenas as falácias científicas de Dawkins mas também parte da manha estratégica por trás de seu discurso. Isso fica claro na conclusão do capítulo, uma espécie de resumo em linguagem menos técnica:

O problema para Richard Dawkins e seus colegas ateus é isso. Eles enfrentam sérias dificuldades em explicar o “milagre” da origem da vida de uma maneira puramente materialista. Na verdade, o problema parece intransponível, como veremos no próximo capítulo. Mas vamos apenas aceitar no momento que o ateísmo atualmente não tem resposta para o enigma. O ateu cuidadoso não vai apelar para “ainda-não-conhecidas” descobertas científicas como uma explicação, porque ele reconhece que esse argumento é uma imagem de espelho da teoria do “Deus-das-lacunas” que ele tanto despreza. Então, o que ele pode fazer? Sua primeira estratégia é a de “provar” que os acontecimentos mais bizarros que se possa imaginar – como a motilidade do mármore (uma estátua acenar) ou a balística bovina (uma vaca pular por sobre a lua) – poderiam concebivelmente ocorrer por causa natural. Claro, suas explicações falham miseravelmente em nível científico, mas isso não vai preocupá-lo indevidamente, desde que ele consiga plantar em nossas mentes a vaga idéia de que qualquer “milagre” pode ter uma explicação natural.

Mas depois vem a parte complicada. Ele agora precisa dar um salto ágil de “milagres ‘podem’ ter uma causa natural” para “milagres ‘devem’ ter uma causa natural”. Isso ele tenta fazer usando a nossa velha amiga “probabilidade”. Especificamente, ele avança a tese de que tudo que se possa imaginar no universo físico certamente irá acontecer por causa natural, se você esperar muito tempo, contanto que sua probabilidade matemática não seja zero. E isso soa plausível, porque, tendo rejeitado a velha idéia newtoniana de um universo determinista, não podemos descartar nada em princípio. Mas, embora plausível, a tese é falsa, porque as probabilidades matemáticas não têm nenhuma relação necessária com as possibilidades físicas, como vimos no capítulo 1. É matematicamente possível construir uma torre de tijolos infinitamente alta, mas é fisicamente impossível fazê-lo, porque mais cedo ou mais tarde o peso da torre vai esmagar o tijolo inferior até ao pó e toda a torre (não infinita) irá desmoronar.[…]

O fato é que podemos imaginar muitos poucos eventos físicos que sejam matematicamente impossíveis. “Impossibilidades” surgem no universo físico não de restrições matemáticas, mas de restrições das leis da natureza (tais como a resistência não-infinita à compressão de tijolos).

A síntese da  mensagem do Dr. Andrews, também presente na citação acima, é clara: “Antes que probabilidades matemáticas possam ser aplicadas ao mundo real elas têm que passar pelo duplo filtro da lógica e da realidade física”.

Os “milagres” ateístas relacionados com a origem da vida, como mencionado por Andrews, não encontram apoio na realidade; muito menos, obviamente, em testemunhos de sua ocorrência em qualquer época.

Mas vale ressaltar, quando se trata de milagres reais, as  advertências da Bíblia contra alguns sinais e prodígios que são e serão feitos “à vista dos homens”, mas cuja origem (para a surpresa de muitos) também não está em Deus (assunto para outra postagem).

Como já antecipado pelo cenário profético, ainda que esses sinais e prodígios que se veem sejam uma realidade, devem ser rejeitados juntamente com os milagres ateístas nunca vistos. E a razão para isso é terem  todos eles uma característica comum: a falta de vinculação à verdade.

 “Santifica-os na verdade; a Tua palavra é a verdade” João 17:17.

 Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.” S. João 14:6