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Cristianismo, Ciência e o Obscurantismo do Século XXI

A figura acima faz parte de um vitral denominado “Educação”. Encontra-se na sala 102 do Linsly-Chittenden Hall da Universidade de Yale e retrata a ciência e a religião em harmonia.

Você ouve isto o tempo todo: ciência e cristianismo estão em conflito. Por exemplo, o Dr. Thomas Henry Huxley escreveu uma vez: 1

A ciência, a arte, o direito, as principais teorias políticas e sociais do mundo moderno desenvolveram-se a partir da Grécia e de Roma, não por favor mas em meio à oposição dos ensinamentos fundamentais do cristianismo primitivo, para o qual a ciência, a arte e qualquer ocupação séria com as coisas deste mundo eram igualmente desprezíveis.

E isso era em 1899. O ateu contemporâneo Dr. P.Z. Myers diz de forma mais sucinta:

A fé cristã se opõe à ciência.

O problema, claro, é que tais declarações são demonstravelmente falsas. De fato, como já escrevi anteriormente, os especialistas em História têm mostrado que a ciência moderna é um produto do cristianismo ( ver aqui e aqui) .

Recentemente, encontrei um excelente ensaio do Dr. Michael Keas que apresenta esse ponto muito bem. Recomendo fortemente que você o leia na íntegra, mas há duas citações que gostaria de destacar.

No início do ensaio, ele discute a ideia, já desmascarada há muito tempo, de que as pessoas, na Idade Média, acreditavam que a Terra era plana. Como Diana Waring e eu normalmente apontamos em uma de nossas palestras, mesmo os antigos gregos entendiam que a Terra é uma esfera, e nenhum escritor cristão com um mínimo de reputação jamais sugeriu o contrário. No entanto, o mito persiste, pois muitos “educadores” estão mais interessados ​​em empurrar seus próprios pontos de vista do que divulgar estudos sérios. De qualquer forma, o Dr. Keas toca num ponto sobre esse fiasco que eu acho particularmente revelador:

Mas o “erro da Terra plana” [chamado “erro plano” pelo historiador Jeffrey Russell] persiste, de tal forma que, nas duas décadas em que passei ensinando astronomia e sua história, descobri que a maioria dos estudantes universitários acreditam que Colombo descobriu a esfericidade da Terra e, assim, teria derrotado a ignorância medieval. Eu também descobri que meus próprios alunos (antes de fazer meus cursos) eram menos capazes de defender a esfericidade da Terra do que eram os estudantes universitários medievais. Então, qual Idade é, de fato, a mais escura?

É comum que as pessoas hoje olhem para trás, para as pessoas nos tempos medievais (ou anteriores) e riam da “estupidez” de tais “selvagens antigos.” No entanto, juntamente com o Dr. Keas, acho que muitos dos estudantes universitários de hoje não são tão bem educados como era o típico estudante universitário naqueles dias. De fato, um argumento pode ser feito de que os antigos podem ter sido mais inteligentes do que somos hoje.

O ensaio termina com uma citação muito interessante. Eu tenho defendido, há muito tempo, a posição de que a rejeição de um Deus criador por muitos cientistas tem prejudicado a causa da ciência. Dr. Keas expõe o caso mais gravemente:

Poderia tal fé naturalista eventualmente minar os alicerces da Ciência, para a qual a tradição judaico-cristã tanto contribuiu? Se for esse o caso, então podemos estar vivendo nós mesmos na verdadeira Idade das Trevas da história científica.

Eu honestamente acho que essa é uma possibilidade real. Há uma frase que tem sido atribuída a G.K. Chesterston, mas não posso confirmar se ele realmente disse isso. Independentemente de quem a tenha dito, acho que é muito verdadeira: 2

Quando um homem deixa de acreditar em Deus, ele não passa, então, a não acreditar em nada: ele passa a acreditar em qualquer coisa.

Infelizmente, essa situação é devastadora para a ciência, e o surgimento de absurdos como a hipótese de multiversos e a idéia de que algo pode surgir naturalmente a partir do nada são sintomas dessa devastação.

Referências:
1. Israel Smith Clare, Hubert Howe Bancroft, and George Edwin Rines, Library of Universal History and Popular Science, The Bancroft Society 1910, p. 433
2. Mark A. Driscoll, A Call to Resurgence, On Mission LLC 2013, p. 38
Fonte: Dr. Jay Wile (Proslogion)
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Ben Carson, Emory e a Moralidade da Evolução

Dr. Ben Carson

Em artigo publicado no The Baltimore Sun, Richard Weikart, professor de História na California State University, explica por que o protesto esboçado na Universidade de Emory contra Ben Carson, o proeminente neurocirurgião que contesta a teoria da evolução, é equivocado (Weikart é autor do livro From Darwin to Hitler: Evolutionary Ethics, Eugenics, and Racism in Germany).

Antes de passar ao texto do Dr. Richard, acredito ser útil, para efeito de contextualização, ressaltar algumas palavras usadas por Ben Carson na entrevista que teria sido a fonte da “consternação”:

“By believing we are the product of random acts, we eliminate morality and the basis of ethical behavior.” (Ao crer que somos o produto de “atos do acaso”, eliminamos a moralidade e o fundamento do comportamento ético.)

Ultimately, if you accept the evolutionary theory, you dismiss ethics, you don’t have to abide by a set of moral codes…, you determine your own conscience based on your own desires. (Em última análise, se você aceita a teoria da evolução, dipensa a ética, não precisa defender um conjunto de códigos morais e determina sua própria consciência baseada nos próprios desejos.)

Segue, então, o que o professor Weikart escreveu sobre o assunto:

Quase 500  professores e estudantes da Emory University expressaram sua consternação em razão de que o orador de segunda-feira não segue a linha ideológica deles quando se trata de biologia evolutiva. Sim – suspiro –, Ben Carson, o renomado neurocirurgião da Universidade de Johns Hopkins, não acredita na teoria evolutiva. Não só isso: os professores de biologia de Emory e apoiadores também acusam o Dr. Carson de cometer um crime de pensamento, porque ele supostamente “iguala a aceitação da evolução com falta de ética e moralidade”.

Como sou um historiador que estudou e publicou sobre a história da ética evolucionista, fiquei bastante surpreso com a “consternação” dos membros da Universidade Emory  sobre a crença do Dr. Carson de que a evolução mina a ética e a moralidade objetiva. No verão passado, eu assisti a uma grande conferência interdisciplinar da Universidade de Oxford sobre “A Evolução da Moralidade e a Moralidade da Evolução”. Assim, estou bem ciente de que há uma variedade de pontos de vista na academia sobre o tema. No entanto, muitos evolucionistas, desde a época de Darwin até o presente (incluindo um bom número nessa conferência  em Oxford), têm argumentado e ainda estão discutindo precisamente o ponto que o Dr. Carson levantou: eles afirmam que a moralidade evoluiu e, portanto, não tem existência objetiva.

Um dos oradores na conferência de Oxford era o proeminente filósofo da ciência Michael Ruse, que afirmou em um artigo de 1985 em coautoria com o biólogo de Harvard E.O.Wilson: “Ética como a entendemos é uma ilusão imposta a nós por nossos genes para nos levar a cooperar.” Por que os biólogos de Emory tentam fazer com que o Dr. Carson pareça um  tolo por afirmar que a evolução enfraquece a ética, enquanto um dos biólogos evolucionistas e um dos principais filósofos da ciência admitem que a evolução destrói qualquer moralidade objetiva? O professor Wilson em seu livro “Consilience”, argumentou: “Ou preceitos éticos, como justiça e direitos humanos, são independentes da experiência humana, ou então eles são invenções humanas.” Ele rejeitou a primeira explicação, à qual chamou de ética transcendentalista, em favor da última, que chamou de ética empirista.

Todo o campo da sociobiologia, que é um campo vigoroso da biologia fundada pelo Sr. Wilson na década de 1970, pressupõe que a moralidade é o produto de processos evolutivos e tenta explicar a maioria dos comportamentos humanos, descobrindo a sua alegada vantagem reprodutiva na luta evolutiva pela existência (mesmo alguns evolucionistas consideram algumas dessas histórias do tipo “contos de fada” especulativas ou mesmo simplesmente ridículas). Sociobiólogos, e seus colegas no campo relacionado da psicologia evolutiva, explicaram que muitos comportamentos pecaminosos, variando do adultério ao infanticídio, ao aborto, à guerra, ao homossexualismo – e muitos, muitos outros –, evoluíram porque conferiram vantagens reprodutivas  àqueles que praticam esses comportamentos. Por outro lado, eles também argumentam que os comportamentos altruístas, como ajudar os pobres, curar os enfermos e cuidar das pessoas com deficiência, são simplesmente comportamentos que ajudaram nossos antepassados a transmitir os seus genes para a próxima geração.

A idéia, no entanto, de que a evolução mina padrões morais objetivos dificilmente é uma descoberta recente da sociobiologia. Em “Descent of Man”, Charles Darwin dedicou muitas páginas para discutir a origem evolutiva da moralidade, e ele reconheceu o que isso significava: a moralidade não é objetiva, não é universal, e pode mudar ao longo do tempo. Darwin certamente acreditava que a evolução tinha implicações éticas.

Ben Carson, então, dificilmente deveria ser denunciado por argumentar que a evolução tem implicações éticas e que isso prejudica a moralidade. Se os professores da Universidade Emory querem argumentar que a evolução não tem implicações éticas, eles são livres para fazer esse argumento (eu me pergunto quantos deles realmente acreditam nisso). No entanto, se o fizerem, eles precisam reconhecer que não estão apenas argumentando contra “ignorantes” anti-evolucionistas, mas estão argumentando contra muitos de seus adorados colegas  na biologia evolutiva, incluindo o próprio Darwin.

Os graduandos da Emory University devem se sentir honrados em receber um discurso do Dr. Carson. Além do óbvio – sua técnica cirúrgica e perícia médica revolucionárias, que lhe renderam uma posição em um dos hospitais acadêmicos mais prestigiados nos Estados Unidos –, sua história de vida de superação da pobreza e sua dedicação posterior à filantropia servem de exemplo e inspiração. Sua disposição de abraçar corajosamente idéias que ele considera verdade, apesar do ridículo que lhe é direcionado, deve contar como outro ponto a seu favor.

 
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Descoberto o Mais Antigo Manuscrito do Novo Testamento?

Papiro P52 pode deixar de ser o mais antigo manuscrito do Novo Testamento

Vários sites repercutiram o comentário do Dr. Daniel B. Wallace, feito recentemente durante um debate com Bart Erhman, sobre a descoberta de mais sete papiros do Novo Testamento. O anúncio de descobertas históricas nesta área, e feito nestas circunstâncias, desperta naturalmente grande interesse; mas também gera certa cautela em relação à aceitação e à divulgação da notícia,  já que, nesse caso, não foram revelados maiores detalhes sobre o assunto. Ainda assim, considero importante tentar reproduzir algumas palavras do Dr. Wallace em complemento ao comentário que fez durante o evento. Ele escreveu um resumo do debate aqui. E explica, a seguir, o que poderia significar a descoberta de novos papiros, especialmente a de um fragmento do primeiro século:

Em 1ºde fevereiro de 2012, debati com Bart Ehrman na Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill, sobre se temos hoje o texto original do Novo Testamento. Este foi o nosso terceiro debate, e aconteceu diante de um público de mais de 1.000 pessoas. Eu mencionei que sete papiros do Novo Testamento haviam sido descobertos recentemente; seis deles provavelmente são do século II e um deles provavelmente do primeiro século. Os fragmentos serão publicados aproximadamente daqui a um ano.

Estes fragmentos agora aumentam o nosso acervo da seguite forma: temos 18 manuscritos do Novo Testamento do século II e um do primeiro século. Ao todo, mais de 43% de todos os versículos do Novo Testamento são encontradas nesses manuscritos. Mas o mais interessante deles é o fragmento do primeiro século.

Ele foi datado por um dos principais paleógrafos do mundo, que afirmou estar “certo” de que o manuscrito é do primeiro século. Se isso for verdade, seria o mais antigo fragmento do Novo Testamento conhecido. Até agora, ninguém descobriu nenhum manuscrito do Novo Testamento do primeiro século. O mais antigo manuscrito do Novo Testamento é o P52, um pequeno fragmento do Evangelho de João, datado da primeira metade do século II. Foi descoberto em 1934.

Não apenas isso.  Além de ser do primeiro século, o fragmento pertence ao Evangelho de Marcos. Antes da descoberta deste fragmento, o manuscrito mais antigo que continha Marcos era o P45, do século III (200-250 DC). Este novo fragmento antecederia o P45 entre 100 e 150 anos.

Como esses manuscritos mudam o que nós acreditamos sobre o que o Novo Testamento original diz? Teremos de esperar até que eles sejam publicados no próximo ano, mas por enquanto podemos dizer o seguinte: Tal como aconteceu com todos os  papiros do Novo Testamento publicados anteriormente (127 deles publicados nos últimos 116 anos), nenhum único papiro novo tem-se autoelogiado como um registro original. Em vez disso, os papiros serviram para confirmar o que estudiosos do Novo Testamento já pensavam ser o texto original ou, em alguns casos, para confirmar um registro alternativo, mas que já se encontra nos manuscritos. Como exemplo: Suponha que um papiro tivesse a palavra “Senhor” em um versículo, enquanto todos os outros manuscritos tivessem a palavra “Jesus”.  Os estudiosos do Novo Testamento não adotariam e nem têm adotado tal registro como original, precisamente porque temos provas abundantes para a redação original em outros manuscritos. Mas se um papiro antigo tem em outro lugar “Simão”, em vez de “Pedro”, e “Simão” também for encontrado em outros manuscritos antigos e de confiança, isso pode convencer os estudiosos de que “Simão” é o registro original. Em outras palavras, os papiros têm confirmado vários registros originais nos últimos 116 anos, mas não têm apresentado novos registros originais. O texto original do Novo Testamento se encontra nos manuscritos que são conhecidos há algum tempo.

Estes novos papiros, sem dúvida, continuarão essa tendência. Mas, se este fragmento de Marcos for confirmado como do primeiro século, que emoção será ter um manuscrito datado do tempo em que viveram muitas das testemunhas oculares da ressurreição de Jesus!

Fonte: DTS – Dallas Theological Seminary
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“De um Modo tão Admirável e Maravilhoso Fui Formado”: Da Concepção ao Nascimento

“Eu te louvarei, porque de um modo tão admirável e maravilhoso fui formado…” Salmos 139:14

Este vídeo é para inspirar salmistas do séc. XXI: Da Concepção ao Nascimento — fantástico trabalho produzido pelo produtor de imagens e chefe de Visualização Científica do Departamento de Medicina da Universidade de Yale, Alexander Tsiaras, mostrando o desenvolvimento humano da concepção ao nascimento (com inserção de algumas imagens gráficas).

O vídeo é mostrado depois de uma breve introdução do próprio Tsiaras (min. 2:00).

Não deixe de ver a apresentação completa, legendada em português, com as explicações do produtor. Clique aqui.

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Quando um Argumento “da Lua” É Submetido à Razão

 

 

Numa sessão de perguntas e respostas depois de uma fala de Richard Dawkins, Paul Copan fez alusão a um argumento apresentado por C S Lewis, Alvin Plantinga, Michael Rea, Victor Reppert e também mencionado por Patrica Churchland, Thomas Nagel, William Whewell e Friedrich Nietzche. O argumento é que se nossas faculdades cognitivas evoluíram por seleção natural, não dirigida por Deus, então estas faculdades cognitivas não merecem racionalmente confiança quanto a nos dar a verdade. A literatura sobre o argumento é interessante, mas não vou comentar a respeito disso aqui.

O que me interessa é o comentário feito por Dawkins, que ganha o aplauso da platéia. Dawkins parece não compreender o ponto do argumento e  o toma como se lhe tivessem pedindo uma razão por que ele defende o “racionalismo científico”. Ele diz que acredita no racionalismo científico porque este “funciona”. E então dá um exemplo de como “funciona”:  “a ciência nos lança à Lua, enquanto a religião lança aviões contra prédios.”

Muito poderia ser dito aqui, mas eu quero me limitar a um único ponto: a evidência que Dawkins cita de que a ciência funciona e a religião não. Dawkins aponta que a ciência tem feito coisas boas, como levar-nos à Lua; e a religião tem feito coisas ruins, como a destruição do World Trade Centre no 11 de Setembro. Em outras palavras, as coisas positivas que a ciência faz recomendam que ela seja tomada como algo em que devemos confiar, ao passo que as coisas negativas que religião faz recomendam que esta seja considerada como algo em que não devemos confiar.

Então, vamos examinar a afirmação que Dawkins faz de que a “ciência” nos levou à Lua. Agora, como é que um ente pode nos levar à Lua? Presumivelmente, o que ele quer dizer é que foi através da ciência que se desenvolveu a tecnologia de propulsão de foguete que nos permitiu chegar à Lua.

Mas aqui está o problema. Se o fato de que a ciência desenvolveu a tecnologia de propulsão que nos levou à Lua significa que a ciência é responsável pelo voo à Lua, e pode ter o crédito disso, então a ciência deve ser responsável pelo voo ao World Trade Center; a ciência desenvolveu a tecnologia de propulsão de aviões, por isso deve ser a ciência a culpada, e não a religião.

Além disso, os foguetes são usados ​​para outras coisas além das viagens aéreas e ao espaço. O primeiro país que foi à Lua usou foguetes muitas vezes para matar pessoas. Então, se a ciência é responsável por nos levar à Lua, o mesmo raciocínio sugere que ela também é responsável por todos os que foram mortos em combate, por foguetes.

Por outro lado, se a ciência não é a responsável pelo ataque ao World Trade Center, porque apenas desenvolveu a tecnologia e as pessoas que fizeram isso foram motivados por ideais, visão e motivação em relação à tecnologia utilizada para levar isso a efeito, então a ciência não é responsável por nos levar à Lua; não foi apenas a tecnologia que nos levou até lá; foram também as pessoas com certos ideais, visão e motivação.

O ponto é que não se pode com credibilidade dar à ciência o crédito por algo quando a tecnologia científica como a propulsão de foguetes é usada para bons propósitos, afirmando que isso é evidência de que a ciência “funciona”, e não dar igualmente o crédito a ela quando a propulsão de foguetes é usada para propósitos negativos, não admitindo que isso seja evidência de que a ciência “não funciona”.

A realidade é que os benefícios que a ciência nos proporciona não são apenas o resultado da tecnologia, mas também o uso dessa tecnologia por pessoas com certa visão, ideais, motivação e assim por diante. Questões sobre como devemos viver, o que é certo e errado, que tipos de propósitos devemos seguir são questões filosóficas e teológicas que a ciência não pode, por si mesma, responder. Do mesmo modo os males feito em nome da religião são o resultado não apenas de determinados valores religiosos, mas também do uso da tecnologia científica – muitas vezes a tecnologia é pesquisada e desenvolvida justamente com o propósito de matar pessoas.

O ponto, então, é que ambas, ciência e religião, podem causar danos e ambas podem causar benefícios. A tecnologia nos beneficia quando é usada por pessoas que têm determinadas linhas de orientação moral e espiritual, que direcionam a ciência para o bem. A ciência não nos salvará daqueles de mau caráter; ela irá simplesmente dar-lhes as ferramentas para fazer mais mal. Da mesma forma, a correta orientação espiritual e moral, por si só, não vai beneficiar muita gente sem as ferramentas para fazê-lo. Ambas as forças operam em cada conquista ou falta de realização da humanidade. Não “funcionam” ou falham em “funcionar” no sentido que Dawkins menciona. Os comentários de Dawkins sobre racionalismo científico podem funcionar quando se trata de fazer a platéia rir, mas isso é tudo.

 

Versão de um dos posts do excelente site MandM (Matt and Madeleine Flannagan).