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Game “Profecias para Crianças”

Game Daniel 2

A Rede Novo Tempo de Comunicação criou recentemente um novo segmento de atuação visando atingir o público mais jovem, que já interage na Internet, mas que também domina outras tecnologias como a de jogos para computador e dispositivos móveis.

Pesquisas recentes demostram que mais 68% das pessoas que jogam tem menos de 18 anos[1]. Vários especialistas indicam que nos próximos anos os games provavelmente perderão o aspecto de ser um problema e ganharão status de ferramenta educacional. [2]

Diante dessa nova realidade a Novo Tempo está buscando apresentar a mesma mensagem de esperança que já é característica da NT, mas agora num formato diferenciado e numa linguagem mais compreensível para crianças e adolescentes.

Agora no início de 2015 estará sendo lançado o game Profecias para Crianças (em português e em espanhol) que tem como objetivo ensinar as mensagens proféticas da Bíblia de um jeito que as crianças possam entender mais facilmente. A primeira profecia será a de Daniel 2.  No game a criança poderá interagir com os atores da história e aprender o significado da estátua. Os usuários de dispositivos com Android já podem acessar pesquisando na loja de aplicativos Google Play por “Profecias para Crianças”. Para dispositivos Apple IOS estará disponível no ITunes.

“Ainda estamos na fase de adaptação e aprendizado, mas acreditamos que a medida em que formos evoluindo nessa área teremos mais jogos e com capacidade de atingir outras faixas etárias, mas sempre com o objetivo de levar a mensagem de  esperança e salvação”, afirma Carlos Magalhães responsável pelo departamento de Web da NT.

Se você quiser conhecer outros jogos experimentais da Novo Tempo, pode acessar http://novotempo.com/games

 Fonte: Novo Tempo

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Publicado em ciência, Pesquisas

Pesquisa Desacredita Fusão de Cromossomo Humano

Evidência de ancestralidade comum?

Em 2002, 614 mil bases de DNA cercando o local da fusão foram totalmente sequenciadas, revelando que a sequência de fusão alegada estava no meio de um gene originalmente classificado como pseudogene, porque não havia até então nenhuma função para ele. A pesquisa também mostrou que os genes ao redor do local da fusão na janela das 614 mil bases não existiam no cromossomo 2A ou 2B do chimpanzé – a localização suposta para a origem símia. Na terminologia genética, nós chamamos essa localização discordante do gene de falta de sintenia.Humanos e grandes símios diferem em número de cromossomos – humanos possuem 46 enquanto símios possuem 48 deles. A diferença é atribuída à “fusão de ponta-em-ponta” de dois pequenos cromossomos similares aos dos macacos em um ancestral humano-símio que se juntaram em um passado distante e formaram o cromossomo 2. Essa ideia foi inicialmente proposta por pesquisadores que perceberam que humanos e chimpanzés compartilham padrões similares de marcação de cromossomos quando observados em um microscópio. Todavia, humanos e chimpanzés também têm regiões dos seus cromossomos que não compartilham padrões de marcação comuns. A suposta prova para a alegada fusão veio em 1991, quando pesquisadores descobriram uma sequência de DNA com cerca de 800 bases de comprimento no cromossomo 2 humano. Mas essa sequência estava inesperadamente pequena em tamanho e extremamente degenerada. Mais importante, essa nova sequência semelhante à fusão não era o que os pesquisadores estavam esperando encontrar, pois continha uma assinatura nunca vista. Todas as fusões conhecidas em animais vivos estão associadas com uma sequência chamada DNA satélite (satDNA), que funde em um dos dois seguintes cenários: (1) satDNA-satDNA ou (2) satDNA-telômeroDNA (telômeros são as regiões no fim dos cromossomos que contêm milhares de repetições da sequência “TTAGG”). A sequência alegadamente de fusão continha uma assinatura diferente, uma fusão telômero-telômero e, se real, poderia ser o primeiro caso já documentado na natureza.

Eu publiquei agora uma nova pesquisa sobre o local da fusão alegada, revelando dados genéticos que desacreditam completamente as alegações evolucionistas. Minha análise confirma que o local está dentro de um gene chamado DDX11L2 no cromossomo humano 2. Ainda mais, a sequência de fusão alegada contém uma característica funcional genética chamada “local de ligação de transcrição de fator”, que é localizado no primeiro intron (região não codificada) do gene. Fatores de transcrição são proteínas que ligam locais regulatórios dentro e ao redor dos genes para controlar suas funções, atuando como interruptores. O gene DDX11L2 tem três dessas áreas, uma das quais é codificada no local da fusão alegada.

Os cromossomos são moléculas de DNA de cadeia dupla e contêm genes nas duas cadeias que são codificados em direções opostas. Devido ao gene DDX11L2 ser codificado na cadeia orientada reversamente, ele é lido na direção reversa (ver a seta “Exon 1”). Então, a sequência de fusão alegada não é lida na direção avante tipicamente utilizada na literatura como evidência para uma fusão – ao contrário, ela é lida na direção reversa e codifica um interruptor regulatório chave.

O local suposto de fusão é atualmente uma parte-chave do gene DDX11L2. O gene em si mesmo é parte de um grupo complexo de genes RNA helicase DDX11L que produzem longos RNAs regulatórios não codificantes. Estes transcritos RNA DDX11L2 são produzidos em 255 tipos diferentes de células e tecidos humanos, destacando a função biológica ubíqua do gene.

(ICR, com tradução de Alexsander Silva)

Comentário de Enézio de Almeida Filho: O assunto é tecnicamente complexo, mas fácil de se resolver – os evolucionistas simplesmente “contam”, mas não analisam os cromossomos: os humanos têm 23 pares de cromossomos e os primatas têm 24 pares; portanto, dois cromossomos de primatas foram fundidos em um cromossomo humano. Mas será isso mesmo? Consideremos – e se o ancestral comum tivesse 23 cromossomos distintos, e um cromossomo sofreu duplicação na linhagem que resultou nos primatas superiores? O que isso significaria em termos de história evolucionária humana? E se o ancestral comum tivesse 20 cromossomos distintos e ocorreram 4 eventos de duplicações na linhagem dos primatas superiores, e 3 na linhagem humana? E se o ancestral comum tivesse 30 cromossomos distintos, e ocorreram 6 eventos de fusão na linhagem dos primatas superiores e 7 eventos de fusão para a linhagem humana, o que tudo isso representaria?

A resposta para as questões acima é que a simples contagem de cromossomos ou comparações de números de cromossomos não resulta em ancestralidade comum a ponto de se fazer predições firmes de quantos cromossomos nosso suposto ancestral primata-humano tinha. Além disso, atualmente não existe uma análise cromossômica completa de evidência de fusão em nossos cromossomos, por isso não podemos afirmar que a presença de um cromossomo fundido em humanos seja uma predição de ancestralidade comum. Muito mais pesquisas se fazem necessárias.

O que alguns evolucionistas não consideram teoricamente é que o ancestral comum de humanos e primatas supostamente existiu há seis milhões de anos. O que evolucionistas dizem é que essa fusão cromossômica tenha ocorrido há recentes 50 mil anos. Sob esse ponto de vista, esse evento de fusão cromossômica não tem nada a ver em nos fazer tipo humanos em contraste com os primatas superiores. Claramente esse evento de fusão cromossômica está muitos milhões da anos distante de qualquer suposta ancestralidade com os primatas superiores.

O que aparentemente é uma problema para os que não aceitam a ancestralidade comum entre humanos e primatas superiores é, na verdade, uma grande dificuldade para os evolucionistas: Como um evento de fusão cromossômica natural, não guiado, pode se fixar numa população, e como isso poderia resultar em uma descendência viável? É preciso vencer, pelo menos, dois obstáculos difíceis:

1) Na maioria dos casos, indivíduos com cromossomo fundido aleatoriamente podem ser normais, mas é muito provável que sua descendência tenha uma doença genética. Um exemplo clássico disso é a síndrome de Down.

2) Para resolver esse problema em (1) é preciso encontrar uma parceira que também tenha um evento de fusão cromossômica idêntico. Mas a pesquisa de Valentine e Erwin implica que tais eventos seriam altamente improváveis de acontecer: “The chance of two identical rare mutant individuals arising in sufficient propinquity to produce offsprings seems too smal to consider as a significant evolutionary event” (Erwin, D. H., e Valentine, J. W. “Hopeful monsters, transposons, and the Metazoan radiation”, Proc. Natl. Acad, Sci. USA, 81:5482-5483, Sep. 1984).

Assim, os evolucionistas precisam explicar por que um evento de fusão cromossômica aleatória que, em nossa experiência, resulta unicamente em descendência com doenças genéticas, não resultou numa doença genética e se tornou vantajoso o suficiente para se fixar numa população inteira de nossos ancestrais. Como não temos evidência empírica de que tais eventos de fusão cromossômica aleatórios não são sem vantagens, talvez a presença de um evento de fusão cromossômica não seja uma boa evidência para a história neodarwinista sobre os humanos.

Além disso, as pesquisas científicas vêm mostrando evidências que complicam cada vez mais a hipótese da ancestralidade comum:

1. Chimpanzee and human Y chromosomes are remarkably divergent in structure and gene contente.

  1. Incomplete lineage sorting patterns among human, chimpanzee and orangutan suggest recent orangutan speciation and widespread selection.Genome Research, 2011.

(~8% de nosso genoma é mais próximo de orangotangos do que chimpanzés… Vamos pular de galho em galho agora?)

  1. Mapping Human Genetic Ancestry.(23% de diferença? Para onde foi a semelhança de 99%? “For about 23% of our genome, we share no immediate genetic ancestry with our closest living relative, the chimpanzee. This encompasses genes and exons to the same extent as intergenic regions. We conclude that about 1/3 of our genes started to evolve as human-specific lineages before the differentiation of human, chimps, and gorillas took place” [Ingo Ebersberger, Petra Galgoczy, Stefan Taudien, Simone Taenzer, Matthias Platzer, and Arndt von Haeseler, “Mapping Human Genetic Ancestry,” Molecular Biology and Evolution, v. 24(10):2266-2276 (2007)].

Para finalizar, seria muito melhor os evolucionistas dizerem “Eu não sei” do que afirmar categoricamente que a fusão cromossômica ocorreu há uns 50 mil anos, contrariando a hipótese da ancestralidade comum que sugere um tempo de [supostos] 6 milhões de anos, pois comparar genomas humanos com chimpanzés é como procurar agulhas em palheiro:“Comparing the human and chimpanzee genomes: Searching for needles in a haystack.”

Fonte: Criacionismo
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O Pensamento Hebraico Comparado ao Grego

Na Antiguidade, dentre as várias cosmovisões existentes, duas, em especial, se destacavam. Grécia e Israel tinham modos bem distintos de pensar. É preciso admitir que os gregos deixaram uma herança muito rica para o Ocidente, nas artes, na ciência e na cultura. Sem eles, não seríamos o que somos hoje. No entanto, do ponto de vista religioso, a influência grega trouxe mais problemas do que vantagens. Se hoje temos tanta dificuldade para entender a Bíblia, em grande parte, isso se deve à nossa mente “helenizada” (é preciso lembrar que os autores bíblicos eram, em sua maioria, hebreus e que até o Novo Testamento, escrito em grego, reflete o modo hebraico de pensar). Daí a importância de entender mais a fundo a mentalidade hebraica antiga.Adotar uma perspectiva hebraica das Escrituras ajuda a entender o pensamento dos autores bíblicos?

O objetivo deste artigo é relacionar, de modo sucinto, algumas das principais nuances do pensamento hebraico, comparando-as ao pensamento grego, que, via de regra, é também o pensamento ocidental.

Vale lembrar que nem todos os gregos e hebreus pensavam de maneira idêntica. Havia, dentro de cada cultura, diferentes ramificações quanto à religião e à filosofia. As características abaixo representam cada modo pensar de forma geral, sem levar em consideração as diferentes subdivisões.

Concreto x abstrato

No idioma hebraico antigo (língua predominante do Antigo Testamento), ao contrário do grego, as ideias eram muito mais concretas do que abstratas. Até conceitos abstratos, como os sentimentos, costumavam ser associados a algo concreto.

Em hebraico, a palavra “ira” ou “raiva”, por exemplo, é ’af (Êx 4:14), a mesma que é usada para “nariz” ou “narinas” (Jó 40:24). Mas o que tem que ver nariz com raiva? Geralmente, quem fica com muita raiva respira de modo acelerado, e as narinas se dilatam. Talvez esse seja o motivo concreto por trás da relação entre as duas palavras.

Outro exemplo desse concretismo hebraico é a palavra “fé”, ’emunah (Hc 2:4), que em vez de significar apenas crença ou aceitação mental – como no grego –, expressa também qualidades como firmeza, fidelidade e estabilidade. Ter fé, na visão hebraica, é se firmar em Deus, como uma estaca fincada no chão (ver Is 22:23, onde “firme” vem do verbo’aman, a mesma raiz de ’emunah). Portanto, crer, do ponto de vista bíblico-hebraico, inclui também a ideia de se apegar a Deus e ser fiel.

Dinamismo x ócio

Na Grécia antiga, dava-se mais valor à falta de ocupação do que ao trabalho, principalmente entre os atenienses. Não ter que trabalhar e se dedicar apenas à contemplação e ao mundo das ideias era considerada a mais nobre das “atividades”. Já os hebreus eram um povo extremamente dinâmico e seu idioma refletia isso.

No português, como em outras línguas, o sujeito vem em primeiro lugar na frase, e o verbo, geralmente, é colocado logo em seguida. Exemplo: “Antônio obedeceu a seu pai.” Em hebraico, a ordem das palavras ficaria assim: “Obedeceu Antônio a seu pai.” Isso mostra o valor das ações para os hebreus.

Até substantivos que, para nós, não implicam necessariamente uma ação, para eles envolviam algum movimento. A palavra “presente” (ou “bênção”), berakah em hebraico (Gn 33:11), por exemplo, vem da raiz brk (“ajoelhar”), e significa “aquilo que se dá com o joelho dobrado”, fazendo referência ao costume de inclinar o corpo ao presentear alguém. A palavra “joelho”, berek (Is 45:23), por sua vez, significa, literalmente, “a parte do corpo que se dobra”.

O conceito hebraico de comunhão – “andar com Deus” (Gn 6:9; Mq 6:8) – também envolve movimento e significa manter um relacionamento constante com Ele. E a palavra “júbilo”,rwa‘ ou ranan (Sl 100:1; 149:5), significa “dar um grito retumbante de alegria”.

Para os hebreus, havia uma íntima relação entre aquilo que se fala e o que se faz. Entendia-se que a palavra de um homem deve corresponder às suas ações. Aliás, “palavra”, em hebraico, significa também “coisa” ou “ação”, dabar. Logo, dizer algo e não agir de acordo implicava mentira, falsidade.

Essência x aparência

Os gregos descreviam os objetos em relação à sua aparência. Os hebreus, ao contrário, consideravam mais a essência e função das coisas. Exemplo: Se nos mostrassem um lápis e nos pedissem para descrevê-lo, como seria nossa descrição? Provavelmente, diríamos: “O lápis é azul”, ou “é amarelo”; “tem ponta fina”, ou não; “é cilíndrico”, ou “é retangular”; “é curto”, ou “é comprido”; etc. Note que em todas essas características a ênfase está na aparência.

Um hebreu descreveria o mesmo lápis de forma bem mais simples e objetiva: “É feito de madeira, e eu escrevo palavras com isto.” Na cosmovisão hebraica, a essência das coisas e sua função eram mais importantes que a forma ou a aparência.

Por isso, os elogios de Salomão à sua amada no livro de Cantares parecem tão estranhos para nós, ocidentais. Dizer a uma mulher: “O teu ventre é [um] monte de trigo” (Ct 7:2) pode não soar bem hoje em dia. Mas, na cultura da época, a imagem do trigo trazia a ideia de fertilidade e fartura (função e essência), e ter muitos filhos era o sonho de toda mulher.

Outro exemplo é a descrição feita sobre a arca de Noé e o tabernáculo do Antigo Testamento (Gn 6:14-16; Êx 25-28). Qualquer um que lê o que a Bíblia diz a respeito dessas construções nota que há muito mais detalhes sobre a estrutura e os materiais empregados na confecção do que em relação à sua aparência.

Além de funcional e essencial, o estilo de descrição dos hebreus era também pessoal – o objeto era descrito de acordo com a relação dele com a pessoa. Ao descrever um dia ensolarado, em vez de dizer: “O dia está lindo”, um hebreu diria: “O sol aquece meu rosto!” Daí a descrição de Davi: “O Senhor é o meu pastor” (Sl 23:1).

Teoria x prática

Na cosmovisão grega, “saber” era mais importante do que “ser”. Para os gregos, sabedoria era o resultado sobretudo do estudo, da contemplação e do raciocínio. O conhecimento era essencialmente teórico, limitado ao mundo das ideias, e o mais importante era conhecer a si mesmo.

Para os hebreus, no entanto, o conhecimento era essencialmente prático. Conhecer era, principalmente, experimentar, se envolver com o objeto de estudo. O conhecimento de Deus era o mais importante, e a verdadeira sabedoria estava em saber ouvir, especialmente a Ele – “Ouve, ó Israel […]” (Dt 6:4). Na mentalidade hebraica, “temer a Deus” é o primeiro passo para ser sábio (Sl 111:10; Pv 1:7).

Tempo x espaço

Quando queremos incentivar alguém a prosseguir, dizemos: “Bola pra frente!”, e quando queremos dizer que algo ficou no passado, falamos: “Ficou para trás.” Mas quem nos ensinou que o futuro está à nossa frente e o passado atrás? Possivelmente, os gregos. Eles tinham uma visão espacial do tempo, e nós herdamos isso.

Os hebreus (que valorizavam mais o tempo do que o espaço) enxergavam passado e futuro de modo diferente. Para eles, mais importante do que localizar o tempo de forma espacial era defini-lo em ações completas e incompletas (aliás, “completo” e “incompleto” são os nomes que se dá aos tempos verbais do hebraico).

Na mentalidade hebraica antiga, o passado (tempo completo) estava à frente (as palavrastemol e qedem, “ontem” ou “antigamente”, significam também “em frente”), e o futuro (tempo incompleto) estava atrás – mahar, “amanhã” ou “no futuro”, vem da raiz ’ahar, que significa, entre outras coisas, “ficar atrás”, ou “para trás”. (Veja Êx 5:14; Jó 29:2; Êx 13:14 e Dt 6:20.)

E por que eles entendiam o tempo assim? O pensamento hebraico era simples e direto. O passado já foi completado, por isso podemos olhar para ele como se estivesse diante dos nossos olhos. O futuro, porém, ainda está indefinido, incompleto, por isso, ainda é desconhecido e é como se estivéssemos de costas para ele.

História cíclica x linear

Os gregos viam o curso da história como uma espécie de roda gigante. Para eles, a história se repetia eternamente, num eterno vai e vem sem destino.

Para os hebreus, no entanto, a história era linear e climática. Deus foi quem a iniciou (Gn 1:1), e é Ele quem faz com que ela prossiga para um fim, um clímax, o chamado “Dia do Senhor” (yom Yahweh; Sf 1:7, 14; Jl 2:1; 2Pe 3:10). Mas essa descontinuidade da história será apenas o começo da eternidade (‘olam; Dn 12:2).

Deus x “eu”

Na cosmovisão grega, o “eu” (ego) era o centro de tudo. Diz a lenda que à entrada do Oráculo de Delfos, na Grécia Antiga, havia a frase “Conhece-te a ti mesmo”. Na cultura hebraica, por outro lado, Deus era o centro de todas as coisas. Os hebreus não dividiam a vida, como nós fazemos, em sagrada e secular. Para eles, essas duas áreas eram uma coisa só, sob o domínio de Deus.

Até mesmo as tarefas do dia a dia eram consideradas, de certa forma, sagradas. A palavra hebraica ‘abad – “servir” ou “adorar” (Sl 100:2) – pode ser também traduzida como “trabalhar”. Na lavoura, na escola ou no templo, a vida era vista como um constante ato de adoração (1Co 10:31; Cl 3:2; 1Ts 5:17). Para eles, a adoração era mais do que um evento, era um estilo de vida.

Pensamento corporativo x individualismo

Os gregos consideravam a individualidade um valor supremo e praticamente inegociável. Os hebreus, por sua vez, tinham uma “personalidade corporativa” e enfatizavam a vida em comunidade. Na cosmovisão hebraica, havia uma ligação inseparável entre o indivíduo e o grupo. A vitória de um era a vitória de todos, e o fracasso de um representava o de todos. Por isso, para os cristãos, se, por um lado, a falha de Adão lá no Éden representou nossa queda, por outro lado, a morte de Cristo na cruz dá a todos a oportunidade de salvação (1Co 15:22; Jo 3:16).

Amor: decisão x emoção

No mundo grego, o amor, em suas várias formas, se resumia muitas vezes a um mero sentimento. Na visão hebraica, porém, amor é mais que isso: é uma escolha (em Ml 1:2, 3 e Rm 9:13, “amar” e “odiar” são sinônimos de “escolher” e “rejeitar”). É algo prático, traduzido em ações – a Deus e ao próximo (Mt 22:35-40).

Paz: presença x ausência

No pensamento ocidental, paz depende das circunstâncias. É a ausência de guerras, problemas e perturbações. Mas para os hebreus, paz não implicava, necessariamente, ausência, e sim presença. Só a presença de Deus pode trazer bem-estar, segurança e felicidade – que são ideias contidas na palavra shalom (Jz 6:24).

Integral x dualista

Os gregos tinham uma visão dualista da realidade. Com base nos ensinamentos de Platão, acreditavam que havia dois mundos: o das ideias (ou do espírito) e o mundo real. De acordo com essa visão, o ser humano era formado por duas partes: espírito (ou alma) e corpo. Para eles, o corpo e as coisas materiais eram ruins, e apenas o “espírito” e as coisas do “além” podiam ser considerados bons. Assim, a morte, na verdade, seria a libertação da alma, que, enquanto estivesse no corpo, estaria presa ao mundo material.

Já os hebreus tinham uma visão integral da vida. Para eles, o ser humano era completo, indivisível. Na mentalidade hebraica, alma se refere ao indivíduo como um todo (corpo, mente e emoções). De acordo com Gênesis 2:7, nós não temos uma alma, nós somos uma alma, ou seja, seres vivos (nefesh hayyah, em hebraico). Ao contrário dos gregos, que criam na imortalidade do espírito, os hebreus acreditavam na mortalidade da alma e na ressurreição (Ez 18:4; Dn 12:1, 2).

Espiritualidade x misticismo

Para os gregos, espiritualidade era algo místico. Ser espiritual significava desprezar totalmente a matéria e se conectar ao “outro mundo”. Esse desprezo das coisas materiais variava entre dois extremos. Alguns, por exemplo, renunciavam completamente os prazeres físicos, tais como a alimentação e o sexo, a ponto de mutilar seus órgãos genitais. Outros, por outro lado, se entregavam a todo tipo de sensualidade e orgia. Ambos os comportamentos tinham como base a ideia de que o corpo é mau, e que, no fim das contas, o que importa mesmo é a “alma”.

Mas para a cosmovisão hebraica, o corpo foi criado por Deus, e por isso é sagrado. A Bíblia diz que “do Senhor é a Terra” (Sl 24:1). E enquanto criava o mundo, Deus viu que este “era bom” (Gn 1:10, 12, 18, 21) – e não mau, como acreditavam os gregos. Deus fez o mundo (as coisas materiais), e deu ao ser humano a responsabilidade de cuidar dele.

Para os hebreus, portanto, espiritualidade tinha que ver, sim, com esta vida. Na cosmovisão bíblica, não é preciso se isolar em um monastério, recorrer à meditação transcendental ou entrar num estado de transe para atingir “o mundo superior”. É possível ser “santo” e desenvolver a espiritualidade no dia a dia, nas situações comuns da vida e no trato diário com as pessoas (Lv 20:7; 1Pe 1:16).

Conclusão

Embora devamos muito aos gregos como herdeiros de sua cultura, é fundamental que adotemos uma perspectiva hebraica ao estudar as Escrituras, a fim de que nossa hermenêutica se aproxime ao máximo do modo de pensar dos autores bíblicos, bem como do sentido original do texto.

(Eduardo Rueda é bacharel em Teologia e editor associado na Casa Publicadora Brasileira)

Fontes: Thorleif Boman, Hebrew thought compared with greek (Norton, 1970); Marvin R. Wilson, Our Father Abraham (Eerdmans, 1989); _________, “Hebrew thought in the life of the church”, The living and active word of God (Eisenbrauns, 1983); Jacques Doukhan, Hebrew for Theologians (University Press, 1993); Ferdinand O. Regalado, Hebrew thought: its implications for adventist education (Universidade Adventista das Filipinas, 2000); Daniel Lopez, doutorando em linguística pela UFF-RJ e professor de Filosofia da Educação na UFRJ; Rodrigo P. Silva, graduado em filosofia, arqueólogo e doutor em Teologia; site
Fonte: Criacionismo
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Política e Religião se Discutem (Cuidado com os Homens de Palha!)

Alguns exemplos são fáceis de identificar. No livro The Fallacy Detective, Nathaniel e Hans Bluedorn utilizam o seguinte caso:

CANDIDATO POLÍTICO A: Devido a problemas de orçamento deste ano, eu acho que o nosso estado deve diminuir a quantidade de dinheiro que vai para as escolas. Isto iria resolver o problema. Poderíamos trazer a quantidade de dinheiro de volta ao normal no próximo ano.

CANDIDATO POLÍTICO B: Meus concidadãos, é isso que vocês esperam de um candidato? Alguém que é contra as nossas escolas, contra a educação dos nossos filhos e contra o nosso futuro?

Como você pode ver, o Candidato B não toca na questão na qual o Candidato A está concentrado: a solução para um problema de orçamento. Em vez disso, o Candidato B deturpa a posição do Candidato A para fazer parecer que ele (o Candidato A) está procurando cortar o financiamento das escolas porque não quer o progresso da educação. É muito mais fácil ganhar um argumento nas mentes das pessoas quando você cria uma posição que não é a verdadeira e, em seguida, argumenta contra essa posição (posição que, na realidade, a outra pessoa nunca teve). É por isso que Nathaniel e Hans Bluedorn classificam a “falácia do espantalho” como “uma tentativa de evitar a verdadeira questão”.

Ao defender a fé, esse tipo de interlocução acontece com muita freqüência. Aqui estão uns exemplos clássicos:

Exemplo 1

CRISTÃO: Sem um Deus onibenevolente (totalmente bom), não há nenhuma maneira de fundamentar os valores morais. Portanto, o ateísmo não tem fundamento para a moralidade objetiva.

ATEU : Como vocês, cristãos, ousam dizer que, porque eu sou ateu, eu não consigo entender o que significa ser moral?

No diálogo acima, você pode ver que o cristão não está discutindo se o ateu poderia “reconhecer ou compreender” o que significa ser moral. Isso é uma questão de “conhecimento”. Ao contrário, o que o cristão está  alegando é que não há “base” lógica no ateísmo para acreditar que a moralidade, mesmo que seja “reconhecida”, deva ter autoridade sobre as ações de alguém. Isto é conhecido como o problema da fundamentação moral.

Exemplo 2

ATEU : A ciência é baseada na razão, enquanto a religião é baseada apenas na fé.

Em uma declaração como essa, há realmente dois “homens de palha/espantalhos”. Em primeiro lugar, o mais fácil de identificar é o que afirma que a religião (que geralmente significa o Cristianismo) só se baseia na fé. Isso simplesmente não é verdade, já que o Cristianismo, desde os primórdios, tem contado com as evidências de testemunhas oculares e do túmulo vazio (Atos 2:32, Atos 3:15, 1 Coríntios 15:3-8), chegando até mesmo a apelar para a multidão com frases como “como vocês mesmos sabem…”(Atos 2:22).

Em segundo lugar, a declaração descaracteriza a ciência como algo completamente desprovido de paixão ou preconceito. A história da ciência mostra o contrário, com enormes lutas emergindo por várias posições. Porque o dinheiro e a posição são agora uma parte do processo científico (a maioria nos campi das universidades já ouviu o jargão “publicar ou perecer”),  é mais fácil que as pessoas,  inadvertidamente, tornem-se tendenciosas em suas pesquisas. Na verdade, isso é o que este artigo recente publicado na revista científica Nature revela. Eles observaram dentro do campo do desenvolvimento farmacêutico  que os “controles internos da ciência sobre o viés (preconceito) estavam falhando, e o viés e o erro caminhavam na mesma direção – para uma disseminado excesso de relatórios de resultados falsos positivos”. Isso não significa que toda descoberta científica é tendenciosa, mas demonstra que a ciência não é de alguma forma mais imune ao viés que qualquer outro campo de estudo.

Impor um “espantalho” durante uma discussão não é “jogar limpo”. Essa falácia julga o interlocutor por uma visão que ele mesmo não defende. Se vamos interagir numa argumentação com outras pessoas, devemos ter a certeza de que entendemos corretamente a sua posição específica.

Fonte: Lenny Esposito (ComeReason)
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Crédito da imagem: Strawman 2, Clyde Robinson, em Flickr. CC BY 2.0 Generic.
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Pesquisador Explica Por Que os Adventistas Vivem Mais

As estatísticas têm mostrado que a religião torna as pessoas mais felizes, e isso não é tudo: a religião pode ajudá-las a viver mais tempo também.

Em uma tentativa de “engenharia reversa da longevidade”, Dan Buettner passou anos pesquisando as partes do mundo onde as pessoas vivem muito mais tempo do que a média. A maioria desses locais estão fora dos Estados Unidos, incluindo a Sardenha, na Itália, e Okinawa, no Japão,  mas há, sim, um grupo de longa vida nos Estados Unidos. São os adventistas do sétimo dia, que vivem em média 10 anos mais do que a expectativa de vida dos americanos, de cerca de 79 anos.

Buettner, cujo trabalho faz parte do Projeto Blue Zones (Zonas Azuis), juntou-se à jornalista do HuffPost Caitlyn Becker na quarta-feira para explicar o que adventistas do sétimo dia fazem de correto. Isso inclui ter uma dieta baseada em vegetais e “uma rede social que reforça o comportamento certo”. Suas crenças religiosas também são uma grande ajuda, disse ele.

“Eles levam essa ideia do sábado muito a sério, e, fazendo assim, reduzem a pressão do estresse”, disse Buettner. “Cerca de 84 por cento dos dólares gastos com cuidados com a saúde são gastos por causa de escolhas alimentares ruins, sedentarismo e estresse não gerenciado, e os adventistas têm essa forma cultural de gestão do estresse através do seu sábado.” (Assista à entrevista aqui)

Fonte: TheHuffingtonPost

Saiba mais sobre os segredos da longevidade adventista assistindo à Série “Blue Zone”, da TV Novo Tempo

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O Amor Pode Esperar

 Foge, também, dos desejos da mocidade. 2 Timóteo 2:22, ARC

 

Imagino que muitos de meus leitores sejam jovens solteiros, para quem, numa cultura de indulgência, o sexo pré-marital seja uma das maiores tentações. Se você leva a sério seu compromisso com Cristo, gostaria de fazer duas considerações. Primeira: você deve decidir com antecedência seu tipo de namoro. Se você deixar para decidir quando as emoções estiverem fora de controle, você já terá perdido a batalha. Segunda: lembre-se ainda de que estudos indicam que o sexo pré-marital aumenta consideravelmente a chance do sexo extraconjugal tanto para você como para o futuro cônjuge.

 Quais são os argumentos em geral usados para a defesa do sexo leviano?

“Todo mundo está fazendo.” Isso não é verdade. Mas, ainda que fosse, esse é um argumento precário. Suponhamos que 90% das pessoas desenvolvam úlceras. Deveria a Associação Médica reescrever os textos de medicina ou tentar persuadir os outros 10% de que úlcera é algo bom para a saúde?

“Sexo pré-marital foi aceito em muitas culturas. Assim, valores morais dependem da cultura.” O argumento é tão fraco como o anterior. Joseph Daniel Unwin, erudito inglês, estudou 80 civilizações dos últimos quatro mil anos. Ele impressionou-se com fato de que as escolhas sempre foram: promiscuidade sexual e declínio, ou disciplina sexual e criatividade. Segundo ele, qualquer sociedade é livre para escolher uma das alternativas, mas não há liberdade quanto aos resultados. A promiscuidade da década de 1960 está hoje cobrando um enorme preço das pessoas, famílias e governos.

 – “Sexo é uma necessidade como ar, água e alimento.” Você não pode viver sem ar, água e alimento. Mas, creia, você pode viver sem sexo. Respirar, beber e alimentar-se, usualmente, não ferem outras pessoas. Por outro lado, o sexo pré-marital é capaz de magoar profundamente e destruir vidas.

“Repressão sexual prejudica o psiquismo.” O sociólogo Herbert J. Miles, PhD, estudioso da sexualidade humana, indica que não há qualquer evidência séria de que a abstinência do sexo pré-marital seja prejudicial à vida emocional normal ou que seja perigoso para o sucesso no casamento. A verdade é precisamente o oposto. O sexo praticado de modo contrário à orientação divina deixa marcas físicas, emocionais e espirituais. “Fugi da prostituição.” 1 Coríntios 6:18, ARC.

Os argumentos em defesa do sexo descomprometido entre jovens são vários e, sem dúvida, têm exercido considerável impacto. Essa lógica distorcida tem três fortes aliados: (1) inexperiência e curiosidade da juventude, (2) força da propaganda e (3) o poder da inclinação sexual. Além dos argumentos discutidos acima, analise ainda o engano de outras teorias que tentam validar o sexo pré-marital:

 – “Muitas autoridades recomendam.” Escolha qualquer curso de conduta que você queira seguir e você encontrará “autoridades” para endossar sua escolha. Cada autoridade tem predisposições pessoais. É importante que você determine “quem” disse isso e “por quê”.

 – “Se você não transigir, há outros que o farão.” Se um candidato a ser seu companheiro de vida se utilizasse desse tipo de conversa, estaria automaticamente desqualificado. Ao vê-lo partir, você não terá perdido nada.

 – “Precisa-se experimentar o casamento para ver se há compatibilidade.” Esse é o argumento “experimente antes de comprar”. A questão é realmente simples: Como você pode testar o casamento se você não tem casamento? Como você vai testar o casamento num relacionamento em que faltam os elementos básicos do matrimônio: compromisso, determinação para se resolver as dificuldades e vontade incondicional? Na realidade, o namoro é uma fase de experiência em que o teste deve começar pela observação séria do caráter, da convivência familiar, da responsabilidade com a vida, do trabalho, entre outras responsabilidades. Se você fizer do sexo o “teste” para o casamento, estará escolhendo a base errada para uma construção dessa magnitude.

 – “Um simples papel não fará diferença.” Essa é a conversa de quem não quer compromisso sério. De fato, o que importa não é o “papel”, mas o que ele representa: compromisso, lealdade e determinação. O que aconteceria a um aluno que fosse apenas “ouvinte” ou “visitante” em algumas aulas na universidade? Com que determinação ele enfrentaria os exames, leituras, trabalhos, estágios e exigências? Na primeira dificuldade, estaria fora. Não há nada mágico no papel, mas a confiança, o respeito mútuo, a dedicação sem limites e a comunicação verdadeira são possíveis apenas em um ambiente de envolvimento. A cerimônia do casamento e o compromisso social e legal que estão envolvidos desenvolvem a disposição para um relacionamento exclusivo e duradouro.

 Lembre-se: o amor pode esperar, mas a concupiscência é impaciente.

Fonte: Amin A. Rodor (Encontros com Deus. Meditações Diárias, 2014)

 

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Deus e as Leis da Lógica

As leis da Lógica são apenas convenções humanas?

Todas as discussões racionais (mesmo aquelas relacionadas com a existência ou não de Deus) são dirigidas e restringidas pelas leis da Lógica. Apenas o teísmo, no entanto, pode justificar adequadamente a existência dessas leis transcendentes. Se Deus existe, Ele é o padrão absoluto, objetivo, transcendente da verdade; as leis da Lógica são simplesmente um reflexo da Sua natureza. Elas existem como uma extensão do Seu pensamento racional e, por esta razão , elas são tão eternas quanto o próprio Deus. “É Deus real?” Sem Deus como a fonte para as leis transcendentes da Lógica, abordar essa questão (e empreender qualquer jornada lógica em busca de uma resposta a ela) seria impossível.

Como ateu, eu rejeitava a existência de Deus e oferecia uma série de objeções e explicações alternativas em um esforço para explicar as leis da Lógica. Já examinamos a explicação teísta para essas leis e também várias objeções naturalistas para ver se o ateísmo poderia oferecer uma alternativa viável. Se as leis da lógica não são simplesmente uma “realidade bruta” do nosso universo, poderiam ser elas apenas uma questão de consenso humano?

Objeção: Não são as leis da lógica simplesmente convenções humanas?

Resposta: Não. Por “convenção”, a maioria das pessoas normalmente quer dizer “um princípio com o qual todos concordam”. Se as leis da lógica são simplesmente idéias sobre a verdade, que as pessoas acordaram, duas coisas seriam necessárias antes que pudéssemos ter qualquer lei da Lógica: as pessoas e o acordo. Mas a Lei da Identidade (por exemplo) já existia antes que as pessoas estivessem aqui para pensar sobre ela. Antes da existência das pessoas, “A” ainda era “A” e não poderia ser “não-A”. Além disso, as pessoas discordam sobre o que é verdadeiro (ou falso) o tempo todo, e as nossas posições muitas vezes se contradizem. Como, então, podem as leis da Lógica ser transcendentes a menos que elas existam para todos nós, quer concordemos com elas ou não? Se as leis da lógica fossem apenas convenções humanas aceitas, elas em essência seriam sujeitas a “votação”; as leis da lógica poderiam ser alteradas, se houvesse gente o bastante para concordar sobre o assunto [no entanto, elas são imutáveis].

Objeção: Se Deus criou as leis da lógica, elas são dependentes de Deus. Elas, então, não são verdades necessárias, mas verdades contingentes, e isso significa que elas não são fundamentais para o universo.  Sendo assim, se Deus criou as leis da lógica, não significa também que Ele poderia mudá-las sempre que Ele quisesse? Deus não poderia organizar as coisas de forma que “A” também fosse “não- A”? Afinal, se Ele criou as leis, Ele deve ser capaz de mudá-las. Mas a proposição “A” também é “não- A” é irracional. Logo, se Deus não é capaz de alterar mesmo essa lei, as leis da lógica não parecem nada dependentes de Deus.

Resposta: Deus não criou as leis da lógica. Essas leis são simplesmente um reflexo dos pensamentos e do caráter lógico de Deus, e como tal, elas revelam a Sua lógica e Sua natureza perfeita. Deus, em Sua perfeição, não fará (e não pode fazer) nada para violar Sua própria natureza; Ele não é autocontraditório. Assim como não existe tal coisa como um “círculo quadrado” (porque isso viola a natureza da circularidade), Deus não pode existir fora de Sua natureza, incluindo a natureza dos seus pensamentos lógicos. A lógica é fundamental simplesmente porque Deus é fundamental. As leis da lógica são objetivas, imutáveis, internamente consistentes e transcendentes porque refletem a natureza de Deus.

Objeção: Mas não há diferentes tipos de lógica? Se há uma variedade de pontos de vista diferentes e de leis, a idéia de transcendência é incorreta. Não há necessidade, portanto, de uma fonte transcendente dessas leis.

Resposta: Embora seja verdade que existem diferentes categorias de lógica aplicadas aos diferentes aspectos da verdade proposicional, da matemática e do raciocínio, os princípios básicos subjacentes da Lógica permanecem intactos e fundacionais. Além disso, embora muitas “leis do pensamento” tenham sido propostas ao longo do tempo por grandes pensadores (Platão, Aristóteles, Locke, Leibniz, Schopenhauer, Boole, Welton e mesmo Russell), essas leis refletem apenas, de uma forma ou de outra, os mesmos axiomas lógicos objetivos, pré-existentes e universais. Em essência, continuamos a reafirmar e reformular mais e mais as mesmas leis da Lógica de sempre. Quando alguém diz que “há diferentes tipos de lógica”, está falhando ao deixar de reconhecer os axiomas subjacentes objetivos e imutáveis. Essas leis fundamentais da Lógica permanecem constantes dentro de cada sistema.

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A fim de viver de forma consistente dentro de nossa visão de mundo, cada um de nós deve examinar a base para nossas alegações racionais. Se eu não acredito em alguma coisa, mas ajo como se acreditasse nela, minha vida é contraditória. Se eu rejeito a astrologia, por exemplo, mas compro um bilhete de loteria hoje com base nos números fornecidos pelo horóscopo de hoje, estou agindo de forma inconsistente. Assim, quando era ateu e argumentava contra a existência de Deus, eu empregava leis da lógica que a minha visão de mundo ateísta não podia me fornecer. Eu tinha que tomar emprestado esses conceitos exatamente da própria visão de mundo que eu estava tentando derrotar. Hoje, não mais um ateu e sim um teísta, eu tenho um fundamento adequado para esses axiomas lógicos. Eu posso responder a objeções de uma forma que seja consistente com a minha visão de mundo.

Fonte: J. Warner Wallace, detetive de homicídios (especialista em casos encerrados), autor de “The Cold Case Christianity” e “ALIVE”