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TV Brasil Apresenta a Igreja Adventista do Sétimo Dia no Programa “Retratos de Fé”

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Game “Profecias para Crianças”

Game Daniel 2

A Rede Novo Tempo de Comunicação criou recentemente um novo segmento de atuação visando atingir o público mais jovem, que já interage na Internet, mas que também domina outras tecnologias como a de jogos para computador e dispositivos móveis.

Pesquisas recentes demostram que mais 68% das pessoas que jogam tem menos de 18 anos[1]. Vários especialistas indicam que nos próximos anos os games provavelmente perderão o aspecto de ser um problema e ganharão status de ferramenta educacional. [2]

Diante dessa nova realidade a Novo Tempo está buscando apresentar a mesma mensagem de esperança que já é característica da NT, mas agora num formato diferenciado e numa linguagem mais compreensível para crianças e adolescentes.

Agora no início de 2015 estará sendo lançado o game Profecias para Crianças (em português e em espanhol) que tem como objetivo ensinar as mensagens proféticas da Bíblia de um jeito que as crianças possam entender mais facilmente. A primeira profecia será a de Daniel 2.  No game a criança poderá interagir com os atores da história e aprender o significado da estátua. Os usuários de dispositivos com Android já podem acessar pesquisando na loja de aplicativos Google Play por “Profecias para Crianças”. Para dispositivos Apple IOS estará disponível no ITunes.

“Ainda estamos na fase de adaptação e aprendizado, mas acreditamos que a medida em que formos evoluindo nessa área teremos mais jogos e com capacidade de atingir outras faixas etárias, mas sempre com o objetivo de levar a mensagem de  esperança e salvação”, afirma Carlos Magalhães responsável pelo departamento de Web da NT.

Se você quiser conhecer outros jogos experimentais da Novo Tempo, pode acessar http://novotempo.com/games

 Fonte: Novo Tempo

Publicado em ciência, Pesquisas

Pesquisa Desacredita Fusão de Cromossomo Humano

Evidência de ancestralidade comum?

Em 2002, 614 mil bases de DNA cercando o local da fusão foram totalmente sequenciadas, revelando que a sequência de fusão alegada estava no meio de um gene originalmente classificado como pseudogene, porque não havia até então nenhuma função para ele. A pesquisa também mostrou que os genes ao redor do local da fusão na janela das 614 mil bases não existiam no cromossomo 2A ou 2B do chimpanzé – a localização suposta para a origem símia. Na terminologia genética, nós chamamos essa localização discordante do gene de falta de sintenia.Humanos e grandes símios diferem em número de cromossomos – humanos possuem 46 enquanto símios possuem 48 deles. A diferença é atribuída à “fusão de ponta-em-ponta” de dois pequenos cromossomos similares aos dos macacos em um ancestral humano-símio que se juntaram em um passado distante e formaram o cromossomo 2. Essa ideia foi inicialmente proposta por pesquisadores que perceberam que humanos e chimpanzés compartilham padrões similares de marcação de cromossomos quando observados em um microscópio. Todavia, humanos e chimpanzés também têm regiões dos seus cromossomos que não compartilham padrões de marcação comuns. A suposta prova para a alegada fusão veio em 1991, quando pesquisadores descobriram uma sequência de DNA com cerca de 800 bases de comprimento no cromossomo 2 humano. Mas essa sequência estava inesperadamente pequena em tamanho e extremamente degenerada. Mais importante, essa nova sequência semelhante à fusão não era o que os pesquisadores estavam esperando encontrar, pois continha uma assinatura nunca vista. Todas as fusões conhecidas em animais vivos estão associadas com uma sequência chamada DNA satélite (satDNA), que funde em um dos dois seguintes cenários: (1) satDNA-satDNA ou (2) satDNA-telômeroDNA (telômeros são as regiões no fim dos cromossomos que contêm milhares de repetições da sequência “TTAGG”). A sequência alegadamente de fusão continha uma assinatura diferente, uma fusão telômero-telômero e, se real, poderia ser o primeiro caso já documentado na natureza.

Eu publiquei agora uma nova pesquisa sobre o local da fusão alegada, revelando dados genéticos que desacreditam completamente as alegações evolucionistas. Minha análise confirma que o local está dentro de um gene chamado DDX11L2 no cromossomo humano 2. Ainda mais, a sequência de fusão alegada contém uma característica funcional genética chamada “local de ligação de transcrição de fator”, que é localizado no primeiro intron (região não codificada) do gene. Fatores de transcrição são proteínas que ligam locais regulatórios dentro e ao redor dos genes para controlar suas funções, atuando como interruptores. O gene DDX11L2 tem três dessas áreas, uma das quais é codificada no local da fusão alegada.

Os cromossomos são moléculas de DNA de cadeia dupla e contêm genes nas duas cadeias que são codificados em direções opostas. Devido ao gene DDX11L2 ser codificado na cadeia orientada reversamente, ele é lido na direção reversa (ver a seta “Exon 1”). Então, a sequência de fusão alegada não é lida na direção avante tipicamente utilizada na literatura como evidência para uma fusão – ao contrário, ela é lida na direção reversa e codifica um interruptor regulatório chave.

O local suposto de fusão é atualmente uma parte-chave do gene DDX11L2. O gene em si mesmo é parte de um grupo complexo de genes RNA helicase DDX11L que produzem longos RNAs regulatórios não codificantes. Estes transcritos RNA DDX11L2 são produzidos em 255 tipos diferentes de células e tecidos humanos, destacando a função biológica ubíqua do gene.

(ICR, com tradução de Alexsander Silva)

Comentário de Enézio de Almeida Filho: O assunto é tecnicamente complexo, mas fácil de se resolver – os evolucionistas simplesmente “contam”, mas não analisam os cromossomos: os humanos têm 23 pares de cromossomos e os primatas têm 24 pares; portanto, dois cromossomos de primatas foram fundidos em um cromossomo humano. Mas será isso mesmo? Consideremos – e se o ancestral comum tivesse 23 cromossomos distintos, e um cromossomo sofreu duplicação na linhagem que resultou nos primatas superiores? O que isso significaria em termos de história evolucionária humana? E se o ancestral comum tivesse 20 cromossomos distintos e ocorreram 4 eventos de duplicações na linhagem dos primatas superiores, e 3 na linhagem humana? E se o ancestral comum tivesse 30 cromossomos distintos, e ocorreram 6 eventos de fusão na linhagem dos primatas superiores e 7 eventos de fusão para a linhagem humana, o que tudo isso representaria?

A resposta para as questões acima é que a simples contagem de cromossomos ou comparações de números de cromossomos não resulta em ancestralidade comum a ponto de se fazer predições firmes de quantos cromossomos nosso suposto ancestral primata-humano tinha. Além disso, atualmente não existe uma análise cromossômica completa de evidência de fusão em nossos cromossomos, por isso não podemos afirmar que a presença de um cromossomo fundido em humanos seja uma predição de ancestralidade comum. Muito mais pesquisas se fazem necessárias.

O que alguns evolucionistas não consideram teoricamente é que o ancestral comum de humanos e primatas supostamente existiu há seis milhões de anos. O que evolucionistas dizem é que essa fusão cromossômica tenha ocorrido há recentes 50 mil anos. Sob esse ponto de vista, esse evento de fusão cromossômica não tem nada a ver em nos fazer tipo humanos em contraste com os primatas superiores. Claramente esse evento de fusão cromossômica está muitos milhões da anos distante de qualquer suposta ancestralidade com os primatas superiores.

O que aparentemente é uma problema para os que não aceitam a ancestralidade comum entre humanos e primatas superiores é, na verdade, uma grande dificuldade para os evolucionistas: Como um evento de fusão cromossômica natural, não guiado, pode se fixar numa população, e como isso poderia resultar em uma descendência viável? É preciso vencer, pelo menos, dois obstáculos difíceis:

1) Na maioria dos casos, indivíduos com cromossomo fundido aleatoriamente podem ser normais, mas é muito provável que sua descendência tenha uma doença genética. Um exemplo clássico disso é a síndrome de Down.

2) Para resolver esse problema em (1) é preciso encontrar uma parceira que também tenha um evento de fusão cromossômica idêntico. Mas a pesquisa de Valentine e Erwin implica que tais eventos seriam altamente improváveis de acontecer: “The chance of two identical rare mutant individuals arising in sufficient propinquity to produce offsprings seems too smal to consider as a significant evolutionary event” (Erwin, D. H., e Valentine, J. W. “Hopeful monsters, transposons, and the Metazoan radiation”, Proc. Natl. Acad, Sci. USA, 81:5482-5483, Sep. 1984).

Assim, os evolucionistas precisam explicar por que um evento de fusão cromossômica aleatória que, em nossa experiência, resulta unicamente em descendência com doenças genéticas, não resultou numa doença genética e se tornou vantajoso o suficiente para se fixar numa população inteira de nossos ancestrais. Como não temos evidência empírica de que tais eventos de fusão cromossômica aleatórios não são sem vantagens, talvez a presença de um evento de fusão cromossômica não seja uma boa evidência para a história neodarwinista sobre os humanos.

Além disso, as pesquisas científicas vêm mostrando evidências que complicam cada vez mais a hipótese da ancestralidade comum:

1. Chimpanzee and human Y chromosomes are remarkably divergent in structure and gene contente.

  1. Incomplete lineage sorting patterns among human, chimpanzee and orangutan suggest recent orangutan speciation and widespread selection.Genome Research, 2011.

(~8% de nosso genoma é mais próximo de orangotangos do que chimpanzés… Vamos pular de galho em galho agora?)

  1. Mapping Human Genetic Ancestry.(23% de diferença? Para onde foi a semelhança de 99%? “For about 23% of our genome, we share no immediate genetic ancestry with our closest living relative, the chimpanzee. This encompasses genes and exons to the same extent as intergenic regions. We conclude that about 1/3 of our genes started to evolve as human-specific lineages before the differentiation of human, chimps, and gorillas took place” [Ingo Ebersberger, Petra Galgoczy, Stefan Taudien, Simone Taenzer, Matthias Platzer, and Arndt von Haeseler, “Mapping Human Genetic Ancestry,” Molecular Biology and Evolution, v. 24(10):2266-2276 (2007)].

Para finalizar, seria muito melhor os evolucionistas dizerem “Eu não sei” do que afirmar categoricamente que a fusão cromossômica ocorreu há uns 50 mil anos, contrariando a hipótese da ancestralidade comum que sugere um tempo de [supostos] 6 milhões de anos, pois comparar genomas humanos com chimpanzés é como procurar agulhas em palheiro:“Comparing the human and chimpanzee genomes: Searching for needles in a haystack.”

Fonte: Criacionismo
Publicado em Livros, Pensamentos, Reflexões, Testemunhos

A Verdade Seja Dita (Em Quem Você Tem Acreditado?)

A verdade importa? Em quem temos acreditado? Se todos os testemunhos, formais ou informais, em todas as eras da história, forem averiguados quanto a sua veracidade [e isso é perfeitamente possível além das limitações humanas], qual deverá ser o resultado? O que teremos “produzido” mais: verdades ou falsidades?

Na realidade, talvez seja ainda mais relevante nos perguntar quais as razões (ou as consequências) de escolher uma ou outra trilha de comportamento. Que grau de relevância tem um testemunho verdadeiro ou um testemunho falso na vida social?

A reflexão ganha importância especialmente quando temos o cristianismo (ou os opositores dele) em mente. Isso porque a religião cristã é histórica e está baseada no depoimento de testemunhas oculares.

Sabendo disso, alguns céticos, ao se insurgirem contra toda e qualquer evidência que corrobora “a fé que uma vez por todas foi entregue aos santos” (Jd. 3), chegam ao ponto de menosprezar o próprio valor do testemunho pessoal. Buscando fontes do Direito, por exemplo, podem selecionar autores que apenas repetem menções de desprezo moderno à prova testemunhal (sem apresentar análise equilibrada e aprofundada sobre o assunto). Ao citá-los como apoio para sua atitude de descrença, “esquecem-se” (?) de avisar que essa visão é “parcial” – não apenas na acepção de “partidarismo” religioso (ou anti-religioso) mas principalmente no sentido de “incompletude” do assunto no campo jurídico.

Felizmente, não é necessário fazer muito esforço para ter acesso a uma análise mais ampla da questão. Sem promover aqui nenhuma atitude de credulidade irrestrita e irrefletida – o que é vedado pelo princípio bíblico “Não deis crédito a todo espírito” (I João 4:1) , apresento, abaixo, transcrição de lição clássica sobre as bases da prova testemunhal, ao lado de pensamentos de juristas também clássicos ou contemporâneos sobre a questão. Isso para que ninguém seja limitado, em sua visão, pela manifestação unilateral ou desarmoniosa de mais essa espécie de “hiperceticismo seletivo”. As primeiras citações, embora curtas, já podem gerar rica reflexão (basta nos perguntar se concordamos com elas); a última, mais extensa e esclarecedora, adentra no interessante campo da presunção de veracidade (vale a pena ler).

Antes, porém, é preciso relembrar: como proposição geral, o testemunho cristão só pode ser classificado como verdadeiro ou como falso. Além disso, como destaca Daniel Wallace, professor de estudos do Novo Testamento no Dallas Theological Seminary, “a Bíblia é o único grande texto sagrado que se sujeita à verificação histórica. É o único que se coloca em risco”.

É importante, portanto, considerar o que foi testemunhado em termos amplos: [“Não vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua majestade” (2 Pedro 1:16);  “O que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam… O que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros” (I João 1:1-3) “Muitos houve que empreenderam uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram, conforme nos transmitiram os que desde o princípio foram deles testemunhas oculares” (Lucas 1:1-3)].

Ao fazerem as afirmações acima, os evangelistas ou autores dos livros que compõem a Bíblia não são reunidos no grupo de “culpados até que se provem inocentes”. Na realidade, o exame de seu testemunho deve começar na mesma condição da do homem médio, ou seja, sob a presunção de que as pessoas em geral percebem e narram a verdade. No caso específico, em acréscimo ao peso natural das próprias declarações desses escritores em favor da verdade e das marcas de sua honestidade (ver aqui), a pesquisa arqueológica, dentro das limitações do estudo histórico e da pertinência de cada contexto, tem acumulado dinamicamente um acervo cada vez  mais rico de evidências corroboradoras do registro bíblico  a descoberta do tanque de Betesda (narrativa de João 5), ilustrado na imagem acima, é um bom exemplo disso.

Obviamente, o testemunho cristão pode ser rejeitado. E isso não é surpreendente. Na realidade, os próprios evangelistas tornam explícita essa possibilidade, sem olvidar, porém, o registro das consequências:

“Aquele que o viu, disso deu testemunho, e o seu testemunho é verdadeiro. Ele sabe que está dizendo a verdade, e dela testemunha para que vocês também creiam” João 19:35

“Quem vos ouve, a mim me ouve; e quem vos rejeita, a mim me rejeita; e quem a mim me rejeita, rejeita aquele que me enviou.” Lucas 10:16

“Aquele que me rejeita e não acolhe as minhas palavras tem quem o julgue; a Palavra que proclamei, essa o julgará no último dia.” João 12:48

O que se depreende das linhas gerais do testemunho dos evangelhos, portanto, é que descrer dele e negá-lo é abraçar uma mentira e ficar à espera de julgamento. Voltamos, portanto, ao ponto inicial. A verdade importa? Em quem temos acreditado?

“Pois nós não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos.” Atos 4:20

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Citações (Direito):
“A atestação dos homens é a prova universal de todos os fatos humanos.”
José da Cunha Narravo Paiva (Tratado Teórico e Prático das Provas no Processo Penal)
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“O número de fatos sujeitos à percepção imediata de cada indivíduo não é senão uma gota de água lançada no vaso, em paralelo daqueles de que somos informados pela referência de outrem.”
Bentham (Jeremy), citado por José da Cunha Narravo Paiva no mesmo livro (Tratado Teórico e Prático das Provas no Processo Penal).
[a inserir outras citações]

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A presunção da veracidade humana, inspirando fé na afirmação de uma pessoa, faz com que ela seja procurada e aceita como prova pessoal, do mesmo modo que a presunção da veracidade das coisas, inspirando fé na afirmação de uma coisa, faz com que ela seja procurada e aceita como prova real. Falando da presunção em geral, referimo-nos a ambas estas presunções particulares. Tornaremos a falar aqui da primeira, isto é, da presumida veracidade humana, reservando-nos para falar da segunda a propósito da prova material, isto é, da presumida veracidade das coisas.

O fundamento, portanto, da afirmação de pessoa em geral, e do testemunho em especial, é a presunção de que os homens percebam e narrem a verdade, presunção fundada por sua vez na experiência geral da humanidade, experiência que mostra como em realidade, no maior número dos casos, o homem é verídico: verídico, por tendência natural da inteligência, que encontra na verdade, mais fácil que a mentira, a satisfação de uma necessidade ingênita; verídico, por tendência natural da vontade, a quem a verdade aparece como um bem, e a mentira como um mal; verídico finalmente, porque esta tendência natural da inteligência e da vontade, é fortificada no homem social não só pelo desprezo da sociedade pelo mentiroso, mas também pelas penas religiosas e pelas penas civis que se erguem ameaçadoras sobre a sua cabeça.

Esta presunção da veracidade dos homens acompanha-nos em todas as evoluções internas do pensamento, como em todas as exteriorizações da atividade. Esta fé nas afirmações alheias desponta inconscientemente na nossa alma, ainda crianças, antes que a experiência das coisas e dos homens a venha confirmar; e, com o crescer dos anos, esta fé, tornando-se raciocinada e cautelosa, é a força da nossa virilidade e o tranquilo repouso da nossa velhice.

A criança que levanta o seu braço com o dedo estendido apontando para os céus ignotos, e balbucia o grande nome de Deus; a criança que se ajoelha sobre o pequeno leito, e de mãos postas começa a implorar cheia de confiança o seu bom anjo; a criança crê em Deus e no seu bom anjo, porque neles lhe falou a sua mãe. E quando, com os olhos e o espírito concentrados sobre o seu livrinho, soletra, dando um som às letras e às sílabas, julga que àquelas letras e àquelas sílabas devem por um consenso comum corresponder aqueles sons, porque o professor lho disse.

E mesmo avançando em idade e nos estudos, não é possível haver progressos intelectuais, quando se não adquira o impulso da fé nos outros. Quando se medita sobre as forças e sobre os fenômenos da natureza física, é necessário pois começar por ter fé na descrição das observações e das experiências alheias, antes de passar às experiências e observações próprias. Se se medita sobre as forças e sobre os fenômenos da natureza moral, estudando a humanidade na sua vida intelectual, social ou política, nas várias épocas e lugares, é necessário contudo atender-se ao testemunho dos outros, e ter fé nele.

Toda a vida do nosso pensamento nunca se separa completamente da fé na exposição do pensamento alheio: é acreditando nisto, e apoiando-se nisto, que o nosso pensamento vai mais longe e mais alto. Mas a fé nas afirmações alheias assiste-nos, não só na vida espiritual, mas principalmente em todas as ocorrências da vida prática. A maior parte das ações humanas, desde a infância à velhice, não tem por guia senão a fé nas afirmações alheias.

Relativamente ao primeiro período da existência, pode dizer-se que nele toda a vida não é mais do que um contínuo acreditar nos outros: do bem que não conhecemos e que procuramos alcançar, aos males que não conhecemos e procuramos evitar, sempre sob a fé da palavra alheia. E esta fé, que guia e regula as ações, não nos abandona com o crescer dos anos, mas torna-se antes cada vez mais cautelosa e raciocinada. São tão poucas as coisas e as pessoas que podemos conhecer por meio da nossa observação direta e pessoal, que a vida tornar-se-ia absolutamente impossível, se não prestássemos fé às observações alheias para regular as nossas ações, relativamente a todas as coisas e a todas as pessoas que não conhecemos diretamente. 

Sem a fé na veracidade alheia, nem mesmo a palavra, vínculo intelectual, moral e social das almas, teria já razão de ser: para que serviria a palavra, se não existisse a fé na coisa por ela significada? Suponhamos que uma alma já não tenha fé em coisa alguma; e ela não poderá senão ocultar-se estéril na prisão escura e taciturna da própria consciência. Suponhamos que um homem não tem fé alguma nos outros, e ele, vendo em todo o seu semelhante um inimigo, não saberá já como viver no consenso civil, e, tornando-se selvagem pela suspeita e pelo ódio, refugiar-se-á na solidão de uma floresta.

Acreditar e ser acreditado, a troca confiante dos pensamentos, das notícias, das reflexões, a reunião, enfim, de todas as observações individuais dispersas, em um tesouro comum e imenso, de onde todos recebem, e para o qual todos contribuem: eis a força latente, intelectual, que se chama civilização, e que faz subir incessantemente a sociedade humana a um nível mais alto: eis a força latente, moral, que se chama solidariedade, e que associa a si como irmãos, na grande unidade da família humana, milhares de existências individuais, dispersas no espaço e ao tempo. A presunção, portanto, de que os homens em geral percebem e narram a verdade, presunção que serve de base a toda a vida social, é também base lógica da credibilidade genérica de toda a prova pessoal, e do testemunho em particular.

(Nicola Malatesta. A Lógica das Provas em Matéria Criminal  domínio público)

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O Pensamento Hebraico Comparado ao Grego

Na Antiguidade, dentre as várias cosmovisões existentes, duas, em especial, se destacavam. Grécia e Israel tinham modos bem distintos de pensar. É preciso admitir que os gregos deixaram uma herança muito rica para o Ocidente, nas artes, na ciência e na cultura. Sem eles, não seríamos o que somos hoje. No entanto, do ponto de vista religioso, a influência grega trouxe mais problemas do que vantagens. Se hoje temos tanta dificuldade para entender a Bíblia, em grande parte, isso se deve à nossa mente “helenizada” (é preciso lembrar que os autores bíblicos eram, em sua maioria, hebreus e que até o Novo Testamento, escrito em grego, reflete o modo hebraico de pensar). Daí a importância de entender mais a fundo a mentalidade hebraica antiga.Adotar uma perspectiva hebraica das Escrituras ajuda a entender o pensamento dos autores bíblicos?

O objetivo deste artigo é relacionar, de modo sucinto, algumas das principais nuances do pensamento hebraico, comparando-as ao pensamento grego, que, via de regra, é também o pensamento ocidental.

Vale lembrar que nem todos os gregos e hebreus pensavam de maneira idêntica. Havia, dentro de cada cultura, diferentes ramificações quanto à religião e à filosofia. As características abaixo representam cada modo pensar de forma geral, sem levar em consideração as diferentes subdivisões.

Concreto x abstrato

No idioma hebraico antigo (língua predominante do Antigo Testamento), ao contrário do grego, as ideias eram muito mais concretas do que abstratas. Até conceitos abstratos, como os sentimentos, costumavam ser associados a algo concreto.

Em hebraico, a palavra “ira” ou “raiva”, por exemplo, é ’af (Êx 4:14), a mesma que é usada para “nariz” ou “narinas” (Jó 40:24). Mas o que tem que ver nariz com raiva? Geralmente, quem fica com muita raiva respira de modo acelerado, e as narinas se dilatam. Talvez esse seja o motivo concreto por trás da relação entre as duas palavras.

Outro exemplo desse concretismo hebraico é a palavra “fé”, ’emunah (Hc 2:4), que em vez de significar apenas crença ou aceitação mental – como no grego –, expressa também qualidades como firmeza, fidelidade e estabilidade. Ter fé, na visão hebraica, é se firmar em Deus, como uma estaca fincada no chão (ver Is 22:23, onde “firme” vem do verbo’aman, a mesma raiz de ’emunah). Portanto, crer, do ponto de vista bíblico-hebraico, inclui também a ideia de se apegar a Deus e ser fiel.

Dinamismo x ócio

Na Grécia antiga, dava-se mais valor à falta de ocupação do que ao trabalho, principalmente entre os atenienses. Não ter que trabalhar e se dedicar apenas à contemplação e ao mundo das ideias era considerada a mais nobre das “atividades”. Já os hebreus eram um povo extremamente dinâmico e seu idioma refletia isso.

No português, como em outras línguas, o sujeito vem em primeiro lugar na frase, e o verbo, geralmente, é colocado logo em seguida. Exemplo: “Antônio obedeceu a seu pai.” Em hebraico, a ordem das palavras ficaria assim: “Obedeceu Antônio a seu pai.” Isso mostra o valor das ações para os hebreus.

Até substantivos que, para nós, não implicam necessariamente uma ação, para eles envolviam algum movimento. A palavra “presente” (ou “bênção”), berakah em hebraico (Gn 33:11), por exemplo, vem da raiz brk (“ajoelhar”), e significa “aquilo que se dá com o joelho dobrado”, fazendo referência ao costume de inclinar o corpo ao presentear alguém. A palavra “joelho”, berek (Is 45:23), por sua vez, significa, literalmente, “a parte do corpo que se dobra”.

O conceito hebraico de comunhão – “andar com Deus” (Gn 6:9; Mq 6:8) – também envolve movimento e significa manter um relacionamento constante com Ele. E a palavra “júbilo”,rwa‘ ou ranan (Sl 100:1; 149:5), significa “dar um grito retumbante de alegria”.

Para os hebreus, havia uma íntima relação entre aquilo que se fala e o que se faz. Entendia-se que a palavra de um homem deve corresponder às suas ações. Aliás, “palavra”, em hebraico, significa também “coisa” ou “ação”, dabar. Logo, dizer algo e não agir de acordo implicava mentira, falsidade.

Essência x aparência

Os gregos descreviam os objetos em relação à sua aparência. Os hebreus, ao contrário, consideravam mais a essência e função das coisas. Exemplo: Se nos mostrassem um lápis e nos pedissem para descrevê-lo, como seria nossa descrição? Provavelmente, diríamos: “O lápis é azul”, ou “é amarelo”; “tem ponta fina”, ou não; “é cilíndrico”, ou “é retangular”; “é curto”, ou “é comprido”; etc. Note que em todas essas características a ênfase está na aparência.

Um hebreu descreveria o mesmo lápis de forma bem mais simples e objetiva: “É feito de madeira, e eu escrevo palavras com isto.” Na cosmovisão hebraica, a essência das coisas e sua função eram mais importantes que a forma ou a aparência.

Por isso, os elogios de Salomão à sua amada no livro de Cantares parecem tão estranhos para nós, ocidentais. Dizer a uma mulher: “O teu ventre é [um] monte de trigo” (Ct 7:2) pode não soar bem hoje em dia. Mas, na cultura da época, a imagem do trigo trazia a ideia de fertilidade e fartura (função e essência), e ter muitos filhos era o sonho de toda mulher.

Outro exemplo é a descrição feita sobre a arca de Noé e o tabernáculo do Antigo Testamento (Gn 6:14-16; Êx 25-28). Qualquer um que lê o que a Bíblia diz a respeito dessas construções nota que há muito mais detalhes sobre a estrutura e os materiais empregados na confecção do que em relação à sua aparência.

Além de funcional e essencial, o estilo de descrição dos hebreus era também pessoal – o objeto era descrito de acordo com a relação dele com a pessoa. Ao descrever um dia ensolarado, em vez de dizer: “O dia está lindo”, um hebreu diria: “O sol aquece meu rosto!” Daí a descrição de Davi: “O Senhor é o meu pastor” (Sl 23:1).

Teoria x prática

Na cosmovisão grega, “saber” era mais importante do que “ser”. Para os gregos, sabedoria era o resultado sobretudo do estudo, da contemplação e do raciocínio. O conhecimento era essencialmente teórico, limitado ao mundo das ideias, e o mais importante era conhecer a si mesmo.

Para os hebreus, no entanto, o conhecimento era essencialmente prático. Conhecer era, principalmente, experimentar, se envolver com o objeto de estudo. O conhecimento de Deus era o mais importante, e a verdadeira sabedoria estava em saber ouvir, especialmente a Ele – “Ouve, ó Israel […]” (Dt 6:4). Na mentalidade hebraica, “temer a Deus” é o primeiro passo para ser sábio (Sl 111:10; Pv 1:7).

Tempo x espaço

Quando queremos incentivar alguém a prosseguir, dizemos: “Bola pra frente!”, e quando queremos dizer que algo ficou no passado, falamos: “Ficou para trás.” Mas quem nos ensinou que o futuro está à nossa frente e o passado atrás? Possivelmente, os gregos. Eles tinham uma visão espacial do tempo, e nós herdamos isso.

Os hebreus (que valorizavam mais o tempo do que o espaço) enxergavam passado e futuro de modo diferente. Para eles, mais importante do que localizar o tempo de forma espacial era defini-lo em ações completas e incompletas (aliás, “completo” e “incompleto” são os nomes que se dá aos tempos verbais do hebraico).

Na mentalidade hebraica antiga, o passado (tempo completo) estava à frente (as palavrastemol e qedem, “ontem” ou “antigamente”, significam também “em frente”), e o futuro (tempo incompleto) estava atrás – mahar, “amanhã” ou “no futuro”, vem da raiz ’ahar, que significa, entre outras coisas, “ficar atrás”, ou “para trás”. (Veja Êx 5:14; Jó 29:2; Êx 13:14 e Dt 6:20.)

E por que eles entendiam o tempo assim? O pensamento hebraico era simples e direto. O passado já foi completado, por isso podemos olhar para ele como se estivesse diante dos nossos olhos. O futuro, porém, ainda está indefinido, incompleto, por isso, ainda é desconhecido e é como se estivéssemos de costas para ele.

História cíclica x linear

Os gregos viam o curso da história como uma espécie de roda gigante. Para eles, a história se repetia eternamente, num eterno vai e vem sem destino.

Para os hebreus, no entanto, a história era linear e climática. Deus foi quem a iniciou (Gn 1:1), e é Ele quem faz com que ela prossiga para um fim, um clímax, o chamado “Dia do Senhor” (yom Yahweh; Sf 1:7, 14; Jl 2:1; 2Pe 3:10). Mas essa descontinuidade da história será apenas o começo da eternidade (‘olam; Dn 12:2).

Deus x “eu”

Na cosmovisão grega, o “eu” (ego) era o centro de tudo. Diz a lenda que à entrada do Oráculo de Delfos, na Grécia Antiga, havia a frase “Conhece-te a ti mesmo”. Na cultura hebraica, por outro lado, Deus era o centro de todas as coisas. Os hebreus não dividiam a vida, como nós fazemos, em sagrada e secular. Para eles, essas duas áreas eram uma coisa só, sob o domínio de Deus.

Até mesmo as tarefas do dia a dia eram consideradas, de certa forma, sagradas. A palavra hebraica ‘abad – “servir” ou “adorar” (Sl 100:2) – pode ser também traduzida como “trabalhar”. Na lavoura, na escola ou no templo, a vida era vista como um constante ato de adoração (1Co 10:31; Cl 3:2; 1Ts 5:17). Para eles, a adoração era mais do que um evento, era um estilo de vida.

Pensamento corporativo x individualismo

Os gregos consideravam a individualidade um valor supremo e praticamente inegociável. Os hebreus, por sua vez, tinham uma “personalidade corporativa” e enfatizavam a vida em comunidade. Na cosmovisão hebraica, havia uma ligação inseparável entre o indivíduo e o grupo. A vitória de um era a vitória de todos, e o fracasso de um representava o de todos. Por isso, para os cristãos, se, por um lado, a falha de Adão lá no Éden representou nossa queda, por outro lado, a morte de Cristo na cruz dá a todos a oportunidade de salvação (1Co 15:22; Jo 3:16).

Amor: decisão x emoção

No mundo grego, o amor, em suas várias formas, se resumia muitas vezes a um mero sentimento. Na visão hebraica, porém, amor é mais que isso: é uma escolha (em Ml 1:2, 3 e Rm 9:13, “amar” e “odiar” são sinônimos de “escolher” e “rejeitar”). É algo prático, traduzido em ações – a Deus e ao próximo (Mt 22:35-40).

Paz: presença x ausência

No pensamento ocidental, paz depende das circunstâncias. É a ausência de guerras, problemas e perturbações. Mas para os hebreus, paz não implicava, necessariamente, ausência, e sim presença. Só a presença de Deus pode trazer bem-estar, segurança e felicidade – que são ideias contidas na palavra shalom (Jz 6:24).

Integral x dualista

Os gregos tinham uma visão dualista da realidade. Com base nos ensinamentos de Platão, acreditavam que havia dois mundos: o das ideias (ou do espírito) e o mundo real. De acordo com essa visão, o ser humano era formado por duas partes: espírito (ou alma) e corpo. Para eles, o corpo e as coisas materiais eram ruins, e apenas o “espírito” e as coisas do “além” podiam ser considerados bons. Assim, a morte, na verdade, seria a libertação da alma, que, enquanto estivesse no corpo, estaria presa ao mundo material.

Já os hebreus tinham uma visão integral da vida. Para eles, o ser humano era completo, indivisível. Na mentalidade hebraica, alma se refere ao indivíduo como um todo (corpo, mente e emoções). De acordo com Gênesis 2:7, nós não temos uma alma, nós somos uma alma, ou seja, seres vivos (nefesh hayyah, em hebraico). Ao contrário dos gregos, que criam na imortalidade do espírito, os hebreus acreditavam na mortalidade da alma e na ressurreição (Ez 18:4; Dn 12:1, 2).

Espiritualidade x misticismo

Para os gregos, espiritualidade era algo místico. Ser espiritual significava desprezar totalmente a matéria e se conectar ao “outro mundo”. Esse desprezo das coisas materiais variava entre dois extremos. Alguns, por exemplo, renunciavam completamente os prazeres físicos, tais como a alimentação e o sexo, a ponto de mutilar seus órgãos genitais. Outros, por outro lado, se entregavam a todo tipo de sensualidade e orgia. Ambos os comportamentos tinham como base a ideia de que o corpo é mau, e que, no fim das contas, o que importa mesmo é a “alma”.

Mas para a cosmovisão hebraica, o corpo foi criado por Deus, e por isso é sagrado. A Bíblia diz que “do Senhor é a Terra” (Sl 24:1). E enquanto criava o mundo, Deus viu que este “era bom” (Gn 1:10, 12, 18, 21) – e não mau, como acreditavam os gregos. Deus fez o mundo (as coisas materiais), e deu ao ser humano a responsabilidade de cuidar dele.

Para os hebreus, portanto, espiritualidade tinha que ver, sim, com esta vida. Na cosmovisão bíblica, não é preciso se isolar em um monastério, recorrer à meditação transcendental ou entrar num estado de transe para atingir “o mundo superior”. É possível ser “santo” e desenvolver a espiritualidade no dia a dia, nas situações comuns da vida e no trato diário com as pessoas (Lv 20:7; 1Pe 1:16).

Conclusão

Embora devamos muito aos gregos como herdeiros de sua cultura, é fundamental que adotemos uma perspectiva hebraica ao estudar as Escrituras, a fim de que nossa hermenêutica se aproxime ao máximo do modo de pensar dos autores bíblicos, bem como do sentido original do texto.

(Eduardo Rueda é bacharel em Teologia e editor associado na Casa Publicadora Brasileira)

Fontes: Thorleif Boman, Hebrew thought compared with greek (Norton, 1970); Marvin R. Wilson, Our Father Abraham (Eerdmans, 1989); _________, “Hebrew thought in the life of the church”, The living and active word of God (Eisenbrauns, 1983); Jacques Doukhan, Hebrew for Theologians (University Press, 1993); Ferdinand O. Regalado, Hebrew thought: its implications for adventist education (Universidade Adventista das Filipinas, 2000); Daniel Lopez, doutorando em linguística pela UFF-RJ e professor de Filosofia da Educação na UFRJ; Rodrigo P. Silva, graduado em filosofia, arqueólogo e doutor em Teologia; site
Fonte: Criacionismo