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Livros que todo cristão deveria ler antes de ir para a universidade

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De vez em quando alguém me pergunta que livros eu li para solidificar minha visão de mundo teísta/criacionista e que livros recomendo para quem queira ter contato com esse universo por meio de bons autores. Felizmente, existem ótimos livros em língua portuguesa para aqueles que querem aprofundar seus conhecimentos sobre teísmo, criacionismo, ciência e religião. A lista a seguir é especialmente útil para os universitários e pré-universitários cristãos interessados em se preparar devidamente para enfrentar os desafios intelectuais da vida acadêmica, à luz de 1 Pedro 3:15. Alguns dos títulos são de minha autoria e outros são bem mais recentes do que os que eu li quando ainda estava “migrando” do evolucionismo para o criacionismo (conheça essa história aqui). Faça planos de ir adquirindo um por vez e montando, assim, sua biblioteca de apologética cristã/criacionista. Depois disso, vá à luta! – Michelson Borges

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A DESCOBERTA – O subtítulo deste livro é “A experiência que revolucionou a vida de um cientista ateu”. Por que comecei a lista com ele? Por se tratar de uma leitura fácil, envolvente e bastante instrutiva. Escrito pelo advogado Denis Cruz e pelo jornalista Michelson Borges, o livro é uma ficção científica, por assim dizer. Descreve a jornada de um físico nuclear ateu em busca de respostas, enquanto lida com grandes dramas em sua vida. Tenho certeza de que você só vai conseguir parar de ler quando chegar à última página. Clique aqui e adquira o seu.

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ONZE DE GÊNESIS – O Criador teria deixado a assinatura de Sua intervenção na natureza? Existem evidências de uma criação sobrenatural? É possível mudar uma visão de mundo graças ao simples contato com essas evidências? A fé deve aceitar tudo sem verificação, ou ela deve estar amparada em fatos e na razão? Até onde vai a criatividade de um pai a fim de revelar-se a um filho por meio de vestígios de sua atuação? Essas e outras questões são respondidas em Onze de Gênesis: De pai para filho, uma obra na qual ficção e realidade se alternam a ponto de deixar o leitor atento do início ao fim da leitura. Escrito pelo criador do ministério 11 de Gênesis, Alexandre Kretzschmar. Clique aqui e adquira o seu.

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A LÓGICA DA FÉ – Subtítulo: Respostas inteligentes para perguntas difíceis sobre nossas crenças. Ao longo da era cristã, especialmente após o Iluminismo, muitos céticos têm duvidado da confiabilidade da Bíblia. Com o surgimento do pós-modernismo, isso se intensificou, e veio à tona uma nova rodada de questionamentos a respeito de vários pontos básicos para a cosmovisão bíblica. A Lógica da Fé, organizado por Humberto Rasi e Nancy Vyhmeister, contém vinte capítulos que pretendem responder a questões como: O que significa dizer que a Bíblia é inspirada? Fé e razão são compatíveis? Milagres são possíveis? Se Deus é bom e todo-poderoso, como pode permitir o sofrimento? Realmente importa o que eu creio, contanto que eu seja sincero? Escritos por alguns dos mais respeitados eruditos adventistas, os temas escolhidos giram em torno de importantes e profundas perguntas da fé cristã, que foram respondidas de forma inteligente, consistente e agradável. Clique aqui e adquira o seu.

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NÃO TENHO FÉ SUFICIENTE PARA SER ATEU – Escrito por Norman Geisler e Frank Turek, o livro reúne os principais argumentos teístas, numa apologética simples, resumida e convincente. Duas ressalvas: os autores defendem o mito do inferno eterno e mencionam o domingo como dia de guarda. Clique aqui e adquira o seu.

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A HISTÓRIA DA VIDA – Depois de dez anos da publicação de A História da Vida, o livro passou por uma atualização e esta nova edição revista reúne o que há de mais atual com respeito à controvérsia entre criacionismo e evolucionismo – sem perder a característica que identifica a obra desde o início: a linguagem é simples e o conteúdo, acessível. O autor procura responder perguntas como estas: Deus existe? Qual a origem do Universo e da vida? A teoria da evolução é coerente? O criacionismo é científico? Podemos confiar na Bíblia? O dilúvio de Gênesis é lenda ou fato histórico? De onde vieram e para onde foram os dinossauros? O que dizer dos métodos de datação? Clique aqui e adquira o seu.

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EM DEFESA DA FÉ – O jornalista ex-ateu Lee Strobel se propôs mostrar as “incoerências e contradições” do cristianismo. Depois de anos de investigação e pesquisa, abandonou o ateísmo e se tornou um dos grandes apologetas cristãos contemporâneos. No livro Em Defesa de Cristo, Strobel expõe diversos argumentos favoráveis e contrários à pessoa de Jesus. No Em Defesa da Fé, ele trata de um dos fundamentos do cristianismo: a fé. Strobel lida com objeções como: (1) Uma vez que o mal e o sofrimento existem, não pode haver um Deus amoroso. (2) Uma vez que os milagres contradizem a ciência eles não podem ser verdadeiros. (3) A evolução explica a origem da vida, de modo que Deus não é necessário. (4) Se Deus mata crianças inocentes, Ele não é digno de adoração. Etc. Clique aqui e adquira o seu.

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A MORTE DA RAZÃO – A Morte da Razão: Uma Resposta aos Neoateus é uma resposta ao livro Carta a Uma Nação Cristã, do ateu militante Sam Harris, mas bem pode ser lido como uma resposta breve ao neoateísmo de modo geral, defendido por figuras como Dawkins, Hitchens, Dennett e outros. O indiano Ravi Zacharias sabe muito bem do que está falando, pois foi ateu e, no tempo em que cursava filosofia em Nova Délhi, por sugestão das ideias de Albert Camus, tentou o suicídio. Não foi bem-sucedido e acabou no hospital. Ali ganhou uma Bíblia e sua vida deu uma guinada. O livro tem apenas 110 páginas, mas traz inspiração e lições para uma vida. Clique aqui e adquira o seu.

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POR QUE A CIÊNCIA NÃO CONSEGUE ENTERRAR DEUS – Escrito pelo matemático britânico John C. Lennox, da Universidade de Oxford, o livro Por Que a Ciência Não Consegue Enterrar Deus defende com argumentos sólidos e linguagem clara a coexistência entre o conhecimento científico e o religioso. Um dos pontos fortes da obra são as citações de pensadores e autores importantes e as comparações e ilustrações (como o “bolo da tia Matilde”), que ajudam na compreensão do conteúdo. Clique aqui e adquira o seu.

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A CIÊNCIA DESCOBRE DEUS – Em seu livro A Ciência Descobre Deus, o biólogo Dr. Ariel Roth menciona a ocasião em que visitou a famosa Abadia de Westminster, na Inglaterra. Ali estão sepultados Newton e Darwin. Roth relembra: “Quando visitei os túmulos desses dois ícones do mundo científico, não pude deixar de meditar sobre o legado contrastante sobre Deus que ambos deixaram à humanidade. […] A vida de Newton ilustra claramente como a excelência científica e uma firme fé em Deus podem andar de mãos dadas.” Roth lida de forma competente com perguntas como estas: Será que um Designer criou nosso universo, ou ele evoluiu de maneira espontânea? Pode a ciência ser objetiva e, ao mesmo tempo, admitir a possibilidade de que Deus existe? Isso faz diferença? Deus existe? Segundo Roth, a própria ciência está oferecendo as respostas. Clique aqui e adquira o seu.

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REVISITANDO AS ORIGENS – O livro Revisitando as Origens, do mestre em imunogenética Everton Fernando Alves, convida-nos a conhecer e explorar assuntos atualizados sobre as origens, organizados em dois núcleos temáticos que se complementam, a saber: História Geológica da Terra e História da Vida na Terra. Esses temas têm gerado muita controvérsia, até mesmo dentro da própria comunidade criacionista. O autor incorporou no livro uma pesquisa sistemática que vinha fazendo ao longo de vários anos a fim de construir um referencial bibliográfico de peso, no fim de cada capítulo. O objetivo da obra é fazer com que mais pessoas tenham acesso a essas evidências científicas difíceis de ser encontradas, e que amparam o relato bíblico em várias áreas do conhecimento humano. Clique aqui e adquira o seu.

 

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VERDADE ABSOLUTA – Subtítulo: Libertando o cristianismo de seu cativeiro intelectual. Nancy Pearcey se converteu em grande parte graças às ideias de Francis Schaeffer (outro autor que vale a pena conhecer). Pós-graduada em teologia e filosofia, ela é catedrática no Instituto de Jornalismo Mundial e professora convidada da Universidade Biola, na Califórnia, e do Discovery Institute. A tese da autora é de que “somente pela recuperação de uma visão holística da verdade total podemos libertar o evangelho para que se torne uma força redentiva que permeie todas as áreas da vida”. Pearcey relata sua jornada pessoal como estudante luterana, sua rejeição da fé e seu retorno a Deus. Ela relata, também (entre outras), a história do filósofo cristão Alvin Plantinga (outro que vale muito a pena ler), que provocou a volta para a comunidade filosófica de acadêmicos comprometidos com uma visão teísta da filosofia analítica. O livro ajuda a mostrar a relevância do cristianismo para uma sociedade pós-moderna que vive numa espécie de vácuo intelectual.

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TEORIA DO DESIGN INTELIGENTE – Teoria do Design Inteligente, escrito pelo mestre em imunogenética Everton Fernando Alves, é uma das duas primeiras obras genuinamente brasileiras, relevantes e exclusivas acerca do design inteligente. São 31 capítulos fundamentados em mais de 350 artigos científicos (revisados por pares) que confirmam as teses do design inteligente. Clique aqui e adquira o seu.

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POR QUE CREIO – O livro reúne 12 entrevistas feitas pelo jornalista Michelson Borges com pesquisadores de áreas diversas, como física, bioquímica, matemática, biologia, arqueologia e teologia. Onze deles contam por que são criacionistas e apresentam fortes argumentos a favor do modelo. O último entrevistado é o bioquímico Michael Behe, autor do livro A Caixa Preta de Darwin (leitura que também vale a pena). Behe expõe argumentos que demonstram a insuficiência epistêmica do darwinismo. Clique aqui e adquira o seu.

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O CETICISMO DA FÉ – Em O Ceticismo da Fé: Deus, uma dúvida, uma certeza, uma distorção, o teólogo e arqueólogo Rodrigo Silva apresenta um estudo profundo sobre a existência de Deus. O objetivo primário da obra, entretanto, não é um convencimento sobre Deus, mas acompanhar crentes e descrentes nessa jornada sem-fim, inerente a todo ser humano em busca da verdade. René Descartes ajudou Rodrigo a ter o insight: “O homem deve desconfiar de tudo para poder acreditar em alguma coisa.” Este livro convida o leitor, seja o ateu ou o religioso mais convicto, a questionar, a pensar, a se comprometer sinceramente com a dúvida, a fim de que sua sistematização o conduza a grandes certezas. Clique aqui e adquira o seu.

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MISTÉRIOS DA CRIAÇÃO – Juntamente com o Dr. Humberto Rasi, o biólogo Dr. James Gibson organizou o livro Mistérios da Criação. A obra reúne um “time de peso” formado por cientistas e pesquisadores, muitos dos quais ligados ao Geoscience Research Institute. Temas como a harmonia entre a ciência e a Bíblia, evidências da existência do Criador, Big Bang e origem da vida, dinossauros e métodos de datação, dilúvio e registro fóssil, entre outros (ao todo, 20 questões científicas), são tratados com clareza e profundidade. Clique aqui e adquira o seu.

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ORIGENS – É possível harmonizar a ciência e a Bíblia? A ciência moderna, por meio da teoria da evolução, conseguiu refutar a narrativa bíblica da origem da vida? Quem aceita a teoria criacionista precisa, necessariamente, rejeitar a ciência? O cientista criacionista Dr. Ariel Roth procura demonstrar que a harmonia entre a ciência e a religião bíblica nos traz uma compreensão mais completa do mundo que nos cerca e do significado da existência humana. Roth é doutor em Zoologia pela Universidade de Michigan, Estados Unidos. Clique aqui e adquira o seu.

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ESCAVANDO A VERDADE – Escrito pelo professor de teologia e doutor em Arqueologia Rodrigo Silva, Escavando a Verdade: A Arqueologia e as incríveis histórias da Bíblia “não se trata de um livro técnico, muito menos exaustivo. Aqui vamos tratar das evidências do Antigo Testamento e da vida de Jesus no Novo Testamento”. Rodrigo participou de escavações em várias partes do mundo, além de ser o apresentador do programa “Evidências”, da TV Novo Tempo. Portanto, nas 176 páginas de seu livro, ele fala do que viu e tocou e não apenas do que pesquisou ou leu. Clique aqui e adquira o seu.

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NO PRINCÍPIO – De onde viemos? Esta é uma das perguntas fundamentais abrigadas no espírito humano. Duas respostas se destacam, entre tantas outras. Muitos creem que somos resultado de milhões de anos de um longo processo evolutivo. Outros acreditam que a vida surgiu de uma criação recente, há poucos milhares de anos. Em diversos contextos, a teoria da evolução tem sido vendida como fato científico, e a criação é rotulada como folclore religioso. Entretanto, a realidade é bem mais complexa. Ao ler esta obra, você encontrará respostas honestas para dilemas cruciais enfrentados por ambos os lados no acalorado debate sobre as origens. Com uma abordagem séria e acadêmica, tanto quanto acessível, este livro renovará sua compreensão sobre esse tema polêmico. Clique aqui e adquira o seu.

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ORTODOXIA – Grande pensador do século 19, dono de um estilo bem-humorado, G. K. Chesterton critica com classe e profundidade as incoerências do pensamento ateu. C. S. Lewis, outro ex-ateu famoso, foi profundamente influenciado pelas ideias de Chesterton. Nesse livro, lançado em 1908, Chesterton refaz sua trajetória espiritual e mostra como mudou do agnosticismo à crença. Ele provoca: “Para responder ao cético arrogante, não adianta insistir que deixe de duvidar. É melhor estimulá-lo a continuar a duvidar, para duvidar um pouco mais, para duvidar cada dia mais das coisas novas e loucas do Universo, até que, enfim, por alguma estranha iluminação, ele venha a duvidar de si próprio.” Clique aqui e adquira o seu.

Frases de Ellen White

EDUCAÇÃO – A verdadeira educação significa mais do que avançar em determinado programa de estudos. É com isso em mente que Ellen White enfatiza a importância de harmonizar o que é verdadeiro com o desenvolvimento completo das capacidades do ser humano. Não basta conquistar diplomas, ter um corpo perfeito ou ganhar muito dinheiro. Ser educado, no  entendimento da autora, é ter autonomia e autocontrole, é pensar e agir com base em princípios tão poderosos como o amor e a honestidade. Por isso, desde 1903, ano em que foi publicado, este livro tem resistido ao tempo e tem sido uma ferramenta valiosa para sucessivas gerações de educadores, pais e estudantes. Clique aqui e adquira o seu.

TODOS os da Sociedade Criacionista Brasileira. Clique aqui e conheça.

Fonte: OutraLeitura (Michelson Borges)

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Biografia de herói que inspirou filme indicado ao Oscar é lançada no Brasil

 

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A editora Casa Publicadora Brasileira lançou, ainda no ano passado (2016), a versão em língua portuguesa da biografia de Desmond Doss escrita por Frances M. Doss, segunda esposa do veterano de guerra que inspirou o filme “Até o último homem”, indicado a 6 Oscars em 2017. Leia o artigo “Herói improvável”, publicano na Revista Adventista (e a Entrevista com o próprio Desmond Doss, de 1987).

CPB lança biografia do herói adventista da II Guerra Mundial.

Pequena resenha/apresentação da editora:

“Senhor, ajuda-me a salvar mais um.”

A artilharia pesada em Okinawa multiplicava as vítimas, mas não intimidou Desmond Doss, soldado e homem de fé. Com a coragem e a força da oração acima, ele se recusou a procurar abrigo e carregou, um por um, seus companheiros caídos até um local seguro. Em aproximadamente cinco horas ele resgatou todos os 75 feridos naquele ataque. Este e outros atos heroicos fizeram com que ele recebesse a mais alta distinção que se pode conferir a um soldado norte-americano: a Medalha de Honra.
Porém, sua história não termina em 1945. Houve muitas outras batalhas e vitórias para o homem conhecido como “o mais improvável dos heróis”. Este livro conta cada uma delas.
Da infância marcada por acidentes à bravura na Segunda Guerra Mundial, da trágica perda de sua esposa Dorothy às batalhas contra a surdez e o câncer, Desmond Doss viveu com devoção insuperável. Devoção a seu país, a suas convicções e, acima de tudo, a seu Deus.

Detalhes do produto

Formato: 14.0 x 21.0 cm
Número de páginas: 176
ISBN: 978-85-345-2353-0
Acabamento: Brochura

Fonte (e “site” para adquirir o livro): CPB

Observação: Assim como Desmond Doss, funcionários da Casa Publicadora Brasileira (editora adventista) guardam o sábado. A compra de produtos no “site” só é possível fora das horas do sétimo dia bíblico, que começa ao pôr do sol de sexta-feira e termina ao pôr do sol de sábado.

Publicado em ciência, Pesquisas

Pesquisa Desacredita Fusão de Cromossomo Humano

Evidência de ancestralidade comum?

Em 2002, 614 mil bases de DNA cercando o local da fusão foram totalmente sequenciadas, revelando que a sequência de fusão alegada estava no meio de um gene originalmente classificado como pseudogene, porque não havia até então nenhuma função para ele. A pesquisa também mostrou que os genes ao redor do local da fusão na janela das 614 mil bases não existiam no cromossomo 2A ou 2B do chimpanzé – a localização suposta para a origem símia. Na terminologia genética, nós chamamos essa localização discordante do gene de falta de sintenia. Humanos e grandes símios diferem em número de cromossomos – humanos possuem 46 enquanto símios possuem 48 deles. A diferença é atribuída à “fusão de ponta-em-ponta” de dois pequenos cromossomos similares aos dos macacos em um ancestral humano-símio que se juntaram em um passado distante e formaram o cromossomo 2. Essa ideia foi inicialmente proposta por pesquisadores que perceberam que humanos e chimpanzés compartilham padrões similares de marcação de cromossomos quando observados em um microscópio. Todavia, humanos e chimpanzés também têm regiões dos seus cromossomos que não compartilham padrões de marcação comuns. A suposta prova para a alegada fusão veio em 1991, quando pesquisadores descobriram uma sequência de DNA com cerca de 800 bases de comprimento no cromossomo 2 humano. Mas essa sequência estava inesperadamente pequena em tamanho e extremamente degenerada. Mais importante, essa nova sequência semelhante à fusão não era o que os pesquisadores estavam esperando encontrar, pois continha uma assinatura nunca vista. Todas as fusões conhecidas em animais vivos estão associadas com uma sequência chamada DNA satélite (satDNA), que funde em um dos dois seguintes cenários: (1) satDNA-satDNA ou (2) satDNA-telômeroDNA (telômeros são as regiões no fim dos cromossomos que contêm milhares de repetições da sequência “TTAGG”). A sequência alegadamente de fusão continha uma assinatura diferente, uma fusão telômero-telômero e, se real, poderia ser o primeiro caso já documentado na natureza.

Eu publiquei agora uma nova pesquisa sobre o local da fusão alegada, revelando dados genéticos que desacreditam completamente as alegações evolucionistas. Minha análise confirma que o local está dentro de um gene chamado DDX11L2 no cromossomo humano 2. Ainda mais, a sequência de fusão alegada contém uma característica funcional genética chamada “local de ligação de transcrição de fator”, que é localizado no primeiro intron (região não codificada) do gene. Fatores de transcrição são proteínas que ligam locais regulatórios dentro e ao redor dos genes para controlar suas funções, atuando como interruptores. O gene DDX11L2 tem três dessas áreas, uma das quais é codificada no local da fusão alegada.

Os cromossomos são moléculas de DNA de cadeia dupla e contêm genes nas duas cadeias que são codificados em direções opostas. Devido ao gene DDX11L2 ser codificado na cadeia orientada reversamente, ele é lido na direção reversa (ver a seta “Exon 1”). Então, a sequência de fusão alegada não é lida na direção avante tipicamente utilizada na literatura como evidência para uma fusão – ao contrário, ela é lida na direção reversa e codifica um interruptor regulatório chave.

O local suposto de fusão é atualmente uma parte-chave do gene DDX11L2. O gene em si mesmo é parte de um grupo complexo de genes RNA helicase DDX11L que produzem longos RNAs regulatórios não codificantes. Estes transcritos RNA DDX11L2 são produzidos em 255 tipos diferentes de células e tecidos humanos, destacando a função biológica ubíqua do gene.

(ICR, com tradução de Alexsander Silva)

Comentário de Enézio de Almeida Filho: O assunto é tecnicamente complexo, mas fácil de se resolver – os evolucionistas simplesmente “contam”, mas não analisam os cromossomos: os humanos têm 23 pares de cromossomos e os primatas têm 24 pares; portanto, dois cromossomos de primatas foram fundidos em um cromossomo humano. Mas será isso mesmo? Consideremos – e se o ancestral comum tivesse 23 cromossomos distintos, e um cromossomo sofreu duplicação na linhagem que resultou nos primatas superiores? O que isso significaria em termos de história evolucionária humana? E se o ancestral comum tivesse 20 cromossomos distintos e ocorreram 4 eventos de duplicações na linhagem dos primatas superiores, e 3 na linhagem humana? E se o ancestral comum tivesse 30 cromossomos distintos, e ocorreram 6 eventos de fusão na linhagem dos primatas superiores e 7 eventos de fusão para a linhagem humana, o que tudo isso representaria?

A resposta para as questões acima é que a simples contagem de cromossomos ou comparações de números de cromossomos não resulta em ancestralidade comum a ponto de se fazer predições firmes de quantos cromossomos nosso suposto ancestral primata-humano tinha. Além disso, atualmente não existe uma análise cromossômica completa de evidência de fusão em nossos cromossomos, por isso não podemos afirmar que a presença de um cromossomo fundido em humanos seja uma predição de ancestralidade comum. Muito mais pesquisas se fazem necessárias.

O que alguns evolucionistas não consideram teoricamente é que o ancestral comum de humanos e primatas supostamente existiu há seis milhões de anos. O que evolucionistas dizem é que essa fusão cromossômica tenha ocorrido há recentes 50 mil anos. Sob esse ponto de vista, esse evento de fusão cromossômica não tem nada a ver em nos fazer tipo humanos em contraste com os primatas superiores. Claramente esse evento de fusão cromossômica está muitos milhões da anos distante de qualquer suposta ancestralidade com os primatas superiores.

O que aparentemente é uma problema para os que não aceitam a ancestralidade comum entre humanos e primatas superiores é, na verdade, uma grande dificuldade para os evolucionistas: Como um evento de fusão cromossômica natural, não guiado, pode se fixar numa população, e como isso poderia resultar em uma descendência viável? É preciso vencer, pelo menos, dois obstáculos difíceis:

1) Na maioria dos casos, indivíduos com cromossomo fundido aleatoriamente podem ser normais, mas é muito provável que sua descendência tenha uma doença genética. Um exemplo clássico disso é a síndrome de Down.

2) Para resolver esse problema em (1) é preciso encontrar uma parceira que também tenha um evento de fusão cromossômica idêntico. Mas a pesquisa de Valentine e Erwin implica que tais eventos seriam altamente improváveis de acontecer: “The chance of two identical rare mutant individuals arising in sufficient propinquity to produce offsprings seems too smal to consider as a significant evolutionary event” (Erwin, D. H., e Valentine, J. W. “Hopeful monsters, transposons, and the Metazoan radiation”, Proc. Natl. Acad, Sci. USA, 81:5482-5483, Sep. 1984).

Assim, os evolucionistas precisam explicar por que um evento de fusão cromossômica aleatória que, em nossa experiência, resulta unicamente em descendência com doenças genéticas, não resultou numa doença genética e se tornou vantajoso o suficiente para se fixar numa população inteira de nossos ancestrais. Como não temos evidência empírica de que tais eventos de fusão cromossômica aleatórios não são sem vantagens, talvez a presença de um evento de fusão cromossômica não seja uma boa evidência para a história neodarwinista sobre os humanos.

Além disso, as pesquisas científicas vêm mostrando evidências que complicam cada vez mais a hipótese da ancestralidade comum:

1. Chimpanzee and human Y chromosomes are remarkably divergent in structure and gene contente.

  1. Incomplete lineage sorting patterns among human, chimpanzee and orangutan suggest recent orangutan speciation and widespread selection.Genome Research, 2011.

(~8% de nosso genoma é mais próximo de orangotangos do que chimpanzés… Vamos pular de galho em galho agora?)

  1. Mapping Human Genetic Ancestry.(23% de diferença? Para onde foi a semelhança de 99%? “For about 23% of our genome, we share no immediate genetic ancestry with our closest living relative, the chimpanzee. This encompasses genes and exons to the same extent as intergenic regions. We conclude that about 1/3 of our genes started to evolve as human-specific lineages before the differentiation of human, chimps, and gorillas took place” [Ingo Ebersberger, Petra Galgoczy, Stefan Taudien, Simone Taenzer, Matthias Platzer, and Arndt von Haeseler, “Mapping Human Genetic Ancestry,” Molecular Biology and Evolution, v. 24(10):2266-2276 (2007)].

Para finalizar, seria muito melhor os evolucionistas dizerem “Eu não sei” do que afirmar categoricamente que a fusão cromossômica ocorreu há uns 50 mil anos, contrariando a hipótese da ancestralidade comum que sugere um tempo de [supostos] 6 milhões de anos, pois comparar genomas humanos com chimpanzés é como procurar agulhas em palheiro:“Comparing the human and chimpanzee genomes: Searching for needles in a haystack.”

Fonte: Criacionismo
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O Pensamento Hebraico Comparado ao Grego

Na Antiguidade, dentre as várias cosmovisões existentes, duas, em especial, se destacavam. Grécia e Israel tinham modos bem distintos de pensar. É preciso admitir que os gregos deixaram uma herança muito rica para o Ocidente, nas artes, na ciência e na cultura. Sem eles, não seríamos o que somos hoje. No entanto, do ponto de vista religioso, a influência grega trouxe mais problemas do que vantagens. Se hoje temos tanta dificuldade para entender a Bíblia, em grande parte, isso se deve à nossa mente “helenizada” (é preciso lembrar que os autores bíblicos eram, em sua maioria, hebreus e que até o Novo Testamento, escrito em grego, reflete o modo hebraico de pensar). Daí a importância de entender mais a fundo a mentalidade hebraica antiga. Adotar uma perspectiva hebraica das Escrituras ajuda a entender o pensamento dos autores bíblicos?

O objetivo deste artigo é relacionar, de modo sucinto, algumas das principais nuances do pensamento hebraico, comparando-as ao pensamento grego, que, via de regra, é também o pensamento ocidental.

Vale lembrar que nem todos os gregos e hebreus pensavam de maneira idêntica. Havia, dentro de cada cultura, diferentes ramificações quanto à religião e à filosofia. As características abaixo representam cada modo de pensar de forma geral, sem levar em consideração as diferentes subdivisões.

Concreto x abstrato

No idioma hebraico antigo (língua predominante do Antigo Testamento), ao contrário do grego, as ideias eram muito mais concretas do que abstratas. Até conceitos abstratos, como os sentimentos, costumavam ser associados a algo concreto.

Em hebraico, a palavra “ira” ou “raiva”, por exemplo, é ’af (Êx 4:14), a mesma que é usada para “nariz” ou “narinas” (Jó 40:24). Mas o que tem que ver nariz com raiva? Geralmente, quem fica com muita raiva respira de modo acelerado, e as narinas se dilatam. Talvez esse seja o motivo concreto por trás da relação entre as duas palavras.

Outro exemplo desse concretismo hebraico é a palavra “fé”, ’emunah (Hc 2:4), que em vez de significar apenas crença ou aceitação mental – como no grego –, expressa também qualidades como firmeza, fidelidade e estabilidade. Ter fé, na visão hebraica, é se firmar em Deus, como uma estaca fincada no chão (ver Is 22:23, onde “firme” vem do verbo ’aman, a mesma raiz de ’emunah). Portanto, crer, do ponto de vista bíblico-hebraico, inclui também a ideia de se apegar a Deus e ser fiel.

Dinamismo x ócio

Na Grécia antiga, dava-se mais valor à falta de ocupação do que ao trabalho, principalmente entre os atenienses. Não ter que trabalhar e se dedicar apenas à contemplação e ao mundo das ideias era considerado a mais nobre das “atividades”. Já os hebreus eram um povo extremamente dinâmico e seu idioma refletia isso.

No português, como em outras línguas, o sujeito vem em primeiro lugar na frase, e o verbo, geralmente, é colocado logo em seguida. Exemplo: “Antônio obedeceu a seu pai.” Em hebraico, a ordem das palavras ficaria assim: “Obedeceu Antônio a seu pai.” Isso mostra o valor das ações para os hebreus.

Até substantivos que, para nós, não implicam necessariamente uma ação, para eles envolviam algum movimento. A palavra “presente” (ou “bênção”), berakah em hebraico (Gn 33:11), por exemplo, vem da raiz brk (“ajoelhar”), e significa “aquilo que se dá com o joelho dobrado”, fazendo referência ao costume de inclinar o corpo ao presentear alguém. A palavra “joelho”, berek (Is 45:23), por sua vez, significa, literalmente, “a parte do corpo que se dobra”.

O conceito hebraico de comunhão – “andar com Deus” (Gn 6:9; Mq 6:8) – também envolve movimento e significa manter um relacionamento constante com Ele. E a palavra “júbilo”,rwa‘ ou ranan (Sl 100:1; 149:5), significa “dar um grito retumbante de alegria”.

Para os hebreus, havia uma íntima relação entre aquilo que se fala e o que se faz. Entendia-se que a palavra de um homem deve corresponder às suas ações. Aliás, “palavra”, em hebraico, significa também “coisa” ou “ação”, dabar. Logo, dizer algo e não agir de acordo implicava mentira, falsidade.

Essência x aparência

Os gregos descreviam os objetos em relação à sua aparência. Os hebreus, ao contrário, consideravam mais a essência e função das coisas. Exemplo: Se nos mostrassem um lápis e nos pedissem para descrevê-lo, como seria nossa descrição? Provavelmente, diríamos: “O lápis é azul”, ou “é amarelo”; “tem ponta fina”, ou não; “é cilíndrico”, ou “é retangular”; “é curto”, ou “é comprido”; etc. Note que em todas essas características a ênfase está na aparência.

Um hebreu descreveria o mesmo lápis de forma bem mais simples e objetiva: “É feito de madeira, e eu escrevo palavras com isto.” Na cosmovisão hebraica, a essência das coisas e sua função eram mais importantes que a forma ou a aparência.

Por isso, os elogios de Salomão à sua amada no livro de Cantares parecem tão estranhos para nós, ocidentais. Dizer a uma mulher: “O teu ventre é [um] monte de trigo” (Ct 7:2) pode não soar bem hoje em dia. Mas, na cultura da época, a imagem do trigo trazia a ideia de fertilidade e fartura (função e essência), e ter muitos filhos era o sonho de toda mulher.

Outro exemplo é a descrição feita sobre a arca de Noé e o tabernáculo do Antigo Testamento (Gn 6:14-16; Êx 25-28). Qualquer um que lê o que a Bíblia diz a respeito dessas construções nota que há muito mais detalhes sobre a estrutura e os materiais empregados na confecção do que em relação à sua aparência.

Além de funcional e essencial, o estilo de descrição dos hebreus era também pessoal – o objeto era descrito de acordo com a relação dele com a pessoa. Ao descrever um dia ensolarado, em vez de dizer: “O dia está lindo”, um hebreu diria: “O sol aquece meu rosto!” Daí a descrição de Davi: “O Senhor é o meu pastor” (Sl 23:1).

Teoria x prática

Na cosmovisão grega, “saber” era mais importante do que “ser”. Para os gregos, sabedoria era o resultado sobretudo do estudo, da contemplação e do raciocínio. O conhecimento era essencialmente teórico, limitado ao mundo das ideias, e o mais importante era conhecer a si mesmo.

Para os hebreus, no entanto, o conhecimento era essencialmente prático. Conhecer era, principalmente, experimentar, se envolver com o objeto de estudo. O conhecimento de Deus era o mais importante, e a verdadeira sabedoria estava em saber ouvir, especialmente a Ele – “Ouve, ó Israel […]” (Dt 6:4). Na mentalidade hebraica, “temer a Deus” é o primeiro passo para ser sábio (Sl 111:10; Pv 1:7).

Tempo x espaço

Quando queremos incentivar alguém a prosseguir, dizemos: “Bola pra frente!”, e quando queremos dizer que algo ficou no passado, falamos: “Ficou para trás.” Mas quem nos ensinou que o futuro está à nossa frente e o passado atrás? Possivelmente, os gregos. Eles tinham uma visão espacial do tempo, e nós herdamos isso.

Os hebreus (que valorizavam mais o tempo do que o espaço) enxergavam passado e futuro de modo diferente. Para eles, mais importante do que localizar o tempo de forma espacial era defini-lo em ações completas e incompletas (aliás, “completo” e “incompleto” são os nomes que se dá aos tempos verbais do hebraico).

Na mentalidade hebraica antiga, o passado (tempo completo) estava à frente (as palavras temol e qedem, “ontem” ou “antigamente”, significam também “em frente”), e o futuro (tempo incompleto) estava atrás – mahar, “amanhã” ou “no futuro”, vem da raiz ’ahar, que significa, entre outras coisas, “ficar atrás”, ou “para trás”. (Veja Êx 5:14; Jó 29:2; Êx 13:14 e Dt 6:20.)

E por que eles entendiam o tempo assim? O pensamento hebraico era simples e direto. O passado já foi completado, por isso podemos olhar para ele como se estivesse diante dos nossos olhos. O futuro, porém, ainda está indefinido, incompleto, por isso, ainda é desconhecido e é como se estivéssemos de costas para ele.

História cíclica x linear

Os gregos viam o curso da história como uma espécie de roda gigante. Para eles, a história se repetia eternamente, num eterno vai e vem sem destino.

Para os hebreus, no entanto, a história era linear e climática. Deus foi quem a iniciou (Gn 1:1), e é Ele quem faz com que ela prossiga para um fim, um clímax, o chamado “Dia do Senhor” (yom Yahweh; Sf 1:7, 14; Jl 2:1; 2Pe 3:10). Mas essa descontinuidade da história será apenas o começo da eternidade (‘olam; Dn 12:2).

Deus x “eu”

Na cosmovisão grega, o “eu” (ego) era o centro de tudo. Diz a lenda que à entrada do Oráculo de Delfos, na Grécia Antiga, havia a frase “Conhece-te a ti mesmo”. Na cultura hebraica, por outro lado, Deus era o centro de todas as coisas. Os hebreus não dividiam a vida, como nós fazemos, em sagrada e secular. Para eles, essas duas áreas eram uma coisa só, sob o domínio de Deus.

Até mesmo as tarefas do dia a dia eram consideradas, de certa forma, sagradas. A palavra hebraica ‘abad – “servir” ou “adorar” (Sl 100:2) – pode ser também traduzida como “trabalhar”. Na lavoura, na escola ou no templo, a vida era vista como um constante ato de adoração (1Co 10:31; Cl 3:2; 1Ts 5:17). Para eles, a adoração era mais do que um evento, era um estilo de vida.

Pensamento corporativo x individualismo

Os gregos consideravam a individualidade um valor supremo e praticamente inegociável. Os hebreus, por sua vez, tinham uma “personalidade corporativa” e enfatizavam a vida em comunidade. Na cosmovisão hebraica, havia uma ligação inseparável entre o indivíduo e o grupo. A vitória de um era a vitória de todos, e o fracasso de um representava o de todos. Por isso, para os cristãos, se, por um lado, a falha de Adão lá no Éden representou nossa queda, por outro lado, a morte de Cristo na cruz dá a todos a oportunidade de salvação (1Co 15:22; Jo 3:16).

Amor: decisão x emoção

No mundo grego, o amor, em suas várias formas, se resumia muitas vezes a um mero sentimento. Na visão hebraica, porém, amor é mais que isso: é uma escolha (em Ml 1:2, 3 e Rm 9:13, “amar” e “odiar” são sinônimos de “escolher” e “rejeitar”). É algo prático, traduzido em ações – a Deus e ao próximo (Mt 22:35-40).

Paz: presença x ausência

No pensamento ocidental, paz depende das circunstâncias. É a ausência de guerras, problemas e perturbações. Mas para os hebreus, paz não implicava, necessariamente, ausência, e sim presença. Só a presença de Deus pode trazer bem-estar, segurança e felicidade – que são ideias contidas na palavra shalom (Jz 6:24).

Integral x dualista

Os gregos tinham uma visão dualista da realidade. Com base nos ensinamentos de Platão, acreditavam que havia dois mundos: o das ideias (ou do espírito) e o mundo real. De acordo com essa visão, o ser humano era formado por duas partes: espírito (ou alma) e corpo. Para eles, o corpo e as coisas materiais eram ruins, e apenas o “espírito” e as coisas do “além” podiam ser considerados bons. Assim, a morte, na verdade, seria a libertação da alma, que, enquanto estivesse no corpo, estaria presa ao mundo material.

Já os hebreus tinham uma visão integral da vida. Para eles, o ser humano era completo, indivisível. Na mentalidade hebraica, alma se refere ao indivíduo como um todo (corpo, mente e emoções). De acordo com Gênesis 2:7, nós não temos uma alma, nós somos uma alma, ou seja, seres vivos (nefesh hayyah, em hebraico). Ao contrário dos gregos, que criam na imortalidade do espírito, os hebreus acreditavam na mortalidade da alma e na ressurreição (Ez 18:4; Dn 12:1, 2).

Espiritualidade x misticismo

Para os gregos, espiritualidade era algo místico. Ser espiritual significava desprezar totalmente a matéria e se conectar ao “outro mundo”. Esse desprezo das coisas materiais variava entre dois extremos. Alguns, por exemplo, renunciavam completamente os prazeres físicos, tais como a alimentação e o sexo, a ponto de mutilar seus órgãos genitais. Outros, por outro lado, se entregavam a todo tipo de sensualidade e orgia. Ambos os comportamentos tinham como base a ideia de que o corpo é mau, e que, no fim das contas, o que importa mesmo é a “alma”.

Mas para a cosmovisão hebraica, o corpo foi criado por Deus, e por isso é sagrado. A Bíblia diz que “do Senhor é a Terra” (Sl 24:1). E enquanto criava o mundo, Deus viu que este “era bom” (Gn 1:10, 12, 18, 21) – e não mau, como acreditavam os gregos. Deus fez o mundo (as coisas materiais), e deu ao ser humano a responsabilidade de cuidar dele.

Para os hebreus, portanto, espiritualidade tinha que ver, sim, com esta vida. Na cosmovisão bíblica, não é preciso se isolar em um monastério, recorrer à meditação transcendental ou entrar num estado de transe para atingir “o mundo superior”. É possível ser “santo” e desenvolver a espiritualidade no dia a dia, nas situações comuns da vida e no trato diário com as pessoas (Lv 20:7; 1Pe 1:16).

Conclusão

Embora devamos muito aos gregos como herdeiros de sua cultura, é fundamental que adotemos uma perspectiva hebraica ao estudar as Escrituras, a fim de que nossa hermenêutica se aproxime ao máximo do modo de pensar dos autores bíblicos, bem como do sentido original do texto.

(Eduardo Rueda é bacharel em Teologia e editor associado na Casa Publicadora Brasileira)

Fontes: Thorleif Boman, Hebrew thought compared with greek (Norton, 1970); Marvin R. Wilson, Our Father Abraham (Eerdmans, 1989); _________, “Hebrew thought in the life of the church”, The living and active word of God (Eisenbrauns, 1983); Jacques Doukhan, Hebrew for Theologians (University Press, 1993); Ferdinand O. Regalado, Hebrew thought: its implications for adventist education (Universidade Adventista das Filipinas, 2000); Daniel Lopez, doutorando em linguística pela UFF-RJ e professor de Filosofia da Educação na UFRJ; Rodrigo P. Silva, graduado em filosofia, arqueólogo e doutor em Teologia; site
Fonte: Criacionismo
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Pesquisador Explica Por Que os Adventistas Vivem Mais

As estatísticas têm mostrado que a religião torna as pessoas mais felizes, e isso não é tudo: a religião pode ajudá-las a viver mais tempo também.

Em uma tentativa de “engenharia reversa da longevidade”, Dan Buettner passou anos pesquisando as partes do mundo onde as pessoas vivem muito mais tempo do que a média. A maioria desses locais estão fora dos Estados Unidos, incluindo a Sardenha, na Itália, e Okinawa, no Japão,  mas há, sim, um grupo de longa vida nos Estados Unidos. São os adventistas do sétimo dia, que vivem em média 10 anos mais do que a expectativa de vida dos americanos, de cerca de 79 anos.

Buettner, cujo trabalho faz parte do Projeto Blue Zones (Zonas Azuis), juntou-se à jornalista do HuffPost Caitlyn Becker na quarta-feira para explicar o que adventistas do sétimo dia fazem de correto. Isso inclui ter uma dieta baseada em vegetais e “uma rede social que reforça o comportamento certo”. Suas crenças religiosas também são uma grande ajuda, disse ele.

“Eles levam essa ideia do sábado muito a sério, e, fazendo assim, reduzem a pressão do estresse”, disse Buettner. “Cerca de 84 por cento dos dólares gastos com cuidados com a saúde são gastos por causa de escolhas alimentares ruins, sedentarismo e estresse não gerenciado, e os adventistas têm essa forma cultural de gestão do estresse através do seu sábado.” (Assista à entrevista aqui)

Fonte: TheHuffingtonPost

Saiba mais sobre os segredos da longevidade adventista assistindo à Série “Blue Zone”, da TV Novo Tempo

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Somos Todos Ratos?

“Eu fiz a terra, e criei nela o homem; eu o fiz.” Isaías 45:12

Desde que a tecnologia avançou a tal ponto que os cientistas podem agora mapear genomas inteiros de vários animais, temos ouvido de como os seres humanos são extremamente semelhantes a outros mamíferos no nível dos genes. Essas semelhanças sempre geram destaques nos noticiários, mas eu sempre achei tudo isso muito barulho por nada.

Afinal de contas, eu posso ver com meus próprios olhos que os seres humanos e os ratos, por exemplo, são extremamente diferentes. Então, quando os biólogos me disseram que os ratos e os homens eram basicamente iguais, eu percebi que a métrica de comparação deles estava sendo exagerada.

Em um artigo do NY Times, de 2002, Nicholas Wade escreveu que “apenas cerca de 300 genes — um por cento dos 30.000 possuídos pelo rato  não têm nenhuma contrapartida óbvia no genoma humano”. Assim, somos informados de que os seres humanos e os ratos são 99% similares com base em seus genes.

Também fomos informados de que praticamente todas as informações necessárias para a construção de uma planta ou animal seriam encontrados nos genes que codificam proteínas, o que implicaria que as instruções para a construção de um rato são 99% semelhantes às instruções para a construção de um ser humano. Este “fato” da biologia nunca fez sentido para mim [veja, sobre o assunto, o link sugerido ao final do post], já que eu posso ver que os ratos e os seres humanos são construídos de forma bastante diferente, e muito mais do que 1% diferente.

James Shapiro, em seu livro “Evolution: a view from the 21st century”, explica que eu não estava errado, afinal. Há muito mais por trás da construção de um animal do que os genes que codificam proteínas. Shapiro afirma:

A opinião tradicional tem sido a de que espécies relacionadas diferem no seu repertório de ‘genes’ individuais. Mas uma perspectiva de EvoDevo mais contemporânea é que muito da alteração morfológica em evolução [Shapiro se prende ao modelo evolucionista] ocorre por uma modificação de expressão através da alteração de intensificadores e outros sinais de regulação da transcrição,  bem como por padrões distintos de formatação epigenética.  (Versão livre, comentário em colchetes)

Tradução: genes não são os únicos fatores determinantes das mudanças corporais evolutivas [história evolutiva suposta pelo modelo evolucionista, não demonstrada ou testada]. Há todo um outro mundo atrás dos genes que os cientistas só recentemente vêm descobrindo. Shapiro continua:

Comparando ratos e homens, os “genes” permanecem praticamente os mesmos, mas a sua implantação é diferente. Os ossos, ligamentos, músculos, pele e outros tecidos são semelhantes, mas sua morfogênese e seu crescimento seguem padrões distintos. Em outras palavras, os seres humanos e os ratos compartilham a maioria das proteínas, e as diferenças mais óbvias na morfologia e no metabolismo podem ser atribuídas aos padrões reguladores distintos no desenvolvimento embrionário e pós-natal. (Versão livre)

A maneira como leio isso é que se pensarmos em um ser humano como uma “casa”, e em um rato como uma “casa diferente”, é verdade que ambas as casas são construídas com madeira, blocos de concreto, pregos, vidro, etc, que é o que nos dão os genes, as matérias-primas da casa.

E isso é interessante. Mas a própria construção da casa envolve muito mais do que as matérias-primas. O que é mais importante é a arquitetura, os projetos, que especificam como as matérias-primas serão utilizadas para construir a casa. A “casa rato” é [grosso modo] como um casebre de 30m2, enquanto a “casa homem” é como uma requintada mansão de 3.000m2.

Claro, elas são feitas de materiais semelhantes, mas dizer que o casebre e a mansão são 99% semelhantes é totalmente enganoso, não é mesmo?

“Mais valeis vós do que muitos passarinhos.” Mateus 10:31 “Quanto mais vale um homem do que uma ovelha.” Mateus 12:12
Fonte: Bill Pratt

[Mais sobre a falácia do argumento evolucionista da “similaridade” e “ancestralidade comum” aqui: A “Lógica” da Evolução e o Tabu da Ancestralidade Comum (ou Par, eu Ganho; Ímpar, Você Perde).]

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Como Alguém Pode Duvidar do “Fato” da Evolução?

evolucao lupa
O ponto principal deste post de Cornelius Hunter não é tanto responder à pergunta (embora sirva a isso também), mas sim chamar a atenção para  uma atitude que ele tem visto, já com certa frequência, em interlocutores que promovem a Evolução (com base na sua própria experiência de “dialogar” com eles um “diálogo” que, como se vê aqui, algumas vezes pode ficar aquém do ideal de divergência amistosa):

Os evolucionistas gostam de dizer que existem montanhas de evidências em favor da evolução, mas qual seria a melhor “prova”? O que faria um criacionista pensar duas vezes? Vinte e cinco segundos depois do início de um vídeo sobre o assunto, o evolucionista Richard Dawkins responde a essa pergunta. Sua evidência “matadora” é a congruência entre os genes de diferentes plantas e animais. Compare os genes através de uma variedade de espécies e você verá uma “hierarquia perfeita, uma árvore de família perfeita”. Na verdade, você vai ver o mesmo resultado para árvores evolutivas usando genes individuais, os chamados “gene trees” (árvores). Funciona “com cada gene que você analise separadamente”.


Dawkins: [Tradução/versão de parte do vídeo]: [0.25] Eu acho que, talvez, o fato único mais convincente — observação — que você poderia apresentar seria o padrão de semelhanças que você vê quando se compara os genes, usando técnicas modernas de DNA, como olhar as correspondências letra a letra entre os genes  — comparar os genes de qualquer par de animais que você queira — um par de animais ou um par de plantas — e, em seguida, traçar as semelhanças, e eles caem em uma hierarquia perfeita, uma árvore de família perfeita. … [1.05] Além disso, a mesma coisa funciona com cada gene que você analise separadamente e até mesmo com pseudogenes que não fazem nada, mas são relíquias vestigiais de genes que uma vez fizeram alguma coisa. Acho que é extremamente difícil imaginar como qualquer criacionista que realmente tenha se preocupado em ouvir isso, poderia duvidar do fato da evolução.]


Dawkins continua o discurso com algumas palavras bastante duras para os criacionistas. A mensagem é clara. [Para Dawkins] A evidência para a evolução encaixa perfeitamente no lugar. Isso torna a evolução um fato que está além de qualquer dúvida razoável. E quem duvida disso é uma pessoa má.

Essa atitude não é de forma nenhuma própria apenas de Dawkins. Eu ouvi a mesma afirmação, e outras como essa, dezenas de vezes. Às vezes informalmente em palestras, discussões, debates e assim por diante. Outras vezes, em livros ou outras publicações.

O que é surpreendente é a alta confiança do evolucionista e a autocerteza em relação a uma deturpação tão flagrante da ciência. Seria difícil imaginar uma falsidade maior. A incongruência filogenética é galopante em estudos evolutivos. Existem conflitos em todos os níveis da árvore evolutiva e tanto entre os traços morfológicas quanto entre os moleculares. Este estudo relata árvores genéticas incongruentes em morcegos. Esse é um exemplo entre muitos. Essas incongruências são causadas por quase todos os tipos de contradição possíveis. Sequências moleculares em uma ou poucas espécies podem estar fora de lugar entre espécies semelhantes. Ou sequências em espécies distantes podem ser estranhamente similares. Como um estudo admitiu, “não há mecanismo conhecido ou função que seriam responsáveis ​​por este nível de conservação nas distâncias evolutivas observadas”. Ou, como outro evolucionista admite, os muitos exemplos de sequências moleculares quase idênticas de animais totalmente não relacionados uns com os outros são “surpreendentes”.

Um problema ainda mais grave é que, em muitos casos, nenhuma comparação é sequer possível. A sequência molecular encontra-se em uma espécie, mas não em suas espécies vizinhas. Quando esse problema se tornou aparente pela primeira vez, os evolucionistas pensaram que ele seria resolvido à medida que os genomas de mais espécies fossem decodificados. Sem sorte, porém, o problema só piorou. Não surpreende que os evolucionistas pré-filtrem cuidadosamente seus dados. Como um estudo explicou, “os dados são rotineiramente filtrados, a fim de satisfazer critérios rigorosos, de forma a eliminar a possibilidade de incongruência”. Genes curtos que produzem o que é conhecido como microRNA também contradizem a alta alegação de Dawkins. Na verdade, um evolucionista, que estudou milhares de genes microRNA, explicou que não encontrou “um único exemplo que apoiasse a árvore tradicional.” Isso, como admitiu outro evolucionista, é “uma incongruência muito séria”. Outro estudo admite que “quanto mais os dados moleculares são analisados, mais difícil é interpretar franca e diretamente as histórias evolutivas dessas moléculas”.

Mas, ainda assim, em apresentações públicas de sua teoria, os evolucionistas apresentam uma história muito diferente. Como Dawkins explicou, as comparações genéticas “caem em uma hierarquia perfeita, uma árvore da família perfeita”. Esta declaração é tão falsa que nem sequer é errada, é um absurdo. E é com ela que Dawkins malha de quem “poderia duvidar do fato da evolução.” Infelizmente, essa atitude é típica. Evolucionistas não têm credibilidade.
Fonte: Cornelius Hunter (Darwin’s God)

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Cristianismo, Ciência e o Obscurantismo do Século XXI

A figura acima faz parte de um vitral denominado “Educação”. Encontra-se na sala 102 do Linsly-Chittenden Hall da Universidade de Yale e retrata a ciência e a religião em harmonia.

Você ouve isto o tempo todo: ciência e cristianismo estão em conflito. Por exemplo, o Dr. Thomas Henry Huxley escreveu uma vez: 1

A ciência, a arte, o direito, as principais teorias políticas e sociais do mundo moderno desenvolveram-se a partir da Grécia e de Roma, não por favor mas em meio à oposição dos ensinamentos fundamentais do cristianismo primitivo, para o qual a ciência, a arte e qualquer ocupação séria com as coisas deste mundo eram igualmente desprezíveis.

E isso era em 1899. O ateu contemporâneo Dr. P.Z. Myers diz de forma mais sucinta:

A fé cristã se opõe à ciência.

O problema, claro, é que tais declarações são demonstravelmente falsas. De fato, como já escrevi anteriormente, os especialistas em História têm mostrado que a ciência moderna é um produto do cristianismo ( ver aqui e aqui) .

Recentemente, encontrei um excelente ensaio do Dr. Michael Keas que apresenta esse ponto muito bem. Recomendo fortemente que você o leia na íntegra, mas há duas citações que gostaria de destacar.

No início do ensaio, ele discute a ideia, já desmascarada há muito tempo, de que as pessoas, na Idade Média, acreditavam que a Terra era plana. Como Diana Waring e eu normalmente apontamos em uma de nossas palestras, mesmo os antigos gregos entendiam que a Terra é uma esfera, e nenhum escritor cristão com um mínimo de reputação jamais sugeriu o contrário. No entanto, o mito persiste, pois muitos “educadores” estão mais interessados ​​em empurrar seus próprios pontos de vista do que divulgar estudos sérios. De qualquer forma, o Dr. Keas toca num ponto sobre esse fiasco que eu acho particularmente revelador:

Mas o “erro da Terra plana” [chamado “erro plano” pelo historiador Jeffrey Russell] persiste, de tal forma que, nas duas décadas em que passei ensinando astronomia e sua história, descobri que a maioria dos estudantes universitários acreditam que Colombo descobriu a esfericidade da Terra e, assim, teria derrotado a ignorância medieval. Eu também descobri que meus próprios alunos (antes de fazer meus cursos) eram menos capazes de defender a esfericidade da Terra do que eram os estudantes universitários medievais. Então, qual Idade é, de fato, a mais escura?

É comum que as pessoas hoje olhem para trás, para as pessoas nos tempos medievais (ou anteriores) e riam da “estupidez” de tais “selvagens antigos”. No entanto, juntamente com o Dr. Keas, acho que muitos dos estudantes universitários de hoje não são tão bem educados como era o típico estudante universitário naqueles dias. De fato, um argumento pode ser feito de que os antigos podem ter sido mais inteligentes do que somos hoje.

O ensaio termina com uma citação muito interessante. Eu tenho defendido, há muito tempo, a posição de que a rejeição de um Deus criador por muitos cientistas tem prejudicado a causa da ciência. Dr. Keas expõe o caso mais gravemente:

Poderia tal fé naturalista eventualmente minar os alicerces da Ciência, para a qual a tradição judaico-cristã tanto contribuiu? Se for esse o caso, então podemos estar vivendo nós mesmos na verdadeira Idade das Trevas da história científica.

Eu honestamente acho que essa é uma possibilidade real. Há uma frase que tem sido atribuída a G.K. Chesterston, mas não posso confirmar se ele realmente disse isso. Independentemente de quem a tenha dito, acho que é muito verdadeira: 2

Quando um homem deixa de acreditar em Deus, ele não passa, então, a não acreditar em nada: ele passa a acreditar em qualquer coisa.

Infelizmente, essa situação é devastadora para a ciência, e o surgimento de absurdos como a hipótese de multiversos e a ideia de que algo pode surgir naturalmente a partir do nada são sintomas dessa devastação.

Referências:
1. Israel Smith Clare, Hubert Howe Bancroft, and George Edwin Rines, Library of Universal History and Popular Science, The Bancroft Society 1910, p. 433
2. Mark A. Driscoll, A Call to Resurgence, On Mission LLC 2013, p. 38
Fonte: Dr. Jay Wile (Proslogion)
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A Dúvida de Darwin

Darwin's Doubt

[Frank Turek, um dos autores do clássico Não Tenho Fé Suficiente para Ser Ateu, resenhou o novo livro de Stephen Meyer, Darwin’s Doubt (a Dúvida de Darwin). O livro expõe o fracasso da hipótese darwinista e dos mecanismos por ela propostos para explicar a origem de novos planos corporais e a suposta história da vida do ponto de vista evolucionista. O fracasso é explicitado mesmo ao considerar um cenário protegido por parâmetros da própria teoria da evolução, já que a tese do livro não leva em conta, por exemplo, críticas à interpretação básica darwinista que toma a coluna geológica como “sinônimo” de  “milhões e milhões de anos” de suposta macroevolução biológica, pressuposição afastada pelo criacionismo bíblico. Se levasse isso também em conta, o que restaria das especulações de Darwin? Segue a resenha.]

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Darwin’s Doubt (a Dúvida de Darwin) o mais novo bestseller do New York Times —, escrito por Stephen Meyer (Ph.D. por Cambridge), está criando grande controvérsia científica. Os darwinistas não gostam disso.

Meyer escreve sobre a complexa história de novas formas de vida num estilo de narrativa fácil de entender. Ele conduz o leitor numa viagem desde Darwin até hoje, enquanto tenta descobrir a melhor explicação sobre como os primeiros grupos de animais surgiram. Meyer mostra, de forma convincente, que os mecanismos darwinianos não têm o poder de fazer o trabalho.

Usando a mesma abordagem de investigação forense que Darwin usou mais de 150 anos atrás, Meyer investiga a dúvida central que Darwin teve sobre sua própria teoria. Ou seja, a de que o registro fóssil não continha a composição de formas intermediárias que sua teoria de mudança evolutiva gradual necessitava. No entanto, Darwin previu que descobertas futuras iriam confirmar a teoria.

Meyer aponta que as descobertas  não confirmaram a expectativa de Darwin. Temos pesquisado minuciosamente o registro fóssil desde Darwin e confirmado aquilo que Darwin viu originalmente: o aparecimento abrupto e descontínuo das primeiras formas de vida animal complexa. Na verdade, os paleontólogos agora consideram que cerca de 20 dos 28 filos animais (representando distintos “planos corporais” animais) encontrados no registro fóssil aparecem abruptamente, sem antepassados, ​​em um evento geológico dramático chamado de Explosão Cambriana.

E descobertas adicionais desde Darwin têm tornado as coisas ainda piores para sua teoria. Darwin não sabia, por exemplo, sobre o DNA ou a informação digital que ele contém e que torna a vida possível. Ele não poderia ter avaliado, portanto, que a construção de novas formas de vida animal exigiria milhões de novos caracteres de código precisamente sequenciados — que a explosão cambriana foi uma maciça explosão de novas informações.

Para que o moderno neodarwinismo sobreviva, deve haver um mecanismo natural não guiado que possa criar informação genética e, em seguida, acrescentá-la maciçamente, com precisão e dentro do tempo permitido pelo registro fóssil. Existe um mecanismo desse tipo?

A resposta a essa pergunta é a chave para a teoria de Meyer e para o livro inteiro. Meyer mostra que o mecanismo padrão “neodarwinista” de mutação e o mecanismo de seleção natural não têm o poder criativo para produzir as informações necessárias para a produção de novas formas de vida animal. Ele também analisa as várias especulações pós-darwinistas que os próprios biólogos evolucionistas estão propondo para substituir o edifício darwinista em desmoronamento. Nenhuma delas sobrevive ao escrutínio. Não só não existe nenhum mecanismo natural conhecido que possa criar a nova informação necessária para novas formas de vida, como não há nenhum mecanismo natural conhecido que possa também criar o código genético para a primeira vida (tema que foi objeto do livro anterior de Meyer, Sgnature in the Cell, Assinatura na Célula).

Quando Meyer sugere que um designer inteligente é a melhor explicação para a evidência em mãos, os críticos o acusam de ser anticientífico e de pôr em risco a liberdade sexual em todos os lugares (tudo bem, eles não afirmam explicitamente essa última parte). Eles também afirmam que Meyer comete a falácia do “Deus das lacunas”.

Mas ele não o faz. Como Meyer mesmo mostra, ele não está interpretando a evidência com base no que nós não sabemos, mas no que nós de fato sabemos. O surgimento geologicamente súbito de animais totalmente formados e milhões de linhas de informação genética apontam para inteligência. Ou seja, nós não apenas carecemos de uma explicação materialista para a origem da informação. Nós temos evidência positiva de nossa própria experiência uniforme e repetida de que outro tipo de causa, ou seja, a inteligência ou a mente, é que é capaz de produzir informação digital. Assim, ele argumenta que a explosão de informação no período Cambriano fornece evidências desse tipo de causa agindo na história da vida animal (assim como qualquer frase escrita por um dos críticos de Meyer é uma evidência positiva para um ser inteligente).

Essa inferência a partir dos dados não é diferente das inferências que os arqueólogos fizeram quando descobriram a Pedra de Roseta. Não foi uma “lacuna” em seu conhecimento sobre as forças naturais que os levou àquela conclusão, mas o conhecimento positivo de que inscrições requerem autores inteligentes.

É claro que qualquer crítico poderia refutar a tese inteira de Meyer demonstrando como forças ou mecanismos naturais podem gerar a informação genética necessária para construir a primeira vida e, em seguida, novas quantidades maciças de informação genética necessárias para novas formas de vida animal. Mas eles não conseguem e dificilmente tentam isso sem assumir aquilo que estão tentando provar (ver o Capítulo 11). Em vez disso, os críticos tentam infamar Meyer, afirmando que ele está fazendo “pseudociência” ou ciência nenhuma.

Bem, se Meyer não está fazendo ciência, então nem Darwin o estava (ou nenhum darwinista hoje). Meyer está usando o mesmo método científico forense ou histórico que o próprio Darwin usou. Isso é tudo que pode ser usado. Uma vez que essas são questões históricas, um cientista não pode ir para o laboratório a fim de repetir e observar a origem e a história da vida. Os cientistas devem avaliar as pistas deixadas para trás e, então, fazer uma inferência para a melhor explicação. Será que a nossa experiência repetida nos diz que mecanismos naturais têm o poder de criar os efeitos em questão ou é necessário inteligência?

Meyer escreve: “o neodarwinismo e a teoria do design inteligente não são dois tipos diferentes de investigação, como alguns críticos têm afirmado. Eles são duas diferentes respostas — formuladas usando lógica e método de raciocínio semelhantes — para a mesma pergunta: “O que causou as formas biológicas e a aparência de design na história da vida?”

A razão pela qual os darwinistas e Meyer chegam a respostas diferentes não é porque há uma diferença em seus métodos científicos, mas porque Meyer e outros defensores do Design Inteligente não se limitam a causas materialistas. Eles são abertos também a causas inteligentes (assim como arqueólogos e investigadores de cenas de crime o são).

Portanto, este não é um debate sobre evidência. Todo mundo está olhando para a mesma evidência. Este é um debate sobre como interpretar as evidências, e que envolve compromissos filosóficos sobre que causas serão consideradas possíveis antes de olhar para as evidências. Se você filosoficamente descartar causas inteligentes de antemão, como os darwinistas o fazem, você nunca vai chegar à verdade se um ser inteligente for o responsável.

Uma vez que todas as evidências precisam ser interpretadas, a ciência não diz, de fato, nada, os cientistas é que o fazem. Então, se certos autonomeados sacerdotes da ciência dizem que uma teoria particular está fora dos limites de seu próprio dogma científico, isso não significa que essa teoria seja falsa. A questão é a verdade, e não se algo se encaixa na definição materialista da ciência.

Tenho certeza de que darwinistas continuarão a atirar lama sobre Meyer e seus colegas. Mas isso não vai fazer a menor diferença em sua observação de que sempre que vemos uma informação como essa necessária para produzir a explosão cambriana, a inteligência é sempre a causa. Na verdade, eu prevejo que quando as pessoas de mente aberta lerem a Dúvida de Darwin, elas verão que o Dr. Meyer faz uma defesa  muito inteligentemente planejada de que o Design Inteligente é realmente verdade. É só uma pena que muitos darwinistas não estejam abertos para a verdade — eles não são nem mesmo “mente aberta” o suficiente para duvidar de Darwin, tanto quanto era o próprio Darwin.

Fonte: Frank Turek (Townhall)
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Os Estudos em Torno da Origem da Vida Estagnaram por um Motivo Bem Simples

Genes
Ninguém consegue dizer donde veio a informação biológica necessária. Na conferência com o nome “Origin of Biological Information” ficamos a saber que os estudos em torno da origem da vida (ODV) não têm tido avanço. Eis o que a introdução dos artigos agora publicados diz em torno da ODV. Os meus comentários pelo meio:

A origem da vida é o problema mais incómodo com o qual a ciência actual se depara.

Na verdade, não é a “ciência” que tem problemas com as questões em torno da vida mas sim o naturalismo filosófico. Esta filosofia defende que nada mais existe para além do mundo “natural” (seja lá o que isso for). Devido a esta posição de fé, quando se fala na origem da vida, os evolucionistas encontram-se voluntariamente fechados numa prisão ideológica da qual se recusam a sair sob pena de serem qualificados de “inimigos da ciência”.

Por outro lado, se nos libertamos destes constrangimentos não-científicos, e analisarmos os dados disponíveis à luz da Bíblia, os “problemas” desaparecem e a realidade fica com uma explicação que está de acordo com as observações.

 Este problema [a origem da vida] tem resistido a todas explicações reducionistas. Todas as tentativas de se gerar a vida através da bioquímica revelaram-se insuficientes.

Espaço

Por que será? Há mais de 50 anos que os naturalistas tentam desesperadamente entender como é que a vida surgiu segundo causas puramente “naturais”. Todas as experiências falharam. Seria de esperar que eles levassem esses falhanços naturalistas (e não falhanços da ciência) e colocassem de lado as suas crenças cardinais (naturalismo, ateísmo, etc). Em vez disso, muitos “cientistas” continuam a investir elevadas somas de dinheiro (dos contribuintes?) numa hipótese falhada, enquanto outros começam a acreditar am algum tipo de causação inteligente, mas de extra-terrestres.

Todas as tentativas de se dar início à vida através da química revelaram-se insuficientes. Será que, apesar da química servir de meio de transporte para a informação biológica, é a informação em si uma mensagem capaz de ser transportada independentemente do meio de comunicação? Será que a informação é uma entidade real – tão real como os componentes químicos, embora não redutíveis para o nível desses mesmos componentes – e, atrevendo-nos a dizer, será que ela pode ter uma causa inteligente?

Neste ponto a nota introdutória começa a mover-se mais para o lado do criacionismo e da ciência ao dar a entender uma aceitação leve da natureza não-física (imaterial) da informação. O que o texto pergunta é se a informação biológica é distinta do meio através da qual essa informação é transportada. A resposta é mais do que óbvia.

Para se ver o quão óbvia a resposta a a questão é, basta perguntar: de quantas formas é possível alguém dizer “bom dia” a outra pessoa? Pode dizer em linguagem gestual, ou escrever numa papel, ou escrever num teclado, ou dizer num outro idioma. Esta mensagem pode ser transmitida das mais variadas formas físicas sem que ela perca o significado. Disto se infere que, de facto, a informação é independente da química e da física.

Disto se infere também que a informação biológica não tem origens materiais e físicas, mas origens que estão para além do mundo tangível (físico).Isto não prova a existência de Deus, mas é uma evidência muito forte em Seu favor.

Origem da Vida

É precisamente por isso que os evolucionistas tentam desesperadamente minimizar a componente informática dos sistemas biológicos, afirmando que o uso da palavra informação não significa que ela tenha o mesmo significado que ela tem no resto da existência humana. Mas isso é uma coisa que eles têm que demonstrar; nós criacionistas aceitamos a terminologia usada por eles mesmos (“informação”), e desafiamos a comunidade evolucionista a explicar a origem da vida sem uma Causa Inteligente.

Aceitamos que isto [causa inteligente] é uma possibilidade possibilidade especulativa, mas num campo repleto de especulação, qual é o motivo para se permitir um conjunto de especulações (aquelas que estão de acordo com a perspectiva antiga) ao mesmo tempo que se rejeitam outras especulações (aquelas que abrem novas portas) ?

O que os editores estão a questionar é o porque de se rejeitar a especulação que envolve algum tipo de causação inteligente na origem da vida, ao mesmo tempo que se aceitam outros tipos de especulações apenas e só porque estas últimas estão de acordo com a forma de vista mais antiga. A resposta é a mesma já dita em cima e é também bastante simples: se a origem da vida envolve algum tipo de design inteligente, então isso é uma evidência poderosa para a visão Bíblica do mundo.

Os evolucionistas estão bem cientes disso, e como tal rejeitam à priori qualquer hipótese que envolva o design inteligente. O facto desta posição estar de acordo com os dados da ciência é irrelevante para os evolucionistas.

As pessoas que contribuíram para este volume não estão a disponibilizar qualquer tipo de resposta. Em vez disso, eles apenas estão a lançar questões incisivas precisamente no sítio onde a perspectiva antiga falhou em fornecer um ponto de partida para o entendimento da origem da informação biológica.

Darwin Shiu

Ou seja, o motivo que leva os autores a colocar o design inteligente como uma das hipóteses a ser considerada no estudo da ODV prende-se com o falhanço absoluto das antigas respostas naturalistas. Como o naturalismo falhou, então os cientistas estão em busca de respostas mais adequadas. Se eles tivessem lido o primeiro capítulo do Livro de Génesis não estariam nessa posição incómoda.

Conclusão:

Para nós Cristãos o facto das teorias naturalistas em torno da ODV estarem sem qualquer tipo de avanço é confirmação do que diz a Palavra de Deus:

Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder; porque Tu criaste todas as coisas, e por Tua vontade são e foram criadas. Revelação 4:11

A vida biológica é o efeito da Vontade Sobrenatural de Deus – e não o efeito das forças da Química e da Fisica. Devido a isso, procurar respostas naturalistas para a origem da vida é desenvolver esforços numa hipótese errada.

Pode ser que à medida que a ciência vai avançado, a posição evolucionista/ateísta se torne cada vez mais embaraçosa, e os evolucionistas ateus se vejam forçados a practicar a sua fé em Darwin longe da vista de quem está minimamente informado dos dados da ciência.

Se por acaso algum evolucionista menos informado erradamente alegar que a origem da vida é um assunto “distinto” e “separado” da teoria da evolução, recomendo a leitura deste texto: -> É a abiogénese irrelevante para a teoria da evolução?

Fonte: Darwinismo (Portugal)
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O Grande Mito na “História do Mundo em Duas Horas”

O fotográfo-filósofo Laszlo Bencze comentou recentemente sobre o filme A História do Mundo em Duas Horas.

Veja o que ele escreve:

Em termos de computação gráfica, bastante impressionante. Em termos de explicações sobre a vida, o de sempre  o grande mito de nosso tempo apresentado acriticamente nos termos mais vagos:

Elementos químicos formam-se na Terra primitiva, os quais se “combinam” para causar a vida. A vida “fica” mais complicada à medida que o tempo passa. Há uma “explosão” de complexidade no Cambriano. Etc.

Quando se trata de nossos “ancestrais” hominídeos, o que nos oferecem é o papo furado de sempre: o visual é um grupo de chimpanzés numa árvore (estes são chimpanzés reais, e não imagens criadas em computador). O locutor anuncia que a árvore está ficando lotada e há menos alimentos devido à concorrência. Mas (graças à evolução!) alguns dos chimpanzés mais “aventureiros” decidem descer da árvore sobre a savana plana onde eles “desenvolvem” uma marcha bípede. As vantagens de uma marcha bípede em uma paisagem de savana são numerosas, e esses hominídeos bípedes sortudos sobrevivem (agora retratados por imagens criadas em computador, que representam chimpanzés andando).

Não há a menor sugestão de que qualquer uma dessas etapas evolutivas pode ser muito complicada ou difícil de explicar. Tudo é fácil. A Evolução fica reificada como algum tipo de entidade vagamente proposital que guia a vida ao longo do tempo, sempre respondendo perfeitamente a catástrofes ambientais e a oportunidades.

Pelo menos uma vez eu gostaria de ver um desses documentários [esses desprovidos ideologicamente da liberdade de considerar a revelação e a cosmovisão teísta] ter a coragem, de fato, de dizer algo como: “Nós não temos nenhuma ideia de como a vida começou…”

Fonte: TheBestSchool (com nota deste blogue entre colchetes)
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Livro “A Descoberta” Acaba de Sair do “Forno”

 
 

Fazia tempo que eu queria escrever um romance que tratasse de questões relacionadas com teísmo/ateísmo e criacionismo/evolucionismo, de maneira interessante e envolvente, com personagens bem construídos. Para essa empreitada, convidei o amigo escritor Denis Cruz (autor de Além da Magia e O Livro Amargo) e criamos uma história cheia de dilemas morais, emoção e discussões filosóficas e científicas (a linda capa é obra do designer Eduardo Olszewski).

O personagem principal é Carlos Biagioni, um físico nuclear brasileiro ateu bem-sucedido, mas com a família à beira da ruína e o casamento fracassado. Em meio a um turbilhão de emoções, intensa pesquisa e memórias dolorosas, ele dá início a uma jornada que vai mudar completamente sua visão de mundo, oferecendo-lhe a chance de curar feridas do passado e a possibilidade de olhar com esperança para o futuro. Viva você também essa experiência!

 
A Descoberta é uma ótima opção para quem deseja presentear pessoas que mantêm um ceticismo (e mesmo um ateísmo) do tipo mente aberta. Os que creem também vão se surpreender com a quantidade de argumentos apologéticos apresentada na trama pelos autores.
 
Em breve, o livro estará à venda pelos canais da Casa Publicadora Brasileira (CPB). Aguarde!
 
Fonte: Michelson Borges (Criacionismo)
 
 
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O Alfabeto, o Livro e a Necessidade de Deus – O Argumento da Contingência

Livro e Letras saindo dele

Imagem: Gosto de Ler

Durante uma discussão com A. C. Grayling na 25ª edição do programa de rádio Unbelievable (Inacreditável), em março, Peter S. Williams forneceu uma boa e concisa apresentação do argumento cosmológico da contingência:

Uma vez feita a distinção entre coisas que têm causas e coisas que não têm causas, se alguma coisa existe, ou será o tipo de coisa que requer algo fora de si mesma para existir, ou o tipo de coisa que não requer isso. Se não é possível haver uma regressão infinita de coisas que requerem causas fora de si [e é verdade que há alguma coisa que requer causa fora de si: o universo e tudo o que nele existe]…, então, não pode haver uma regressão infinita de tais causas, e, portanto, você tem que ter um término dessa regressão [Deus é a melhor explicação para o término dessa regressão].

Para alguns que podem achar a explicação por demais concisa, vou extendê-la um pouco.

Podemos conceber dois tipos de coisas: aquelas cuja existência requer uma causa externa a si mesmas (seres “contingentes”), e aquelas cuja existência não requer uma causa externa a si mesmas (seres “necessários”). Dado o fato de que todas as coisas físicas – o universo, e tudo que nele há – não tinham de existir, e em determinado ponto no tempo não existiam, podemos concluir que eles são seres contingentes, cuja existência requer uma causa externa a si mesmos.

A natureza contingente da realidade física cria um problema para qualquer explicação naturalista da origem do universo. Para explicar a existência de um ser contingente X, deve-se apelar para um ser anterior W, que causou a existência de X; para explicar a existência do ser contingente W, deve-se apelar para um ser anterior V, que causou a existência de W; para explicar a existência do ser contingente V, deve-se apelar para um ser anterior U, que causou a existência de V, ad infinitum. Para explicar, em termos naturalistas, a existência do ser contingente X, então, teria de ter havido um número infinito de seres contingentes anteriores a X, que formam uma cadeia causal que conduz à existência de X.

Há dois problemas com isso. Em primeiro lugar, se houvesse uma regressão infinita de causas, isso tornaria realmente impossível explicar a existência de X. O filósofo Richard Purtill [1] oferece uma excelente analogia para ilustrar esse ponto. Imagine se eu lhe pedisse um livro emprestado. Você diz que não tem o livro, mas que vai perguntar a um amigo seu se ele tem uma cópia que possa dar a você para que você, por sua vez,  o empreste a mim. Quando você pergunta ao seu amigo pelo livro, ele diz que não tem, mas que vai perguntar a um amigo dele se ele tem uma cópia para emprestar a ele. Se assim for, ele vai tomar emprestado o livro com o  amigo e, em seguida, emprestá-lo a você. Se esse processo continuar ad infinitum, eu nunca vou receber o livro. Da mesma forma, se nenhum ser contingente na cadeia causal infinita que leva até “X” tivesse existência em si mesmo, então seres contingentes jamais poderiam existir, já que seres contingentes devem derivar a sua existência de uma fonte externa a eles próprios. Afirmar que seres contingentes podem existir independentemente de uma fonte que possui existência em e por si mesma é como sugerir que um número infinito de vagões num trem infinitamente longo pode estar num estado de movimento, apesar do fato de não existir nenhum motor para puxá-los. Se não houver um mecanismo para puxar o carro A, então o carro A e cada carro ligado a ele nunca começarão a se mover. O fato de que o trem se move demonstra que pelo menos um carro tem um motor capaz de dar movimento a todos os outros carros. Da mesma forma, o fato de que o ser contingente “X” existe, demonstra que existe algum ser não-contingente na série causal que dá existência a todos os outros seres.

Em segundo lugar, sabemos, a partir de descobertas científicas, que a realidade física tem um passado finito. A cadeia causal que levou até X termina com a singularidade. Não existem entidades físicas, causas, ou eventos fora da singularidade e, portanto, não há regressão infinita de causas externas a que se possa apelar para explicar a existência de X. O ser contingente W só pode explicar o ser contingente X se existir um ser contingente V que possa explicar o contigente W; e o ser contingente V só pode explicar o ser contingente W se existir um ser contingente U que explique o ser contingente V, e assim por diante. Mas dada a finitude temporal do universo, nós acabaremos por chegar ao ser contingente A, que explica o ser contingente B. Mas o que pode explicar o ser contingente A? Ele requer uma causa externa a si mesmo da mesma maneira que todos os outros seres contingentes, mas, sendo ele o primeiro ser contingente, simplesmente não existem quaisquer outros seres contingentes disponíveis para explicar A. Se, como visto, seres contingentes derivam a sua existência de uma fonte externa a si mesmos, e não existe ser contingente externo a A para explicar a existência de A, então a existência de “X” não pode ser explicada também. Devemos ou concluir que não há uma explicação para os seres contingentes (uma violação do princípio da razão suficiente) ou que a realidade não se esgota com a realidade física. Dada a força de nossa intuição metafísica de que “ser/existência” só vem de “ser/existência”, a última alternativa é mais razoável. Além dos “seres contingentes” que constituem a realidade física, também deve existir um “ser necessário” que transcende o mundo físico.

Voltando, por um momento, à analogia do empréstimo do livro, vimos que, se o processo de solicitação do livro a um amigo continuasse ad infinitum, eu jamais receberia o livro. Se eu recebo o livro, porém, então, em algum ponto da cadeia causal, deve existir alguém que não tem que pedir o livro emprestado, mas possui o livro e o empresta a todos os outros que precisam do livro. Da mesma forma, se o ser contingente X existe, então em algum ponto da cadeia de causalidade, deve existir um ser necessário que não tem de derivar a sua existência de alguma fonte externa, mas existe por uma necessidade de sua própria natureza e é a fonte de todas os seres contingentes. Um ser dessa natureza não pode ser parte do reino físico, porque todas as entidades físicas são seres contingentes. O ser necessário deve, portanto, transcender ao mundo físico, agindo como sua causa primeira.

Além de imaterial, o ser necessário também deve ser eterno e não espacial, já que o tempo e o espaço são partes da realidade física [que é contingente]. Um ser com essas características [não contingente, imaterial, eterno, não espacial] corresponde ao que os teístas têm tradicionalmente descrito como Deus, e, assim, Deus é o melhor candidato para o ser necessário.

Em resumo, não pode haver uma regressão infinita das coisas que requerem uma causa externa para si. Deve haver uma terminação da cadeia causal. O que quer que termine a cadeia causal não pode ele próprio ser algo que exija uma causa externa a si mesmo, mas deve ser um ser necessário a partir do qual todos os seres contingentes derivam sua existência. Dadas as características de um ser necessário, Deus é a melhor explicação para o término do regresso causal.

Fonte: Theosophical

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A Retórica “Científica” em Ação: Evolução Comparada à Observação da Gravidade?

 

 Comparação revela como é primitivo o pensamento evolucionista

No pensamento evolucionista há um grande contraste entre sua ambiguidade científica e sua certeza metafísica. Há todo tipo de problemas em explicar como o mundo poderia ter surgido por conta própria, mas ainda assim, ao mesmo tempo, os evolucionistas constantemente nos asseguram que a evolução é um fato científico. Por exemplo, enquanto Philip Ball exorta seus colegas evolucionistas a admitirem que nós não entendemos completamente como a evolução trabalha no nível molecular ele, simultaneamente, apresenta a ideia como um fato e critica aqueles que duvidam dessa nova verdade. Mas como podemos ter tanta certeza de que as espécies se originaram espontaneamente quando nossos melhores esforços para explicar como isso poderia ter acontecido continuam a ser insuficientes? Quando eu destaquei isso, um evolucionista retrucou, afirmando que eu estaria cometendo o erro elementar de confundir os detalhes de uma teoria com o seu valor de verdade: “Nós não entendemos completamente como funciona o câncer. Isso faz com que o câncer não seja verdade?”

Esta objeção merece ser examinada não porque faça sentido (não faz), mas porque é uma resposta padrão.

O defensor do padrão evoluconista, Stephen J. Gould, uma vez comparou a certeza da evolução com a da gravidade: “Os fatos não desaparecem quando cientistas debatem teorias rivais para explicá-los. A teoria da gravitação de Einstein substituiu a de Newton, mas as maçãs não ficam suspensas no ar enquanto se aguarda o resultado. E os seres humanos evoluíram de ancestrais simiescos, se pelo mecanismo proposto por Darwin ou por outro, ainda a ser descoberto.”

Gould não foi o primeiro evolucionista a comparar a evolução com observações empíricas tais como a gravidade. Essas comparações remontam praticamente a Darwin e elas não pararam desde então.

Isto é notável porque esses argumentos são falaciosos e falhos. Eles nos dizem muito mais sobre o estado do pensamento evolucionista do que sobre a suposta verdade da evolução.
Seja a comparação a gravidade, o câncer ou qualquer observação empírica, nós os consideramos um fato porque podemos observá-los.  Se podemos ou não explicá-los, e até que ponto podemos explicá-los, não tem qualquer influência sobre a própria observação. Assim, Gould está correto quando afirma que a gravidade “permanece, ou não vai embora” quando cientistas debatem teorias rivais para explicá-la.

Mas nós não observamos os seres humanos evoluírem de ancestrais simiescos. Essa é a afirmação da evolução, e é uma afirmação que sofre de problemas científicos substanciais. E esses problemas não são um detalhe sobre a evolução, são um fato científico. Sim, evolucionistas debatem explicações rivais sobre como as espécies se originaram, mas nesse caso, não há nenhuma observação da evolução que [como a gravidade] “permaneça, ou não vá embora” durante o debate. Não há fato da evolução observado no qual podemos nos firmar, enquanto as explicações evolutivas encontram problemas científicos.

Essa falácia na comparação de evolucionistas com observações empíricas não é sutil. Na verdade, a falácia é tão trivial que chega a ser vergonhosa para os evolucionistas. Mas ainda assim, aí está ela. Os principais evolucionistas sempre usaram e continuam a usar esse argumento ridículo. O que é importante aqui não é nem que o argumento seja falho, mas que os evolucionistas acreditem que ele seja uma defesa eficaz de sua insustentável posição. O argumento falha em sua defesa da evolução, mas não falha em revelar quão falho e vazio é o pensamento evolucionista.

 Fonte: Cornelius Hunter (Darwin’s God)
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Jesus é Evidência de que Deus Existe

Já tentou defender a existência de Deus para um amigo descrente ou um membro da família cético? Eu já. Por alguma razão, eu me vejo começando com as mais amplas evidências da existência de Deus. Partindo do argumento cosmológico, passando pelas evidências do ajuste fino do universo, as evidências da teleologia ou a existência de leis morais transcendentes, eu normalmente começo por fazer uma defesa da existência de um Deus não específico antes de focalizar a evidência para o Deus cristão da Bíblia. Geralmente faço uma abordagem de “fora para dentro” ou do “macro-para-o-micro”: em primeiro lugar, defender Deus em geral, e, em seguida, argumentar a favor de Jesus, especificamente.

Mas não  foi assim que eu cheguei à fé. Primeiramente, meu interesse na questão da existência de Deus veio depois que li os evangelhos. Eu os li como um ateu curioso. Um pastor local despertou minha curiosidade, fornecendo algumas amostras dos ensinamentos de Jesus, e eu estava simplesmente curioso para ver se os evangelhos continham alguma sabedoria adicional. Eu não estava mais comprometido com Jesus como sendo um mestre antigo do que poderia estar com Buda, Sócrates ou qualquer outro sábio da antiguidade.

Mas os evangelhos estimularam o exercício da minha experiência como detetive e demonstraram muitas características do testemunho de testemunhas oculares. Eu fui rapidamente envolvido em uma análise forense das declarações do evangelho de Marcos e não demorou muito até que eu levasse a sério o que os evangelhos diziam. Eu descobri:

1. que os evangelhos foram escritos muito cedo;
2. que os evangelhos foram transmitidos cuidadosamente;
3. que as informações dos evangelhos foram protegidas e preservadas;
4. que as reivindicações dos evangelhos a respeito de Jesus eram consistentes com as fontes não-cristãs;
5. que os relatos dos evangelhos eram testáveis.

No final, cheguei à conclusão de que os evangelhos eram relatos de testemunhas oculares confiáveis ​​que forneceram informações precisas a respeito de Jesus, incluindo sua crucificação e ressurreição. Mas isso criou um problema para mim. Se Jesus realmente era quem Ele disse que era, então Jesus era o próprio Deus. Se Jesus realmente fez o que as testemunhas oculares dos evangelhos registraram, então Jesus ainda é o próprio Deus. Como alguém que costumava rejeitar qualquer coisa sobrenatural, eu tive que tomar uma decisão a respeito de meus pressupostos naturalistas.

As evidências para a confiabilidade dos relatos das testemunhas oculares nos evangelhos me fizeram reexaminar a evidência da existência de Deus em geral. Se Jesus ressuscitou dos mortos, os milagres são possíveis. Se Jesus, afirmando ser Deus, pôde levantar-se do túmulo, havia poucos motivos racionais para descrer de qualquer milagre atribuído a Deus, incluindo o milagre da criação. Os relatos evangélicos se tornaram a base a partir da qual examinei os argumentos cosmológico, axiológico, teleológico, ontológico, transcendental e antrópico da existência de Deus. Eu não comecei de forma geral e, então, segui em direção a Jesus, especificamente; eu comecei com Jesus e, em seguida, “retrocedi” para a mais ampla evidência da existência de Deus. Como alguém que trabalhou regularmente com casos circunstanciais cumulativos (como detetive de casos não solucionados e arquivados), a conectividade de todas as evidências disponíveis parecia óbvia à medida que eu montava o caso. Qualquer um destes elementos de prova era suficiente para fazer a defesa da existência de Deus, mas quando considerados cumulativamente, o peso da evidência era avassalador.

Mesmo que a vida de Cristo tenha sido uma parte importante da minha investigação pessoal, eu ainda me vejo defendendo a existência de Deus, pelo menos inicialmente, como se eu ainda não fosse um cristão! Ao compartilhar o que eu acredito com amigos e familiares céticos, eu tenho de fazer um esforço consciente para lembrar que a vida de Jesus, por si só, demonstra a existência de Deus. Se os Evangelhos são verdadeiros, nenhum de nós precisa de nenhuma prova adicional. Jesus é a  evidência suficiente de que Deus existe.

Fonte: PleaseConvinceMe (Jim Warner Wallace, autor do livro “Cold Case Christianity”)
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Por Que Cristo Adiou as Lições de Ciência?

E a vida eterna é esta: que Te conheçam a Ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. João 17:3

O ministério terrestre de Jesus não foi caracterizado pela exposição e discussão de leis da natureza e curiosidades científicas. Havia razões para isso:

Se Cristo julgasse necessário, Ele poderia ter revelado aos Seus discípulos os mistérios que obscurecem e colocam fora do alcance da visão todas as descobertas da mente humana. Ele poderia ter apresentado os fatos pertinentes a cada assunto que vai além da lógica humana, sem, contudo, distorcer a verdade em qualquer aspecto. Ele poderia ter revelado aquilo que é desconhecido, aquilo que ampliaria ao máximo a imaginação e teria atraí­do os pensamentos de sucessivas gerações até o fim da história da Terra. Ele poderia ter aberto as portas dos mistérios que a mente humana busca em vão abrir. Ele poderia ter apresentado aos seres humanos uma árvore do conhecimento de onde eles poderiam colher frutos através dos séculos; mas essa obra não era essencial para a salvação deles, e o conhecimento do caráter de Deus era necessário para seus interesses eternos. […]
Jesus, o Senhor da vida e da glória, veio plantar a árvore da vida para a família humana, e convidar os membros da raça caída a comer e se satisfazer. Ele veio lhes revelar aquilo que era a única esperança deles, sua única felicidade, tanto neste mundo quanto no porvir. […] Ele não permitiu que nada desviasse a atenção dEle da obra que veio realizar. […]
Jesus viu que as pessoas precisavam ter a mente atraída a Deus, para que pudessem se familiarizar com o caráter dEle e obter a justiça de Cristo, representada em Sua santa lei. Ele sabia que era necessário que os seres humanos tivessem uma representação fiel do caráter divino, para que não fossem enganados pela representação falsa de Satanás, que lançou sua sombra infernal no caminho dos homens e na mente deles revestiu Deus com suas características satânicas. […]
Por mais importantes e sábios que os mestres deste mundo tenham sido considerados em seus dias ou sejam considerados em nosso tempo, em comparação com Ele, não são dignos de admiração, pois toda a verdade ensinada por eles foi tão somente aquela originada por Ele, e tudo o que vem de qualquer outra fonte é insensatez. Até mesmo a verdade que eles ensinaram, nos lábios de Cristo foi embelezada e glorificada, pois Ele a apresentou com simplicidade e dignidade (Signs of the Times, 1º de maio de 1893).

Isso não significa, porém, que os homens tenham perdido irremediavelmente a oportunidade de receber lições de ciências diretamente da Fonte onde se acham “escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento” (Colossenses 2:2-3):

O Céu é uma escola; o campo de seus estudos, o Universo; seu professor, o Ser infinito…

[…] Ali, quando for removido o véu que obscurece a nossa visão, e nossos olhos contemplarem aquele mundo de beleza de que ora apanhamos lampejos pelo microscópio; quando olharmos às glórias dos céus hoje esquadrinhadas de longe pelo telescópio; quando, removida a mácula do pecado, a Terra toda aparecer “na beleza do Senhor nosso Deus” – que campo se abrirá ao nosso estudo! Ali o estudante da ciência poderá ler os relatórios da criação, sem divisar coisa alguma que recorde a lei do mal. Poderá escutar a melodia das vozes da Natureza, e não perceberá nenhuma nota de lamento ou tristezas. Poderá enxergar em todas as coisas criadas uma escrita; contemplará no vasto Universo, escrito em grandes letras, o nome de Deus; e nem na Terra, nem no mar ou no céu permanecerá um indício que seja do mal.

Ali se revelará ao estudante uma história de infinito objetivo e riqueza inexprimível. Tomando por base a Palavra de Deus, o estudante obterá uma visão do vasto campo da História, e poderá alcançar algum conhecimento dos princípios que presidem à marcha dos acontecimentos humanos. Mas a sua visão ainda estará nublada, e incompletos os seus conhecimentos. Não verá todas as coisas de uma maneira clara antes que chegue à luz da eternidade. Então se revelará diante dele o decurso do grande conflito que teve sua origem antes que começasse o tempo e terminará apenas quando este cessar. A história do início do pecado; da fatal falsidade em sua ação sinuosa; da verdade que, não se desviando das suas próprias linhas retas, se defrontou com o erro e o venceu; sim, tudo isto será manifesto. O véu que se interpõe entre o mundo visível e o invisível, será removido e reveladas coisas maravilhosas.

[…] Ali toda faculdade se desenvolverá, e toda capacidade aumentará. Os maiores empreendimentos serão levados avante, as mais altas aspirações realizadas, as maiores ambições satisfeitas. E, todavia, surgirão novas elevações a galgar, novas maravilhas a admirar, novas verdades a compreender, novos assuntos a apelarem para as forças do corpo, espírito e alma. Todos os tesouros do Universo estarão abertos ao estudo dos filhos de Deus. Com indizível deleite unir-nos-emos na alegria e sabedoria dos seres não caídos. Participaremos dos tesouros adquiridos através dos séculos empregados na contemplação da obra de Deus. E enquanto os anos da eternidade se escoam, continuarão a trazer-nos mais gloriosas revelações. “Muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos” (Efés. 3:20) será, para todo o sempre, a concessão dos dons de Deus.

[…] Ali, mentes imortais contemplarão, com deleite que jamais se fatigará, as maravilhas do poder criador, os mistérios do amor que redime. Ali não haverá nenhum adversário cruel, enganador, para nos tentar ao esquecimento de Deus. Todas as faculdades se desenvolverão, ampliar-se-ão todas as capacidades. A aquisição de conhecimentos não cansará o espírito nem esgotará as energias. Ali os mais grandiosos empreendimentos poderão ser levados avante, alcançadas as mais elevadas aspirações, as mais altas ambições realizadas; e surgirão ainda novas alturas a atingir, novas maravilhas a admirar, novas verdades a compreender, novos objetivos a aguçar as faculdades do espírito, da alma e do corpo.

Todos os tesouros do Universo estarão abertos ao estudo dos remidos de Deus. Livres da mortalidade, alçarão voo incansável para os mundos distantes – mundos que fremiram de tristeza ante o espetáculo da desgraça humana, e ressoaram com cânticos de alegria ao ouvir as novas de uma alma resgatada. Com indizível deleite os filhos da Terra entram de posse da alegria e sabedoria dos seres não-caídos. Participam dos tesouros do saber e entendimento adquiridos durante séculos e séculos, na contemplação da obra de Deus. Com visão desanuviada olham para a glória da criação, achando-se sóis, estrelas e sistemas planetários, todos na sua indicada ordem, a circular em redor do trono da Divindade. Em todas as coisas, desde a mínima até à maior, está escrito o nome do Criador, e em todas se manifestam as riquezas de Seu poder.

E ao transcorrerem os anos da eternidade, trarão mais e mais abundantes e gloriosas revelações de Deus e de Cristo. Assim como o conhecimento é progressivo, também o amor, a reverência e a felicidade aumentarão. Quanto mais aprendem os homens acerca de Deus, mais Lhe admiram o caráter.

Fontes: Ellen White. Perto do Céu, Meditações Diárias. CPB  (e também Educação, p. 301-304, e O Grande Conflito, p. 677 e 678).
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“Foi a Ciência que me Afastou do Ateísmo”

O Dr. Henry Margenau foi professor emérito “Eugene Higgins” de Física e Filosofia Natural na Universidade de Yale. Ele morreu em 1997, mas cinco anos antes, ele e Roy Varghese, um jornalista internacional, editaram um livro intitulado Cosmos, Bios, and Theos: Scientists Reflect on Science, God, and the Origins of the Universe, Life, and Homo sapiens (Cosmologia, Biologia e Teologia: Cientistas refletem sobre Ciência, Deus, a origem do Universo, da vida e do Homo sapiens). Deparei uma resenha antiga do livro há algum tempo, e ele me pareceu interessante; então, decidi colocá-lo na minha lista de leitura.

Margenau e Varghese contactaram alguns dos cientistas mais importantes do século XX, e perguntaram a opinião deles a respeito de Deus e do assunto das origens. No final, eles obtiveram respostas de 60 cientistas proeminentes, 24 dos quais tinham ganhado o Prêmio Nobel. A maioria respondeu as seis perguntas que Margenau e Varghese fizeram:

1. Qual deve ser, na sua opinião, a relação entre religião e ciência?

2. Qual é a sua opinião sobre a origem do universo: tanto em nível científico e – se você vir a necessidade – em um nível metafísico?

3. Qual é a sua opinião sobre a origem da vida: tanto em nível científico e – se você vir a necessidade – em um nível metafísico?

4. Qual é a sua opinião sobre a origem do Homo sapiens?

5. Como deve a ciência – e o cientista – abordar as questões das origens, especificamente as questões da origem do universo e da vida?

6. Muitos cientistas proeminentes – incluindo Darwin, Einstein e Planck – levaram o conceito de Deus muito a sério. Qual é a sua visão sobre o conceito de Deus e sobre a existência de Deus?

Como seria de esperar quando 60 pensadores profundos são perguntados sobre questões tão sérias, as respostas foram variadas e incrivelmente interessantes. Antes de discuti-las, no entanto, é importante destacar dois pontos. O primeiro é feito no prefácio do livro:

O livro Cosmos, Bios, Theos não tem nenhuma pretensão de ser uma pesquisa estatisticamente significativa das crenças religiosas dos cientistas modernos. (p. xiii)

Assim, o leitor não deve usar as respostas contidas neste livro para inferir a atitude geral entre os cientistas em relação à existência de Deus ou à questão das origens.

O segundo ponto é que nem todos os cientistas responderam a essas seis perguntas. Em vez disso, alguns simplesmente escreveram algumas páginas de pensamentos gerais sobre os temas “Deus” e “as origens”. Outros permitiram o uso de entrevistas que já haviam sido feitas com eles por Varghese Roy.

O livro é dividido em quatro seções. A primeira seção contém respostas (ensaios ou entrevistas) de astrônomos, matemáticos e físicos, enquanto a segunda contém as respostas (ensaios ou entrevistas) de biólogos e químicos. Ao ler as opiniões de cada cientista, tentei determinar se o cientista era ateu (não acredita em Deus), agnóstico (não está seguro sobre a existência de Deus), um deísta (acredita em um Deus criador, mas que não é ativamente envolvido com o universo) ou um teísta (acredita em um Deus criador, que é pessoal e ativo no universo). Isso não foi possível em todos os casos, porque alguns dos cientistas mostraram-se evasivos quando se tratava de expor suas crenças específicas sobre Deus.

Entre os cientistas que manifestaram claramente seu ponto de vista, no entanto, eu encontrei algo muito interessante. Quando se tratava de astrônomos, matemáticos, físicos, eu não conseguia encontrar ateus, mas apenas um punhado de agnósticos. A grande maioria ou eram deístas ou teístas. Além disso, os teístas superavam os deístas  numa margem de mais de três por um. Esse não era o caso entre os biólogos e químicos, no entanto. Nesse grupo de cientistas, havia um ateu, e os números foram quase igualmente divididos entre agnósticos, deístas e teístas.

Agora, mais uma vez, este livro não teve a mínima pretensão de ser uma amostra estatisticamente significativa de cientistas, mas a diferença que aparece entre esses dois grupos que mencionei é algo que eu tenho notado em minha própria carreira científica. Em geral, acho que os astrônomos, matemáticos e físicos são consideravelmente mais propensos a acreditar em Deus do que os químicos e os biólogos. Isso também se encaixa com o que o físico Dr. Robert Griffiths disse algum tempo atrás:

Se precisarmos de um ateu para um debate, eu vou ao departamento de Filosofia. O departamento de Física, nesse caso, não é muito útil. (1)

Eu não sei por que os físicos (e matemáticos) parecem mais propensos a acreditar em Deus do que outros cientistas, mas acho isso interessante.

Agora, embora os astrônomos, matemáticos e físicos fossem mais propensos a acreditar em Deus do que os biólogos e químicos, as declarações mais definitivas sobre a existência de Deus vieram de químicos. Por exemplo, o Dr. Christian B. Anfinsen (que ganhou o Prêmio Nobel de 1972 em Química) escreveu:

Eu acho que só um idiota pode ser um ateu. (p. 139)

Não concordo com isso, é claro. Eu já fui um ateu, e não acho que fosse um idiota então. Além disso, eu conheço (e leio) diversos ateus, e muito pouco deles são idiotas. O Dr. D. H. R. Barton, que ganhou o Prêmio Nobel de 1969 em Química, expressou-se de forma um tanto mais leve, mas ainda bastante definitiva:

A ciência mostra que Deus existe. (p. 144)

Concordo plenamente com o Dr. Barton. Foi a ciência que me afastou do ateísmo, e quanto mais eu estudo a ciência, mais definitivamente eu acho que ela aponta para a existência de um Criador.

Embora eu pudesse dizer muito mais sobre o que esses cientistas escreveram em resposta às seis questões que foram apresentadas, eu quero discutir a terceira seção do livro, porque ela também é incrivelmente interessante. Ela contém um debate sobre a existência de Deus entre o Dr. Hywel David Lewis (um célebre filósofo galês) e o Dr. Antony Flew (um célebre filósofo britânico). O que torna este debate tão fascinante é que o livro foi publicado 12 anos antes que o Dr. Flew rejeitasse o ateísmo. Assim, você consegue ler o Dr. Flew apresentando a defesa de uma posição que ele finalmente rejeitou!

Tendo a vantagem de saber em que Flew finalmente acabaria acreditando, acho que este debate revela que ele já estava começando a se sentir um pouco desconfortável a respeito de seu ateísmo mais de uma década atrás. No começo de uma de suas respostas a Lewis, ele escreve:

Notoriamente, a confissão faz bem à alma. Portanto, vou começar por confessar que o ateu estratoniciano tem de ficar embaraçado pelo consenso cosmológico contemporâneo. Pois parece que os cosmólogos estão fornecendo uma prova científica daquilo que São Tomás sustentava que não poderia ser provado filosoficamente, a saber, que o universo teve um começo. (p. 241)

Se você não reconhece o termo (que foi cunhado pelo próprio Flew), um ateu estratoniciano é aquele que pensa que uma vez que não há necessidade de acreditar em Deus para entender o universo, a posição racional adequada é a do ateu.

Durante a maior parte da história da ciência, foi consenso científico que o universo não teve princípio – que sempre existiu e sempre iria existir. Isto, naturalmente, se encaixava muito confortavelmente na cosmovisão ateísta, e era contrário às Escrituras, que ensinam claramente que o universo teve um começo (Gênesis 1:1, Colossenses 1:16, Atos 4:24, etc.). No entanto, quanto mais os cientistas estudavam o universo, mais eles percebiam que esta visão era incompatível com as observações disponíveis. Como resultado, no século XX, o consenso científico foi alterado para aquilo que as Escrituras ensinam: o universo teve um começo. Isso, é claro, não foi suficiente para convencer Flew a abandonar seu ateísmo. No final, foi o design (projeto) que ele viu tanto no universo quanto no mundo biológico que o convenceu de que deve haver um Designer (Projetista). No entanto, é interessante ler que mais de uma década antes que ele abandonasse o ateísmo, considerações científicas já estavam produzindo nele algum desconforto.

A quarta parte do livro contém dois ensaios: um sobre a origem do universo e outro sobre mecânica quântica e o mistério da vida. Eu não achei nenhum desses ensaios de alguma forma significativos. No entanto, o resto do livro é tão incrivelmente interessante que considero que vale muito a pena ser lido. Certamente não é “material leve”, mas pode acender algumas luzes na mente de quem fizer a leitura de forma séria.

Referência:

1. Tim Stafford, “Cease-Fire in the Laboratory”, Christianity Today, April 3, 1987, p. 18.

Fonte: Dr. J. L. Wile Proslogion
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“A Bíblia Entre os Mitos”: Que Diferença!

Vivemos em uma época de reducionismo. Isso se torna especialmente evidente pelo uso comum da palavra “apenas”. Os reducionistas dizem: “a mente humana é apenas um sistema complexo de matéria” ou “a moralidade é apenas um subproduto da evolução para a sobrevivência do grupo.”[1] Quando se trata de estudos bíblicos, normalmente o reducionismo assume a seguinte forma: “As narrativas do Gênesis são apenas mais um mito do Oriente Próximo Antigo.”

Os pós-evangélicos usam hoje, regularmente, esses argumentos. Em nível popular, escritores como Rachel Held Evans comentam sobre os “notadamente semelhantes”  relatos da criação e do dilúvio do Antigo Oriente Próximo em relação aos encontrados em Gênesis. Compreender Gênesis como não histórico, um mito não científico, que contém os mesmos “recursos literários humanos” e “pressupostos cosmológicos” que os do Antigo Oriente Próximo teria sido, segundo ela mesma, “libertador”.[2] Peter Enns é o estudioso pós-evangélico mais frequentemente associado com essa visão. Em seu livro Inspiration and Incarnation (Inspiração e Encarnação), Enns procurou mostrar que Deus se ajustou às  culturas do Antigo Oriente Próximo, usando formas literárias não históricas e não científicas em Gênesis (e em outros escritos) para comunicar a sua mensagem.[3] Muitos seguiram a sua liderança, especialmente aqueles que procuram resolução da [suposta] discórdia percebida entre fé e ciência.

No contexto da academia secular, tais pontos de vista são inquestionáveis. O paradigma dominante se originou na Escola “História das Religiões”. Essa perspectiva do século 19 considerava que a religião monoteísta era originária das classes mais baixas da sociedade primitiva, da criação do xamanismo tribal como um meio de afirmar o poder sobre os mais fisicamente ou socialmente poderosos.[4] Essas crenças xamanísticas teriam evoluído para o politeísmo, em seguida para o henoteísmo e, eventualmente, para o monoteísmo. A Escola baseou sua visão na semelhança religiosa de culturas antigas e procurou encaixar todos os dados em um paradigma linear, evolutivo. Dentro desse paradigma, as narrativas do Gênesis tornaram-se “apenas” mais um mito ao lado dos mitos de outras culturas antigas. No início do século 20, os estudiosos começaram a criticar o quanto exatamente certas crenças se encaixam dentro desse paradigma. Eventualmente, a visão acadêmica predominante se desviou do modelo linear, embora a interpretação da narrativa do Gênesis “apenas” como mais um mito da criação continue a prevalecer.

A razão disso?  Há semelhanças óbvias entre Gênesis e outras histórias antigas e modernas das origens. Os estudiosos que mantêm esse ponto de vista têm apresentado as semelhanças como as características mais essenciais do Gênesis e as diferenças como aspectos secundários e não essenciais das narrativas. Mas e se isso for um equívoco? E se as diferenças forem os aspectos essenciais no Gênesis e na visão de mundo do Antigo Testamento? E se Gênesis e outras histórias do Antigo Oriente forem semelhantes da mesma maneira que minha minivan KIA e uma Ferrari são semelhantes? “Ei, ambas têm rodas e um volante, portanto a Ferrari é ‘apenas’ um outro tipo de carro. Quer trocar?” Parece-me que em Gênesis, como na venda de automóveis, as diferenças são muito mais significativas do que as semelhanças.

John Oswalt, professor de Hebraico e Estudos do Velho Testamento no Seminário Teológico de Asbury fez essa defesa recentemente em seu livro “The Bible Among the Miths” (A Bíblia entre os Mitos). Ele baseia-se em trabalhos mais antigos de G. E. Wright, da Universidade de Harvard, para apresentar sua tese, alegando que o trabalho de Wright ainda permanece como uma crítica eficiente da visão predominante.[5] Uma vez que os dados do Oriente Antigo não se alteraram significativamente em quase 70 anos, Oswalt afirma que a principal razão por trás da persistência da visão reducionista não são os dados em si mas “convicções teológicas e filosóficas anteriores”, sustentadas por aqueles que militam nesse campo.[6] O livro é dividido em duas seções: a primeira discute a Bíblia e o gênero dos mitos antigos, e a última discute a escrita da Bíblia e da história antiga. Embora ambos os temas sejam altamente relevantes para a apologética cristã, este último tem sido mais plenamente abordado em outros lugares e, assim, este artigo, em grande parte, se concentrará na primeira seção e suas implicações para a tarefa apologética.[7]

A primeira seção faz uma boa introdução para os vários significados contemporâneos de mito: o sentido etimológico, que salienta a “falsidade da coisa que está sendo descrita”;[8] sociológico, que destaca se o grupo vê ou não algo como verdade, mas ignora ou não se a coisa é realmente verdade; literário, que significa simplesmente uma certa maneira de escrever; fenomenológico, que destaca as características comuns dos escritos que têm sido chamado de mitos. Oswalt passa a maior parte de sua escrita neste último significado, pois este é o sentido frequentemente utilizado em estudos bíblicos. Ele mostra que os defensores dessa visão procuram definir mito como aquilo que busca relacionar o natural com o humano, o ideal com o real, o pontual com o contínuo. Após a análise desses pontos de vista, ele conclui, mostrando que um dos aspectos essenciais de definições descritivas ou fenomenológicas do mito é o que ele chama de “continuidade” ou “correspondência”; “que todas as coisas são contínuas umas com as outras”.[9]

Este pressuposto central de continuidade explica a quase universal atribuição antiga de características humanas ao mundo natural. Ele explica o quadro cíclico através do qual a maior parte do mundo antigo via a realidade, para não mencionar a crença de que a reconstituição dos mitos traz satisfação presente para aqueles que o reconstituem. Após esta análise, Oswalt faz esta afirmação provocativa sobre a relação da Bíblia com esse mundo dos mitos:

Assim, o mito é uma forma de expressão, seja literária ou oral, em que as continuidades entre os reinos humano, natural e divino são expressas e concretizadas. Ao reforçar essas continuidades, o mito busca assegurar o funcionamento ordenado da natureza e da sociedade humana. O fato é que a Bíblia tem um entendimento completamente diferente da existência e das relações desses reinos. Como resultado, ela funciona de forma inteiramente diferente. Suas narrativas não convertem a realidade divina contínua fora do mundo invisível real em uma reflexão visível desta realidade. Pelo contrário, são um ensaio dos atos não repetíveis de Deus em um tempo e espaço identificável, em concerto com os seres humanos…Sua finalidade é provocar escolhas e comportamentos humanos por meio da memória. Nada poderia estar mais longe do propósito de um mito. O que quer que seja a Bíblia, verdadeira ou falsa, ela não é mito.

Oswalt não acredita que a visão reducionista da Bíblia pode ser mantida, e argumenta apaixonadamente contra a ideia de ver a Bíblia como apenas mais um mito, primeiramente por descrever a perspectiva de continuidade que subjaz a outras literaturas do Antigo Oriente Próximo. Oswalt define a continuidade subjacente aos mitos como “a idéia de que todas as coisas que existem são partes umas das outras…sem distinções fundamentais entre os três reinos: a humanidade, a natureza e o divino.”[10] Tudo coexiste nessa visão de mundo. Os ídolos são símbolos dos deuses, mas, em um sentido muito real, são os deuses. Tempestades são a ação dos deuses. A reconstituição sexual humana da suposta atividade sexual dos deuses inspira a produção agrícola na realidade. Cada reino é contínuo e conectado. Nesta visão de mundo “o criador de mitos racionaliza da realidade dada para o divino”.[11]

Oswalt dá uma variedade de características comuns de uma visão de mundo fundada na continuidade. Primeiro, essa visão enfatiza a realidade presente em detrimento do passado e do futuro. As histórias das origens não são contadas para enfatizar o que aconteceu, em si, mas para explicar a situação atual com sua complexidade de relações. Segundo, ela confunde a imagem e o real. Assim, o deus por trás do ídolo se confunde com a manifestação do deus na imagem do(s) ídolo(s). A fonte unificadora divina por trás dos deuses não pode ser facilmente distinguida da manifestação dos deuses. Terceiro, ela enfatiza símbolos naturais. A partir de uma perspectiva de continuidade, isto faz sentido, já que o que acontece na natureza representa e afeta tanto a esfera humana como a divina. Quarto, ela valoriza a magia. Oswalt define magia como a capacidade de “realizar algo no reino divino, […] fazendo uma coisa semelhante no reino humano”.[12] Nesta perspectiva, a prostituição no culto dos povos do Antigo Oriente é uma afirmação teológica sobre a natureza da realidade. A ação sexual humana produzia prole e, em uma visão de mundo de continuidade, tal ação teria sido pensada para inspirar a ação sexual da divindade a fim de produzir a colheita. Finalmente, uma visão de mundo de continuidade inerentemente nega os limites. Uma vez que tudo se conecta e está inter-relacionado, não se pode esperar encontrar limites distintos entre as coisas. Portanto, não é surpresa encontrar prostituição, bestialidade, incesto e outros tipos de comportamento sexual, já que essa perspectiva inerentemente rejeita os limites.

Com base nessas características subjacentes a uma visão de mundo de continuidade, Oswalt apresenta as seguintes características do mito, tanto como deduções lógicas dessa cosmovisão quanto como características comuns de mito do Antigo Oriente: o politeísmo, a idolatria, a eternidade da matéria caótica, uma negação da personalidade individual, uma baixa visão do divino e do humano, a visão de conflitos como uma fonte de vida, a não existência de um padrão único para a ética e um conceito cíclico da existência. Cada uma destas características provém claramente dos pressupostos subjacentes citados acima. Oswalt deixa claro que essa perspectiva não era apenas típica do Antigo Oriente, mas quase universal, incluindo os gregos e os romanos, os hindus e várias outras religiões asiáticas. Ele afirma que se “o homem pode descobrir a realidade última através da extrapolação de sua própria experiência… [então ele vai chegar], por todo o mundo, a um entendimento muito semelhante da realidade”. [13] Neste ponto, deve ficar claro que essas perspectivas não são universais, e as exceções são óbvias: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo, cada qual a sustentar um entendimento radicalmente diferente da realidade. Mas de onde vem esse entendimento, senão de sua fonte de literatura comum, ou seja, a Bíblia hebraica?

Neste ponto, eu tenho que admitir um preconceito pessoal em favor da perspectiva de Oswalt. Sempre que começava a fazer estudos bíblicos, eu o fazia em uma conceituada universidade protestante. Os professores falavam de Gênesis como sendo mítico e compartilhando incontáveis características com os mitos do Antigo Oriente. Dessa forma, eu assumi a verdade de suas declarações. Eu devo admitir, porém, que foi chocante quando realmente comecei a ler a literatura do Antigo Oriente. As diferenças eram profundas e muitas das semelhanças sugeridas pareciam ad hoc. Considerando que eu podia entender algumas dessas semelhanças como polêmicas veladas contra outras literaturas do Antigo Oriente, ver as narrativas do Gênesis como uma progressão originária destes escritos parecia (e continua a parecer) impossível. Por quê? Oswalt faz um trabalho maravilhoso ao delinear a perspectiva do Velho Testamento sobre as origens, para mostrar o quão distinta é essa visão de mundo em comparação com a visão de mundo de outros escritos do Antigo Oriente.

Considerando que os mitos do Antigo Oriente projetam uma visão de mundo de continuidade, Oswalt argumenta que a Bíblia apresenta uma visão de mundo de transcendência e de revelação. Ele enumera as características comuns do “pensamento bíblico” como o monoteísmo, a iconoclastia, a prioridade espiritual sobre o material, uma criação através de processo, uma visão elevada de Deus e da humanidade, uma visão redefinida da ética sexual (dessacralização), a proibição de magia, uma demanda por obediência ética e a importância da interação de Deus com a humanidade na história. Claramente, estas distinções são incompatíveis com a visão de mundo de continuidade descrita acima. Cada uma delas decorre do pressuposto básico de que há um Deus transcendente, fora e além da criação, o que alguns teólogos chamam de distinção Criador-criatura. Esse Deus não pode ser manipulado por magia, nem pode ser representado por qualquer coisa dentro de Sua criação quer seja um ídolo quer seja a própria natureza. Se ele se revelar, seus comandos serão inalteráveis e definirão os limites para a existência dentro da criação, etc. Uma vez que a Bíblia hebraica fortalece essa visão de mundo, não é surpreendente ver que idéias típicas do Antigo Oriente, como o culto da fertilidade, a idolatria e a divindade de coisas finitas sejam totalmente rejeitadas.

Quais são as implicações dessas distinções de Oswalt para a apologética cristã? Primeiro, chamar as narrativas do Gênesis de mito requer redefinir o termo “mito” de uma forma que o torna de nenhum valor. Em segundo lugar, isso significa que as diferenças entre a Bíblia e os mitos do Antigo Oriente são mais relevantes do que as semelhanças. Oswalt mostra que há muitas semelhanças, mas há descontinuidade na forma como estas formas, ideias semelhantes são usadas entre a Bíblia hebraica e literatura do Antigo Oriente. Ele diz: “[a Bíblia] não é única porque não faz parte do seu mundo, nem é única porque seus escritores eram incapazes de relacionar aquilo que eles dizem com seu mundo… Ao contrário, ela é única justamente porque, sendo uma parte de seu mundo e utilizando conceitos e formas de seu mundo, pode projetar uma visão da realidade diametralmente oposta à visão desse mundo”.[14]

Fonte: G. Kyle Essary é apaixonado pelo estudo das Escrituras, especialmente do Antigo Testamento. Ele e sua família vivem no sudeste da Ásia, onde se esforçam para servir Àquele para quem o Antigo Testamento aponta.
(Apologetics315)
[1] Há uma série de livros que desconstroem este tipo de reducionismo, alguns remontando ao início do século 20, como os clássicos The Everlasting Man, de G. K. Chesterton, e The Abolition of Man, de C. S. Lewis. Contribuições mais recentes têm praticamente eliminado qualquer plausibilidade do autêntico reducionismo materialista. Ver, por exemplo, Mind and Cosmos, de Thomas Nagel ou Darwin’s Pious Idea, obra magistral de Conor Cunningham. Um de meus favoritos é Life is a Miracle, de Wendell Berry.
[2] Postagem no blog de Rachel Held, “Can God Speak Through Myth?” (Pode Deus falar através de mito?), encontrada em: http://rachelheldevans.com/blog/bible-myth
[3] Peter Enns era abertamente evangélico no momento da publicação de seu livro, mas desde então tem adotado uma postura mais agnóstica em relação a muitas doutrinas evangélicas, rejeitando outras. Seu ponto de vista atual parece ser melhor definido como pós-evangélico, embora tal classificação seja bastante abrangente.
[4] O pensamento seguiu em grande parte a perspectiva conjecturada de Nietzsche em On the Genealogy of Morality (Sobre a genealogia da moral). Para a Escola, e para Nietzsche, as origens da religião e da moralidade dos escravos estão intimamente ligadas.
[5] O livro de Wright The Bible Against Its Environment (A Bíblia contra seu ambiente) critica a idéia evolutiva, defendendo a unicidade do texto bíblico e sua visão de mundo contra outras literaturas e perspectivas do Antigo Oriente Próximo.
[6] João Oswalt, The Bible among the Myths (A Bíblia entre os mitos), Kindle ed. HarperCollins, 2010, loc. 101. As histórias de criação do Antigo Oriente Próximo da “biblioteca” ugarítica foram encontradas principalmente entre 1928 e 1958; o Enuma Elish foi encontrado em 1849, assim como também o Atrahasis; a Epopeia de Gilgamesh, em 1853, com muitas das histórias egípcias sendo conhecidas ainda mais cedo.
[7] Uma contribuição recente que vale a pena ler é Do Historical Matters Matter to Faith? (Questões históricas importam para a fé?),  editado por James Hoffmeier e Dennis Magary.
[8] Oswalt, loc. 406.
[9] Ibid., loc. 579.
[10] Ibid., loc. 660.
[11] Ibid., 700.
[12] Ibid., 782.
[13] Ibid., loc. 893. Alguns têm argumentado recentemente que o ateísmo contemporâneo também se encaixa neste paradigma contínuo, onde a matéria é eterna e caótica (sem finalidade última originária, como uma bolha no vácuo quântico), e os poderes da realidade são reduzidos às forças brutas da natureza. Ver este artigo recente de Ben Suriano, On What Could Rightly Pass for a Fetish (Sobre o que poderia passar certamente por um fetiche), encontrado em http://theotherjournal.com/2008/08/19/on-what-could-quite-rightly-pass-for-a-fetish-some-thoughts-on-whether-“every-christian-should-‘quite-rightly-pass-for-an-atheist’”/
[14] Ibid., loc. 1700.
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Livro do Mês: Por que Creio, de Michelson Borges

O livro do mês é Por Que Creio, do jornalista Michelson Borges (já sorteamos um aqui, há exatamente um ano; este novo exemplar vai autografado pelo Michelson). Para participar do sorteio, basta seguir @Ler _pra_crer no Twitter e retuitar: ” Sorteio Livro do Mês: Por Que Creio, de Michelson Borges (autografado). Siga @Ler_pra_crer dê RT http://kingo.to/1fMR ” O sorteio será realizado dia 4/3, depois das 22 horas. Boa leitura!

O livro reúne 12 entrevistas com pesquisadores nas áreas de Biologia, Engenharia, Bioquímica, Arqueologia, Física, Geologia, Teologia e Matemática – todos falando da razão que têm para acreditar no Criador do Universo. Ruy Vieira, Marcia de Paula, Paulo Bork, Nahor Jr., Urias Takatohi, Siegfried Schwantes, Euler Bahia, Queila Garcia, Rodrigo Silva, Orlando Ritter e Michael Behe são os entrevistados.

Algumas das perguntas respondidas no livro:

É possível harmonizar fé e ciência?

É possível ser evolucionista e crer na Palavra de Deus?

Quais são as maiores evidências do Criador?

Que áreas da pesquisa científica oferecem maiores dificuldades para o criacionista?

Além da Bíblia, existem outros documentos que mencionam o Dilúvio?

Quais são as maiores evidências de que o homem foi criado por Deus?

Pode-se aceitar a teoria do Design Inteligente como puramente científica, sem apelar para a religião?

O trecho que segue é do próprio Michelson e faz parte do último capítulo, intitulado “Digitais do Criador”:

“Não há prazer mais complexo que o de pensar”, já dizia o poeta e escritor argentino Jorge Luís Borges. De fato, o aparentemente simples processo do pensamento é algo de complexidade espantosa. Nosso corpo é controlado e coordenado por trilhões de células nervosas, nove bilhões das quais situada no córtex cerebral. Se elas fossem alinhadas ponta a ponta, sua extensão atingiria mais de 75 quilômetros! Tudo isso é coordenado por 120 trilhões de “caixas de conexão”. Esse intricado sistema é compactado em um insondável complexo de caminhos neurais. A tarefa de contar cada terminação nervosa do cérebro à velocidade de uma por segundo levaria 32 milhões de anos!

Impulsos nervosos se deslocam a velocidade altíssimas nas fibras nervosas para transmitir informações a cada ponto do corpo. O sistema é semelhante a uma nação moderna interconectada por bilhões de fios telefônicos. Essa imensa rede de comunicações recebe ou emite 100 milhões de impulsos eletroquímicos por segundo. Ela está conectada a cada milímetro quadrado da pele, a cada músculo, vaso sanguíneo, osso ou órgão. E tudo isso através da medula e do cérebro, que pesa cerca de 1,5 quilo e, no entanto, consome sozinho mais de 20% da energia requerida pelo corpo.

Pense na batida inconsciente do coração, nas pálpebras piscando, na respiração contínua dos pulmões, nos alimentos sendo processados pelos intestinos, numa perna que se  move. Tudo isso é organizado e dirigido pelo cérebro.  Pense nas emoções, na atração sexual, no amor entre pais e filhos, nos sonhos e pensamentos. Eles também são produtos do cérebro. Sua missão mais elementar é recolher estímulos externos, captados pelos sentidos, e transformá-los em impulsos elétricos que percorrem os neurônios. Toda essa informação é catalogada e arquivada na memória. É a ela que o cérebro recorre quando precisa tomar decisões, comandar os movimentos corporais e organizar o pensamento.

Neste exato momento, seu sistema nervoso está processando uma série de informações ao mesmo tempo: a interpretação destas palavras, a textura do papel deste livro, os sons de fundo no ambiente, os odores etc. E você quase nem percebe isso.

O profundo e novo conhecimento sobre o cérebro, adquirido em grande escala nos anos recentes, mostra que esse órgão foi maravilhosamente projetado, e capacitado além das maravilhas que a imaginação ignorante lhe atribuía. Num questionamento bastante simplista, seria possível uma mera combinação acidental de massa, energia, acaso e tempo produzir órgão tão maravilhoso e complexo?

Por inspiração, o rei Davi escreveu palavras há três mil anos, que não podem ser superadas: “Pois Tu formaste o  meu interior, Tu me teceste no seio de minha mãe. Graças Te dou, visto por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as Tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem” (Salmo 139:13 e 14).

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A Versão Criacionista da Pré-História

Imagem: Capa do livro A História da Vida, de Michelson Borges (Criacionismo)

Como se sabe, a versão evolucionista da pré-história humana – se é que podemos chamá-la de versão – não é nada estática, muito menos consensual. Com revisões quase que “instantâneas” a cada nova suposta descoberta, a situação pode ser resumida como o fez Casey Luskin: “a evidência fóssil para a evolução humana permanece fragmentária, difícil de decifrar e acaloradamente debatida. […] Na verdade, longe de fornecer ‘um bom e claro exemplo’ de ‘mudança evolutiva gradualista’, o registro revela uma descontinuidade dramática entre fósseis semelhantes a macacos e fósseis semelhantes a humanos. Fósseis semelhantes a humanos aparecem abruptamente no registro, sem precursores evolutivos claros, tornando o caso para a evolução humana baseada em fósseis altamente especulativo.”

Diante desse quadro e em meio a tantas opiniões divergentes sobre os mesmos dados, muitos jovens podem se perguntar qual seria a versão criacionista do que se convencionou chamar “pré-história”. Pensando nesse público, a revista Conexão 2.0 deste trimestre dedicou um bom espaço ao assunto.  Matéria de capa, a visão criacionista da possível história de nossos antepassados [todos humanos, claro] é apresentada de forma agradável e sucinta e permite aos interessados no tema ter um panorama minimamente sistematizado do quadro geral. Vale a pena ler aqui: “Junte as peças”.

Conexão 2.0 é a revista para quem quer entender a realidade, experimentar o que vale a pena e mudar seu mundo. Para assinar, basta acessar o site da Casa www.cpb.com.br ou ligar para 0800-9790606. Siga e curta também a revista nas redes sociais: www.twitter.com/conexao_20 e www.facebook.com/conexao20. E para ler as edições anteriores, acesse www.conexao20.com.br.

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Livro do Mês: Em Guarda, de William Lane Craig

Em guarda

O Livro do Mês é “Em Guarda” (participe aqui e no Twitter do sorteio de um exemplar). Como diz a apresentação, “trata-se de um manual de treinamento conciso, escrito por William Lane Craig, um dos mais renomados defensores da fé cristã na atualidade. O livro é repleto de ilustrações, notas explicativas e esquemas para ajudar na memorização dos melhores argumentos para a defesa de sua fé com razão e precisão.

Com um estilo envolvente, Craig oferece quatro argumentos plausíveis para a existência de Deus, defende a historicidade da ressurreição de Jesus e aborda o problema do sofrimento. Além disso, mostra por que o relativismo religioso não consegue responder ao nosso desejo de compreender as questões últimas da vida…”

Para participar do sorteio, retuíte  a mensagem  com o link: “Sorteio Livro do Mês: Em Guarda, de William Craig. Responda à pergunta http://kingo.to/1exm e dê RT.”   A pergunta que deve ser respondida aqui no blog é: de acordo com a forma bíblica de considerar o tempo (Leia Gênesis 1:5,13,19,23 e 31, Levítico 23:32, Lucas 23:44 e 54), a que horas terminará (ou terminou) o último dia do ano de 2013 na cidade em que você se encontra? [Aqui em Brasília, por exemplo, o pôr-do-sol (momento que marca o início e o fim de cada dia de acordo com a Bíblia) está previsto para ocorrer às 19h47. Consulte o Clima Tempo para obter o hora aproximada do pôr-do-sol em sua região. O sorteio será realizado a qualquer momento a partir de amanhã, desde que tenhamos no mínimo três participantes.]

2013 já começou. Feliz Ano Novo!

Seguem alguns trechos da obra:

Ao apresentar argumentos e evidências neste livro, procurei ser simples sem ser simplista. Levei em consideração as objeções mais fortes aos meus argumentos e propus respostas a elas. Em certos momentos, o conteúdo lhe parecerá novo e difícil. Nessas horas, encorajo você a ir devagar, um pedacinho por vez, pois assim fica mais fácil de digerir. Pode ser que ajude formar um pequeno grupo para estudar o livro e discutir seus argumentos. E, por favor, não se sinta constrangido, caso discorde de mim em certos pontos. Quero que você pense com sua própria cabeça.

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Desde os primeiros tempos homens que desconheciam completamente a Bíblia chegaram à conclusão, com base no desenho do universo, que deve existir um Deus.

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O homem não precisa apenas da imortalidade para que haja um sentido último para viver: ele precisa de Deus e da imortalidade. E se Deus não existir, então ele não tem nem uma coisa nem outra.

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Quando publiquei pela primeira vez meu trabalho sobre o argumento cosmológico kalam, em 1979, percebi que os ateístas atacariam a segunda premissa do argumento, que diz que o universo começou a existir…

Qual não foi minha surpresa, então, ao ouvir ateístas refutando a primeira premissa com o intuito de escapar do argumento! Por exemplo, Quentin Smith, da Universidade Western Michigan, respondeu afirmando que a posição mais racional a se defender era que o universo veio “do nada, pelo nada e para o nada”…

Essa simplesmente é a crença do ateísmo. Na verdade, acredito que isso representa um salto de fé bem maior do que crer na existência de Deus. Pois isso, como sempre digo, literalmente falando pior do que mágica. Se essa é a alternativa para quem não crê em Deus, então aqueles que não creem não podem jamais acusar aqueles que creem de irracionalidade, pois o que poderá ser mais evidentemente irracional do que isso?

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“Eu vou à igreja” – disse, meio sem jeito.

“Isso não é o bastante, Bill. Você tem que ter Jesus no coração”.

Para mim aquilo já tinha ido longe demais. “Por que Jesus iria querer morar no meu coração?”

“Porque Ele te ama, Bill.”

Aquilo me atingiu como um raio. Lá estava eu, tão cheio de raiva e ódio, e ela dissera que havia alguém que me amava de verdade. E não era ninguém menos do que o Deus do universo! Aquele pensamento me deixava estupefato. E pensar que o Deus do universo me amava, a mim, Bill Craig, esse vermezinho perdido naquele pontinho de poeira chamado planeta Terra. Era demais para mim!

Aquilo foi para mim o início do mais agonizante período de busca por que já passei. Eu tinha um Novo Testamento e o li de capa a capa. Quanto mais eu lia, mais encantado ficava com a pessoa de Jesus. Havia uma sabedoria em seus ensinamentos que jamais havia encontrado e uma autenticidade em sua vida que não era típica daquelas pessoas que eu havia conhecido, que se diziam cristãs, naquela igreja que eu estava frequentando…

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Fico tremendamente grato porque o Senhor, em sua providência, me levou primeiro a fazer um doutorado em filosofia antes de estudar a ressurreição de Jesus, pois é de fato a filosofia e não a história o que alimenta o ceticismo dos críticos radicais da ressurreição.

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Afinal, o que é o Nada?

“Eu é que fiz a terra, e nela criei o homem; as minhas mãos estenderam os céus,

e a todo o seu exército dei as minhas ordens.” Isaías 45:12

O Nada Nada É – 1

Parece haver muita confusão sobre a palavra nada, quando os cientistas e filósofos falam sobre cosmologia. Filósofos, ao falar sobre a origem do universo, vão fazer perguntas como: “Por que existe algo em vez de nada?” Ou “Será que o universo veio do nada?”

Quando os filósofos fazem essas perguntas, eles têm uma definição muito específica da palavra nada em mente. O que eles querem dizer por nada é algo que, literalmente, não existe. É a não-existência de tudo. Parece bastante simples, certo?

Obviamente, não para alguns cientistas, que não conseguem entender esse conceito de nada. Nós ouvimos deles que o universo pode realmente vir do nada. Por exemplo, o universo poderia vir de um vácuo quântico. Ou poderia vir da lei da gravidade. Ou poderia vir de todas as leis da física. Ou de energia positiva e negativa em equilíbrio.

Mas, calma lá!  Todos esses exemplos de nada são alguma coisa. Eles definitivamente não são nada. Vácuos quânticos e gravidade e energia, todos são, e muito, alguma coisa. São coisas que existem, e, portanto, eles não são nada.

Quando um cientista diz que o universo surgiu do nada, mas depois ele passa a descrever o nada para nós, ele não está mais absolutamente falando sobre nada. O nada não pode ser descrito. Nada não tem propriedades, nem existência, nem substância. Não é coisa nenhuma.

Onde é que isto nos leva? Postulando leis físicas, energia, ou qualquer coisa quântica como as causas do universo não responde às perguntas dos filósofos “Por que existe algo em vez de nada?” Ou “Será que o universo veio do nada?” Na verdade, a ciência, em princípio , não pode responder a essas perguntas, porque são questões filosóficas, não disponíveis à investigação científica.

Qualquer um que tenta responder a essas perguntas com explicações científicas está simplesmente confuso sobre o que está sendo realmente perguntado.

O Nada Nada É – 2

Primeiramente é preciso distinguir três coisas: o vácuo, o vazio e o nada. O vácuo é um espaço não preenchido por qualquer matéria, nem sólida, nem líquida, nem gasosa, nem plasma, nem mesmo a matéria escura. Mas pode conter campos: campo elétrico, campo magnético, campo gravitacional, luz, ondas de rádio, raios X, ou outros tipos de radiação bem como outros campos e a denominada energia escura. Pode também estar sendo atravessado pelas partículas não materiais mediadoras das interações. O vácuo possui energia e suas flutuações quânticas podem dar origem à produção de pares de partícula e anti-partícula. O vácuo é, pois, uma entidade física, e não apenas um conceito.

O conceito de vazio seria de um espaço em que não houvesse nem matéria, nem campo e nem radiação. Mas no vazio haveria ainda o espaço, isto é, a capacidade de caber algo, ainda que não houvesse nenhum objeto para preenchê-lo. O vazio não existe no Universo, pois todo o espaço, mesmo que não contenha matéria, é preenchido por campo gravitacional, outros campos e pela radiação que o atravessa, de qualquer espécie.

O conceito de nada refere-se à inexistência de qualquer coisa. No nada não existe nem o espaço, isto é, não há coisa alguma e nem um lugar vazio para caber algo. O conceito de nada inclui também a inexistência das leis físicas que alguma coisa existente obedeceria, dentre elas a conservação da energia, o aumento da entropia e a própria passagem do tempo. Sendo o espaço o conjunto dos lugares, isto é, das possibilidades de localização, sua inexistência implica na impossibilidade de conter qualquer coisa. Isto é, não se pode estar no nada. O nada é, pois, um não-lugar. Da mesma forma, sendo o tempo algo que decorre do movimento daquilo que existe, no nada não há decurso de tempo.

Fontes:
O Nada Nada É – 1: Bill Pratt ThoughQuestionAnswered (traduzido)
O Nada Nada É – 2: Bruno® YahooRespostas
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Darwin: Retrato de um Gênio?

Darwin Portrait of a Genius.jpeg

O eminente historiador britânico e autor de vários best-sellers Paul Johnson acaba de publicar um livro que está provocando reações histéricas em muitos darwinistas. Sobre Johnson, diz a Wikipedia:

No campo da História, Paul Johnson emerge como a grande figura das três últimas décadas, ocupando com justiça um espaço que pertencera a Churchill. A produção intelectual de Paul Johnson não tem paralelo recente. Nascido em 1928 na Inglaterra, ele até hoje utiliza a máquina de escrever. Assim mesmo, produz alentados volumes de História, numa velocidade alucinante que já o levou a publicar mais de 35 livros, sem contar milhares de artigos e ensaios em revistas e jornais do Reino Unido e dos Estados Unidos. Ainda hoje, com mais de 70 anos, publica semanalmente um artigo no The Spectator e colabora regularmente com o jornal The Daily Mail.

O livro em questão é Darwin – Portrait of a Genius – Darwin: Retrato de um Gênio (ainda não traduzido em português; as citações diretas que aparecem nesta postagem são versões deste blogue; o texto da “review” que segue, acrescido de pequenas adaptações, é de Michael Flannery).

Mas o que há de “errado” com a obra de Jonhson?

O trabalho de Johnson não é propriamente uma biografia, mas a avaliação, do ponto de vista de um historiador, da moderna teoria da evolução e do homem por trás dela.  Tem a forma não de um relato exaustivo da vida e obra de Charles Darwin, mas sim de um ensaio, um ensaio de 151 páginas, para ser preciso. Há muito valor em um trabalho deste tipo. Afinal, [… ] a opinião de um historiador considerado experiente sobre a importância e o impacto da teoria da evolução de Darwin, despojada de minúcias, tem valor real.

Como enfatiza Johnson, Darwin produziu uma explicação para a diversidade da vida (descendência comum por meio de seleção natural) que foi transformadora no modo como as pessoas viam a si mesmas e o mundo. Era uma ideia para o seu tempo. Desde a sua publicação em 24 de novembro de 1859, “A Origem das Espécies” rapidamente tornou-se o volume de leitura obrigatória para grande parte da Inglaterra, e não apenas para a elite.

A aquisição de 500 cópias pela Biblioteca Circulante de Mudie (uma encomenda extraordinariamente grande) ajudou a apresentar Darwin à classe média em ascensão. Na verdade, Johnson observa corretamente que a entusiástica aquisição e distribuição de “A Origem” por Mudie foi crucial para o selo de aprovação da sociedade.

Apesar da popularidade da magnum opus de Darwin, Johnson explica ainda que sua teoria completa está, na realidade, contida nos três livros. Primeiro, é claro, veio “A Origem” – On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or The Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life (o seu melhor livro, uma sucinta e acessível exposição de sua teoria), depois, em 1871, A Descendência do Homem – The Descent of Man, and Selection in Relation to Sex (a conexão explícita de seus princípios evolutivos com a humanidade) e, finalmente, um ano depois, A Expressão da Emoção em Homens e Animais – The Expression of the Emotions in Man and Animals (uma compilação estranha cujo objetivo era fornecer “evidências” de que o homem era diferente do animal em grau, não em tipo). Onde “A Origem” obteve sucesso, “A Descendência do Homem” e “A Expressão da Emoção” falharam. A forma como Darwin lidou com os atributos humanos foi superficial e, ao comparar a humanidade com outras espécies, foi muitas vezes ingenuamente antropomórfico.

Grande parte do livro consiste de “divagações sem qualquer valor científico” (p. 105), enquanto outras partes só serviram para justificar estereótipos raciais. A abordagem de Darwin à seleção sexual, quando aplicada ao Homo sapiens, foi paternalista e patriarcal. A razão por que “A Descendência” foi uma produção tão inferior, Johnson observa, é que Darwin era um antropólogo fraco. Ele “não trouxe à sua observação dos seres humanos o mesmo cuidado, a objetividade, a notação aguda e a calma que sempre mostrou quando estudava as aves e criaturas do mar, insetos, plantas e animais. Ele precipitou-se em conclusões e deu crédito a historietas” (p. 29). O livro de Darwin “A Expressão das Emoções” não foi melhor: uma estranha coleção de extrapolações das reações de animais para as emoções humanas, aumentada com “fotos de histéricos, lunáticos, selvagens e outras interessantes imagens documentais” (p. 102).

Dois pontos importantes feitos por Johnson: primeiro, ele liga a teoria de Darwin aos aspectos mais inconvenientes do darwinismo social. Não é que Darwin seja pessoalmente responsável por isso, mas o livro propõe uma idéia que ganhou vida própria. Como Johnson coloca:

“A Origem” é um livro que, com total sucesso, incorpora uma ideia empolgante e teve um impacto devastador intelectual e emocional sobre a sociedade mundial. A palavra devastador é correta: destruiu muitas  suposições confortáveis, abrindo assim espaço para que novos conceitos e ideias surgissem  em quase todos os assuntos. Ele agiu como uma força da natureza em si, e até o final de janeiro de 1860, quando a segunda edição se esgotou, tinha ido muito além do controle de Darwin” [pp. 130-131].

A ideia de Darwin de vida emergente da atividade totalmente aleatória da seleção natural impulsionada por acaso e necessidade (enfatizando a criação doméstica como um exemplo primário e prova deste processo) abriu o caminho para a eugenia, esterilizações forçadas e até mesmo para a “higiene racial” da Alemanha nazista. Richard Weikart escreveu em profundidade sobre esses temas nos livros “From Darwin to Hitler” (De Darwin a Hitler) e Hitler’s Ethic (A Ética de Hitler), mas Johnson também aborda a influência do darwinismo social (direta ou indireta) sobre o pensamento de Mao Tse-tung, Stalin e Pol Pot, entre outros.

Quanto aos efeitos trágicos do darwinismo social na América, basta ler os comentários de Samuel J. Holmes em 1939 para verificar a influência da eugenia americana às vésperas da expansão nazista e sua conexão darwiniana. Harry Bruinius estimou que esterilizações forçadas de “inaptos” nos Estados Unidos durante os anos pré-Segunda Guerra Mundial podem ser modestamente estimadas em 65.000.  Harry Laughlin, nascido em Iowa, se tornaria o líder eugenista dos Estados Unidos, e seu entusiasmo pelo “melhoramento racial” foi igualado apenas por sua admiração pela Alemanha em perseguir este objetivo. Não foi por mero capricho que a Universidade de Heidelberg lhe concedeu um doutorado honorário por suas contribuições à “higiene racial” em 1936 (ver Bruinius, Better for All the World: The Secret History of Forced Sterilization and America’s Quest for Racial Purity – Melhor para Todo o Mundo: A História Secreta da Esterilização Forçada e Busca da América pela Pureza Racial).

Apologistas de Darwin podem externar reações indignadas, mas não podem refutar esses tristes fatos. Sua reação, no entanto, é esperada. Essa é a resposta de ideólogos quando confrontados com a exposição do evangelho de seu santo padroeiro favorito e de suas consequências. Para estes, a segunda “ofensa” de Johnson é objetar corretamente “ao entusiasmo dos fundamentalistas darwinistas, que ao longo das últimas décadas têm procurado dar a Darwin um status quase divino e atacar aqueles que o submetem, bem como seu trabalho, ao escrutínio crítico contínuo, o que é a essência da verdadeira ciência. Darwin foi o primeiro a admitir suas limitações, e. . . elas eram numerosas e, por vezes, importantes.” [p. 150].

Há no livro algumas falhas em relação a detalhes sobre Alfred Russel Wallace, à suposta oposição de Darwin a vacinação, entre outras, mas, apesar destes erros, os poderes analíticos de Johnson estão no seu melhor quando avalia o impacto da teoria de Darwin sobre a sociedade e, de fato, sobre o próprio Darwin. Discípulos de Darwin podem lamentar a conexão tanto quanto quiserem, mas o mundo materialista dirigido pelo acaso, inaugurado por seu herói de Down House, teve consequências humanas devastadoras. “No século XX,” Johnson conclui, “é provável que mais de 100 milhões de pessoas tenham sido mortas ou tenham morrido de fome como resultado de regimes totalitários infectados com variedades de darwinismo social” (p. 136).

Em um nível pessoal, a teoria da evolução que Darwin passou grande parte de sua vida promovendo – a sua “criança” –  pesou sobre ele nos últimos anos. O “gênio” de Darwin veio de seus poderes de observação, não da sua capacidade de pensar abstratamente e profundamente. Johnson observa que Darwin “deliberadamente fechou os olhos às últimas consequências de sua obra, em termos da condição humana e do propósito da vida ou da ausência deste propósito. Embora às vezes, em suas obras publicadas, ele colocasse uma frase reconfortante, suas opiniões privadas tendiam a ser sombrias” (pp. 144-145). Não é surpreendente que o seu “buldogue defensor” Thomas Henry Huxley também tivesse que lidar com a questão da moralidade numa natureza cega, sem propósito. O niilismo atormentou a ambos.

Os revisores que insistem que o trabalho de Johnson é “ridículo” (entre outros “elogios”) estão errados. É um livro que segue alguns estudiosos corajosos e excelentes como Jacques Barzun, Gertrude Himmelfarb, R. F. Baum, Stanley Jaki, Phillip Johnson e Benjamin Wikerem, os quais sugerem que a teoria da evolução de Darwin é construída sobre premissas questionáveis e teve um efeito deletério sobre cada sociedade que ela tenha tocado. Os fundamentalistas darwinianos não gostam de admitir isso, mas mais de 20 anos depois do lançamento de Darwin on Trial (Darwin no Banco dos Réus), do advogado Phillip Johnson, o questionamento incessante continua. Desta vez, um Johnson diferente examina a testemunha. “Darwin: Retrato de um Gênio” certamente recebeu este título em um espírito de ironia, mas ainda assim representa um resumo valioso e interessante para uma opinião minoritária em constante expansão.

O Professor Michael Flannery é autor de “Alfred Russel Wallace: Uma Vida Redescoberta” (Discovery Institute Press) e outros livros.

Fonte: EvolutionNews

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Sexo: a Verdade Nua e Crua

 
 
Josh McDowell é autor de muitos livros na área de apologética cristã e teologia, e muitos desses livros me ajudaram quando da minha transição do darwinismo para o criacionismo bíblico. Justamente por isso, fiquei surpreso quando um amigo me indicou o livro A Verdade Nua e Crua (CPAD), escrito por McDowell e Erin Davis. “Josh escrevendo sobre sexo?”, pensei, com certa estranheza. Claro que nada o impedia de escrever sobre isso, mas o que me deixou empolgado foi imaginar Josh usando toda a capacidade argumentativa dele para tratar de um tema dominado pelo relativismo e pela desinformação. Mais do que depressa, comprei o livro e li-o em poucas horas (sim, o livro é pequeno; tem apenas 150 páginas). Não me decepcionei. É apologética aplicada aos relacionamentos e à sexualidade, com informações consistentes e argumentos imbatíveis – a menos que o leitor persista na teimosia e resolva colher as consequências da atitude “nada a ver” assumida por muitos jovens. Mas, se você é mais sensato que isso e se preocupa com sua saúde espiritual, sexual, relacional e física, não deve deixar de ler o livro e colocar seus conselhos em prática.
 
Outro detalhe me deixou muito feliz ao conhecer A Verdade Nua e Crua: muitas das informações que ele traz sobre a neuroquímica cerebral relacionada com o sexo eu só havia encontrado num livro ainda não traduzido para o português (confira minha resenha aqui). Tá certo que Hooked (o ótimo livro a que me refiro) é ciência pura do começo ao fim e explica detalhadamente o funcionamento de neurotransmissores como a ocitocina, a vasopressina, a dopamina e a noradrenalina, mas o livro de Josh não deixa por menos, dispensa os detalhes que provavelmente cansariam o leitor “médio” e extrai a essência das pesquisas científicas. Enfim, traz o suficiente para convencer muitos céticos e gente que anda em cima do muro, quando o assunto é sexo.
 
A Verdade Nua e Crua tem 39 capítulos que, na verdade, são respostas breves a perguntas relacionadas a amor, sexo e relacionamento. Logo de início, os autores afirmam que “o mundo reconhece que há fortes razões para se abster do sexo, mas Deus não nos chama apenas à abstinência. Ele nos chama à pureza. […] [E] pureza é uma virtude. Não é simplesmente a escolha de evitar o sexo. É um compromisso de viver de acordo com o projeto de Deus. Pureza significa dizer não ao sexo, mas só para que você possa experimentá-lo no relacionamento de amor conjugal que Deus criou” (p. 15, 16).
 
No capítulo 2, os autores procuram mostrar que a Bíblia tem uma visão positiva do sexo. Citam Provérbios 5:19, em que Salomão fala sobre um encontro físico que satisfaz e inebria; citam também o livro de Cantares, repleto de descrições sensuais de cenas de amor entre um homem e uma mulher; e Paulo, que recomenda o sexo com frequência entre pessoas casadas. Assim, “os versículos que costumam retratar o sexo sob um aspecto negativo de fato não são sobre sexo. Estão relacionados ao mau uso do sexo fora do projeto de Deus. […] Deus não é contra o sexo. Ele é tão a favor disso que deseja que todo homem e toda mulher experimentem o sexo de acordo com Seu projeto original” (p. 18, 19).
 
No capítulo 3, os autores falam do “hormônio do amor”, a ocitocina, neurotransmissor liberado pelo cérebro durante o ato sexual e/ou intimidades físicas, e que produz sentimentos de empatia, confiança e profunda afeição. “O propósito é criar um profundo laço ou vínculo humano”, explicam. “Mas há um detalhe”, completam. “Pesquisas provam que o projeto de Deus para a intimidade alcança seu melhor entre marido e mulher, sem outros parceiros sexuais.”
 
Exemplo citado pelos autores: um levantamento da Universidade de Chicago revelou que casais monogâmicos casados registram os níveis mais altos de satisfação sexual. Segundo o levantamento, 87% de todos os casais monogâmicos casados relataram que são “extremamente” ou “muito” satisfeitos com seu relacionamento sexual, e 85% se declararam “extremamente” ou “muito” satisfeitos emocionalmente. “Em outras palavras, a ocitocina está fluindo no cérebro de muitos casais casados!” (p. 22). Josh e Erin destacam ainda que os menos satisfeitos física e emocionalmente são os solteiros e casados que têm vários parceiros sexuais. “Quando esperamos até o casamento para fazer sexo, estabelecemos um nível de intimidade inigualável” (p. 22). Talvez por isso o número de separações seja maior entre casais cujas mulheres tiveram vida sexual ativa antes do matrimônio.
 
Conclusão do capítulo: “Mulheres que iniciam precocemente a atividade sexual e aquelas que têm vários parceiros são menos satisfeitas na vida sexual do que as mulheres que se casam com pouca ou nenhuma experiência sexual. O jornal USA Today chamou essa pesquisa de ‘vingança das senhoras da igreja’” (p. 23).
 
O órgão sexual mais poderoso
 
No capítulo 6, Josh e Erin falam um pouco mais do órgão sexual mais poderoso, o cérebro. Segundo eles (baseados em amplas pesquisas), o “cérebro não se torna automatizado para fazer escolhas rápidas e prudentes sobre sexo até que você esteja na faixa dos vinte anos. Neurocientistas descobriram que o cérebro de adolescentes ainda estão amadurecendo em outras áreas também. Uma das últimas partes do nosso cérebro a amadurecer é o sistema responsável por juízos sensatos e [por] acalmar emoções descontroladas. É chamada de córtex pré-frontal. […] O sistema límbico [local em que ficam as emoções brutas] lida com urgências e desejos. Só o córtex pré-frontal é capaz de fazer escolhas coerentes com base em consequências futuras. Pense sobre isso desta forma: se o sistema límbico é um leão faminto, o córtex pré-frontal é um domador de leões bem treinado” (p. 33, 34).
 
Os autores reafirmam que “a mudança de funcionamento do sistema límbico para o córtex pré-frontal não costuma estar completa até os 25 anos […], mas jovens nesse estágio de desenvolvimento estão tomando decisões sobre sexo que terão consequências para o resto de suas vidas. […] [Não é à toa] que quase dois terços dos estudantes sexualmente ativos gostariam de ter esperado” (p. 34).
 
Essa informação mostra que os adolescentes precisam do aconselhamento de adultos nos quais eles possam confiar. E quando esses adultos devem ter se mostrado dignos dessa confiança? Exatamente na infância desses adolescentes. Família é tudo!
 
A mídia, de modo geral, não está nem aí para essas coisas (como também não está para os riscos do álcool, por exemplo). Fala apenas em “sexo seguro” com preservativos (Josh voltará a esse assunto mais à frente). Mas “ninguém desenvolveu um preservativo para a mente. Só Deus é capaz de proteger nosso órgão sexual mais poderoso até que tenhamos aquele relacionamento no qual somos capazes de desfrutar plenamente os prazeres mentais, emocionais e físicos que o sexo pode dar” (p. 35).
 
No capítulo 7, os autores aprofundam o tema da neuroquímica. Eles explicam que “o cérebro feminino recebe altas doses de ocitocina sempre que há toque e abraços. A vasopressina é um hormônio que faz a mesma coisa no cérebro masculino [isso é tratado em profundidade em Hooked]. No contexto de um relacionamento de amor e compromisso, o cérebro libera níveis crescentes de ocitocina e vasopressina para manter a segurança dos laços emocionais. Deus projetou nosso corpo para reagir fisicamente à intimidade em longo prazo, e essa resposta acontece no cérebro [permita-me um testemunho: depois de 15 anos de casados, minha esposa e eu experimentamos muito mais intimidade hoje do que antes; cada ano que passa o casamento fica mais gostoso]. Quando trocamos de parceiros continuamente, os níveis de ocitocina diminuem e o cérebro não funciona como esperado na liberação de ocitocina. Atividade sexual promíscua gasta a produção de vasopressina no cérebro masculino, tornando os homens insensíveis ao risco de relacionamentos de curto prazo. Sexo casual, sem compromisso, pode mudar seu cérebro literalmente no sentido químico” (p. 37). Ou seja, pessoas que não se preservam para o casamento ou que mantêm múltiplos relacionamentos prévios (“ficam”) estão prejudicando o futuro relacionamento com a pessoa com quem decidirão passar o resto da vida.
 
No contexto da química cerebral relacionada ao sexo, além da ocitocina e da vasopressina, há também o hormônio do “bem-estar” chamado dopamina (depois a gente fala da noradrenalina). “Se a ocitocina é a substância que nos diz que estamos apaixonados, a dopamina diz: ‘Preciso de mais!’ Pesquisadores detectaram níveis elevados de dopamina no cérebro de casais recém-apaixonados. A dopamina estimula o desejo provocando uma torrente de prazer no cérebro” (p. 37).
 
Só que a dopamina é “neutra”. Ela é liberada, independentemente de a causa ser construtiva/correta ou destrutiva/incorreta. Ela age como uma droga e o cérebro sempre vai pedir mais. Daí por que Salomão fala em “embriaguez” com a esposa (Pv 5:19). Se o sexo for praticado unicamente com o cônjuge, o(a) companheiro(a) fica literalmente “viciado” no cônjuge. Mas e se não for?
 
Josh e Erin explicam: “Cada vez que você passa para outro relacionamento, precisa ter um pouco mais de contato sexual a fim de satisfazer o desejo do seu cérebro por dopamina [motivo pelo qual geralmente em um novo relacionamento as intimidades partirão de onde foram interrompidas no relacionamento anterior], e o efeito dos laços emocionais começa a se desestabilizar. Além disso, pelo fato de a dopamina provocar uma intensa sensação de prazer, casais sexualmente ativos com frequência substituem os sentimentos de afeição por essa sensação de excitação. Seus relacionamentos se deterioram rapidamente quando começam a buscar mais dopamina em vez de verdadeira intimidade” (p. 37, 38).
 
Assim, vale a pena esperar e se preservar porque, “quando o sexo é reservado para o casamento, nosso cérebro ainda recebe doses de substâncias neuroquímicas que tornam o sexo tão excitante, e nosso cérebro pode, então, processar essas substâncias [ocitocina, vasopressina e dopamina] de maneira a promover relacionamentos e reações saudáveis” (p. 38).
 
Lembra-se da noradrenalina? Se a ocitocina e a vasopressina são “substâncias do amor” e a dopamina do prazer, a noradrenalina é a “substância da memória”. Quando experimentamos algo muito emocional e sensorial, a noradrenalina é liberada pelo cérebro e fixa essa recordação na memória. “Como os encontros sexuais são bastante emocionais e sensoriais, seu cérebro responde com uma dose dessa substância e fixa cada experiência em sua mente”, explicam os autores. E afirmam ainda que, “quando não esperamos até o casamento para fazer sexo, trazemos mentalmente nossos outros parceiros sexuais para o leito conjugal” (p. 39), tornando difícil obedecer à recomendação de Hebreus 13:4.
 
O perigo real das DSTs
 
Os capítulos 8 a 18 tratam de um tema delicado e extremamente preocupante: o aumento da incidência das doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e suas consequências devastadoras. É para assustar mesmo, porque a mídia popular – mais uma vez – tenta colocar panos quentes sobre um tema grave, com a desculpa de que as pessoas têm mais é que “curtir” a vida. Filmes, novelas, livros e revistas ensinam um estilo de vida desregrado e glamourizam isso, sem mostrar o que acontece depois, com uma frequência muito acima do que as campanhas pelo “sexo seguro” estão dispostas a admitir.
 
Vamos aos fatos: “Nos anos 1960, médicos tratavam de duas principais DSTs – sífilis e gonorreia. Essas duas doenças podiam ser curadas com uma vacina. Hoje, os médicos reconhecem 25 DSTs principais, das quais 19 não têm cura. Nos anos 1960, um em cada 60 adolescentes sexualmente ativos contraia uma DST. Por volta dos anos 1970, esse número passou para um em cada 47. Hoje, um em cada quatro adolescentes sexualmente ativos está infectado” (p. 40). É isto mesmo o que você leu: um em cada quatro! E mais: “Em dois anos a partir de sua primeira relação sexual, metade dos adolescentes são infectados com pelo menos um das três DSTs comuns” (p. 40).
 
A DST mais comum é o HPV, ou papiloma vírus humano, transmitido facilmente e nem sempre evitado por preservativos. O dado estarrecedor é que 80% por cento de todas as mulheres terão HPV quando estiverem com 50 anos e 70% dos homens envolvidos sexualmente contraem HPV. Nos últimos cinco anos, o HPV matou mais mulheres do que a aids, geralmente em decorrência do câncer do colo uterino – e o número de mortes causadas por esse tipo de câncer tem aumentado assustadoramente entre mulheres jovens. Além disso, estima-se que 30 a 40% dos partos prematuros e mortes de bebês resultam de DSTs. “Se você escolher fazer sexo fora do casamento durante a adolescência, seu risco de infecção é de pelo menos 25% a cada ano. Se tivesse pelo menos uma chance em quatro de ser atingido por um raio, ninguém sairia durante uma tempestade” (p. 62). Sexo seguro?
 
No capítulo 11 são apresentadas correlações entre DSTs e adolescência, isso porque dois terços de todas as DSTs ocorrem com pessoas abaixo dos 25 anos; de cada cinco norte-americanos com HIV, três foram infectados na adolescência; os adolescentes são dez vezes mais suscetíveis do que adultos à doença inflamatória pélvica (DIP); em 2005, 50% dos casos de clamídia era em adolescentes; em 2002, a gonorreia era doença infecciosa mais registrada entre pessoas de 15 a 24 anos.
 
Mas por que os adolescentes são tão suscetíveis às DSTs? Para Josh e Erin (baseados em pesquisas), são duas as respostas: biologia e comportamento.
 
As razões biológicas para a alta susceptibilidade dos jovens em relação às DSTs estão relacionadas especialmente às mulheres. “No revestimento do colo uterino, uma jovem tem grande quantidade de células chamadas ‘células colunares’. Essas células estão expostas ao longo de todo o revestimento do colo uterino. À medida que a jovem cresce, essas células colunares são cobertas por células epiteliais escamosas. Essas células começam a formar camadas e, por fim, cobrem completamente as células colunares. Mas esse processo não está completo até que a mulher esteja em torno dos 25 anos” (p. 50, 51). Mas qual é o problema? Este: as células colunares são muito receptivas (como uma esponja) e qualquer doença que entrar em contato com elas acabará se fixando ali (as células colunares são mais de 80% mais receptivas a infecções do que as células epiteliais escamosas).
 
Assim, “uma garota de 15 anos tem uma em oito chances de desenvolver doença inflamatória pélvica (DIP) simplesmente fazendo sexo, ao passo que uma mulher de 24 anos tem apenas uma chance em oitenta na mesma situação. […] Em geral, uma adolescente é 80% mais vulnerável a contrair DST do que alguém acima dos 25 anos” (p. 50, 51). E, para piorar, as adolescentes tendem a escolher parceiros sexuais mais velhos que, teoricamente, tiveram outras experiências sexuais com mais probabilidade de estar infectados (mais de 87% dos casos de DSTs não apresentam sintomas).
 
Pelo que se pode ver, a mulher frequentemente sai em maior desvantagem quando o assunto é sexo promíscuo. Ela deveria, portanto, ser mais firme e dizer não, levando em conta tudo o que está em jogo, no presente e no futuro. E o homem com H maiúsculo também deve dizer não, a fim de proteger a pessoa a quem ama (mesmo que ainda nem conheça essa pessoa).
 
Josh e Erin apontam uma “coincidência” interessante: as mudanças no colo do útero de uma mulher acontecem na mesma fase da vida em que o cérebro passa do sistema límbico (emoções brutas) para o córtex pré-frontal (tomada de decisões morais). “Está claro que Deus nos preparou para o máximo do sexo quando esperamos pelo seu tempo” (p. 51), concluem.
 
Além de a suposta proteção dos preservativos ser isto mesmo: suposta (já que eles não protegem assim tão eficazmente contra as DSTs), “não há um preservativo ou anticoncepcional no mercado que possa protegê-lo da influência do sexo em seu corpo, cérebro ou coração. Deus deseja nos dar segurança verdadeira com Seu projeto sem sexo fora do casamento. Somente o plano divino para sua vida sexual oferece 100% de proteção. […] Abstinência antes do casamento e fidelidade durante o casamento são as únicas formas de garantir que você não será infectado por uma DST” (p. 55, 70).
 
O ex-cirurgião geral Everett Koop disse para Josh: “Você precisa adverti-los [os jovens] de que [a promiscuidade entre adolescentes] é algo assustador. Hoje, se você mantiver relações sexuais com uma mulher, não está se relacionando apenas com ela, mas com cada pessoa com quem essa mulher possa ter mantido relações sexuais nos últimos dez anos [muitas DSTs podem ficar incubadas por esse tempo], e com todas as pessoas com quem elas se relacionaram” (p. 86).
 
Por isso, embora isso pareça fora de moda, os pais devem orientar seus filhos a não namorar muito cedo. “Pesquisas provam que quanto mais cedo os jovens começam a namorar, mais são propensos a se tornarem sexualmente ativos” (p. 117). Veja só:
 
– Entre os que começam a namorar aos 12 anos, 91% fizeram sexo antes de concluir o ensino médio.
 
– Dos que retardaram o namoro até os 15 anos, 40% perderam a virgindade no ensino médio.
 
– Dos que esperaram até os 16 anos para começar a namorar, apenas 20% fizeram sexo antes da graduação.
 
No capítulo 13, os autores mencionam duas histórias tristes e representativas. Uma delas é a da menina que foi sexualmente ativa durante o ensino médio. Ela nunca apresentou sintomas de DST e nunca fez exames. Vários anos depois, encontrou o homem dos sonhos dela. Eles se casaram e tentaram começar uma família, mas ela não conseguia engravidar. Quando foi ao médico, a mulher descobriu que tinha DIP, causada por clamídia. Ela teve que voltar para casa e contar para o marido que eles nunca teriam filhos.
 
A outra história é de um rapaz que perdeu a virgindade aos 15 anos com uma garota a quem pensava amar. Dez anos mais tarde, ele aprendeu o que é o verdadeiro amor ao encontrar a mulher de sua vida e se casar com ela. Ela se casou virgem. Após vários anos de casados, a esposa descobriu que estava com câncer de colo do útero, provavelmente causado pelo HPV que o marido lhe havia transmitido sem saber. Embora ela tenha escolhido esperar, foi forçada a pagar um alto preço porque ele não esperou.
 
Quer se proteger e a quem você vai amar pelo resto da vida? Não pratique sexo antes do casamento. Espere por ele/ela. Depois de casado, vocês terão muitos anos de vida sexual ativa e de sexo realmente seguro, puro e intenso. Espere mais um pouco.
 
Saúde mental e pornografia
 
Como se não bastasse o perigo alarmante das DSTs, há também os riscos do sexo não marital para a saúde mental. E é sobre isso que Josh e Erin falam no capítulo 19, com mais dados impressionantes como estes:
 
– Adolescentes sexualmente ativas são 300% mais propensas a cometer suicídio do que adolescentes virgens.
 
– Meninos sexualmente ativos na adolescência são 700% mais propensos ao suicídio do que os rapazes que esperam.
 
– Mais de 25% das meninas sexualmente ativas entre 14 e 17 anos disseram que se sentem deprimidas, comparadas a 7,7% das virgens.
 
– Aproximadamente dois terços dos adolescentes que fizeram sexo dizem que desejariam ter esperado. “A culpa de ter cedido algo que não pode ser recuperado pode durar mais do que qualquer outra consequência” (p. 75).
 
A Dra. Freda McKissic Bush, do Medical Institute for Sexual Health, citada por Josh e Erin, diz que “com quanto mais pessoas você mantiver relações [sexuais], mais dificuldade terá para formar relacionamentos saudáveis no futuro, quando estiver pronto para estar com uma só pessoa” (p. 74).
 
Vale ou não a pena esperar? “O sexo após o casamento equivale à segurança. O sexo fora do casamento leva à insegurança, culpa, vergonha, depressão, desespero e sofrimento. […] Todos os que praticam o sexo antes do casamento estão roubando de seu futuro cônjuge uma área singular de crescimento juntos como casal” (p. 75, 91).
 
Sobre a pornografia (assunto tratado no capítulo 37), os autores comentam que o prazer gerado pela contemplação de imagens pornográficas também está relacionado com a dopamina, o que acaba viciando as pessoas e fazendo com elas se tornem dependentes de mais “doses” para obter prazer. A noradrenalina agirá “prendendo” as imagens no cérebro, o que também causará problemas no relacionamento sexual com o cônjuge.
 
Assim, desde cedo é preciso haver cuidado com a exposição a imagens de conteúdo sexual. “Pesquisadores […] observaram que adolescentes expostos a muito conteúdo sexual na TV […] são duas vezes mais propensos a fazer sexo no ano seguinte do que os expostos a pouco conteúdo [dessa natureza]” […], e que “a pornografia […] induz os jovens a buscar experiências sexuais” (p. 129).
 
Resumo de todos os males: “Sexo fora do casamento expõe as pessoas a doenças; coloca-as em risco de ter filhos sem se casar; afeta de modo negativo sua capacidade de criar vínculos; e pode levar à depressão, insegurança e aumento da tendência ao suicídio. Monogamia mútua no contexto do casamento lhe dá a liberdade para desfrutar dos prazeres do sexo sem nenhuma das consequências citadas” (p. 96). Você quer livre ou escravo? Feliz ou infeliz? A escolha é sua.
 
Errei, e agora?
 
A Bíblia diz que “tudo [Deus] fez formoso em seu tempo” (Ec 3:11, grifo meu). Mas, e se você se adiantou e fez antes do tempo o que deveria ter esperado para desfrutar somente no contexto matrimonial? E se você nasceu num ambiente desfavorável e somente conheceu os princípios bíblicos depois de ter cometido erros e caído em pecado? Não há mais esperança para você? A fixação de memórias pela noradrenalina é um mal inapagável? Graças a Deus, não.
 
Em João 1:9, lemos: “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (grifo meu). O primeiro passo, portanto, consiste em admitir que sua atividade sexual antes e fora do casamento é pecado. Não se trata de um “erro” ou um “deslize”. Não. É pecado. Depois é só confessar a Deus e pedir de coração a purificação.
 
Em 2 Coríntios 5:17, lemos: “Se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (grifo meu). Quando aceita Jesus como Salvador, a pessoa renasce e deixa para trás as “coisas velhas”. Ela pode dizer como Paulo: “Esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo” (Fp 3:13, 14). Claro que algumas consequências do comportamento irresponsável podem acompanhar você por toda a vida – uma doença, a esterilidade ou mesmo um filho –, mas o perdão e a purificação lhe são garantidos por Deus.
 
“Nossa cultura [evolucionista] ensina que o homem não é diferente dos animais no sentido de que o sexo é uma necessidade que precisamos satisfazer. A fim de seguir rumo à libertação do pecado sexual, é preciso entender que você não é um animal. Você foi feito à imagem de Deus (Gn 1:26), logo seu desejo por sexo não é como a experiência dos animais. Sua maior necessidade é por um relacionamento de intimidade com Deus. Essa é uma importante verdade. Se você tem procurado o sexo em vez de Deus para satisfazer sua maior necessidade, é provável que tenha enfrentado derrotas, porque está tentando suprir uma necessidade espiritual com um prazer físico. […] Peça que Ele satisfaça os anseios do seu coração” (p. 136).
 
Leia A Verdade Nua e Crua e coloque em prática seus conselhos. Seu presente e seu futuro agradecem.
 
 
Nota: A edição em língua portuguesa de The Bare Facts, publicada pela CPAD, tem apenas um defeito: os editores se esqueceram de colocar as referências do livro. Como os autores mencionam muitas pesquisas e publicações importantes, úteis para os leitores que queiram aprofundar seus conhecimentos, esse lapso acaba sendo “grave”, infelizmente. Já comuniquei a editora sobre isso e espero que numa futura edição o problema seja resolvido.[MB]
 
Fonte:  Michelson Borges (Criacionismo)
 
Publicado em ciência, Livros, Notícias, Pesquisas

As Imagens “Ultraevidentes” da Pressuposta Evolução Humana

Se, no campo do Direito, “ultrapetita” é o termo usado para a sentença em que o juiz vai além do pedido, concedendo mais do que aquilo que foi pleiteado, no campo da propaganda evolucionista poderíamos designar como “ultraevidentes” imagens e cenários que tentam dizer mais do que as evidências permitem afirmar.

Como já foi dito em outro post, a evidência fóssil para a suposta evolução humana permanece fragmentária, difícil de decifrar e acaloradamente debatida.

Muito do que circula no meio popular sobre o assunto, porém, está fincado no “aprendizado” adquirido dessas imagens “ultraevidentes”, ou seja, imagens que tentam propagar mais do que o que se pode efetivamente concluir da análise das evidências. O livro Science & Human Origins (Ciência e Origem do Homem) traz alguns capítulos específicos em que são avaliadas as alegações da suposta evolução humana. O que segue é uma espécie de resumo do assunto de um desses capítulos, apresentado em um post intitulado The Fragmented Field of Paleoanthropology (o Fragmentado Campo da Paleontologia), publicado por Luskin Casey, um dos autores do livro:

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Os seres humanos, chimpanzés e todos os organismos que conduzem de volta ao seu suposto ancestral comum mais recente são classificados por cientistas evolucionistas como “hominídeos” (“homínidas” ou também “hominins”). A disciplina da paleoantropologia é dedicada ao estudo dos restos fósseis de hominídeos antigos. Os paleoantropólogos enfrentam uma série de grandes desafios no seu esforço para reconstruir a história da evolução dos hominídeos.

Primeiro, os fósseis hominídeos tendem a ser poucos e distantes entre si. Não é incomum existirem longos períodos de tempo para os quais existem poucos fósseis que deveriam documentar a evolução que supostamente teria ocorrido. Como os paleoantropólogos Donald Johanson (o descobridor de Lucy) e Blake Edgar observaram em 1996, “cerca de metade do período de tempo nos últimos três milhões de anos [segundo a cronologia evolucionista] permanece sem o registro de  nenhum fóssil humano” e “desde o período mais remoto da evolução dos hominídeos, mais de 4 milhões de anos atrás [segundo a cronologia evolucionista] , apenas um punhado de fósseis, em grande parte não diagnosticados, foi encontrado.”(3) Assim, tão “fragmentados” e “desconectados” são os dados, que, na avaliação do zoólogo de Harvard Richard Lewontin, “nenhuma espécie de hominídeos fósseis pode ser estabelecida como o nosso ancestral direto”.(4)

O segundo desafio enfrentado por paleoantropólogos são os próprios espécimes fósseis. Fósseis hominídeos típicos consistem literalmente de fragmentos ósseos simples, tornando-se difícil tirar conclusões definitivas sobre a morfologia, comportamento e relações de muitos espécimes. Como o falecido paleontólogo Stephen Jay Gould observou: “a maioria dos fósseis de hominídeos, mesmo servindo como uma base para intermináveis especulações e contos elaborados, são fragmentos de mandíbulas e pedaços de crânios”.(5)

Um terceiro desafio é reconstruir com precisão o comportamento, a inteligência ou morfologia interna dos organismos extintos. Usando um exemplo dos primatas vivos, o primatologista Frans de Waal observa que o esqueleto do chimpanzé comum é quase idêntico ao de sua espécie-irmã, o bonobo, mas eles têm grandes diferenças de comportamento. “Com base exclusivamente em alguns ossos e crânios”, escreve De Waal, “ninguém se atreveria a propor as grandes diferenças de comportamento reconhecidos hoje entre o bonobo e o chimpanzé”.(6) Ele sustenta que isto deve servir como “um alerta para paleontólogos que estão reconstruindo a vida social de restos fossilizados de espécies há muito extintas”. O exemplo de Waal se refere a um caso em que os investigadores têm esqueletos completos, mas o antigo anatomista C. E. Oxnard, da Universidade de Chicago, explicou como esses problemas são intensificados quando os ossos estão em falta: “Uma série de ossos do pé relacionados de Olduvai [desfiladeiro na África Oriental que abriga fósseis australopitecíneos] foi reconstruída para uma forma muito semelhante ao pé humano hoje, embora um pé igualmente incompleto de um chimpanzé também possa ser reconstruído da mesma maneira”.(8)

Reconstruções corporais de hominídeos extintos são também muitas vezes altamente subjetivas. Elas podem tentar diminuir as capacidades intelectuais dos seres humanos e exagerar a dos animais. Por exemplo, um livro didático popular de ensino médio (9) caricatura os neandertais como intelectualmente primitivos, embora eles apresentem sinais de arte, linguagem e cultura (10), ao passo que apresenta o Homo erectus como uma forma rebaixada e inábil, embora seu esqueleto pós-craniano seja extremamente semelhante ao dos humanos.(11) Por outro lado, o mesmo livro retrata um australopitecino semelhante a macaco com traços de  inteligência e de emoção humana em seus olhos – uma tática comum em livros ilustrados sobre a origem do homem.(12) O antropólogo da Universidade da Carolina do Norte, Jonathan Marks adverte contra isso quando lamenta as “falácias” de  “humanizar os macacos e ‘macaquear’ os humanos”.(13) As palavras do famoso físico e antropólogo Earnest A. Hooton da Universidade de Harvard ainda soam verdadeiras: “as alegadas restaurações de tipos antigos de homem têm muito pouco valor científico, se é que têm algum, e provavelmente existem apenas para enganar o público.”(14).

Diante desses desafios, poderia se esperar cautela, humildade, moderação de cientistas evolucionistas quando são discutidas hipóteses sobre as origens humanas. E às vezes isso é realmente encontrado. Mas, como vários comentadores têm reconhecido, muitas vezes encontramos precisamente o oposto.(15) Calma e serena objetividade científica no campo da paleoantropologia evolutiva pode ser tão rara quanto os próprios fósseis. A natureza fragmentada dos dados, combinada com o desejo de paleoantropólogos de fazerem afirmações confiantes sobre a evolução humana, leva a divergências acentuadas dentro do campo, como apontado por Constance Holden em seu artigo na revista Science intitulado “The Politics of Paleoanthropology (A Política da paleoantropologia). Holden reconhece que “a evidência científica primária” invocada por paleoantropólogos “para construir a história evolutiva do homem” é “um conjunto lamentavelmente pequeno de ossos… Um antropólogo comparou a tarefa àquela de reconstruir o enredo de Guerra e Paz com 13 páginas selecionadas ao acaso”.(16) De acordo com Holden, é precisamente porque os pesquisadores precisam tirar suas conclusões a partir desta “evidência extremamente insignificante” que “muitas vezes é difícil separar aquilo que é pessoal das disputas científicas no campo”.(17)

Não se engane: as disputas em paleoantropologia são muitas vezes profundamente pessoais. Como Donald Johanson e Blake Edgar admitem, ambição e busca por reconhecimento, financiamento e fama podem tornar difícil para os paleoantropólogos admitir quando estão errados: “O surgimento de evidências discordantes é, por vezes, saudado com uma reiteração resistente de nossos pontos de vista originais… Leva tempo para desistir de nossas teorias de estimação e assimilar as novas informações. Enquanto isso, a credibilidade científica e o financiamento para mais trabalho de campo pesam na balança”.(18)

Na verdade, a busca pelo reconhecimento pode inspirar total desprezo para com outros pesquisadores. Depois de entrevistar os paleoantropólogos para um documentário em 2002, o produtor Mark Davis, da PBS NOVA,  informou que “cada especialista em Neanderthal pensava que o último com quem eu havia conversado era um idiota, se não um verdadeiro Neanderthal”.(19)

Não é de admirar que a paleoantropologia seja um campo repleto de dissidências e com poucas teorias universalmente aceitas entre os seus praticantes. Mesmo a mais estabelecida e confiantemente afirmada teoria da origem humana pode estar baseada em evidência limitada e incompleta. Em 2001, o editor da Nature Henry Gee admitiu: “a evidência fóssil da história evolutiva humana é fragmentária e aberta a várias interpretações.”(20)

Apesar dos desentendimentos generalizados e controvérsias que acabamos de descrever, há uma história padrão da suposta origem humana, contada e recontada em inúmeros livros, artigos de jornais e revistas. O que o terceiro capítulo do livro faz é rever a evidência fóssil e avaliar se ele suporta essa suposta história da evolução humana. Como veremos, a evidência – ou a falta dela – muitas vezes atravessa o caminho da história evolutiva.

Nota: Você pode adquirir Science & Human Origins na Amazon. Recomendá-lo aqui não significa, obviamente, concordar com tudo o que lá está escrito. O livro também traz, pelo que pude ler nas reviews (e como é natural esperar), pontos de vista com os quais este blogue não se alinha, mas, como se pode ver pelo exemplo deste post, há certamente bastante material de interesse para quem deseja se aprofundar na controvérsia entre evolução e criação.

“Eu fiz a terra e criei nela o homem.” Isaías 45:12

Boa leitura!

Fonte: EvolutionNews

Referências citadas no original (citações acima com tradução simples deste blog):
[3.] Donald Johanson and Blake Edgar, From Lucy to Language (New York: Simon & Schuster, 1996), 22-23.
[4.] Richard Lewontin, Human Diversity (New York: Scientific American Library, 1995), 163.
[5.] Stephen Jay Gould, The Panda’s Thumb: More Reflections in Natural History (New York: W. W. Norton & Company, 1980), 126.
[6.] Frans B. M. de Waal, “Apes from Venus: Bonobos and Human Social Evolution,” in Tree of Origin: What Primate Behavior Can Tell Us about Human Social Evolution, ed. Frans B. M. de Waal (Cambridge: Harvard University Press, 2001), 68.
[7.] Ibid.
[8.] C. E. Oxnard, “The place of the australopithecines in human evolution: grounds for doubt?,”Nature, 258 (December 4, 1975): 389-95 (internal citation removed).
[9.] See Alton Biggs, Kathleen Gregg, Whitney Crispen Hagins, Chris Kapicka, Linda Lundgren, Peter Rillero, National Geographic Society, Biology: The Dynamics of Life (New York: Glencoe, McGraw Hill, 2000), 442-43.
[10.] See notes 124-139 and accompanying text.
[11.] Sigrid Hartwig-Scherer and Robert D. Martin, “Was ‘Lucy’ more human than her ‘child’? Observations on early hominid postcranial skeletons,” Journal of Human Evolution, 21 (1991): 439-49.
[12.] For example, see Biggs et al., Biology: The Dynamics of Life, 438; Esteban E. Sarmiento, Gary J. Sawyer, and Richard Milner, The Last Human: A Guide to Twenty-two Species of Extinct Humans (New Haven: Yale University Press, 2007), 75, 83, 103, 127, 137; Johanson and Edgar,From Lucy to Language, 82; Richard Potts and Christopher Sloan, What Does it Mean to be Human? (Washington D.C.: National Geographic, 2010), 32-33, 36, 66, 92; Carl Zimmer,Smithsonian Intimate Guide to Human Origins (Toronto: Madison Press, 2005), 44, 50.
[13.] Jonathan Marks, What It Means to be 98% Chimpanzee: Apes, People, and their Genes(University of California Press, 2003), xv.
[14.] Earnest Albert Hooton, Up From The Ape, Revised ed. (New York: McMillan, 1946), 329.
[15.] For a firsthand account of one paleoanthropologist’s experiences with the harsh political fights of his field, see Lee R. Berger and Brett Hilton-Barber, In the Footsteps of Eve: The Mystery of Human Origins (Washington D.C.: Adventure Press, National Geographic, 2000).
[16.] Constance Holden, “The Politics of Paleoanthropology,” Science, 213 (1981): 737-40.
[17.] Ibid.
[18.] Johanson and Edgar, From Lucy to Language, 32.
[19.] Mark Davis, “Into the Fray: The Producer’s Story,” PBS NOVA Online (February 2002), accessed March 12, 2012, http://www.pbs.org/wgbh/nova/neanderthals/producer.html.
[20.] Henry Gee, “Return to the planet of the apes,” Nature, 412 (July 12, 2001): 131-32.
Publicado em Livros, Reflexões

Reavivados por Sua Palavra Hoje – Levítico 11

1 O SENHOR Deus deu a Moisés e a Arão
2 as seguintes leis para os israelitas: Vocês poderão comer a carne de qualquer animal
3 que tem casco dividido e que rumina.
4 Mas não poderão comer camelos, coelhos selvagens ou lebres, pois esses animais ruminam, mas não têm casco dividido. Para vocês esses animais são impuros.
7 É proibido comer carne de porco. Para vocês o porco é impuro, pois tem o casco dividido, mas não rumina.
8 Não comam nenhum desses animais, nem mesmo toquem neles quando estiverem mortos. Todos eles são impuros.
9 Vocês poderão comer qualquer peixe que tem barbatanas e escamas,
10 mas não poderão comer os animais que vivem na água e que não têm barbatanas nem escamas. Esses animais são impuros para vocês;
11 não comam nenhum deles e, mesmo quando eles estiverem mortos, não toquem neles.
12 Qualquer animal que vive na água e que não tem barbatanas nem escamas é impuro.
13 Também são impuras as seguintes aves: águias, urubus, águias-marinhas,
14 açores, falcões,
15 corvos,
16 avestruzes, corujas, gaivotas, gaviões,
17 mochos, corvos-marinhos, íbis,
18 gralhas, pelicanos, abutres,
19 cegonhas, garças e poupas; e também morcegos.
20 É impuro todo inseto que anda e que voa;
21 mas vocês poderão comer os insetos que têm pernas e que saltam.
22 Poderão comer toda espécie de gafanhotos e grilos.
23 Mas todos os outros insetos que andam e que voam são impuros.
24 Ficará impuro até o pôr-do-sol quem tocar nos seguintes animais depois de mortos: todos os animais com cascos, mas que não têm o casco dividido e não ruminam, e todos os animais de quatro pés que andam sobre as plantas dos pés. Se alguém pegar o corpo de qualquer um deles, terá de lavar a roupa que estiver vestindo e ficará impuro até o pôr-do-sol. Esses animais são impuros para vocês.
29 Dos animais que se arrastam pelo chão são impuros os seguintes: todas as espécies de lagartos, lagartixas, ratos, toupeiras e camaleões.
31 Ficará impuro até o pôr-do-sol quem tocar nesses animais depois de mortos.
32 E, se o corpo de qualquer um desses animais cair em cima de alguma coisa, essa coisa ficará impura. Isso inclui qualquer objeto de madeira, tecido, couro ou saco, ou qualquer outra coisa. Para purificar esse objeto, será preciso colocá-lo na água, mas ele ficará impuro até o pôr-do-sol.
33 E, se o corpo de um desses animais cair num pote de barro, tudo o que estiver dentro do pote se tornará impuro; será preciso quebrar o pote.
34 E, se a água daquele pote cair em cima de qualquer comida, essa comida ficará impura. E qualquer líquido que estiver no pote ficará impuro também.
35 Se o corpo de um desses animais cair sobre alguma coisa, ela ficará impura. Se for um forno ou um fogão de barro, então ele se tornará impuro e deverá ser quebrado;
36 se for uma fonte ou uma caixa de água, a água ali dentro continuará pura, mas quem tocar no corpo ficará impuro.
37 Se o corpo de um desses animais cair em cima de sementes que vão ser plantadas, elas continuarão puras;
38 mas, se as sementes estiverem de molho na água, e o corpo cair na água, então elas se tornarão impuras.
39 Se um animal que se pode comer tiver morte natural, a pessoa que tocar no corpo ficará impura até o pôr-do-sol.
40 E, se alguém comer a carne desse animal, deverá lavar a roupa que estiver vestindo e ficará impuro até o pôr-do-sol; e, se alguém carregar o corpo do animal, precisará lavar a roupa e ficará impuro até o pôr-do-sol.
41 É proibido comer qualquer animal que se arrasta pelo chão; esses animais são impuros.
42 É proibido comer qualquer um deles, tanto aqueles que se arrastam como aqueles que andam com quatro patas ou mais.
43 Não fiquem impuros e nojentos por comerem qualquer um desses animais.
44 Eu sou o SENHOR. Dediquem-se a mim, o Deus de vocês, e sejam completamente fiéis a mim, pois eu sou santo. Não fiquem impuros por causa de qualquer animal que se arrasta pelo chão.
45 Eu sou o SENHOR, que os trouxe do Egito a fim de ser o Deus de vocês. Portanto, sejam santos, pois eu sou santo.
46 São essas as leis a respeito dos animais e das aves, de todos os animais que vivem na água e de todos os animais que se arrastam pelo chão.
47 Elas mostram a diferença entre o que é puro e o que é impuro, entre os animais que podem ser comidos e os que não podem ser comido.
Publicado em ciência, Livros, Perguntas e Respostas, Pesquisas

A Origem do Homem e o Registro Fóssil: O Que as Evidências Mostram?

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O livro Science and Human Origins, recém-lançado, acaba por realçar, em alguns pontos, a já reconhecida “diferença abissal” entre a doutrina cristã da criação e a teoria macroevolutiva de Darwin. O livro apresenta muitas informações relevantes (embora eu não compartilhe de algumas ideias que li nas reviews da Amazon, como a de um casal Adão e Eva “longínquo” no tempo, há “milhões e milhões de anos”).

Numa pequena apresentação, Casey Luskin (um dos autores) já antecipa e resume sua posição sobre o assunto da evidência fóssil em relação à origem do homem, depois de pesquisar a literatura científica.  Veja o que ele diz:

Nosso novo livro editado pela Discovery Institute Press “Science and Human Origins” (A Ciência e a origem do homem) – co-autoria de Douglas Axe, Ann Gauger e minha  abrange tanto a evidência genética quanto a evidência dos fósseis em relação à origem dos seres humanos. Um dos capítulos que escrevi é intitulado “Human Origins and the Fossil Record” (A Origem do Homem e o Registro Fóssil) e avalia a evidência fóssil sobre a alegada evolução dos seres humanos de primatas inferiores.

Em 2005 publiquei um artigo na revista Progress in Complexity, Information and Design sobre o mesmo tema, intitulado “Human Origins and Intelligent Design: Review and Analysis (Origem do Homem e o Design Inteligente: Revisão e Análise). No entanto, o campo da paleoantropologia está mudando constantemente, e vários novos fósseis foram relatados nos anos seguintes. “Science and Human Origins” (A Ciência e a origem do homem) proporcionou uma oportunidade para atualizar os argumentos.

Os cientistas evolucionistas comumente dizem ao público que a evidência fóssil para a evolução darwiniana dos seres humanos de criaturas parecidas com macacos é incontestável. Por exemplo, o professor de antropologia Ronald Wetherington testemunhou perante o Conselho Estadual de Educação do Texas, em 2009, que a evolução humana tem “sem dúvida a sequência mais completa de sucessão fóssil de qualquer mamífero do mundo. Não há lacunas. Não há falta de fósseis de transição … Então, quando as pessoas falam sobre a falta de fósseis de transição ou lacunas no registro fóssil, isso absolutamente não é verdade. E não é verdade especificamente para nossa própria espécie.”1 Segundo Wetherington, o campo das origens humanas fornece “um bom e claro exemplo daquilo que Darwin pensava ser uma  mudança evolutiva gradualista.”2

A pesquisa da literatura técnica, no entanto, revela uma história completamente diferente da apresentada pelo Dr. Wetherington e outros evolucionistas envolvidos em debates públicos.

Como mostra meu capítulo, a evidência fóssil para a evolução humana permanece fragmentária, difícil de decifrar e acaloradamente debatida. Aqueles dispostos a olhar para as provas com um olhar crítico e cético dificilmente são obrigados a aceitar a grande história da evolução humana a partir de primatas inferiores.

Na verdade, longe de fornecer “um bom e claro exemplo” de “mudança evolutiva gradualista”, o registro revela uma descontinuidade dramática entre fósseis semelhantes a macacos e fósseis semelhantes a humanos. Fósseis semelhantes a humanos aparecem abruptamente no registro, sem precursores evolutivos claros, tornando o caso para a evolução humana baseada em fósseis altamente especulativo.

Minha tese pode ser resumida da seguinte forma: fósseis de homínidas geralmente se enquadram em um dos dois grupos: espécies semelhantes a macacos e espécies semelhantes a humanos, com uma grande lacuna sem pontes entre eles. Apesar da badalação promovida por muitos paleoantropólogos evolucionistas, o fragmentário registro fóssil homínida não documenta a evolução dos seres humanos a partir de precursores semelhantes a macacos.

Referências citadas:

(1) Ronald Wetherington testimony before Texas State Board of Education (January 21, 2009). Original recording on file with author, SBOECommt-FullJan2109B5.mp3, Time Index 1:52:00-1:52:44.

(2) Ibid.

Fonte: Casey Luskin (EvolutionNews)