Publicado em ciência, Filosofia, Pensamentos, Pesquisas, Reflexões

Política e Religião se Discutem (Cuidado com os Homens de Palha!)

Alguns exemplos são fáceis de identificar. No livro The Fallacy Detective, Nathaniel e Hans Bluedorn utilizam o seguinte caso:

CANDIDATO POLÍTICO A: Devido a problemas de orçamento deste ano, eu acho que o nosso estado deve diminuir a quantidade de dinheiro que vai para as escolas. Isto iria resolver o problema. Poderíamos trazer a quantidade de dinheiro de volta ao normal no próximo ano.

CANDIDATO POLÍTICO B: Meus concidadãos, é isso que vocês esperam de um candidato? Alguém que é contra as nossas escolas, contra a educação dos nossos filhos e contra o nosso futuro?

Como você pode ver, o Candidato B não toca na questão na qual o Candidato A está concentrado: a solução para um problema de orçamento. Em vez disso, o Candidato B deturpa a posição do Candidato A para fazer parecer que ele (o Candidato A) está procurando cortar o financiamento das escolas porque não quer o progresso da educação. É muito mais fácil ganhar um argumento nas mentes das pessoas quando você cria uma posição que não é a verdadeira e, em seguida, argumenta contra essa posição (posição que, na realidade, a outra pessoa nunca teve). É por isso que Nathaniel e Hans Bluedorn classificam a “falácia do espantalho” como “uma tentativa de evitar a verdadeira questão”.

Ao defender a fé, esse tipo de interlocução acontece com muita freqüência. Aqui estão uns exemplos clássicos:

Exemplo 1

CRISTÃO: Sem um Deus onibenevolente (totalmente bom), não há nenhuma maneira de fundamentar os valores morais. Portanto, o ateísmo não tem fundamento para a moralidade objetiva.

ATEU : Como vocês, cristãos, ousam dizer que, porque eu sou ateu, eu não consigo entender o que significa ser moral?

No diálogo acima, você pode ver que o cristão não está discutindo se o ateu poderia “reconhecer ou compreender” o que significa ser moral. Isso é uma questão de “conhecimento”. Ao contrário, o que o cristão está  alegando é que não há “base” lógica no ateísmo para acreditar que a moralidade, mesmo que seja “reconhecida”, deva ter autoridade sobre as ações de alguém. Isto é conhecido como o problema da fundamentação moral.

Exemplo 2

ATEU : A ciência é baseada na razão, enquanto a religião é baseada apenas na fé.

Em uma declaração como essa, há realmente dois “homens de palha/espantalhos”. Em primeiro lugar, o mais fácil de identificar é o que afirma que a religião (que geralmente significa o Cristianismo) só se baseia na fé. Isso simplesmente não é verdade, já que o Cristianismo, desde os primórdios, tem contado com as evidências de testemunhas oculares e do túmulo vazio (Atos 2:32, Atos 3:15, 1 Coríntios 15:3-8), chegando até mesmo a apelar para a multidão com frases como “como vocês mesmos sabem…”(Atos 2:22).

Em segundo lugar, a declaração descaracteriza a ciência como algo completamente desprovido de paixão ou preconceito. A história da ciência mostra o contrário, com enormes lutas emergindo por várias posições. Porque o dinheiro e a posição são agora uma parte do processo científico (a maioria nos campi das universidades já ouviu o jargão “publicar ou perecer”),  é mais fácil que as pessoas,  inadvertidamente, tornem-se tendenciosas em suas pesquisas. Na verdade, isso é o que este artigo recente publicado na revista científica Nature revela. Eles observaram dentro do campo do desenvolvimento farmacêutico  que os “controles internos da ciência sobre o viés (preconceito) estavam falhando, e o viés e o erro caminhavam na mesma direção – para uma disseminado excesso de relatórios de resultados falsos positivos”. Isso não significa que toda descoberta científica é tendenciosa, mas demonstra que a ciência não é de alguma forma mais imune ao viés que qualquer outro campo de estudo.

Impor um “espantalho” durante uma discussão não é “jogar limpo”. Essa falácia julga o interlocutor por uma visão que ele mesmo não defende. Se vamos interagir numa argumentação com outras pessoas, devemos ter a certeza de que entendemos corretamente a sua posição específica.

Fonte: Lenny Esposito (ComeReason)
Copyright ©2014 Come Reason Ministries. Todos os direitos reservados.
Republicado com permissão do site Come Reason:  www.ComeReason.org
Crédito da imagem: Strawman 2, Clyde Robinson, em Flickr. CC BY 2.0 Generic.
Publicado em Livros, Perguntas e Respostas, Reflexões, Testemunhos

A Ressurreição de Cristo: Perguntas e Evidências – parte II

Publicado por Joezer Mendonça*

Como vimos na primeira parte desse artigo, não há evidências de que o corpo de Jesus desapareceu do sepulcro porque foi removido por gente interessada em promover ou repudiar o evangelho. Foi um evento sobrenatural, uma genuína ressurreição? Há outras evidências materiais e psicológicas que atestam a veracidade desse acontecimento incomum.

Sendo uma testemunha ocular, João entrou com Pedro no túmulo e ambos encontraram apenas as vestes do sepultamento. Como alguém poderia ter sido levado da tumba sem as vestes? O corpo de Jesus foi envolvido com lençóis de linho contendo quase cem libras (cerca de 34 quilos) “de uma mistura de mirra e aloés”, sendo essa uma prática que “os judeus costumam fazer na preparação para o sepultamento” (João 19:39, 40). As especiarias eram colocadas nas dobras dos lençóis. Se o corpo era envolto em ataduras, a cabeça era envolvida em um lenço especial, sendo que a face e o pescoço não eram cobertos.

Quando os discípulos entraram no sepulcro, viram que as bandagens do sepultamento estavam ali e o lenço que enfaixava a cabeça estava separado dos lençóis. O relato bíblico diz que eles viram e creram. Creram na ressurreição. John Stott sugere que as vestes permaneceram como uma espécie de casulo quase intacto, pois não estavam despedaçadas ou espalhadas pelo sepulcro ou fora dali.

Os Evangelhos relatam que Cristo apareceu não somente aos seus discípulos ou em apenas um lugar. Ele apareceu também a Maria Madalena, a Pedro e Tiago, aos caminhantes na estrada de Emaús, a mais de quinhentas pessoas de uma só vez; Ele foi visto no jardim do sepulcro, no mar da Galileia, no cenáculo, e no monte das Oliveiras. Lucas escreve que Jesus, “depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles [os discípulos] por quarenta dias” (Atos 1:3).

Os discípulos teriam, então, inventado toda essa história? Se sim, eles seriam inventores sem a menor criatividade e cuidado com detalhes importantes para a época. O testemunho de uma mulher, por exemplo, não tinha valor legal, mas as primeiras testemunhas da ressurreição foram justamente as mulheres. Eles poderiam ter narrado a ressurreição com tintas épicas e triunfalistas, descrevendo o poder de Deus ao livrar Seu Filho da morte para sair glorioso da sepultura para a vida eterna. Mas os apóstolos e as mulheres viram apenas um túmulo vazio com lençóis abandonados e só depois O viram pessoalmente.

Os discípulos sofreram de uma alucinação coletiva? Ver coisas que não estão presentes, ouvir vozes, viver num mundo particular imaginário, são características de gente com distúrbios mentais. John Stott lista uma série de situações após a ressurreição que indica a dúvida e a cautela dos apóstolos, que chegaram a ser censurados por Jesus em razão de “sua incredulidade e dureza de coração”:

a) Quando as mulheres contaram que Jesus revivera, os discípulos “não acreditaram”; b) Quando Jesus pessoalmente apareceu a eles, tiveram medo pois achavam que era “um espírito”; c) Tomé só acreditou quando viu Jesus com os próprios olhos e tocou suas feridas; d) No monte da Galileia, alguns “o adoraram, e outros duvidaram”.

Se Cristo tivesse permanecido na tumba, os discípulos teriam voltado para seus afazeres particulares. Não teria havido perseguições nem cartas às igrejas. Mas eles estavam agora com um espírito bem diferente. Seus temores e dúvidas tinham sido dissipados.

Tiago, um dos irmãos de Jesus, fazia parte daquela descrição bíblica que dizia: “Nem mesmo os seus irmãos criam nEle”. Paulo sustenta que o Cristo ressurreto foi visto por Tiago (I Coríntios 15:7), enquanto Atos 1:13 e 14 apresenta uma lista de pessoas reunidas após a ascenção de Jesus em que comparecem os discípulos, Maria, mãe de Jesus, e os irmãos dEle. Entendemos que Tiago passou a acreditar na divindade de Jesus.

A transformação de Pedro é impressionante. O homem que negou conhecer a Cristo e foi se esconder no cenáculo, morrendo de medo e abatido, surge algum tempo depois no mesmo local em Jerusalém pregando tão poderosamente que três mil pessoas crêem em Cristo e são batizadas no mesmo dia. Ele não teme o julgamento do Sinédrio, se alegra em sofrer em nome de Jesus e não tem dúvida de que será ressuscitado para ver seu Mestre.

Se os apóstolos não criaram uma fraude, nem estavam delirando, eles só podiam estar contando a verdade. Ainda que tivessem inventado tudo ou estivessem num processo alucinatório, como eles passaram de homens de pouca fé, incrédulos e desanimados, para homens cheios de confiança e esperança, capazes de enfrentar a morte sem negar sua fé?

Comecei esse artigo citando Paulo, para quem, “se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa fé”. O outro lado da questão é: se Cristo, sim, ressuscitou, qual sua reação diante dessa notícia tão antiga e ainda tão impactante? E para os que cremos que Cristo, de fato, ressuscitou, o que estamos fazendo diante dessa perspectiva tão extraordinária? Afinal, é a ressurreição de Cristo confirmaria todo o evangelho e dá esperança de vida à humanidade.

Fonte: Stott, John. Cristianismo Básico.


*Joêzer Mendonça é Mestre em Música pela UNESP.
Escreve sobre música, mídias e religião.
Edita o blog www.notanapauta.blogspot.com.
Twitter: @notanapauta
Publicado em Livros, Perguntas e Respostas, Reflexões, Testemunhos

A Ressurreição de Cristo: Perguntas e Evidências – parte I

Publicado por Joezer Mendonça*

A ressurreição de Jesus é tão importante para o cristianismo que o apóstolo Paulo escreveu que “se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa fé”. Sem a ressurreição de Jesus, o evangelho é pouco mais que um código de ética.

Sobre a existência de alguém chamado Jesus e sua morte natural numa cruz, há pouca controvérsia. Sua propalada ressurreição, porém, é um caso sob suspeita.

Mas esse evento tão extraordinário apresenta evidências satisfatórias? O teólogo e escritor John Stott elencou argumentos pró-ressurreição incrivelmente contundentes para responder a quatro hipóteses que tentam desqualificar o caráter factual desse acontecimento.

Os evangelhos relatam que, no domingo de manhã, algumas mulheres foram ao túmulo de Jesus, mas não encontraram seu corpo. O que teria ocorrido? Algumas das contestações mais repetidas dizem que 1) elas foram ao túmulo errado, 2) ladrões roubaram o corpo, 3) os discípulos de Jesus removeram o corpo, 4) as autoridades mantiveram o corpo sob custódia.

As mulheres foram ao túmulo errado? Era de manhã bem cedo, mas ainda que não houvesse muita luz do sol, Maria Madalena e Maria, mãe de Jesus, haviam visto pessoalmente o local para onde José e Nicodemos levaram Cristo, chegando a acompanhar o sepultamento, “sentadas em frente da sepultura”. Além disso, depois de contar aos discípulos, Maria Madalena retornou ao sepulcro, quando encontrou Jesus ressurreto.

As mulheres não foram ao sepulcro na função de carpideiras. Elas foram para ungir o corpo de Jesus com aromas, pois não puderam completar a tarefa na sexta-feira. E ainda: Pedro e João foram conferir a história das mulheres e também o próprio Nicodemos foi ao túmulo de novo. Todos eles teriam errado de túmulo?

Ladrões roubaram o corpo de Cristo? Não há nenhuma evidência para a suposição de que alguém conseguiria driblar a guarda romana que vigiava o sepulcro, remover a pedra da tumba e ainda levar o corpo deixando no local as vestes que enfaixavam o morto. Além da falta de motivação para o roubo, o que os ladrões fariam com o corpo?

Os discípulos teriam removido seu Senhor do túmulo? Segundo Mateus, depois que Pilatos deu autorização para o sepultamento de Jesus, uma delegação de líderes judeus lhe convenceu de que o sepulcro deveria ser vigiado até ao terceiro dia, “para não suceder que vindo os discípulos, o roubem e depois digam ao povo: ‘Ressuscitou dos mortos'”.

Entretanto, apesar da forte escolta, Cristo saiu da tumba. Quando os soldados fizeram o relatório da ocorrência aos sacerdotes, estes subornaram os soldados para que espalhassem o seguinte boato: “Vieram de noite os discípulos dele e o roubaram, enquanto dormíamos”. Soldados dormindo em serviço? E se estavam acordados de manhã, as mulheres passaram sem ser percebidas e removeram a pedra enquanto vigiavam?

Os discípulos podiam até ter motivação para remover o corpo do túmulo, mas não tinham coragem nem poder para enfrentar ou passar desapercebidos pela vigilância armada. Na verdade, eles estavam bastante amedrontados, escondidos com medo de serem mortos também. Mas após a ressurreição, eles se diziam testemunhas oculares do Cristo ressurreto. Eles não morreriam como mártires se baseassem sua pregação numa mentira tão grande e fácil de descobrir. Como diz John Stott, “hipócritas e mártires não são feitos do mesmo material”.

As autoridades confiscaram o corpo de Cristo? Se os líderes romanos e judeus estivessem com um cadáver sob custódia, elas não precisariam prender, torturar e matar os apóstolos acusando-os de mentira e falso testemunho. Bastava apresentar o corpo. Mas isso lhes era impossível: eles não estavam com corpo algum.

As evidências não indicam equívoco de rota das testemunhas nem supõem que houve sequestro e ocultamento de cadáver. A descrição simples e direta dos quatro evangelhos não diz que um grupo de homens removeu o corpo de Jesus do sepulcro. Cristo ressuscitou pelo poder de Deus.

*Joêzer Mendonça é Mestre em Música pela UNESP.
Escreve sobre música, mídias e religião.
Edita o blog www.notanapauta.blogspot.com.
Twitter: @notanapauta