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Por Que Cristo Adiou as Lições de Ciência?

E a vida eterna é esta: que Te conheçam a Ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. João 17:3

O ministério terrestre de Jesus não foi caracterizado pela exposição e discussão de leis da natureza e curiosidades científicas. Havia razões para isso:

Se Cristo julgasse necessário, Ele poderia ter revelado aos Seus discípulos os mistérios que obscurecem e colocam fora do alcance da visão todas as descobertas da mente humana. Ele poderia ter apresentado os fatos pertinentes a cada assunto que vai além da lógica humana, sem, contudo, distorcer a verdade em qualquer aspecto. Ele poderia ter revelado aquilo que é desconhecido, aquilo que ampliaria ao máximo a imaginação e teria atraí­do os pensamentos de sucessivas gerações até o fim da história da Terra. Ele poderia ter aberto as portas dos mistérios que a mente humana busca em vão abrir. Ele poderia ter apresentado aos seres humanos uma árvore do conhecimento de onde eles poderiam colher frutos através dos séculos; mas essa obra não era essencial para a salvação deles, e o conhecimento do caráter de Deus era necessário para seus interesses eternos. […]
Jesus, o Senhor da vida e da glória, veio plantar a árvore da vida para a família humana, e convidar os membros da raça caída a comer e se satisfazer. Ele veio lhes revelar aquilo que era a única esperança deles, sua única felicidade, tanto neste mundo quanto no porvir. […] Ele não permitiu que nada desviasse a atenção dEle da obra que veio realizar. […]
Jesus viu que as pessoas precisavam ter a mente atraída a Deus, para que pudessem se familiarizar com o caráter dEle e obter a justiça de Cristo, representada em Sua santa lei. Ele sabia que era necessário que os seres humanos tivessem uma representação fiel do caráter divino, para que não fossem enganados pela representação falsa de Satanás, que lançou sua sombra infernal no caminho dos homens e na mente deles revestiu Deus com suas características satânicas. […]
Por mais importantes e sábios que os mestres deste mundo tenham sido considerados em seus dias ou sejam considerados em nosso tempo, em comparação com Ele, não são dignos de admiração, pois toda a verdade ensinada por eles foi tão somente aquela originada por Ele, e tudo o que vem de qualquer outra fonte é insensatez. Até mesmo a verdade que eles ensinaram, nos lábios de Cristo foi embelezada e glorificada, pois Ele a apresentou com simplicidade e dignidade (Signs of the Times, 1º de maio de 1893).

Isso não significa, porém, que os homens tenham perdido irremediavelmente a oportunidade de receber lições de ciências diretamente da Fonte onde se acham “escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento” (Colossenses 2:2-3):

O Céu é uma escola; o campo de seus estudos, o Universo; seu professor, o Ser infinito…

[…] Ali, quando for removido o véu que obscurece a nossa visão, e nossos olhos contemplarem aquele mundo de beleza de que ora apanhamos lampejos pelo microscópio; quando olharmos às glórias dos céus hoje esquadrinhadas de longe pelo telescópio; quando, removida a mácula do pecado, a Terra toda aparecer “na beleza do Senhor nosso Deus” – que campo se abrirá ao nosso estudo! Ali o estudante da ciência poderá ler os relatórios da criação, sem divisar coisa alguma que recorde a lei do mal. Poderá escutar a melodia das vozes da Natureza, e não perceberá nenhuma nota de lamento ou tristezas. Poderá enxergar em todas as coisas criadas uma escrita; contemplará no vasto Universo, escrito em grandes letras, o nome de Deus; e nem na Terra, nem no mar ou no céu permanecerá um indício que seja do mal.

Ali se revelará ao estudante uma história de infinito objetivo e riqueza inexprimível. Tomando por base a Palavra de Deus, o estudante obterá uma visão do vasto campo da História, e poderá alcançar algum conhecimento dos princípios que presidem à marcha dos acontecimentos humanos. Mas a sua visão ainda estará nublada, e incompletos os seus conhecimentos. Não verá todas as coisas de uma maneira clara antes que chegue à luz da eternidade. Então se revelará diante dele o decurso do grande conflito que teve sua origem antes que começasse o tempo e terminará apenas quando este cessar. A história do início do pecado; da fatal falsidade em sua ação sinuosa; da verdade que, não se desviando das suas próprias linhas retas, se defrontou com o erro e o venceu; sim, tudo isto será manifesto. O véu que se interpõe entre o mundo visível e o invisível, será removido e reveladas coisas maravilhosas.

[…] Ali toda faculdade se desenvolverá, e toda capacidade aumentará. Os maiores empreendimentos serão levados avante, as mais altas aspirações realizadas, as maiores ambições satisfeitas. E, todavia, surgirão novas elevações a galgar, novas maravilhas a admirar, novas verdades a compreender, novos assuntos a apelarem para as forças do corpo, espírito e alma. Todos os tesouros do Universo estarão abertos ao estudo dos filhos de Deus. Com indizível deleite unir-nos-emos na alegria e sabedoria dos seres não caídos. Participaremos dos tesouros adquiridos através dos séculos empregados na contemplação da obra de Deus. E enquanto os anos da eternidade se escoam, continuarão a trazer-nos mais gloriosas revelações. “Muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos” (Efés. 3:20) será, para todo o sempre, a concessão dos dons de Deus.

[…] Ali, mentes imortais contemplarão, com deleite que jamais se fatigará, as maravilhas do poder criador, os mistérios do amor que redime. Ali não haverá nenhum adversário cruel, enganador, para nos tentar ao esquecimento de Deus. Todas as faculdades se desenvolverão, ampliar-se-ão todas as capacidades. A aquisição de conhecimentos não cansará o espírito nem esgotará as energias. Ali os mais grandiosos empreendimentos poderão ser levados avante, alcançadas as mais elevadas aspirações, as mais altas ambições realizadas; e surgirão ainda novas alturas a atingir, novas maravilhas a admirar, novas verdades a compreender, novos objetivos a aguçar as faculdades do espírito, da alma e do corpo.

Todos os tesouros do Universo estarão abertos ao estudo dos remidos de Deus. Livres da mortalidade, alçarão voo incansável para os mundos distantes – mundos que fremiram de tristeza ante o espetáculo da desgraça humana, e ressoaram com cânticos de alegria ao ouvir as novas de uma alma resgatada. Com indizível deleite os filhos da Terra entram de posse da alegria e sabedoria dos seres não-caídos. Participam dos tesouros do saber e entendimento adquiridos durante séculos e séculos, na contemplação da obra de Deus. Com visão desanuviada olham para a glória da criação, achando-se sóis, estrelas e sistemas planetários, todos na sua indicada ordem, a circular em redor do trono da Divindade. Em todas as coisas, desde a mínima até à maior, está escrito o nome do Criador, e em todas se manifestam as riquezas de Seu poder.

E ao transcorrerem os anos da eternidade, trarão mais e mais abundantes e gloriosas revelações de Deus e de Cristo. Assim como o conhecimento é progressivo, também o amor, a reverência e a felicidade aumentarão. Quanto mais aprendem os homens acerca de Deus, mais Lhe admiram o caráter.

Fontes: Ellen White. Perto do Céu, Meditações Diárias. CPB  (e também Educação, p. 301-304, e O Grande Conflito, p. 677 e 678).
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A Estrela de Belém e Ellen White

Existem boas fontes extrabíblicas que confirmem os eventos relacionados com os magos e a estrela de Belém? Respondendo a uma pergunta sobre este assunto, Steve, do blogue Triablogue, informa que há um bom número de monografias inteiras dedicadas ao assunto. Ele indica a seguinte lista:

Mark Kidger, The Star of Bethlehem (A Estrela de Belém):

http://books.google.com/books?id=_ISv1gPQJV4C&source=gbs_navlinks_s

Michael Molnar, The Star of Bethlehem (A Estrela de Belém):

http://books.google.com/books/about/The_Star_of_Bethlehem.html?id=GXUTibYxdDcC

Ernest Martin, The Star That Astonished the World (A Estrela que Surpreendeu o Mundo):

http://www.askelm.com/star/index.asp

Alguns capítulos de livros que discutem a questão:

Edwin Yamauchi, Persia and the Bible (A Pérsia e a Bíblia), chap. 13.

Paul Maier, In the Fullness of Time (Na Plenitudes do Tempo), chap. 7.

http://books.google.com/books/about/In_the_Fullness_of_Time.html?id=Hnb67CuoHugC

D. C. Allison, Studies in Matthew: Interpretation Past and Present (Estudos em Mateus: Interpretação, Passado e Presente), 17-41.

http://books.google.com/books/about/Studies_in_Matthew.html?id=UokRAQAAIAAJ

Edwin Yamauchi, “The Episode of the Magi” (“O Episódio dos Magos”):

http://books.google.com/books/about/Chronos_Kairos_Christos.html?id=UCBBY_O88uYC

Material on line sobre astronomia/astrologia antiga:

http://www.sacred-texts.com/astro/argr/index.htm

http://www.smoe.org/arcana/astrol1.html

E esta análise:

http://bylogos.blogspot.com/2010/12/star-of-bethlehem.html

Isso não significa, no entanto, que exista alguma fonte específica extrabíblica que se refira à visita dos magos. Steve afirma que esta não seria uma expectativa razoável a princípio, mas informa que há material de pano de fundo geral consistente com o registro de Mateus, assim como tentativas detalhadas de alguns estudiosos de relacionar a estrela de Belém com notícias astronômicas antigas.

O interessante é que, segundo Steve, os leitores antigos não necessariamente igualavam estrelas a objetos naturais. Algumas vezes eles viam as estrelas como objetos sobrenaturais. Ele diz o seguinte:

Há o perigo de que um leitor moderno projete sua preconcepção astronômica de volta para o texto antigo. Mas isso não é necessariamente a forma como os leitores originais iriam entender o texto.
Por exemplo, na literatura judaica antiga, as estrelas são muitas vezes associadas com os anjos. Assim, um leitor de Mateus do primeiro século poderia  interpretar a “estrela” como um anjo guia luminoso. Nesse caso, seria um fenômeno local. Não observável de maneira geral, e não algo que você poderia correlacionar com as estrelas reais ou conjunções estelares. O comportamento da estrela de Belém é errático, e um leitor antigo certamente teria notado isso. Astrônomos antigos estavam cientes do fato de que as estrelas se comportavam em padrões cíclicos, regulares, como uma lei. Mesmo o  movimento retrógrado era regular. Foi essa previsibilidade que tornou possível os antigos mapas de estrelas, bem como algumas previsões astronômicas. Assim, dado o comportamento irregular, anômalo (mesmo para os padrões antigos) da estrela de Belém, minha suspeita é de que os leitores antigos a teriam tomado como um fenômeno sobrenatural e, provavelmente, um agente pessoal.

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Depois de ler a conclusão acima, deixei um comentário em que eu afirmava acreditar na seguinte informação:

“…Não era uma estrela fixa, nem um planeta, e o fenômeno despertou o mais vivo interesse. Aquela estrela era um longínquo grupo de anjos resplandecentes, mas isso os sábios ignoravam. Tiveram, todavia, a impressão de que aquela estrela tinha para eles significado especial.”

Como a citação é da  escritora adventista Ellen White, um comentarista frequente no blog respondeu, em tom respeitoso, que os escritos de Ellen White são plágios e que ela reivindicava ter recebido muito das coisas que escreveu como revelação direta de Deus, mesmo sendo possível documentar que ela copiou grandes porções de outros escritores.

Obviamente, isso introduzia outra discussão. Em tom não menos respeitoso, respondi ao comentário. Infelizmente, mesmo depois de três ou quatro tentativas com diferentes configurações (número reduzido de caracteres, publicação em outra caixa de resposta no mesmo post…), a resposta, em linhas gerais como segue, não foi publicada pelo blogue.

A observação inicial que fiz é que o comentário parece se apoiar em algumas premissas ocultas em relação ao assunto da natureza da inspiração.

Primeiro, não há nenhum critério de inspiração bíblica que estabeleça que uma verdade revelada não possa ser encontrada também naquilo que foi registrado (a mesma verdade) em outras fontes. Segundo, não conheço nenhuma critério relativo a inspiração em que um profeta ou um escritor bíblico, dado o contexto de seu tempo, deva ser rejeitado por não fornecer cada uma das fontes que ele ou ela pode ter usado direta ou indiretamente para comunicar sua mensagem. Não se vê esse padrão nos escritos de Lucas (Atos 1), Paulo (I Coríntios 15), por exemplo, e, tanto quanto eu saiba, em nenhum outro “autor” da Bíblia.

Dito isto, o comentário fica reduzido, então, a uma espécie de “ad hominem” (um ataque ao caráter de uma pessoa).

Assim, quanto à acusação de “plágio”, eu encorajo todos a estudar o assunto, a começar por um exame honesto do significado de “plagiar” em um contexto de tempo adequado. Por exemplo, foram os escritores dos evangelhos plagiadores? Segue uma citação da página oficial do WhiteState:

Um paralelo esclarecedor é encontrado na relação entre os evangelhos. Mais de 90% do evangelho de Marcos tem paralelismo com passagens de Mateus e Lucas. Mesmo assim, estudiosos contemporâneos de crítica bíblica têm chegado à conclusão de que embora Mateus, Marcos e Lucas tenham usado materiais em comum, cada um pode com justiça ser considerado um autor distinto dos outros. Numa certa época, na infância da crítica textual, os expoentes da alta crítica  achavam que os escritores dos evangelhos não passavam de meros plagiadores que copiavam e colavam uns dos outros. Agora os estudiosos da crítica textual percebem que o estudo literário não está completo até que eles ultrapassem a mera catalogação de passagens paralelas e passem para a questão mais significativa de como o material emprestado foi utilizado por cada autor para fazer seu próprio relato singular.

Teria Ellen White atribuído a visões de Deus conhecimentos que ela simplesmente aprendeu e copiou de outros? Além de ser algo praticamente impossível de provar (e devemos ter em mente a singularidade de alguns aspectos da escatologia e da teologia adventista), a forma honesta como ela se refere ao uso natural de fontes literárias, entre outras claras evidências, não combina com a acusação. Na introdução de um de seus livros mais populares, ela escreveu:

Em alguns casos em que algum historiador agrupou os fatos de tal modo a proporcionar, em breve, uma visão compreensiva do assunto, ou resumiu convenientemente os pormenores, suas palavras foram citadas textualmente; nalguns outros casos, porém, não se nomeou o autor, visto como as transcrições não são feitas com o propósito de citar aquele escritor como autoridade, mas porque sua declaração provê uma apresentação do assunto, pronta e positiva. Narrando a experiência e perspectivas dos que levam avante a obra da Reforma em nosso próprio tempo, fez-se uso semelhante de suas obras publicadas.

Apontando para o contexto de sua época, a virada do século XIX para o século XX, indiquei mais uma citação do WhiteState:

[…] Vincent L. Ramik [não adventista do sétimo dia], especialista em marcas, patentes e casos de direitos autorais. Depois de pesquisar cerca de 1.000 casos de direitos autorais na história legal americana, Ramik emitiu um parecer legal de 27 páginas em que ele concluiu que “Ellen White não era plagiária, e suas obras não constituem violação de direitos autorais/pirataria …”

A acusação pessoal, portanto, é desprovida de embasamento, além de revelar uma possível má compreensão do assunto da inspiração e do princípio “sola scriptura”. Sobre isso (“sola scriptura”), vale a pena relembrar aqui o pensamento esclarecedor do pioneiro adventista Urias Smith:

O princípio protestante de “A Bíblia, e a Bíblia somente” é em si mesmo bom e verdadeiro; e estamos fundamentados nele tão firmemente quanto podemos; mas quando ele é reiterado em conexão com denúncias abertas das visões, tem uma aparência enganosa para o mal. Assim usado, ele contém uma insinuação dissimulada, eficientemente calculada para torcer a opinião dos incautos, fazendo-os acreditar que crer nas visões é abandonar a Bíblia, e que apegar-se à Bíblia é descartar as visões. … Quando afirmamos estar fundamentados na Bíblia e na Bíblia somente, nos comprometemos a receber, inequívoca e plenamente, tudo o que a Bíblia ensina.

Por fim, expressei,  no comentário não publicado, minha confiança de que os leitores cristãos desse e de outros comentários sobre Ellen White seriam “bereanos” em relação tanto às acusações que lhe são feitas quanto ao assunto geral da inspiração. Particularmente, não encontro nenhum apoio na evidência textual para a alegação de que os escritores dos evangelhos tenham sido homens desonestos. Muito pelo contrário. Da mesma forma, acredito que as acusações infundadas “papagueadas” contra Ellen White são dissipadas da mente de estudiosos sinceros quando estes realmente leem as obras que ela escreveu (evidência textual), descobrem a real cristã que ela foi, avaliam e percebem os bons frutos (efeitos) de seus escritos em sua própria experiência cristã:

Aquele que deseja conhecer a verdade não tem nada a temer quanto à investigação da Palavra de Deus. No entanto desde o início da investigação, o pesquisador deve lançar fora todo o preconceito, deixar de lado toda opinião preconcebida e estar atento para ouvir a voz de Deus por meio de Seus mensageiros. Opiniões cultivadas, costumes e hábitos há muito tempo praticados devem ser submetidos ao teste das Escrituras; e se a Palavra de Deus se opuser às suas visões, para o seu próprio bem, não distorça as Escrituras, como muitos fazem para a própria perdição a fim de fazer parecer que a Palavra de Deus apoia seus erros. Que sua indagação seja: O que é a verdade? E não: o que até agora creio ser a verdade? […] Todas as profissões de fé, todas as doutrinas e credos, por mais sagrados que tenham sido considerados, devem ser rejeitados se estiverem em contradição com as claras instruções da Palavra de Deus. (Review and Herald, 25.03.1902)

Muitas das questões levantadas repetidamente sobre o assunto são respondidas neste documento do Centro White, que recomendo aos pesquisadores: leia aqui.

Fontes:
Triablogue
Centro White
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O ABC da Salvação: Explicando Como Fomos/Somos Salvos

“Onde encontro as passagens da Bíblia que mostram que Jesus morreu em lugar dos pecadores?” Feita por quem aparentemente pouco conhecia sobre a mensagem do evangelho, uma pergunta assim tão oportuna para apresentar o “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” me fez recordar estas palavras:

Muitas pessoas há que querem saber o que fazer para serem salvas. Querem uma explicação simples e clara dos passos indispensáveis para a conversão e nenhum sermão deve ser feito sem que nele se contenha uma porção especialmente destinada a esclarecer o caminho pelo qual os pecadores podem atingir a Cristo para se salvarem.

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Os pastores devem apresentar a verdade de maneira clara e singela. Há, entre seus ouvintes, muitos que precisam de uma positiva explanação dos passos exigidos na conversão. As grandes massas do povo são mais ignorantes a esse respeito do que se supõe. Entre os formados das escolas superiores, os eloquentes oradores, hábeis estadistas e homens em elevadas posições de confiança, muitos há que dedicaram suas faculdades a outros assuntos, e negligenciaram as coisas de maior importância. Quando homens tais fazem parte de uma congregação, o orador muitas vezes põe em jogo todas as suas faculdades para produzir um discurso intelectual, e deixa de revelar a Cristo. Não mostra que o pecado é a transgressão da lei. Não torna patente o plano da salvação. Aquilo que teria tocado o coração dos ouvintes, seria apontar-lhes Cristo morrendo para pôr a redenção ao seu alcance. (Ellen White)

O trecho que segue, extraído do livro “O Sacerdócio Expiatório de Jesus Cristo”, de Frank. B. Holbrook,  cita algumas das passagens requeridas na pergunta, além de apresentar uma explicação breve e simples do processo da salvação, com base na “parábola do santuário” – os rituais estabelecidos por Deus para o santuário israelita. Antes, porém, um esclarecimento sobre as palavras “tipo” e “antitípico”: “tipo” é aquilo que é usado como prefiguração (ex.: no santuário, o sacrifício do cordeiro era um “tipo” que apontava para o futuro sacrifício de Cristo); “antitípico” é aquilo que consuma ou cumpre o simbolismo do “tipo”, tornando realidade aquilo para o qual o “tipo” apontava.

Os escritores bíblicos são enfáticos:

“NEle [en] não existe pecado” (I João 3:5).”

Aquele que não conheceu [ginosko] pecado” (II Cor. 5:21).”

[Ele] não cometeu pecado” (I Pedro 2:22). E o próprio Cristo desafiou Seus críticos: “Quem dentre vós Me convence de pecado? (João 8:46).

É evidente que Cristo, o sacrifício antitípico, era tudo quanto o tipo exigia: era “sem defeito”, ou seja, sem pecado. Alguns argumentam que Cristo veio à Terra com inclinação egocêntrica e egoísta exatamente como nós, com a diferença de ter resistido a seus apelos. Acontece que não existe nas Escrituras a menor sugestão de que a vontade de Cristo tivesse propensão natural para ser ou agir independentemente do Pai. A parábola do santuário ajuda-nos a corrigir esta teologia aberrante quando enfatiza as qualidades impolutas do prometido Redentor. Somente um Salvador sem pecado poderia efetuar morte expiatória capaz de prover salvação para o mundo.

Matar um animal com as próprias mãos causava profunda impressão no ofertante. O animal era inocente; jazia passivamente diante dele. Quando cortava a garganta da vítima, o ofertante sabia que em realidade era seu pecado que estava provocando a morte daquela criatura inocente. “E porá a mão sobre a cabeça da oferta pelo pecado e a imolará” (Lev. 4:29). Nessa representação diante do altar, o israelita penitente reconhecia também o juízo divino sobre o pecado. Em cada vítima sacrifical moribunda, e na própria morte de nosso Senhor, vemos demonstrado o juízo de Deus sobre o pecado: a morte. “O salário do pecado é a morte” (Rom. 6:23). “A alma que pecar, essa morrerá” (Eze. 18:4). Um Deus santo não pode considerar a transgressão levianamente, pois o pecado é uma rebelião firmemente arraigada contra tudo que é bom, nobre e verdadeiro dentro da própria natureza da Divindade. Santidade e pecaminosidade não podem coexistir. Para reinar harmonia moral no Universo, é preciso erradicar o pecado. O princípio do egoísmo é incompatível com o princípio do amor altruísta. Por conseguinte, o juízo divino sobre os que permanecem impenitentes e obstinados numa atitude de rebelião é a morte eterna e eterna separação (cf. Apoc. 20:14 e 15; 21:8).

Salvação pela substituição: já toquei neste ponto quando falei sobre a transferência de responsabilidade. É preciso, porém, dizer algo mais. Vamos citar novamente a passagem fundamental do Antigo Testamento sobre o significado dos sacrifícios cruentos: “Porque a vida da carne está no sangue. Eu vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pela vossa alma, porquanto é o sangue que fará expiação em virtude da vida. [ … ] Porque a vida de toda carne é o seu sangue” (Lev. 17:11-14). O sangue do animal transportava e simbolizava sua vida. Por isso, seu sangue derramado sacrificialmente significava sua vida sacrificada, ou seja, sua vida oferecida em favor daquele que oferecia o sacrifício. “O texto, portanto, de acordo com sua clara e óbvia significação, ensina a natureza vicária do rito do sacrifício. Vida é oferecida por vida, a vida da vítima pela vida do ofertante.” Quando o pecador arrependido punha a mão sobre a cabeça da vítima que levara e confessava seus pecados, o animal (em figura) tornava-se seu portador de pecados. Pela morte subseqüente, pagava o castigo do pecado merecido pelo ofertante. É claro, pois, que a morte do animal portador de pecados substituía a morte legítima do ofertante. Através da “janela” da parábola do santuário, percebemos que a morte sacrifical de Jesus Cristo é uma morte substitutiva. Ele seria o portador de pecados da humanidade. Sofreria o castigo dos nossos pecados, expiando-os e reparando-os por Sua morte. Disso testificam tanto os tipos como as Escrituras. Eis algumas passagens importantes que confirmam esta verdade:

1. “Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos [hyper] nossos pecados, segundo as Escrituras” (I Cor. 15:3).

2. “Carregando [anaphero] ele mesmo [Cristo] em Seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados” (I Ped. 2:24).

3. “Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, ajusto pelos [hyper] injustos (I Ped.3:18).

4. “[Cristo] Se manifestou uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de Si mesmo, o pecado.

[ … ] Assim também Cristo, tendo-Se oferecido uma vez para sempre para tirar [anaphero, literalmente “carregar”] os pecados de muitos, aparecerá segunda vez” (Heb. 9:26-28).

5. “Aquele [Cristo] que não conheceu pecado, Ele [Deus] O fez pecado por [hyper] nós; para que, nEle, fôssemos feitos justiça de Deus” (lI Cor. 5 :21).

Não devemos interpretar mal a linguagem sacrifical dessas passagens. Assim como o sacrifício era “sem defeito”, assim também Cristo era pessoalmente sem pecado sem mancha nem culpa. E assim como o pecado e a culpa do penitente eram transferidos figuradamente para o sacrifício, assim também o pecado e a culpa da humanidade foram imputados a Cristo. Foi desse modo que Cristo carregou nosso pecado e nossa culpa, morrendo como nosso grande portador de pecados e substituto, embora Ele próprio fosse, tanto na vida como na morte, imaculado e irrepreensível.

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Explicações Naturais Dispensam o Sobrenatural?

 

Imagine a cena (século XIX): quatro pessoas estão numa charrete puxada por um cavalo jovem ainda não totalmente domesticado. O cavalo tem a fama de ser rebelde e pouco antes dessa viagem havia causado um grave acidente. Isso exige atenção redobrada do condutor, que mantém a rédea curta. Os viajantes, entre eles uma senhora, esposa do condutor, são cristãos e conversam sobre algum tema bíblico. De repente, a senhora exclama: “Glória!”. O cavalo para imediatamente e fica imóvel. A senhora se levanta e, olhando para cima, desce os degraus da carruagem. Ela tem uma visão das realidades do céu. Enquanto desce, apoia a mão firmemente no lombo do cavalo, que, surpreendentemente, permanece imóvel. Em condições normais, ele teria dado coices furiosos no momento em que alguém lhe tocasse. A senhora, ainda com olhos voltados para o alto, sobe um barranco à margem da estrada e de lá passa a descrever as belezas da Nova Terra.

O condutor da charrete crê que tanto a visão quanto o controle do potro são uma intervenção de Deus. Para mostrar isso aos outros dois companheiros de viagem, ele decide testar o cavalo. Primeiro, toca nele de leve com o chicote, mas  o  animal não se move – em outras situações, um coice seria a resposta. Depois açoita-o com força. Nenhuma reação. Outro açoite é aplicado, com força ainda maior. O cavalo permanece insensível e imóvel.
 

Com os olhos ainda voltados para cima e sem prestar atenção onde pisa, a senhora desce tranquilamente o barranco, apoia novamente a mão sobre o lombo do cavalo e sobe os degraus da carruagem. No momento em que se senta, a visão termina e o cavalo continua calmamente seu caminho, sem que o condutor dê nenhum comando para o reinício da viagem.*

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Tanto cristãos quanto não cristãos propõem explicações para o sobrenatural. Recentemente li este texto de J. Warner Wallace, diretor do PleaseConvinceMe (PorFavorMeConvença):

Recebo muitos e-mails de céticos. Grande parte destes e-mails está relacionada com milagres. As pessoas querem saber por que os cristãos são tão prontos em atribuir um evento (ou uma cura) à intervenção milagrosa de um Deus sobrenatural, principalmente quando parece que uma força natural pode ser oferecida como uma explicação. Afinal, Moisés relatou que “um forte vento oriental” soprou toda a noite antes da divisão do Mar Vermelho (Êxodo 14:21). Talvez esta ocorrência natural tenha sido simplesmente  interpretada como um milagre depois do fato. De forma semelhante, Thallus (historiador romano do primeiro século) atribuiu a escuridão na crucificação a “um eclipse do sol”, outra ocorrência razoável natural que pode ter sido mal interpretada como um milagre por aqueles que estavam inclinados em direção ao sobrenatural.
 
Os cristãos modernos também fazem afirmações sobre a intervenção sobrenatural de Deus e para muitos céticos estas reivindicações parecem injustificadas. Quando alguém afirma que Deus o curou de câncer, por exemplo, mas admite que foi submetido a um ano de quimioterapia e radiação, é difícil para os não-crentes atribuir a cura a Deus. Parece bem provável que a interação “natural” do tratamento foi o responsável. Quando os céticos encontram evidências de que as forças ou leis “naturais” estão em ação, eles rapidamente descartam qualquer alegação de atividade sobrenatural. Mas o envolvimento de forças “naturais” não impede a atividade de um Deus “sobrenatural”.
 

Deus pode usar as “Leis da Natureza”?

Minha cadela, Baily (não a da foto – imagem importada do MeuPetWeb), ocasionalmente implora por um de seus brinquedos. Quando um desses itens cobiçados se encontra na mesa da sala de jantar, ela fica muito frustrada. A estatura típica da raça Corgi proíbe Baily de fazer o salto necessário para a mesa. O choramingar incessante dela geralmente faz com que um de nós venha até a mesa e bata no brinquedo para que ele caia no chão e seja apanhado por ela. Sem a nossa intervenção como um agente livre, a força natural da gravidade jamais seria capaz de entregar o brinquedo à Bailey. Estritamente falando, pode-se dizer que a força da gravidade providenciou o brinquedo. Mas nós sabemos que a nossa intervenção pessoal foi necessária, mesmo que esta intervenção tenha utilizado a força da gravidade como meio para um determinado fim.
 
Deus certamente trabalha da mesma maneira. Deus sempre envolve o ambiente que ele criou de uma forma que emprega as leis físicas que refletem sua natureza. Com o passar do tempo, nós observamos e identificamos essas características divinas e lhes demos um título: “As Leis da Natureza”. Mas as leis que descrevem a interação entre os objetos materiais não excluem a existência ou intervenção de um agente livre que intercede para “lançar algo da mesa.” O livre-arbítrio de Deus envolve ativamente as leis que refletem sua natureza ordenada, unificada e consistente.
Um Deus “Supernatural” no mundo “Natural”
Mas como podemos, como observadores cristãos racionais​​, dizer a diferença entre uma série de ocorrências “desgovernadas”, “naturais” e uma série de eventos que foram guiados pela mão de Deus? Como podemos diferenciar entre um evento puramente “natural” e um milagre “divino” único? Bem, acho que devemos começar por reconhecer que todos os processos “naturais”, físicos no universo são sustentados por Deus (Hebreus 1:3, João 5:17). A física do universo é simplesmente um reflexo da participação ativa de Deus em sua criação.
 
É fácil separar o “divino” do “natural” e pensar o mundo em categorias e caixas. Contudo, esta não é a forma como as Escrituras cristãs descrevem a criação de Deus. Quando deixamos de ver as forças da natureza como a mão de Deus, acabamos justificando toda interação divina como uma forma de coincidência “natural”. Se fizermos isso por muito tempo, acabaremos por deixar de reconhecer aquelas situações em que o arbítrio de Deus é evidente; aqueles momentos em que Deus claramente teve de agir dramaticamente para “lançar algo da mesa.”

O relato que introduz este post pode até não servir de ilustração para o caso de milagres com a suposta “aparência” natural – o fato é por demais extraordinário -, mas Ellen White, a senhora que vivenciou aquela e várias outras experiências similares, escreveu bastante sobre saúde em geral, curas e o modo como Deus ordena e interage com suas próprias leis. Há muitas citações interessantes relacionadas com o assunto. E deixo aqui algumas, tiradas do seu excelente livro “A Ciência do Bom Viver”. A última citação serve de resposta antecipada a questão que muitos gostam de levantar contra os que creem: “Afinal, em caso de doença, devemos orar ou usar a devida medicação/solução?” (apenas mais um  óbvio “falso dilema”: o cristão não tem de escolher entre um e outro).

Deus está continuamente ocupado em manter e empregar como servos as coisas que criou. Opera por meio das leis da Natureza, delas Se servindo como instrumentos Seus. Elas não agem por si mesmas. A Natureza, em sua obra, testifica da presença inteligente e da atividade de um Ser que opera em tudo segundo a Sua vontade.        

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Não é por um poder a ela inerente que ano após ano a terra produz suas fartas colheitas, e continua sua marcha ao redor do Sol. A mão do Infinito está em perpétua operação, guiando este planeta. É o poder de Deus em contínuo exercício que mantém a Terra em equilíbrio em sua rotação. É Deus que faz o Sol se erguer nos céus. Abre as janelas do céu e dá a chuva.

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O mecanismo do corpo humano não pode ser plenamente compreendido; apresenta mistérios que desconcertam o mais inteligente. Não é em resultado de um mecanismo que, uma vez posto a funcionar, continua sua obra, que o pulso bate, e respiração se segue a respiração. Em Deus vivemos e nos movemos, e existimos. O coração palpitante, o pulso em seu ritmo, cada nervo e músculo do organismo vivo é mantido em ordem e atividade pelo poder de um Deus sempre presente. 

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A Bíblia nos mostra Deus em Seu alto e santo lugar, não em um estado de inatividade, não em silêncio e solidão, mas circundado por miríades de miríades e milhares de milhares de seres santos, todos esperando por fazer a Sua vontade. Por meio desses mensageiros, Ele está em ativa comunicação com todas as partes de Seus domínios. Por Seu Espírito está presente em toda parte. Por meio de Seu Espírito e dos anjos, ministra aos filhos dos homens. Acima das perturbações da Terra, está Ele sentado em Seu trono; tudo está patente ao Seu exame; e de Sua grande e serena eternidade, ordena aquilo que melhor parece a Sua providência. 

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A mão-de-obra de Deus em a Natureza não é o próprio Deus em a Natureza. As coisas da Natureza são uma expressão do caráter e do poder de Deus; não devemos, porém, considerá-la como Deus. […]Assim, ao passo que a Natureza é uma expressão do pensamento de Deus, não é a Natureza, mas o Deus da Natureza que deve ser exaltado.

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Temos a sanção da Palavra de Deus quanto ao uso de remédios…
Os que buscam a cura pela oração não devem negligenciar o emprego de remédios ao seu alcance. Não é uma negação da fé usar os remédios que Deus proveu para aliviar a dor e ajudar a natureza em sua obra de restauração. Não é nenhuma negação da fé cooperar com Deus, e colocar-se nas condições mais favoráveis para o restabelecimento. Deus pôs em nosso poder o obter conhecimento das leis da vida. Este conhecimento foi colocado ao nosso alcance para ser empregado. Devemos usar todo recurso para restauração da saúde, aproveitando-nos de todas as vantagens possíveis, agindo em harmonia com as leis naturais. Tendo orado pelo restabelecimento do doente, podemos trabalhar com muito maior energia ainda, agradecendo a Deus o termos o privilégio de cooperar com Ele, e pedindo-Lhe a bênção sobre os meios por Ele próprio fornecidos. 
* Adaptação do relato do capitão José Bates, relato preservado em The Great Second Advent Movement, de John Loughborough e citado em Histórias de Minha Avó (Stories of my Grandmother, de Ella M. Robinson). Os adventistas do sétimo dia creem no ensino bíblico dos dons espirituais (I Coríntios 12) e reconhecem no ministério de Ellen White a manifestação do dom de profecia.
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Livro do Mês: Projeto Sunlight, de June Strong

 

“Jader, cidadão do Universo, membro dos Escrivães Celestiais, decidiu acompanhar e descrever a vida de um ser humano e suas reações ao meio ambiente maculado pelo pecado. Quem seria escolhido? Jader optou pela pessoa que virasse a esquina de uma determinada rua em determinada cidade, as 18h de uma tarde de outono.
A escolha recai sobre uma jovem divorciada, cheia de mágoas e rancores com o que a vida lhe deu. Tudo pronto para uma história inesquecível.”

O Livro do Mês é o clássico Projeto Sunlight, de June Strong (Edição Internacional  mais de 500.000 exemplares vendidos). Ainda não leu? Dê RT nos tuítes com o link da promoção http://kingo.to/1aXa siga @Ler_pra_crer  no Twitter   e participe do sorteio de um exemplar no dia 10 de setembro.

Projeto Sunlight mostra que Deus nos ama e espera que nos volvamos para Ele. É um livro que você jamais esquecerá (veja os comentários no site da editora). Um história que poderá mudar sua vida.  Boa leitura!

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A Importância da Higiene

Para termos boa saúde, é necessário que tenhamos bom sangue; pois este é a corrente da vida. Ele repara os desgastes e nutre o corpo. Quando provido dos devidos elementos de alimentação e purificado e vitalizado pelo contato com o ar puro, leva a cada parte do organismo vida e vigor. Quanto mais perfeita a circulação, tanto melhor se realizará esse trabalho. — A Ciência do Bom Viver, 271.

A aplicação externa da água é um dos mais fáceis e mais satisfatórios meios de regular a circulação do sangue. Um banho frio ou fresco é excelente tônico. O banho quente abre os poros, auxiliando assim na eliminação das impurezas. Tanto os banhos quentes como os neutros acalmam os nervos e equilibram a circulação. […]

O exercício aviva e equilibra a circulação do sangue, mas na ociosidade o sangue não circula livremente, e não ocorrem as mudanças que nele se operam, e são tão necessárias à vida e à saúde. Também a pele se torna inativa. As impurezas não são eliminadas, como seriam se a circulação houvesse sido estimulada por vigoroso exercício, a pele conservada em condições saudáveis, e os pulmões alimentados com abundância de ar puro, renovado. […]

Deve-se conceder aos pulmões a maior liberdade possível. Sua capacidade se desenvolve pela liberdade de ação; diminui, se eles são constrangidos e comprimidos. Daí os maus efeitos do hábito tão comum, especialmente em trabalhos sedentários, de ficar todo dobrado sobre a tarefa em mão. Nessa postura é impossível respirar profundamente. A respiração superficial torna-se em breve um hábito, e os pulmões perdem a capacidade de expansão. […]

Assim é recebida uma deficiente provisão de oxigênio. O sangue move-se lentamente. Os resíduos, matéria venenosa que devia ser expelida nas exalações dos pulmões, são retidos, e o sangue se torna impuro. Não somente os pulmões, mas o estômago, o fígado e o cérebro são afetados. A pele torna-se pálida, é retardada a digestão; o coração fica deprimido; o cérebro nublado; confusos os pensamentos; baixam sombras sobre o espírito; todo o organismo se torna deprimido e inativo, e especialmente suscetível à doença.

Os pulmões estão de contínuo expelindo impurezas, e necessitam ser constantemente abastecidos de ar puro. O ar contaminado não proporciona a necessária provisão de oxigênio, e o sangue passa ao cérebro e aos outros órgãos sem o elemento vitalizador. Daí a necessidade de perfeita ventilação. Viver em aposentos fechados, mal arejados, onde o ar é sem vida e viciado, enfraquece todo o organismo. Este se torna particularmente sensível à influência do frio, e uma leve exposição leva à doença. É o viver muito fechadas, dentro de casa, que faz muitas mulheres pálidas e fracas. Respiram o mesmo ar repetidamente, até que ele se carrega de venenosos elementos expelidos pelos pulmões e os poros; e assim as impurezas são novamente levadas ao sangue. — A Ciência do Bom Viver, 237, 238, 272-274.

Muitos estão sofrendo enfermidades por recusarem receber em seus quartos o puro ar noturno. O ar livre e puro do céu é uma das mais ricas bênçãos das quais podemos desfrutar. — Testimonies for the Church 2:528.

O escrupuloso asseio é indispensável tanto à saúde física como à mental. Impurezas são constantemente expelidas do corpo por meio da pele. Seus milhões de poros logo ficam obstruídos, a menos que se mantenham limpos mediante banhos freqüentes, e as impurezas que deviam sair pela pele se tornam mais uma sobrecarga aos outros órgãos eliminadores.

Muitas pessoas tirariam proveito de um banho frio ou tépido cada dia, pela manhã ou à noite. Em vez de tornar mais sujeito a resfriados, um banho devidamente tomado fortalece contra os mesmos, porque melhora a circulação; o sangue é levado à superfície, conseguindo-se que ele aflua mais fácil e regularmente às várias partes do organismo. A mente e o corpo são igualmente revigorados. Os músculos tornam-se mais flexíveis, mais vivo o intelecto. O banho é um calmante dos nervos. Ajuda os intestinos, o estômago e o fígado, dando saúde e energia a cada um, o que promove a digestão.

Também é importante que a roupa esteja sempre limpa. O vestuário usado absorve os resíduos expelidos pelos poros; não sendo freqüentemente mudado e lavado, serão as impurezas reabsorvidas.

Toda forma de desasseio tende à enfermidade. Microrganismos produtores de morte pululam nos recantos escuros e negligenciados, em apodrecidos detritos, na umidade, no mofo e bolor. Nada de verduras deterioradas ou montes de folhas secas se deve permitir que permaneça próximo de casa, poluindo e envenenando o ar. Coisa alguma suja ou estragada se deve tolerar dentro de casa. […]

Perfeito asseio, quantidade de sol, cuidadosa atenção às condições higiênicas em todos os detalhes da vida doméstica são essenciais à prevenção das doenças e ao contentamento e vigor dos habitantes do lar. — A Ciência do Bom Viver, 276.

Ensinai aos pequeninos que Deus não Se agrada de vê-los com corpo sujo e roupas desabotoadas e rasgadas. […] Andar com roupas elegantes e limpas será um dos meios de conservar puros e dóceis os pensamentos. […] Especialmente devem ser conservados limpos todos os artigos que entram em contato com a pele.

A verdade nunca põe seu delicado pé no caminho da imundícia ou da impureza. […] Aquele que minuciosamente exigiu dos filhos de Israel que nutrissem hábitos de limpeza não aprovará hoje qualquer impureza no lar de Seu povo. Deus olha com desagrado a qualquer espécie de impurezas. — Minha Consagração Hoje, 129.

Cantos sujos e negligenciados na casa tenderão a formar recantos impuros e negligenciados na alma. — Orientação da Criança, 114.

O Céu é puro e santo, e os que entrarem pelos portões da Cidade de Deus devem estar vestidos de pureza interior e exterior. — Conselhos Sobre Saúde, 103.

Ellen G. White, Conselhos para a Igreja, Capítulo 39.
Fonte: Sétimo Dia
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Livro do Mês: O Livro Amargo, de Denis Cruz

O Livro do Mês é O Livro Amargo, de Denis Cruz. Para participar do sorteio de um exemplar, basta seguir @Ler_pra_crer no Twitter e retuitar um ou mais tuítes com o link da promoção: http://kingo.to/186N. O sorteio será realizado dia 3 de julho (perfis fakes ou com características  excessivamente promocionais serão desconsiderados no sorteio).

Se o livro é uma novidade para você, reproduzo, a título de “apresentação”, o que a Fabiana Bertotti escreveu sobre ele no seu Cantinho:

Pense num livro bom! É este. Confesso que comecei a ler por pura simpatia ao escritor, mas ele logo me saiu da cabeça ao me comover com as histórias e dramas de Jerryl e Allice. Fala do passado sim, mas fala do presente sentimento de esperança que todos temos: esperança de amor, felicidade, fé plena de um momento grandioso que está prestes a acontecer. Se passa no século 19, e deste tempo traz o romantismo, os duelos e uma grande expectativa. Tem romance, tem conflito, tem mistério. Eu fui do riso às lágrimas e recomendo a todos. Não é só informação, não é só diversão, não é só leitura. Antes de tudo, é um grande espelho da esperança humana. O único defeito, na minha opinião, é não ter o dobro do tamanho. Acabei querendo mais. E uma dica: leia de uma vez só.

Uma entrevista com o Denis Cruz pode ser lida no site Criacionismo.

Mais detalhes sobre a obra e seu autor? Visite o blogue: denis-cruz.blogspot.com.br

Boa leitura!