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Davi e Golias (por Benício Rios)

Feliz Dia das Crianças!

O dia é delas (crianças), mas a história é para todas as idades.

Para ler o relato na Bíblia, clique aqui: I Samuel 17

 

 

 

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O Amor Pode Esperar

 Foge, também, dos desejos da mocidade. 2 Timóteo 2:22, ARC

 

Imagino que muitos de meus leitores sejam jovens solteiros, para quem, numa cultura de indulgência, o sexo pré-marital seja uma das maiores tentações. Se você leva a sério seu compromisso com Cristo, gostaria de fazer duas considerações. Primeira: você deve decidir com antecedência seu tipo de namoro. Se você deixar para decidir quando as emoções estiverem fora de controle, você já terá perdido a batalha. Segunda: lembre-se ainda de que estudos indicam que o sexo pré-marital aumenta consideravelmente a chance do sexo extraconjugal tanto para você como para o futuro cônjuge.

 Quais são os argumentos em geral usados para a defesa do sexo leviano?

“Todo mundo está fazendo.” Isso não é verdade. Mas, ainda que fosse, esse é um argumento precário. Suponhamos que 90% das pessoas desenvolvam úlceras. Deveria a Associação Médica reescrever os textos de medicina ou tentar persuadir os outros 10% de que úlcera é algo bom para a saúde?

“Sexo pré-marital foi aceito em muitas culturas. Assim, valores morais dependem da cultura.” O argumento é tão fraco como o anterior. Joseph Daniel Unwin, erudito inglês, estudou 80 civilizações dos últimos quatro mil anos. Ele impressionou-se com fato de que as escolhas sempre foram: promiscuidade sexual e declínio, ou disciplina sexual e criatividade. Segundo ele, qualquer sociedade é livre para escolher uma das alternativas, mas não há liberdade quanto aos resultados. A promiscuidade da década de 1960 está hoje cobrando um enorme preço das pessoas, famílias e governos.

 – “Sexo é uma necessidade como ar, água e alimento.” Você não pode viver sem ar, água e alimento. Mas, creia, você pode viver sem sexo. Respirar, beber e alimentar-se, usualmente, não ferem outras pessoas. Por outro lado, o sexo pré-marital é capaz de magoar profundamente e destruir vidas.

“Repressão sexual prejudica o psiquismo.” O sociólogo Herbert J. Miles, PhD, estudioso da sexualidade humana, indica que não há qualquer evidência séria de que a abstinência do sexo pré-marital seja prejudicial à vida emocional normal ou que seja perigoso para o sucesso no casamento. A verdade é precisamente o oposto. O sexo praticado de modo contrário à orientação divina deixa marcas físicas, emocionais e espirituais. “Fugi da prostituição.” 1 Coríntios 6:18, ARC.

Os argumentos em defesa do sexo descomprometido entre jovens são vários e, sem dúvida, têm exercido considerável impacto. Essa lógica distorcida tem três fortes aliados: (1) inexperiência e curiosidade da juventude, (2) força da propaganda e (3) o poder da inclinação sexual. Além dos argumentos discutidos acima, analise ainda o engano de outras teorias que tentam validar o sexo pré-marital:

 – “Muitas autoridades recomendam.” Escolha qualquer curso de conduta que você queira seguir e você encontrará “autoridades” para endossar sua escolha. Cada autoridade tem predisposições pessoais. É importante que você determine “quem” disse isso e “por quê”.

 – “Se você não transigir, há outros que o farão.” Se um candidato a ser seu companheiro de vida se utilizasse desse tipo de conversa, estaria automaticamente desqualificado. Ao vê-lo partir, você não terá perdido nada.

 – “Precisa-se experimentar o casamento para ver se há compatibilidade.” Esse é o argumento “experimente antes de comprar”. A questão é realmente simples: Como você pode testar o casamento se você não tem casamento? Como você vai testar o casamento num relacionamento em que faltam os elementos básicos do matrimônio: compromisso, determinação para se resolver as dificuldades e vontade incondicional? Na realidade, o namoro é uma fase de experiência em que o teste deve começar pela observação séria do caráter, da convivência familiar, da responsabilidade com a vida, do trabalho, entre outras responsabilidades. Se você fizer do sexo o “teste” para o casamento, estará escolhendo a base errada para uma construção dessa magnitude.

 – “Um simples papel não fará diferença.” Essa é a conversa de quem não quer compromisso sério. De fato, o que importa não é o “papel”, mas o que ele representa: compromisso, lealdade e determinação. O que aconteceria a um aluno que fosse apenas “ouvinte” ou “visitante” em algumas aulas na universidade? Com que determinação ele enfrentaria os exames, leituras, trabalhos, estágios e exigências? Na primeira dificuldade, estaria fora. Não há nada mágico no papel, mas a confiança, o respeito mútuo, a dedicação sem limites e a comunicação verdadeira são possíveis apenas em um ambiente de envolvimento. A cerimônia do casamento e o compromisso social e legal que estão envolvidos desenvolvem a disposição para um relacionamento exclusivo e duradouro.

 Lembre-se: o amor pode esperar, mas a concupiscência é impaciente.

Fonte: Amin A. Rodor (Encontros com Deus. Meditações Diárias, 2014)

 

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Por que as Crianças não Prestam Atenção?

 

videogames Why Dont Kids Pay Attention?

Pesquisadores informam que há uma correlação entre a quantidade de tempo que as crianças gastam em frente aos video games e à televisão e sua capacidade de se concentrar na escola.  Segue um trecho do artigo:

Participantes da pesquisa em idade escolar e em idade universitária que gastam mais de duas horas por dia em frente à tela têm o dobro de chances de estarem acima da média em termos de problemas de atenção.

Além disso, os pesquisadores “concluem que a TV e o video game podem ser um fator que contribui para o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade  (TDAH) em crianças.”

Por que jogar video game e assistir TV causam problemas de atenção? O relatório explica:

Se treinamos o cérebro para que exija constante estimulação e piscar de luzes, mudanças de som e de ângulo de câmera ou feedback imediato, como os video games podem oferecer, então, quando as crianças se acham numa sala de aula em que o professor não tem um milhão de dólares de orçamento por episódio, pode ser difícil conseguir manter a atenção delas.

Isso é assunto para reflexão. Nosso filho de 12 anos joga video game, mas agora estamos exigindo que para cada hora a mais que ele queira jogar além de uma hora diária, ele deve ler a mesma quantidade de tempo. Alguém aí tem mais ideias sobre como limitar o tempo de tela das crianças?

Fonte: Bill Pratt (Tough Questions Answered)
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“Uma Capital com Esperança” Começa com Gota de “Sangue” Gigante

Hoje, às 16h, será realizada a primeira manifestação dos voluntários do projeto “Capital com Esperança”. Cerca de dois mil doadores de sangue escolheram o Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília, para se reunir e formar uma gota de “sangue” gigante. Os voluntários estarão vestidos de vermelho para dar a ideia de que a ação tem que ver com muito mais do que o sangue, e sim com a vida que ele produz. A ideia é chamar a atenção para que cada cidadão e torcedor se torne um doador de sangue. A gota de “sangue” é uma das ações de cidadania que o “Capital com Esperança” vai realizar de 14 a 22 de setembro, na capital federal. Cerca de 20 mil voluntários estarão envolvidos nas mobilizações.
No domingo, dia 15, o projeto “Capital com Esperança” vai mobilizar seus voluntários a favor da limpeza urbana. Na segunda-feira, em vários pontos da cidade, ações por uma vida sem drogas, e terça-feira haverá combate à violência e promoção da paz.
Quarta-feira, 18, será o dia do incentivo à leitura e à valorização da família. Mais de 100 mil livros serão entregues gratuitamente à população e 40 mil rosas serão distribuídas, além de milhares de abraços. Esse ato será realizado na rodoviária do Plano Piloto e arredores. Na quinta-feira e na sexta-feira, estão agendadas arrecadação e entrega de alimentos para famílias carentes. No sábado, um ato pela paz e o momento de oração pela capital do Brasil vão reunir 20 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios. No domingo, dia 22, os voluntários vão se concentrar no Parque da Cidade para promover a saúde.
O projeto “Capital com Esperança” tem apoio de vários órgãos oficiais do Distrito Federal e é uma iniciativa dos jovens adventistas do sétimo dia.
Participe hoje (14/9) à tarde do tuitaço com a tag #capitalesperanca, com o objetivo de divulgar o projeto.
Clique abaixo para conhecer mais detalhes sobre as ações programadas:
(Mais informações com a jornalista Liane Prestes: liane.prestes@gmail.com)
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Com texto do Criacionismo
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Jesus é Evidência de que Deus Existe

Já tentou defender a existência de Deus para um amigo descrente ou um membro da família cético? Eu já. Por alguma razão, eu me vejo começando com as mais amplas evidências da existência de Deus. Partindo do argumento cosmológico, passando pelas evidências do ajuste fino do universo, as evidências da teleologia ou a existência de leis morais transcendentes, eu normalmente começo por fazer uma defesa da existência de um Deus não específico antes de focalizar a evidência para o Deus cristão da Bíblia. Geralmente faço uma abordagem de “fora para dentro” ou do “macro-para-o-micro”: em primeiro lugar, defender Deus em geral, e, em seguida, argumentar a favor de Jesus, especificamente.

Mas não  foi assim que eu cheguei à fé. Primeiramente, meu interesse na questão da existência de Deus veio depois que li os evangelhos. Eu os li como um ateu curioso. Um pastor local despertou minha curiosidade, fornecendo algumas amostras dos ensinamentos de Jesus, e eu estava simplesmente curioso para ver se os evangelhos continham alguma sabedoria adicional. Eu não estava mais comprometido com Jesus como sendo um mestre antigo do que poderia estar com Buda, Sócrates ou qualquer outro sábio da antiguidade.

Mas os evangelhos estimularam o exercício da minha experiência como detetive e demonstraram muitas características do testemunho de testemunhas oculares. Eu fui rapidamente envolvido em uma análise forense das declarações do evangelho de Marcos e não demorou muito até que eu levasse a sério o que os evangelhos diziam. Eu descobri:

1. que os evangelhos foram escritos muito cedo;
2. que os evangelhos foram transmitidos cuidadosamente;
3. que as informações dos evangelhos foram protegidas e preservadas;
4. que as reivindicações dos evangelhos a respeito de Jesus eram consistentes com as fontes não-cristãs;
5. que os relatos dos evangelhos eram testáveis.

No final, cheguei à conclusão de que os evangelhos eram relatos de testemunhas oculares confiáveis ​​que forneceram informações precisas a respeito de Jesus, incluindo sua crucificação e ressurreição. Mas isso criou um problema para mim. Se Jesus realmente era quem Ele disse que era, então Jesus era o próprio Deus. Se Jesus realmente fez o que as testemunhas oculares dos evangelhos registraram, então Jesus ainda é o próprio Deus. Como alguém que costumava rejeitar qualquer coisa sobrenatural, eu tive que tomar uma decisão a respeito de meus pressupostos naturalistas.

As evidências para a confiabilidade dos relatos das testemunhas oculares nos evangelhos me fizeram reexaminar a evidência da existência de Deus em geral. Se Jesus ressuscitou dos mortos, os milagres são possíveis. Se Jesus, afirmando ser Deus, pôde levantar-se do túmulo, havia poucos motivos racionais para descrer de qualquer milagre atribuído a Deus, incluindo o milagre da criação. Os relatos evangélicos se tornaram a base a partir da qual examinei os argumentos cosmológico, axiológico, teleológico, ontológico, transcendental e antrópico da existência de Deus. Eu não comecei de forma geral e, então, segui em direção a Jesus, especificamente; eu comecei com Jesus e, em seguida, “retrocedi” para a mais ampla evidência da existência de Deus. Como alguém que trabalhou regularmente com casos circunstanciais cumulativos (como detetive de casos não solucionados e arquivados), a conectividade de todas as evidências disponíveis parecia óbvia à medida que eu montava o caso. Qualquer um destes elementos de prova era suficiente para fazer a defesa da existência de Deus, mas quando considerados cumulativamente, o peso da evidência era avassalador.

Mesmo que a vida de Cristo tenha sido uma parte importante da minha investigação pessoal, eu ainda me vejo defendendo a existência de Deus, pelo menos inicialmente, como se eu ainda não fosse um cristão! Ao compartilhar o que eu acredito com amigos e familiares céticos, eu tenho de fazer um esforço consciente para lembrar que a vida de Jesus, por si só, demonstra a existência de Deus. Se os Evangelhos são verdadeiros, nenhum de nós precisa de nenhuma prova adicional. Jesus é a  evidência suficiente de que Deus existe.

Fonte: PleaseConvinceMe (Jim Warner Wallace, autor do livro “Cold Case Christianity”)
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Livro do Mês: Mil Cairão ao Teu Lado

O Livro do Mês é Mil Cairão ao Teu Lado, de Susi Hasel Mundy & Maylan Schurch. Para participar do sorteio de um exemplar, siga @Ler_pra_crer no Twitter e dê RT nos tuítes de divulgação da promoção com o link: http://kingo.to/1bV9. O sorteio será no dia 5 de outubro. 

Diante das cenas dramáticas que retratam os anos sangrentos da segunda guerra mundial, um cristão é levado não apenas a se perguntar como agiria se tivesse tido a desventura de viver durante aqueles tempos difíceis, como também a refletir sobre as profecias que apontam para o ressurgimento da perseguição e da violência com motivação religiosa num futuro próximo – com contornos muito semelhantes à que foi perpetrada contra o povo judeu pelo sistema nazista. Mesmo não o tendo lido ainda por inteiro – apenas algumas poucas páginas esparsas, posso assegurar que este livro cumpre o propósito para o qual foi escrito: trazer encorajamento para o povo de Deus durante “o tempo do fim”. Veja a “sinopse” abaixo:

Franz Hasel, um pacifista de quarenta anos, foi convocado e enviado para a Companhia Pioneira 699, a tropa de elite de Hitler que construía pontes na linha de frente. Seus princípios religiosos não o tornavam bem-visto pelos superiores. Apelidado de “comedor de cenoura” e “leitor da Bíblia”, ele finalmente ganhou o respeito da sua unidade. Pouco antes de ser enviado para a Rússia – onde quase todos os 1.200 homens da sua unidade morreram – ele secretamente jogou fora a sua arma, com medo de que, sendo o melhor atirador da companhia, fosse tentado a matar na guerra. Na Rússia, enfrentou um novo problema: como advertir os judeus locais antes que as tropas nazistas os pegassem.

Enquanto isso, em casa, a esposa de Franz, Helene, e seus quatro filhos travavam suas próprias batalhas. Pressionada para filiar-se ao partido nazista, ela anunciou: “Pertenço ao partido de Jesus Cristo.” Correndo o risco de ter seus filhos levados, ela permaneceu firme em sua decisão.

As chances de sobrevivência? Muito pequenas. O único aliado? Deus.

Em poucos anos, eles passaram por inúmeros perigos de vida. Enquanto milhares ao redor morreram como vítimas dos horrores da guerra, eles foram carregados nas asas de anjos – algumas vezes literalmente. Esta é a história verdadeira e tocante de uma família que escolheu ser fiel a qualquer custo e encontrou refúgio na sombra do Todo-Poderoso.

 

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A Realidade sobre o Fragmento Copta “Esposa de Jesus”: Fatos, Probabilidades e Possibilidades

Houve um grande alvoroço em torno do fragmento copta recém-descoberto, ou melhor, recentemente anunciado, que fala de Jesus como sendo casado.

[…] Mas, no final das contas, o que temos de concreto?

Seguem alguns fatos, algumas probabilidades e algumas possibilidades.

Os Fatos

1. A professora Karen King, da Harvard Divinity School, apresentou um trabalho na Associação Internacional de Estudos Coptas em Roma, na terça-feira, 18 de setembro, tornando público um fragmento de papiro que afirmava explicitamente que Jesus tinha uma esposa. Ela teve acesso a esse fragmento por meio de um proprietário anônimo, que lhe deu permissão para publicar o texto.
2. O fragmento está escrito em copta saídico,  uma língua antiga que tem raízes no século III d.C. O saídico é o dialeto mais antigo da língua copta.
3. O papiro foi usado como um meio de escrita até o século VII; por isso, se autêntico, este fragmento deve ser datado entre o terceiro e sétimo século d.C.
4. Ele menciona especificamente ‘Jesus’ pelo nome duas vezes, e faz isso de uma forma a indicar que a referência é, de fato, a Jesus de Nazaré. Isso é evidente pelo fato de que o nome  ‘Jesus’ é escrito como um nomen sacro – ou  nome sagrado – à maneira de todos os manuscritos gregos do Novo Testamento, como uma abreviatura. Na segunda linha, do lado direito e abaixo, no meio da quarta linha, vemos o que parece ser “IC” em letras maiúsculas. Estas são as letras iota e sigma. Há uma linha acima das letras, indicando um nome sagrado. Esta linha supralinear indica que o leitor não deve interpretar isso como uma palavra, mas sim como uma abreviatura. Essa era a prática em cerca de 15 palavras diferentes nos manuscritos do NT, sendo  ‘Jesus’ uma das primeiras palavras abreviadas dessa maneira.
5. O fragmento é um retângulo bastante claro, com falta de texto em todos os quatro lados. A parte superior do fragmento parece cortado de maneira especialmente clara, sendo quase uma linha reta. Isto é bastante atípico para papiros antigos e pode ter implicações na forma como devemos analisá-lo.
6. Jesus definitivamente diz “minha esposa” no fragmento. Ele também diz: “Minha mãe me deu a vida” e “ela será capaz de ser meu discípulo.” O antecedente de “ela” não é claro, mas provavelmente se refere à  “esposa” mencionada na seção anterior.
7. Embora a professora King tenha dado ao fragmento o nome de “O Evangelho da esposa de Jesus”, isso é intencionalmente provocativo. Simplesmente não há material suficiente (oito linhas no anverso, algumas palavras visíveis no verso) para chamá-lo de alguma forma um evangelho, e muito menos o evangelho da esposa de Jesus! Seria mais correto chamá-lo de “O Fragmento sobre relações de Jesus” (por isso o comentário anônimo postado no site da Tyndale House [Cambridge], na quarta-feira, setembro 19, 2012), já que não há provas de que ele é um evangelho e pelo menos dois membros da família são mencionados (a esposa de Jesus e a mãe de Jesus).
8. A escrita não é nem literária (feita por um escriba profissional) nem mesmo documentária. Nem sequer parece ter sido feita com um stylus (estilete ou “caneta”), já que é muito grosseira. Em vez disso, parece ter sido “pincelada”. Exemplos paralelos disso não são facilmente encontrados nos escritos coptas de qualquer período.
9. Será que este fragmento prova que Jesus foi casado? A resposta é um enfático não. No máximo, ele só pode nos dizer o que um grupo de “cristãos” (entre aspas) no meio do século II pensava. Mas não diz nada sobre a história verdadeira, sobre Jesus de Nazaré.
10. O fragmento tem semelhanças com o Evangelho de Tomé (apócrifo), que a maioria dos estudiosos data como sendo de meados do século II. A citação do Evangelho de Tomé, 114, é especialmente parecida com partes do texto do fragmento, o mesmo ocorrendo com outra seção do mesmo evangelho (101).  Evangelho de Tomé, 101: “Minha mãe me deu a vida verdadeira”; fragmento, anverso, linha 1: “Minha mãe me deu a vida”. Evangelho de Tomé,  114: “Simão Pedro disse-lhes:” Que Maria saia de nosso meio, pois as mulheres não são dignas da Vida “; fragmento, anverso, linha 3: “Maria é digna dela”. Mas o que deve ser mantido em mente é que no Evangelho de Tomé, 114, Jesus continua: “Eis que vou guiá-la para fazê-la macho, para que ela se torne também espírito vivo semelhante a vós, machos.”  O que quer que isto signifique, é pouco provável que seja um endosso de casamento ou até mesmo de mulheres como mulheres. A afirmação do Evangelho de Tomé, 114, é, na verdade, uma declaração politicamente incorreta que ninguém deve abraçar hoje como representando a verdadeira fé cristã.
11. A proveniência, a história e a propriedade do fragmento são desconhecidas. Isso cria uma boa dose de desconfiança por parte da comunidade acadêmica quanto à sua autenticidade.

12. Segue o que diz o texto (as lacunas indicadas com colchetes):

Anverso:
 
1. “não [para] mim. Minha mãe me deu a vi[da…”
2. os discípulos disseram a Jesus: “[
3. negar. Maria é digna de… [alguns sugerem que o correto seria: “Maria não é digna de…]”
4. …” Jesus disse a eles: “Minha esposa… [
5. …ela  será capaz de se tornar um discípulo… [
6. Deixe os iníquos incharem… [
7. Quanto a mim, eu moro com ela de modo que… [
8. uma imagem [
 
Verso:
 
1. minha mã[e
2. três [
3. … [
4. Diante do qual …
5. traços de tinta ilegíveis
6. traços de tinta ilegíveis

13. Embora Maria (Madalena) seja mencionada na linha 3 e Jesus fale de “minha esposa” na linha 4, devido à  natureza fragmentada do Manuscrito não se pode determinar positivamente que Jesus está dizendo que Maria era sua esposa. Esta é uma inferência, e uma inferência provável, mas sem provas. A prova está nas porções de texto que ou não foram preservadas ou, mais provavelmente, foram cortadas por um revendedor moderno. As razões por que foram cortadas continua sendo uma questão especulativa (veja abaixo).

As probabilidades

1. Os quatro lados do fragmento sugerem que ele foi cortado desta forma, em tempos modernos, provavelmente pelo revendedor do fragmento, a fim de obter mais dinheiro de vários fragmentos recortados da mesma forma. Esta é a conclusão  a que chegou Roger Bagnall, da Universidade de Nova York. Mas isso levanta a questão: Foi este fragmento cortado por causa do resto do texto, que poderia dar um contexto em que a frase polêmica que fala da esposa de Jesus teria outro sentido que não o de  uma mulher literal? Dirk Jongkind da Universidade de Cambridge usou esta analogia como uma possibilidade: “Nós todos temos nossos exemplos favoritos daqueles sedutores anúncios publicitários da perfeita casa de férias, aqueles que conseguem fazer desaparecer aquela refinaria de petróleo no horizonte, as linhas de alta tensão, ou a rodovia que passa atrás da propriedade. Aqui temos um fragmento que foi deliberadamente alterado, ‘muito provavelmente’ por um revendedor moderno buscando maximizar o lucro, ao esconder ‘alguma coisa’.  E esta ‘coisa’ poderia muito bem estar para o fragmento como a refinaria de petróleo está para o anúncio:  pode ser um detalhe que afetava o valor deste fragmento negativamente. O fragmento pode ter sido recortado na forma como está agora a fim de induzir o leitor a uma determinada interpretação.” (postado no site The Evangelical Textual Criticism na quinta-feira, 20 de setembro de 2012).

2. A data atribuída ao papiro – século IV –  é em grande parte um palpite. Manuscritos coptas são notoriamente difíceis de datar. Roger Bagnall, da Universidade de Nova York, e AnneMarie Luijendijk, da Universidade de Princeton, têm defendido essa data e a autenticidade do documento. Scott Carroll, da Universidade de Oxford, data-o como sendo da primeira metade do século V, se se tratar de documento autêntico. Tem-se falado sobre o uso de carbono-14 para datar o fragmento com mais precisão, mas como o procedimento destruiria parte do texto, isso tem sido desencorajado.

No entanto, existe um método relativamente novo para datar manuscritos que é não-destrutivo. E não vi qualquer discussão sobre isso nos relatórios. Desenvolvido pelo Dr. Marvin Rowe, da A & M University, e seu assistente de doutorado, o professor Karen Steelman, o método utiliza uma câmara de plasma que não danifica o artefato. (Veja: Marvin W. Rowe and Karen L. Steelman, “Non-destructive 14C Dating: Plasma-Chemistry and Supercritical Fluid Extraction,” March 2010, ACS National Meeting 2010.)  Então, seria de fato possível obter uma data segura para este fragmento sem destruir nenhuma parte do texto. Seria interessante ver se a professora King e o proprietário anônimo permitiriam a utilização desse método para obter uma melhor correção na data e, especialmente, para dissipar quaisquer sugestões de inautenticidade.

3. Karen King disse que embora o fragmento seja do século IV, o texto é mais provavelmente de meados do século II, com base em idéias semelhantes que circulavam em textos gnósticos e outros. Mas isso é difícil de avaliar, especialmente porque quase nenhum contexto é dado para as palavras de Jesus, e nada se sabe sobre a origem do fragmento ou que outros manuscritos foram encontrados com ele.

As possibilidades

1. O manuscrito é uma farsa. O Dr. Christian Askeland, presente na conferência da Associação Internacional de Estudos Coptas em Roma, observou que cerca de dois terços dos participantes estavam muito céticos em relação a autenticidade do papiro, enquanto um terço estava “essencialmente convencido de que o fragmento é uma farsa.” Askeland disse não ter encontrado ninguém na conferência que considerasse o fragmento autêntico (publicado no site da crítica textual evangélica na quarta-feira, 19 de setembro, 2012). Isso presumivelmente não inclui a Professora King. Um relativo número de notáveis coptologistas julgaram-no um documento falso ou expressaram fortes reservas, incluindo Alin Suciu, da Universidade de Hamburgo, Stephen Emmel, da Universidade de Münster, Wolf-Peter Funk, da Universitade de Laval, em Quebec, Sadak Hany, Diretor-geral do Museu Copta do Cairo, Carroll Scott, bolsista sênior do Grupo de Pesquisa de Manuscritos, de Oxford, e David Gill, da Universidade de Suffolk.

2. Se o manuscrito for autêntico, o texto pode ser ou  a) não gnóstico, uma vez que contradiz a visão gnóstica básica do mundo material; b) gnóstico, embora com uma outra interpretação do casamento que não a ligação física entre um homem e uma mulher (no apócrifo Evangelho de Filipe, “a relação entre Jesus e Maria [Madalena] é uma alegoria da reunião da alma com Deus na câmara nupcial, isto é, a salvação”; o mesmo ocorre em outro apócrifo, o Evangelho de Maria [Simon Gathercole, da Universidade de Cambridge, em entrevista no site da Tyndale House/Cambridge, na quarta-feira, 19 de setembro de 2012]); c) ortodoxo, mas metaforicamente referindo-se à igreja como a esposa de Jesus (uma visão já afirmada no Novo Testamento – implícita em Efésios 5:23-27 e explícita em Apocalipse 19:7); d) proveniente de um grupo “cristão” derivado, que oferecia alguma reação contra o ascetismo crescente de ortodoxos no final do século II, quando o casamento foi um pouco mal visto, ou e) parabólico ou metafórico, com algum outro referente em mente.

3. Nem mesmo a professora King sugere que este fragmento significa que Jesus tivesse uma esposa (e King não é conhecida por suas posições conservadoras!): “Sua possível data de composição, na segunda metade do século II, argumenta contra o seu valor como evidência para a vida do Jesus histórico.” Se o fragmento remonta à tradição do segundo século, devemos ter em mente que há um mundo de diferença entre o Cristianismo apostólico do primeiro século e os vários grupos que se levantaram após esse período inicial.

Fonte: Daniel Wallace   – Daniel Wallace  é professor de Estudos do Novo Testamento no Dallas Theological Seminary e Diretor Executivo do Center for the Study of New Testament Manuscripts.