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A Criação: a Terra é uma Testemunha

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Os Estudos em Torno da Origem da Vida Estagnaram por um Motivo Bem Simples

Genes
Ninguém consegue dizer donde veio a informação biológica necessária. Na conferência com o nome “Origin of Biological Information” ficamos a saber que os estudos em torno da origem da vida (ODV) não têm tido avanço. Eis o que a introdução dos artigos agora publicados diz em torno da ODV. Os meus comentários pelo meio:

A origem da vida é o problema mais incómodo com o qual a ciência actual se depara.

Na verdade, não é a “ciência” que tem problemas com as questões em torno da vida mas sim o naturalismo filosófico. Esta filosofia defende que nada mais existe para além do mundo “natural” (seja lá o que isso for). Devido a esta posição de fé, quando se fala na origem da vida, os evolucionistas encontram-se voluntariamente fechados numa prisão ideológica da qual se recusam a sair sob pena de serem qualificados de “inimigos da ciência”.

Por outro lado, se nos libertamos destes constrangimentos não-científicos, e analisarmos os dados disponíveis à luz da Bíblia, os “problemas” desaparecem e a realidade fica com uma explicação que está de acordo com as observações.

 Este problema [a origem da vida] tem resistido a todas explicações reducionistas. Todas as tentativas de se gerar a vida através da bioquímica revelaram-se insuficientes.

Espaço

Por que será? Há mais de 50 anos que os naturalistas tentam desesperadamente entender como é que a vida surgiu segundo causas puramente “naturais”. Todas as experiências falharam. Seria de esperar que eles levassem esses falhanços naturalistas (e não falhanços da ciência) e colocassem de lado as suas crenças cardinais (naturalismo, ateísmo, etc). Em vez disso, muitos “cientistas” continuam a investir elevadas somas de dinheiro (dos contribuintes?) numa hipótese falhada, enquanto outros começam a acreditar am algum tipo de causação inteligente, mas de extra-terrestres.

Todas as tentativas de se dar início à vida através da química revelaram-se insuficientes. Será que, apesar da química servir de meio de transporte para a informação biológica, é a informação em si uma mensagem capaz de ser transportada independentemente do meio de comunicação? Será que a informação é uma entidade real – tão real como os componentes químicos, embora não redutíveis para o nível desses mesmos componentes – e, atrevendo-nos a dizer, será que ela pode ter uma causa inteligente?

Neste ponto a nota introdutória começa a mover-se mais para o lado do criacionismo e da ciência ao dar a entender uma aceitação leve da natureza não-física (imaterial) da informação. O que o texto pergunta é se a informação biológica é distinta do meio através da qual essa informação é transportada. A resposta é mais do que óbvia.

Para se ver o quão óbvia a resposta a a questão é, basta perguntar: de quantas formas é possível alguém dizer “bom dia” a outra pessoa? Pode dizer em linguagem gestual, ou escrever numa papel, ou escrever num teclado, ou dizer num outro idioma. Esta mensagem pode ser transmitida das mais variadas formas físicas sem que ela perca o significado. Disto se infere que, de facto, a informação é independente da química e da física.

Disto se infere também que a informação biológica não tem origens materiais e físicas, mas origens que estão para além do mundo tangível (físico).Isto não prova a existência de Deus, mas é uma evidência muito forte em Seu favor.

Origem da Vida

É precisamente por isso que os evolucionistas tentam desesperadamente minimizar a componente informática dos sistemas biológicos, afirmando que o uso da palavra informação não significa que ela tenha o mesmo significado que ela tem no resto da existência humana. Mas isso é uma coisa que eles têm que demonstrar; nós criacionistas aceitamos a terminologia usada por eles mesmos (“informação”), e desafiamos a comunidade evolucionista a explicar a origem da vida sem uma Causa Inteligente.

Aceitamos que isto [causa inteligente] é uma possibilidade possibilidade especulativa, mas num campo repleto de especulação, qual é o motivo para se permitir um conjunto de especulações (aquelas que estão de acordo com a perspectiva antiga) ao mesmo tempo que se rejeitam outras especulações (aquelas que abrem novas portas) ?

O que os editores estão a questionar é o porque de se rejeitar a especulação que envolve algum tipo de causação inteligente na origem da vida, ao mesmo tempo que se aceitam outros tipos de especulações apenas e só porque estas últimas estão de acordo com a forma de vista mais antiga. A resposta é a mesma já dita em cima e é também bastante simples: se a origem da vida envolve algum tipo de design inteligente, então isso é uma evidência poderosa para a visão Bíblica do mundo.

Os evolucionistas estão bem cientes disso, e como tal rejeitam à priori qualquer hipótese que envolva o design inteligente. O facto desta posição estar de acordo com os dados da ciência é irrelevante para os evolucionistas.

As pessoas que contribuíram para este volume não estão a disponibilizar qualquer tipo de resposta. Em vez disso, eles apenas estão a lançar questões incisivas precisamente no sítio onde a perspectiva antiga falhou em fornecer um ponto de partida para o entendimento da origem da informação biológica.

Darwin Shiu

Ou seja, o motivo que leva os autores a colocar o design inteligente como uma das hipóteses a ser considerada no estudo da ODV prende-se com o falhanço absoluto das antigas respostas naturalistas. Como o naturalismo falhou, então os cientistas estão em busca de respostas mais adequadas. Se eles tivessem lido o primeiro capítulo do Livro de Génesis não estariam nessa posição incómoda.

Conclusão:

Para nós Cristãos o facto das teorias naturalistas em torno da ODV estarem sem qualquer tipo de avanço é confirmação do que diz a Palavra de Deus:

Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder; porque Tu criaste todas as coisas, e por Tua vontade são e foram criadas. Revelação 4:11

A vida biológica é o efeito da Vontade Sobrenatural de Deus – e não o efeito das forças da Química e da Fisica. Devido a isso, procurar respostas naturalistas para a origem da vida é desenvolver esforços numa hipótese errada.

Pode ser que à medida que a ciência vai avançado, a posição evolucionista/ateísta se torne cada vez mais embaraçosa, e os evolucionistas ateus se vejam forçados a practicar a sua fé em Darwin longe da vista de quem está minimamente informado dos dados da ciência.

Se por acaso algum evolucionista menos informado erradamente alegar que a origem da vida é um assunto “distinto” e “separado” da teoria da evolução, recomendo a leitura deste texto: -> É a abiogénese irrelevante para a teoria da evolução?

Fonte: Darwinismo (Portugal)
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“Foi a Ciência que me Afastou do Ateísmo”

O Dr. Henry Margenau foi professor emérito “Eugene Higgins” de Física e Filosofia Natural na Universidade de Yale. Ele morreu em 1997, mas cinco anos antes, ele e Roy Varghese, um jornalista internacional, editaram um livro intitulado Cosmos, Bios, and Theos: Scientists Reflect on Science, God, and the Origins of the Universe, Life, and Homo sapiens (Cosmologia, Biologia e Teologia: Cientistas refletem sobre Ciência, Deus, a origem do Universo, da vida e do Homo sapiens). Deparei uma resenha antiga do livro há algum tempo, e ele me pareceu interessante; então, decidi colocá-lo na minha lista de leitura.

Margenau e Varghese contactaram alguns dos cientistas mais importantes do século XX, e perguntaram a opinião deles a respeito de Deus e do assunto das origens. No final, eles obtiveram respostas de 60 cientistas proeminentes, 24 dos quais tinham ganhado o Prêmio Nobel. A maioria respondeu as seis perguntas que Margenau e Varghese fizeram:

1. Qual deve ser, na sua opinião, a relação entre religião e ciência?

2. Qual é a sua opinião sobre a origem do universo: tanto em nível científico e – se você vir a necessidade – em um nível metafísico?

3. Qual é a sua opinião sobre a origem da vida: tanto em nível científico e – se você vir a necessidade – em um nível metafísico?

4. Qual é a sua opinião sobre a origem do Homo sapiens?

5. Como deve a ciência – e o cientista – abordar as questões das origens, especificamente as questões da origem do universo e da vida?

6. Muitos cientistas proeminentes – incluindo Darwin, Einstein e Planck – levaram o conceito de Deus muito a sério. Qual é a sua visão sobre o conceito de Deus e sobre a existência de Deus?

Como seria de esperar quando 60 pensadores profundos são perguntados sobre questões tão sérias, as respostas foram variadas e incrivelmente interessantes. Antes de discuti-las, no entanto, é importante destacar dois pontos. O primeiro é feito no prefácio do livro:

O livro Cosmos, Bios, Theos não tem nenhuma pretensão de ser uma pesquisa estatisticamente significativa das crenças religiosas dos cientistas modernos. (p. xiii)

Assim, o leitor não deve usar as respostas contidas neste livro para inferir a atitude geral entre os cientistas em relação à existência de Deus ou à questão das origens.

O segundo ponto é que nem todos os cientistas responderam a essas seis perguntas. Em vez disso, alguns simplesmente escreveram algumas páginas de pensamentos gerais sobre os temas “Deus” e “as origens”. Outros permitiram o uso de entrevistas que já haviam sido feitas com eles por Varghese Roy.

O livro é dividido em quatro seções. A primeira seção contém respostas (ensaios ou entrevistas) de astrônomos, matemáticos e físicos, enquanto a segunda contém as respostas (ensaios ou entrevistas) de biólogos e químicos. Ao ler as opiniões de cada cientista, tentei determinar se o cientista era ateu (não acredita em Deus), agnóstico (não está seguro sobre a existência de Deus), um deísta (acredita em um Deus criador, mas que não é ativamente envolvido com o universo) ou um teísta (acredita em um Deus criador, que é pessoal e ativo no universo). Isso não foi possível em todos os casos, porque alguns dos cientistas mostraram-se evasivos quando se tratava de expor suas crenças específicas sobre Deus.

Entre os cientistas que manifestaram claramente seu ponto de vista, no entanto, eu encontrei algo muito interessante. Quando se tratava de astrônomos, matemáticos, físicos, eu não conseguia encontrar ateus, mas apenas um punhado de agnósticos. A grande maioria ou eram deístas ou teístas. Além disso, os teístas superavam os deístas  numa margem de mais de três por um. Esse não era o caso entre os biólogos e químicos, no entanto. Nesse grupo de cientistas, havia um ateu, e os números foram quase igualmente divididos entre agnósticos, deístas e teístas.

Agora, mais uma vez, este livro não teve a mínima pretensão de ser uma amostra estatisticamente significativa de cientistas, mas a diferença que aparece entre esses dois grupos que mencionei é algo que eu tenho notado em minha própria carreira científica. Em geral, acho que os astrônomos, matemáticos e físicos são consideravelmente mais propensos a acreditar em Deus do que os químicos e os biólogos. Isso também se encaixa com o que o físico Dr. Robert Griffiths disse algum tempo atrás:

Se precisarmos de um ateu para um debate, eu vou ao departamento de Filosofia. O departamento de Física, nesse caso, não é muito útil. (1)

Eu não sei por que os físicos (e matemáticos) parecem mais propensos a acreditar em Deus do que outros cientistas, mas acho isso interessante.

Agora, embora os astrônomos, matemáticos e físicos fossem mais propensos a acreditar em Deus do que os biólogos e químicos, as declarações mais definitivas sobre a existência de Deus vieram de químicos. Por exemplo, o Dr. Christian B. Anfinsen (que ganhou o Prêmio Nobel de 1972 em Química) escreveu:

Eu acho que só um idiota pode ser um ateu. (p. 139)

Não concordo com isso, é claro. Eu já fui um ateu, e não acho que fosse um idiota então. Além disso, eu conheço (e leio) diversos ateus, e muito pouco deles são idiotas. O Dr. D. H. R. Barton, que ganhou o Prêmio Nobel de 1969 em Química, expressou-se de forma um tanto mais leve, mas ainda bastante definitiva:

A ciência mostra que Deus existe. (p. 144)

Concordo plenamente com o Dr. Barton. Foi a ciência que me afastou do ateísmo, e quanto mais eu estudo a ciência, mais definitivamente eu acho que ela aponta para a existência de um Criador.

Embora eu pudesse dizer muito mais sobre o que esses cientistas escreveram em resposta às seis questões que foram apresentadas, eu quero discutir a terceira seção do livro, porque ela também é incrivelmente interessante. Ela contém um debate sobre a existência de Deus entre o Dr. Hywel David Lewis (um célebre filósofo galês) e o Dr. Antony Flew (um célebre filósofo britânico). O que torna este debate tão fascinante é que o livro foi publicado 12 anos antes que o Dr. Flew rejeitasse o ateísmo. Assim, você consegue ler o Dr. Flew apresentando a defesa de uma posição que ele finalmente rejeitou!

Tendo a vantagem de saber em que Flew finalmente acabaria acreditando, acho que este debate revela que ele já estava começando a se sentir um pouco desconfortável a respeito de seu ateísmo mais de uma década atrás. No começo de uma de suas respostas a Lewis, ele escreve:

Notoriamente, a confissão faz bem à alma. Portanto, vou começar por confessar que o ateu estratoniciano tem de ficar embaraçado pelo consenso cosmológico contemporâneo. Pois parece que os cosmólogos estão fornecendo uma prova científica daquilo que São Tomás sustentava que não poderia ser provado filosoficamente, a saber, que o universo teve um começo. (p. 241)

Se você não reconhece o termo (que foi cunhado pelo próprio Flew), um ateu estratoniciano é aquele que pensa que uma vez que não há necessidade de acreditar em Deus para entender o universo, a posição racional adequada é a do ateu.

Durante a maior parte da história da ciência, foi consenso científico que o universo não teve princípio – que sempre existiu e sempre iria existir. Isto, naturalmente, se encaixava muito confortavelmente na cosmovisão ateísta, e era contrário às Escrituras, que ensinam claramente que o universo teve um começo (Gênesis 1:1, Colossenses 1:16, Atos 4:24, etc.). No entanto, quanto mais os cientistas estudavam o universo, mais eles percebiam que esta visão era incompatível com as observações disponíveis. Como resultado, no século XX, o consenso científico foi alterado para aquilo que as Escrituras ensinam: o universo teve um começo. Isso, é claro, não foi suficiente para convencer Flew a abandonar seu ateísmo. No final, foi o design (projeto) que ele viu tanto no universo quanto no mundo biológico que o convenceu de que deve haver um Designer (Projetista). No entanto, é interessante ler que mais de uma década antes que ele abandonasse o ateísmo, considerações científicas já estavam produzindo nele algum desconforto.

A quarta parte do livro contém dois ensaios: um sobre a origem do universo e outro sobre mecânica quântica e o mistério da vida. Eu não achei nenhum desses ensaios de alguma forma significativos. No entanto, o resto do livro é tão incrivelmente interessante que considero que vale muito a pena ser lido. Certamente não é “material leve”, mas pode acender algumas luzes na mente de quem fizer a leitura de forma séria.

Referência:

1. Tim Stafford, “Cease-Fire in the Laboratory”, Christianity Today, April 3, 1987, p. 18.

Fonte: Dr. J. L. Wile Proslogion
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“A Bíblia Entre os Mitos”: Que Diferença!

Vivemos em uma época de reducionismo. Isso se torna especialmente evidente pelo uso comum da palavra “apenas”. Os reducionistas dizem: “a mente humana é apenas um sistema complexo de matéria” ou “a moralidade é apenas um subproduto da evolução para a sobrevivência do grupo.”[1] Quando se trata de estudos bíblicos, normalmente o reducionismo assume a seguinte forma: “As narrativas do Gênesis são apenas mais um mito do Oriente Próximo Antigo.”

Os pós-evangélicos usam hoje, regularmente, esses argumentos. Em nível popular, escritores como Rachel Held Evans comentam sobre os “notadamente semelhantes”  relatos da criação e do dilúvio do Antigo Oriente Próximo em relação aos encontrados em Gênesis. Compreender Gênesis como não histórico, um mito não científico, que contém os mesmos “recursos literários humanos” e “pressupostos cosmológicos” que os do Antigo Oriente Próximo teria sido, segundo ela mesma, “libertador”.[2] Peter Enns é o estudioso pós-evangélico mais frequentemente associado com essa visão. Em seu livro Inspiration and Incarnation (Inspiração e Encarnação), Enns procurou mostrar que Deus se ajustou às  culturas do Antigo Oriente Próximo, usando formas literárias não históricas e não científicas em Gênesis (e em outros escritos) para comunicar a sua mensagem.[3] Muitos seguiram a sua liderança, especialmente aqueles que procuram resolução da [suposta] discórdia percebida entre fé e ciência.

No contexto da academia secular, tais pontos de vista são inquestionáveis. O paradigma dominante se originou na Escola “História das Religiões”. Essa perspectiva do século 19 considerava que a religião monoteísta era originária das classes mais baixas da sociedade primitiva, da criação do xamanismo tribal como um meio de afirmar o poder sobre os mais fisicamente ou socialmente poderosos.[4] Essas crenças xamanísticas teriam evoluído para o politeísmo, em seguida para o henoteísmo e, eventualmente, para o monoteísmo. A Escola baseou sua visão na semelhança religiosa de culturas antigas e procurou encaixar todos os dados em um paradigma linear, evolutivo. Dentro desse paradigma, as narrativas do Gênesis tornaram-se “apenas” mais um mito ao lado dos mitos de outras culturas antigas. No início do século 20, os estudiosos começaram a criticar o quanto exatamente certas crenças se encaixam dentro desse paradigma. Eventualmente, a visão acadêmica predominante se desviou do modelo linear, embora a interpretação da narrativa do Gênesis “apenas” como mais um mito da criação continue a prevalecer.

A razão disso?  Há semelhanças óbvias entre Gênesis e outras histórias antigas e modernas das origens. Os estudiosos que mantêm esse ponto de vista têm apresentado as semelhanças como as características mais essenciais do Gênesis e as diferenças como aspectos secundários e não essenciais das narrativas. Mas e se isso for um equívoco? E se as diferenças forem os aspectos essenciais no Gênesis e na visão de mundo do Antigo Testamento? E se Gênesis e outras histórias do Antigo Oriente forem semelhantes da mesma maneira que minha minivan KIA e uma Ferrari são semelhantes? “Ei, ambas têm rodas e um volante, portanto a Ferrari é ‘apenas’ um outro tipo de carro. Quer trocar?” Parece-me que em Gênesis, como na venda de automóveis, as diferenças são muito mais significativas do que as semelhanças.

John Oswalt, professor de Hebraico e Estudos do Velho Testamento no Seminário Teológico de Asbury fez essa defesa recentemente em seu livro “The Bible Among the Miths” (A Bíblia entre os Mitos). Ele baseia-se em trabalhos mais antigos de G. E. Wright, da Universidade de Harvard, para apresentar sua tese, alegando que o trabalho de Wright ainda permanece como uma crítica eficiente da visão predominante.[5] Uma vez que os dados do Oriente Antigo não se alteraram significativamente em quase 70 anos, Oswalt afirma que a principal razão por trás da persistência da visão reducionista não são os dados em si mas “convicções teológicas e filosóficas anteriores”, sustentadas por aqueles que militam nesse campo.[6] O livro é dividido em duas seções: a primeira discute a Bíblia e o gênero dos mitos antigos, e a última discute a escrita da Bíblia e da história antiga. Embora ambos os temas sejam altamente relevantes para a apologética cristã, este último tem sido mais plenamente abordado em outros lugares e, assim, este artigo, em grande parte, se concentrará na primeira seção e suas implicações para a tarefa apologética.[7]

A primeira seção faz uma boa introdução para os vários significados contemporâneos de mito: o sentido etimológico, que salienta a “falsidade da coisa que está sendo descrita”;[8] sociológico, que destaca se o grupo vê ou não algo como verdade, mas ignora ou não se a coisa é realmente verdade; literário, que significa simplesmente uma certa maneira de escrever; fenomenológico, que destaca as características comuns dos escritos que têm sido chamado de mitos. Oswalt passa a maior parte de sua escrita neste último significado, pois este é o sentido frequentemente utilizado em estudos bíblicos. Ele mostra que os defensores dessa visão procuram definir mito como aquilo que busca relacionar o natural com o humano, o ideal com o real, o pontual com o contínuo. Após a análise desses pontos de vista, ele conclui, mostrando que um dos aspectos essenciais de definições descritivas ou fenomenológicas do mito é o que ele chama de “continuidade” ou “correspondência”; “que todas as coisas são contínuas umas com as outras”.[9]

Este pressuposto central de continuidade explica a quase universal atribuição antiga de características humanas ao mundo natural. Ele explica o quadro cíclico através do qual a maior parte do mundo antigo via a realidade, para não mencionar a crença de que a reconstituição dos mitos traz satisfação presente para aqueles que o reconstituem. Após esta análise, Oswalt faz esta afirmação provocativa sobre a relação da Bíblia com esse mundo dos mitos:

Assim, o mito é uma forma de expressão, seja literária ou oral, em que as continuidades entre os reinos humano, natural e divino são expressas e concretizadas. Ao reforçar essas continuidades, o mito busca assegurar o funcionamento ordenado da natureza e da sociedade humana. O fato é que a Bíblia tem um entendimento completamente diferente da existência e das relações desses reinos. Como resultado, ela funciona de forma inteiramente diferente. Suas narrativas não convertem a realidade divina contínua fora do mundo invisível real em uma reflexão visível desta realidade. Pelo contrário, são um ensaio dos atos não repetíveis de Deus em um tempo e espaço identificável, em concerto com os seres humanos…Sua finalidade é provocar escolhas e comportamentos humanos por meio da memória. Nada poderia estar mais longe do propósito de um mito. O que quer que seja a Bíblia, verdadeira ou falsa, ela não é mito.

Oswalt não acredita que a visão reducionista da Bíblia pode ser mantida, e argumenta apaixonadamente contra a ideia de ver a Bíblia como apenas mais um mito, primeiramente por descrever a perspectiva de continuidade que subjaz a outras literaturas do Antigo Oriente Próximo. Oswalt define a continuidade subjacente aos mitos como “a idéia de que todas as coisas que existem são partes umas das outras…sem distinções fundamentais entre os três reinos: a humanidade, a natureza e o divino.”[10] Tudo coexiste nessa visão de mundo. Os ídolos são símbolos dos deuses, mas, em um sentido muito real, são os deuses. Tempestades são a ação dos deuses. A reconstituição sexual humana da suposta atividade sexual dos deuses inspira a produção agrícola na realidade. Cada reino é contínuo e conectado. Nesta visão de mundo “o criador de mitos racionaliza da realidade dada para o divino”.[11]

Oswalt dá uma variedade de características comuns de uma visão de mundo fundada na continuidade. Primeiro, essa visão enfatiza a realidade presente em detrimento do passado e do futuro. As histórias das origens não são contadas para enfatizar o que aconteceu, em si, mas para explicar a situação atual com sua complexidade de relações. Segundo, ela confunde a imagem e o real. Assim, o deus por trás do ídolo se confunde com a manifestação do deus na imagem do(s) ídolo(s). A fonte unificadora divina por trás dos deuses não pode ser facilmente distinguida da manifestação dos deuses. Terceiro, ela enfatiza símbolos naturais. A partir de uma perspectiva de continuidade, isto faz sentido, já que o que acontece na natureza representa e afeta tanto a esfera humana como a divina. Quarto, ela valoriza a magia. Oswalt define magia como a capacidade de “realizar algo no reino divino, […] fazendo uma coisa semelhante no reino humano”.[12] Nesta perspectiva, a prostituição no culto dos povos do Antigo Oriente é uma afirmação teológica sobre a natureza da realidade. A ação sexual humana produzia prole e, em uma visão de mundo de continuidade, tal ação teria sido pensada para inspirar a ação sexual da divindade a fim de produzir a colheita. Finalmente, uma visão de mundo de continuidade inerentemente nega os limites. Uma vez que tudo se conecta e está inter-relacionado, não se pode esperar encontrar limites distintos entre as coisas. Portanto, não é surpresa encontrar prostituição, bestialidade, incesto e outros tipos de comportamento sexual, já que essa perspectiva inerentemente rejeita os limites.

Com base nessas características subjacentes a uma visão de mundo de continuidade, Oswalt apresenta as seguintes características do mito, tanto como deduções lógicas dessa cosmovisão quanto como características comuns de mito do Antigo Oriente: o politeísmo, a idolatria, a eternidade da matéria caótica, uma negação da personalidade individual, uma baixa visão do divino e do humano, a visão de conflitos como uma fonte de vida, a não existência de um padrão único para a ética e um conceito cíclico da existência. Cada uma destas características provém claramente dos pressupostos subjacentes citados acima. Oswalt deixa claro que essa perspectiva não era apenas típica do Antigo Oriente, mas quase universal, incluindo os gregos e os romanos, os hindus e várias outras religiões asiáticas. Ele afirma que se “o homem pode descobrir a realidade última através da extrapolação de sua própria experiência… [então ele vai chegar], por todo o mundo, a um entendimento muito semelhante da realidade”. [13] Neste ponto, deve ficar claro que essas perspectivas não são universais, e as exceções são óbvias: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo, cada qual a sustentar um entendimento radicalmente diferente da realidade. Mas de onde vem esse entendimento, senão de sua fonte de literatura comum, ou seja, a Bíblia hebraica?

Neste ponto, eu tenho que admitir um preconceito pessoal em favor da perspectiva de Oswalt. Sempre que começava a fazer estudos bíblicos, eu o fazia em uma conceituada universidade protestante. Os professores falavam de Gênesis como sendo mítico e compartilhando incontáveis características com os mitos do Antigo Oriente. Dessa forma, eu assumi a verdade de suas declarações. Eu devo admitir, porém, que foi chocante quando realmente comecei a ler a literatura do Antigo Oriente. As diferenças eram profundas e muitas das semelhanças sugeridas pareciam ad hoc. Considerando que eu podia entender algumas dessas semelhanças como polêmicas veladas contra outras literaturas do Antigo Oriente, ver as narrativas do Gênesis como uma progressão originária destes escritos parecia (e continua a parecer) impossível. Por quê? Oswalt faz um trabalho maravilhoso ao delinear a perspectiva do Velho Testamento sobre as origens, para mostrar o quão distinta é essa visão de mundo em comparação com a visão de mundo de outros escritos do Antigo Oriente.

Considerando que os mitos do Antigo Oriente projetam uma visão de mundo de continuidade, Oswalt argumenta que a Bíblia apresenta uma visão de mundo de transcendência e de revelação. Ele enumera as características comuns do “pensamento bíblico” como o monoteísmo, a iconoclastia, a prioridade espiritual sobre o material, uma criação através de processo, uma visão elevada de Deus e da humanidade, uma visão redefinida da ética sexual (dessacralização), a proibição de magia, uma demanda por obediência ética e a importância da interação de Deus com a humanidade na história. Claramente, estas distinções são incompatíveis com a visão de mundo de continuidade descrita acima. Cada uma delas decorre do pressuposto básico de que há um Deus transcendente, fora e além da criação, o que alguns teólogos chamam de distinção Criador-criatura. Esse Deus não pode ser manipulado por magia, nem pode ser representado por qualquer coisa dentro de Sua criação quer seja um ídolo quer seja a própria natureza. Se ele se revelar, seus comandos serão inalteráveis e definirão os limites para a existência dentro da criação, etc. Uma vez que a Bíblia hebraica fortalece essa visão de mundo, não é surpreendente ver que idéias típicas do Antigo Oriente, como o culto da fertilidade, a idolatria e a divindade de coisas finitas sejam totalmente rejeitadas.

Quais são as implicações dessas distinções de Oswalt para a apologética cristã? Primeiro, chamar as narrativas do Gênesis de mito requer redefinir o termo “mito” de uma forma que o torna de nenhum valor. Em segundo lugar, isso significa que as diferenças entre a Bíblia e os mitos do Antigo Oriente são mais relevantes do que as semelhanças. Oswalt mostra que há muitas semelhanças, mas há descontinuidade na forma como estas formas, ideias semelhantes são usadas entre a Bíblia hebraica e literatura do Antigo Oriente. Ele diz: “[a Bíblia] não é única porque não faz parte do seu mundo, nem é única porque seus escritores eram incapazes de relacionar aquilo que eles dizem com seu mundo… Ao contrário, ela é única justamente porque, sendo uma parte de seu mundo e utilizando conceitos e formas de seu mundo, pode projetar uma visão da realidade diametralmente oposta à visão desse mundo”.[14]

Fonte: G. Kyle Essary é apaixonado pelo estudo das Escrituras, especialmente do Antigo Testamento. Ele e sua família vivem no sudeste da Ásia, onde se esforçam para servir Àquele para quem o Antigo Testamento aponta.
(Apologetics315)
[1] Há uma série de livros que desconstroem este tipo de reducionismo, alguns remontando ao início do século 20, como os clássicos The Everlasting Man, de G. K. Chesterton, e The Abolition of Man, de C. S. Lewis. Contribuições mais recentes têm praticamente eliminado qualquer plausibilidade do autêntico reducionismo materialista. Ver, por exemplo, Mind and Cosmos, de Thomas Nagel ou Darwin’s Pious Idea, obra magistral de Conor Cunningham. Um de meus favoritos é Life is a Miracle, de Wendell Berry.
[2] Postagem no blog de Rachel Held, “Can God Speak Through Myth?” (Pode Deus falar através de mito?), encontrada em: http://rachelheldevans.com/blog/bible-myth
[3] Peter Enns era abertamente evangélico no momento da publicação de seu livro, mas desde então tem adotado uma postura mais agnóstica em relação a muitas doutrinas evangélicas, rejeitando outras. Seu ponto de vista atual parece ser melhor definido como pós-evangélico, embora tal classificação seja bastante abrangente.
[4] O pensamento seguiu em grande parte a perspectiva conjecturada de Nietzsche em On the Genealogy of Morality (Sobre a genealogia da moral). Para a Escola, e para Nietzsche, as origens da religião e da moralidade dos escravos estão intimamente ligadas.
[5] O livro de Wright The Bible Against Its Environment (A Bíblia contra seu ambiente) critica a idéia evolutiva, defendendo a unicidade do texto bíblico e sua visão de mundo contra outras literaturas e perspectivas do Antigo Oriente Próximo.
[6] João Oswalt, The Bible among the Myths (A Bíblia entre os mitos), Kindle ed. HarperCollins, 2010, loc. 101. As histórias de criação do Antigo Oriente Próximo da “biblioteca” ugarítica foram encontradas principalmente entre 1928 e 1958; o Enuma Elish foi encontrado em 1849, assim como também o Atrahasis; a Epopeia de Gilgamesh, em 1853, com muitas das histórias egípcias sendo conhecidas ainda mais cedo.
[7] Uma contribuição recente que vale a pena ler é Do Historical Matters Matter to Faith? (Questões históricas importam para a fé?),  editado por James Hoffmeier e Dennis Magary.
[8] Oswalt, loc. 406.
[9] Ibid., loc. 579.
[10] Ibid., loc. 660.
[11] Ibid., 700.
[12] Ibid., 782.
[13] Ibid., loc. 893. Alguns têm argumentado recentemente que o ateísmo contemporâneo também se encaixa neste paradigma contínuo, onde a matéria é eterna e caótica (sem finalidade última originária, como uma bolha no vácuo quântico), e os poderes da realidade são reduzidos às forças brutas da natureza. Ver este artigo recente de Ben Suriano, On What Could Rightly Pass for a Fetish (Sobre o que poderia passar certamente por um fetiche), encontrado em http://theotherjournal.com/2008/08/19/on-what-could-quite-rightly-pass-for-a-fetish-some-thoughts-on-whether-“every-christian-should-‘quite-rightly-pass-for-an-atheist’”/
[14] Ibid., loc. 1700.
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Livro do Mês: Por que Creio, de Michelson Borges

O livro do mês é Por Que Creio, do jornalista Michelson Borges (já sorteamos um aqui, há exatamente um ano; este novo exemplar vai autografado pelo Michelson). Para participar do sorteio, basta seguir @Ler _pra_crer no Twitter e retuitar: ” Sorteio Livro do Mês: Por Que Creio, de Michelson Borges (autografado). Siga @Ler_pra_crer dê RT http://kingo.to/1fMR ” O sorteio será realizado dia 4/3, depois das 22 horas. Boa leitura!

O livro reúne 12 entrevistas com pesquisadores nas áreas de Biologia, Engenharia, Bioquímica, Arqueologia, Física, Geologia, Teologia e Matemática – todos falando da razão que têm para acreditar no Criador do Universo. Ruy Vieira, Marcia de Paula, Paulo Bork, Nahor Jr., Urias Takatohi, Siegfried Schwantes, Euler Bahia, Queila Garcia, Rodrigo Silva, Orlando Ritter e Michael Behe são os entrevistados.

Algumas das perguntas respondidas no livro:

É possível harmonizar fé e ciência?

É possível ser evolucionista e crer na Palavra de Deus?

Quais são as maiores evidências do Criador?

Que áreas da pesquisa científica oferecem maiores dificuldades para o criacionista?

Além da Bíblia, existem outros documentos que mencionam o Dilúvio?

Quais são as maiores evidências de que o homem foi criado por Deus?

Pode-se aceitar a teoria do Design Inteligente como puramente científica, sem apelar para a religião?

O trecho que segue é do próprio Michelson e faz parte do último capítulo, intitulado “Digitais do Criador”:

“Não há prazer mais complexo que o de pensar”, já dizia o poeta e escritor argentino Jorge Luís Borges. De fato, o aparentemente simples processo do pensamento é algo de complexidade espantosa. Nosso corpo é controlado e coordenado por trilhões de células nervosas, nove bilhões das quais situada no córtex cerebral. Se elas fossem alinhadas ponta a ponta, sua extensão atingiria mais de 75 quilômetros! Tudo isso é coordenado por 120 trilhões de “caixas de conexão”. Esse intricado sistema é compactado em um insondável complexo de caminhos neurais. A tarefa de contar cada terminação nervosa do cérebro à velocidade de uma por segundo levaria 32 milhões de anos!

Impulsos nervosos se deslocam a velocidade altíssimas nas fibras nervosas para transmitir informações a cada ponto do corpo. O sistema é semelhante a uma nação moderna interconectada por bilhões de fios telefônicos. Essa imensa rede de comunicações recebe ou emite 100 milhões de impulsos eletroquímicos por segundo. Ela está conectada a cada milímetro quadrado da pele, a cada músculo, vaso sanguíneo, osso ou órgão. E tudo isso através da medula e do cérebro, que pesa cerca de 1,5 quilo e, no entanto, consome sozinho mais de 20% da energia requerida pelo corpo.

Pense na batida inconsciente do coração, nas pálpebras piscando, na respiração contínua dos pulmões, nos alimentos sendo processados pelos intestinos, numa perna que se  move. Tudo isso é organizado e dirigido pelo cérebro.  Pense nas emoções, na atração sexual, no amor entre pais e filhos, nos sonhos e pensamentos. Eles também são produtos do cérebro. Sua missão mais elementar é recolher estímulos externos, captados pelos sentidos, e transformá-los em impulsos elétricos que percorrem os neurônios. Toda essa informação é catalogada e arquivada na memória. É a ela que o cérebro recorre quando precisa tomar decisões, comandar os movimentos corporais e organizar o pensamento.

Neste exato momento, seu sistema nervoso está processando uma série de informações ao mesmo tempo: a interpretação destas palavras, a textura do papel deste livro, os sons de fundo no ambiente, os odores etc. E você quase nem percebe isso.

O profundo e novo conhecimento sobre o cérebro, adquirido em grande escala nos anos recentes, mostra que esse órgão foi maravilhosamente projetado, e capacitado além das maravilhas que a imaginação ignorante lhe atribuía. Num questionamento bastante simplista, seria possível uma mera combinação acidental de massa, energia, acaso e tempo produzir órgão tão maravilhoso e complexo?

Por inspiração, o rei Davi escreveu palavras há três mil anos, que não podem ser superadas: “Pois Tu formaste o  meu interior, Tu me teceste no seio de minha mãe. Graças Te dou, visto por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as Tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem” (Salmo 139:13 e 14).

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A Versão Criacionista da Pré-História

Imagem: Capa do livro A História da Vida, de Michelson Borges (Criacionismo)

Como se sabe, a versão evolucionista da pré-história humana – se é que podemos chamá-la de versão – não é nada estática, muito menos consensual. Com revisões quase que “instantâneas” a cada nova suposta descoberta, a situação pode ser resumida como o fez Casey Luskin: “a evidência fóssil para a evolução humana permanece fragmentária, difícil de decifrar e acaloradamente debatida. […] Na verdade, longe de fornecer ‘um bom e claro exemplo’ de ‘mudança evolutiva gradualista’, o registro revela uma descontinuidade dramática entre fósseis semelhantes a macacos e fósseis semelhantes a humanos. Fósseis semelhantes a humanos aparecem abruptamente no registro, sem precursores evolutivos claros, tornando o caso para a evolução humana baseada em fósseis altamente especulativo.”

Muitos jovens podem se perguntar, em meio a tantas opiniões divergentes sobre os mesmos dados, qual seria a versão criacionista do que se convencionou chamar “pré-história”. Pensando nesse público, a revista Conexão 2.0 deste trimestre dedicou um bom espaço ao assunto.  Matéria de capa, a visão criacionista da possível história de nossos antepassados [todos humanos, claro] é apresentada de forma agradável e sucinta e permite aos interessados no tema ter um panorama minimamente sistematizado do quadro geral. Vale a pena ler aqui: “Junte as peças”.

Conexão 2.0 é a revista para quem quer entender a realidade, experimentar o que vale a pena e mudar seu mundo. Para assinar, basta acessar o site da Casa www.cpb.com.br ou ligar para 0800-9790606. Siga e curta também a revista nas redes sociais: www.twitter.com/conexao_20 e www.facebook.com/conexao20. E para ler as edições anteriores, acesse www.conexao20.com.br.

Publicado em ciência, Livros, Pensamentos, Perguntas e Respostas

Cristianismo, Ciência e o Discurso da Oposição

Brian Austen, que administra o excelente portal Apologetics 315, apresentou recentemente uma síntese do segundo capítulo do livro Is God Just a Human Invention? And Seventeen Other Questions Raised by the New Atheists (Deus é Só uma Invenção Humana? e Dezessete Outras Questões Levantadas pelo Neoateísmo), de Sean McDowell e Jonathan Morrow. Tanto os trechos citados do livro quanto a breve discussão que se seguiu tratam de aspectos importantes da relação entre ciência e religião e do discurso requentado de propaganda neoateísta que tenta caracterizar, ainda que às vezes de maneira indireta, o cristianismo como estando em oposição ao avanço científico.

O segundo capítulo aborda a alegação de que o cristianismo está em desacordo ou entra em conflito com a ciência. Em resposta a isso, os autores apontam para a influência positiva do cristianismo sobre a ciência,  como também para o número de pioneiros da ciência moderna que eram teístas. Eles descrevem a suposta perseguição a Galileu e corrigem alguns dos mitos modernos que parecem ter sido propagados sobre o episódio. Além disso, McDowell e Morrow apontam para o fato de que o cristianismo, na realidade, fornece a motivação e a base filosófica adequada para se fazer ciência, ao passo que o naturalismo está fundamentalmente em desacordo com o empreendimento científico. O apologista John Warwick Montgomery contribui com um ensaio intitulado “A fé fundamentada em fato”. Ele argumenta que a finitude do universo, seu início e seu ajuste fino apontam para um Criador.

Algumas citações interessantes (com versão livre deste blog):

Embora se acredite geralmente que a ciência e o cristianismo estejam em conflito, o oposto é que é realmente verdade. Não há nenhum conflito inerente entre o cristianismo e a ciência. Nós não pretendemos sugerir que o antagonismo religioso para com a ciência nunca tenha existido. Ele existiu e existe. Mas a história da ciência mostra que tais alegações de antagonismo são muitas vezes exageradas ou infundadas. (P. 33)

A definição dessas duas visões de mundo nos mostra a raiz do problema: o naturalismo e o teísmo estão em desacordo, e não a ciência e o cristianismo. O naturalismo é intrinsecamente ateísta porque não vê nada fora do mundo natural ou material. (p. 37)

A ciência depende da suposição de que o mundo é ordenado e que nossas mentes podem acessar esta realidade. Mesmo os cientistas mais seculares presumem que a natureza opera na forma de leis. Esta convicção é melhor explicada pelos pioneiros da Revolução Científica, que acreditavam que o cosmos é ordenado porque foi projetado pelo Criador racional do universo, o qual deseja que nós, como seres criados à sua imagem, entendamos, apreciemos e exploraremos sua criação. (p. 40)

Os comentários do próprio Brian em resposta a um leitor acrescentam informações relevantes.

Na cosmovisão ateísta, por exemplo, a razão é o resultado de processos aleatórios; assim, não há por que esperar que esses processos sejam confiáveis; e de acordo com a visão evolucionista, a evolução seleciona para a sobrevivência e não para a verdade.

Já na cosmovisão cristã, a razão é o resultado da criação de Deus; nesse caso, temos um meio para confiar que Deus nos deu sentidos confiáveis e habilidade de raciocínio. Uma das cosmovisões, portanto, provê um meio para confiar em nossa razão, a outra não.

Em resposta à objeção de que o cristão apenas assume a sua visão como correta em contraste com o ateu que, supostamente, admitiria poder estar errado, Brian explica que para chegar ao raciocínio acima não haveria a necessidade de saber qual das duas visões é a correta; basta saber que estas duas afirmações hipotéticas são verdadeiras:

  • Se o cristianismo é verdadeiro, então temos fundamento para confiar que  nossas habilidades de raciocínio nos levam a conclusões verdadeiras.
  • Se o ateísmo é verdadeiro, então não temos fundamento para confiar que nossas habilidades de raciocínio nos levam a conclusões verdadeiras.

Isso é suficiente para mostrar o que cada cosmovisão, se verdadeira, pode oferecer. De modo geral, tanto cristãos quanto ateus, ao fazerem ciência, assumem que nossos sentidos e habilidades de raciocínio são confiáveis. Mas quando se trata de determinar que cosmovisão fornece as pré-condições que permitem confiar nesses sentidos e na razão, é o cristianismo que as fornece, não o ateísmo.

Assim, como expresso em outro artigo, da autoria de Nancy Pearcey, o Cristianismo é um Estímulo, não um Obstáculo à Ciência.