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Mesmo que Eu Fosse um Ateu, Eu Seria um Cristão

Ou, para ser mais claro, eu seria um admirador, um apoiador do Cristianismo.
Mas isso não faz sentido nenhum…Você não acredita que existe um Deus, mas iria apoiar a crença que defende que Ele existe?

Sim, eu seria um ateu que espera haver um Deus como o que os cristãos descrevem. Eu não necessariamente acredito que o meu time irá ganhar o campeonato este ano, mas eu posso esperar… Eu posso comprar ingressos e torcer. E ainda que eu fosse um ateu, gostaria de fazer isso porque acredito que qualquer pessoa de bom coração (se ela não pode acreditar) pelo menos esperaria que fosse verdade. Eu creio que qualquer pessoa de bom coração, depois de ler como Jesus se comportou e como tratou os outros, esperaria que o Deus desse Jesus fosse verdadeiro… mesmo que ela não acredite agora.

Embora eu pudesse não acreditar, eu esperaria que em algum lugar lá fora, haveria alguma coisa consciente que se preocupa, alguma coisa consciente com vontade de confortar e com poder para fazer isso. Mesmo que eu fosse ateu,  esperaria que algum dia houvesse um acerto de contas para aqueles que fazem o bem mesmo sem ganhar nada e para aqueles que fazem coisas horríveis e ainda vivem todos os seus dias no conforto. Esperaria que o cara que se recusou a mentir sobre o seu vizinho e perdeu seu lugar com o poderoso iria algum dia ser recompensado pelo sacrifício. Esperaria que a mãe que perdeu seus filhos um dia iria vê-los novamente. Esperaria que os homens que exterminassem uma aldeia, ignorassem a fome para que eles pudessem se manter no poder e, sem piedade, tornassem difícil para os pobres sair da exclusão… Que aqueles que descuidadamente causassem separação e divórcio, aqueles que criticassem e agredissem seus cônjuges e filhos, aqueles que atacassem outras pessoas fisicamente e verbalmente para alimentar sua vaidade e ego… Esperaria que chegasse um dia em que com JUSTIÇA pagassem por isso, ou pelo menos sentissem e mostrassem arrependimento.

Mesmo que eu fosse ateu e acreditasse que quando uma pessoa viesse a morrer, aquilo seria o fim da recompensa ou castigo para sempre, eu ainda esperaria que um dia, em uma imprevista reviravolta de eventos que levassem as pessoas de volta à sua consciência anterior, toda essa justiça iria acontecer… Os sofredores e os injustiçados seriam confortados, e os cruéis, impiedosos e egoístas enfrentariam uma justa retribuição.

Esperaria também que uma pessoa que cometesse erros e se sentisse triste por causa  deles pudesse ser perdoada e trilhar seu caminho na companhia de pessoas boas que nunca tivessem cometido os erros que você poderia ter feito. Esperaria que uma pessoa não  fosse rotulada para sempre por um erro que tivesse cometido.

Mesmo que eu não acreditasse que toda essa justiça e todo esse bem fossem acontecer, eu ainda esperaria que acontecessem. Eu acredito que qualquer pessoa de bom coração esperaria isso.

Mas como você pode esperar algo que você não acredita que seja possível?

Bem, a única coisa que a história e a ciência TÊM nos ensinado é que não temos ideia do que é realmente possível. O que acontece na realidade e continua a acontecer não deixa de confundir e surpreender a humanidade. Assim, assumir que você sabe o que é e o que não é possível é uma demonstrável falácia. Mas esperar pelo que você acha difícil acreditar é humano; e o que você espera diz muito sobre quem você realmente é.

Fonte: OntheroadtoGod

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Sete Erros Fatais do Relativismo Moral

A consciência/percepção de moralidade leva a Deus tanto quanto a consciência/percepção de queda de maçãs leva à gravidade. (Roger Morris)
Roger Morris, do site Faithinterface, com base no livro Relativism – Feet Firmly Planted in Mid-Air, de Francis Beckwith e Gregory Koukl, elaborou a lista que segue, com sete erros fatais do Relativismo moral. Francis Beckwith  é professor e filósofo, especialista em política, direito, religião e ética aplicada. Gregory Koukl é apologista cristão, fundador da Stand To Reason, organização dedicada à defesa da cosmovisão cristã.

O Relativismo moral é um tipo de subjetivismo que sustenta que as verdades morais são preferências muito parecidas com os nossos gostos em relação a sorvete, por exemplo. O relativismo moral ensina que quando se trata de moral, do que é eticamente certo ou errado, as pessoas podem e devem fazer o que quer que sintam ser o certo para elas. Verdades éticas dependem de indivíduos, grupos e culturas que as sustentam. Porque acreditam que a verdade ética é subjetiva, as palavras como devem ou deveriam não fazem sentido porque a moral de todo mundo é igual; ninguém tem a pretensão de uma moral objetiva que seja pertinente aos outros. O relativismo não exige um determinado padrão de comportamento para todas as pessoas em situações morais semelhantes. Quando confrontadas com exatamente a mesma situação ética, uma pessoa pode escolher uma resposta, enquanto outra pode escolher o oposto. Não há regras universais de conduta que se apliquem a todos.

O relativismo moral, num sentido prático, é completamente inviável. Que tipo de mundo seria o nosso se o relativismo fosse verdade? Seria um mundo em que nada estaria errado – nada seria considerado mau ou bom, nada digno de louvor ou de acusação. A justiça e a equidade seriam conceitos sem sentido, não haveria responsabilização, não haveria possibilidade de melhoria moral, nem discurso moral. Um mundo em que não haveria tolerância. Este é o tipo de mundo que o relativismo moral produz. Vejamos os sete erros fatais do Relativismo:

1. Relativistas morais não podem acusar de má conduta a outras pessoas. O relativismo torna impossível criticar o comportamento dos outros, porque, em última análise, nega a existência de algo como “má conduta”. Se alguém acredita que a moralidade é uma questão de definição pessoal, então abre mão da possibilidade de fazer juízos morais  objetivos sobre as ações dos outros, não importa quão ofensivas elas sejam para o seu senso intuitivo de certo ou errado. Isto significa que um relativista não pode racionalmente se opor ao assassinato, ao estupro, ao abuso infantil, ao racismo, ao sexismo ou à destruição ambiental, se essas ações forem consistentes com o entendimento pessoal sobre o que é certo e bom por parte de quem as pratica . Quando o certo e o errado são uma questão de escolha pessoal, nós abdicamos do privilégio de fazer julgamentos morais sobre as ações dos outros. No entanto, se estamos certos de que algumas coisas devem ser erradas e que alguns julgamentos contra a conduta de outros são justificados – então o relativismo é falso.

2. Relativistas não podem reclamar do problema do mal. A realidade do mal no mundo é uma das primeiras objeções levantadas contra a existência de Deus. Toda esta objeção se fundamenta na observação de que existe mal verdadeiro. Mas mal objetivo não pode existir se os valores morais são relativos ao observador. O relativismo é inconsistente com o conceito de que o mal moral verdadeiro existe, porque nega que qualquer coisa possa ser objetivamente errada. Se não existe um padrão moral, então não pode haver desvio do padrão. Assim, os relativistas devem abandonar o conceito de verdadeiro mal e, ironicamente, também abandonar o problema do mal como um argumento contra a existência de Deus.

3. Relativistas não podem condenar alguém ou aceitar elogios. O relativismo torna os conceitos de louvor e condenação sem sentido, porque nenhum padrão externo de medição define o que deve ser aplaudido ou condenado. Sem absolutos, nada é, em última análise, ruim, deplorável, trágico ou digno de condenação. Nem é qualquer coisa, em última análise, boa, honrada, nobre ou digna de louvor. Relativistas são quase sempre inconsistentes nesse ponto, porque eles procuram evitar condenação, mas prontamente aceitam elogios. Se a moralidade é uma ficção, então os relativistas também devem remover as palavras aprovaçãocondenação de seus vocabulários. Mas se as noções de elogio e crítica são válidas, então o relativismo é falso.

4. Relativistas não podem fazer acusações de parcialidade ou injustiça. De acordo com o relativismo, as noções de equidade e justiça são incoerentes, já que ambos os conceitos ditam que as pessoas devem receber igualdade de tratamento com base em alguma norma externa acordada. No entanto o relativismo acaba com qualquer noção de normas vinculativas externas. Justiça implica punir aqueles que são culpados de um delito. Mas, sob o relativismo, a culpa e a condenação não existem – se nada for finalmente imoral, não há acusação e, portanto, nenhuma culpa digna de punição. Se o relativismo é verdadeiro, então não há tal coisa como justiça ou equidade, porque ambos os conceitos dependem de um padrão objetivo do que é certo. Se, porém, as noções de justiça e equidade fazem sentido, então o relativismo é refutado.

5. Relativistas não podem melhorar a sua moralidade. Relativistas podem mudar a sua ética pessoal, mas eles nunca podem se tornar pessoas melhores. De acordo com o relativismo, a ética de uma pessoa nunca pode se tornar mais ‘moral’. A ética e a moral podem mudar, mas nunca podem melhorar, já que não existe um padrão objetivo pelo qual medir esse melhoramento. Se, no entanto, o melhoramento moral parece ser um conceito que faz sentido, então o relativismo é falso.

6. Relativistas não conseguem manter discussões morais significativas. O que há para falar? Se a moral é totalmente relativa e todas as opiniões são iguais, então não há uma maneira de pensar melhor do que outra. Não há uma posição moral  que possa ser considerada como adequada ou deficiente, razoável, aceitável, ou até mesmo bárbara. Se disputas éticas só fazem sentido quando a moral é objetiva, então o relativismo só pode ser vivido de forma consistente se seus defensores ficarem em silêncio. Por esta razão, é raro encontrar um relativista racional e consistente, já que a maioria deles são rápidos para impor suas próprias regras morais, como, por exemplo, “é errado forçar sua própria moralidade nos outros”. Isso coloca os relativistas em uma posição insustentável: se falam sobre questões morais, eles abandonam seu relativismo; se não falam, eles abrem mão de sua humanidade. Se a noção de discurso moral faz sentido intuitivamente, então o relativismo moral é falso.

7. Relativistas não podem promover a obrigação de tolerância. A obrigação moral relativista de ser tolerante é auto-refutante. Ironicamente, o princípio da tolerância é considerado uma das virtudes principais do relativismo. A moral é individual, assim eles dizem, e, portanto, devemos tolerar os pontos de vista dos outros e não julgar seu comportamento e atitudes. No entanto, se não existem regras morais objetivas, não pode haver nenhuma regra que exija a tolerância como um princípio moral que se aplica igualmente a todos. De fato, se não há absolutos morais, por que ser tolerante afinal? Relativistas violam seu próprio princípio de tolerância quando não conseguem tolerar as opiniões daqueles que acreditam em padrões objetivos morais. Eles são, portanto, tão intolerantes quanto frequentemente acusam os que defendem a moral objetiva de ser. O princípio de tolerância é estranho ao relativismo. Se, por outro lado, a tolerância parece ser uma virtude, então o relativismo é falso.

O relativismo moral é falido. Não é um verdadeiro sistema moral. É auto-refutante. E hipócrita. É logicamente inconsistente e irracional. É seriamente abalado com simples exemplos práticos. Torna ininteligível a moralidade. Nem mesmo é tolerante! O princípio de tolerância só faz sentido em um mundo no qual existem absolutos morais, e somente se um desses padrões absolutos de conduta for “Todas as pessoas devem respeitar os direitos dos outros que diferem em conduta ou opinião”. A ética da tolerância pode ser racional somente se a verdade moral for objetiva e absoluta, não subjetiva e relativa. A tolerância é um princípio “em casa” no absolutismo moral, mas é irracional de qualquer perspectiva do relativismo ético.

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A Justiça da Sociedade dos Tempos do Antigo Testamento

 
O ótimo livro O Ateísmo Moderno (Loyola), do doutor em filosofia e teologia Georg Siegmund, na página 86, apresenta um breve retrato da sociedade judaica dos tempos do Antigo Testamento (AT). Note como Deus tomou providências para que Seu povo não reproduzisse a desvalorização da vida e as injustiças comuns dos povos pagãos em redor:“O amor ao filho era tão grande, que a esterilidade era considerada castigo de Deus e não havia necessidade de proibição especial para o aborto. A fim de se evitar que os pobres fossem oprimidos pelos ricos, e para que estes não se apoderassem indevidamente das terras, ordenava-se que no fim de cinquenta anos qualquer terreno vendido fosse devolvido ao seu proprietário anterior (Lv 25:13-16). Procurava-se assim conservar a repartição primitiva e equitativa do país entre as famílias. As pessoas pobres tinham direito às espigas que sobravam da colheita. Aos que emprestavam dinheiro era vedado cobrar juros, ao passo que outros povos orientais praticavam a usura, exigindo juros de até cinquenta por cento. Até a sorte dos escravos se achava mitigada por lei. Esta jamais os considerou como simples mercadoria, e sim como pessoas e imagem de Deus.

“Mas é sobretudo o sábado do Antigo Testamento que representa uma instituição social de primeira categoria: proporcionava ainda ao mais pobre um dia de repouso com intervalos regulares, impedindo assim a exploração sem piedade de suas forças e o prejuízo da sua saúde. Era, além disso, um dia em que o homem era chamado a refletir sobre seu destino ultraterreno. Nenhuma outra religião da época conhecia tais benefícios, que favoreciam igualmente a todos, livres e escravos.”

Leia também: “O retorno a Deus do ateu Heinrich Heine”, extraído do mesmo livro O Ateísmo Moderno.

Fonte: Criacionismo (Michelson Borges)