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Bíblia: Ler é Mais Importante que Ter

Parafraseando Eno T. Wanke: “Uma Bíblia pode ser nossa sem nos pertencer. Só uma Bíblia lida nos pertence realmente.” Confira, acima, a mensagem do Pr. Elmar Borges na primeira noite da Semana de Oração “Recados do Céu”, realizada no IASP, em 2013.

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Explicações Naturais Dispensam o Sobrenatural?

 

Imagine a cena (século XIX): quatro pessoas estão numa charrete puxada por um cavalo jovem ainda não totalmente domesticado. O cavalo tem a fama de ser rebelde e pouco antes dessa viagem havia causado um grave acidente. Isso exige atenção redobrada do condutor, que mantém a rédea curta. Os viajantes, entre eles uma senhora, esposa do condutor, são cristãos e conversam sobre algum tema bíblico. De repente, a senhora exclama: “Glória!”. O cavalo para imediatamente e fica imóvel. A senhora se levanta e, olhando para cima, desce os degraus da carruagem. Ela tem uma visão das realidades do céu. Enquanto desce, apoia a mão firmemente no lombo do cavalo, que, surpreendentemente, permanece imóvel. Em condições normais, ele teria dado coices furiosos no momento em que alguém lhe tocasse. A senhora, ainda com olhos voltados para o alto, sobe um barranco à margem da estrada e de lá passa a descrever as belezas da Nova Terra.

O condutor da charrete crê que tanto a visão quanto o controle do potro são uma intervenção de Deus. Para mostrar isso aos outros dois companheiros de viagem, ele decide testar o cavalo. Primeiro, toca nele de leve com o chicote, mas  o  animal não se move – em outras situações, um coice seria a resposta. Depois açoita-o com força. Nenhuma reação. Outro açoite é aplicado, com força ainda maior. O cavalo permanece insensível e imóvel.
 

Com os olhos ainda voltados para cima e sem prestar atenção onde pisa, a senhora desce tranquilamente o barranco, apoia novamente a mão sobre o lombo do cavalo e sobe os degraus da carruagem. No momento em que se senta, a visão termina e o cavalo continua calmamente seu caminho, sem que o condutor dê nenhum comando para o reinício da viagem.*

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Tanto cristãos quanto não cristãos propõem explicações para o sobrenatural. Recentemente li este texto de J. Warner Wallace, diretor do PleaseConvinceMe (PorFavorMeConvença):

Recebo muitos e-mails de céticos. Grande parte destes e-mails está relacionada com milagres. As pessoas querem saber por que os cristãos são tão prontos em atribuir um evento (ou uma cura) à intervenção milagrosa de um Deus sobrenatural, principalmente quando parece que uma força natural pode ser oferecida como uma explicação. Afinal, Moisés relatou que “um forte vento oriental” soprou toda a noite antes da divisão do Mar Vermelho (Êxodo 14:21). Talvez esta ocorrência natural tenha sido simplesmente  interpretada como um milagre depois do fato. De forma semelhante, Thallus (historiador romano do primeiro século) atribuiu a escuridão na crucificação a “um eclipse do sol”, outra ocorrência razoável natural que pode ter sido mal interpretada como um milagre por aqueles que estavam inclinados em direção ao sobrenatural.
 
Os cristãos modernos também fazem afirmações sobre a intervenção sobrenatural de Deus e para muitos céticos estas reivindicações parecem injustificadas. Quando alguém afirma que Deus o curou de câncer, por exemplo, mas admite que foi submetido a um ano de quimioterapia e radiação, é difícil para os não-crentes atribuir a cura a Deus. Parece bem provável que a interação “natural” do tratamento foi o responsável. Quando os céticos encontram evidências de que as forças ou leis “naturais” estão em ação, eles rapidamente descartam qualquer alegação de atividade sobrenatural. Mas o envolvimento de forças “naturais” não impede a atividade de um Deus “sobrenatural”.
 

Deus pode usar as “Leis da Natureza”?

Minha cadela, Baily (não a da foto – imagem importada do MeuPetWeb), ocasionalmente implora por um de seus brinquedos. Quando um desses itens cobiçados se encontra na mesa da sala de jantar, ela fica muito frustrada. A estatura típica da raça Corgi proíbe Baily de fazer o salto necessário para a mesa. O choramingar incessante dela geralmente faz com que um de nós venha até a mesa e bata no brinquedo para que ele caia no chão e seja apanhado por ela. Sem a nossa intervenção como um agente livre, a força natural da gravidade jamais seria capaz de entregar o brinquedo à Bailey. Estritamente falando, pode-se dizer que a força da gravidade providenciou o brinquedo. Mas nós sabemos que a nossa intervenção pessoal foi necessária, mesmo que esta intervenção tenha utilizado a força da gravidade como meio para um determinado fim.
 
Deus certamente trabalha da mesma maneira. Deus sempre envolve o ambiente que ele criou de uma forma que emprega as leis físicas que refletem sua natureza. Com o passar do tempo, nós observamos e identificamos essas características divinas e lhes demos um título: “As Leis da Natureza”. Mas as leis que descrevem a interação entre os objetos materiais não excluem a existência ou intervenção de um agente livre que intercede para “lançar algo da mesa.” O livre-arbítrio de Deus envolve ativamente as leis que refletem sua natureza ordenada, unificada e consistente.
Um Deus “Supernatural” no mundo “Natural”
Mas como podemos, como observadores cristãos racionais​​, dizer a diferença entre uma série de ocorrências “desgovernadas”, “naturais” e uma série de eventos que foram guiados pela mão de Deus? Como podemos diferenciar entre um evento puramente “natural” e um milagre “divino” único? Bem, acho que devemos começar por reconhecer que todos os processos “naturais”, físicos no universo são sustentados por Deus (Hebreus 1:3, João 5:17). A física do universo é simplesmente um reflexo da participação ativa de Deus em sua criação.
 
É fácil separar o “divino” do “natural” e pensar o mundo em categorias e caixas. Contudo, esta não é a forma como as Escrituras cristãs descrevem a criação de Deus. Quando deixamos de ver as forças da natureza como a mão de Deus, acabamos justificando toda interação divina como uma forma de coincidência “natural”. Se fizermos isso por muito tempo, acabaremos por deixar de reconhecer aquelas situações em que o arbítrio de Deus é evidente; aqueles momentos em que Deus claramente teve de agir dramaticamente para “lançar algo da mesa.”

O relato que introduz este post pode até não servir de ilustração para o caso de milagres com a suposta “aparência” natural – o fato é por demais extraordinário -, mas Ellen White, a senhora que vivenciou aquela e várias outras experiências similares, escreveu bastante sobre saúde em geral, curas e o modo como Deus ordena e interage com suas próprias leis. Há muitas citações interessantes relacionadas com o assunto. E deixo aqui algumas, tiradas do seu excelente livro “A Ciência do Bom Viver”. A última citação serve de resposta antecipada a questão que muitos gostam de levantar contra os que creem: “Afinal, em caso de doença, devemos orar ou usar a devida medicação/solução?” (apenas mais um  óbvio “falso dilema”: o cristão não tem de escolher entre um e outro).

Deus está continuamente ocupado em manter e empregar como servos as coisas que criou. Opera por meio das leis da Natureza, delas Se servindo como instrumentos Seus. Elas não agem por si mesmas. A Natureza, em sua obra, testifica da presença inteligente e da atividade de um Ser que opera em tudo segundo a Sua vontade.        

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Não é por um poder a ela inerente que ano após ano a terra produz suas fartas colheitas, e continua sua marcha ao redor do Sol. A mão do Infinito está em perpétua operação, guiando este planeta. É o poder de Deus em contínuo exercício que mantém a Terra em equilíbrio em sua rotação. É Deus que faz o Sol se erguer nos céus. Abre as janelas do céu e dá a chuva.

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O mecanismo do corpo humano não pode ser plenamente compreendido; apresenta mistérios que desconcertam o mais inteligente. Não é em resultado de um mecanismo que, uma vez posto a funcionar, continua sua obra, que o pulso bate, e respiração se segue a respiração. Em Deus vivemos e nos movemos, e existimos. O coração palpitante, o pulso em seu ritmo, cada nervo e músculo do organismo vivo é mantido em ordem e atividade pelo poder de um Deus sempre presente. 

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A Bíblia nos mostra Deus em Seu alto e santo lugar, não em um estado de inatividade, não em silêncio e solidão, mas circundado por miríades de miríades e milhares de milhares de seres santos, todos esperando por fazer a Sua vontade. Por meio desses mensageiros, Ele está em ativa comunicação com todas as partes de Seus domínios. Por Seu Espírito está presente em toda parte. Por meio de Seu Espírito e dos anjos, ministra aos filhos dos homens. Acima das perturbações da Terra, está Ele sentado em Seu trono; tudo está patente ao Seu exame; e de Sua grande e serena eternidade, ordena aquilo que melhor parece a Sua providência. 

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A mão-de-obra de Deus em a Natureza não é o próprio Deus em a Natureza. As coisas da Natureza são uma expressão do caráter e do poder de Deus; não devemos, porém, considerá-la como Deus. […]Assim, ao passo que a Natureza é uma expressão do pensamento de Deus, não é a Natureza, mas o Deus da Natureza que deve ser exaltado.

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Temos a sanção da Palavra de Deus quanto ao uso de remédios…
Os que buscam a cura pela oração não devem negligenciar o emprego de remédios ao seu alcance. Não é uma negação da fé usar os remédios que Deus proveu para aliviar a dor e ajudar a natureza em sua obra de restauração. Não é nenhuma negação da fé cooperar com Deus, e colocar-se nas condições mais favoráveis para o restabelecimento. Deus pôs em nosso poder o obter conhecimento das leis da vida. Este conhecimento foi colocado ao nosso alcance para ser empregado. Devemos usar todo recurso para restauração da saúde, aproveitando-nos de todas as vantagens possíveis, agindo em harmonia com as leis naturais. Tendo orado pelo restabelecimento do doente, podemos trabalhar com muito maior energia ainda, agradecendo a Deus o termos o privilégio de cooperar com Ele, e pedindo-Lhe a bênção sobre os meios por Ele próprio fornecidos. 
* Adaptação do relato do capitão José Bates, relato preservado em The Great Second Advent Movement, de John Loughborough e citado em Histórias de Minha Avó (Stories of my Grandmother, de Ella M. Robinson). Os adventistas do sétimo dia creem no ensino bíblico dos dons espirituais (I Coríntios 12) e reconhecem no ministério de Ellen White a manifestação do dom de profecia.
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Livro do Mês: Projeto Sunlight, de June Strong

 

“Jader, cidadão do Universo, membro dos Escrivães Celestiais, decidiu acompanhar e descrever a vida de um ser humano e suas reações ao meio ambiente maculado pelo pecado. Quem seria escolhido? Jader optou pela pessoa que virasse a esquina de uma determinada rua em determinada cidade, as 18h de uma tarde de outono.
A escolha recai sobre uma jovem divorciada, cheia de mágoas e rancores com o que a vida lhe deu. Tudo pronto para uma história inesquecível.”

O Livro do Mês é o clássico Projeto Sunlight, de June Strong (Edição Internacional  mais de 500.000 exemplares vendidos). Ainda não leu? Dê RT nos tuítes com o link da promoção http://kingo.to/1aXa siga @Ler_pra_crer  no Twitter   e participe do sorteio de um exemplar no dia 10 de setembro.

Projeto Sunlight mostra que Deus nos ama e espera que nos volvamos para Ele. É um livro que você jamais esquecerá (veja os comentários no site da editora). Um história que poderá mudar sua vida.  Boa leitura!

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Manifestantes Pró-ateísmo se Mobilizam até no Brasil

Imagem: Weareatheists.com

Revista IstoÉ, Semana de 12.02.2012.

Os ateus brasileiros têm no universo virtual uma espécie de igreja online. É ali onde o conglomerado de pessoas que negam a existência de Deus se sente à vontade para professar o desapego às religiões, manifestar os porquês de não seguir nenhuma delas e trocar ideias com outras pessoas na mesma condição. Minoria em uma sociedade crente como a nossa – os ateus fazem parte do grupo demográfico definido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como sem religião, do qual fazem parte também agnósticos e crentes sem religião, e representam 6,7% da população brasileira –, eles preferem esse canal de comunicação uma vez que, em público, ainda estão sujeitos a críticas. Duas ações, uma no Brasil e outra em Londres – onde um templo ateu deverá ser erguido até o ano que vem – pretendem pôr fim à solidão físico-intelectual desse grupo.No domingo 12, está marcado o 1º Encontro Nacional de Ateus. Cerca de três mil pessoas estarão reunidas simultaneamente em 21 Estados e no Distrito Federal. “Precisamos sair do armário, mostrar que somos bons filhos, pais, que a moralidade independe de uma crença”, diz a estudante gaúcha Stíphanie da Silva, citando uma expressão utilizada na luta pelos direitos civis dos homossexuais. Aos 22 anos, ela é membro da Sociedade Racionalista, que organiza a ação. “O intuito principal do evento é conhecer uns aos outros e organizar a nossa força.” Soa paradoxal, porém, ateus militantes se reunirem para defender um ceticismo contra fé, religião e deuses. Agindo dessa forma, argumenta o professor Edin Abumansur, do departamento de ciências da religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC-SP), o ateísmo se torna uma opção de crença, a da negação, à disposição dos que procuram coisas para acreditar, no caso, que Deus não existe.Apesar de contraditório, os brasileiros estarão seguindo à risca, com essa movimentação, a cartilha do britânico Richard Dawkins, espécie de guru dos ateus, autor de “Deus, um Delírio”. Zoólogo, ele exorta seus pares, historicamente estigmatizados, a se assumir e encampar publicamente um debate intelectual. No século XIX, porém, a fé na ciência e na razão já pautava as discussões nas igrejas positivistas, principalmente na França, terra natal de Auguste Comte (1798-1857). Um dos pais da sociologia, ele propunha uma nova religião baseada não em uma crença, mas na capacidade humana. “Crer no homem e na sua racionalidade justifica uma militância ateísta”, afirma o professor Pedro Paulo Funari, do departamento de história da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).Fora do Brasil, no entanto, ateus famosos parecem não falar a mesma língua. Dawkins criticou publicamente o filósofo suíço Alain de Botton, autor de “Religião para Ateus”, que anunciou a construção de um templo ateu no centro financeiro de Londres. “Ateus não precisam de templos, é um desperdício de dinheiro”, afirmou o zoólogo. O projeto do espaço, que terá 46 metros de altura, foi encomendado por Botton ao arquiteto Tom Greenall. Segundo o arquiteto, o templo representará a história da vida na Terra. “Cada centímetro equivale a um milhão de anos de vida”, diz Greenall.
O filósofo – que pretende começar a levantar a construção no ano que vem, após a autorização da prefeitura – defende em seu livro que os ateus não devem fechar os olhos para as religiões, mas aprender com aquilo que elas têm de bom. “Isso (a construção) poderia significar um templo ao amor, amizade, tranquilidade e perspectiva”, diz Botton. “O ateísmo de Richard Dawkins ficou conhecido como uma força destrutiva, mas há pessoas que não acreditam (em Deus) e não são agressivas contra outras religiões.” Não é o que ocorre no Brasil. A Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (Atea), por meio de uma pesquisa com seus cerca de 3,5 mil membros, descobriu que 90% deles consideram a religião um mal. Um claro efeito rebote da hostilidade crescente patrocinada por alguns religiosos.Presidente da Atea, o engenheiro civil Daniel Sottomaior, 40 anos, faz troça da proposta de Botton, a quem se refere como um agente duplo infiltrado no movimento. E apoia com ressalvas as reuniões de ateus no Brasil. Para ele, à medida que eles conseguirem se colocar na sociedade sem medo, a necessidade de se encontrarem cairá drasticamente. “Afinal, não temos nada em comum: há gays, heteros, gente de esquerda, de direita”, diz Sottomaior. O engenheiro explica que, nos países nórdicos, com altas taxas de ateus, eles não se organizam, porque não precisam. “Por que pessoas que não acreditam em saci-pererê, por exemplo, teriam de se organizar?” Lutando pela causa juntos ou cada um por si, os brasileiros descrentes têm muito trabalho pela frente.
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Nota: Não sei como foi o evento realizado nesse domingo, dia 12, quando escrevo esse comentário. A mobilização das pessoas que negam a existência de Deus e/ou se dizem sem religião deve ser respeitada dentro do mesmo conceito de liberdade religiosa e de expressão em relação a outras crenças. É perceptível, no entanto, que não há uma organização dos ateus/não religiosos e que os discursos são até contraditórios. 
Uma das principais preocupações é, na verdade, quando existem ataques gratuitos contra os religiosos como já o fez um dos mais proeminentes advogados da causa, Richard Dawkins. A intolerância, da parte de qualquer um dos lados, é sempre nociva e não ajuda em nada na boa convivência. Respeito a opinião dos que se manifestam assim, mas ressalto que o maior risco é que esse tipo de movimento se caracterize por tentar desqualificar os que não pensam da mesma maneira. 
Quanto a minha opinião sobre o ateísmo, acredito que muitos se posicionam dessa maneira muito mais por enxergarem a religião e Deus de uma maneira distorcida, preconceituosa e afetada por fatos até mesmo de sua infância e juventude. É possível entender isso, mas ainda creio que seja uma visão passível de mudança. Há muitas evidências no mundo natural de uma criação planejada por um ser superior que não apenas desenvolveu, mas mantém. Negar isso de forma contundente, praticamente sem argumentos consistentes e sólidos, pode ter mais a ver com uma visão pessoal e passional a respeito do assunto, do que por crença fundamentada. 
É por isso que Deus, na concepção que acredito segundo a Bíblia, não é apenas um ser que simplesmente pôs o universo e os planetas em ação e posteriormente virou as costas. Entendo que Ele continue envolvido com Sua criação e isso se traduz no amor, na misericórdia, na proteção e no desejo de salvação espiritual para as pessoas. Isso me fortalece na fé que possuo em relação a Sua obra permanente na vida humana. E me faz compreender que Ele tem interesse pela minha vida. É um relacionamento pessoal que pode ser alimentado diariamente, conservado, ampliado, enfim, foge muito da visão medieval de um ser cósmico distante de tudo e de todos. É talvez dessa visão arcaica e absolutamente incompatível com o relato bíblico que estejam fugindo vários dos manifestantes pró-ateísmo e/ou não religiosos de  hoje.
Fonte: Realidade em Foco (Felipe Lemos)
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O Ateu, o Cristão e a Moral

(Perspectiva) JÓNATAS: Claro. Caso contrário não existe critério. Isso mesmo já era reconhecido por homens com Fiodor Dostoyevsky, Jean Sartre, Richard Dawkins, etc. Podemos deixar os “dicta probandi” para mais tarde, para não sobrecarregar o texto. É sempre interessante obrigar o Ludwig a recuar.
“No sentido mais forte, “objectivo” quer dizer referente ao objecto. A carga do electrão é uma propriedade objectiva neste sentido.”
Exactamente. Assim como a matéria e a energia não podem ser criados nem destruídos por ninguém ou nenhum processo natural, a verdade, a bondade e a justiça também não podem ser criados nem destruídos. Uns e outros foram postos objectivamente por Deus.
“Mesmo que desaparecessem todos seres sensíveis do universo, todos os sujeitos, os electrões continuariam a ter a mesma carga. Mas se desaparecessem todos os sujeitos não haveria moral.”
Ela existiria sempre na natureza de Deus. Ele é verdade, bondade e justiça.
“Não pode haver moral objectiva, neste sentido forte, porque só os sujeitos têm valores. “
Deus é um sujeito, logo Deus tem valores.
“Os objectos, enquanto tal, não se portam nem mal nem bem.”
É verdade. Nós não somos mera poeira cósmica. Nós não somos objectos acidentais. Nós somos sujeitos porque formos criados à imagem e semelhança de um Sujeito.
“Além disso, se a moral fosse objectiva neste sentido não era preciso deuses para nada. “
Engana-se. A moral é objectiva porque Deus é um ser moral, com os valores da verdade, da bondade e da justiça. A moral é objectiva porque reflecte a natureza de Deus. Deus é o padrão.
“As coisas já seriam, por si, boas ou más, e postular um deus como fundamento da moral seria como postular um deus como fundamento para a carga do electrão.”
Não existe nenhuma outra explicação plausível para uma e para outro. Se não existe nenhum processo natural que crie matéria e energia, ambas só podem ter sido criadas por um processo sobrenatural.
“Há quem o faça, mas é disparate.”
Não é. As leis da física dizem-nos que o Universo não se pode ter criado a ele próprio nem pode ser infinito. Logo, ele precisa de um Deus eterno (sem princípio nem fim) que o tenha criado.
“Noutro sentido mais fraco, “objectivo” quer dizer simplesmente que não varia de sujeito para sujeito. E isto sim é uma parte importante da ética.”
Se não varia de sujeito para sujeito, é exactamente porque foi criada por alguém que tem autoridade sobre eles. Porque só assim é que a ética pode reclamar autoridade sobre os sujeitos.
“Os valores morais devem ser objectivos no sentido em que uma acção moralmente correcta para um dos intervenientes tem que ser moralmente correcta para todos. “
O problema é que mesmo esse princípio pode não ser aceite por todos. Deveria sê-lo? Talvez. Mas isso tem que ter uma fundamentação que transcenda os sujeitos.
LUDWIG: “Não posso dizer que é moral eu fazer uma coisa aos outros enquanto defendo ser imoral que ma façam a mim se as circunstâncias se inverterem.”
Mas, infelizmente, essa é a moralidade que muitos preferem. Porque estão errados? Quem determina isso? Com que autoridade?
“Mas mesmo com esta noção de objectividade é disparate assentar a moral num deus.”
A moral tem forçosamente que assentar num Deus. Caso contrário, não consegue reclamar qualquer legitimidade e autoridade sobre o ser humano.
“A moral só é objectiva por ser universal e invariante de sujeito para sujeito. Se o Jónatas quer eleger um sujeito como fonte única da moral então propõe uma moral subjectiva, e não importa que esse sujeito seja um deus ou que o escrevam com letra maiúscula.”
A moral é objectiva porque se baseia na natureza de um Deus absoluto, eterno, omnisciente e omnipotente. Não existe nada mais objectivo do que isso. Ela é objectiva porque todos os seres criados à imagem e semelhança de Deus estão vinculados por ela, quer queiram quer não queiram, e sofrerão as consequências da sua violação, quer queiram quer não queiram.
“Fundamentar as regras de conduta na vontade de um deus é rejeitar a ética.”
Pelo contrário. É afirmar a indisponibilidade de determinados valores e a justiça da sanção da sua violação.
“Por muito benevolente que esse deus seja, ou o que ele ordena é objectivo no sentido de não variar de sujeito para sujeito e então já seria moral mesmo que ele não o ordenasse, ou o que ele ordena não cumpre este requisito de objectividade e é imoral.”
Não é assim. O que Deus ordena é aquilo que é compatível com a sua natureza verdadeira, justa e boa. A lei moral não exprime uma vontade arbitrária, mas uma natureza imutável. O que significa que um Deus verdadeiro, justo e bom necessariamente pune a mentira, a injustiça e a maldade.
“Seja como for, não é o deus que pode dar a moral.”
Só Deus é que pode dar moral. Caso contrário, cada um daria a sua própria moral, de acordo com os seus próprios interesses e conveniências. Infelizmente é isso que acontece muitas vezes.
““Não matarás” é uma boa regra moral se for uma regra universal aplicada a todos os sujeitos em certas condições.”
Deveria ser. Deus é um Deus de vida. A morte é sempre pecado e consequência do pecado. A Bíblia é bem clara. A Bíblia não deixa qualquer margem para a luta pela sobrevivência do mais apto. Se fosse assim, o facto de Caim matar Abel teria sido biologicamente justo, porque o mais forte havia triunfado sobre o mais fraco.
“Mas se vem de um deus que volta e meia massacra quem lhe apetece não é uma regra moral.”
Deus não massacra quem lhe apetece. Deus é santo e justo, e castiga toda a maldade. Se o ser humano não fizer mal, Deus não o castiga. Mas mesmo fazendo o ser humano mal, Deus quer perdoar e dar a vida eterna, mostrando o seu amor pelo ser humano.
“É um capricho de um ditador sem escrúpulos.”
Castigar o mal justamente não é ditadura sem escrúpulos. É essencial a qualquer sociedade. Caso contrário seria possível roubar, matar, destruir, violar, sem qualquer receio. Uma sociedade assim seria insuportável. Deus não é um ditador. Ele deu-nos a sua lei moral e colocou-a nas nossas consciências.
“Na prática, o que os crentes como o Jónatas propõem é ainda pior. Apesar do que o Jónatas afirma, não é verdade que ele tenha contacto directo com o seu suposto deus. “
Isso é uma afirmação científica? É suportada pela observação ou pela experiência? Ou será uma afirmação ideológica?
“O que ele propõe como fonte da moral são normas que, além de subjectivas, nem sequer foram elaboradas com uma motivação ética.”
A motivação das normas morais divinamente estabelecidas é permitir a coexistência pacífica, ordeira em qualquer sociedade. As leis só serão justas se forem conformes com essas leis morais.
“Foram escolhidas por alguns lideres religiosos para fins políticos e num contexto social muito diferente do nosso.”
O contexto é sempre o mesmo. A necessidade de permitir a coexistência pacífica, verdadeira, justa e boa em todas as sociedades. A natureza pecaminosa do homem é sempre a mesma, em todos os tempos e em todos os lugares.
“Daí o recurso a ameaças de retribuição divina, histórias de castigos terríveis e coisas dessas.”
A retribuição divina é uma realidade objectiva que se repercute nos indivíduos e nas nações. A Bíblia diz: “Olhai, Deus não se deixa escarnecer. Tudo o que o homem semear, isso também ceifará”. Neste momento vivemos um crise global da economia capitalista em que estamos a ceifar o resultado do egoísmo, da ambição, da fraude, do roubo, da corrupção, da mentira, da injustiça e da maldade de muitos. A Bíblia é bem clara. O pecado acaba por dar sempre mau resultado.
“«Todos estamos sujeitos ao castigo de Deus. […] Ora, um Deus justo julga o mal. Daí o julgamento sobre a humanidade no dilúvio, sobre Sodoma e Gomorra, sobre os povos, sobre todos nós no juizo final também anunciado por Deus.[…] Na morte de Jesus Cristo, Deus encarnado, Deus castigou todo o pecado. Na sua ressurreição, a morte, que era consequência do pecado, foi vencida.»(1) Isto não é moral. Isto são tretas para manter o rebanho na linha.”
Isto é a moral e é com esta moral que todos teremos de nos confrontar. Isso é dizer o que Deus diz na sua Palavra. O ser humano fará bem em ouvir com atenção. Deus dá-nos o seu amor, porque Jesus Cristo levou sobre si o castigo dos nossos pecados.
Nenhuma sociedade pode prescindir de leis, de tribunais, de polícias e de estabelecimentos prisionais. Na verdade, estes são essenciais a sociedades justas, livres, pacíficas e democráticas. A ausência de justiça e de castigo transforma as sociedades num caos intolerável.
Deus sabe isso. Foi por isso que providenciou as suas leis. Da justiça de Deus ninguém poderá fugir. Se ainda existe muita maldade no mundo, isso não significa que Deus não a irá julgar. Significa que Ele ainda não o fez porque, como a Bíblia diz, “Deus não quer que ninguém se perca, mas que todos venham a arrepender-se”.
A Bíblia diz que a misericórdia de Deus é a única razão pela qual não fomos consumidos. Mas ninguém pode sair do país para se esconder de Deus num “exílio dourado”. Ninguém pode subornar Deus ou tentar contornar as suas normas.
No entanto, todos se podem reconciliar com Deus, através do seu Filho Jesus Cristo, de cuja vida, morte e ressurreição existe mais evidência empírica do que de que a vida surgiu por acaso há 3,8 mil milhões de anos.

Fonte: Que Treta! (Comentários)