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O Amor Pode Esperar

 Foge, também, dos desejos da mocidade. 2 Timóteo 2:22, ARC

 

Imagino que muitos de meus leitores sejam jovens solteiros, para quem, numa cultura de indulgência, o sexo pré-marital seja uma das maiores tentações. Se você leva a sério seu compromisso com Cristo, gostaria de fazer duas considerações. Primeira: você deve decidir com antecedência seu tipo de namoro. Se você deixar para decidir quando as emoções estiverem fora de controle, você já terá perdido a batalha. Segunda: lembre-se ainda de que estudos indicam que o sexo pré-marital aumenta consideravelmente a chance do sexo extraconjugal tanto para você como para o futuro cônjuge.

 Quais são os argumentos em geral usados para a defesa do sexo leviano?

“Todo mundo está fazendo.” Isso não é verdade. Mas, ainda que fosse, esse é um argumento precário. Suponhamos que 90% das pessoas desenvolvam úlceras. Deveria a Associação Médica reescrever os textos de medicina ou tentar persuadir os outros 10% de que úlcera é algo bom para a saúde?

“Sexo pré-marital foi aceito em muitas culturas. Assim, valores morais dependem da cultura.” O argumento é tão fraco como o anterior. Joseph Daniel Unwin, erudito inglês, estudou 80 civilizações dos últimos quatro mil anos. Ele impressionou-se com fato de que as escolhas sempre foram: promiscuidade sexual e declínio, ou disciplina sexual e criatividade. Segundo ele, qualquer sociedade é livre para escolher uma das alternativas, mas não há liberdade quanto aos resultados. A promiscuidade da década de 1960 está hoje cobrando um enorme preço das pessoas, famílias e governos.

 – “Sexo é uma necessidade como ar, água e alimento.” Você não pode viver sem ar, água e alimento. Mas, creia, você pode viver sem sexo. Respirar, beber e alimentar-se, usualmente, não ferem outras pessoas. Por outro lado, o sexo pré-marital é capaz de magoar profundamente e destruir vidas.

“Repressão sexual prejudica o psiquismo.” O sociólogo Herbert J. Miles, PhD, estudioso da sexualidade humana, indica que não há qualquer evidência séria de que a abstinência do sexo pré-marital seja prejudicial à vida emocional normal ou que seja perigoso para o sucesso no casamento. A verdade é precisamente o oposto. O sexo praticado de modo contrário à orientação divina deixa marcas físicas, emocionais e espirituais. “Fugi da prostituição.” 1 Coríntios 6:18, ARC.

Os argumentos em defesa do sexo descomprometido entre jovens são vários e, sem dúvida, têm exercido considerável impacto. Essa lógica distorcida tem três fortes aliados: (1) inexperiência e curiosidade da juventude, (2) força da propaganda e (3) o poder da inclinação sexual. Além dos argumentos discutidos acima, analise ainda o engano de outras teorias que tentam validar o sexo pré-marital:

 – “Muitas autoridades recomendam.” Escolha qualquer curso de conduta que você queira seguir e você encontrará “autoridades” para endossar sua escolha. Cada autoridade tem predisposições pessoais. É importante que você determine “quem” disse isso e “por quê”.

 – “Se você não transigir, há outros que o farão.” Se um candidato a ser seu companheiro de vida se utilizasse desse tipo de conversa, estaria automaticamente desqualificado. Ao vê-lo partir, você não terá perdido nada.

 – “Precisa-se experimentar o casamento para ver se há compatibilidade.” Esse é o argumento “experimente antes de comprar”. A questão é realmente simples: Como você pode testar o casamento se você não tem casamento? Como você vai testar o casamento num relacionamento em que faltam os elementos básicos do matrimônio: compromisso, determinação para se resolver as dificuldades e vontade incondicional? Na realidade, o namoro é uma fase de experiência em que o teste deve começar pela observação séria do caráter, da convivência familiar, da responsabilidade com a vida, do trabalho, entre outras responsabilidades. Se você fizer do sexo o “teste” para o casamento, estará escolhendo a base errada para uma construção dessa magnitude.

 – “Um simples papel não fará diferença.” Essa é a conversa de quem não quer compromisso sério. De fato, o que importa não é o “papel”, mas o que ele representa: compromisso, lealdade e determinação. O que aconteceria a um aluno que fosse apenas “ouvinte” ou “visitante” em algumas aulas na universidade? Com que determinação ele enfrentaria os exames, leituras, trabalhos, estágios e exigências? Na primeira dificuldade, estaria fora. Não há nada mágico no papel, mas a confiança, o respeito mútuo, a dedicação sem limites e a comunicação verdadeira são possíveis apenas em um ambiente de envolvimento. A cerimônia do casamento e o compromisso social e legal que estão envolvidos desenvolvem a disposição para um relacionamento exclusivo e duradouro.

 Lembre-se: o amor pode esperar, mas a concupiscência é impaciente.

Fonte: Amin A. Rodor (Encontros com Deus. Meditações Diárias, 2014)

 

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Sexo, Amor ou Paixão?

Recentemente consegui “recuperar” num sebo, com negociação via internet, o livro “Sexo, Amor ou Paixão?” (Mundo Cristão, 1986), de Ray E. Short. A proposta do autor é prestar auxílio a quem tenta determinar se seu romance é um caso de amor verdadeiro ou simples paixão. Ray, que foi professor de sociologia da Universidade de Wisconsin, apresenta 14 pistas simples que ajudam a testar um relacionamento. Com a aproximação do  Dia dos Namorados, tive a ideia de apresentar aqui o resumo de cinco delas:

  • Qual é a maior atração?

Sinais de paixão. Se você está apaixonado, seu principal interesse provavelmente se fixará no equipamento físico da pessoa.[…] A ênfase fica nas coisas que você percebe imediatamente – o que você pode ver, ouvir, cheirar, provar ou tocar.

Sinais de amor. Quando você ama realmente alguém, entretanto, seu interesse é fixado na personalidade total da pessoa. Você se sente atraído pela pessoa inteira. A aparência física é apenas uma parte das muitas coisas de que gosta.

  • Quantos fatores atraem?

Pense no maior número de coisas de que gosta a respeito dele ou dela. Faça uma lista por escrito. Inclua itens como a maneira como a pessoa age, pensa, sente e também sua aparência.

Sinais de paixão. Na paixão o número de fatores que atraem você é relativamente pouco. Todavia, essas coisas que provocam atração podem parecer verdadeiramente sedutoras.

Sinais de amor. Se for amor, muitas ou a maioria das qualidades da pessoa – e do relacionamento – atraem você.Você não gosta só da maneira como a pessoa fala e de sua aparência, mas também de seu modo de pensar e sentir sobre as coisas e pessoas. Classe social, valores e religião, filhos e controle de natalidade, dinheiro, onde e como viver, conceitos sobre casamento e papel a ser desempenhado, alvos e esperanças para o futuro…quanto mais vocês concordarem sobre essas e outras questões importantes, tanto maiores suas chances de êxito no casamento.

  • Como ele afeta sua personalidade?

Sinais de paixão. A paixão romântica, e não o amor, é que tem um efeito caótico e destrutivo sobre sua personalidade. A paixão torna você menos eficiente, menos eficaz, menos autêntico. As pessoas provavelmente notam isso de imediato.

Sinais de amor. O amor verdadeiro terá um efeito organizador e construtivo sobre sua personalidade. Ele extrai o que há de melhor em você…O amor,  Duvall acrescenta,”é criativo, produz vontade de crescer, melhorar, trabalhar em direção a propósitos e ideais mais dignos. O amor se associa a sentimentos de autoconfiança, segurança e credibilidade.” O amor o leva a funcionar em seu nível mais alto.

  • Como vocês veem um ao outro?

Sinais de paixão. Quando você está apaixonado, vive num mundo de uma pessoa. Os dois se fecham no relacionamento. Ele se torna não só a coisa mais importante em seu mundo, mas também a única que lhes importa. O seu relacionamento tende a ser exclusivista. Os outros amigos se sentem postos de lado, negligenciados ou ignorados.

Sinais de amor. Como acontece com a paixão, no amor verdadeiro o ente amado pode ser a pessoa mais importante do mundo para você. Mas esta é a grande diferença: no amor real, você expande o seu mundo para incluí-lo. Se vocês dois se amam de verdade, não irão abandonar nem neglicenciar seus outros relacionamentos. Em lugar disso, acrescentam essa nova e maravilhosa relação a todas as demais que já possuem. Ele é um acréscimo e não uma substituição.

  • Como os outros veem vocês?

Sinais de paixão. Se você está apaixonado, as possibilidades são que seus pais e a maioria de seus amigos não aprovam o seu relacionamento. Os amigos de seu amado provavelmente não gostam muito de você e os seus também devolvem este sentimento na mesma moeda. Eles talvez não digam isso diretamente…Nos casos de paixão, cada um de vocês não irá também apreciar os amigos do outro…Tudo isso pode ser um sinal de advertência.

Sinais de amor. Quando se trata de amor, a maioria ou todos os amigos e pais aprovam. Vocês gostam dos amigos um do outro e sentem-se à vontade com eles por terem bastante em comum. Em alguns casos raros, um “amigo especial” pode sentir ciúmes e  portanto ressentir-se do tempo em que os namorados passam juntos. Mas na maior parte das vezes, existe uma aceitação mútua e amizade.

Mas o próprio Ray alerta: “Nenhuma pista tem valor sozinha.  Nenhuma delas é por si mesma uma base sólida sobre a qual tomar uma decisão.  Pode não haver algo como “amor puro” ou “paixão pura”. Seu relacionamento tem muito maior probabilidade de ser uma combinação de ambos. Você deverá olhar para além do que é indicado por qualquer pista isolada.  Precisa descobrir o que o padrão total de todas as pistas parece mostrar.”  Caso tenha ficado interessado em ler todo o livro, parece que há ainda um disponível aqui.

Espero que seu romance seja mais um caso de amor verdadeiro. Afinal, todos somos beneficiados quando alguém ama. “O amor…é benigno.” I Cor. 13:4. Como diz outra citação de Duvall no livro:  “Ouvimos dizer que ‘todos gostam de quem ama’…O inverso também é verdadeiro: ‘Os amantes amam todo mundo’.'”

Feliz Dia dos Namorados!

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Namoro no Escuro: em Busca do Amor Permanente

O amor é permanente por si mesmo? Esta a pergunta que encabeça um dos capítulos do livro Namoro no Escuro, de José Carlos Ebling. O livrinho, de edição já esgotada (Casa, 1984-1987), foi idealizado como um guia de orientação sobre namoro para o público jovem, mas este capítulo (p. 31-33) tem aquele aspecto atemporal que faz com que mesmo quem já se acha “mais vivido” na idade ou até na experiência conjugal se veja aprendendo, ou relembrando, algumas lições importantes e sempre atuais sobre o amor.

Para que o amor seja permanente e dure, para que a chama do amor se mantenha e continue ardendo é preciso trabalhar e em especial evitar esses elementos destrutivos do amor. […] Quais são esses elementos?

1. Crítica Pessoal. A crítica constante e mesquinha do cônjuge enfraquece e aniquila o amor. Viver só debaixo de acusações e referências aos próprios fracassos e limitações é altamente prejudicial, pois desenvolve uma atmosfera onde o amor não pode subsistir.

2. Ridicularização. Este é outro elemento tão prejudicial ao amor e tão freqüentemente presente no relacionamento entre namorados, noivos e casais. Ridicularizar os sentimentos, as virtudes, as fraquezas e as coisas mais caras e preciosas para alguém é a maneira mais fácil de transformar o lar num verdadeiro inferno, destruindo o amor.

3. Imposição de idéias. Quando alguém impõe suas idéias sobre o cônjuge, assumindo a atitude de quem está sempre certo, impondo sua forma de ser e de pensar, o outro vai sendo oprimido, diminuído, desumanizado e destruído em sua dignidade como pessoa humana e o amor desaparece.

4. Hipocrisia. Não há coisa pior do que a hipocrisia para destruir o amor. A falta de sinceridade, a atitude puramente social de quem diante dos outros simula amar o companheiro(a) mas a sós o trata com desprezo e rudemente, há de provocar o desprezo em troca e acabar por destruir o amor.

5. Outro elemento que destrói o amor é a atitude de autodefesa. Não há amor sem risco. Quando nos unimos a outra pessoa, quando essa pessoa se torna parte integrante de nós mesmos, tornamo-nos infinitamente mais vulneráveis. Aqueles que não podem amar são os que têm receio ou são incapazes de enfrentar tais riscos. Assumem uma atitude de autodefesa, pois querem conservar-se inatingíveis e sentirem-se protegidos.[…]A autodefesa normalmente destrói o amor que os outros têm por nós. O amor precisa de recíproca e constante realimentação. A menos que estejamos prontos a aceitar o fato de que amando ficamos vulneráveis à decepção, não poderemos fugir da teia egocentrista do nosso próprio eu e conhecer a beleza e felicidade de uma vida transbordante de amor.

Estes são alguns dos elementos que destroem o amor. Logo, o amor pode ser destruído e, portanto, não é permanente em si mesmo.

Como disse alguém, o amor é como uma planta pequenina e frágil que se não for nutrida poderá facilmente perecer.